Fofos do mal

Quem não conhece o site Kawaii Not não sabe como o fofo pode ser grotesco.
burito2
O design dos quadrinhos verticais são muito…fofos, todos tem o que eu chamo de “Princípio Pikachu” de candura: dois botõezinhos pretos estrategicamente colocados fazem até um absorvente usado parecer uma carinha feliz.

Eu pessoalmente adouro essas acidezes docinhas. Você pode ser sarcástico sem perder o estilo gráfico cuticuti.

Kawaii em japonês significa algo como “bonitinho”.

A verdade está lá fora

Essa é para quem quer se inspirar e pintar coisas cósmicas. Descobri enquanto fazia a lâmina de bandeja sobre Astronomia.
buraconegro
O site da Nasa disponibiliza uma parte onde todo santo dia um astrônomo profissional posta uma imagem relacionada à astronomia, mas as melhores são as imagens de telescópios do universo. São coisas de secar os olhos de tão lindos.
E para os nerds que vivem em todos nós, cada imagem vem acompanhada de um texto explicativo.

Existe algo mais potencialmente possível do que o universo? Bilhões de galáxias no universo, cada galáxia contendo bilhões de estrelas, cada estrela com até dezenas de planetas orbitando…se descobrirem um planeta para onde vão os cachorros depois que morrem dá até pra acreditar.

Fique de quatro, meu rapaz

Desenhar anatomia é um sacrifício para alguns, principalmente se ele mora sozinho, não tem amigos e não tem lábia suficiente pra pedir pra vizinha posar (de preferência nua) pra uma sessão de desenhos. Só lhe resta a opção de se desenhar na frente do espelho, e dependendo da constituição física do ilustrador, é uma experiência que só lhe dará agonia porque pagou um ano de academia e só foi dois dias.
posemaniacs
Para evitar esse tipo de auto constrangimento, existe um site genial de anatomia – Posemaniacs- com dezenas de poses diferentes. Todas com um homem ou mulher sem a derme, com os músculos à mostra, mas o detalhe que estoura tímpano – todas posições são rotacionáveis, ou seja, dá pra girar o modelo vermelho à sua vontade. É um quebra galho bacana, mesmo com as imagens com uma resolução baixa e granulosa. Já usei até pra inspirar uma posição ou outra das Fast Girls.

Serve para momentos como na madrugada precisando de uma posição que Napoleão perdeu a guerra. Mas nada substitui o desenho de observação e modelo vivo.
Esse sim você, quando faz constantemente, dá um upgrade no seu traço.

Agradeça aos céus pelos seus 2 bracinhos e suas 2 perninhas

Quando fazia faculdade de Biologia, mais especificamente nas aulas de Embriologia, encontrei vários livros na biblioteca sobre Teratologia – especificamente o estudo clínico das deformações visto pelo aspecto embrionário (Teratos é monstro em grego). Tinha prova no dia seguinte, mas perdi a tarde inteira lendo os livros e vendo as fotos, sublinhando o fato de eu ser um sujeito Freak, e o Arquivo X era meu pastor e nada me faltará.

Como gosto de desenhar monstros fofos, e não os gosmentos e limosos de mau caráter, não consigo fazer ilustrações que indicaram pra mim no Flicker. São 17 ilustrações de deformidades arcanas, bem antigas, muitas delas com um tempero fantasioso e inventivo.

Uma das histórias que arrepia as costelas até hoje é a dos gêmeos unidos pelo abdômen Eng e Chang. Eles nasceram no antigo Sião, hoje Tailândia, e daí veio o termo “gêmeos siameses”. Eles viveram 63 anos e morreram no mesmo dia. Chang morreu dormindo de pneumonia e de manhã Eng tentava acordá-lo. Parece que os médicos sugeriram para que ele se separasse de Chang, mas ele se recusou e morreu três horas depois. Cara, que história freak. E ninguém fez um filme sobre isso ainda?

Qué paga quanto?

Off topic no assunto ilustração, mas pode ser útil para ilustradores que possuem sites e blogs, pra saber quantos trocados conseguiriam se pudessem suas páginas virtuais à venda.

Foi dica do pai do Guia do Ilustrador, Ricardo Antunes. O site Stimator, de nome tabajaresco, estima quanto você lucraria se tivesse que vender seu site ao invés do seu rim. Na maioria das vezes, você verá que seu rim vale mais que seu site.

Este blog vale, de acordo com Stimator, míseros U$1.337,00. Uma vaca holandesa deprimida vale muito mais do que meu blog, ô vergonha.

