Pra quê coelho?

Alguém me explica esse coelho.
Toelho
É um adesivo que fica colado nas postas dos vagões de metrô de Paris. Um coelho cor de rosa prestes a perder quatro dedos da mão, uma mistura insossa de Quincas com Pernalonga.

Procurei por todo lugar, mas não vi mais nenhuma referência a esse lagomorfo rosado no metrô ou fora dele. Péssimo uso de um personagem, ou péssimo briefing de ilustração. Pra que coelho?

Gobelins, não foi dessa vez

Juro que eu tentei.

Meu contato para entrar dentro da escola de imagens Gobelins deu uma furada bacana, daquelas de fazer você se sentir Scarlett O’Hara erguendo cenoura no ar.
gobelins
Sem um contato foi impossível entrar para conhecer a escola por dentro. Não sei se a recepcionista estava num dia com o hemisfério sul sangrando, ou se o mau humor é o típico parisiense, mas o fato é que não passei da porta da frente, nem falando que eu vim do Brasil só para conhecer a escola, nem dizendo sivuplê ou que usei o dinheiro da comida dos meus filhos pra viajar pra Paris. Nada. Era possível sentir o ar ficar mais frio perto da recepcionista, que falava inglês mas preferia falar na língua dela.
Pra não dizer que não entrei na escola, eu enfiei a cabeça pra dentro de uma porta, totalizando talvez uns 7 metros de penetração forçada na Gobelins, incluindo a recepção.
Mas até se entende o porquê, afinal a escola Gobelins tem se tornado referência em animação e consequentemente, tem aumentado muito a procura apenas para fins de matança de curiosidade, e vai saber se também a concorrência é outro motivador da restrição. Restou-me então sentar confortavelmente na recepção enquanto assistia os filmes em uma TV na parede e pegar os folders.

Pelo menos dá pra passar a informação dos cursos de lá, que é o que interessa.

Existe um curso de verão na Gobelins – Character Animation.
É um curso que, neste ano, vai de 1º a 18 de julho. As aulas são ministradas em francês com tradução simultânea em inglês.
É um curso de duas semanas que resume o “Master Class”, o curso mais longo, focando basicamente na animação de personagens.
Custa 2.200 Euros sem acomodações e 2.600 com cama, privada e algum carinho. Comidas e sexo à parte.

Não é um curso para iniciantes e amadores. Só são aceitos quem já tem um traço bem desenvolvido, tem uma avaliação que deve ser feita através do site deles.

O curso Master Class, que levam alguns anos, esse nem informação eu consegui. Só por email. Só sei que esse curso, em módulos, lida não só com animação, mas também com desenvolvimento de personagens, de cenário, estudo de roteiro, música e harmonia visual.

Mas tem uma coisa legal que soube lá: a Gobelins tem um projeto já montado onde ela leva o curso Master Class ou o de verão para outros países. Vai que um dia uma alma boa e gentil não decida trazê-los aqui no Brasil? Esperança é a última que morre, mas morre.

Galeria Arludik, ponto turístico para ilustradores em Paris

Assim é a vida. Um dia você está atravessando o rio Sena. No dia seguinte, o rio Tietê.

Já retornei ao Brasil e devido à minha mente frouxa como elástico de cueca velha, perdi meu caderno Moleskine com todos os desenhos que eu fiz em Paris, vide post abaixo. O jeito agora é postar o que restou da viagem baseado em fotos. Ainda queria postar alguns desenhos de tipos que encontrei nas ruas de Paris e outras coisinhas mais. Madame Sorte , faz uma forcinha pra ele voltar aqui em casa são e salvo.

Eu havia dito que Paris era uma cidade ótima para quem é artista, mas em termos de ilustração não havia muita coisa específica. Isso se tornou 50% verdade. Depois de ter conhecido o acervo de livros de sketches explode-cartão da Album e da Pulp, eis que conheci no finalzinho da viagem algo para endurecer os mamilos de qualquer ilustrador, principalmente os que amam criação de personagens de cinema e animação.

