O melhor trabalho que eu já perdi

Há algum tempo mencionei que uma agência de publicidade, que agora posso mencionar o nome, que é a Fuel de Portugal, com uma idéia do meu compadre Marcelo Lourenço e seu comparsa Pedro Bexiga, pedindo uma campanha para a produtora de filmes ShowOff usando um estilo parecido com o de Scott Campbell – me levou até o próprio porque eu achei melhor não pegar o trabalho porque simplesmente achava que, se quisesse algo parecido com Scott Campbell era melhor chamar o próprio Scott Campbell. E como nada é por acaso, esse evento de desencontros fez com que eu entrasse em contato com Scott esperando escutar um sonoro “Not”, para minha surpresa encontrei um sujeito extremamente simpático e humilde, ao ponto de ficar deveras preocupado em tomar um trabalho que seria meu. E graças a isso trocamos emails e viramos amigos virtuais. Não tem dinheiro que pague isso (na verdade tem, mas o montante é vergonhoso).

Pois bem, a campanha foi agora lançada a posso mostrar o melhor trabalho que eu não peguei (clica na imagem que ela aumenta de tamanho, uia!)




Quer ver mais? Entra no blog do próprio Scott C. que tem mais para os ávidos. E ele menciona meu nome e não foi em vão.

O cara é fooda, só ele mesmo pra fazer essa linha tremida ficar elegante. A minha fica parecendo um eletrocardiograma de alguém fazendo sexo com o cão.

A campanha ficou muito boa. Tem que fazer cartãozinho de visita pra dar pra alguns diretores de marketing e de arte com a profundidade criativa de um pires e que estufam o peito pra mãe por que viraram diretores de alguma coisa.

Entrevista Offline

Vamos supor que você seja fã da Nina Simone, que São Pedro a tenha, e um amigo seu, sem saber quem ela é, pede para que ela cante parabéns a você no seu aniversário. E ela topa.
Você teria essa sequência de emoções ao saber disso: 1º surpresa fulminante; 2º negação da realidade; 3º felicidade escorchante e 4º vergonha alheia, por terem pedido isso pra você.

Sim amiguinhos, imagine a descarga elétrica na cabeça e no coração quando vi isso.

Benício, que se fosse uma estrela seria da cor azul, fez um desenho deste ser que tenta ao máximo ser humilde nesses momentos.
Imagine o que é seu ídolo, aquele que você ficava olhando nos detalhes das coxas da Sonia Braga no cartaz de Dona Flor e Seus Dois Maridos e nos detalhes dos cartazes dos filmes dos Trapalhões, fazer um desenho de você.

Lagriminha.

A autora dessa proeza, que já disse a ela ser abençoada por uma relativa ignorância nesse ramo por ter pedido isso a ele associada por uma maravilhosa cara de pau, foi a Juliana Cavaçana, gente finíssima.

Dei uma entrevista pra Revista Offline, onde ela trabalha. É uma revista gratuita, muito bem feita, dirigida para o público universitário. Quem quiser, pode ler a entrevista no site da Offline.

Não bastasse isso, ainda tem também uma dedicatória ilustrativa da minha querida Fernanda Guedes, outra admirada que virou admirante.

Essa ilustração, se não me engano, ela fez toda com caneta esferográfica.

Também fiz essa mini-lâmina de bandeja maldita, com um tema que jamais seria aprovada para forrar as mesinhas do McDonald’s.

No final, só posso dizer obrigado pra Ju pro pessoal da revista. Esse é o tipo de homenagem que eu esperaria receber, se é que receberia, somente aos 60 anos, quando já dá pra fazer uma retrospectiva na minha carreira.

Pro Benício e pra Fernanda, obrigado de novo.

Mujer e diñero es bueno, pero dibujar es mejor

[img:3X3.jpg,full,alinhar_dir_caixa]A Revista Sacapuntas é o equivalente da Revista Ilustrar dos argentinos, com a vantagem de ter nascido antes. Também é nos mesmos moldes da cria do Ricardo Antunes, é digrátis (DE GRAÇA, não precisam escrever perguntando quando custa) e é daunloudável para ser visto no formato PDF. Só a entrevista e as dicas de aquarela de Carlos Nine (futuro post aqui) já compensa o espaço ocupado no hard disk.
São 11 revistas agradabilíssimas pra baixar, e não se intimide com a língua de Hugo Chavez (a língua, tenho dito). Mesmo com um portunhol golpista como o meu é possível entender o conteúdo.
[img:Sacapuntas2.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Já a revista 3X3 é a lorde aristocrata entre as revistas de ilustração. Ela não é de graça como as outras (custa em torno de 20 doletas), mas aqueles que se aventurarem em folhear suas páginas vão ver um material de altíssima qualidade na frente de vossos olhos cansados de tanto desenhar (atentem para o detalhe mimoso do nome da revista se incorporar à ilustração da capa. Folheei uma há alguns anos atrás na casa de um diretor de criação, o suficiente para dar vontade de assinar se já não tivesse com o saldo do cartão em carne viva.

