As roupas, as belas e as fofas

Não é segredo de ninguém próximo a mim e nem tanto, de que eu tenho minhas referências pulsantes como veia em pescoço de nervoso, não escondo que amo Totoro, Kiki, Aragonés, Hirschfeld, e da alas do cromossomo Y, a Vera Brosgol (ela tem quase a metade da minha idade e tem o talento de dois Hiros enfileirados). Foi observando os desenhos dela que eu perdi o medo de fazer as expressões das mulheres que eu faço hoje, pois ela é uma das poucas, assim como eu, que adora rostos redondos e olhos mais redondos ainda, emoldurados em sorrisos carismatizantes feitos com traços bem simples.

Agora ela e a amiga Emily Carroll fizeram um blog (Draw this Dress) onde elas ilustram vestimentas e outros acepipes da moda antiga vestidas por mulheres (ah, as mulheres, sempre elas caindo tão bem nos desenhos) sorridentes, blasés e elegantes.

E um adendo isolado, mas não menos interessante, em junho de 2011 será lançado o livro Anya’s Ghost, ilustrado e escrito por ela. Nham.

Pelos poderes de Amazon!

Rosana Urbes e Ricardo Antunes no Perfil Literário

Perfil literário é talvez o maior arquivo de entrevistas de ilustradores, escritores, jornalistas e outros personagens da cultura brasileira. É comandado pelo megacarismático Oscar D’Ambrosio, da rádio Unesp, e eu já tive a honra de ser entrevistado por ele.

Recentemente meus amigos ilustradores Ricardo Antunes, pai do Guia do Ilustrador e da Revista Ilustrar e Rosana Urbes, mãe de um método de ensino de modelo vivo genial e que já trabalhou na Disney, em produções como Lilo & Stitch, Mulan e Tarzan (porra, ela conheceu Glen Keane e Chris Sanders, nhom…) fizeram parte da lista.

Adoradores de desenho, valem a pena limpar os ouvidos para ouvir suas histórias.

Entrevista de Rosana Urbes

Entrevista de Ricardo Antunes

Bob Staake e o Photoshop Pleistocênico

Eu sou um fã de camiseta e bandeirinha do Bob Staake. Recentemente comprei um livro pop-up de bichinhos muito Hebe Camargo, vulgo gracinha. Sempre admirei as expressões, os olhos e o clima bem humorado que esse cara dá aos seus desenhos, além de ter esse design retrô moderninho que dá até raiva de tão bom.


Sempre soube que ele trabalhava digitalmente só com o mouse, não usando Tablets ou Cintiqs, e, pasmamente também que só usava (ou usa, sei lá) a versão 3.0 do Photoshop pra fazer os desenhos (veja bem, não é a versão CS3, é a versão 3, que foi lançada em 1994 e foi a primeira versão com layers). Ou seja, o danado usa um software com 16 anos de vida pra fazer esses desenhos. Ele é a prova viva de que programa não faz um ilustrador, talento e prática sim.

Agora, ver o cara trabalhando nesse programa da era Pleistocênica dá arrepios porque tudo parece simples e não é. Trabalhando basicamente com círculos, demora um pouco pra entender como é o processo de trabalho dele e os desenhos começam a aparecer como mágica de coelhinho na sua frente.

Homem Aranha come Sopa de Salsicha

falei antes sobre o Eduardo Medeiros e seu traço fodaço.
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E agora, graças a uma indicação do Rafael Grampá, que fez a capa da revista Strange Tales da Marvel a um editor com a cabeça arejada, ele foi convidado a ilustrar uma história do nada menos flexível Homem Aranha. Deve sair em breve, breve, leia nas palavras do próprio pai em seu blog.

Parabéns é pouco e a expectativa é muita de ver super-heróis com o traço de Sopa de Salsicha.

Diamante bruto, mas não violento – Portfólio do Rodrigo Okuyama, vulgo Poneis

Como escrevi no post anterior, alguns portfólios que encontrei nessa vidinha de bípede ilustrador fizeram os olhos apertados deste oriental quase rasgarem de tamanha exposição à luz.
Alguns desses eu encontrei quando fui convidado a avaliar portfólios no evento Ilustre, que aconteceu no SESC Pinheiros em maio e junho. Geralmente nessas sessões de avaliação, até pelo nome, você espera um nível de ilustração bem iniciante, onde você tem paciência e dá conselhos a rodo para o sujeito do outro lado da mesa encontrar seu caminho, tentando tirar a faca os erros mais crassos em sua pasta, em seu trabalho e em seu traço.

Algumas vezes, porém, você encontra gente igual filhote de elefante, já nasceu pronto pra sair andando com as próprias pernas em pouco tempo. No evento Ilustre encontrei algumas dessas piritas ilustrantes.
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O cara em questão é o Rodrigo Okuyama, vulgo Ponêis (é, eu também não consigo falar direito). É aluno da FAU, não trabalhou ainda como ilustrador profissional e tem um trabalho desbundante. Foi lá no evento Ilustre com a sua pasta para ser avaliada por mim, mais tímido e temeroso do que um ratinho mijando. Taí, demorei mas postei.
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O trabalho dele é muito, muito delicado e refinado, principalmente as infantis que têm um frescor europeu muito forte. Mas ele também é muito bom no conceito criativo – isso sim é ave Dodô no mundo dos portfólios, mais até do que um traço bom – fazendo ilustrações com um forte conceito gráfico, usando cores, colagens, retículas e com uma direção de arte muito sólida e original. Se eu puxo a sardinha dele desse jeito é porque tem motivo. A pasta dele realmente me impressionou muito. Hidromel para ele e para todos que concordarem.
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Como esse blog é bem visto por uma comunidade de ilustradores E diretores de arte e publicitários, decidi que valia a pena divulgar esses portfólios de gente verde com muito talento. Como disse Eugênio Mohallen certa vez quando mostrei o portfólio pra ele: “Não posso te dar um emprego, o mínimo que eu posso fazer é ver sua pasta”. Tipo de sabedoria e humildade cada vez mais rara nesse universo da propaganda.