A Galeria Arludik (Rue St. Louis en l’ille, 12-14, perto do metrô Pont Marie da linha 7) fica numa rua bonitinha em Cité des Arts e se resume grotescamente nessa frase: é de foder.
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Imagine um lugar onde periodicamente são expostos sketches e originais de Bobby Chiu, Katsuhiro Otomo, Miyazaki, Satoshi Kon, Alessandro Barbucci, de Monster Allergy, Claire Wendling, concepts de Ratatouille, Ice Age 3, etc, etc e bota etc nisso. Dá uma olhada nessa galeira de artistas pra ver se você também não sairia de lá pingando algo, não necessariamente lágrimas.

A Galeria em si é bem pequenininha, um ovinho de codorna, mas uma prova de que tamanho não é documento, ou que coisinhas pequenas fazem maiores estragos, entendam isso como quiserem. Resume-se a duas salas pequenas com uns 20 quadros especificamente de um artista, que é trocado constantemente, ou seja, a galeria não tem uma exposição permanente.

No dia em que eu fui era a vez do Sylvain Despretz, que fez storyboards e concepts de filmes como “De Olhos Bem Fechados”, “Eu Robô” e “I’m Legend”. O próximo, que começa essa semana, é a exposição do Devin Crane.
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Amostra grátis do Devin Crane.
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Parece que o forte da Galeria não é a galeria em si, mas as exposições que ela faz na França e Europa em museus grandes, espaçosos e renomados, elevando os concepts e desenhos de cinema e animação pra categoria de arte. Você também não pensaria em vender partes do seu corpo, incluindo orifícios, para frequentar uma exposição com o Miyazaki bebendo vinho ao seu lado?
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Só pra saber, esse daí é “O” Otomo. Aquele.
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A responsável pela galeria, Diane Launier, uma parisiense simpaticíssima (vale frisar que essas duas palavras nem sempre andam juntas) não é ilustradora, mas é uma apaixonada por esse tipo de arte, sentimento que nós entendemos muito bem.
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Em sua salinha existem dezenas de quadros que não estão à venda, porque talvez não tenham preço, como uma sequência de Persépolis feita a mão. Foi lá que eu vi um original do Peter de Sève, num momento em que eu arregalei tanto os olhos pra ver os detalhes que deixei de ser oriental por alguns minutos.

Lá vende muitas prints giclées das exposições passadas, que se esgotam rapidinho como táxi em dia de chuva. Eu comprei esse sketch do Spike Jonze que ele fez para “Where the Wild Things Are”, o máximo que 100 euros conseguem comprar naquele lugar, onde tem trabalhos por até 10 mil euros.
SPIKE

Pimenta no cuisine dos outros é refresco

Tirando comprar pão de boulangerie e queijo e vinho de algum marché por perto do seu hotel, comer bem em um restaurante, ao contrário do que se pensa, não é tarefa fácil. Se não tiver uma boa indicação, você corre sério risco de gastar vinte euros num prato de bife feito sem amor e tempero, ou comer um churrasco grego, aqui chamado de gyro, que é um corneto com tudo o que o homem fez de gorduroso e perigoso, um dinamite oleoso. Comer num McDonald’s aqui é um tapa na cara do dinheiro que você gastou com as passagens.

Mas, como disse antes, existe a Paris dos turistas e a Paris dos parisienses. Em termos de comida, vale a pena – muito a pena – fugir dos lugares turísticos, principalmente os locais com fotos dos pratos na frente, dos locais onde tem uma atendente fantasiada de odalisca e de qualquer pizzaria, e se perder em ruas vazias e tentar entrar em restaraurantes isolados e que praticamente não tem placas na frente.

Tomar café da manhã e almoçar sozinho em Paris é tarefa fácil. Difícil mesmo é JANTAR sozinho. Paris é uma cidade que exige que você tenha uma companhia a noite.
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O francês tem o hábito saudável de respeitar o horário das refeições, de comer bem e de comer sempre bem acompanhado, seja dos amigos ou de um objeto de desejo. E dá-lhe bate-papo regado a vinho.

