Feijão Carioca Ilustrado!

O Clube da Luta dos ilustradores, também conhecida como “Ãos Ilustrados”, pertencendo a este o Bistecão Ilustrado, de São Paulo; o Baião Ilustrado de Fortaleza, o Chimarrão Ilustrado do Sul; o Empadão Ilustrado de BH, entre outros eventos gastronônicos no aumentativo terminados em “Ilustrado”, recebe agora a vinda do mais novo filhote: o Feijão Ilustrado do Rio de Janeiro.

O Feijão Ilustrado foi concebido sem participação de sexo mas com muita fúria pelo querido amigo ilustrador e balsâmico criativo Renato Alarcão. O esquema é bem parecido com o que rola aqui em Sampa: confraternizar uma caralhada de ilustradores, desenhistas, desenheiros e amantes de todos eles para trocar idéias, desenhar a noite inteira e encher a cara com bebida barata e comida gordurosa. A vida é feliz para quem precisa de pouco. Vai ter sorteio de coisas bacanudas, vai ter modelo vivo e vestida pra desenhar, vai ter xaveco e tesourinha sem ponta também.

Acontece agora no próximo dia 9 de fevereiro as 21h no Boteco Salvação, na Rua Henrique de Novaes 55, no Botafogo. Qualquer um que seja socialmente aceitável será benvindo, e também tem uma caixinha de R$5,00 pra pagar todos acepipes e outros gastos para acontecer o evento.

Eu tentarei de tudo para estar lá no dia, prometo sacrificar um bode ou uma virgem, o que for mais fácil de encontrar, para que isso aconteça. Meu chapa Alarcão o merece esse prestígio e minha benção.

Revista Ilustrar 17 pra você, meu amiguinho

Já está disponível para download de graça, ou seja, não pergunte onde você pode comprá-la – a indefectível Revista Ilustrar 17, clique aqui nesse link para teleportar esse acepipe de e para ilustradores em seu ordenador. Agradeçam a graça ao Ricardo Antunes pela graça conseguida.
Ilustrar17
Comecem a leitura pelas colunas do Brad Holland e sua tara ictiofílica e a coluna do Alarcão, falando sobre a praga da ansiedade juvenil, aquela que faz ilustradores venderem o seu maior bem por 3 feijões mágicos, que não final não são nem feijões nem mágicos, mas cocô de cabrito.

Antunes conseguiu entrevistar o ilustrador de um dos ícones dos anos 80, Derek Riggs, a mão por trás do Eddie do Iron Maiden. A gente, que  já virou tiozão, lembra com lagriminha nos olhos a época em que as ex-namoradas ainda eram esbeltas e o joelho não doía de subir escada.

Tem coisa pra caramba que não vou ficar falando em duplicidade, baixe a revista e refestelem-se.

Mas antes, duas coisas: sou fãzaço do trabalhos desses dois que estão na revista:
Santoloco
Mateus SantoLouco desenha pra caralho!
Mariobag
Mário Bag  desenha pra caralho! Aliás vai ser dele o pôster do IlustraBrasil 7.

Revista Ilustrar 15

Mais atrasado que menstruação de garota grávida venho anunciar que Ricardo Antunes lançou mais uma fornada da nova edição da Revista Ilustrar, a nº15. Embora muitos insistam, ela ainda é de graça pra download (chega a ser divertido, se muitos não lêem instruções para um download imaginem o que não fazem antes de assinar um contrato?).
Ilustrar15
Dessa vez mais grosso, volumoso e pulsante, com 101 páginas, trazendo a miríade de astros ilustres – Francis Vallejo, que nada tem a ver com o Boris, a arte fantástica do Carlos Araújo, Roger Cruz, o ex-Fantástico Juarez Machado, hoje com um trabalho muito mais delicado, expressivo e delicado, isso entre outras coisas que nem menciono porque, imaginem, tem que ler. O artigo do Alarcão sobre começo de carreira, mercado de trabalho e portfólio é azeite verde, mas eu sou suspeito pra falar porque sou fã tatuado do cara.

Alarcrônicas de cara nova

Atenção amantes de boa comida e boa ilustração. De boas mulheres e bons homens para quem gosta de mulheres e homens também.
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Alarcão é um ilustrador daqueles que você olha seu portfólio soltando palavrão, no bom sentido. Putaquepariu, putamerda, alguma coisa chula que vira elogio sai da boca de quem olha suas aquarelas.
Alarcao-KlimtAquarela
Pois bem, o homem que dispensa adjetivos mas que deve recebê-los assim mesmo está com o blog Alarcrônicas com cara nova. Vale a pena conferir seus trabalhos pra se sentir um pouco menos mamífero e mais anfíbio perto do que ele faz. Ou acreditar em reencarnação, pra ter uma segunda chance e desenhar tão bem.

E pra não puxar sardinha na brasa só dos desenhos, seus textos merecem louros e mel, também são excelentes.