A infância de um ilustrador na frente da TV

Enxurrada de links do Youtube com sabor Toddynho e Sessão da Tarde

O conversando com o Kako sobre os Trapalhões, fui no Youtube fuçar uns sketches com o Mussum, meu Trapalhão preferido na minha tenra infância.

A partir daí devo ter perdido duas horas fuçando vídeos que há mais de trinta anos não eram vistos (nesse ponto o Youtube é um perigo pra quem tem prazos colado nas costas) Centelhas de memórias são reativadas, relembrando cada musiquinha, cena e até cheiros, mostrando como é enigmática a memória humana. Em que partição do cérebro essas coisas ficam guardadas? Coisas que a gente acha que foi faxinado da memória, mas ficam guardados e esquecidos, igual presente de casamento repetido?

Pois bem, esses programas de TV com cheiro de naftalina e gemada tiveram um papel definitivo e crucial para que eu me tornasse um ilustrador, e garanto que vários outros profissionais que correm o risco e o traço na faixa dos 40 também começaram assim. Dezenas de caixas de lápis de cor e cadernos espirais de desenho foram sacrificados durante anos para que eu desenhasse continuamente todos esses personagens e monstros. Sim, eu também curtia animê, só que das antigas.

Acho que se eu não tivesse assistido tanto desenho na minha infância, eu teria me traficante de esteróides ou um dono de videolocadora pornô bizarro com animais.

O tour começou pela primeira abertura dos Trapalhões. Toda vez que acabava os Trapalhões no domingo à noite baixava uma deprê tão grande, principalmente quando se escutava a música do Fantástico porque a mensagem era bem clara: o domingo acabou e amanhã tem aula. Hoje acontece algo parecido, só que ao invés de aula na segunda tem reunião ou entrega de trabalho…

Esse quadro acho o melhor dos Trapalhões, literalmente inesquecível depois de tantos anos.

Depois entrei no link da abertura do antigo Globinho (que hoje vi que se chamava Globo Cor Especial). A música, que há anos não escutava, arrepiou até a úvula. Paula Saldanha, a apresentadora, foi responsável pelo amadurecimento hormonal precoce de milhares de garotos em idade pré-onanística:

Tanto nessa abertura como na dos Trapalhões eu queria saber de quem são os desenhos.

Animês geriátricos

Passando pros internacionais, Speedy Racer dispensa comentários, mas a abertura original japonesa não (feche os olhos enquanto escuta a música e você vai ver vários havaianos gordos de saronge de palha de milho cantando e dançando essa música). Graças ao Speedy Racer eu aprendi a desenhar carros (aprendi numas, foi só o desbloqueio lúdico. O processo técnico foi mais espinhoso, pois quem me ensinou a desenhar carros mesmo foi o Brasílio Matsumoto):

Marine Boy era um desenho que acho que só eu assistia. Eu mascava chiclete Ping-Pong como o chiclete que fazia ele respirar debaixo da água (mas nunca explicava como ele aguentava a pressão):

Zoran e Shadow Boy eram outros bem obscuros. Shadow Boy então dava uma sensação ruim, parecia que você havia assistido uma sessão da brincadeira do copo na TV.

Fantomas era um clássico. Não é sempre que aparece um desenho com um esqueleto desidratado. Mas eu curtia era o Dr. Zero. Desenhava tanto ele que chegava a fazê-lo de olhos fechados, numa vã tentativa de conseguir atenção de tias apáticas e sedentárias.

Super-Dínamo. Eu sonhava em ter um robô-cópia pra fugir das provas. Chorei feito uma moça atropelada quando vi o último episódio.

Série “Animais que traumatizaram minha infância”
Com Lancelot Link foi minha fase “primata”, larguei os monstros por um tempo pra desenhar roupas de chimpamzé.

Saturnino era o patinho gay que eu adorava. Eu tinha várias tias e professoras que eu chamava de “Dona Doninha”. Os bichinhos eram bonitinhos e eu era ingênuo.

