Ninguém senta na cadeira do Sr. Spock

Um dia um trekkie com dom pra desenhar sentou um dia numa cadeira e pensou: “irei onde um ilustrador jamais esteve”, e desandou a desenhar alucinadamente todas as Pontes de Comando de todas as naves de todas as séries da franquia Star Trek.
Startrek
Taí, uma página com dezenas de plantas baixas e diagramas de como uma tripulação de uma Enterprise sentava.

Como diria o Vulcano com a cara do príncipe Namor: “ilógico!”

Monstros gigantes, o velhinho que fez monstros gigantes e a mocinha que amava monstros peludos gigantes

Sobremesa doce e colorida pra fãs de monstros que assistiram “Cloverfield” e “O Hospedeiro” (no primeiro o exército comparece em peso, no segundo não aparece nem um soldado raso pra soltar uma azeitona no monstro).

A Dreamworks vai lançar em 2009 o projeto “Monsters vs. Aliens”, tendo como base os filmes antigos de monstros que passavam nos cinemas na década de 50 e 60 e depois inundavam a Bandeirantes no famigerado “Cine Mistério” às sextas. competindo deslavadamente com o vergonhoso “Sala Especial”, que passava na Record. Vergonhoso porque todo moleque tinha que montar uma estratégia pra assistir a TV baixinho pra não acordar os pais pra ver 5 minutos de peitinho mixaria, quase sempre da Helena Ramos ou da Aldine Muller.

Já dá pra reconhecer aí os parentes esquisitos da Bolha Assassina, da Criatura do Lago Negro e da Mulher de 50 Pés de Altura, vestida até o pescoço e se parecendo com a irmã da Mirage, a secretária lascívia de Síndrome, de “Os Incríveis”. O mestre de obras é Rob Letterman, que fez “O Espanta Tubarões”.

Alguns tem taras por anões besuntados a óleo, outros por monstros que comem quarteirão com queijo de manhã. Como já disse antes, devo minha carreira de ilustrador aos monstros de pele de borracha do Ultraman e Ultraseven, pois gastava lápis de cera a granel desenhando os avôs do Pokémon a rodo.

Esse livro é um atestado de nerdice e ao mesmo tempo de agradecimento. Eiji Tsuburaya é o criador do Godzilla (Godzilla vem de Gojira em japonês, e é a fusão de “kujira – baleia” com “gorira – gorila”) e da família Ultra, dos monstros e de toda a frota de naves que fazia os aviões dos Thunderbirds parecerem teco-tecos, tendo como brinde a atuação de degustadores de salada sem tempero dos atores.

O livro é recheado de fotos dos bastidores dos filmes e seriados e faz você ficar 30 anos mais moço folheando as páginas, ao mesmo tempo que vem uma ponta de revolta por ter se maravilhado algo tosco como um óculos com lanterna de carro ou uma cápsula beta que servia para karaokê. Custa 120 dinheiros na Cultura.

E existem aquelas se cansam de salvar a humanidade e de vestir um capacete embaraçoso pra cair na dura vida real e ganhar uns trocados pra garantir a janta de amanhã.

A mocinha que fazia a charmosa Anne, o elemento feminino da tropa do Ultraseven, chamava-se Yuriko Hishimi. Depois que Ultraseven acabou, ela desistiu de lutar contra monstros peludos para unir-se a eles e virou atriz de filmes eróticos e fez várias fotos exibindo suas unidades de recreação e reprodução que nem UltraSeven foi capaz de alcançar (mas nem ela seria páreo para o hirsuto e adiposo Ron Jeremy).

Emily é Estranha mas não joga dinheiro fora

[img:Emily1.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Emily, a Estranha é uma mistura da Wandinha (Wednesday, da Família Addams) com uma Amelie Poulain em permanente luto, é a versão negativa inversa da Barbie. É a gotiquinha de 13 anos, pálida como bunda de padre e amarga como a alma da sua tia solteirona, é sex symbol entre os emos, deprimidos, ou os dois ao mesmo tempo, e rainha da tribo dos adolescentes revoltados com todas as coisas belas e ensolaradas do mundo.

Ela foi criada pelo skatista Rob Reger em 1991 como personagenzinha sem muita expectativa para os cacarecos que eram vendidos em sua firma de skate, a Santa Cruz, da Cosmic Debris. Buzz Parker é o camarada ilustrador oficial. Passados alguns anos, ela continua Estranha, mas adquiriu o gosto pelo dinheiro. Seu site oficial tão entulhada de produtos à venda que parece um quarto bagunçado de uma patricinha das trevas.

