Para o ilustrador que já tem tudo

Por que existem terremotos e lápis de R$23 mil?

Informação que eu vi no UOL, a Faber Castell vende lápis que vão de R$230, a versão mais “barata”, a R$23 mil, a mais cara, feita com ouro branco e diamantes. Já vem com apontador e borracha acoplados, nossa. Presente ideal para aquele ilustrador que não sabe mais onde gastar o dinheiro, daquele que pode contratar a Beyoncé pra cantar em seu quarto de camisola duas vezes, ou seja, tirando Hugh Hefner, nenhum.
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A boa notícia é que um lápis de R$23 mil não faz o cara melhor desenhista. Pra quê, pra fazer o homem-palito mais caro do mundo?

Filhote de Cintiq

Para aqueles que vivem em estado de ereção criativa ao imaginar com uma Cintiq em mãos, a Wacom anunciou mais um fetiche, dessa vez em estilo Lolita, a versão “Baby” desse treco pra lá de caro: a Cintiq 12 UX. É uma Cintiq bem pequena, com 12 polegaas, menor que a primeira versão, que teve 15 polegadas, e 9 polegadas a menos que a versão atual.

O único problema é a manipulação dos programas em conjunto com os menus. Era complicado trabalhar com a Cintiq 15UX, dividir o espaço da área de trabalho com as janelas de settings e ferramentas (que no Painter chegam às dezenas). A solução era sempre dar um “tab” pra elas desaparecerem. Depois foi criado o Cintiq partner, pra você usar dois monitores, mas eles não vendem mais esse produto.

Mas tirando esse problema, trabalhar com a Cintiq é uma experiência que faz valer esse incômodo, é como dirigir uma Ferrari pelado, como disse Anthony Bourdain em seu programa. Desenhar diretamente na tela é muito diferente de desenhar usando uma Tablet comum. Mas como sempre digo, a Cintiq não melhora o desenho de ninguém, só torna a produtividade mais rápida. Se tiver a fins de comprar mesmo, tem que pensar como investimento e calcular o tempo que esse dinheiro retorna com trabalhos.

Agora, quanto ao preço, dizem que ela vai ser vendida na faixa dos US$1.600. A Cintiq 21UX custa US$2.500 e é uma prancha de surf de tão grande. Na visão deste ser, talvez compense juntar mais um dinheirinho pra comprar a versão grande.

No Brasil, infelizmente ela não deve custar tão mais barato quanto a 21 UX. Estupidamente ela custa oficialmente mais de 20 mil reais, e os motivos, segundo um revendedor Wacom, é que somente as montadoras de automóveis compram esse produto. Por isso essa turbinada no preço. É uma desculpa de bêbado quando chega em casa, ela é infame porque já tem imposto embutido e sobretaxado pra pagar por três gerações. Comprando nos EUA e pagado os impostos na alfândega ela não sai nem 10 paus. O problema é trazer de lá, não é coisa que você pode pedir pro seu irmão que vai viajar pra lá como se fosse um creminho hidratante básico.

Se continuar com essa política tosca da Wacom no Brasil, não acredito que a Cintiq 12X vá custar menos que 12 mil. A Bamboo, outra Tablet da Wacom popular, custa US$50 (cinquenta dólares) a mais barata. Aqui ela é vendida a R$290. Então, nesse caso, a alegria de pobre pode durar pouco. Só vale a pena mesmo com o valor de lá.

Eu acho que vale mais a pena gastar esse dinheiro aqui em terras de saci comprando uma máquina melhor pra trabalhar. Seja PC ou Mac. De que adianta ter uma Cintiq com um computador com pouca memória e tossindo fio desencapado?

Quer uma dica que custa pouco? Para os que possuem uma Tablet Wacom, não importa o modelo, essas pontinhas são o biscoito inglês do chá da tarde.

As novas Wacoms já vem com uma de cada de brinde (e conheço muita gente que joga fora sem saber que elas estão lá dando sopa). São pontinhas de caneta. Um tem molinhas que afundam a ponta quanto maior for a pressão, aumentando também a grossura do traço. E as outras, minhas preciosas, são as pontinhas de feltro, que tem uma resistência pequena em contato com o plástico, dando uma sensação mutcho agradável de desenhar com um carvão ou um lápis de grafite mole. Pena que se desgastam rapidinho.
Custam 29 dólares na Amazon. Eles entregam direitinho, o foda é pagar o frete.

Lápis lovers

Meu xará e alter-ego britânico Hiro Kozaka enviou há algum tempo um filminho que mostra como se fazem os lápis Staedtler, um dos mais bacanas e carinhos pra se desenhar. Não que o tipo de lápis vá fazer de você pior ou melhor desenhista, tem gente que faz obras de arte com um pedaço de pão queimado, outros só conseguem fazer Sudoku com uma Staedtler.