Ben, o urso amigo, até que ele lhe dê uma patada de meia tonelada nas costas. Quando criança eu queria conhecer dois lugares nos Estados Unidos: a Disneylândia e os Everglades. Sempre quis ter um barco com um ventilador gigante, pois onde eu morava às vezes alagava.
Curiosidade curiosa: Dennis Weaver, o pai, é o motorista perseguido e sodomizado moralmente em “Encurralado“, talvez um dos motivos que até hoje olho torto pra motorista de caminhão em estradas vazias. Clint Howard, o filho, se tornou um dos atores mais feios do cinema americano.

O Mundo Animal foi o avô do Animal Planet. Dezenas de biólogos na faixa dos 40 devem culpar ele e a série do Jacques Costeau pela escolha da profissão.

Sessão da Tarde

Esse filme me fazia desenhar por horas. A Festa dos Monstros passava direto na Sessão da Tarde e ainda é muito bom. Tim Burton bebeu dessa fonte antes de Jack e James. Nunca me esqueci da Francesca nem do vampiro com cara do Paulo Maluf.

Dr. Phibes foi inspirador na minha infância porque era proibido criança ver. Era tão bizarro (parecia com uma série da revista Kripta, “Dr. Archaeus”) e tão divertido que nunca entendi por que ele era proibido. “Ah Vulnávia, minha querida Vulnávia”… Phibes virou um porco mascote que eu criei, fiel companheiro do Homem-Maravilhoso. O melhor papel de Vincent Price.

Proibido era legal. Principalmente “Sala Especial” que passava na Record. Você ficava assistindo a TV baixinho durante duas horas só pra ver seis minutos de peitinho descoberto.

Terra de gigantes

Agora esses foram os verdadeiros inspiradores para a minha carreira de ilustração, mas como disse na página de apresentação, eu entendi tudo errado e fui fazer faculdade de Biologia.
Eu tinha pilhas de cadernos com desenhos de todos os monstros sem zíper nas costas e dobras de borracha. Olhando hoje, naquele tempo eu fazia mais sketchbooks do que hoje.
Devo minha carreira à família Ultra (e é por isso que não chuto o pau da barraca com gente que adora Power Rangers, tudo tem a sua fase).
Ultraman era o luxo, tanto o original quanto o Jack.


O meu preferido era o UltraSeven. O design de gladiador dele, as músicas e as pílulas de monstros que ele tinha, era o tataravô dos Pokemóns. Parece que a atriz que fazia Annie, a única mulher da patrulha, virou atriz pornô depois de finada a série. A locução é verborrágica e redundante, mas é legal pacas.

Robô Gigante e Goldar. Esse último era sexualmente ridículo, pois um robô que possuía cabeleira (!!), era gigante mas era casado com uma mulher normal e teve filhos (!!). A gente era sexualmente ingênuo naquela época, tanto que ninguém suspeitava do carater bissexual de “A Princesa e o Cavaleiro).


Por fim, o mais tosco de todos. Todos esses ultras, robôs gigante e afins eram toscos, mas Spectreman é Rei e Imperador juntos nessa categoria.
Impagável mesmo são os vilões, Karas e Dr. Gori. Gorilas que na verdade eram versões primatas de Roberto e Erasmo Carlos na Jovem Guarda, pelo menos as roupas e adereços eram os mesmos.

Pra provar que o que é tosquíssimo vira cult, a Flávia, uma leitora do blog, designer e dona do blog”Meu Querido Liquidificador”, fez um Spectreman tipográfico que é uma obra de arte. É algo como Tarantino trazendo de volta John Travolta, pegar algo brega e sem valor e dar um novo ponto de vista bem mais glamouroso.

Computer arts no Brasil

Chafurdando a banca da esquina, daquelas que ficam ao lado de uma padaria e que ainda insistem em vender cartas de Yu Gi Oh piratas, pensei ter visto algo que não condizia com a simplicidade favélica daquela banca: uma Computer Arts ao lado da Playboy da Barbara Paz. Uma revista importada ali? Uia, lançaram a Computer Arts no Brasil! Notícia boa pra quem comprava essa revista importada e gastava uma bela grana (80 reais), ou para quem sempre queria mas não tinha atrevimento financeiro para isso. Só não vem com os CDs, mas o essencial, que são os arquivos de tutoriais, podem ser baixados no site oficial da revista.

havia comentado antes sobre ela, mas vale frisar um pouco mais. Embora ela seja um pouco tendenciosa a respeito do estilo (os editores devem adorar iustrações undergrounds e ornamentadas, coisa que o Adhemas Batista faz muito bem). Os tutoriais são legaizinhos, os textos de equipamentos e programas também, mas o que é poderosa nessa revista são os textos sobre criatividade, mercado, profissionalismo e maneira de trabalhar. Como na antiga desculpa de seesse comprar a Playboy (que a gente comprava por causa das entrevistas), nesse caso esses textos valem a subtração do seu rico dinheirinho.

