Homem Aranha come Sopa de Salsicha

falei antes sobre o Eduardo Medeiros e seu traço fodaço.
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E agora, graças a uma indicação do Rafael Grampá, que fez a capa da revista Strange Tales da Marvel a um editor com a cabeça arejada, ele foi convidado a ilustrar uma história do nada menos flexível Homem Aranha. Deve sair em breve, breve, leia nas palavras do próprio pai em seu blog.

Parabéns é pouco e a expectativa é muita de ver super-heróis com o traço de Sopa de Salsicha.

Ma vie de nerd

Embora Paris seja regada a arte, e ela própria é um modelo vivo meio esnobe, não é muito fácil encontrar um programa para ilustradores aqui. Nova York tem dezenas de locais pra fãs do traço, como a Sociedade dos Ilustradores e suas aulas de modelo vivo, a Illustration House, a Animazing, etc. Mas Paris tem seus museus, suas galerias e vira e mexe tem uma exposição com algum ilustrador ou quadrinista por aqui. No momento tem uma do Robert Crumb e do Sempé. Em outro post eu falo da experiência de frequentar um museu abarrotado por chineses mal-educados.
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Pra compensar, eu conheci logo que cheguei a rua mais nerd de Paris: a Rue Dante, perto da catedral de Notre Dame, do museu Cluny de Idade Média e do Boulevard Saint Germain.

O nome da rua se justifica: nerds com cartão de crédito, deixai aqui vossas esperanças.

É uma rua abarrotada com lojas de cultura POP. Logo de cara, fãs de mangás, otakus alienadamente orgulhosos (sim, ser chamado de otaku também é palavrão aqui em Paris), tem essa lojinha, Le Maison du Mangá, pequena mas com muita coisa legal e diferente. Tem um Totoro tipo relógio cuco, por 500 euros, pelúcias do Ponyo assustadoramente fiéis e outras japonices. Além de gibis.
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Logo depois tem uma loja ao lado, Jeux Video, que vende videogames antigos, de Atari, nintendinho e Mega Drive. Em estado trincando de novo. Procurei por Might And Magic pra Mega Drive mas não encontrei, se você tiver um eu até compro.

Na frente tem a loja Gotham, uma perdição pra quem gosta de filmes de terror e filmes de terror trash. Tem quase tudo o que foi feito no mundo com essa temática, desde os filmes atuais, passando pelos tranqueiras-espreme-sangue japoneses, fimes holandeses de terror dos anos 70, filmes mexicanos, franceses, pornografia antiga sueca, tipo Rudolph pra baixo. Além vendem muitos objetos de filme. Lá vende a melhor máscara do Jason que já vi. Comprei Mic Mac, o filme novo do Jean Pierre Jeunet e que ainda nem estreou nos EUA. Achei que seria um novo Amelie Poulain, acreditando no trailer. Uma bosta com cheiro de roquefort.
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Por fim, o golpe de misericórdia da carteira, a guilhotina afiada que corta sem causar dor. As lojas Álbum. Eu conheci só uma logo de cara, o que já me fez um estrago danado, mas depois ao tomar um café com a Mariana Newlands – post futuro sobre isso – me apresentou pra mais 3 lojas da mesma rede, ou seja, fudeu.
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Album é uma mega loja de quadrinhos. Até aí tudo bem, mega loja de quadrinhos não fazem mal pra quem tem algum controle. Uma delas é gigantesca e só vende gibis e livros europeus. Um dia é pouco pra visitar essas lojas.
O problema, e bota problema nisso, é que ela também vende….sketchbooks! De todo mundo, do Alberto Ruiz, da Brandpress, da Fluide Glacial, do Stuart NG…aí a coisa pega. Vi livros que só achava que conseguiria comprar pela internet, como os do Stuart Ng, além de novas editoras só de sketchbooks.

Eu acabei com boa parte do dinheiro da viagem nessa loja, com um livro generoso do Peter de Seve, sketchbooks do Guarnido, do James Jean, Ronnie del Carmen, os novos do Adam Hughes, Chris Sanders, etc., etc., e bota etcetera nisso. Deu uns 7 kg de livros nessa brincadeira. Somado com a outra passada que eu dei numa loja de livros infantis chamada Chantelivre, perto do metrô Sevres, a coisa deu uns mais um quilo de conhecimento não-perecível.

E a cereja no topo do mamilo: uma bonequinha da Clara, a personagem voluptosa do Artur De Pins. Não sou do tipo que compra bonequinhos, mas meu caro, essa gostosa tinha que voltar pro Brasil comigo.
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Alguns vem aqui pra comprar Cartier e Luís Vitão na Champs Elisées. Não é o meu caso, desolée.

Detalhe cruel e sexista: dentro dessas lojas de quadrinhos você não encontra os mesmos tipos que encontraria na Forbidden Planet, em NY, ou nas lojas paulistas.

Meu amigo, o que tem de menina bonita e bem vestida e fãs de quadrinhos frequentando essa loja só faz você se sentir mais nerd ainda. Realmente aqui é outro país.

UPDATE:

Voltei pra rua Dante hoje e descobri MAIS UMA loja que vende quadrinhos e sketchbooks: A Pulp comics. Ela estava fechada quando eu fui pela primeira vez, e tem tantos livros de ilustração quanto a Album, só que é mais organizada. Lá encontrei o último livro do Ronnie del Carmen, “And There You Are” e descobri um grande livro de um grande ilustrador, chamado Stephen Silver.

Aprendendo a fazer quadrinhos com o Spacca

Salvem Spacca, a careca mais talentosa no mundo da ilustração, pai de Jubiabá, Santos Dumont e de outras obras arrebentantes, pois ele abriu um curso muito bem estruturado e completo sobre como fazer quadrinhos.
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São 7 módulos que vão desde a introdução ao universo dos quadrinhos, sua importância, passando pela parte gráfica, estruturação do roteiro, esse detalhe sem importância que chicoteia a qualidade de oito entre dez quadrinhos, até sobre mercado, veja só.

Os cursos começam no dia 18/01, têm 07 dias de duração e serão ministrados lá na faculdade Casper Líbero, lá no prédio da Gazeta da Av. Paulista.

Quem quiser mais detalhes, entra aqui no blog do Spacca que ele mostra o caminho dos tijolos amarelos dos quadrinhos. Mas fica esperto porque são só 25 vagas.

Infelizmente, ou não, Spacca não faz mangá. Be aware!

Hope Larson

Senhores, contemplem!

Admiro há tempos o trabalho de Hope Larson, que faz parte do mesmo time (que sou fã) da Vera Brosgol, Jen Wang, Catia Chien e de mais uma cambada de talento, que podem ser vistos em bando na revista Flight (essa semana ainda vou postar algo sobre essa revista, só esperando a nº 4 chegar nessas mãos ansiosas).

Eu tenho dois livros dela, o Grey Horses e o Salamander Dreams.

Quem curte uma história sem supersujeitos, mas com uma boa dose de poesia e delicadeza com aquele toquezinho de limão feminino, sorria que hoje o sol nasce mais cedo. Para felicidade dos mortais gostam desse tipo de trabalho e contam os centavos no final do mês, ela disponibilizou “Salamander Dreams” inteirinha pra download!

Ela merece um beijo de agradecimento (e comentário típico de homem, além de talentosa também tem uma beleza suspirável). Muy hermosa.

De graça e com autorização da criadora não é toda hora que aparece.

E esse é o cafofo onde saem essas delicadezas na forma de quadrinhos. Por que toda ilustradora tem um gato no estúdio?