Acho que, como Mohallen, o mínimo que posso fazer aqui é ver a pasta, pois emprego não posso dar. E se o sujeito é iniciante ou nunca trabalhou e tem o traço ou a criatividade excepcional, esse deve ser mostrado. Se esse for o caso, passe o link pra eu ver e, se o seu trabalho levantar os pelinhos da minha nuca, com certeza vou divulgá-lo. Mas por favor, não me peçam com olhos molhados de gato de botas pra eu colocar seus trabalhos aqui, não implorem apenas pela necessidade de emprego, dinheiro ou de tirar uma insegurança. Um talento excepcional fala por si, não precisa da boca ou do mimimi para ser ouvido.

Lâmina Mad?

Copa, Copa, Copa…pra quem não gosta de futebol como eu, esse é o mês do cachorro louco, sendo que eu sou o cachorro, e o louco por causa das Vuvuzelas que, como disse algum desses novos humoristas, antes eram chamadas de cornetas de pobre.

Enquanto isso, o Raphael Fernandes, editor da Revista Mad, me manda um email dizendo: “Ei Hiro, esse mês a gente homenageou seu trabalho na revista esse mês” e eu disse “então manda!”, numa mistura de temor com curiosidade. Ei-la:’
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Em tempo, as capas do Elias Silveira continuam geniais. Ninguém faz um Robert Pattinson tão fêmeo como ele.
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Dice Tsutsumi, Toy Story 3 e o traço simples que é melhor que o traço exato

Após mais de um mês de secura nesse blog consegui finalmente entregar os trabalhos que estavam, como dizem os gaúchos, me atucanando severamente. Depois de colocar um Mika no talo enquanto o fiel Mac becapeava 40 gigas de trabalho e pagar contas atrasadas, me dei o direito adquirido de assistir “Toy Story 3″, soberbo e com direito a olho marejado no final e Totoro fazendo participação especial. Já tinha retirado antes “The Art of Toy Story 3″ e só fui folhear depois de ver o filme. Cada livro da série “The Art of…” é uma facada no bolso e um carinho no coração ao mesmo tempo pra quem adora ilustração e animação, todos são maravilhosos, mas alguns são mais maravilhosos do que outros, como “The Art of Kung Fu Panda” ou esse (pra quem ainda não conhece, essa série de livros mostram sketches, conceitos, estudos, desenhos reprovados feitos por dezenas de ilustradores em cada filme, um bufê livre para os olhos).
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Nesse especificamente tem um cara que merece destaque, Daisuke Tsutsumi ou Dice Tsutsumi, que fez a direção de arte e color scripts do filme. Se amor à primeira vista acontece, então foi com o trabalho dele. Já trabalhou em “A Era do Gelo”, “Robôs” e “Horton”, já vi antes seu trabalho mas por algum motivo agora seu traço salta feito perereca agoniada na frente dos meus olhos. E acho que sei o motivo.
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O traço de Tsutsumi é ao mesmo tempo imperfeito, indefinido e ao mesmo tempo maravilhosamente e esquizofrenicamente perfeito. O traço dele é simples mas passa toda o clima, a idéia (e a iluminação também, o cara sabe enxergar luzes e sombras). Às vezes ele nem desenha olhos e expressões do rosto, mas a mancha toda parece um fotograma de tão perfeito. Quem disse isso mesmo? Menos é mais?

Curiosamente o nome do seu blog é “Simplestroke
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Quem fez a minha mini-oficina sabe que foi sobre isso que eu tenho agora procurado trabalhar e passar pra frente, tenho pensando em valorizar cada vez mais a idéia junto com um desenho expressivo, mas sempre mais o primeiro vive sem o segundo, mas o contrário não acontece. Um desenho rápido e seguro é muito mais expressivo e significativo do que um desenho perfeito mas que não consegue mostrar a que veio. Isso é um exercício, e tem que ser diário. Dez mil horas treinando isso devem bastar para quebrar 16 anos de rigidez criados por um mesmo tipo de trabalho e também por falta de orientação e referências.

Olhando para o trabalho dele você percebe que ainda tenho muito, mas muuuito ainda pra fazer e aprender, o suficiente pra repensar se o que estou fazendo na minha carreira vai levar para esse caminho, se devo abrir mão de outras coisas para atingir isso ou até mesmo se um sabático de alguns anos deve ser cogitado. Nada muito sério, afinal a função desses caras muito porretas é essa, dar um tapão na nuca pra cair no chão e ao mesmo tempo estimular pra fazer coisas novas.

Galeria Arludik, ponto turístico para ilustradores em Paris

Assim é a vida. Um dia você está atravessando o rio Sena. No dia seguinte, o rio Tietê.

Já retornei ao Brasil e devido à minha mente frouxa como elástico de cueca velha, perdi meu caderno Moleskine com todos os desenhos que eu fiz em Paris, vide post abaixo. O jeito agora é postar o que restou da viagem baseado em fotos. Ainda queria postar alguns desenhos de tipos que encontrei nas ruas de Paris e outras coisinhas mais. Madame Sorte , faz uma forcinha pra ele voltar aqui em casa são e salvo.

Eu havia dito que Paris era uma cidade ótima para quem é artista, mas em termos de ilustração não havia muita coisa específica. Isso se tornou 50% verdade. Depois de ter conhecido o acervo de livros de sketches explode-cartão da Album e da Pulp, eis que conheci no finalzinho da viagem algo para endurecer os mamilos de qualquer ilustrador, principalmente os que amam criação de personagens de cinema e animação.

