O sono criativo by John Cleese

Durante meu período no estaleiro físico-químico, eu chorava as pitangas com o Kako. Num desses papos, ele me enviou um link do Youtube com uma palestra magnífica do John “Monty Pythom” Cleese, britanicamente velhinho e digno, falando de algumas coisas, entre eles sobre a importância do sono no processo criativo, do descanso e da imposição do limite de trabalhar, além da importância de não ser interrompido durante esse processo. Graças ao André Valente, lembrei novamente desse vídeo e hoje até parece que ele fez isso de encomenda para esta pessoa que vos digita.

Tá em inglês sem legenda, mas vale a pena fazer um esforcinho pra entender, vai ser Gatorade pra cérebros cansados.

Wabi Sabi, ou o perfeito é uma merda

Há semanas bem longas o camarada Weno mandou um link com uma matéria na Trip sobre o conceito chamado Wabi-Sabi.
imperfeitaWabi Sabi é um belíssimo conceito japonês que prega a beleza do que é imperfeito. Resumindo, é aprender a admirar as falhas de todas as coisas, daquele livro que já foi do seu avô, ou as rugas da sua esposa que está ficando velha junto com você. Leia essa matéria e você vai entender que seu desenho ruim pode ter potencial, que você não precisa sofrer por causa do anúncio do Photoshop CS5 porque o desenho da sua vaquinha pastando ainda pode ser feita no CS3, ou que você não é Adam Hughes mas pode virar algo tão bom quanto com muita dedicação e bom senso.
Nesse conceito, o sketch, o desenho criado de maneira rápida e intuitiva e cheia de erros, e a admiração por esse tipo de trabalho, é um exercício de Wabi Sabi.

Um adendo, dessa vez chinês: um conceito parecido com o Wabi Sabi e sempre presente nas filosofias taoístas e confucionistas é o conceito de ordem e caos, de perfeição ou imperfeição ou, em chinês, Wei Chi e Ji Ji. A perfeição, quando e se alcançada, não é permanente. No momento em que ela é atingida, ela vai ser descontruída em seguida, ou então a situação se tornará uma constante tensão. Assim, meu amiguinho, carro novo que sai da concessionário tem 50% de chance de bater e dar uma arranhada, da mesma forma que seu traço perfeito hoje vai mudar, melhorar e se tornará algo que fará o seu desenho como você faz hoje virar forro de gaiola de passarinho. Assumir que isso pode acontecer e faz parte da vida o fará menos tenso do que a tentativa eterna de preservar o que é perfeito. Quem vive em eterna tensão feliz não é, como diria Yoda.

Em termos de traço de desenho, não deveria ser algo sofrível conseguir algo que deve vir de forma natural, e também não adianta tentar congelar algo que você acha que é perfeito e gostaria que fosse eterno, com medo dele mudar e ficar pior com o passar do tempo. Traço TEM que evoluir se você desenhar constantemente, com exceção do que faz o Rob Liefeld, é a exceção que faz a regra.

Falando que nem Confúcio, o problema do homem comum quando vê um cara talentoso é que ele só vê o sucesso, não vê o duro danado que ele deu pra chegar até lá. Ou mais confucionamente falando, o homem comum, ao ver uma montanha, só vê o topo. O sábio vê o caminho até chegar lá. Esse aviso serve tanto pra quem acha que tem que desenhar como Adam Hughes, como aquele que acha que só vai ser feliz se tiver uma Cintiq como aquele que lambe capa da Playboy sonhando ser a mãe dos seus filhos ou daquelas que pregam a foto da Ana Hickman na geladeira pra perder peso. Você não tem que ser Adam Hughes, tem que desenhar o seu traço contanto que ele te deixe feliz. Se esse traço for comercial e você conseguir fazer coisas bonitas que trazem dinheiro, um abraço e um tapa nas costas pra você porque você é um felizardo, e pra ser felizardo não precisa de muita coisa.

O mundo seria bem melhor se não fosse tanto obcecado pelo perfeito. Essa praga se chama ANSIEDADE e só se cura com bom senso e tapa na cabeça.

No Bost!!

Estava eu andando a caminho da padaria, cabisbaixo olhando para o chão na esperança de encontrar uma nota de R$20 pra pagar o pão e o presunto Royale para o lanche da tarde, quando me deparo com uma pérola grafitada no meio da calçada. Valei-me de um celular com câmera!
nobost
Nada como protestar com estilo. Criatividade e um pouco de design gráfico não fazem mal pra ninguém. Ao contrário de bosta de cachorro na rua.

pluto

Alguém diga isso para as lojinhas que vendem piranha empalhada e prato com borboleta pra turistas.

Crianças, Salvem-Nos do Politicamente Correto.

Se você não for Politicamente Correto, vai se inspirar nessa pequena palestra do Ken Robinson.

Talvez se as pessoas fossem educadas a serem mais criativas – independente da situação da educação em qualquer país, inclusive o vosso – as pessoas seriam menos cri-cris, hipócritas e sem senso de humor, e mais abertas a novas idéias. Ou, pelo menos, elas seriam menos mimimis em relação a tudo o que for diferente do que elas pensam.

E nós nos sentiríamos menos figurantes de “Invasores de Corpos”, aquele filme paranóico onde ervilhas gigantes trocam de lugar com humanos, deixando todo mundo igual e sem emoções.

Pin ups, mulheres pra pendurar na parede

Mulheres causam fascínio hormonal, fisiológico, emocional e materno na (maioria) dos homens, mas as pin ups, como um chefe de fase de videogame pois sempre estão um nível acima das mulheres mundanas, pois são curvosas, suspirosas e sempre com um sorriso no rosto mesmo sem vestir a parte de baixo, sempre causaram um frisson extra. E mais extra ainda em ilustradores.

Pausa para cultura inútil: a palavra “pin-up” vem da idéia de pregar pôsteres dessas mulheres com alfinete, daí que “pin-up” significa algo como “penduráveis”.