Quando Playstation 3 vira ferramenta de trabalho

Sim, sou nerd de 40 anos, e meu trauma com minhas tias são descontados com minha tara por videogames. Quase trafiquei ecoline para comprar um Dynavision há um tempo atrás, quando tinha que decidir se eu jantava ou tomava banho com os trocados que eu tinha. Infelizmente, agora com minha vida social reduzida a menos traço, afundei de cabeça no jogo Fallout 3, da maneira que só fiz com Bioshock e Phantasy Star Online. Jogo essa merda toda noite, e a situação é tão crítica que troquei o fiel Bisteca pelo cachorro virtual Meatdog (tenho que poupar a vida desse canídeo durante o jogo, tarefa só para os bravos).

Pois bem, comprei uma ediçãozinha desse jogo que vem numa lancheira de metal muito uó e o melhor de tudo é o conceptbook que vem junto – quase um “The Art of”, aquela série de livros que destripam os filmes da Pixar com todos os rabiscos feitos na concepção do filme. Se sua consorte perguntar se você não é velho demais pra pegar no joystick, faça como eu e diga pra ela que isso é referência pra trabalho, porque os caras desenham pra carvalho.

Essa lengalenga serviu apenas para introduzir um belíssimo livro infantil digital baseado no novo game remerrenho “Prince of Persia”, ilustrado por Penny Arcade, que eu não descobri se é uma mulher, um cara, dois caras ou um estúdio. Nesse link oficial do game tem o livro grande o suficiente para maravilhar míopes e criançolas. Garanto que essas 8 páginas (link aqui, querido) são melhores que o game, que para esta carcaça cansada, ninguém bate o antiquissimo Principe da Pérsia pixel art que fazia você varar noites no computador da empresa.

Nada como ser nerd talentoso. Olhando o site de (do? dos? da?) Penny Arcade, você dá de cara um um material arregalante de quadrinhos e ilustrações, todos baseados em games. Da mesma forma que a Brianne Drouhard (essa fanzete de anime e mangá), são ilustradores que dão outro sentido à palavra nerd, eles são estilosos e não bitolados, criando uma interpretação própria de referências pra lá de manjadas e olhadas com desdém por gente que lê Sartre, vide as versões arcadianas de Assassins Creed e Dark Messiah, eta joguinho chato.


Esse mercado de ilustração para games não tem no Brasil, mas também hoje existe internet e passaporte. Se um dia esse mercado se abrir como uma flor nesse país, faremos cocô de tanta felicidade.

Subi no muro do quintal e vi uma coisa que não é normal

Meninas, venham brincar com a aranha cabeluda! Seres com aracnofobia, eis sua terapia de choque.
Quando era jovem com cabelo e fazia a faculdade de Biologia, por pura distração levei uma picada de uma caranguejeira no dedo, e a sensação é de dois pregos quentes entrando no osso, inchaço e dor pulsante que faz você chorar como menina atropelada. Pior que a mordida, são os pelinhos da bunda que a maldita solta no ar quando fica acuada. Ai se um desses pelinhos entra no olho…

Play With Spider é um projeto experimental que simula fielmente os movimentos de uma aranha. E a aranha é customizável, você pode aumentar o tamanho, a velocidade, a gordura, para o asco de quem não consegue ver uma peluda com patas na sua frente. Se você arrastá-la pelas perninhas vai ter a sensação de que ela tá na sua frente mesmo. Deixe rolando no seu desktop para que reações de nojo e repulsa invadam o escritório. Mas nojo pra quê, a aranha é um bicho útil e relativamente limpo.

Kanjis para perder um tempo precioso que não volta mais

Outro joguinho maldito, daqueles que fazem você perder o prazo de entrega do arquivo, ao mesmo tempo que tenta se convencer de maneira vil que é pra aprender alguma coisa, qualquer que seja, desde como funciona o Flash desse treco, aprender kanjis japoneses ou estudar o design arcano desses ideogramas. Que seja. Bendita e maldita ao mesmo tempo seja a leitora Sayuri, que indicou esse joguinho (na verdade não é um joguinho, mas falta de palavra melhor as 5 da manhã vai essa mesma), que você pode usar dezenas de kanjis japoneses e algumas letras romanas para decompor da maneira que quiser e montar figuras. Tem uma interface bacanuda, mesmo sendo escrito em japonês, nada que um pouco de intuição e mediunidade não consigam superar.

Diabolicamente construido para perder tempo, pois as combinações são infinitas.

Esse corpinho tá bom pra você?

Para aqueles que precisam estudar anatomia e não possuem espelhos, primas peladas ou dinheiro pra comprar o programa Poser, um programa que gera qualquer posição humana e não humana para ser ilustrado, utilizado largamente por ilustradores de quadrinhos (o mangá Gantz foi feito com uma larga contribuição deste software), o pessoal lá da SIB enviou essa dica de dois sites que fornecem corpos e partes de corpos para estudo e, talvez, algum deleite fetichista depravado.