A Galeria Arludik (Rue St. Louis en l’ille, 12-14, perto do metrô Pont Marie da linha 7) fica numa rua bonitinha em Cité des Arts e se resume grotescamente nessa frase: é de foder.
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Imagine um lugar onde periodicamente são expostos sketches e originais de Bobby Chiu, Katsuhiro Otomo, Miyazaki, Satoshi Kon, Alessandro Barbucci, de Monster Allergy, Claire Wendling, concepts de Ratatouille, Ice Age 3, etc, etc e bota etc nisso. Dá uma olhada nessa galeira de artistas pra ver se você também não sairia de lá pingando algo, não necessariamente lágrimas.

A Galeria em si é bem pequenininha, um ovinho de codorna, mas uma prova de que tamanho não é documento, ou que coisinhas pequenas fazem maiores estragos, entendam isso como quiserem. Resume-se a duas salas pequenas com uns 20 quadros especificamente de um artista, que é trocado constantemente, ou seja, a galeria não tem uma exposição permanente.

No dia em que eu fui era a vez do Sylvain Despretz, que fez storyboards e concepts de filmes como “De Olhos Bem Fechados”, “Eu Robô” e “I’m Legend”. O próximo, que começa essa semana, é a exposição do Devin Crane.
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Amostra grátis do Devin Crane.
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Parece que o forte da Galeria não é a galeria em si, mas as exposições que ela faz na França e Europa em museus grandes, espaçosos e renomados, elevando os concepts e desenhos de cinema e animação pra categoria de arte. Você também não pensaria em vender partes do seu corpo, incluindo orifícios, para frequentar uma exposição com o Miyazaki bebendo vinho ao seu lado?
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Só pra saber, esse daí é “O” Otomo. Aquele.
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A responsável pela galeria, Diane Launier, uma parisiense simpaticíssima (vale frisar que essas duas palavras nem sempre andam juntas) não é ilustradora, mas é uma apaixonada por esse tipo de arte, sentimento que nós entendemos muito bem.
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Em sua salinha existem dezenas de quadros que não estão à venda, porque talvez não tenham preço, como uma sequência de Persépolis feita a mão. Foi lá que eu vi um original do Peter de Sève, num momento em que eu arregalei tanto os olhos pra ver os detalhes que deixei de ser oriental por alguns minutos.

Lá vende muitas prints giclées das exposições passadas, que se esgotam rapidinho como táxi em dia de chuva. Eu comprei esse sketch do Spike Jonze que ele fez para “Where the Wild Things Are”, o máximo que 100 euros conseguem comprar naquele lugar, onde tem trabalhos por até 10 mil euros.
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Lupe e o lobo

Tava esquecendo de postar esse presentinho querido que ganhei da Lupe Vasconcelos, de quem eu sou fã adesivado! Uma aquerela de secar os olhos.
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Bem o tipo de tema que eu adoro desenhar, um monstrão protegendo ou carregando uma menina faceira. Reminiscências de Totoro e de Marco Antônio.

Quê Marco Antônio?

Esse Marco Antônio:

A cena do biscoito, que inspirou a cena do triturador de lixo em Monstros S.A. é pra se lembrar até o dia de ir pro caixão.

Doces Gurias de Daldoce

As chibatadas pelo trocadalho do carilho são merecidas, assim como os aplausos para a exposição “24 Ilustrações de Marcelo Daldoce para a Playboy”, que acontece na Livraria Pop até o dia 20 de março.

Marcelo Daldoce, brilhante ilustrador e aquarelista de talento de soltar palavrão de tão bão, já foi matéria na última Revista Ilustrar.
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Não pude ir na abertura da exposição, mas vacilei, pois disseram que além das gurias pintadas estavam também algumas coelhinhas da Playboy em carne, osso e peitos fazendo um charme.

Eu, por outro lado, só ganho cafuné do Ronald McDonald.

Alarcrônicas de cara nova

Atenção amantes de boa comida e boa ilustração. De boas mulheres e bons homens para quem gosta de mulheres e homens também.
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Alarcão é um ilustrador daqueles que você olha seu portfólio soltando palavrão, no bom sentido. Putaquepariu, putamerda, alguma coisa chula que vira elogio sai da boca de quem olha suas aquarelas.
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Pois bem, o homem que dispensa adjetivos mas que deve recebê-los assim mesmo está com o blog Alarcrônicas com cara nova. Vale a pena conferir seus trabalhos pra se sentir um pouco menos mamífero e mais anfíbio perto do que ele faz. Ou acreditar em reencarnação, pra ter uma segunda chance e desenhar tão bem.

E pra não puxar sardinha na brasa só dos desenhos, seus textos merecem louros e mel, também são excelentes.

Um Homem-Maravilhoso de pano e osso

Semana passada eu celebrei minha primeira festa de aniversário em 45 anos. Tinha tanto medo de festas de aniversário, especificamente de cantar parabéns, que era como se encarasse um palhaço assassino pelado. Ainda não canto parabéns, mas estamos trabalhando nisso.

