Bob Staake e o Photoshop Pleistocênico

Eu sou um fã de camiseta e bandeirinha do Bob Staake. Recentemente comprei um livro pop-up de bichinhos muito Hebe Camargo, vulgo gracinha. Sempre admirei as expressões, os olhos e o clima bem humorado que esse cara dá aos seus desenhos, além de ter esse design retrô moderninho que dá até raiva de tão bom.


Sempre soube que ele trabalhava digitalmente só com o mouse, não usando Tablets ou Cintiqs, e, pasmamente também que só usava (ou usa, sei lá) a versão 3.0 do Photoshop pra fazer os desenhos (veja bem, não é a versão CS3, é a versão 3, que foi lançada em 1994 e foi a primeira versão com layers). Ou seja, o danado usa um software com 16 anos de vida pra fazer esses desenhos. Ele é a prova viva de que programa não faz um ilustrador, talento e prática sim.

Agora, ver o cara trabalhando nesse programa da era Pleistocênica dá arrepios porque tudo parece simples e não é. Trabalhando basicamente com círculos, demora um pouco pra entender como é o processo de trabalho dele e os desenhos começam a aparecer como mágica de coelhinho na sua frente.

O sono criativo by John Cleese

Durante meu período no estaleiro físico-químico, eu chorava as pitangas com o Kako. Num desses papos, ele me enviou um link do Youtube com uma palestra magnífica do John “Monty Pythom” Cleese, britanicamente velhinho e digno, falando de algumas coisas, entre eles sobre a importância do sono no processo criativo, do descanso e da imposição do limite de trabalhar, além da importância de não ser interrompido durante esse processo. Graças ao André Valente, lembrei novamente desse vídeo e hoje até parece que ele fez isso de encomenda para esta pessoa que vos digita.

Tá em inglês sem legenda, mas vale a pena fazer um esforcinho pra entender, vai ser Gatorade pra cérebros cansados.

Quando fazer serifa vira arte

Há alguns meses eu fiz um curso rápido de caligrafia da Andrea Branco. Foi tão bom que definitivamente mudou minha maneira de escrever no papel, desde fazer um título pras lâminas de bandeja ou escrever no envelope pro motoboy levar pro contador.

Ainda vou de fazer um post decente sobre o que aprendi e o que é o curso da Andrea, porque vale a pena.
calligraphy
Mas enquanto eu não o faço, porque é um daqueles posts com mais de mil palavras, eu coloco aqui um filminho de outro calígrafo, Dennis Brown (
http://www.quillskill.com/FLV/gothicmov.html
) \.
Eu vi esse filminho nesse curso, é fascinante ver como a mão dele dança pra fazer as firulas serifentas, numa segurança curvilínea excepcional.

Afinal, caligrafia não deixa de ser uma forma de ilustração também.

Ponto Bacon: o ponto em que fica insuportável a bagunça no seu estúdio

Quando era criança, fiquei aterrorizado com esse quadro, que estava em um maldito livro escolar. É a sua versão agonizante do Papa Inocêncio X, os dentes macabros sempre me acompanhavam na turma do medo da escola, que eram o Bebê-Diabo, a Loira do Banheiro e o quadro do Francis Bacon. Mesmo eu, um infante imberbe de uns 10 anos, reconheci um clima de terror e um famigerado clima de Hellraiser ronando esse quadro. E tive o prazer de vê-lo ao vivo, em uma mostra especial a Francis Bacon, que acontecia no Museu Metropolitan de Nova York. Foi muito estranho olhar ao vivo uma imagem que me trouxe terror por um bom tempo e que fez crescer pentelhos brancos de medo, foi quas euma porrada na consciência. Metaforicamente foi o mesmo que ter visto uma foto do bebê-diabo com atestado de autenticidade.
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Sabe-se lá porque a fixação de Francis Bacon com o Papa Inocêncio X, mas sabe-se que tudo veio quando ele viu reproduções gráficas do quadro do mesmo Papa Inocêncio X feito por Velasquez.
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Toda vez que eu acho que meu estúdio/quarto tem camadas de bagunça empilhadas em demasia, eu olho para as fotos do quarto em que Francis Bacon trabalhava e fico mais tranquilo, colocando mais uma pilha de livros em cima da pilha de jornais velhos que já estavam em cima da pilha de caixas da mudança ainda desempacotadas.
Bacon's-Studio
Levariam anos sem faxineira ou sem o carinho de uma vassoura de piaçava pro estudio de qualquer vivente chegar a esse ponto. Mostre as imagens pra sua mulher quando reclamar da sua bagunça. Viva Bacon!
MESSY7