Não conheço um ilustrador que não seja fã de pin-ups, alguns deles mais fãs do que os outros, e eu me incluo nesse contingente. Tiveram seu auge na época da Segunda Guerra, fazendo companhia para marinheiros e soldados carentes, numa época em que não existia internet e farta distribuição de putaria. Desculpe as sensíveis, mas não dá pra evitar de ser meio machista quando o assunto é pinup.

Eis alguns ilustradores que eram (ou são) grandes amantes dessas formosas mamosas:
evlgren
Gil Elvgren
benicio
Benício
frahm
Art Frahm
vargas
Alberto Vargas
petty
George Petty

Esse gancho foi só pra mostrar mais mulher nesse blog e deixá-lo menos nerd e mais testosterônico.

A revista americana Vanity Fair fez um ensaio com várias atrizes caracterizadas como pin-ups. Aquelas atrizes que já dão um caldo vestindo jeans e camiseta, mas que ficam terrivelmente agradáveis de lacinho e sapatinho de vovó. Pedindo pra serem desenhadas
isla
Isla Fischer, a delicinha baixinha de “Três Vezes Amor”
hayden
Hayden “Patinete”, cujo sobrenome é uma tristeza e frescor adolescente idem.
alice
Alice Braga, quase uma Elvgren de carne e osso, mais carne do que osso. E não é que ela ficou a azeitona da empada de pinupete?
scarlett
Scarlett Johansen, de uma beleza láctea
mila
Mila “That’s 70 Show” Kunis
rory
Alexis Bledel, a Rory do verborrágico “Gilmore Girls’
mars
Kristen Bell, aquela que dá choque.

Ótima iniciativa, mas cadê a Nicole Kidman, a Jennifer Connoly ou a Anna Hickman???? Essas já nasceram pin ups.

Apeoveitando a farta distribuição de peitos nesse post, um desenho meu que nem é tanto uma pinup, mas é uma delicinha. É um estudo ainda incompleto em acrílico bem ralo que estou fazendo pra vender lá na Galeria Magenta. O definitivo vai ser mais clarinho e mais definido, mas também vou vender esse estudo mais baratinho. Em alguns dias lá.
castiti

Sim, peitos!!! Coisa que você não vê nas lâminas de bandeja do McDonald’s.

Desenhando uma canção enquanto ela é cantada

[img:linhalinha.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Essa dica foi dada pelo pai da campanha da ShowOff que teve os trabalhos do Scott C., Marcelo Lourenço.

De vez em quando ele acerta, é uma dica que impressiona. Na minha sacripanta ignorância, fiquei abobado com que o Flash pode fazer, é algo de arrepiar os mamilos. Viva a tecnologia, que nos traz Playstation 3 e filminhos pornôs no celular!

É meio difícil de descrever, tem que ir no site da cantora Labuat (é isso mesmo, não errei?) e experimentar. Você consegue tracejar livremente com o mouse (com o tablet é melhor ainda) enquanto a linha ganha vida de acordo com os timbres da música Pintando uma Canción (ou será que o nome da canção é “Soy tu aire”?) é algo de estalar o maxilar. E a música é boa mesmo, nota 10 pela alegoria e samba enredo. Como meus ancestrais decompostos diriam, o que faltam inventar?

Tem que instalar o plugin do Flash 10, mas ó, vale a pena.

Se o mundo fosse uma vila de 100 pessoas, eu não estaria incluida entre elas

Há muitos meses atrás, apareceu um conceito legal na internet chamado “If the World were a village of 100 people” ou “Se o mundo fosse uma vila de 100 pessoas”, que mostrava de forma resumida percentuais de distribuição de diversos assuntos globais, como riqueza, raças, religião, entre outras coisas que enchem as páginas de jornal com notícias ruins.

Pois bem, apareceu há pouco uma versão gráfica desse conceito, criada por um designer chamado Toby Ng (seria ele parente de Stuart Ng, dono da Stuart Ng Books, o buraco negro que absorve meus dinheiros através do cartão de crédito em troca de livros de sketches maravilhoso?) e todas as informações agora ficam presentes na forma de infográficos, o que é uma sacada arrebentante, já que gráficos e infograficos tem mesmo essa função. Ficou muito bonito, gráfico e informativo. Tarados por estatísticas colarão estes pôsteres no lugar das coelhinhas da Playboy, que aliás, acho que nem borracheiro mais prega essas coisas na parede.

Idéias ricas, garotas pobres e tipologia que vira personagem

O maior desafio em direção de arte na propaganda é fazer um anúncio all-type – anúncio que não tem imagens, apenas títulos e textos – que seja criativo, de impacto e, de lambuja, ainda dar recall. E dá-lhe fuçadas no Adobe Font Folio pra caçar uma letra bacanuda no meio de mil fontes remerrenhas pra dar um jeitinho naquele anúncio chinfrim. São poucos os bravos que conseguem.

Agora, não gosta de all-type? Acha tão sem graça como assistir máquina lavar roupa? Pois esse filme de apresentação do “The Girl Effect” é um tapa de mão aberta na cara de Hans Donner, que vê cromado e arco-íris até em linguiça pendurada em bar.

Ele é todo feito com uma só fonte, mas usa a tipologia com uma dinâmica tão eficiente que as palavras conseguem contar uma história como se fossem personagens. Sim, precisa ler em inglês, mas aqueles que possuem esse poder, verão que é uma maneira eficientíssima de se contar uma história. Tanto que até o próprio canal GNT e o Discovery andam usando esse recurso em algumas chamadas.

É tipo de criação que inspira outros criativos, fazer algo tão poderoso com pouquíssimo recurso. Nada de producão para fazer cocô na casa do Pedrinho, é explorar a tipologia ao máximo para passar o conceito (que sinceramente, não teria o mesmo efeito se mostrasse imagens de garotinhas mulambentas e empoeiradas com cara de fome).

Dá uma olhada no site do “The Girl Effect”, também baseado em tipologia, mas com algumas fotos como acompanhamento. A idéia do projeto é bacana, humanitária, onde prega que ajudar uma garota pobre pode salvar o mundo. Só a chamada no final é meio estranha, pois tem potencial pra estimular mentes mais pervertidas: “Invest in a girl and she will do the rest”, ou “Invista em uma garota que ela vai fazer o resto”. Vossas esposas que o digam.