Produzem entre 200 a 400 itens anualmente, possuem 3 lojas ao redor do mundo, e ironia do destino ou pagação de karma, Britney Spears é uma das maiores consumidoras dos seus produtos. É a versão financeiramente viável de um Império das Trevas.

Tem tubarão em Toque-Toque?

Não veja Mar Aberto na véspera de viajar pra Fernando de Noronha ou Aruba.

É desagradável, pra cacete. Você sua dentro da máscara de mergulho esperando um tubarão roçar nas suas pernas.

Não veja “Casa de Areia e Névoa” se você estiver procurando uma casa pra comprar. Você pode ficar com vontade de viver de aluguel por um bom tempo. A paranóia faz o homem urbano ficar vivo!

Não veja “Abismo do Medo” se você planejou descer nas cavernas do Petar no final de semana. Tem um outro, “A Caverna”, que é um lixo, mas esse passa bem o clima de como é uma caverna por dentro (eu ia pro Petar pra ajudar a coletar espécimes de bagre cego pra faculdade). Quem é claustrofóbico deixa uma marca marrom nas calças.

Muita gente pensou, “pelo menos o cartaz é legal, que pusta idéia”, mas na verdade é uma “homenagem” desavergonhada.

Salvador Dali e Philippe Halsman criaram isso em 1951. A obra se chama “In Volupta Mors”. Sem Photoshop e sem filtros. Na munheca mesmo.

Não é teoria da Conspiração, mas quase tudo o que você acha legal na indústria do entretenimento tem uma fonte anterior mais digna ou de melhor qualidade.

Voltando ao Dali, ele era um inovador. Era um pirado, um José Celso Martinez catalão, mas era genial.
Essa instalação na época fez frisson. De perto é um amontoado de quadros com o foco principal na sua mulher pelada, Gala, de quem ele era apaixonadíssimo. De longe você vê a cara do Lincoln.

Tem muito anúncio e ilustrações que usam esse recurso, virou até carne de vaca.

Esse orangotango com ossos dourados tem um toque que lembra as esquesitices do Michael Jackson (não foi ele quem comprou o esqueleto do Homem-Elefante?).

Essas fotos tirei no museu Dali, em Figueres, Espanha.

Natal da turma da Mônica

Como o Natal tá chegando, nada mais oportuno do que subir esse post que lembra Natal feliz e ingênuo.

A moçadinha mais nova não conhece, mas senti cheiro de Amendocrem com Biotônico Fontoura quando vi isso:

O Natal da Turma da Mônica era um desenho que passava nas vésperas de Natal na Globo há mais de 30 anos. Era um tempo que não existia TV a cabo, internet, Coca Light e nem a Fernanda Lima.

Depois que o desenho acabava, a gente comia a ceia de Natal e abria os presentes…(lagriminha)
Vendo esse desenho minhas rugas e cabelos brancos sumiram. A musiquinha do final está grudada na minha cabeça até hoje.

Eu me tornei mais sociável quando criança por causa desse desenho. Eu cantava “Feliz Natal pra todos, Feliz Natal” pros meus tios e agregados num tom desafinato allegro, até ganhar sorvete ou uns trocados pra parar de cantarolar esse refrão.

E nunca havia me tocado como o Bidu é irritante nesse filme.

Era um tempo onde comecei a desenhar usando um clipart feito de papel de seda com carbono chamado “Desenhocop” (aliás, o criador dessa engenhoca era um sujeito chamado Toninho Duarte, já falecido). Eram folhas com desenhos de bichos ou carros, traçados com carbono. Aí a gente passava o lápis com cuidado (pra durar duas ou três vezes mais), transferia o desenho pro caderno e pintava.

Tinha um desenho também que passava na Cultura, em preto e branco, de um sujeito que montava uma árvore de Natal e viajava pro espaço num foguete feito de telhas Eternit pra conseguir a estrela que fica no topo…procurei no Youtube mas nem sei por onde começar. Também foi parte da minha infância.

Eu REALMENTE estou ficando velho!

(em tempo: tem alguns ranhentos que reclamaram que esse curta está presente nos DVDs dos novos desenhos do Maurício. Tudo bem, mas nem todo mundo aqui compra DVD do Maurício, certo?)

O novo Star Wars, o velho Star Wars e o que Piratas do Caribe tem a ver com Star Wars

Apaguem os sabres de luz, Star Wars fez 30 anos. Quando assisti pela primeira vez eu tinha 12 anos, e fui ver no gigantesco cine Comodoro, que ficava na Avenida São João. Mas como sempre fui diferente, sempre fui mais fã de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, que estreou praticamente junto, do que Guerra nas Estrelas.
Chega de saudade.