Nessas , ganhar presente é uma coisa bacana, ainda mais pra quem quase nunca ganhou presentes (sons de violinos tristes). Sem depreciar os artefatos festivos que ganhei, mas tenho que destacar um que fez secar as retinas.
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O Tio Faso, dono da Marcamaria, teve a perspicácia de fazer um presente autêntico. Qual foi a minha surpresa, mistura de perplexidade com negação, quando vi que ele tinha feito um Mini-Mi do…..Homem-Maravilhoso???
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Nunca havia visto um Mini-Mi embalado completamete. E olha só, o Faso tem um capricho, como diriam nossas professoras de primário, na elaboração não só do bonequinho, mas também da embalagem e, vejam só a alcaparra do badejo, ele também vem com uma certidão de nascimento. E todo ele com um texto que é quase um livrinho com um texto muito, mas muito auspicioso e humorado. Melhor que muito livro vendido em prateleira.
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Já falei sobre o Homem-Maravilhoso aqui, ele tem uma significância muito grande pra mim porque ele era uma bóia salva-vidas na época em que eu comecei com ilustração e em seguida, quando eu desisti por um tempo da ilustração. Assim como Totoro, esses dois personagens sempre me faziam lembrar que desenho ainda era o que eu mais gostava.

E quer saber, depois disso eu tô pensando SERIAMENTE em retomar os desenhos desse personagenzinho desagradável e divertido. Usando as mesmas histórias que escrevi há 20 anos, com seu devido upgrade criativo. Tá mais que na hora de eu fazer tirinhas.

Quem quiser conhecer mais os trabalhos do Marcamaria, que não é mulher, mas um gigante gentil, clique aqui e se esbalde na simpatia dos Mini-Mis.

Outro presente que eu ganhei que apertou o coração com chave de fenda foi esse Totoro, que ganhei da Rosana Urbes, que conhece um pouco da minha história de vida.
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Não é um Totoro simples, esse tem uma historinha atrás…só pra imaginar, ele tá meio sujinho por alguma razão.

Mil obrigados não são suficientes pra agradecer a todos.

Alberto Ruiz passou por aqui e disse oi e desenhou umas mulheres bem gostosas

Passado a semana de Carnaval, regado a trabalho canino e insano, eis que consigo escrever alguma coisa de novo.

Semana, além de Gerard Butler, Madonna e Paris Hilton, que significa o mesmo que cocô de pomba pra mim, esteve aqui no Brasil pra passar o Carnaval o terrivelmente talentoso Alberto Ruiz, dono da Brandpress Studio, responsável pela saída de divisas monetárias para os EUA da minha parte, a convite da Revista Ilustrar. E não é que o cara aceitou?
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Já escrevi sobre ele aqui, e tivemos a honra de sermos recebidos pelo próprio, em sua casa e depósito de maravilhas em papel que é o acervo da Brandpress, o mesmo que a Ilha Açúcar pro Flapjack, quando estive em NY.
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Ele é um personagem pronto, com seu indefectível boné preto, camiseta preta e chinelos havaianas, além de carregar sempre uma mochila generosa com sketchbooks e canetas. Aos que estiveram presentes no almoço que a Revista Ilustrar organizou, ou estiveram na minha festa ou tiveram a oportunidade de ficarem com ele alguns minutos, perceberam que o homem é um dínamo. Não se cansa de desenhar, de falar, de andar serelepeando por São Paulo e distribuir sorrisos assim como distribui sketches.
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Ele, assim como tantos camaradas brazucas, é um apaixonado pela ilustração, e bota apaixonado nisso. Pessoas assim carregam inspiração para todos dentro da mala.
Virou “instant brother” da turma, e ficou maravilhado com a mesma paixão que a gente tem aqui pela arte do desenho. Sim, Bistecão Ilustrado é coisa nossa e pelo visto só tem mesmo aqui. Por isso aproveitem enquanto tem.

E Ruiz gostou tanto que prometeu vir novamente pra cá. Tomara que fique igual ao James Taylor ou a Tara McPherson.

Aos amigos que tiraram mais fotos dele, me mandem, por favor. Eu fiquei tão ocupado em conversar que no final só tirei essas fotos mulambentas.

Aprendendo a desenhar com Rad Sechrist. E Mort Drucker, Glen Keane, Ralph Bakshi

Eu adooro colocar posts com nome “Aprenda a desenhar com….”. São os posts mais visitados, atraem incautos como moscas em carne fora de geladeira, e como prova que o ser humano ANSIOSO só lê as primeiras quatro palavras de uma frase, centenas de pessoas pensam que EU ensino a desenhar. No começo isso me incomodava, mas algumas perguntas são tão grotescas e mal escritas, do tipo “aê meu, kero desenhar pra caralho, comofaz?” que de incômodo a coisa virou um tipo masoquista de entretenimento. Se não sabem ler um post, como querem aprender a desenhar?

Da mesma forma que eu vivo repetindo, e o Ricardo Antunes também, que mesmo a Revista Ilustrar sendo gratuita e pra download, dezenas de pessoas perguntam onde comprar e quanto custa.

EU não ensino a desenhar, ainda não tenho cacife, créditos e gônadas suficientes pra isso. Mas Rad Sechrist ensina, e ensina muito bem.

Vi essa no blog Drawn. Sechrist é um puta ilustrador e além de fazer storyboards pras animações da Dreamworks, também foi responsável pela melhor história da última revista Flight, que tava bem fraquinha, a do samurai que busca a mulher raptada por um sujeito malvado (Kidnapped).
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Seu blog “Rad How To” tem gigas de informação, apenas e simplesmente de posts que ensinam a desenhar. Dicas de anatomia, perspectiva composição, dentro do contexto de comics e animação.
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Coisas que se aprende TREINANDO constantemente com uma orientação, não se aprende anatomia de segunda pra terça e dormindo entre esses dois dias, e com AUTOCRíTICA, pra não se achar o rei da cocada preta quando conseguir desenhar uma mulher com a bunda no lugar e achar que não precisa aprender mais nada.

Fazer o quê, meu amigo, escolheste uma profissão que exige estudar e praticar sempre. E aproveite agora que você está no começo de carreira e tem pouco trabalho, porque depois que começar a trabalhar de verdade, tempo pra estudar vai se tornar tão valioso como virgens pra sacrifício. Virgens bonitas.