Ainda que as letras são o tema deste post, aí vai também um filme abre-pupila da National Geographic (tem em português, mas não tá disponível pra incorporar no blog, então vai a versão inglesa mesmo). Esse conceito de ler a palavra como um todo é o segredo para se fazer leitura dinâmica.

Que a maldição de mil gafanhotos caiam sobre aqueles que propagam o miguxês.

Meu trabalho só dá merda, disse o designer todo orgulhoso

Eis você, todo pimpão, no meio de uma fila de sete léguas para comprar ingresso dos Rolling Stones quando de repente o almoço de ontem pede para ser libertado com a máxima urgência, pois o expresso nº2 está chegando na estação anal. O que fazer, castigar a porcelana civilizada e adequadamente e perder o lugar ou segurar o inexorável ser marrom, gerando dores lancinantes no lugar onde o sol jamais esteve?

Somente aquele que já passou por isso deve ter criado o Shitbox. E esse alguém era um design gráfico, ou um japonês ou o Carlo Giovani. Custa 15,67 libras, mais ou menos 55 reais, e foi desenvolvido por uma empresa chamada “Brown Corporation”, cujo nome já parece dar a dica de ser um produto-conceito. Uma privada de papelão portátil!!!

Você leva o pacote de papelão na bolsa, arma, senta (onde, meu Deus? Atrás de um ônibus estacionado ou atrás do seu amigo avantajado e adiposo, pedindo educadamente para não olhar você num momento “coisas do círculo da vida”?), libera os resíduos impuros e fecha a caixa pra despejar num lugar mais adequado, como uma caçamba de entulho ou na porta da casa da sua ex. É uma merda, mas é genial.

Se é difícil evacuar no banheiro da casa de estranhos, imagine sensação de fazê-lo ao ar livre, sentindo o vento passando no meio do seu cânion invertido e na expectativa de algum desavisado pegar você no momento da concepção?

Argônio no banheiro, pois sou um nerd útil para a sociedade

Por uma ironia do destino, depois que virei autônomo tenho tido MENOS tempo de ver TV. Ainda assim dá tempo de assistir alguns seriados, mas para isso tenho que ajustar o alarme do computador pra não perder a hora.
Lost e House são os que você assiste distribuindo ameaças do tipo “quem puxar conversa agora vai ter fratura exposta”. E também tô viciado em “Ugly Betty”, “Pushing Daisies” e “The Big Bang Theory”.
Esse último é bobinho, mas seiláporque dou risada aos montes, talvez por causa dos diálogos nerds. De qualquer forma, no seriado os caras têm uma cortina de chuveiro com a Tabela Periódica dos Elementos estampada, e eu fiquei fissurado em ter uma! Tem gente que torce o nariz, mas pra quem entendeu um pouco de química no colégio, essa tabela é linda! É matematicamente perfeita, pois os elementos não estão jogadas lá à toa, seguem vários critérios de classificação e possuem dezenas de informações em vários níveis. É como se fosse uma mandala budista feita de macarrão de letrinhas.

Pois bem, não é que tem pra vender? 29 doletas na Amazon. Como se não tiver uma vou urinar na cama, ela vai vir junto com uma leva de livros que tá vindo no mês que vem. Como é bela a fada do cartão de crédito.

Nas últimas semanas comecei a ficar incomodado depois de fazer um teste da Veja pra saber se você é nerd, com ajuda da minha esposa. Respondi “sim” a todas questões que me rotulavam como um, o que me deixou irritado e preocupado, pois sempre associei a figura do nerd ao sujeito que fica mais excitado com equações do que com a Eva Longoria, aquele que sabe explicar o teorema de Fermat mas não sabe pedir uma caneta emprestado de uma garota.
Mas comecei a curtir o Big Bang Theory, e toda vez que o Sheldon aparecia eu falava “putz, eu era que nem esse cara”, da mesma forma quando o Hiro de Heroes aparecia e dizia “putz, eu era que nem esse cara”!Semanas depois, quando fiz o post sobre o Guilherme Briggs, várias pessoas falaram pra acessar o podcast do Jovem Nerd. Nunca fui fã de podcast e entulhar o HD de conversa fiada, mas esse podcast vale a pena. Dou risada de madrugada ouvindo os caras falando das mesmas coisas que eu curto feito criança mimada (detalhe, os caras foram alunos meu amigo ilustrador Marcelo Martinez), e a conclusão caiu na semana passada feito um porco caindo do décimo andar: “Meu Deus, eu AINDA sou nerd!”. Que nem gay enrustido que sai do armário.

Tudo bem, não sou mais um Harry Potter sem poderes que leva caldo (na escola eu era o nerd violento, tipo “bully”, que gostava de bater em nerds mais fracos pra roubar dinheiro de lanche e jogar giz esfarelado dentro dos cofrinhos das meninas.), nem o sujeito seboso que vende gibi nos Simpsons, hoje tenho muito mais eloquência pra conversar em público e virei mais seletivo depois que dispensei Dragon Ball da minha vida, mas ainda é um nerd conservado em barril de carvalho. Mas ainda tenho minha capa de chuva do Mulder no armário, mas não mais o moletom azul de oficial de ciências da Enterprise, que ficou perdido em alguma república nojenta.

Ser nerd hoje em dia é bom, só ajuda muito no meu trabalho que eu faço de consultoria de produtos infantis que eu faço paralelamente à ilustração. E hoje também começo a defender a seguinte premissa: grandes empresas que trabalham com produtos infantis deveriam ter gerentes de marketing ou novos produtos que sejam nerds, que saibam a diferença entre o Glipt e o Glupt, pois quem sabe assim eles consigam entender criações e conceitos divertidos para seus produtos e que precisam arriscar um pouco para criar algo novo, além de só olhar para pesquisas e tabelas que só repetem fórmulas que não deveriam ser repetidas.

