O tempo que o tempo te dá é o tempo que tem que dar pra dar tempo de fazer tudo o que deveria ser feito.

Não sou o Hiro Nakamura, que consegue manipular o tempo, mas o anti Hiro, aquele que é manipulado pelo tempo e faz dele um capacho, um escravo masoquista que pede para ser chicoteado pelos ponteiros do relógio.

Passados dois meses, terminei a mudança – terminar é eufemismo, já que convivo com mais caixas de papelão em casa do que carroceiro no final do dia na Faria Lima – morando no pior prédio com o melhor apartamento que poderia escolher (quem projetou a garagem daqui devia feder a enxofre, de tão apertada e porcamente desenhada) e após uma maratona de palestras, aulas e a entrega de alguns trabalhos ginórmicos, eis que volto novamente para este blog. Como diz o ditado popular, pelo menos o que vale é a intenção, e é intenção minha voltar com o blog normalmente agora que consigo domar um pouquinho mais o tempo.

Não é só com o blog que estou em dívida, também tô atrasado como menstruação de grávida com meu calendário de 2011, com meus projetos pessoais, incluindo aí higiene pessoal. E pra piorar, ou melhorar, dependendo de qual ponto de vista você assume, o remédio regulador de sono também funcionou, ou seja, agora eu durmo todos os dias, 7 horas por dia. E com isso eu volto a ter o prazer de conseguir lembrar coisas.

Tanta coisa se passou em dois meses e eu não documentei aqui. Nada sobre o livro Sketchbooks, nada sobre o fantabuloso Baião Ilustrado, que aconteceu em Fortaleza, nem um pio sobre o assombro de talento do Assis, o 3D Studio humano, nem sobre meus livros, nem sobre o IlustraBrasil 7 no Rio…mas que tem assunto retroativo, isso tem. Em português claro, não falei mas vou falar.

Como já prometi várias vezes que eu iria retomar o blog e não consegui, não vai ser desta vez que vai ter outra promessa, até por que promessa é dívida, e dinheiro é algo que é raro como galinhas com mamilos nesse momento. Mas prometer que vou tentar, isso eu posso.

E o desenho que ilustra esse post “mea culpa” é uma palhinha da próxima lâmina de bandeja do McDonald’s.

Queimando as pestanas

Estou voltando depois de um tempo fora do ar. Espero que agora eu retome as minhas funções normais, sejam elas profissionais ou fisiológicas.

Durante mais de 20 anos eu dormi entre 4 a 5 horas por dia. Achava que dormir era supérfluo, acreditava nas palavras de Napoleão de que um tolo precisa de 8 horas de sono, achava que era um tipo de poder mutante que me permitia trabalhar mais do que a média dos humanos mortais, me dava uma soberba presunçosa achando que isso poderia se manter para sempre e produzindo mais do que máquina de fazer linguiça.

Some-se a isso 16 anos de stress paquidérmico trabalhando como diretor de arte, dentre eles também como responsável pelo departamento infantil do McDonald’s, lidandocom todo tipo de criatura de sangue quente e frio. Coisa de trabalhar todo dia até as 3 ou 4 da manhã, voltar pra casa, passar uma águinha no rego e voltar pro batente as 11 da manhã, lidando com 4 ou 5 jobs ao mesmo tempo. Às vezes o clima era tão pesado que dava pra cortar o ar com uma faca.

Mesmo quando me tornei ilustrador freelancer, há 5 anos atrás, eu achava que estava dando um upgrade no estilo de vida. Mais falso que nota de 30. Embora tenho redescoberto a verdadeira vocação, levei todo o jeito estabanado e exagerado de trabalhar pra casa. Some-se o prazer que a ilustração me dá, disfarçando o cansaço e diminuindo ainda mais as horas de sono em troca dessa libido artística e aí você se vê trabalhando ainda mais do que antes.

Some-se ainda nos últimos meses mais stress de tamanho jurássico vindo de divórcio, problemas com a construtora do apartamento, descoberta do glaucoma e você dorme menos ainda. Todo o tempo do mundo não é suficiente pra fazer as coisas, duas mãos e dez dedos também não. O cérebro pode virar uma pasta que depois ele se recupera, assim eu pensava.

No final, eu tive um desequilíbrio químico no cérebro. O stress constante durante anos somado à falta de dormir me deram de presente uma coisa chamada Síndrome de Burnout. No final, ou eu dormiria 8 horas por dia ou seria candidato a aparecer naquele programa safado “Intervenção”. Nada que feijõezinhos mágicos com tarja vermelha que fazem “Boa noite Cinderela” instantâneo por 8 horas não resolvam.

Nesse período de conserto, quase tudo o que era secundário ficou de fora (em outras palavras, tudo o que não era trabalho). Isso incluia o blog e as Fast Girls.
Agora que as coisas estão se equilibrando novamente, acho que consigo recuperar tudo isso aos poucos. Principalmente o blog, que tadinho, deixei de lado mesmo com uma coceira danada nos dedos, já que eu curto escrever tanto quanto desenhar.

Retomei as Fast Girls há algumas semanas, mas vou apresentá-las de uma vez só por um motivo específico, em breve elas surgirão fresquinhas e curvosas.

Para aqueles que eu deixei na mão por conta da diminuição da atividade temporária, minhas desculpas e minhas condolências. Prometo passar uma fita silvertape pra consertar tudo isso.

Ensaboa mulata, ensaboa

Vai, desculpe pela falta de posts, ainda vai levar uma semana pra coisa voltar ao normal; tô há semanas à base de cenoura com Nutella e mijando em garrafa de Gatorade na frente do computador pra entregar um projeto no final do mês. Sempre que volto de férias é trabalho acumulado que desperdiça o descanso adquirido: ensaboa mulata, ensaboa, tô ensaboando…
São nessas horas que eu penso se não vale a pena investir em um sidekick pra ajudar nas tarefas. Mas sempre que o trabalho dá uma acalmada vem também a vontade de dar um peteleco no sujeito. Talvez eu precise é de uma secretária que ilustre. E que saiba cozinhar feijão e tirar cabelo do ralo, assim a vontade de dar um peteleco diminui. Hum.

O blog, coitado, vira filhote de pomba em incêndio, é a última prioridade.
ferias
Mais uma semaninha. Ou duas. Com Fast Girls agora feitas do jeito papai-e-mamãe, no lápis e papel.