Revista Ilustrar # 14 e avante

Saiu no começo do ano a edição número 14 da indefectível mas não menos impressionante Revista Ilustrar, que custa módicos O reais pra download mas mesmo assim tem um valor inestimável. Acendam uma vela para Ricardo Antunes, o pai da criatura.
Ilutrar14
Nesse número, como sempre, uma miríade de ilustradores quebra-queixo-cata-caco. Dentre eles, Fernando Vicente e suas garotas esguias e risonhas, que inveja, e os sketches cheios de aquarela e tipografia do Marcelo Valverde, com imagens de arrancar a essência vital do seu ser e se sentir um pequeno invertebrado criativo ao lado dele – sua mãe devia misturar aquarela em sua mamadeira, é um Garrincha da ilustração (veja que o poder dos adjetivos é infinito em sua sabedoria ou em sua enfadonheidade, se for mal utilizado).
valverde
Tem também os textos do Brad Holland sobre os retratos que eram pintados nos sarcófagos das múmias dos classe média no antigo Egito – quem for pra NY visite o Museu Metropolitan durante uns dois dias e fique embasbacado com essas pinturas, e parar pra pensar que os antigos egípcios não eram como Richard Burton e Elizabeth Taylor, mas mais bonitos e morriam mais jovens, e também um puta texto do Alarcão sobre concursos e direitos autorais, pra fazer qualquer ilustrador mais zumbificado tomar a pílula vermelha.

Isso e muito mais, como diz a propaganda de chapinha que passa na madrugada.

Suppa

Encontrei ontem dois diamantes em forma de livros infantis.

Um deles foi ilustrado pelo já reverenciado neste blog, o Renato Alarcão. E o livro foi escrito pela Cléo Busatto.
“Pedro e o Cruzeiro do Sul” é um livro delicioso, fala de perdas e estrelas. O texto e a história são maravilhosas, e as ilustrações do Alarcão fazem os olhos deste oriental abrirem mais um pouco.

Belíssimo.

O outro foi “Branca de Neve e Rosas Vermelhas e outras histórias”, escrito pelo Walcyr Carrasco e ilustrado pela Suppa, pela editora Manole.

Quando você vê uma ilustração da Suppa, alguém toca Edith Piaf ao longe, ao mesmo tempo que o cheiro de croissant assado entra pela janela.

O trabalho dela é de uma leveza e ao mesmo tempo de uma simpatia tão grande, tão grande você sorri com as meninas de olhos grandes como farol de carro e boquinhas pequenas como pétalas de mimosa.

Com traços simples e longilíneos, é um estilo único que transmite uma elegância amigável e delicado. Como uma francesinha bonitinha de cabelo chanel.

Não conhecia sua história, mas depois que li que ela trabalhou na Fundação Jacques Costeau na França colorindo histórias em quadrinhos, um carimbo permanente de fã bateu no peito. Um dos motivos que fiz faculdade de Biologia, ó estupidez adolescente, foi o Jacques Costeau.

A Suppa tá na minha lista de ilustradores com quem eu quero um dia fazer um trabalho juntos.

Enchedor automático de lingüiça

O brilhante Renato Alarcão criou há algum tempo atrás um conceito chamado CRAP – Critical Response to the Art Product, um sistema randômico pra gerar um texto verborrágico e prolixo sobre arte sem nenhum conteúdo, utilíssimo em festas do amigo rico da sua esposa que você não conhece. Com certeza você conhece um tipo desses, o típico intelectual de orelha de livro e de pesquisa no Google. Ou aquele que se considera artista e que faz um trabalho que precisa vir acompanhado de um manual de instruções para ser entendido, e caso você não entenda é porque é leigo ou despreparado intelectualmente.

André Koti criou um site onde ele pega o conteúdo “CRAP” do Alarcão e transformou em algo interativo. Quem souber fazer contas de análise combinatória vai ver que o número de possibilidades de críticas vazias é gigantesco.

Nas aulas de filosofia chinesa aprendi que a grande diferença do conceito de sucesso entre o ocidente e o oriente é a maneira que os povos entendem a “expressão do sucesso”.
O nosso conceito de sucesso vem mais do conceito greco-romano, onde bons e eloqüentes oradores conseguiam atingir altos cargos e posições sociais. O conceito oriental antigo vem do silêncio; aqueles que tinham o dom de ouvir e proferir poucas palavras eram julgados mais capacitados exercer cargos importantes.

E este é o texto original escrito pelo próprio Alarcão:

Ilustração é arte?

por Renato Alarcão

Dizem que o “beijo da morte” para um artista moderno é ter seu trabalho rotulado de “ilustração”, esta arte menor, que atende a interesses puramente comerciais, dizem eles. O que falta para os ilustradores conquistarem algum respeito não é arte, mas simplesmente o discurso artístico.

A verbologia filosófica que agrega valor simbólico ao trabalho. Mas isso é passado! Após muitos estudos, elaborei um sistema bastante simplificado que permitirá a qualquer um – inclusive um ilustrador – falar como um verdadeiro artista! Veja abaixo como funciona o “Manual de Critica de Arte Instantânea”: Sentindo-se verbalmente desarticulado? Criticamente sem palavras? Ou simplesmente lamenta a falta de eloqüência ao deparar-se com o mundo das “Beaux Arts”? O Manual de Frases Instantâneas para Critica Artística, também chamado CRAP, (um acrônimo derivado do termo em inglês Critical Response to the Art Product) é a solução do problema de quem não encontra palavras para descrever com inteligência, aquilo que seus olhos vêem.

Em breve estas frases vão estar naturalmente incorporadas ao seu discurso artístico natural e você vai rapidamente colher elogios a sua percepção e insight.

Em geral, quem domina o discurso CRAP consegue até cobrar mais caro do que seus colegas verbalmente desarticulados.