Yoga para os olhos

Há algum tempo virou moda livros com imagens esteroscópicas. Eram imagens que pareciam TVs fora do ar que, se você posicionasse seus olhos de maneira correta, conseguiria ver uma outra dimensão e formas pulariam pra fora da página em layers, como se fossem origamis do Homem Sem Sombra. Na verdade, são duas imagens quase idênticas que quando se sobrepõem simulam a sensação de 3D.
Era novidade, mas era também meiaboca. Tinha até um filtro de Photoshop que fazia esse efeito.

Agora o difícil é fazer algo como essa imagem abaixo. Se você olhar de maneira correta, vai ver a cortina do chuveiro em cima, a moçoila no meio e o fundo atrás, coisa de mágica de Harry Potter.

Faz parte de um livro chamado Depth Charge, só de ilusões de ótica, de um (ou uma) ilustrador chamado/a Donnachada Daly

O creme custou uma nota e é uma merda, mas fica muito bem nesse Moleskine que custou U$20

De vez em quando aparecem umas idéias que você até fica com raiva de não ter tido antes, principalmente essas que lidam com manias e obsessões, os meus preferidos.

Kate Bingaman-Burt é consumidora compulsiva, mas faz desse ato que faz pelar o cartão de crédito e esvaziar a carteira algo que é até terapêutico: a moça desenha, de forma bem descompromissada e rabiscativa, tudo, absolutamente tudo que ela compra e posta em seu blog, Obsessive Comsumption, um catálogo do seu patrimônio particular.

O conjunto geral é agradabilíssimo de se olhar.

Para muitos seria desconfortável publicar todas as coisas que compradas (ilustrar um creme para queimaduras de terceiro grau ou um caixão de cachorro geraria especulação e comoção ao mesmo tempo), ao mesmo tempo que dedaria você para seu cunhado, para quem está devendo dinheiro e ficaria sabendo que você anda gastando o dinheiro que não tem em tranqueiras.

O Retrato do Artista Quando Jovem

Visto no blog da revista Flight, cocada em forma de quadrinhos.

O quadrinista Dave postou um desafio em seu blog, desenhar você como adolescente, fazendo algo parecido com o Illustration Friday, que, pra quem não conhece, também coleta ilustrações de vários desenhistas seguindo um tema central. Mais de 300 ilustradores responderam o chamado de Dave e postarem suas visões de quando eram espinhentos, eram cheios de hormônios e tinham ereções até com cachorro molhado. Deu até vontade de fazer uma versão minha aos 18 com uma mochila cheia de Senhor dos Anéis em português de Portugal e camiseta velha cheirando ânus de hiena.

Tem muito lixo no meio, mas se tiver paciência para garimpar, vai encontrar coisas que valem a pena desperdiçar 20 minutos da sua vida que não voltam mais, como a ilustração da Clio Chiang acima.

O Lugar Sagrado que é meu, só meu

poderdomitoHá muitos anos, precisamente nos anos de faculdade, eu li “O Poder do Mito”, de Joseph Campbell. É uma leitura que acho obrigatória pra quem trabalha com criatividade, pois é uma obra quase definitiva que fala sobre a importância do mito, dos arquétipos e dos símbolos na civilização. Vai desde a Bíblia, passando pelas diferentes mitologias até chegar aos super-heróis. É considerado por George Lucas como um dos seus mentores e responsável em parte pela saga.

Recentemente comprei o DVD com o mesmo nome, que é uma entrevista de Joseph Cambpell a Bill Moyers. Novamente surpreende pela quantidade de informação, você assiste os dois discos comendo pipoca numa noite, e se sentindo mais inteligente ao desligar o DVD, ao contrário de uma noitada com “Transformers”. É impossível não ficar com inveja do raciocínio e da eloquência de Campbell, você se sente um primata tentando abrir uma lata de milho perto dele.
Vale a pena cada centavinho gasto nele.

Tem uma parte nesse documentário que achei muito, mas muuito bacana. Nem lembro se ele fala sobre isso no livro, mas audiovisualmente é mais contundente.

Ele fala sobre o conceito do “Lugar Sagrado”. Todo mundo deveria ter um lugar sagrado. É um lugar só dele, onde ele não se preocupa com suas dívidas, com trabalho, com a família, com o nódulo que apareceu no testículo, com nada. Só pra ficar largado com ele mesmo. É o que as esposas chamam de “A Caverna” e ficam putas porque acham que acham que os maridos se isolam pra ver peito e bunda ou ficar no MSN com um cara se fazendo de mulher do outro lado. Mas não é, principalmente para homens esse espaço é uma necessidade.

Para muitos, ficar trancado nesse lugar pode não acontecer nada por algum tempo. Mas depois acontece.

Segundo Campbell (e é a resposta que vinha procurando há algum tempo pra justificar a minha caverna), o que acontece nesse lugar sagrado é a criatividade. Nesse lugar você começa a criar coisas novas, ligações novas, crenças novas. O que Campbell chama de criatividade (e é) também pode ser chamado de interiorização, e é até uma forma de meditação. Indiscutivelmente necessário para publicitários ou ilustradores. Escrevendo desse jeito é uma merda, tem que ver ele falando.

Lugar Sagrado não é lugar pra enfiar TV de plasma, conexão de banda larga pra ver sacanagem mais rápido ou XBox, que aparentemente distraem mas causam torpor, isolamento e alienação. É pra levar livros, brinquedos, papel, caneta, um colchão e um pacote de salgadinhos, ferramentas que ajudam no processo de interiorização.

Ainda segundo ele, na época dos homens das cavernas, o lugar sagrado deles era toda a planície da caça, e era ali que as coisas aconteciam. Hoje tudo foi reduzido a uma garagem oleosa, uma edícula minúscula ou para alguns, somente resta sentar na privada por quinze minutos. O espaço foi diminuindo de maneira conivente como no conto “A Casa Tomada” de Julio Cortázar.

Para os que estavam procurando por uma desculpa pra ter um lugar só seu em casa (e pelamordedeus, isso inclui também as damas e similares) mas tinha medo de causar a impressão de que é porque está de saco cheio da sua ou seu consorte, diga que é uma necessidade criativa e mostre o DVD . Aqui em casa pelo menos funcionou.

