Hadouken na carteira

Estarei ficando velho?

Pois este ser estava ávido como hiena espreitando carniça para apertar os dedinhos no novo Street Fighter 4. Principalmente por causa do visual, pretensiosamente mais artístico e menos renderizado, e por causa das críticas favoráveis como elogio para noiva. Coisa parecida aconteceu com a experiência fora do corpo de trabalhar com o novo Adobe CS4, mas isso é papo pra outro post.

Seduzido pelo trailer, ingenuamente acreditei que iria ter um jogo espirrando tinta nas paredes.

Pois bem, com um sacrifício monetário, comprei o objeto de adoração. E pois, depois de jogar algumas horinhas veio a decepção. Juro que tentei, mas simplesmente o jogo é chato! Ao contrário de Soul Calibur, que tem a jogabilidade fluida e gráficos de deslocar os mamilos, Street Fighter cansa rapidinho, típico produto onde se fala muito e se oferece pouco. Por ser ainda de opinião de cunho pessoal, os personagens ficaram velhos e cafonas – M. Bison poderia ser Hugo Chaves com peitorais assombrosos e Zangief ter a cara do Azaghal do Jovem Nerd pra ficar um pouco mais interessante. O irônico é que, ao jogar o velho Street Fighter do SuperNintendo, esse parece sim é continua sendo muito mais legal. Toma na cabeça.

Nem as animações, feitas com qualidade e esmero do pior episódio de Pokémon, salvam. Jogar pela rede, com gente tentando se convencer que o investimento valeu a pena pelo mundo inteiro, é uma experiência atroz e insalubre.

Se um jogo de luta faz você bocejar no meio, e Little Big Planet não, então alguém jogou um ratão na panela de feijoada, pois a receita desandou.

Sensação igual quando você sonhava com Comandos em Ação fazendo mil peripécias na TV e se decepcionando com um bonequinho assexuado que só mexia os bracinhos. Por isso mesmo estou achando que estou definhando mentalmente, não entendo como tem tanta resenha favorável pra esse fragmento de diversão digna de gato jogar terra em cima.

Depois de um final de semana lacônico e me arrependendo até a última fibra da cueca por ter dado esmola pra Capcom, chegarei ao cúmulo de ir na lojinha e trocar o jogo por qualquer outro, pra diminuir o prejuízo. Se tiverem Resistance 2, o negócio será fechado.

Se beber, não Photoshope

Mais uma prova de que programa e equipamento não faz o profissional, apenas atesta o número de patas em que ele se locomove, o blog fantabuloso “Photoshop Disasters” mostra que nem sempre tecnologia, talento e autocrítica andam de mãos dadas, muito pelo contrário.

É uma deliciosa coleção de erros grotescos que aconteceram numa manipulação inconseqüente das imagens no Photoshop. Algo passável de uma crítica sobre a maldita inclusão digital se fossem trabalhos sem pretensão, mas o divertido e incrível é que são trabalhos comerciais, e alguns deles vindos de empresas do porte de um mamute nacional (leia rápido mamute nacional que entenderás a piada) como Warner ou Disney.

Sim amiguinhos, os pixels não mentem jamais.

Se eu fosse uma mosca da banana teria essa visão da Santa Ceia

Nem indo pessoalmente pra Milão, na igreja Santa Maria Delle Grazie com uma lupa ou um microscópio você conseguiria ver as entranhas e os detalhes de “A Santa Ceia” da maneira que o site Haltadefinizione mostra. Uma benção para os amantes de Leonardo e do famigerado Código da Vinci e que não tem um puto nem pra comer um churro no Tatuapé.

Embora seja um pouco lento, talvez por causa do número de acessos gigantesco, e não sem razão, vale a pena. Quando digo que a obra está toda “zoomificada”, é pra valer. O detalhe acima é de apenas 17%, e já dá pra ver a roupa de baixo de Judas. Com 100% de ampliação a coisa quase chega ao nível molecular. Seria essa a visão se você fosse uma drosófila e pousasse em cima da Santa Ceia.

Essa nova tecnologia, feita a 4 mão, entre elas a Nikon e a AMD, abre um leque de novas possibilidades. Imagina esse recurso em sites pornôs ou de investigação forense? Quem sabe logo não aparece uma foto com essa tecnologia da Angelina Jolie pra gente ver seus poros e glândulas sebáceas?

Quick steps

Essa ilustração saiu na EGM de dezembro.
Era sobre uma matéria de como soavam errados alguns nomes em inglês de games ou de seus personagens.
Quem vai curte games vai entender do que se trata.

Fiz toda a ilustração no Painter IX.


O esboço fiz direto no programa usando o pincel “Soft Charcoal”. Esse pincel simula bem o grafite macio, bem mais do que o próprio lápis do programa. Assim, quando apresento para o cliente não parece que foi feito em computador. Não que isso tenha alguma influência, talvez ainda seja um apego antigo do lápis e do papel (apego? essa palavra tem que ser praticada todo santo dia).


O traço preto final foi feito no pincel “Liquid Ink” que eu customizei. Ele dá as “falhadinhas maravilhosas” no traço, novamente dando uma cara mais natural. Não é um pincel fácil de se trabalhar, precisa de uma máquina parruda, com bom processador e memória pro trabalho sair com fluidez.


Por fim, a pintura foi feita com o pincel “Digital Watercolor”, usando como textura de papel um de aquarela que eu escaneei e virou “papel digital”, que funciona melhor que os papéis que vem como opções no programa. Quanto mais reentrâncias de fibras, melhor.
E dá-lhe camadas, camadas e mais camadas de tinta.


Finalizando a ilustração dentro do Illustrator, para colocar as palavras e os balões .

Basicamente só uso essas ferramentas quando trabalho no Painter ( o pincel acrílico eu uso de vez em qando, pra dar uma cara mais “suja” ao desenho).