Neste site eles fornecem corpos inteiros, que você pode rotacionar somente em um eixo, mas quebra um galho para aqueles que precisam ter um galho quebrado no quesito “posições clássicas mas não tenho referência”. É um Versalius interativo.

Neste são apresentados partes de corpos - mãos, pés, cabeças e troncos com um pênis em repouso – mas que você pode rotacionar no melhor estilo “free will”.

Se beber, não Photoshope

Mais uma prova de que programa e equipamento não faz o profissional, apenas atesta o número de patas em que ele se locomove, o blog fantabuloso “Photoshop Disasters” mostra que nem sempre tecnologia, talento e autocrítica andam de mãos dadas, muito pelo contrário.

É uma deliciosa coleção de erros grotescos que aconteceram numa manipulação inconseqüente das imagens no Photoshop. Algo passável de uma crítica sobre a maldita inclusão digital se fossem trabalhos sem pretensão, mas o divertido e incrível é que são trabalhos comerciais, e alguns deles vindos de empresas do porte de um mamute nacional (leia rápido mamute nacional que entenderás a piada) como Warner ou Disney.

Sim amiguinhos, os pixels não mentem jamais.

Sexo solitário em bando (upgrade)

Tirem as crianças da frente do computador, tem sexo solitário nesse post.

Pornografia hoje está em todo lugar na internet. Quem tem filhos tem a maior paranóia de que uma Ramela Anderson turbinada não desça sem querer enquanto o pimpolho está navegando. Se você procura por referências fotográficas no Google, mesmo se você procurar por uma morsa vai ter umas três ou quatro fotos de mulheres com as perseguidas arreganhadas, como se fossem mortadelas fatiadas sendo oferecidas como amostra grátis pela cortadeira de frios da padaria. Sites com peitudas calibradas com pressão de pneu e sujeitos mastrodônticos entram na sua tela sem pedir licença. Tudo muito plastificado e fast food (embora antes de casar eu comprava a Hustler, pra alegria dos sujeitos que trabalhavam comigo, mais por causa das charges engraçadíssimas e um pouco por causa das mulheres photoshopadas, embora ninguém acredite nesse argumento).

Pois bem, estava assistindo aquele programa da Sue Johansen no GNT, aquela velhinha que fala de sexo de maneira tão aberta que você não conseguê parar de imaginar pelada na cama, quando deparei com uma reportagem sobre um site interessante sobre sexo.

Essa é digna para Onan, o Bárbaro. O site francês Beautiful Agony mostra pessoas comuns, como eu, você, homens e mulheres ou a atendimento da agência onde você trabalha, das gostosas a gordurosas, magros, feios, lindos, velhos e até anões, praticando o chamado sexo autônomo na frente das câmeras. Só é mostrado a face dos onanistas em todo o processo climático, nada mais, e é aí que mora a criatividade. Usando a estratégia “menos é mais”, você fica imaginando que p*** que ela tá fazendo lá embaixo. Ninguém é tratado pelo nome, apenas por números, então se você quiser mandar seu videozinho pra lá existe uma certo anonimato, mesmo que a sua vizinhança inteira reconheça sua cara torcida de agonia.

Não é um site baixaria (defina baixaria), tem uma certa classe meio “Valentina” do Guido Crepax nisso. No mínimo, é original.
Nunca tantos onanistas juntos no mesmo espaço. Pra quem precisa de referência de gente gozando pra desenhar, é buffet por quilo.
O divertido é que você percebe que ninguém goza do mesmo jeito. Tem aquelas que não fazem nenhum barulho, e só no finalzinho soltam um chiado que parece que alguém pisou em um ratinho. E também tem aqueles ultra exagerados que parecem que estão sendo sodomizados em uma montanha-russa.

Uma amiga minha conheceu um sujeito que chamou pela mãe quando atingiu o pico de prazer. Já li relatos de gente que chamou Jesus nessa hora. Vai saber se a maneira como você goza não virou motivo de conversa em mesa de bar?

Upgrade!!

O Rodrigo fez uma sessão de vidas passadas por escrito e aí vai mais um pouco de onanismo via TV Pirata, pais reais de Onan, o Bárbaro:

100 tutoriais de Photoshop e um brilhante ilustrador que ainda trabalha com a dinossáurica versão 3

Existem alguns desenhistas (não ilustradores) que adoram falar de boca cheia que são autodidatas, daqueles que pertencem à classe “ó mãe, foi eu quem fiz sozinho sem colar”, mas devoram tutoriais de programinhas com pão e manteiga no café da manhã. Absolutamente nada contra os autodidatas, aos quais eu me incluia até há um ano atrás, mas roubando umas palavras de brilhante aquarelista Gonzalo Cárcamo, “não tem problema nenhum em ser autodidata, mas talvez você leve um tempo maior pra chegar até onde deseja”. Sobre isso ainda vou escrever algo generoso mais pra frente, assim que a chapa de trabalho esfriar.