A verdade está lá fora

Essa é para quem quer se inspirar e pintar coisas cósmicas. Descobri enquanto fazia a lâmina de bandeja sobre Astronomia.
buraconegro
O site da Nasa disponibiliza uma parte onde todo santo dia um astrônomo profissional posta uma imagem relacionada à astronomia, mas as melhores são as imagens de telescópios do universo. São coisas de secar os olhos de tão lindos.
E para os nerds que vivem em todos nós, cada imagem vem acompanhada de um texto explicativo.

Existe algo mais potencialmente possível do que o universo? Bilhões de galáxias no universo, cada galáxia contendo bilhões de estrelas, cada estrela com até dezenas de planetas orbitando…se descobrirem um planeta para onde vão os cachorros depois que morrem dá até pra acreditar.

Tomas Lorente

[img:tomas1.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Foi com uma péssima surpresa que fiquei sabendo que Tomás Lorente teve um enfarto nesta quinta e faleceu aos 47 anos.

Ele era diretor de arte e foi diretor de criação da Young, e eu o admirava muito. Era um diretor criativo difícil de encontrar hoje em dia, daqueles que respeita o estilo e o processo de criação dos colaboradores, vulgo ilustradores e fotógrafos.

Foi a seu pedido que fiz os concepts do primeiro filme da fundação Telefônica, o grande pai da Karina, um dos meus trabalhos que senti mais orgulho de ter feito. Fiquei muito impressionado e feliz, pois na época ele praticamente não mudou nada do que eu havia visualizado para ser o pequeno universo desse filminho, principalmente o “shape” da personagem.

Caras como ele fazem uma falta danada.

O preço das coisas, inclusive ilustração

Uma outra maneira de entender o que se passa nas cabeças espaçosas de clientes e empresas que insistem em decidir o preço do seu trabalho. Pragas como essa são como gafanhotos, fodem em minutos o trabalho de anos. Principalmente a mulher no cabelereiro.

Mandem o filminho para aquele seu queridinho cliente mimimi que faz assédio financeiro em cima do seu trabalho. Se ele questionar, pergunte: “entendeu ou quer que eu desenhe?”.

Aliás, esse filme eu encontrei no blog “Os piores briefings do mundo”, um blog que assim como uma molestação sexual na infância, me faz lembrar de coisas horríveis quando trabalhava como diretor de arte em agência de publicidade. Na verdade, o trauma persegue, porque is casos mais bizarros que parecem ser impossíveis serem verdadeiros, mas são, ainda são presentes na vida de qualquer ilustrador, fotógrafo, ou qualquer outro profissional liberal, careta ou registrado.

Sim amiguinhos que ainda não sairam da faculdade, existem empresas no mundo real como a Dunder Mifflin e diretores e gerentes como Michael Scott. E isso é motivo pra chorar no final do dia e rir bêbado no final do ano.

Dunder Mifflin, “The Office”, sacou?

Meu amor por você passa antes pelo carburador do meu carro

Diz o velho ditado que ninguém conhece que não se empresta carro, livro ou mulher, porque eles voltam estranhos ou estragados.
A leitora Luisa Mancuso enviou essa dica pra postar se eu achasse interessante. Não tem muito a ver com ilustração, mas sempre tem um quê de inspiração nessas fotos, então vale, porque inspiração pra ilustrador é que nem dinheiro ou cueca limpa, nunca é demais.
carroveios
Essas fotos são o mesmo que dar alho pra vampiro chupar para aqueles que ficam com coceira na mão e no bolso pra trocar o carro a cada três anos ou menos.
São fotos premiadas do italiano Matteo Ferrari (tem mais aqui) que teve a paciência oriental de buscar fotos antigas de donos orgulhosos com seus Bugattis 56 como se eles fossem um membro da família, ou como extensão do pênis, como alguns psicólogos falam de pessoas que se sentem completas apenas dentro de um carro, pesquisar aqueles que tem esse tipo de amor metálico a ponto de deixar o carro mais impecável que suas barrigas e tirar uma nova foto na mesma posição para comprovar a inexorável e injusta ação do tempo em seres orgânicos

Sexo solitário em bando (upgrade)

Tirem as crianças da frente do computador, tem sexo solitário nesse post.