Na maioria dos lugares não turisticos, jantar sem ter feito uma reserva é quase como querer entrar de cueca furada. Some-se isso ao mau humor de alguns gerentes e você tem um souvenir em forma de trauma pra levar pra casa.
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Quando deixam você entrar, é intimidador. Todas as mesas estão lotadas com mais de uma pessoa e você tem que ligar o seu botão do foda-se imaginário, com a ajuda de um livro ou do sketchbook, e partir pra cima do entrecôte.

Viva para Steve Martin em “The Lonely Guy”.

Mas em compensação, quando você acerta, seja comendo com os amigos ou quando um residente daqui indica um lugar bacana, o lugar e a comida fazem uma cicatriz do bem no seu cérebro.

A melhor maneira pra não errar e gastando muito mas muito pouco mesmo é comprar pão, qualquer um dos centenas de tipos doces e salgados, entre paninis e pains du chocolat, que são vendidos lá, um melhor que o outro. O problema é ficar com o estômago nauseabundo de tanto comer amido.

Tá rindo do quê, Mona Lisa?

É fato. Paris É a cidade mais turística do mundo. Muito mais que NY, muito mais que Barcelona, é abrir os braços nas ruas e acertar 6 turistas ao mesmo tempo, todos de nacionalidades diferentes.

Assim, não há como ficar um pouco irritado com alguns pontos turísticos em Paris. Torre Eiffel? Turistas a granel. Champs Elisées e Arco do Triunfo,? Turistas fluindo como colesterol nas veias. Catedral de Notre Dame? Gárgulas não conseguem afastar os turistas. Até aí tudo bem, são locais muito grandes, abertos, ao contrário, por exemplo, de Montmartre e a igreja de Sacre Coeur, cujas ruas são estreitas como cintura de modelo e os turistas formam muralhas entre as calçadas.

Não poderia esperar nada mais do que claustrofobia, contato humano forçado e odores miseráveis (sempre tem um desgraçado que peida e foge nessas multidões) no museu do Louvre.

Infelizmente não tive sorte.

O Louvre estava com várias salas fechadas, sei lá por qual motivo. O fato é que somente as principais estavam abertas – Egito antigo, arte italiana, francesa, o que fez o que eu achava impossível – visitar o Louvre em apenas um dia. O Metropolitan, em NY, fiz em 3 dias e ainda faltaram algumas salas.

Mas, pra piorar, somados com o frio intenso (o que aumenta o número de visitantes) e o acúmulo de turistas em pouco espaço, visitar o Louvre virou uma experiêcia irritante e excruciante. Tranquilidade somente nas alas do Egito antigo e Mesopotâmia. Na parte das pinturas, o caos.
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Ficar observando um quadro com calma era impossível. Hordas de turistas chineses, com uma educação e grosseria de lenhadores com diarréia davam empurrões, tomavam conta do espaço e me faziam aflorar o que um homem tem de pior dentro de si.
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A Mona Lisa é um caso à parte. Mesmo sabendo com antecedência que acontece uma histeria coletiva organizada em algo que se pode chamar de fila, onde você é empurrado inexoravelmente pra frente, sem chance de observar os detalhes com calma, nada te prepara para esse festival de irritação e vontade de chutar o pau da barraca. Não, obrigado. Mona Lisa, te vejo na internet.

Parar pra sentar e desenhar uns sketches dos quadros, nem pensar.

Outros museus também são cheios, com filas pra entrar que andam em passo de taturana sonolenta, mas todos eles sem o fator “histeria coletiva”, o que os tornam…agradáveis. O Museu Rodin, Grand Palais, Centro Pompidou, Galeria Toquio, todos eles tão…tranquilos! Até os banheiros são mais agradáveis, você urina assobiando.
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O Museu D’Orsay foi o meu preferido. Foi construído em uma estação de trem desativada, tem um charminho todo especial. Tem uma mostra paralela muito bizarra chamada “Crime e Castigo”, com quadros e objetos com esse tema, com destaque para uma máquina de tortura elétrica que parece ter saído do filme “Jogos Mortais”.