Indiana Jones contra o Bafo de Onça

Para os mais rebentos e verdes na vida, bafo de onça era a brincadeira que a gente fazia nos intervalos da escola (que a gente chamava de “recreio”) onde disputávamos figurinhas amontoando-as e tentando virá-las com um tabefe. Era como a gente se divertia sem Playstation na parada.

Também era uma época em que não existia DVD, nem videocassete, tampouco torrent pra baixar. Então quando a gente gostava muito de um filme, ficávamos assistindo várias sessões seguidas (antigamente dava pra fazer isso). E assisti “Caçadores da Arca Perdida” 18 vezes – sim, 18 vezes – durante 8 finais de semana seguidos, dois meses arrepiando a pele quando escutava a música tema.

Juntando A com B:

Com o 4º Indiana Jones chegando com toda sua artrite e gordura lateral charmosa, o ilustrador Patrick Schoenmaker criou uma série cartunizada e muito feliz na escolha do traço de cards colecionáveis para a Topps, uma empresa americana especializada nesse tipo de coisa. Todos os personagens da trilogia, mais alguns objetos e cenas da mitologia. Ele disponibilizou mais modelos de cards em seu blog, é coisa pra fã cortar os pulsos.

Adendo ainda pra Indiana Jones: fiquem de olho na próxima Revista Ilustrar, a número 5, Ricardo Antunes conseguiu a façanha bondesca de entrevistar o mestre ilustrador dos cartazes dos filmes de Spielberg: Drew Struzan, reconhecido por George Lucas como o único ilustrador colecionável do mundo. Some-se a isso John Williams, que fará você soltar lagriminhas quando tiver 80 anos e lembrar das espinhas na testa e na ponta do nariz que tinha aos 14 quando escutar suas trilhas sonoras.

Dobradinhas de mentira do Al Jaffee que dobram de verdade

Dica supercalifragiliexpialidosa da Suzana Elvas, que merece seu peso em ouro e uvas doces sem sementes depois disso.

Já comentei antes e comento de novo que devo a minha carreira de ilustrador aos monstros do Ultra Seven, ao Aragonés e ao Al Jaffee. Sem eles hoje eu estaria fabricando tofu ou parafusando penicos em alguma parte esquecida do Japão como dekassegui.

Pra mostrar que não sou só eu que lambe as bolas de Al Jaffee, o New York Times também o homenageou montando uma seção fantabulosa digna de ser sido inventada pelo Al Jaffee, de tão criativa e inusitada. São dezenas das melhores dobradinhas que ele fez, obras primas de criatividade e engenharia, e que, pasmem e fechem a boca, dobram virtualmente de verdade.

É de causar lagriminha em fã.

Um rolo de fita por uma obra de arte

Essa é para dar uma porrada em quem pensa que precisa usar cachorro faminto ou encher um cubo gigante de esperma pra fazer arte. Nada de instalações que podem ser confundidas com um extintor de incêndio. Aqui, Mark Khaisman prova que pra ser artista é preciso talento, alguma habilidade manual e um olho azeitado para as artes visuais. Ele só usa fita adesiva marrom, daquelas usadas pra fechar caixas de papelão e são bem encardidas de serem retiradas se forem coladas em superfícies lisas, pois deixam um monte de cola de lembrança. Faz tudo em cima de plexiglass, com a ajuda de um estilete bem afiado.


Caras que usam materiais inusitados, e que não sejam escatologicamente escandalosos (leia-se bosta, urina outros líquidos e pastas que ofendem o olfato e visão humana), são sempre bem-vindos como fonte de inspiração, além de esfregar na cara de uns que acham ainda que a ferramenta (ou o programa) é que faz o artista, daqueles que não mexem um dedo se o pincel for Tigre ou se o Adobe CS for 2 e não 3.

Marque sua reunião, mas prefiro minha parte em dinheiro.

Como sou um sujeito com TOC (digite Melvin Udall no Google pra saber o que é TOC), tenho uma tara psicossomática por dados e estatísticas. Anoto todas as reuniões que faço, as datas, quantas pessoas foram, se ela foi produtiva, quanto demorou, quantos malas haviam na sala, essas coisas. Eu marco mais reuniões que a média dos ilustradores, por vários motivos, mais do que gostaria ou que meu tempo permitiria (já tenho até um radar de malas, quando aquele sujeito que nunca te viu já faz piadinhas sobre o Hiro, de “Heroes” não é bom sinal).

Voltando de mais uma fastigante encontro de condutores da propaganda no meio da tarde, eis que chego na minha reunião nº100 em 3 anos como freela, e daí consegui fazer as seguintes estatísticas, que devem repetir com todos aqueles que também tem que sentar a bunda atrás da mesa grande e cara de mármore:

• 87% das reuniões poderiam ter sido resolvidas com um telefonema.
• 71% das reuniões duraram muito mais do que o necessário.
• 58% das reuniões demoraram para engrenar por que alguém resolveu contar um causo ou uma piada no começo.
• 60% das reuniões me deram um chá de cadeira na sala de espera.
• 47% das reuniões geraram um pedido de orçamento.
• 15% das reuniões geraram um job que resultou em pagamento.
• 44% das reuniões tinham mais pessoas do que o necessário.
• 37% das reuniões tinham um sujeito muito mala ou ególatra que só dava opinião jumenta pra mostrar serviço.
• 14% das reuniões geraram briguinhas e discordâncias entre os membros da agência
• 92% das reuniões me ofereceram água e café.
• 90% das reuniões eu recusei água e café.
• 3% das reuniões tinham um chocolate ou salgadinho pra comer.
• 18% das reuniões pediram pizza porque demoraram além da conta.
• 21% das reuniões foram marcadas só pra me conhecer, por curiosidade.
• 0% das reuniões acabaram em sexo.


Nessas reuniões arrastadas que até parece que o tempo passa mais devagar e seu peso aumenta na cadeira é que nasceu o projeto “Indexed”, de Jessica Hagy. Embriagada nos climas bocejantes de reuniões intermináveis, ela começou a rabiscar gráficos e estatísticas esdrúxulas, misturando teoria dos conjuntos com a dinâmica da família durante os jantares de final de ano ou coordenadas gráficos entre horas extras versus comida tranqueira, numa revolta solitária contra a tirania dos que exigem sua presença de maneira imperativa, sem dó nem piedade.

