O japonês pervertido na peixaria

Vera Gleiser, que mora em Seul, me mandou essa imagem de um guia de campo para nerds pervertidos.
É a matemática e a geometria sendo usadas para satisfazer o fetiche de onze entre dez nerds de carteirinha: sexo à distância. Criada por coreanos, desejado por muitos.

Se você, amiguinho solitário que vê sensualidade apenas nas curvas do número 8, leve uma régua e um transferidor na próxima vez que você andar de metrô e uma cocota de minissaia sentar na sua frente.

Existem coisas na cultura japonesa que, como disse anteriormente, só morando ou sendo um japonês autêntico pra entender. Embalagens mostrando fiofós de cachorros, cerveja pra crianças, doce de feijão, máquinas de vender calcinha usada, pachinko….


Uma coisa que tem público cativo lá são hentais (desenhos animados pornôs) com tentáculos. Geralmente são monstros ou demônios sodomizando garotas com cara de Sailormoon. O sexo sempre é forçado, as perseguidas sempre sofrem e o público pervertido faz “ola” de alegria. É o fetiche adulto equivalente aos robôs gigantes com nomes pomposos.

O curioso é que talvez (veja bem, eu disse talvez) essa tara por moluscos cefalópodes venha do século XIX.
Todo ilustrador ou apaixonado por artes já viu essa gravura:

É “A Grande Onda de Kanagawa”, que muitos dizem ser a representação de um tsunami. De tão conhecida praticamente virou ícone pop.
Ela foi criada por Katsushika Hokusai, que viveu até 1849, durante o período Edo. Era um apaixonado pelo mar e pelo Monte fuji. Sua arte é muito conhecida pelo mundo, e adorado no Japão.

E eis que no meio dos seus trabalhos tem um exemplar que deve ser o tataravô que deu início a essa tara por seres frios, viscosos e gelatinosos:

Essa pintura se chama “O sonho da mulher do pescador”. Ou seja, ela não deseja o vizinho musculoso ou o afiador de espadas do vilarejo, o que ela quer mesmo é o que o marido vai trazer da pescaria.

Acho que as peixarias devem deixar alguns caras com o circo armado no Japão.