O novo Star Wars

Vai estrear ainda esse ano o novo Star Wars – Clone Wars. O primeiro era bem bacaninha, feito pelo criador do Laboratório de Dexter, Genndy Tartakovsky. Tinha um pique que até o filme não tinha.
O novo parece deveras legal. Agora toda a estrutura do desenho vai ser feita em 3D. E parece divinamente divertido.

“>No site oficial não tem muita informação (aliás nenhuma), apenas o filminho, cuja qualidade é melhor do que tá rolando no Youtube. É de enrolar os cabelos do nariz.
“>

O velho Star Wars

Esse é para aqueles que acham que o melhor Star Wars ainda é “O Império Contra Ataca” e os Ewoks são ratos de que andam em duas patas que deveriam ser extintas.

Ralph McQuarrie foi um ilustrador que fazia aviões para a Boeing antes de se tornar um dos maiores concept designers de Star Wars, junto com os Hildebrant brothers. Boa parte das naves foi ele quem criou.
Existe uma página no Flicker repleta de concept boards dos três primeiros filmes da série, todos ilustrados por ele.
É de causar ereção em um nerd. Foi uma dica do Jetter, lá da SIB.

C3PO era pura Maria, o andróide de Metrópolis, de Fritz Lang.

Piratas do Caribe X O Império Contra-Ataca

O texto abaixo não é meu. É do Marcelo Lourenço, redator e diretor de criação da FL Europe em Lisboa e nas horas vagas faz de conta que é cri-cri de cinema.
Apesar das limitações, até que esse texto tem uma certa relevância, nas comparações que ele fez.

Em tempo, pra entender o texto: Piratas do Caribe: O Baú da Morte em Portugal se chamou “Piratas dos Caraíbas: O Cofre do Homem Morto”.
Quem quiser ver outra listinha de nomes de filmes em Portugal, esteja à vontade de clicar aqui.

Talvez seja só eu mas acho que “Os Piratas das Caraíbas – O Cofre do Homem Morto” é uma versão pirata (olha o trocadilho!!!) do “StarWars – O Império Contra Ataca”.

Ou em outras palavras:

O anti-herói, o pirata egoísta Jack Sparrow, é capitão do seu amado navio, o Black Pearl.

O anti-herói, o pirata egoísta Han Solo, é capitão da sua amada nave especial, Millenium Falcon.

Jack tem que pagar uma dívida ao terrível Davy Jones.

Han tem que pagar uma dívida ao terrível Jabba The Hutt.

Durante o filme, o bom rapaz Will Turner descobre o que aconteceu ao seu pai e promete salva-lo.

Durante o filme, o bom rapaz Luke Skywalker descobre o que aconteceu ao seu pai e promete salva-lo.

A mocinha do filme, Elizabeth, começa a discutir/flertar com Jack.

A mocinha do filme, Princesa Leia, começa a discutir/flertar com Solo.

O “comic relief” do filme é garantido pela dupla Pintel and Ragetti, dois piratas, um baixinho e o outro magro e alto.

O “comic relief” do filme é garantido pela dupla R2 D2 e C3PO, dois robôs, um baixinho e o outro magro e alto.

Jack Sparrow não paga a sua dívida e é engolido pelo Kraken.

Han Solo não paga a sua dívida e é congelado em carbonite.

Os amigos de Jack decidem salva-lo. E para isso contam com a ajuda do antigo capitão (e também pirata) do Black Pearl.
Mas será que podem confiar nele? Afinal, Barbarossa já traiu Jack no passado.

Os amigos de Han decidem salva-lo. E para isso contam com a ajuda do antigo capitão (e ex-pirata) do Millenium Falcon, Lando Calrissian.
Mas será que podem confiar nele? Afinal, Lando já traiu Han no passado.

Se no próximo filme o Orlando Bloom descobrir que é irmão da Keira Knightley, o George Lucas pode chamar a polícia.

Heroes & Illustrators

Sempre fiquei meio assim-assim com o personagem Isaac Mendez, o pintor drogadito de Heroes. Sempre achei uma forçada de barra a idéia de um pintor usar suas telas pra fazer um gibi (!!!).

Afinal, manifestar o futuro com bico-de-pena e papel canson não causa tanto frissom.
Nada como superpoderes para anular a direção de arte, diagramação, planejamento e até o layout pra fazer uma revista. Afinal, ele precisa apenas…pintar (ui!)

Ocái, os fãs mais ferrenhos de Heroes já devem saber sobre isso há tempos, mas eu não sou um fã ferrenho. House ainda é meu número 1 na lista de seriados bacanas.