Será que dá pra ter um fio de esperança da editora Europa também editar a Imagine FX por essas terras?

Freakshow

Quando não havia internet nem TV, o pessoal caprichava nos cartazes pra divulgar todo tipo de evento. Eram os cartazes que estimulavam a imaginação das pessoas, criando a motivação pra irem bem vestidas para o espetáculo à noite, na esperança de ver o diabo em ação.

Já fiz um post sobre cartazes de circo, mas esse é uma extensão específica dele: cartazes de atrações bizarras, o freakshow. Apresentações de mutantes circenses, da mulher barbada, o homem-leão, o homem-peixe. Quando era criança sempre passava um ônibus vermelho na minha cidade, Mogi das Cruzes, que era um Freakshow sobre rodas. Tinha vidros de leitões de duas cabeças, bezerros empalhados com seis patas, e tinha a Monga, a mulher-gorila, que tadinha, era mais bonita quando estava usando a máscara. Eu ficava fascinado com toda aquela bizarrice embebida em formol, pois me achava tão estranho naquela época que acreditava que meu lugar era ali, ao lado da Monga.

No site holandês Circus Museum existe uma vasta coleção de cartazes de aberrações, além de fotos dessas criaturas atormentadas. Tem também cartazes de outros tipos de espetáculos, como mágicos e malabaristas.

Não tem como não se lembrar do filme Freaks olhando pra esses cartazes. Pra quem gosta de filme de terror, é um filme que marca. Foi feito em 1932, por Todd Browning e achei um dos mais esquisitos que já vi. O terror dele não é explícito, o que é até pior, pois você fica imaginando as atrocidades que o filme apenas sugere. Ele é muito estranho, e deixa uma sensação pra lá de desagradável quando você vê como a bela bailarina se transforma na mulher-galinha. Tem aquele toque orgânico e agonizantes dos livros do Clive Barker.

(O que fizeram com essa mulher é horrííível!)

Arte Peso-Pena

Julie Thompson torce o nariz pra papel Canson, Schoeller, Fabriano ou sulfite.
O negócio dela é pintar em pena de rabo de águia e de outros bípedes plumados.

A despeito da qualidade do desenho, aqui vale pela mídia inusitada. Tem um quê que lembra um pouco aquelas garrafinhas de areia colorida vendidas em Fortaleza (ou as famigeradas pinturas em veludo negro).

No site dela tem mais artes penosas.

Resenha de Painter X

Já está nas bancas a revista Mac+ nº10.
Poderia se chamar “edição ilustradores”.

Tem a capa do Junião.

Uma matéria sobre fontes que o Samuel Casal desenvolve.

Casal, por mais que a lógica diga que não, ilustra no computador usando o mouse! Com o rato, como diriam os portugueses!

E tem uma resenha que eu escrevi sobre o Painter X. Com uma menção ao Eduardo Schaal.

É porque na nova versão do programa, na abertura surgem vários trabalhos de ilustradores, aleatoriamente. E Schaal foi um dos ilustradores convidados a dar uma palhinha virtual no programa com essa ilustração:

Schaal também trabalha na Trattoria, e foi ele quem ajudou a adaptar as frutinhas do filme da Tangalera.

Mamãe quero ser Jedi

Para aqueles que ficaram mesmerizados com o cabelo do George Lucas na entrega do Oscar (que é um ótimo motivo de alívio perceber que existem coisas piores do que ficar careca na velhice) ou para aqueles que não tem dinheiro sobrando pra fazer uma fantasia cosplay dos personagens do filme, entre no site infantil de Star Wars e baixe a patota inteira do filme pra fazer máscaras.

Debaixo dos caracóis (gigantes) da Princesa Leia..

É uma pena, mas não tem a máscara do General Babaka. Mas tem dos Ewoks, a maior aberração comercial forçada já feita em um filme blockbuster (ingenuamente fui ver “A Caravana da Coragem” sem ler a sinopse , há muitos anos atrás num cinema vagabundo da Avenida São João, e saí morrendo de raiva de ter pago um dinheiro que pra mim fazia falta na época pra ver um filme de bichinhos de pelúcia sem o Han Solo).

Por outro lado, bons ventos relacionados a Star Wars estão vindo. Pra compensar a megalomania desnecessária dos últimos filmes, pelo menos Lucas está investindo bem na animação. Depois da última série desenvolvida pelo Genndy Tartakovsky, pai do Dexter, vem aí uma nova leva.