São aquelas idéias simples, mas geniais, que nascem por acaso e sem intenção, como as Tartarugas Ninjas, pra se transformar em algo mais elaborado e com um pouco de planejamento, até rentável.

É a matemática lutando contra o tédio.

A maçã que era alemã

Aproveitando o gancho do lançamento do MacBook Air, que na opinião deste que vos digita ainda prefere os MacBook normais (não me apetesce um notebook com um HD menor que um iPod ), ao invés de encher de glória glória aleluia para a Apple, vou postar aqui algo interessante que saiu no blog Gizmondo, o equivalente do site da Hustler para os geeks e nerds (lá tem mais fotos comparativas chupativas).

Seria mais um caso de design convergente ou alguma coisa foi captada no ar? Dieter Rams foi o designer da Braun nas décadas de 50 e 60, e criou uma série de produtos que podem ser chamadas de sementinhas de maçã. Sementinhas essas que o designer Jonathan Ive fez que fez com queos produtos da Apple tivessem sex appeal.

Na década de 70 você entrava nas lojas Arapuã pra comprar sofá a prestação e lá vendiam produtos da Braun que tinham mesmo um design bem maneiro, e custavam tão caro quanto um iMac. Para os pobres de bolso mas não de espírito restava comprar eletrodomésticos dinossáuricos de outras marcas menos favorecidas esteticamente.

Para os que amam design e têm preguiça de ir até o site, aqui vão os 10 princípios sagrados e visionários de Dieter Rams sobre design. Frisando, isso era na década de 60, quando Apple era apenas sinônimo de manzanas.

• Good design is innovative.
• Good design makes a product useful.
• Good design is aesthetic.
• Good design helps us to understand a product.
• Good design is unobtrusive.
• Good design is honest.
• Good design is durable.
• Good design is consequent to the last detail.
• Good design is concerned with the environment.
• Good design is as little design as possible.

Notinha: tem gente que tá reclamando que não tô postando como deveria. O fato é que quando posto pouco é porque tô com serviço até o pescoço, então paciência que esse mês é pra pegar touro na unha.

Como fazer uma imagem com 30 mil pessoas e uma ilusão de ótica

[img:bONUS.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Na época da Primeira Guerra Mundial, nos EUA, a ameaça de inflação pairava de maneira incômoda feito vendedor das Casas Bahia em seu cangote. O governo criou Bônus de Guerra para serem vendidos aos cidadãos patriotas que não foram pra guerra, na tentativa de tirar um pouco do dinheiro circulante no país e criar mais fundos voltados para o quebra-quebra mundial.

Arthur S. Mole e John D. Thomas fizeram uma série de fotos aéreas utilizando milhares de soldados para formarem símbolos patrióticos americanos, e com essas imagens estimularem a venda de Bônus de Guerra, de acordo com o blog Funcram. É gente pra carvalho!
A foto da Estátua da Liberdade levou 18 mil carinhas e a do escudo 25 mil. É mais gente do que Tupaciguara do Norte. Mais imagens aqui.

Apesar das proporções dignas de João e o pé de feijão, o que me chama a atenção foi que as imagens foram calculadas para compensar a deformarção da perspectiva, você vê o símbolo sem nenhuma alteração.

Esse tipo de técnica chama-se anamorfismo, e tem dois ilustradores atuais que arrebentam: Kurt Wenner e Julian Beever são os panteras de desenho de calçadas e pavimentos, menos em dias de chuva, seus desenhos bem grandinhos parecem que saem pra fora do bueiro.

Kurt Wenner é o mais acadêmico, tem um toque miquelângico em seus desenhos e são mais sérios e detalhados.

Julian Beever é mais pop, mais divertido e ao que parece, soube usar seu trabalho pra fazer campanhas de guerrilha pra grandes empresas.

O desenho abaixo mostra como é uma ilustração anamórfica sem a perspectiva. Esticada como salário de arte finalista pra aguentar o mês.

Pra finalizar o tema “mais gente que a rua 25 de Março na semana do Natal” (frequentá-la nesses dias é apenas para donas de casa Jedi que sabem como se locomover de forma eficaz em um espaço quântico), dois comerciais de cerveja americanos excepcionais, que dão um caldo em criatividade nessa insistência brazuca de associar mulher com pouca roupa e cerveja.
Um da Budweiser, mais novinho, feito para o Superbowl (que é algo como o Miss Universo na Venezuela ou a final da Copa aqui no Brasil).

E outro, mais velhinho, feito para a Heineken.

Na verdade, aproveirtando o gancho de cerveja e desenho, esse aí debaixo é o comercial da Budweiser com os Superamigos usando o conceito Wassup. É sério.

Pra quem não é publicitário e não entendeu necas de pitibiribas, esse comercial é dublado em cima do original, o primeiro e pai de todos, fez um sucesso enorme na terra do Tio George e deu origem a uma pá de versões.

Zogg, a ameaça fofa que vem do espaço

[img:Zoggcover.jpg,thumb,alinhar_esq_caixa]Certa vez, alguém escreveu e ilustrou um daqueles que tinham mensagens tão açucaradas que podiam causar diabetes, com mensagens holísticas de paz, amor e respeito ao Criador, geralmente dados por tias velhas com cheiro rançoso. Tipo, daqueles cheios de lição de moral pra dar, na tentativa de construir o caráter do garoto impúbere que folheasse suas páginas, na esperança dele não virar um apertador de campainha fugidio ou que ele não sujasse sua mente com Playboys ou pior, aquelas revistas suecas cheias de mulheres feias e sexo explícito.

Aí, sabe-se lá que tragédia aconteceu, ou se somente o autor acordou em cima do ovo esquerdo, um dia ele decide pegar aquela obra-prima do brega politicamente correto e transforma em uma cartilha de invasão alienígena. Deliciosa e incorreta.