Para esses, o site 3D Total é uma mãe de peitos grandes, cedendo generosamente 100 tutoriais de Photoshop, feito por ilustradores bestiais (e outros que apenas miam, mas com qualidade). Não gastei vinte minutos da minha vida que não voltam mais contando se tem realmente 100 tutoriais, mas é uma quantidade considerável, o suficiente pra gastar meio HD com testes e experimentos.

Por outro lado…

O Photoshop se tornou um canivete suíço com 200 funções, daqueles parrudos que se caem em cima do dedão do pé vira caso de ambulância, que a maioria dos marmanjos tem e nunca usou nada além da lâmina e da tesourinha. Mal sai a versão nova e uma onda de histeria coletiva juvenil toma conta da internet em busca de torrents bucaneiros, deixando de lado a versão antiga que mal foi arranhada tentando explorar seu conteúdo. Photoshop é ferramenta de desenho como qualquer outro, sempre digo isso, e não vai ser a versão CS3 upgrade 3 que vai fazer você desenhar melhor .

A maior prova disso é o ilustrador americano Bob Staake. O portfólio desse cara arrebenta retinas, e ó, acreditem ou não, ele faz tudo isso com a versão 3 do Photoshop (não a CS3, a 3 mesmo, aquela que ainda não tinha layers). Tudo bem, isso também é exagero (embora a versão 6 do Painter ainda seja imbatível), mas Bob Staake deve ter seus motivos técnicos ou místicos pra trabalhar com uma versão tão antiga do programa. Pense em Bob Staake quando sair a versão CS4 do programa e você ficar ansioso por que ainda não botou as mãos nele.

Nada contra o programa, os equipamentos ou as facilidades tecnológicas, eu mesmo a versão CS3. O problema é que quase todas as dúvidas que me encaminham de gente que está começando a desenhar foca nessa questão, como se a ferramenta definisse o ilustrador, da mesma forma que uma batedeira define se o cozinheiro manda bem.
Dá um pedaço de pão queimado pro Alex Ross desenhar na sua parede pra ver o que acontece.

Arte e gordura

Mais uma da coleção “coisas que dão má fama à internet”.

Um sujeito nos Estados Unidos com preguiça de limpar a travessa depois do jantar no dia de Ações de Graças achou que viu o mapa dos EUA e Canadá feito “por acaso” com gordura rançosa de peru assado. Como se vê, não é só no Bistecão que a arte se funde com a gordura. Somente uma porta na cara bem doída faria alguém ver o mapa da América do Norte nisso.

Já foi dito aqui que esse processo de forçar a barra pra ver algo onde não existe, como Elvis Presley num ovo frito ou a Virgem Maria num Big Mac se chama “pareidolia“.

Mas o sujeito, assim como a Enterprise, foi onde nenhum homem se jamais esteve e decidiu vender a obra de arte paranormal no eBay. A sério. Começarei a vender pratos sujos de macarronada e papel higiênico usados com manchas que lembrem Che Guevara no Mercado Livre pra ganhar uns trocos também.

Sou rebelde porque não tive um robô gigante quando criança

Aí vai a capa que eu fiz para a nova revista Mac+, que acho que já está nas bancas. Made in Illustrator CS3.

O tema da capa são dicas de usuários de PC que migram para o Mac. O desenho do robô, sim, sim, foi inspirado no fantabuloso Gigante de Ferro, do Brad Bird. (também pai dos Incríveis e do Ratatouille, um buraco negro que absorve talento). Tem uma mistureba nesse robô, já que a crista dele foi retirada do Ultraseven, e a boca dentada veio de um robô criado pelo Carl Barks para uma história do Tio Patinhas em que os Metralhas dirigiam robôs gigantes, e um deles se chamava Monu.

Já rasguei a seda ou a folha de alumínio pra esse filme, nesse post tem a história da história do filme, mas fazer o quê, é quase como ter um sentimento homossexual por um contâiner.

Agora, quem for realmente fã desse robô, e eu sei que são muitos por aí, vai ter uma ereção ao se deparar com esse site: The Ultimate Iron Giant. Um site com dezenas de blueprints, sketches, styleguides, bugigangas, material promocional,quase tudo o que já foi feito com o metálico, material pra qualquer amante de desenho fazer um download e fazer um backup com o melhor CD que encontrar na Kalunga.

