Vende-se design, fiado nem amanhã

Quer saber se vender sem se prostituir?

O amabilíssimo ilustrador e designer Bruno Porto, pessoa que eu nunca tive o prazer de conhecer pessoalmente mas virtualmente mantendo relações cordialíssimas (obrigado pelo documentário da Disney japonês que você me mandou lá da China) lançou o livro Vende-se Design, da série Manual do Freela, da editora A2B.

Um guia de bolso e banheiro para ilustradores, designers e qualisquer outra profissão que envolvam portfólios e clientes. Tem dicas de como montar um portfólio, como vender um trabalho, como vender bem sua sardinha fazendo autopromoção sem passar vergonha. Tem dicas de gente graúda como Alarcão, Orlando, Gilberto Struck contando cases, dicas e manhas de como se manter em pé nesse mercado lotado e competitivo como ônibus na hora da Ave Maria. Tem até uma participação de um texto meu de como montar pranchas para portfólios de maneira civilizada.

Abaixo tem um filminho com pequenas palavras emprestadas sobre o livro:

Vende-se Design. Bruno Porto. from Gabriel Penchel on Vimeo.

Não sei onde comprar nem quanto custa ainda, mas informações devem constar lá no site da editora.

Diamante bruto, mas não violento – Portfólio do Rodrigo Okuyama, vulgo Poneis

Como escrevi no post anterior, alguns portfólios que encontrei nessa vidinha de bípede ilustrador fizeram os olhos apertados deste oriental quase rasgarem de tamanha exposição à luz.
Alguns desses eu encontrei quando fui convidado a avaliar portfólios no evento Ilustre, que aconteceu no SESC Pinheiros em maio e junho. Geralmente nessas sessões de avaliação, até pelo nome, você espera um nível de ilustração bem iniciante, onde você tem paciência e dá conselhos a rodo para o sujeito do outro lado da mesa encontrar seu caminho, tentando tirar a faca os erros mais crassos em sua pasta, em seu trabalho e em seu traço.

Algumas vezes, porém, você encontra gente igual filhote de elefante, já nasceu pronto pra sair andando com as próprias pernas em pouco tempo. No evento Ilustre encontrei algumas dessas piritas ilustrantes.
Princesa CAPA_04
O cara em questão é o Rodrigo Okuyama, vulgo Ponêis (é, eu também não consigo falar direito). É aluno da FAU, não trabalhou ainda como ilustrador profissional e tem um trabalho desbundante. Foi lá no evento Ilustre com a sua pasta para ser avaliada por mim, mais tímido e temeroso do que um ratinho mijando. Taí, demorei mas postei.
stencil
O trabalho dele é muito, muito delicado e refinado, principalmente as infantis que têm um frescor europeu muito forte. Mas ele também é muito bom no conceito criativo – isso sim é ave Dodô no mundo dos portfólios, mais até do que um traço bom – fazendo ilustrações com um forte conceito gráfico, usando cores, colagens, retículas e com uma direção de arte muito sólida e original. Se eu puxo a sardinha dele desse jeito é porque tem motivo. A pasta dele realmente me impressionou muito. Hidromel para ele e para todos que concordarem.
party
Johny
Como esse blog é bem visto por uma comunidade de ilustradores E diretores de arte e publicitários, decidi que valia a pena divulgar esses portfólios de gente verde com muito talento. Como disse Eugênio Mohallen certa vez quando mostrei o portfólio pra ele: “Não posso te dar um emprego, o mínimo que eu posso fazer é ver sua pasta”. Tipo de sabedoria e humildade cada vez mais rara nesse universo da propaganda.

Acho que, como Mohallen, o mínimo que posso fazer aqui é ver a pasta, pois emprego não posso dar. E se o sujeito é iniciante ou nunca trabalhou e tem o traço ou a criatividade excepcional, esse deve ser mostrado. Se esse for o caso, passe o link pra eu ver e, se o seu trabalho levantar os pelinhos da minha nuca, com certeza vou divulgá-lo. Mas por favor, não me peçam com olhos molhados de gato de botas pra eu colocar seus trabalhos aqui, não implorem apenas pela necessidade de emprego, dinheiro ou de tirar uma insegurança. Um talento excepcional fala por si, não precisa da boca ou do mimimi para ser ouvido.

Portifinha

Uma ilustração que não entrou num lâmina de bandeja e dei um tapinha na boneca pra entrar no site portfólio.
Cakegrrl copy
Serve pra reviver um post sobre como montar portfólios, que escrevi em fevereiro de 2007. Depois desse tempo, quase nada não mudou, pelo contrário. As pessoas é que ficaram mais ansiosas.

De vez em quando a gente pega um portfólio pra avaliar tão bom que salta aos olhos. Em comparação, tem outros que arranham a retina.

Sê benvindo, Site e Portfólio novos!

Demorou um bocadinho, mas enfim está no ar meu novo site e portfólio digital.
siTENOVO
Entre aqui e esbaldeie-se.

Agora as imagens estão maiores, e as lâminas de bandeja, maiores ainda. Depois de clicar e surgir a imagem lateral, clique nela novamente que ela vai aumentar mais ainda. Isso vale pra todas imagens com detalhes, além das lâminas de bandeja.

Agora o site dá pra ser atualizado imediatamente, e as páginas frontais customizadas à lá vonté. E também tem a parte em inglês, onde qualquer um, de Nova York à Burkina Faso coseguem entender o que está lá.
Viva HTML e WordPress.

O site, obviamente, é mais sóbrio, tem fins mais profissionais. O blog é diversão e válvula de escape, mas os dois se completam. Próxima meta é criar uma newsletter. Nada detém a fúria digital.

Ilustrações coadjuvantes

Nem sempre o ilustrador faz trabalhos grandes, autorais, glamourosos ou que vão salvar o mundo. De vez em quando aparece um trabalho simpático, honesto, mas não dá pra colocar no portfólio, por causa da relevância, do uso ou do estilo. Como alguns passo-a-passos ensinando a fazer bolo de caixinha, por exemplo.

Fiz esses “desenhos de criança” para o lançamento da geladeira Aquarela da Consul, uma geladeira que você pode desenhar nela como se fosse um quadro branco. Perfeita para ilustradores que tem o hábito de assaltar a a geladeira no meio da madrugada pra dizer olá pra coxinha de frango.

É o tipo de trabalho que você até se pergunta por quê contrataram um ilustrador pra fazer isso. Mas ainda bem que o fizeram.