Pornografia hoje está em todo lugar na internet. Quem tem filhos tem a maior paranóia de que uma Ramela Anderson turbinada não desça sem querer enquanto o pimpolho está navegando. Se você procura por referências fotográficas no Google, mesmo se você procurar por uma morsa vai ter umas três ou quatro fotos de mulheres com as perseguidas arreganhadas, como se fossem mortadelas fatiadas sendo oferecidas como amostra grátis pela cortadeira de frios da padaria. Sites com peitudas calibradas com pressão de pneu e sujeitos mastrodônticos entram na sua tela sem pedir licença. Tudo muito plastificado e fast food (embora antes de casar eu comprava a Hustler, pra alegria dos sujeitos que trabalhavam comigo, mais por causa das charges engraçadíssimas e um pouco por causa das mulheres photoshopadas, embora ninguém acredite nesse argumento).

Pois bem, estava assistindo aquele programa da Sue Johansen no GNT, aquela velhinha que fala de sexo de maneira tão aberta que você não conseguê parar de imaginar pelada na cama, quando deparei com uma reportagem sobre um site interessante sobre sexo.

Essa é digna para Onan, o Bárbaro. O site francês Beautiful Agony mostra pessoas comuns, como eu, você, homens e mulheres ou a atendimento da agência onde você trabalha, das gostosas a gordurosas, magros, feios, lindos, velhos e até anões, praticando o chamado sexo autônomo na frente das câmeras. Só é mostrado a face dos onanistas em todo o processo climático, nada mais, e é aí que mora a criatividade. Usando a estratégia “menos é mais”, você fica imaginando que p*** que ela tá fazendo lá embaixo. Ninguém é tratado pelo nome, apenas por números, então se você quiser mandar seu videozinho pra lá existe uma certo anonimato, mesmo que a sua vizinhança inteira reconheça sua cara torcida de agonia.

Não é um site baixaria (defina baixaria), tem uma certa classe meio “Valentina” do Guido Crepax nisso. No mínimo, é original.
Nunca tantos onanistas juntos no mesmo espaço. Pra quem precisa de referência de gente gozando pra desenhar, é buffet por quilo.
O divertido é que você percebe que ninguém goza do mesmo jeito. Tem aquelas que não fazem nenhum barulho, e só no finalzinho soltam um chiado que parece que alguém pisou em um ratinho. E também tem aqueles ultra exagerados que parecem que estão sendo sodomizados em uma montanha-russa.

Uma amiga minha conheceu um sujeito que chamou pela mãe quando atingiu o pico de prazer. Já li relatos de gente que chamou Jesus nessa hora. Vai saber se a maneira como você goza não virou motivo de conversa em mesa de bar?

Upgrade!!

O Rodrigo fez uma sessão de vidas passadas por escrito e aí vai mais um pouco de onanismo via TV Pirata, pais reais de Onan, o Bárbaro:

Negócio da China para analfabetos em chinês

As próximas toalhinhas de bandeja do McDonald’s, que estão ainda na batedeira esperando pra entrar no forno, serão sobre as Olimpíadas na China. Como disse anteriormente, odeio anos pares porque são anos de Copa e Olimpíada, então toda a agenda até o segundo semestre fica praticamente monotema, e o que aparece de pedido de trabalho parecido não é brincadeira. Com as toalhinhas também não é diferente, e nesse caso não serão uma, mas quatro, sim amiguinhos, quatro pra você colecionar e brincar!