Onde comprar Canson na terra do Canson?

Em Paris as lojas de material de desenho são como os cinemas daqui: são numerosas, mas a maioria são pequenininhas. Mas esse é o pensamento europeu, que acho correto. Eles não precisam de lojas de materiais de desenho gigantescas ou cinemas como o Cinemark. Elas vendem o que eles precisam, não são afetados por novidades (como no cinema, só agora o hábito de comer pipoca dentro da sala está começando a chegar, a contragosto bufante de alguns franceses). Se a loja tem um papel Canson, uma tinta Sennelier e um lápis Torchon, mais que isso é exagero.

Assim, se formos pensar em tamanho, São Paulo ainda está muito bem servida com a Casa do Artista e a Pintar, fazendo propaganda de graça. Poucas aqui chegam aos pés delas em termos de tamanho e diversidade de materiais. Em NY, ao contrário, até pela natureza da cidade, você espera o contrário: lojas gigantes com materiais de desenho que parece terem sido criados por Hefesto, o que não acontece, as lojas estão reduzidas porque quase todas as vendas são feitas online.

Eis algumas impressões das poucas que eu visitei:
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SENNELIER – Parada obrigatória nem que seja só pra conhecer uma das lojas de material artístico mais antiga da Europa. Fica no Quai Voltaire, pertinho do museu do Louvre.
Não me deixaram fotografar a loja por dentro, mas ela é bem pequena, apertada e até um pouco sufocante. Quatro fregueses dentro já enchem o pequeno espaço na frente do balcão. Tem um número limitado de materiais de desenho, vendem muito pigmento, aquarelas, tintas, telas e pincéis, a maioria da própria Sennelier.
A loja parece uma farmácia do final do século passado, repleta de armários de madeira envidraçados, muitos papéis e caixas empilhados de maneira bem displicente e atendentes simpáticos vestidos com avental branco. Até parece que dá pra tomar injeção na bunda nos fundos da loja.
Frequentada não sei por que por muitos ingleses.

UPDATE: O leitor do blog Alan Bariani mandou essa foto de dentro da Sennelier pra mostrar a cara de botica que ela tem:
sennelier
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DUBOIS – Outra loja bem antiga, fundada em 1861, fica na rua Soufflot, entre o Pantheon e o Jardim de Luxemburgo. É um pouco maior que a Sennelier, também bagunçada e com alguns materiais antigos e diferentes de caligrafia. Tem uma seção interessante e escondida que vende – pasmem – bússolas, relógios e lentes de aumento.

LE GÉANT DE BEAUX ART – Fica na rua Roquefort, é bem grande, mas nada muito diferente do que você encontra em qualquer loja.

BHV – Dica do Japs, achei estranho porque o Bazar Hotel de Ville (Rua du Temple 14, Hotel de Ville) é uma megaloja de departamentos, tipo “El Corte Inglés”. Mas surpreendentemente, dentro tem uma seção inteira, no segundo andar, só de materiais de desenho e profiças – dezenas de marcas de papel de aquarela, das mais caras as mais vagabas, cadernos de sketchbook, pincéis, aquarelas, todos tipos de tintas, pincéis e acessórios. É quase uma Géant pela metade, e os preçøs são os menores que eu encontrei.
O lado ruim é que tem muito material exposto desgastado porque muita, mas muita gente mesmo passa pelo lugar, é um lugar bem frequentado por turistas.

ROUGIER ET PLÉS – (Boulevar Filles des Calvaries, 13, no metrô Filles de Calvaries) Essa é a maior loja que eu entrei, são 4 andares de material de desenho, um andar inteiro só de artesanato e uma boa seção de materiais de encadernação de livros. Dá pra descabelar um bocado o cartão de crédito nessa loja.

Devem existir mais de uma dezena de outras lojinhas em Paris, mas com essas 5 eu fecho a conta de materiais de desenho por aqui, senão, da mesma forma que comprar sapatos pra mulheres, isso não tem fim.

