Coisas ruins acontecem quando um menino é um putinho e uma calcinha é uma cueca

Há alguns anos atrás eu criei uma lâmina de bandeja do McDonald’s em Lisboa depois de entrar em uma estação de metrô onde as paredes são recobertas por azulejos diferente. Num país onde Papai Noel é Pai Natal, faxineira é mulher a dias e calcinha é cueca, milhares de palavras irmãs portuguesas irmãs das brasileiras soavam piada pra nós. E eis que a lâmina nasceu pronta (se clicar na imagem ela cresce um pouco mais):


E uma das coisas mais divertidas eram os títulos portugueses para os filmes americanos. Fiquei uma tarde na seção de DVDs na Fnac de Lisboa anotando algumas hilariosas interpretações:

O Planeta dos Macacos (o original, com Charlton Heston) lá se chama…O Homem Que Veio do Futuro!! Mas para quem não se lembra do filme, Charlton Heston veio…do passado!!!

A série Duro de Matar, na ordem: Assalto ao Arranha-Céu (Duro de Matar 1); Assalto ao Aeroporto (Duro de Matar 2) e…..Die Hard 3 (Duro de Matar 3)!

O bonitinho O Ratinho Encrenqueiro lá se chama Não Acordem o Rato Adormecido!

A Mulher-Maravilha lá se chama A Super-Mulher!

Alice no País das Maravilhas muda de lugar. Lá se chama Alice no País das Fadas.

Um Tira da Pesada lá virou O Caça-Polícias.

Jornada nas Estrelas é chamado de Caminho das Estrelas.

Arquivo X é Ficheiros Secretos.

O Gordo e o Magro são Bucha e Estica.

E para dizer que eu tô mentindo, tirem as crianças da frente do computador que eu mostro uma foto, cedida pelo Marcelo Lourenço, que entre a versão brasileira e a versão portuguesa existem existe um universo paralelo e bizarro:

Tcharam!!!
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Pra quem não sabe, o filme aqui se chama “A Caixa de Pandora”, mas não é a Pandora do Avatar, pelamordedeus.
Só um adendo tirando o da reta da fogueira da inquisição: é fato, algumas “traduções” de palavras portuguesas para o brasileiro são hilariantes, mas isso não é uma diminuição do português em si. Aposto fichas e bichas que o contrário também acontece – muitos portugueses podem rir ou ficar de queixo caído com algumas expressões e palavras brasileiras – mas isso é matéria pra outro post.

Tem tubarão em Toque-Toque?

Não veja Mar Aberto na véspera de viajar pra Fernando de Noronha ou Aruba.

É desagradável, pra cacete. Você sua dentro da máscara de mergulho esperando um tubarão roçar nas suas pernas.

Não veja “Casa de Areia e Névoa” se você estiver procurando uma casa pra comprar. Você pode ficar com vontade de viver de aluguel por um bom tempo. A paranóia faz o homem urbano ficar vivo!

Não veja “Abismo do Medo” se você planejou descer nas cavernas do Petar no final de semana. Tem um outro, “A Caverna”, que é um lixo, mas esse passa bem o clima de como é uma caverna por dentro (eu ia pro Petar pra ajudar a coletar espécimes de bagre cego pra faculdade). Quem é claustrofóbico deixa uma marca marrom nas calças.

Muita gente pensou, “pelo menos o cartaz é legal, que pusta idéia”, mas na verdade é uma “homenagem” desavergonhada.

Salvador Dali e Philippe Halsman criaram isso em 1951. A obra se chama “In Volupta Mors”. Sem Photoshop e sem filtros. Na munheca mesmo.

Não é teoria da Conspiração, mas quase tudo o que você acha legal na indústria do entretenimento tem uma fonte anterior mais digna ou de melhor qualidade.

Voltando ao Dali, ele era um inovador. Era um pirado, um José Celso Martinez catalão, mas era genial.
Essa instalação na época fez frisson. De perto é um amontoado de quadros com o foco principal na sua mulher pelada, Gala, de quem ele era apaixonadíssimo. De longe você vê a cara do Lincoln.

Tem muito anúncio e ilustrações que usam esse recurso, virou até carne de vaca.

Esse orangotango com ossos dourados tem um toque que lembra as esquesitices do Michael Jackson (não foi ele quem comprou o esqueleto do Homem-Elefante?).

Essas fotos tirei no museu Dali, em Figueres, Espanha.