Quem pinta os quadros do seriado e do site da NBC (9th Wonders) é Tim Sale (belo sobrenome), ilustrador da Marvel e DC que já fez Batman, Demolidor e Hulk, quase sempre em parceria com Joseph Loeb. Os quadros são leiloados e os fundos são doados para um fundo contra epilepsia infantil.

Codex Gigas, a Bíblia do Diabo e Hellraiser

Diz a lenda que no começo do século 13, um monge fora castigado e confinado em uma torre pra escrever um livro sobre o Velho Testamento e que ele terminou ilustrou e escreveu inteirinho em uma noite com a ajuda do diabo.

Codex Gigas, que em latim significa “Livro Gigante”, pois mede 89,5cmx49cm e pesa 75 quilos) também é chamado de “A Bíblia do Diabo” por causa da lenda acima e por causa dessa ilustração que o monge enfastigado fez em uma de suas páginas:

Hoje o livro se encontra na Suécia.
Não é um livro maligno nem é sobre magia negra, talvez o monge tenha desenhado o diabo porque teve um dia ruim ou acordou com o ovo esquerdo, fora isso ele é só um manuscrito enorme sobre o Velho Testamento. Mas sempre paira um ar misterioso e hermético nesses livros feitos na idade média, quem leu ‘O Nome da Rosa” de Umberto Eco sabe que clima é esse.

Nessa época, os ilustradores desses livros eram os próprios abades, que escreviam letra por letra, criavam as iluminuras e diagramavam o livro. Era trabalho pracaray, e o pagamento era uma benção divina. Se a vida de ilustrador hoje é difícil, antigamente era mil vezes pior, tendo Deus como diretor de arte e o abade superior como art buyer.
Aí Gutemberg chegou com a prensa, e todo mundo nas torres monásticas perdeu o emprego. Todos voltaram para os prazeres terrenos menos enclausurados, como orar o dia inteiro e plantar alface.

Falando em monges, mistérios e artes negras, quem curtiu o podreira Hellraiser vai lembrar do “Pinhead” e outros tipos bizarros. O livro de Clive Barker é bem mais claustrofóbico (aliás, quase todos são), mas o filme acerta no visual do pessoal gótico do fundão. O primeiro e o segundo são show de bola, os outros é material pro gato jogar terra em cima.

No filme eles são uma raça chamada “Cenobitas” e vivem num inferno muito fashion.

Na vida real, cenobitas são um gênero de monges que vivem isolados em comunidades, seguindo regras rígidas ditadas por um abade.

As outros gêneros são os Eremitas, que vivem isolados e sozinhos (daí que veio o nome que a gente dá praquele tio que não sai de casa nem pra festa de Natal); os monges Giróvagos, que são os ciganos da fé, pulam de mosteiro em mosteiro e os Sarabaítas, que o pessoal não vê com bons olhos e não são convidados pro amigo secreto, pois não possuem regras, nem abades e dizem que mentem pra Ele. Até entre eles existem os anarquistas, graças a Deus.

Até um tempo atrás eu acreditava na história de que diziam que cenobitas eram monges que viviam isolados e se auto-mutilavam, buscando purificação através da dor. Isso tá mais pro Sarabaítas. Mas é um nome que não impõe respeito prum diabo (nós somos Sarabaítas, viemos te buscar) , então jogaram a culpa no que tem o nome mais mofento.

Agora se você sonha em um dia entrar pra essa turma emo da pesada e sua vida é uma merda, aí vai um cubo da “Configuração dos Lamentos” pra você montar e ficar passando a mão o dia inteiro, na esperança disso abrir e sua vida ganhar uma nova perspectiva:

Tom & Jerry & Tom & Jerry


Antes de Tom & Jerry existia….

Tom & Jerry!

Antes do gato e rato criado por Joseph Barbera, uma dupla de um magricela e um baixote também chamado Tom & Jerry foi criado pelos estúdios Van Beuren, na “golden age” dos cartoon, mais ou menos na época em que surgiu o Mickey e os Sobrinhos do Capitão. Tudo preto-e-branco, e ingênuo como um anão da Branca de Neve.

O curioso é que Joseph Barbera começou sua carreira desenhando Tom & Jerry humanos nos estúdios Van Bueren.

Novamente o ciclo da vida do Rei Leão em outro formato?

9 minutos de Ratatouille

No site dos trailers da Quicktime tem uma versão de 9 minutos do novo filme da Pixar, Ratatouille.

Só vai funcionar os links pra Hi-Definition trailers, os comuns parece que estão desabilitados.