Em Trocadero….

Essa foto foi tirada dentro da estação Trocaderó de metrô (depois que você perde a travada inicial, por causa da complexidade quase fractal, andar de metrô em Paris se torna divertido, porque é retardadamente simples, embora algumas conexões são quilométricas), são bancos de espera da estação.
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Não acredito que a forma tenha sido escolhida de propósito, o bom humor vem involuntariamente.

Dica pra quem quiser ver a Torre Eiffel, descer nessa estação lhe propiciará a melhor visão da Torre na cidade. Dica de cachorro sabujo, mesmo se você não quiser subir na Torre – se levou quase duas horas no dia mais frio do ano, imagine o quanto não leva num dia ensolarado – essa visão fica pra sempre na sua memória, da mesma forma aquela memória da primeira mulher pelada que você viu na sua vida.
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Esses monumentos da humanidade – a Torre, a Estátua da Liberdade, as pirâmides do Egito – causam uma catarse na primeira vez que um mortal as vêem ao vivo. Acho que, de tanto vermos as imagens em livros, internet, TV, um bombardeio constante de referência, a visão “in loco” desses monumentos te deixam pasmo um momento porque alguma engrengem dentro do cérebro roda pra te dizr “sim, isso é de verdade”. O processo de aceitação só se completa quando você tira as SUAS fotos, fazendo parte da sua experiência particular.

Subir na Torre Eiffel no frio deveria ser proibido. É o mesmo que brincar com arma de fogo com uma bala na agulha, é querer brincar com algo perigoso e achar que nada de ruim vai acontecer.

Luke, je suis ton pére!

Assim como na Espanha, tudo o que vem de fora é dublado. Nos cinemas e na TV.
Um dos motivos que acho que me motivariam a não morar aqui é a TV a cabo.
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Além de ter que assistir House falando francês, eles também fazem adaptações de seriados americanos, mas que ficaram muito, mas muito ruim mesmo. C.S.I. aqui é R.S.I, Policie Criminale, por exemplo, feita com atores franceses muito feios! Se você esticar o braço na rua vai pegar caras e moças muito mais bonitos e menos canastrões. Nem CSI Miami é tão ruim quanto isso.
Tenso! Vou ter que ver o final de Lost em francês mesmo. Ver Hurley falando “dude” com sotaque francês faz quebrar alguma coisa dentro da sua cabeça.

Mas nem tudo no cinema vem dublado. Alguns filmes passam em V.O., ou Version Originale. Assisti Kick Ass, um belo filme nerd sobre super-heróis (nenhum poder trazem nenhuma resposabilidade) , em V.O. Mas Homem de Ferro 2 foi com Tony Stark falando “Je suis l’homme de fer”.

Adele Blanc Sec é um filme francês baseado em quadrinhos daqui, daqueles que tem cara de americanos, dirigido pelo Luc Besson. Quando voltar faço uma Fast Girl com ela.
adele
E hoje entrou em cartaz “Robin des Bois”. Lê-se Robán DiBoá.
robin

Dias de frio em Paris

Já cansei de dizer isso, mas falo de novo: aqui está frio como o coração de um carrasco. Somando a chuva fina e o vento, a sensação térmica é quase glacial. As orelhas parecem trincar e as coisas líquidas parecem que vão ficar logo sólidas. Pra quem já veio gripado do Brasil, consegui a façanha de conseguir re-gripar aqui, chegando ao ponto de subir no altar com 39 de febre.
frio
O frio em maio como está fazendo é um caso raro. Alguns dizem que o parisiense anda mais mal-humorado que o normal por causa dessa friagem.
jNELA
Essa é a janela do meu quarto “meu-amor” aqui no Quartier Latin. Tem dias que faz tanto, mas tanto frio que alguns pombos ficam encostados no vidro da janela, porque dentro do quarto é mais quentinho.
POMBO
Dá até dó, se esses bichos não fossem tão nojentos eu convidava pra entrar e tomar um chocolate quente.