O livro original chamava-se “The Little Golden Book About God”, ou candidamente traduzido como “O Livro Dourado Sobre Deus”. Vai saber agora se isso é uma lenda urbana da internet ou não, mas ele refez o livro como “The Little Golden Book About Zogg”, um manual de dominância e invasão alienígena, que substituíram as palavras cândidas e com cheiro de lavanda do livro original (no link tem todas as páginas do livro, para deleite de quem sofreu na mão dessas tias).

Ficou bom pra carvalho.
Na verdade, esse livro ficou menos perigoso do que a versão anterior, que podia matar quem o tivesse em suas mãos de tédio ou de encolhimento das funções cerebrais.

Fico devendo o nome do pai dessa pérola do humor negro-brega. Quem souber, dou um vale-chá.

Nessa mesma linha, do foforror, um filme no Youtube transforma “Mary Poppins” em filme da categoria do “Exorcista” usando umas cenas do filme que realmente ficam sinistras com a trilha sonora adequada.

São as maravilhas da edição. Cidade de Deus e 300 de Esparta que o digam.

Belchfire Runabout 313, o carro do Pato Donald

Procurando referências do carro do Pato Donald para um quadro de aquarela que estou fazendo para uma amiga que vai contrair matrimônio em alguns dias, pois ela e o noivo são fãs de quadrinhos, me deparei com mais um exercício criativo preocupado em trazer para o mundo real as traquitanas originárias de Patópolis (Duckburg, em inglês), tal qual o fulano que criou uma maquete da Caixa Forte do Tio Patinhas. É um poster detalhadésimo com todas as estruturas, peças e partes do carro do Pato Donald. (clique pra ver maior).

Alguns garotos passaram a infância desenhando o Mach 5 do Speed Racer, outros carros de Fórmula 1. O carro dos meus sonhos era o todo curvilíneo do Pato Donald, com espaço mequetrefe para levar Huguinho, Zezinho e Luisinho na traseira. Descobri que ele tem nome e data de fabricação: é o modelo Belchfire Runabout 313, criado em 1934. Único dono.

Amodeio muito tudo isso

Designers compulsivos pela simetria inversa, mais um artefato criado para gerar reações opostas e ambivalentes, como no post do capacho de dupla utilidade. É a teoria do Yin e Yang na forma de expressão gráfica.

Essa camiseta emo você dá pra sua namorada quando sua relação anda classificada como “maizumenos”, numa oscilação constante entre o afagar e o esganar, alternando entre dias ruins (aqueles que vocês brigam e cada um fica com um bico do tamanho do beiço da Angelina Jolie) e não tão ruins (aqueles que vocês brigam e transam no final), com uma esperança de temperatura de leite morno de que as coisas ainda dêem certo no final.

Mas aqueles que gostam mais de uma direção de arte paquidérmica e menos sutil, podem trocar a estampa por esta, onde o bem e o mal moram juntos ao mesmo tempo, coisa que acontece a todo tempo no universo real, ao contrário dos religiosos mais fervorosos que acreditam que o mundo só existem dois rótulos, o suficiente pra caber tudo e todos.

Kiki Café

Kiki’s Delivery Service é meu desenho preferido de Miyazaki até hoje. Juntando a paixão pelo desenho com o vício de um bom café espresso de padaria que vende pedaço de pizza, tem-se uma versão 2.0 de “Latte Art”, com desenhos mais precisos do que os modelos anteriores de coração e florzinhas feito a palito de dente.

Eu teria a maior dó de enfiar a boca nessa xícara.

Para aqueles que acham que compram livros demais, o que vocês estão montando é sua Antibiblioteca

[img:Organobook.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Uma coisa agradabilíssima entre o mundinho colorido e surrado dos ilustradores é perceber como nossos amigos do traço têm uma desenvoltura azeitada para escrever (Alarcão, Montalvo, Ricardo Antunes, Shuman, uma pequena amostra indecente dos que escrevem tão bem quanto ilustram). Não posso falar por todos, mas aposto meu Spirit autografado pelo Eisner que todos são apaixonados por livros. Isso torna a cabeça o órgão mais importante para um ilustrador, seguido dos olhos para ver, das mãos para desenhar e da bunda rígida para sentar por horas seguidas.

Muitos, mas muitos mesmo devem passar pelo mesmo dilema que eu: apaixonados por livros, não podem passar na frente da Livraria Cultura para aliviar alguns zeros na conta bancária e ficam acumulando livros e livros que sabem que não vão ler naquele mês ou naquele ano, sempre com a desculpa de deixá-los pra aposentadoria, como se fossem hamsters guardando semente de girassol pro inverno. E o pior, acumulando livros nas prateleiras, formando camadas e camadas em cima e na frente, formando pilhas nos eixos x, y e z da sua casa, com a mulher perguntando “por que não troca no sebo ou vende” e se sentindo ofendido como se chamassem seu cachorro de viado pulguento, e consternado porque ele é mesmo pulguento mas ama mesmo assim, incondicionalmente. Fora a culpa do momento, de estar acumulado florestas dentro de casa, cadáveres de árvores com tinta preta escrita.
E nem adianta sugerir e-books, pdfs ou leitura pelo monitor. Só a Luiza Possi supera o cheiro de um livro recém-comprado.

Para quem sente esse tipo de culpa, tranquilizem-se.[img:Blackswan2.jpg,full,alinhar_dir_caixa]

Comprei um livro chamado “The Black Swan”, de Nassim Nicholas Taleb, que analisa as coisas que julgamos impossíveis de acontecer, como uma baleia entrando mil quilômetros adentro de um rio, dois aviões batendo em seguida no WTC ou um meteoro cair em cima da cabeça de um pré-suicida na verdade acontecem numa frequência mais generosa e sempre tentamos minimizar o fato com um raciocínio lógico porém limitado e estreito.
[img:umbertoeco2.jpg,full,alinhar_esq_caixa]
No livro há um trecho maravilhoso sobre Umberto Eco, mais conhecido pelo “Nome da Rosa” e “Pêndulo de Foucault”, mas pra mim o melhor dele é “Viagem à Irrealidade Cotidiana”. Um pensador de primeira grandeza, que possui uns 30.000 livros em sua biblioteca particular e que admite que não leu a maioria deles!