Se o filme tiver 90 minutos, então são 10% do filme dados como amostra grátis. Nada mau.

Dessa vez eles fizeram um trabalho de iluminação soberbo, combina com o clima “fantasia de Amélie Poulain em Paris”. E os detalhes da animação estão cada vez mais detalhados e suaves.

Em tempo: Ratatouille é um prato provençal feito de legumes.

Storyboards do Batman

Para os amantes do Batman (Robin não incluso), e que não curtem a fase pink-retrô do Batman barrigudinho dos anos 60, uma pequena jóia: uma página lotaada de storyboards do desenho do Homem-Morcego, todas da série animada, que por sinal, é muito boa. Tudo ilustrado pelo manhoso Ronnie del Carmen.

Também tem storyboards da série “Batman do Futuro” e do Superman. Achtung!

Falando no Morcego, saiu também no UOL ontem uma imagem do Coringa para o novo filme, “The Dark Knight”. Heath Ledger (sim, daqueele filme meigo de caubóis) é o cara.

Santa Onomatopéia, Batman!

Quando era criança, eu descia do ônibus da escola desembestado, como um mexicano ilegal que atravessa a fronteira americana, só pra chegar em tempo pra assistir Super-Dínamo, Fantomas e Ultraman. E também adorava ver o Batman barrigudo com a Mulher Gata que tinha um traseiro maravilhoso. Na verdade, eu SÓ assistia o Batman pra ver o traseiro dela, era melhor do que o “Sala Especial” que passava na Record. Ficava acordado de madrugada, com a TV baixinha pra não acordar os pais só pra ver dois minutos de peito e um minuto de bunda.

E não é que um argentino saudosista tem uma idéia daquelas que você pensa “por que não pensei nisso antes”?

Ele teve a paciência de colecionar todas as onomatopéias do seriado. Todos os “Bang!” “Pow!” e “Zungg!” que estouravam na tela da TV Telefunken como espirro de um viciado em ácido. Hoje serve como referência de tipologia alucinógena. Clique aqui pra ver a coleção de gemidos e gruhidos em estilo “flower power”, aqui mais flower do que power. Nada de Arial nem Helvética, o negócio aqui é de arrepiar as sombrancelhas.



Como é que a gente gostava disso? Só dublando hoje com muito palavrão pra conseguir ver de novo. Hoje é só saudade de uma época em que a nossa única preocupação era estudar e fugir das aulas de educação física.

Por fim, mando essa em homenagem ao Marcelo Lourenço, vulgo Tom Stines, que tem uma fixação homoerótica no Homem-Morcego:

A incrível e estática família Fuccon

Mais uma do Japão, sempre eles…

Há um ano comprei um DVD no site J-List no escuro, só por causa da resenha e do visual. E acertei em cheio.

Imagine essa mistura: A técnica de animação dos antigos desenhos do Homem de Ferro e Capitão América, onde eles “animavam” as ilustrações dos quadrinhos com os personagens estáticos, com o visual dos Thunderbirds, mais o clima de “Desperate Housewives” e diálogos com a velocidade de “Gilmore Girls”.

Isso dá uma série de (animação? não-animação? não sei definir) chamada “Oh Mikey – The Fuccon Family”.

É uma idéia genialmente bizarra, dignas de passarem no Adult Swim do Cartoon Network. Mas é bom, você fica dando risada sem querer, o que é um bom sinal. Mas é aquele tipo de show que você ama ou odeia, exponencialmente.

Conta a história de uma família de manequins americanos que se mudam para o Japão por causa do emprego do pai. Lá eles tem que se adaptar com a cultura japonesa, tanto Mikey, que é o filho marionete do casal,para os pais eternamente sorridentes.


Os episódios são os manequins em cenários, sem movimento algum, com um diálogo ácido correndo solto (nosso filho foi sequestrado, o que faremos? Faremos outro filho, oras).

No Youtube tem uma palhinha deles e veja se não tô exagerando (risadas pela volta do filho desmembrado, o que pode ser mais negro do que isso?)

Novos Herculóides

Óia que idéia legal.

Isso não é oficial, é uma viagem na maionese do rapaz.

James Groman sentiu saudades da turma do Glipt, Glupt (que pareciam os Barbapapas albinos) e Igor, o Homem de Pedra, que mais se parece com um macaco, além de Zandor e sua família Robinson do espaço e fez um remake a partir dos originais criados pelo mestre Alex Toth.

O resultado é mais criativo e inovador do que necessariamente bacana (já que ele mudou podia radicalizar um pouco mais nos bichos), mas já que ele não o fez, fica aqui a deixa pra alguém fazer.

