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	<title>Widonid Another Hiro &#187; referências</title>
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		<title>Gosto não se discute, e eu gosto de Norman Rockwell</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 05:56:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Another Illustrators]]></category>
		<category><![CDATA[carisma]]></category>
		<category><![CDATA[fotos]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[Norman Rockwell]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algum tempo eu fiz um post sobre um livro chamado &#8220;<a href="http://www.hiro.art.br/widonid/2009/11/03/norman-rockwell-usava-foto-pra-pintar-e-isso-nao-e-crime/">Norman Rockwell Behind the Camera</a>&#8220;. Achei a proposta do livro muito interessante, mas não havia lido e não estava com carga energética no cartão de crédito pra encomendar um exemmplar na Amazon, então esse havia ficado pra chupar dedão de vontade. Mas eis que, durante o curso de caligrafia da Andrea Branco, que eu recomendo com manteiga em cima de tão bom, o ilustrador Alexandre Eschenbach deu uma eslapeada dizendo &#8220;Você viu que estão vendendo aquele livro do Rockwell na Cultura&#8221;?<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/blog/wp-content/500x_Norman-Rockwell_Behind_Camera_jacket.jpg" alt="rockwell camera" /><br />
E bazinga direto pra lá. Saí todo pimpão com esse livro. E pode ser a menopausa chegando, mas esse livro me fez ficar emocionado, li de cabo a rabo em algumas horas e repeti o processo mais uma vez só admirando as fotos.</p>
<p>Basicamente já expliquei sobre o que é o livro: são as fotos que Norman Rockwell tirou antes de fazer as pinturas e que serviram como referência, o que não tira mérito algum do talento desse homem.</p>
<p>Porém, todavia, no entanto, existe dentro desse processo um quê a mais.</p>
<p>Rockwell era um sujeito divertido. Deveria ser gente fina também, porque ele mesmo se posava de modelo em posições ridículas pra deixar outros modelos mais à vontade, segundo suas palavras, &#8220;despojado de dignidade e vaidade&#8221;, além de ser contra segregação racial numa época em que isso era visto como beijar outro homem de língua na vizinhança. Um sujeito que sempre pensa com bom humor, como você vê nesse desenho que ele fez quando seu estúdio pegou fogo em 1943. Ao invés de entrar em desespero ao ver as suas pinturas virarem fuligem, ele aproveitou para desenhar bombeiros, familiares, contando a história de maneira engraçada, com direito a café e bolachas pros bombeiros no final do rescaldo.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/My-Studio-Burns-Down-71743.jpg" alt="My Studio Burns Down  71743" title="My Studio Burns Down  71743" width="397" height="508" class="aligncenter size-full wp-image-1263" /><br />
Escaneei algumas fotos do livro, são docinhos de confeitaria para os olhos:</p>
<p>Talvez &#8220;Gossip&#8221; seja quadro mais conhecido do Rockwell, se não o mais chupado e vulgarizado, assim como a Santa Ceia e a palavra &#8220;amor&#8221;.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/rockwell_gossip_large.jpg" alt="rockwell_gossip_large" title="rockwell_gossip_large" width="482" height="514" class="aligncenter size-full wp-image-1264" /><br />
E essa é a foto.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/gossipers.jpg" alt="gossipers" title="gossipers" width="504" height="508" class="aligncenter size-full wp-image-1265" /><br />
Esse é um dos quadros que acho pavorosamente divertidos dele: &#8220;A day in the life of a girl&#8221;, só menos engraçado que &#8220;A day in the life of a boy&#8221;.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/norman4.jpg" alt="norman4" title="norman4" width="425" height="467" class="aligncenter size-full wp-image-1266" /><br />
E essa foi a sessão de fotos:<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/Day_in_Life_Girl_10_101.jpg" alt="Day_in_Life_Girl_10_101" title="Day_in_Life_Girl_10_101" width="482" height="482" class="aligncenter size-full wp-image-1267" /><br />
Um quadro com outro clima, de dignidade. &#8220;Suffleton&#8217;s Barber sozinho conta uma história, só reparando nos detalhes, assim como quase todos seus quadros.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/rockwell_barber1.jpg" alt="rockwell_barber" title="rockwell_barber" width="417" height="454" class="aligncenter size-full wp-image-1269" /><br />