Infelizmente a lâmina “100 comidas chinesas que dão pesadelos pro resto da sua vida” não foi aprovada, mas um dos temas será ideogramas chineses, um tema que já estava há tempos esperando ser liberada do limbo, e a explicação é porque muita gente tatua ideogramas nas costas, compram vasinhos em lojinhas mequetrefes e colam adesivos pensando que é a palavra “amor”, “amizade” ou “prosperidade”, quando, se não estão colocando de cabeça pra baixo, também não sabem se estão tatuando “Rolinho Primavera”, adesivando “Liquidação” ou comprando um vaso com o ideograma “Tragédia”. Pra evitar dissabores de rotacionar o fígado, elas serão feitas por um caligrafista e professor de língua chinesa. Quem viver, verá.

E pesquisa vai, pesquisa vem, descobri o que é considerado o ideograma mais complexo da China, com 63 traços:

E embora a gente pense que, por causa do poder sintético dos ideogramas, com esse tamanhão ele signifique algo como “governar um país é como fritar um peixe pequeno (Tao Te Ching)”, ele significa simplesmente, e sem nenhuma aura de soberba amarela ou uma conotação filosófica, um estúpido nome de um restaurante: “Macarrão Biang Biang”. Não é piada, é macarrão Biang Biang.

Para quebrar um pouco o gosto de café ruim que isso deixa na boca, aí vai um ideograma legal pra ti, ó ilustrador faminto de idéias:

Esse ideograma é Hua, que significa pintar, pintura, desenhar ou desenho.
Ok, ele tá serrilhado, tá meia boca, é um gifzinho de merdinha com resolução de pinto de pulga, mas quando eu tiver o ideograma joiado, eu posto aqui.

Esse sim pode ser adesivado no carro e tatuado no peito de ilustradores.

Hair Hitler!

Post curtinho como dinheiro no final do mês. Na verdade, é mais uma desculpa pra mostrar o trabalho galante de Michael Gilette, que de vez em quando tira um sarro em cima daquele que foi o sujeito mais encardido do mundo com uma microssérie chamada Hair Hitler.

É trocadalho do carilho sim, mas mas nesse caso funciona. Detalhe pro pentezinho ariano em cima do cabelo black power.

Miséria pouca é bobagem pra quem não gosta de Natal

Para aqueles que não curtem o Natal por causa do sorriso amarelo dos parentes, a orgia de fritura e peru cheio de gordura amarela com Coca-Cola o dia inteiro, os amigo-secretos de presentes de 50 reais comprados com 20 e aquele almoço básico natalino na casa das tias onde não tem lugar pra tirar um cochilo, dêem uma lida nos relatos do site “My Miserable Christmas” que você se sentira pelo menos mais afortunado por poder dormir em uma cama seca no dia do nascimento do menino Jesus.
MiserableÉ tanta miséria que dá inspiração pra escrever uma história em quadrinhos, algo como ‘Como Não Sobrevivi ao Meu Câncer Natalino”.

Onde eu enfio essa invenção?

Só a título de curiosidade, a minha vontade de colocar uma invenção um pouco mais, digamos, não ortodoxa para a maioria dos leitores familiares na toalhinha de bandeja das invenções era de causar coceira na ponta dos dedos.

Esse é um anúncio (real) de um produto (real), vendido na década de 50. Você compraria um VibraFinger, o massageador de gengivaginas?

Pra que quebrar a cachola inventando coisas divertidas se a realidade é mais bizarra que a fantasia?

Bajumbo moi noi noi jecker

Não encontro letras de algumas músicas da Billie Holliday ou da Ella Fitzgerald que adoro na internet, mas em compensação encontrei a letra da musiquinha da abertura do jogo Loco Roco, o único jogo que justifica a compra de um PSP na opinião deste que vos digita. O visual vetorial dele dá vontade de ficar desenhando no Illustrator por horas a fio, escutando essa musiquinha mucosante, que gruda na cabeça e não sai. O fato de não ser de uma língua “oficial” faz o inconsciente trabalhar dobrado tentando decifrar as palavras que a criançada canta.

Tem ilustrador que bebe pra relaxar, outros jogam bola, outros lavam lata de lixo e ficam tirando pulgão do jardim. Meu relaxante muscular é LocoRoco e Katamari, mesmo aparentemente sendo feito para os pequenos imberbes. Bioshock também é fantástico e tem a melhor direcão de arte que já vi em um game, mas esse dá medinho.