Se já fizeram um remake do Homem-Pássaro que transa com o pessoal do Galaxy Trio, porque não fazem um dos Herculóides?

O olho que tudo vê

My God, it’s full of stars!

Mais um da série “eu já sabia, você também, mas tem gente que não sabe”.

Quem não ficou parecido como os macacos na frente do monolito negro quando se deparam com uma ilustração tã complexa ou intrincada que você fica se perguntando “como é possível”? Soltando grunhidos enquanto tenta entender como foram feitos os trabalhos da Patrícia Lima ou do Kako?
E como na cena do filme, do macaco jogando o osso no ar, é a vontade de jogar a canetinha do tablet de frustração porque simplesmente não entende?

E esse é o HAL. O computador mau-caráter de 2001.

Pode ser coincidência (mas acho que não é).

As letras seguintes da sigla HAL formam….IBM!!! Arthur C. Clarke não faria uma coincidência inconsciente..


O que seria isso? Que significado teria? Que os computadores da IBM podiam ser os melhores amigos de um nerd se fossem bem tratados? Ou se chamassem Dave? Nham?

Usando essa lógica, quem procura um nome de agência de publicidade do mal, pode usar a DPZ como base e montar a COX publicidade. E olha que tem bom som e tem duplo sentido também.

Pixar feito a lápis

Passei esses dias tentando matar um camundongo que entrou em casa. Comprei várias ratoeiras (coisa da idade média) e curiosamente, ele tem recusado sistematicamente os queijos e bacons colocados como iscas, simplesmente não funciona. E parece que é mascote do David Blaine, é só botar os olhos nele que desaparece no ar! Hoje comprei uma terceira ratoeira com gorgonzola, se ele não pegar essa vou considerar que esse roedor é vegan.

Pra um rato com paladar de bom gosto eu posto essa imagem de alguns personagens do próximo filme da Pixar, Ratatouille (que fala justamente de um ratinho gourmet):


E este é um teste de animação com um personagem do filme que achei no Youtube:

E tem também uma imagem do próximo filme da Pixar depois de Ratatouille, Wall.e (que fala do último robô da Terra, o que me lembrou de um filme chamado “Matadouro 5″ muito, muito velho):


Sempre que a Pixar lança um filme (e outras também, como Dreamworks), é comum lançarem um livro de sketches e sobre o processo de criação do filme.

A tecnologia utilizada pela Pixar e seus efeitos dispensam comentários. No entanto, pra quem é desenhista ou ilustrador, é fascinante ver que até chegar no Senhor Incrível com a pança do Faustão, foram feitos centenas de desenhos e estudos. Principalmente estudos. A lápis, pastel, colagem, tinta, nada que use tecnologia 3D. O que comprova mais uma vez que tecnologia não é nada sem um volante e um freio atrás.

Esses livros não são caça-níqueis como álbuns de figurinhas ou gibis toscos. São ótimos estudos de referências, valem cada centavo investido nele. No mínimo fazem você perder a preguiça de procurar por uma referência correta e segura ou de não usar a primeira idéia que vem na cabeça. Estudo é processo de criação, as duas coisas estão sempre juntas. Então amiguinhos, mesmo que exista um filtro que faça fogo no Photoshop, a verdade é que técnica e talento não acontecem apertando um botão “OK”. Sempre dá pra fazer melhor.
É só olhar esse sketch de “Robots” (Dreamworks, mas também maravilhoso).

Ou ver essa prancha-conceito (concept board para os publicitários) de Monstros S.A, que são sementinhas de blockbusters:

Você compra esses livros na Amazon.com ou na Cultura. Custam em torno dos R$120,00, mais ou menos, mas acho que compensa mais pedir na Amazon, pois esses livros somem rapidinho das prateleiras daqui e o preço do frete mais o do livro fica praticamente igual ao valor brasileiro.

Quem é ilustrador tem sempre que renovar a fonte de informação, absorver coisas novas, novas tendências. Pra quem gosta de estudar, ser ilustrador significa aprender uma coisa nova todo dia. Se não fizer cursos, palestras, workshops, no mínimo compre livros que dêem uma sacudida na poeira da mente. E esses livros nem precisam ser necessariamente sobre ilustração. Inspiração e motivação você pode encontrar até num livro sobre como dar banho em cachorros. Encare esse dinheiro gasto como investimento que você sofre menos.

A Xaninha da Penélope Charmosa

Não se arrepiem, pudicos de plantão. Não estamos falando de assuntos pubianos.