E a foto.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/barber.jpg" alt="barber" title="barber" width="369" height="535" class="aligncenter size-full wp-image-1270" /><br />
Rockwell usava um tipo de projetor do tamanho de um caixão pra tracejar seus trabalhos. Um processo que diversos artistas usam até hoje, incluindo Alex Ross.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/Chamber.jpg" alt="Chamber" title="Chamber" width="416" height="425" class="aligncenter size-full wp-image-1271" /><br />
Todo e qualquer trabalho, de pinturas a vinhetas, tinha uma referência fotográfica.<br />
O livro é magnífico porque mostra o processo de criação, o que ele pensava, como ele produzia, quem o ajudava,como ele agia (basicamente como um ilustrador comercial, porque quase toda a produção dele era encomenda de editoras ou particulares, mas extremamente focado e metódico).<br />
Olhando para as fotos do Rockwell, você percebe que as fotos são maravilhosas, e o tratamento que ele dá em cima delas, a interpretação do artista, melhorava o que já era bom em película simplesmente exacerbando o tipo de sentimento que ele queria passar na tela. Ou seja, se era algo bem humorado, ele passava um verniz aparvalhando e apatetando as pessoas, na maioria delas homens, mas com uma dignidade cômica. E quando os quadros eram sérios, as fotos adquiriam uma camada de dignidade e honra imensa.</p>
<p>Talvez seja por isso que o livro seja tocante. Ele mostra que Rockwell não pensava apenas no trabalho final na tela, ele considerava todo o processo porque tinha uma idéia muito boa por trás disso. Desde a hora em que ele colocava filme na máquina ele já sabia como tudo deveria acabar e qual sentimento deveria passar. Devia ser daqueles cara que ficavam rindo sozinho enquanto trabalhava.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/spanking-norman-rockwell.jpg" alt="spanking-norman-rockwell" title="spanking-norman-rockwell" width="392" height="504" class="aligncenter size-full wp-image-1277" /><br />
Todos os quadros dele, sem exceção, ou passam uma sensação de você dar um sorriso ou de sentir um respeito muito grande. E talvez seja isso o que me agrada nele, o conceito. Todos os artistas que eu admiro passam não o delírio cômico para quem vê os trabalhos, como Vera Bee, Bill Pressing, Elvgreen, Scott C. e uma caralhada diversa, mas passam um clima que fazem você interagir com a obra, que vai do &#8220;que bonitinho&#8221;, ao sorriso involuntário, passando por &#8220;que gostosa simpática&#8221;, todos eles tem simpatia e carisma incorporado no traço. O lado yin desse exemplo, por exemplo, são as sensações que os quadros do H. R. &#8220;Alien&#8221; Giger com seus cadáveres passam pra você. Ele também consegue.</p>
<p>Talvez por esse clima que ele passa em seu trabalho, que muita gente também não gosta e o chama de Poliana (e talvez o seja, no bom sentido, porque ele deliberadamente optou por pintar o otimismo de qualquer forma, o que fazia suas pinturas parecerem irreais e falsas, com fãs e detratores de sua arte), fez com que as edições do Saturday Evening Post com suas capas multiplicavam exageradamente as vendas. Naquela época de perrengue da Segunda Guerra, bom humor era tão raro quanto sexo na trincheira .</p>
<p>Mais importante do que a execução ou a técnica, o clima e a idéia que o trabalho passa pra mim tem muito mais significado. Prefiro mil vezes um desenho meio tosco que me faça rir ou me passe uma sensação boa do que um hiper realismo que não consegue minha atenção de tão monotonamente perfeita, como uma modelo photoshopada. Rockwell era mirrado mas poderoso porque misturava o melhor dos dois. </p>
<p>São idéias e conceitos que inspiram, não os traços. Não gosto de trabalhos que agridam gratuitamente, trazem melancolia mimimi sem propósito ou coisas que tem que ter uma legenda embaixo explicando. E sim, não sou um grande fã de arte conceitual, aquelas coisas do tipo lâmpada queimada no meio da sala ou mosca alfinetada no pênis, meu cérebro é muito primata pra essas coisas e me orgulho disso.<br />
<img src="http://www.hiro.art.br/widonid/wp-content/uploads/2010/01/rockwell_wide2.jpg" alt="rockwell_wide2" title="rockwell_wide2" width="510" height="287" class="aligncenter size-full wp-image-1272" /></p>
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