Miséria pouca é bobagem pra quem não gosta de Natal

Para aqueles que não curtem o Natal por causa do sorriso amarelo dos parentes, a orgia de fritura e peru cheio de gordura amarela com Coca-Cola o dia inteiro, os amigo-secretos de presentes de 50 reais comprados com 20 e aquele almoço básico natalino na casa das tias onde não tem lugar pra tirar um cochilo, dêem uma lida nos relatos do site “My Miserable Christmas” que você se sentira pelo menos mais afortunado por poder dormir em uma cama seca no dia do nascimento do menino Jesus.
MiserableÉ tanta miséria que dá inspiração pra escrever uma história em quadrinhos, algo como ‘Como Não Sobrevivi ao Meu Câncer Natalino”.

O homem que foi ao passado pra fazer tirinhas

Há alguns anos atrás, em uma mini-palestra, um grupo de jovens imberbes e pré-púberes perguntaram pra mim o que era necessário aprender em desenho para se tornar um cartunista ou quadrinista. Quase levei uma cusparada moral quando disse para eles se preocuparem mais com a história e a idéia do que com o desenho, pois se a história e o enredo forem bons, qualquer desenho segurava a barra, contanto que não fosse amadoresco ao ponto de atrapalhar a narrativa de tanto torcer o nariz. Não deixaram nem eu dar exemplos.

É óbvio que isso não é uma regra, quase sempre a qualidade da ilustração influencia, e muito, a qualidade do quadrinho, e os caras que sabem trabalhar com isso mesclam de forma de fina culinária a interação entre desenho e texto. Mas sem conceito que seja forte, a historia vira pastel sem recheio.

Um dos exemplos que eu queria dar era do Jules Feiffer de quem eu falarei mais pra frente, aumentando a lista de gente que tem que entrar nesse blog e não entra por falta de tempo, e outro era desse cara aqui, David Malki.
David Malki teve uma bela sacada gráfica. Ele deve ter comprado centenas de livros de clip arts de ilustrações do início do século passado e com isso ele monta a série Wondermark – a Illustrative Jocularity. Usando esses desenhos vitorianos de forma repetida, alternando só no enquadramento e com diálogos bem divertidos, misturando cultura pop, videogames e coisas atuais. O resultado é pra lá de interessante, e como ele não é bobo, já fez uma bela grana vendendo livros e vendendo badulaques mil em seu site.

Toda terça e sexta, como numa feira livre, ele coloca tirinhas novas

A paixão por desenho passa pelo pericárdio

[img:Vertebrae.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Para ilustradores que um dia pensaram em estudar medicina, mas acharam melhor usar a lâmina apenas para apontar o lápis ao invés de abrir camadas de pele pra cortar um apêndice supurado, o site da biblioteca da Universidade de Toronto tem mais de 4.000 pranchas de ilustração em todos os sistemas do corpo humano possíveis. Nessas horas é que dá vontade de beijar o cara que inventou a internet. Informação valiosa e digrátis (ou à borla, como dizem os amigos portugueses) para quem ama anatomia além do tradicional e vulgar coxa-e-bunda para admirar a beleza de um pâncreas ou a mimosidade de um intestino delgado.

E como dizem os comerciais do Polishop, espere, ainda tem mais!

Meu ex-colega de cuba e bisturi em sessões de dissecação de ratinhos brancos Otávio enviou uma dica de causar ereção em Hannibal Lecter ou no Dr. Ross. Atenção estudantes de medicina que essa dica é duca.
É o link para a obra completa “Gray’s Anatomy”, que deu origem ao nome da série de TV remerrenha. Escrita e editada em 1918 por Henry Gray, ainda deve ser a bíblia de anatomia das aulas de jaleco branco e[img:Vertebra.jpg,full,alinhar_dir_caixa] deve custar uma pequena fortuna e pesar uma pequena tonelada, o equivalente do Lehninger para Bioquímica ou o Barnes para a Zoologia de invertebrados. Como a obra inteira está online, acho que ela caiu em domínio público (mas não atirem pedras ou fezes, não tenho certeza).

Ainda que seja dirigida para médicos, é um prato cheio de docinhos para ilustradores que queiram aprender os segredos do corpo humano que não seja com uma mulher (ou homem, para as damas).

Um vilão de bigodes não é páreo para o Super-barbeiro

Meu xará britânico Hiro Kozaka mandou outra “gordurinha de salame” que ele encontrou na net.