Macaco velho de desenho animado, e ao contrário do Diogo Mainardi, escapei ileso dos efeitos malignos da Hannah Barbera (ou talvez não, porque virei ilustrador com um certo nível de demência), a gente nunca questiona certas coisas. Nomes de personagens, por exemplo. Não faz parte da nossa natureza questionar como se chama determinado personagem na origem. Mas o bom é que, quando descobrimos, já temos maturidade suficiente pra achar ridículo e ao mesmo divertido.

Quem não se lembra da Corrida Maluca? Só o albino do Código da Vinci não se lembra.

Pois bem talvez muitos já sabiam disso, mas eu não.

A diáfana Penélope Charmosa, quem diria, tem um nome mais grosseiro em inglês, que é Penélope Pitstop! E o pior, o carro dela tem um nome, Continue reading

Paprika

Animação japonesa é como comida japonesa.
Tem aquelas aberrações industrializadas baratinhas que vem em embalagens coloridas e intragáveis, como balinhas de cerveja e limão com melancia, que encaixam perfeitamente no gosto de adolescentes, como também existem as iguarias mais refinadas feitas de pequenas coisas simples e que poucos sabem fazer, como um peixe cru e um punhado de arroz caro (pra quem gosta). Tem também coisas pra experimentar e contar por aí feito bobo, como sashimi de baiacu venenoso, um tipo de roleta russa gastronômico.

O que peca na animação japonesa não é a animação. É a história e os diálogos. (sendo justos, não é só da animação japonesa, mas qualquer bandeira comete esse mal casamento, de boa animação com história ruim. Mas especialmente a animação japonesa ganhou um status isolado, chamando-se a si mesma de animê, angariando uma legião de fãs e fanáticos no mundo inteiro e isolando-se do que ela realmente é, animação pura e simples).
Akira e Ghost in the Shell, por exemplo, são animações maravilhosas e idéias geniais, mas convenhamos, as histórias são confusas e os diálogos mal aproveitados. Evangelion, então, vem de uma idéia boa, mas a história de tão triste e enrolada virou mexicana. Steamboy, do Otomo, também tem uma história mal elaborada por que se leva a sério demais. Final Fantasy, pelarmodedeus, é propaganda de software de modelagem 3D, porque em termos de enredo é coisa pra gato jogar terra em cima.

Tem dois caras japoneses que fogem desse padrão: Hayao Miyazaki e Satoshi Kon. Miyazaki dispensa apresentações.

Foi anunciado agora nos EUA o último filme de Satoshi Kon, Paprika.

Eu já tinha visto um trecho de meia hora do filme há pouco tempo atrás. É como uma versão Continue reading

Quando Jesus e Elvis se encontram

Brega nem seria a palavra correta para esse tipo de ilustração.

É algo maior, eles te dão uma experiência sensorial…faz você lembrar de cheiro da casa da sua tia velha que tem cristaleira cheia de cupim e pequinês decrépito que solta pêlo em nacos e fede ranço; faz você lembrar que teve medo do quadro do menino que chora (que dizem que tem um espírito morando nele), faz lembrar de existe gosto pra tudo. Não importa, esse tipo de desenho nunca me traz sensação boa, é como se fosse um trauma de infância querendo se manifestar quando vejo um quadro de cachorros jogando sinuca.

(reparem no detalhe do dedo do buldogue, mutação canina)
De qualquer forma, descobri que existe uma Meca para esse tipo de desenho. É um museu chamado Velveteria, que fica em Portland, o maior (???) acervo de pinturas em veludo negro do mundo. Pasmem, nem em meus piores pesadelos imaginaria que pintura em veludo negro seria um estilo de arte extremamente difundido, adorado e cobiçado! Quem precisa de Renoir quando se tem Continue reading

Aqua Teen Frank Frazetta Style

Senhores, contemplem!

As tosqueiras mais toscas vão virar filme!
Não é todo mundo que curte Aqua Teen, que passa no Cartoon Network na programação do Adult Swim. Mas quem curte mija de dar risada (ainda que a primeira temporada era mais suja e desbocada) com os diálogos (é igual a um filme que tô procurando faz tempo, chamado “O Filme Mais Idiota do Mundo”, mas tem que ser na versão dublada).

Uma almôndega tapada, uma batata frita alienada e um milk shake que gosta de pornografia e que moram numa boca-de-porco, animados em Flash de maneira capenga, com vilões que vão desde monstros de piche afeminados a múmias com voz do seu Perú.
Tem horas que o cérebro pede uma tranqueira de vez em quando pra soltar umas risadas, são como Baconzitos mentais, e ao lado do Harvey, o Homem Pássaro, Aqua Teen é o fino do politicamente incorreto.