O blog pessoal de Sechrist também seca os olhos.

Além dele, o leitor Kleverson me deu uma dica de outro blog fantástico, o On Animation. Dentro dele existem centenas de filmes, entrevistas, matérias, sketches, análises de ilustradores e animadores com carreira com peso de elefante, uma miríade (gostou do “miríade”?) de foderosos do traço do mundo da animação. Só na primeira página tem uma amostra grátis do Mort Drucker desenhando, (quem nunca leu uma sátira de filme no MAD feita por ele?), e os sketches de Glen Keane quando fez Tarzan.
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É outro blog deixa passando fome por dias quem gosta de animação.

Gosto não se discute, e eu gosto de Norman Rockwell

Há algum tempo eu fiz um post sobre um livro chamado “Norman Rockwell Behind the Camera“. Achei a proposta do livro muito interessante, mas não havia lido e não estava com carga energética no cartão de crédito pra encomendar um exemmplar na Amazon, então esse havia ficado pra chupar dedão de vontade. Mas eis que, durante o curso de caligrafia da Andrea Branco, que eu recomendo com manteiga em cima de tão bom, o ilustrador Alexandre Eschenbach deu uma eslapeada dizendo “Você viu que estão vendendo aquele livro do Rockwell na Cultura”?
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E bazinga direto pra lá. Saí todo pimpão com esse livro. E pode ser a menopausa chegando, mas esse livro me fez ficar emocionado, li de cabo a rabo em algumas horas e repeti o processo mais uma vez só admirando as fotos.

Basicamente já expliquei sobre o que é o livro: são as fotos que Norman Rockwell tirou antes de fazer as pinturas e que serviram como referência, o que não tira mérito algum do talento desse homem.

Porém, todavia, no entanto, existe dentro desse processo um quê a mais.

Rockwell era um sujeito divertido. Deveria ser gente fina também, porque ele mesmo se posava de modelo em posições ridículas pra deixar outros modelos mais à vontade, segundo suas palavras, “despojado de dignidade e vaidade”, além de ser contra segregação racial numa época em que isso era visto como beijar outro homem de língua na vizinhança. Um sujeito que sempre pensa com bom humor, como você vê nesse desenho que ele fez quando seu estúdio pegou fogo em 1943. Ao invés de entrar em desespero ao ver as suas pinturas virarem fuligem, ele aproveitou para desenhar bombeiros, familiares, contando a história de maneira engraçada, com direito a café e bolachas pros bombeiros no final do rescaldo.
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Escaneei algumas fotos do livro, são docinhos de confeitaria para os olhos:

Talvez “Gossip” seja quadro mais conhecido do Rockwell, se não o mais chupado e vulgarizado, assim como a Santa Ceia e a palavra “amor”.
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E essa é a foto.
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Esse é um dos quadros que acho pavorosamente divertidos dele: “A day in the life of a girl”, só menos engraçado que “A day in the life of a boy”.
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E essa foi a sessão de fotos:
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Um quadro com outro clima, de dignidade. “Suffleton’s Barber sozinho conta uma história, só reparando nos detalhes, assim como quase todos seus quadros.
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E a foto.
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Rockwell usava um tipo de projetor do tamanho de um caixão pra tracejar seus trabalhos. Um processo que diversos artistas usam até hoje, incluindo Alex Ross.
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Todo e qualquer trabalho, de pinturas a vinhetas, tinha uma referência fotográfica.
O livro é magnífico porque mostra o processo de criação, o que ele pensava, como ele produzia, quem o ajudava,como ele agia (basicamente como um ilustrador comercial, porque quase toda a produção dele era encomenda de editoras ou particulares, mas extremamente focado e metódico).
Olhando para as fotos do Rockwell, você percebe que as fotos são maravilhosas, e o tratamento que ele dá em cima delas, a interpretação do artista, melhorava o que já era bom em película simplesmente exacerbando o tipo de sentimento que ele queria passar na tela. Ou seja, se era algo bem humorado, ele passava um verniz aparvalhando e apatetando as pessoas, na maioria delas homens, mas com uma dignidade cômica. E quando os quadros eram sérios, as fotos adquiriam uma camada de dignidade e honra imensa.

Talvez seja por isso que o livro seja tocante. Ele mostra que Rockwell não pensava apenas no trabalho final na tela, ele considerava todo o processo porque tinha uma idéia muito boa por trás disso. Desde a hora em que ele colocava filme na máquina ele já sabia como tudo deveria acabar e qual sentimento deveria passar. Devia ser daqueles cara que ficavam rindo sozinho enquanto trabalhava.
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Todos os quadros dele, sem exceção, ou passam uma sensação de você dar um sorriso ou de sentir um respeito muito grande. E talvez seja isso o que me agrada nele, o conceito. Todos os artistas que eu admiro passam não o delírio cômico para quem vê os trabalhos, como Vera Bee, Bill Pressing, Elvgreen, Scott C. e uma caralhada diversa, mas passam um clima que fazem você interagir com a obra, que vai do “que bonitinho”, ao sorriso involuntário, passando por “que gostosa simpática”, todos eles tem simpatia e carisma incorporado no traço. O lado yin desse exemplo, por exemplo, são as sensações que os quadros do H. R. “Alien” Giger com seus cadáveres passam pra você. Ele também consegue.

Talvez por esse clima que ele passa em seu trabalho, que muita gente também não gosta e o chama de Poliana (e talvez o seja, no bom sentido, porque ele deliberadamente optou por pintar o otimismo de qualquer forma, o que fazia suas pinturas parecerem irreais e falsas, com fãs e detratores de sua arte), fez com que as edições do Saturday Evening Post com suas capas multiplicavam exageradamente as vendas. Naquela época de perrengue da Segunda Guerra, bom humor era tão raro quanto sexo na trincheira .