O site Superest é similar ao Fist-a-Cuffs, mas ele tem um contexto mais criativo. A idéia é genial, um sujeito cria um indivíduo com um poder extravagante e o próximo ilustrador cria outro com um poder que anula o anterior, e assim vai indo. Assim o homem que conta histórias sem graças por horas é vencido pelo palhaço que acha graça em tudo, que por sua vez é vencido pelo dono de circo que paga tão pouco que deixa o palhaço deprê, que por sua vez é derrotado por um barbeiro que arranca seus bigodes, a fonte da sua vilania.

Ainda está no começo, mas tem tudo pra ser um site genial. Dá até inspiração pra gente fazer uma coisa dessas aqui, com ilustradores e criativos brazucas.

Divertido ainda é a frase de alerta contra o uso indevido das imagens:

©2007, Kevin Cornell and Matthew Sutter. Use of images without permission makes you the most heinous of villains.

Desenho Livre

[img:Jean.jpg,full,alinhar_esq_caixa]O site Desenho Livre é um site que fala exclusivamente sobre desenho, arte, ilustração e ilustradores. É um site simples, mas como um bolo caseiro de mãe, não parece bolo de doceria, mas tem um recheio gostoso e nutritivo. Na seção Livre Arbítrio estão dezenas de entrevistas com ilustradores brasileiros, entre eles este que vos digita. Fui entrevistado no primeiro mês que saí do trabalho fixo pra virar autônomo, então muita água rolou desde então.

Todo mês eles entrevistam algum ilustrador, que conta um pouco da sua vida e do processo de criação. São leituras interessantes para quem curte o universo dos que trabalham correndo risco. Este mês tem uma entrevista muito legal com o Jean Galvão, cartunista da Folha e da revista Recreio, um trabalho que admiro há tempos. Tem também entrevistas com o Spacca, o Fernando Gonsales, a Marisa da Folha e outras feras da tinta.

Tem também uns textos bacanudos. Um desses textos é do Montalvo, velho de guerra, um ilustrador escritor, finesse em ambas funções.

É um site muito respeitoso com os ilustradores e a ilustração.

O paraíso das capas de gibis

Alguém com muito tempo disponível, um scanner tão robusto que deve ter sido feito com chapas de ferro e uma obstinação maníaco-compulsiva criou o site Coverbrowser, que é um catálogo de mais de 5 mil (!!) capas de revistas em quadrinhos americanas bem antigas. São coleções inteiras de Spirit, Batman, Action Comics, Novos Mutantes e alguns outros títulos muito obscuros e sombrios, mas que fazem parte da época de ouro dos quadrinhos, onde havia uma ingenuidade no roteiro e também no traço, bem no espírito homenageante de “As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay”.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Mais uma inovada vista no blog Drawn.
Esse é bem prático. No site Sketchcast dá pra adicionar coraçõezinhos melosos na declaração de amor, desenhar algo bem tosco como um personagem Aqua Teen ou desenhar um pinto e ofender alguém por e-mail.
Os bravos que desenham com mouse merecem um lugar reservado no ônibus, porque esse treco fica tosco mesmo desenhando com uma Tablet.

Esse desenho que fiz é uma adivinha-brincadeira, daquelas bem infames que eu vivia fazendo na escola, aporrinhando professores e garotas com ar esnobe, mas um tantinho acessíveis (o suficiente pra mostrar o desenho, fazer a adivinha e levar uma chulapa na cabeça).

Esse Ctulhu baby tá um pouco mais acabado:

Cor ao seu dispor


Esse site do Big Huge Labs tem um aplicativo um pouco meia-boca, mas curioso ao mesmo tempo (meia-boca porque não funciona direito, curioso porque se ele fosse mais acurado seria uma ferramenta útil). Você faz upload de uma foto qualquer que ele gera uma paleta de cores HSB de tudo o que tiver lá dentro, ou pelo menos, 50% das cores. Vai entender, fotos sempre são analisadas de maneira mais responsável do que ilustrações, que geram uma lista de cores bem merreca.

Update or die

[img:Logoupdaters.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Fui convidado pelo Wagner Brenner, ex-diretor de criação da McCann e criador doUpdate or Die, para colaborar no conteúdo do seu blog parrudo. Parrudo em quantidade de posts, em número de colaboradores, em visitações e na seriedade, mesmo sendo leve e divertido como pintinho colorido. É um blog de atualidades escrito por gente da área de propaganda e artes, e acho que sou o primeiro ilustrador a botar algumas linhas ali. Não envergonharei vossa classe.