Isso só tá sendo postado aqui por que deparei com o pôster do filme no Omelete e olhem que viagem:

Fizeram a ilustração no estilo do Frank Frazetta! Uhú!
Lógico que não foi feito pelo Frank Frazetta (ou será que foi?), vou procurar o autor do crime e Continue reading

Creature Comforts

Da série “coisas legais que trouxe das minhas férias”, que foi em outubro, mas só consegui assistir agora, no Carnaval.

Os mais fãs já devem conhecer, mas nem todo mundo sabe de todas as coisas, então eis que lhes apresento uma palhinha de ‘Creature Comforts”, uma obra-prima dos estúdios Aardman e de Nick Park, o cara que criou Wallace & Gromit.

Pra quem não conhece, são sketches de animais sendo entrevistados em diferentes situações.
Por exemplo, o que os animais acham de serem vendidos a um preço baixo nas lojas de pet shop ou o que eles acham do problema da alimentação. O depoimento da mosca dando opiniões sobre os difentes tipos de merda é fabuloso, assim como o das galinhas querendo implantar feng shui no galinheiro.

Muita gente se lembra do primeiro Creature Comforts que saiu, há anos e anos atrás. Passava muito no genial canal Locomotion (ahh, Rex the Hunt e Dr. Katz), que foi trocado pelo imprestável Animax.
Tinha um jaguar (!!!) brasileiro que falava inglês com sotaque mesmo de brasileiro! (I need ispeice! In Brazil we have ispeice!). Quem quiser conferir tem o primeiro Creature Comforts inteiro no Youtube. Viva el Youtube! É hilário.


O design dos bichos de Nick Park é único, reparem como ele coloca dentes nos pássaros. E o roteiro e os diálogos é de longe mais inteligente que Wallace e Gromit, mas a cenografia não é tão detalhada (afinal, é um reality show de bichos e massinhas, um estilo de trabalho chamado VoxPop).

Quem quiser comprar o DVD dá pra encomendar pela Livraria Cultura ou pela Amazon. O que eu tenho é uma versão de Portugal, então tem um quê divertido a mais quando escuta os bichos falando com sotaque lusitano.

O Gigante de Ferro

A internet é uma arca do tesouro. Quando você menos espera, encontra algo que não precisava mas de repente se transforma em necessidade básica.
Negociei com um sujeito que fabrica essa peça abaixo e ele topou vender uma pra mim. Ela tem led azul e apita, igual o filme:

O filme a que me refiro é “The Iron Giant”, o Gigante de Ferro.
Eu tenho uma paixão por esse filme de animação, junto com os do Miyazaki.
Pra mim, a melhor animação americana em 2D (ainda que o robô tenha sido feito em 3D e renderizado em cell-shading, para parecer plano) que já fizeram.

Foi dirigido por Brad Bird, de “Os Incríveis”.

Tudo nele é formidável. O design “rebite Julio Verne” do robô, a história Continue reading

O Rosto de Space Ghost

Essa meu compadre Marcelo enviou pra mim lá de Lisboa, terra do pastel de Belém.

Ele descolou um esboço feito por Alex Toth do Space Ghost sem máscara.
Seria Space Ghost o irmão de Roger “Race” Bannon, o “companheiro de aventuras” do doutor Benton Quest??

“Mate Turu, mate!!”

Hayao Miyazaki

Fãs de Miyazaki, já fiz uma homenagem a esse gênio em uma toalhinha de bandeja.

E o trabalho inteiro:

Vi todas suas obras (mais de uma vez), mas ainda acho Kiki’s Delivery Service o melhor. Perdi o número de vezes que vi esse filme, prestando atenção em detalhes.
A história saiu de um livro com o mesmo nome, escrito por Eiko Kadono e ilustrado por Akiko Hayashi. Depois do filme, ela escreveu uma sequência, Continue reading

Festa dos Monstros

Consegui um sonho de consumo em Portugal.

Há anos que estava atrás de “Mad Monster Party”. Pra quem não conhece, é um filme de animação de bonecos bem antes do Tim Burton estourar com Jack ou a Noiva Cadáver.
Passava muito na Sessão da Tarde, uns 30 anos atrás. O nome “Francesca” ficou marcado no meu imaginário feminino, na época.

Eu não sabia que os personagens foram criados por Jack Davis, um cartunista da revista Mad. Quem liga a revista na época de 80 identifica os traços dele nos monstros.

E o Conde Drácula? Ele não se parece com o Paulo Maluf mais novo?

Agora só faltam “Freaks” e “Eraserhead” pra completar minha lista de desejos cinematográficos em DVD.