Surpresas das surpresas, a fada da animação trouxe dessa vez Justin Ridge, o character design de Continue reading

Só Desenhistas

Para quem quer ver como é a cara de vários desenhistas profissionais (inclusive a minha), dê uma passadinha no fotolog original do chargista Orlando: Só Desenhistas.

Como o próprio nome diz, só tem desenhista lá.

Esses aí são o Fábio Moon e Gabriel Bá, que fizeram o excelente 10 Pãezinhos e agora estão com “Mesa para dois”.

Em quadrinhos, desenho é tudo, mas roteiro é 100%.

Sketches

Existem lugares que vendem livros muito, muito, muito específicos. Nem na Amazon ou na Barnes & Noble você consegue encomendá-los. Quando encontro um lugar desses é uma alegria pra minha estante, mas um sofrimento pra carteira. Tento ser taoísta nessa hora e não ter apegos mas é difícil. Livros são uma fraqueza pra mim. Brrrr!

Esse site é um projeto particular desse cara, Stuart Ng (acho que ele é vietnamita). Ele só vende livros de sketches (ou rascunhos) de ilustradores famosos.

Sketches não são desenhos descartáveis. Como o ilustrador não fica preso à necessidade de chegar a um resultado definitivo, as linhas correm naturais em termos de velocidade, traço, pressão, estilo e outros “n” fatores. Vendo um sketch de um ilustrador você percebe qual é o seu ponto fraco e forte, como ele deve pensar enquanto rabisca, como é o processo criativo na evolução de uma ilustração, como ele erra e acerta seu desenho. Assim como o desenho deveria ser, o mais fluido possível.

Fiquei meio encanado de comprar com esse cara pela primeira vez, pois ele não tem um sistema de compras direto através do site. Você tem que mandar um e-mail dizendo em quais livros você está interessado, ele responde dizendo a disponibilidade deles e as instruções de pagamento.

Como ele só vende por cartão de crédito, você tem que dividir a informação em duas mensagens em separado. Uma parte do número do cartão numa mensagem, a outra parte com seus outros dados em outra mensagem. Lá, em Nova Jersey ele junta as informações e procede o pagamento. Com muito receio, fiz uma comprinha bem pequena na primeira vez.

Veio tudo direitinho em uma semana. Dentro do pacote inclusive vem a segunda via do pedido do cartão de crédito, tudo bonitinho. Criei coragem e pedi o resto da minha lista de ansiedade em forma de traço e papel. Veio novamente tudo em ordem. O cara ganhou minha confiança.

Qual é o grande barato? Os livros têm uma tiragem limitadíssima, pois não são edições convencionais de editora. E todos os livros vêm autografados! Afe!
Além de sketchbooks, ele também vende artes originais. Caaaras pra xuxu.

Abaixo são algumas amostras dos sketchbooks que agora fazem parte da família da minha estante:


Esse cara é Justin Ridge. Desenha umas mulheres maravilhoosas, por pouco não são mangás, que eu não curto, mas têm um toque ocidental que as desvirtua desse caminho oriental.
Ele é um dos “character designers” da série “Avatar“, que é muito boa. As cenas de luta desse desenho realmente são bem feitas (embora tenha um defeito imperdoável, pois o roteiro remete a um ambiente oriental, e Avatar controla os 4 elementos. 4 elementos vem da filosofia ocidental, especificamente dos gregos. Os orientais, em especial os chineses, usam 5 elementos como forças principais da natureza).


Esse aí é o Ronnie del Carmen. Tem um traço delicado, suave, quase feminino. E também tem um tempero dos anos 30/40 nas suas ilustrações. As imagens são do livro “Paper Biscuit”. Del Carmen também é “character design” e ilustrador da Pixar.

Del Carmen também trabalhou na Warner trabalhando na série do Batman, Super-Homem e Batman do Futuro.


E esse é meu preferido, uma das minhas referências de ilustração. Peter de Sève é um ilustrador e aquarelista com um extenso portfólio em publicações, livros e cartazes de teatro. Ele é um monstro na aquarela. Tem uma leveza nas cores e no traço que parece que ele tem penas nas mãos. No Brasil, seria equivalente ao Renato Alarcão, outro monstro ilustrador e aquarelista.
Hoje o trabalho mais conhecido de deSeve, no grande público, são os personagens de “A Era do Gelo” que ele desenvolveu.

Tenho tantos rabiscos e sketches que acho que também vou fazer um livrinho de garatujas e gatafunhos, como dizem os portugueses.