Em alguns dias vou começar a colaborar lá com alguns textos que escrevi no meu blog e que tenham pertinência com o Updaters, além de colocar algumas coisas interessantes que não tem muito a ver com ilustração e arte (sexo e mundo bizarro acho que também não entram lá, mas acho que se for novidade talvez tenha alguma chance). Como não sou o Nakamura que controla o tempo, talvez não consiga ser tão prolífico como aqui, mas como sempre digo, é pouco mas é de coração.

Toy Blog

Um dos trabalhos que faço além de ilustrar é desenvolver e adaptar brindes para empresas acompanharem os produtos infantis, coisa que toda mãe amaldiçoa quando tem que comprar alguma coisa pros pequenos (hoje em dia os acessórios, como os brinquedos que acompanham produtos são chamados, determinam se irá fazer sucesso ou cair no ostracismo da prateleira). Resquício da época de McLanche Feliz. Como sou criança não crescida, isso me faz um contumaz visitante de lojas de brinquedos e sites de trecos infantis.

Nessas idas e vindas na rede encontrei por acaso um blog brasileiro genial sobre brinquedos. No Blog de Brinquedo só tem brinquedos. Não os mais remerrenhos, como bolas de futebol ou carrinhos que soltam chumbo tóxico no lugar dos gases do escapamento. São brinquedos diferentes, que fazem qualquer sujeito que não teve infância ensalivar e calcular quando é o vencimento do cartão de crédito. Alguns são pesadelos movidos a pilha com peças que podem ser engolidas por menores de 4 anos, outros são obras de arte com design arrojado demais para serem coisas de criança.
E tem também as indefectíveis obras feitas em Lego, que vira e mexe aparece sempre algum performático fazendo alguma coisa não convencional. Conto nos dedos os dias em que alguém apareça com um vibrador feito com mil pecinhas coloridas.


Como consegui viver até agora sem uma bazuca de marshmallow?

Sorriso das tomadas elétricas

Já havia comentado sobre pareidolia, que é a palavra que se dá quando alguém acredita que vê a Virgem Maria numa mancha de ferrugem ou Elvis Presley numa cueca mal lavada.

Como você vê o que sua mente quiser ver, nessa comunidade um tanto bizarra chamada “Faces Around Us”, as pessoas enviam fotos de qualquer coisa que seja parecida com um rosto. São centenas de fotos de janelas, tomadas, parafusos a doces de balcão. Qualquer coisa que tenha dois olhos e uma boca tá valendo. Site frequentadíssimo por criativos e paranóicos que acreditam estar serem observados a todo momento.

Algumas são forçada de barra, mas não se pode ter tudo.

I Love Livro

Uma vez eu li, não sei aonde, que quem tem um livro nunca fica sozinho. Mesmo o sujeito mais cagado, mais isolado, mais feio, sentado sozinho na única mesa com uma pessoa em um restaurante lotado de casais e grupos de amigos, se ele estiver com um livro ele se isola do mundo e fica em paz consigo mesmo, pelo menos por um tempinho.

Eu perdi o número de vezes que ia comer sozinho levando um livro ou uma revista como companhia. A partir dessa experiência, da leitura transformar uma refeição tristonha em um momento de intropecção e contentamento é que nasceu o conceito básico das toalhinhas de bandeja. Elas foram feitas para serem lidas em grupo, pra tirar o barato das informações, ou sozinho. E assim passa dez ou quinze minutos rapidinhos, não acontece a sensação de deprê de comer como um rejeitado e sai de lá com um pouco mais de informação.

Quer me fazer feliz, me dá cem reais e me deixe durante uma hora na Livraria Cultura. Ficar garimpando livros lá ou em sebos me faz um bem melhor do que duas horas de futebol entre peludos.

Duas dicas pra quem gosta tanto de livros que só falta fazer sexo com eles (alguém já ouviu aquela piada? Não se empresta carro, livro ou mulher. Porque quando e se eles voltam, voltam diferentes).

Para quem é tarado por capas, entre nesse site, o Book Covers. Existem milhares de capas de livros ali, todos americanos. De todos os estilos, gráficos e literários, com soberbos trabalhos de tipografia, fotografia, ilustração e direção de arte. Tantos livros, tão pouco tempo…

Agora, pra quem curte catalogar, cuidar e conservar livros e prefere vender o carro pra montar uma estante de livros digna dos seus tesouros de papel, tem uma opção virtual que, garanto, você perde horas preciosas da sua vida com isso. O Delicious Library é um programinha que é uma estante de livros virtual. Você digita o nome do livro e, como mágica de festa de criança, o livro aparece ali na estante! Ele puxa as informações da Amazon, com resenhas, isbn, o raio-x do livro. Tudo em ordem alfabética por título ou autor.

E não só faz catálogo de livros, mas também de DVDs, games e música. Playstation 3 vira peso pra segurar porta perto disso em termos de diversão.