Mais importante do que a execução ou a técnica, o clima e a idéia que o trabalho passa pra mim tem muito mais significado. Prefiro mil vezes um desenho meio tosco que me faça rir ou me passe uma sensação boa do que um hiper realismo que não consegue minha atenção de tão monotonamente perfeita, como uma modelo photoshopada. Rockwell era mirrado mas poderoso porque misturava o melhor dos dois.

São idéias e conceitos que inspiram, não os traços. Não gosto de trabalhos que agridam gratuitamente, trazem melancolia mimimi sem propósito ou coisas que tem que ter uma legenda embaixo explicando. E sim, não sou um grande fã de arte conceitual, aquelas coisas do tipo lâmpada queimada no meio da sala ou mosca alfinetada no pênis, meu cérebro é muito primata pra essas coisas e me orgulho disso.
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Um ano de cartoons muito bonitinhos

Eu não fui o primeiro e nem vou ser o único a fazer essas resoluções que parecem ter saído de uma noite de bebedeira em Las Vegas de fazer 365 desenhos de uma série só.
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Segundo o blog Drawn, eis que surge uma outra que estava num dia passando reprise do Homem-Aranha 2 na TV e se compromete a fazer 365 cartoons, um por dia.
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A australiana Melanie Matthews tem um traço muito cuti, tem simpatia e personalidade, (bem) mais do que algumas pessoas que eu conheço. O seu blog, 365 Cartoons, não pode ser mais claro.
croco
Obrigatório é olhar as ilustrações coloridas que ela faz, aí sim é que os olhos secam. No site Bearprints ela tem uma coleção de pastéis com ilustrações tão legais, tão divertidas, que tem um pouco da Vera Bee, um pouco do Jim Flora, um pouco de cada referência que eu também venero feito vaca na Índia.
Tiger
Tudo à venda na forma de prints. Nessas horas ter um cartão de crédito internacional é ter um superpoder com fatura no final do mês.

Aprendendo a fazer quadrinhos com o Spacca

Salvem Spacca, a careca mais talentosa no mundo da ilustração, pai de Jubiabá, Santos Dumont e de outras obras arrebentantes, pois ele abriu um curso muito bem estruturado e completo sobre como fazer quadrinhos.
Cursospacca
São 7 módulos que vão desde a introdução ao universo dos quadrinhos, sua importância, passando pela parte gráfica, estruturação do roteiro, esse detalhe sem importância que chicoteia a qualidade de oito entre dez quadrinhos, até sobre mercado, veja só.

Os cursos começam no dia 18/01, têm 07 dias de duração e serão ministrados lá na faculdade Casper Líbero, lá no prédio da Gazeta da Av. Paulista.

Quem quiser mais detalhes, entra aqui no blog do Spacca que ele mostra o caminho dos tijolos amarelos dos quadrinhos. Mas fica esperto porque são só 25 vagas.

Infelizmente, ou não, Spacca não faz mangá. Be aware!

Os cartazes de produções brazucas de Rogério Soud

Rogério Soud, brilhante ilustrador e amigo, fez um blog chamado Cartaz Ilustrado. Ele postou ali 11 versões suas de cartazes de filmes brasileiros e produções da Rede Globo. Vale a pena ver a versatilidade que o rapaz tem no domínio da caricatura e, pra aumentar a dificuldade, aquareladas. Só para os mais porretas.
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Essa é a versão dele para “Hoje é Dia de Maria”
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E a minha preferida, a “Maysa” olhos-de-gato.

Lupe et les petites mademoiselles

O IlustraBrasil 6 terminou, mas tudo bem que no ano que vem tem mais. E o bom de todo IlustraBrasil, pelo menos no momento do suquinho de uva com canapé da abertura do evento, é conhecer gente nova. Principalmente, conhecer ilustradores novos. Yesh, meu hobby é colecionar ilustradores.
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Uma ilustradora que conheci esse ano, uma adorável pessoa, é a goiana Lupe Vasconcelos. Seu trabalho gigante e recortado ficou ao lado do meu na exposição, realmente não deu pra evitar de olhar pra menina-cafeína.
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Limpem os olhos com flanela limpa e vejam que desenhos maravilhosos e alto astral que ela faz. Faz parte do meu time, quem faz arte pra levantar astral, desenhos simpáticos, fofos e com um toque de ingenuidade e outro de transgressividade, tem seu lugar garantido no céu dos ilustradores gente fina.
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As mocinhas são muito expressivas, e as cores parecem ratinhos que cantam em coro. Por causa da harmonia, mi hermano. Ou tu não assistiu “Babe, o Porquinho Atrapalhado”?

Norman Rockwell usava foto pra pintar e isso não é crime

Vi essa no Gizmodo. É coisa que é obvia, mas quando a gente vê na frente fica um pouco surpreso, como ver enterro de anão, porque não é coisa que a gente, mesmo acostumado a trabalhar com desenho, vê frequentemente.
rockwell family
O óbvio, nesse caso, é que Norman Rockwell, talvez um dos maiores artistas divulgadores da arte alto-astral, tanto que ele foi fundamental pra bola de milhares de pessoas não cair nos dias mais perrenguentos da América durante e pós guerra, dono de um traço ingênuo e realista que é impossível não abrir um sorriso na maioria das capas que ele fez pro Saturday Evening Post (já escutei que quando tinha capa do Rockwell a tiragem da revista dava um salto de perereca). Tanta riqueza de detalhes, tanto apuro, é claro que ele usava referências fotográficas. Mas como ele é um ícone da pintura e ilustração, quase uma entidade desenhante, tem horas que a gente acha que esses caras atingiram um nível que dispensam a lente e o flash. E ver isso é ótimo porque sim, eles também são humanos.
rockwellcamera
Esse livro, “Norman Rockwell Behind the Camera” lançado lá nos EUA, mostra esse lado referencial dele. A cada quadro que ele fazia ele tirava uma chapa. E isso só aumenta o fascínio pelo trabalho do cara, até pelo registro farto de vários objetos, roupas, cabelos e expressões da época. E de quebra, dá pra ver que muitos apatetados que ele pinta, inclusive ele mesmo, são realmente e simpaticamente aparvalhados.