O filminho é uma espécie de “Como é Possível” mais chato, mas didático. Ao contrário do que eu imaginava, as durezas dos grafites são conseguidas através de misturas com argilas, e não fritos em óleo mineral, como em outros lapis menos afortunados.

Menos afortunados, mas todos amados pelo professor Bob Truby. Professor e colecionador de lápis, ele catalogou e fotografou toda sua coleção de magrinhas e as colocou em um site, no mínimo curioso. São centenas de marcas de lápis do mundo inteiro. Por ter saído no blog Drawn há uns dias, o tráfego pode estar um pouco congestionado.

Mete o dedo

Bill Gates viu a apresentação do iPhone do Steve Jobs e pensou no fundo da sua poltrona de vilão: “idiotas, vocês vão ver o que é ter prazer tocando coisas com os dedos”.

Aí ele inventou a mesinha de centro mais cara do mundo!

A Microsoft lançou a Surface, um computador com tela sensível de 31 polegadas. Sem mouse, sem teclado. Sem dinheiro pra comprar uma coisa dessas. Deve ser caro pracachete!
Tudo você faz nos dedos, igual Tom Cruise em Minority Report, nas suas devidas proporções.
Ai do sujeito que derramar Coca-Cola nessa tela


Pelo pouco que vi na apresentação, é um produto curioso. Se a Microsoft desenvolver um sistema de reconhecimento do tipo de toque, é possível desenhar com um pincel ou com um lápis de verdade com diferentes resultados. Sei lá, pelo menos no filme tem uma menininha desenhando com um pincel comum. Se isso funcionar, adeus reconhecimento de pressão, adeus tablet, a Cintiq vira abajur de canto de sala. É babante.
Perto dele o Nintendo DS vira chaveirinho.

O problema dessas novas tranqueiras digitais é que a gente vai ficando cada vez mais dependente de silício e luz elétrica. Se dá um apagão isso nem serve como geladeira de praia, e as pessoas vão ficar perdidas porque não sabem mais mexer num mouse ou desenhar com um lápis comum.

Do jeito que as coisas estão indo, não duvido que num futuro não muito distante os dois dêem tapinhas nas costas e as empresas se tornem uma só. Algo como Applesoft ou Microtosh. Aí acaba essa putaria de Windows versus Mac.

Don’t you see Bill? We have the technology to change the world!
No Steve, we have the technology to rule the world!
Hahahaha!

Meu Mac laranja-caqui

Achei essa dica no blog Digital Drops, que é da hora pra quem é geek como eu e curte qualquer coisa que tenha silício no meio.

Eu faço muitas apresentações de projetos de trabalhos em agências e diretamente pra clientes. E antes ou depois das apresentações, sempre vai ter um sujeito de marketing ou diretor de arte que vai querer fuçar no seu MacBook. O Mac é perfeito pra apresentações, não pelo hardware, pois um Tablet PC impressiona mais do que um MacBook Pro numa reunião. O que diferencia é o programa, as apresentações feitas no Keynote no Mac são tão bacanas que fazem gerente de marketing pular da cadeira de susto, literalmente falando (já teve momentos que isso realmente aconteceu). Depois que você usa uma vez, você manda o gato jogar terra em cima do PowerPoint. Embora pareça cosmético, na verdade são recursos que fazem com que meus alunos ou as pessoas para quem estou apresentando gravem melhor a apresentação.

Mas quer ver o que é cosmética? Isso é cosmética:

Isso é mais pra quem chora por ter um MacBook branco, ou pra quem tem dinheiro sobrando e não sabe o que quer fazer com ele.

Pelo visto é um trabalho bem feito, vendido na Colorware. Você manda o seu MacBook, laptop ou até o Wii ou X-Box 360 que eles encapam com a cor que você quiser. Ou pode comprar direto deles já colorido. Mas como disse, tudo tem um preço, e nesse caso não é pouco.

Mas não acho que pagar quase 500 doletas nisso seja um bom negócio. Ainda compensa comprar um MacBook preto, se tiver horror a branco. Mesmo porque eles não aceitam pedidos fora dos EUA.

Movido a hamster

Ferramenta indispensável para desenhistas solitários em crise criativa, fresquinha do Neatorama.

Se você não tem nenhum amigo, compre um hamster pra te fazer companhia e uma gaiola que é um picotador de papel ao mesmo tempo. O bicho paga o aluguel e a comida girando a roda pra fragmentar aqueles desenhos que iam pro lixo de qualquer maneira, ao mesmo tempo que viram uma cama quentinha pro roedor gracioso.

Agora só falta inventarem uma utilidade pro peixe de briga e pro periquito.