Só para usuários de Macs.

Monsuteru

“Monsuteru” é como os japoneses falam “Monster” no Japão. Também é uma das alcunhas que o Kako se autodenominou.

Quem é meu chegado sabe que comecei a desenhar por causa dos monstros do Ultraman e Ultraseven. Sem a inspiração dos monstros da família Ultra eu não teria feito a faculdade de Biologia nem teria me tornado um ilustrador.

O folclore japonês é cheio de criaturas bizarras, ora espíritos, ora monstros (a mitologia oriental, no geral, é farta nesse tipo de criaturas). Se Godzilla e os Ultras fizeram sucesso lá na terra do missô talvez seja porque já existia essa cultura criptozoológica rolando há centenas de anos, aterrorizando as crianças para dormirem cedo, senão o espírito do trovão iria puxar os umbigos, como me ensinaram erroneamente durante anos.

Pensando em fazer uma toalhinha de bandeja (que não vai mais sair), guardei esse link de uma enciclopédia online de criaturas mitológicas japonesas, o Obakemono.com (obake é fantasma em japonês). A qualidade do texto é excelente, e as ilustrações dos grotescos é estilizada, meio vetorial, que perde um pouco do ar feudal japonês, mas ganha no conjunto da obra.

Ali você aprende que na cultura japonesa, até objetos ordinários como um guarda-chuva ou um chinelo ganham alma e viram fantasmas se não forem desfeitos de maneira correta. Deve existir uma legião de fantasmas de bicicletas ergométricas que viraram cabides e morreram no ostracismo esperando pela vingança.

Falando sério, uma vez vi algo na TV japonesa que achei muito interessante. No Japão, alguns artistas mais velhos não jogam os pincéis feitos à mão e que estragaram no lixo. Eles queimam os pincéis em uma cerimônia, fazendo uma oferenda e recitando algum mantra, em homenagem ao espírito que morava nesses pincéis.

Mas como eu curto o estilo de desenho antigo japonês, tem também um site da Wikimédia só com imagens escaneadas de monstros japoneses antigos, a maioria do século 18 e 19.

Tempo é dinheiro

O Cris Vector (breve post sobre ele) mandou essa dica e vale a pena ser compartilhada para todo freelancer.

Eu já havia comentado sobre isso aqui no post que fala como cobrar um trabalho, e o Guia do Ilustrador tem uma parte só sobre isso, mas mesmo assim o número de pessoas que me escrevem perguntando quanto devem cobrar por um trabalho feito em papel A2 não é brincadeira.

Novamente eu digo, ilustração não é peça de flanela pra ser cobrada por metro quadrado. É fundamental saber quanto custa sua hora, pois é essa a base do cálculo. No meio, é chamado de hora-homem (sem conotações sexuais, por favor). A partir daí você calcula o resto.

O site Freelance Switch tem um calculador de custo de hora. Bem mais detalhado, ele calcula todas as variantes (ou seja, do cafezinho da padaria ao IPTU), planeja quanto você quer guardar pra sua aposentadoria na sua velhice e no final, dá o quanto você tem que cobrar por hora. Útil como um canivete suíço. Ele é em inglês e a moeda é em dólar, mas isso não influencia em nada, pode colocar os valores numéricos em reais que funciona.

Aí você descobre quanto custa uma hora da sua vida, quanto custa assistir uma sessão de Ratatouille e quantas horas você tem que trabalhar pra pagar aquela multa de trânsito que não foi culpa sua.

Bello!

100kg de Mulher Maravilha

Esqueçam as coxas da Linda Carter, os peitos desenhados por George Perez ou os músculos esculpidos por Alex Ross.

O blog Fat Wonder Woman é a vingança das que sempre perdem a briga com a balança e daquelas que nunca acham seu número em qualquer loja de roupas no shopping. Criado pelo cartunista Jamar Nicholas, é um blog fantástico, que tem simplesmente como mote ilustrar de diversas maneiras possíveis a Mulher Maravilha Gorda!

É um conceito criativo, diferente e a proposta de vários ilustradores diferentes (e muito talentosos) darem sua versão da amazona adiposa faz com que o blog seja obrigatório. Tem dezenas de outras versões de onde vieram essas, cada uma mais deliciosa, divertida ou obesa que a outra.

Tirando alguns maldosos e malevolentes que partem pra parte escrota dessa visão, colocando banhas cadentes e celulites granulosas às toneladas na coitada, a maioria explora a sensualidade de uma mulher mais cheinha. Só faltava a versão Botero.

Quem imaginaria a Mulher Maravilha com os braceletes dourados apertados e usando o laço dourado como cinto pra segurar as banhas eróticas?