E não só ele, mas também Gil Elvgreen, Al Hirschfeld e vivo Alex Ross e absolutamente todos os que trabalham com ilustração realista usam fotos como referência de trabalho. Sem exceção. Afinal, ninguém sabe como é um trenó de cachorro gelado ou um limpador de bunda de lutador de sumô de cabeça, e imaginar isso de cabeça é pecar e errar nos detalhes.

Tem muito franguinho que se decepciona ao saber que seus ídolos usam fotos e não a memória fotográfica pra fazer pinturas de fraturar o maxilar. É pura tolice.
Ainda vou escrever um post só sobre isso, mas não existe essa coisa de ter dom pra desenho. O que muda é o nível de habilidade de cada um, mas de nada adianta um fodão que acha que tem o dom de desenhar se isso o faz pensar que não precisa de professor, aula, conselho ou tapa na cabeça. Mil vezes preferível um aspirante a desenhista que não tem muita habilidade mas tem muita vontade e dedicação de aprender.

A foto de referência é uma ferramenta, assim como é um lápis ou uma tablet. Rockwell sabia das coisas.

Palavras de Maurice Sendak para ilustradores escutarem com ouvidos e corações abertos

Maurice Sendak, pra quem não sabe, é o pai do livro “Where The Wild Things Are”, que o concebeu em 1963. Tive a felicidade de ver uns desenhos originais dele em NY, naqueles momentos de osmose espiritual que acontecem quando você encontra um ícone da sua carreira.
sendak
Nesse videozinho, que saiu no blog Drawn, ele fala em 3 minutos qual é o significado de ser um ilustrador infantil, muito significativo. Às vezes um simples “não sei” tem muito mais força do que 700 palavras ditas em um minuto.

Spike Jonze dirigiu o filme do livro e aí ele vira moda por aqui, coisa que deveria ter acontecido há uns 30 anos pelo menos.

A Raina dorme em casa essa noite

Fui na Fnac de Pinheiros onde inesperadamente Craig Thompson passou por lá junto com os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon. Já que eu pretendia ir à FIQ por causa dele, e não fui por causa de trabalhos, a Madame Sorte lambeu os beiços pra mim e disse “eu levo ele pra São Paulo”.
blankets

Como dizer não a uma oportunidade dessas?

Consegui um desenho da Raina feito pelo elegantíssimo Thompson, esse daí ele deve ter levado só uns 5 minutinhos, ele tem uma impressora nas mãos. Mas minha cara de coió enquanto ele desenhava no meu exemplar é a mesma que muitos fazem comigo quando eu desenho ou autografo nas palestras, por isso respeito tanto esse tipo de coisa, sou tão fanboy quanto qualquer um, com a exceção de ser um pouco mais idoso.

E também conheci a Becky Cloonan de tabelinha e ficamos sabendo, entre outras coisas, que 500 páginas pra Retalhos é trabalho de pinto, Habibi, seu próximo livro, vai ter 650. Dá pra matar um sujeito se o livro cair do 10º andar.

E ficamos sabendo também que ele nem faz idéia do que a Raina achou da sua participação no livro. Momento “Caras” dos quadrinhos, ele nunca mais entrou em contato com ela. O amor é lindo mas também machuca, ui.

Mariana Newlands, pra quem fazer livro é arte

Depois que li o artigo do Umberto Eco sobre a AntiBiblioteca, tirei um peso na consciência e como um ser enrustido de algo ruim, me libertei da culpa de ser um comprador – e não exatamente um consumidor – de livros. Eu compro muitos, muitos livros por mês. Uma boa parte são para pesquisas das lâminas de bandeja, que eu obrigatoriamente tenho que ler, mas muitos, e bote muitos com M maiúsculo, eu compro porque são interessantes. Por causa do tema – principalmente sobre matemática, filosofia da ciência ou bizarrices – ou por que eles são como salgadinhos que acabaram de sair do óleo quente. São apetitosos, você folheia uns minutos, olha pra capa, sente o cheiro de papel e tinta e bam! Saca o cartão do banco e fala com uma hombridade que só uma conta com saldo positivo pode proporcionar: “No débito sim senhora!”.

Lembrem-se que Umberto Eco disse que uma estante de livros não deve ser instrumento do ego do seu proprietário, tem que ser uma ferramenta de consulta para o futuro, e que livros não lidos são tão ou mais importantes que os livros já lidos.

Pois bem, estava eu “desfragmentando” minha estante, o que significa classificar meus livros por assunto, e não deixar “Retalhos” do lado do livro da Nigella, que eu pensei “preciso fazer um post sobre a Mariana Newlands”.

Por que? Por que pra este ser cansado, Mariana Newlands é a melhor designer de livros que existe. Sem exagero ou modéstia. Reparo no trabalho dela desde Persépolis.

Eis algumas capas de livros que eu tenho, dentre as dezenas que ela criou.



Esse, Millor Poesia Matemática, foi paixão à primeira vista. Comprei por impulso quase animal, se o animal tivesse bolsos.

Não conheço Mariana pessoalmente, mas além de parecer muito gentefina, percebe-se que ela tem uma sensibilidade e bom gosto, que quando caminham juntas fazem ótimos filhos. As capas são bem diferentes, não fica engessada em uma só linha, uma só tipografia.

E seus desenhos são meigos e delicados como trabalhos de menina. Lavanda e café expresso exalam do seu site.


Pensando bem, essas designers de livros me pagam. É por causa delas que o pessoal da Livraria Cultura me tratam tão bem.

Fast Girl # 58 – Ellie Fredericksen

Acabei de voltar da palestra do Senac Maria Antonia e foi bem bacana, e acho que o pessoal gostou também.
Como amanhã (ou hoje) já tenho que ir pra Curitiba, vou colocar a Fast Girl de hoje bem rapidinha, que redundância.
Ellie
Sim, isso é uma menina, ou aparenta ser. Quem viu “Up” vai se lembrar da pequena e descabelada Ellie Fredericksen, futura esposa do rabugento Carl Fredericksen, o homem que levantou a casa em um balão. Como o personagem dela foi bem elaborada tanto adulta como criança, e o do Carl também. Dá vontade de espremer as bochechas dela de tão lindinha.
elliecarl

A sequência que vem a seguir, mostrando o envelheciemento do casal é de derreter coração de lenhador. Chorei como menina atropelada nessa sequência e na cena em que ele se liberta da casa depois de Carl ler o bilhete (Obrigado pela aventura, parta para a próxima).

Agora, Fast Girl só na semana que vem.
Quem sabe não vai ter a Sue Johansen como Fast Girl, a Vovó Sexo…huahua!

270 Filmes

Sessão jabá pros amigos continua.

Não é só eu quem está fazendo uma série de desenhos baseados em filmes.
M Dusseldorf
O valoroso André Valente, ilustrador de mão cheia e bandeirante de filmes ruins, muito ruins, (e de bons também, mas esses não são engraçados de serem comentados em mesa de bar) está fazendo em seu blog uma série chamada “270 Filmes”. Ele faz uma interpretaçao gráfica de um filme por dia, sempre num estilo diferente, até atingir a marca de 270 filmes. Tem desde tranqueiras em película, como os filmes do Toni Jaa, onde há farta distribuição de porrada, até os cuti-culti “La Dolce Vita”. Cinéfilo é como tarado, pega qualquer coisa pra saciar a vontade.

Esse de cima, por exemplo, é sobre “M, O Vampiro de Dusseldorf”.

Sempre imaginava como seria um gibi ilustrado pelo Gustavo Duarte, e eis que finalmente ele deu o ar da graça e lançou seu primeiro quadrinho: .
cocapa
Ao contrário do que eu pensava, ele não escreveu uma história usando seu tema preferido: futebol. Resumindo, Có tem mais de Bauru do que o estádio do Pacaembu, mesmo envolvendo porcos. Tem que comprar pra ver.
copages
Os traços do Gustavo são curvilíneos, longos e expressivos, seus olhos percorrems essas linhas como se fossem trenzinhos de montanha russa. Resumindo, quem é fã do trabalho dele é leitura obrigatória. Quero dizer, leitura não porque a história dele não tem texto. Tem uma compreensão universal, qualquer um entende em qualquer país, como qualquer um entende os números ou a Alicia Keys.

Não sei exatamente onde a revista vai ser vendida, com exceção da Livraria HQ Mix, mas dá uma passada no blog dele pra saber onde adquirir uma penosa.

André Toma e manda bem

Folheando uns números antigos da Revista Ilustrar, revi o trabalho foderosamente excepcional do André Toma e fui até o blog dele pra ver mais dos seus trabalhos.
miyazaki
Seus desenhos são muito, muito (copy e paste “muito” umas 10 vezes) bom!! Dá vontade de bater na mão direita por ela não desenhar como ele.
tuba

Ria com o Ryo

Pode não parecer, mas eu sempre dou uma olhada nos blogs e sites do pessoal que manda comentários aqui no blog. E de vez em quando aparecem uns que você começa a clicar nos desenhos a noitinha, e quando percebe já tá passando ônibus de novo na rua.
RYO3
O último desses que me fez perder um tempo que não volta mais em troca de algumas risadas foram as tirinhas do Ryo – as Ryo Tiras.
O estilo nonsense sem muita lógica e justamente por isso divertido é muito, muito bom. Tem um quê de fofura e amargura ao mesmo tempo, e a mistura desses dois elementos, quando bem feito, sempre dá uma desepilada no fígado. Parabéns pra ele que cospe com gosto no politicamente correto, levanto minha sombrancelha de aprovação para todos que fazem isso, incluindo Sacha Baron Cohen.
FOFINHO
Com uma determinação típica nipônica, ele posta uma tirinha por dia. Vale a pena gastar um pouco dos olhos vendo o trabalho dele.

Sopa de salsicha

Há tempos descobri o Eduardo Medeiros nas andanças pela net e também há tempos estava devendo um post sobre esse camarada – gaúcho, se não me engano, segundo informações do meu chapa Gual, da livraria HQ Mix.
hellatoons
Para quem não conhece, embeveciem-se com a arte muito expressiva e fofa ao mesmo tempo. Em seu blog, Hellatoons, ele publica entre outras coisinhas, as historinhas biográficas como ilustrador e como recém-marido, com um traço muito, mas muito bacana, usando elegantes, uma sujeirinha bem planejada aqui e acolá e uma paleta de cores bem econômica, dando uma linguagem gráfica bem sacada.

É um traço danado de bom, e as historinhas também são muito engraçadas. Mais um adepto ao bom astral, daquelas tirinhas que você termina com um sorriso na boca.

Como dizem os gaúchos: é muito tri!!