Eis sua justificativa (traduzida livremente do livro):

O escritor Umberto Eco é proprietário de uma grande biblioteca particular (contendo 30 mil livros), e separa as pessoas que o visitam em duas categorias: Aqueles que reagem com “Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e outros – uma pequeníssima minoria – que entendem que uma biblioteca particular não é um acessório pra levantar o ego do seu proprietário, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros não lidos não são menos importantes do que livros já lidos. A sua biblioteca deve conter mais o que você ainda não sabe do que você já sabe. Você irá acumular mais conhecimento e mais livros à medida que envelhece, e o número crescente de livros não lidos em sua prateleira será ameaçador. Sem dúvida, quanto mais você sabe, maior sua lista de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros como uma antibiblioteca.

Senhores, não sintam mais culpa pelo acúmulo de celulose impregnada com tinta em vossos muquifos. Se Umberto Eco dá a benção e a explicação para tal ato que mais se assemelha a um transtorno obsessivo-compulsivo, quem será o pobre apedeuta que irá contrariá-lo?


Só pra aumentar ainda mais a coceira pra ter mais livros, meu amigo Marcelo Mecchi indicou um site chamado GetAbstract, que é um site só com resenhas de livros (não tem romances, só livros profissionais, como economia, publicidade, lógica, matemática, história). Você assina o site, que é digrátis e eles mandam uma resenha de um livro toda semana em pdf para seu e-mail. Foi assim que conheci o Black Swan. E a resenha é muito mais turbinada que na Amazon. Pra quem gosta desse tipo de livro é um X-Tudo.

A falta que faz um designer gráfico

O que importa é a intenção e a informação, mas tem casos onde a sutileza faz falta. Imagine um dia cair um job na mesa de um designer gráfico pra fazer um projeto de pictogramas ou sinalização sobre diarréia. Ou será que a idéia é chocar e trocar a diarréia pelo vômito?

Cristo, não me deixe espirrar no meio do desenho

Com uma técnica parecida com uma litogravura de Gustave Doré, que ilustrou o Inferno, de Dante, mas com um componente alucinatório duplamente complicado: além de ser ilustrado com uma linha só, foi tudo baseado em movimentos circulares concêntricos. Paciência de monge ilustrador de iluminuras é pouco.
Não há informação de quem seja o ilustrador, apenas os editores, Knowles & Maxim.

Tenham fé, ilustradores.

Creative Commons vira arma nas mãos erradas

[img:Virgin.jpg,full,alinhar_esq_caixa]A Tarsila Kruse, lá de Dublin, na Irlanda, me deu esse toque.

A matéria saiu na Terra.

Resumindo, essa menina foi protagonista de uma campanha publicitária gigantesca feita pela Virgin, na Austrália. Não recebeu um puto, só amolação.

Sua foto estava hospedada no Flickr, onde todas a imagens estão sob licença da Creative Commons. Ou seja, a Virgin ficaria desobrigada a pagar um cachê para a garota e o fotógrafo contanto que os créditos fossem dados. Ao passo que essa campanha geraria uma movimentação monetária acima dos 6 dígitos para a empresa.

Demorou para um caso desses, envolvendo uma grande empresa, aparecesse utilizando qualquer material produzido sob licença da Creative Commons. Para alguns ingênuos e com mentes pueris poderiam pensar “puxa vida, que legal, minha foto vai aparecer em uma campanha nacional, vou ficar famoso!”. Dá dez reau pra ele acordar. Uma empresa que utiliza uma foto sem pagar, sob a desculpa de estar sob licença da Creative Commons, merece uma auditoria pessoal de Ashtaroth. É o ápice da mesquinharia, da falta de ética e da suprema procura pelo lucro.

Já andava rolando umas histórias sobre o uso indiscriminado de imagens sob Creative Commons. Fabricantes de brinquedo na China utilizando modelos e personagens criados por novatos e aspirantes que postaram coisas em diversos álbuns sob licença da Creative Commons para criar brinquedos. Sem dar o devido crédito.

Os mais aspiradores a um mundo melhor podem alegar que é a exceção da regra. Não é, ela é a brecha da regra. Que deve ser consertada se quiser ter o mínimo de credibilidade daqui pra frente.

Sempre perguntaram pra mim o que eu achava do Creative Commons. Como sempre, achava e ainda acho uma idéia bonita mas ainda verde demais para algumas ocorrências que ocorrem no mundo real.
A idéia é idealista, é boa pra quem está ´à procura de divulgação do trabalho. Infelizmente, o uso depende do bom senso de quem utiliza as imagens, ou material cultural, que seja. E aí é que mora o perigo.

O Creative Commons não é lei. Ela não pode ser maior que a lei dos Direitos Autorais, que ruim ou não, é a única segurança de quem vive de produção cultural.
Vejo muita gente se atirando no Creative Commons sem nunca ter lido um contrato ou lido os termos da lei 9610. O que pode ser legal no mundo virtual pode não se encaixar no mundo real.

Gente má intencionada e babando malignamente existe por todos os cantos, em todas as línguas, esperando que algum patinho coloque um desenho bonitinho ou uma foto suspirante para ser utilizada com motivos escusos. Infelizmente essas ações poluem a idéia inicial e um tanto utópica de um universo todo azul e com cheiro de lavanda, onde todos se ajudam, dão os devidos créditos e se abraçam ao por-do-sol. Por experiência própria, somente o autor pode garantir o que é seu direito, através da lei e contratos.

O que claramente se vê por aí é uma diferença grande de raciocínio. Aqueles que dependem de direitos autorais para sobreviver encaram o Creative Commons de uma forma. Aqueles que não dependem disso pra sobreviver, encaram de outra. Simples assim.

O que fazer com a produção cultural de cada um é problema individual. Se quiser postar sob licença da Creative Commons, se quiser colocar sob a lei dos Direitos Autorais, se quiser forrar gaiola de papagaio, o problema é seu, e só seu (talvez do advogado, mas aí não é problema, é trabalho).

Agora, quem quiser saber profundamente o que é Direito Autoral e por que ele é importante para quem vive de arte, ilustração, texto e música, clique nesse site que tem todas as explicações necessárias, em português claro. É um site que fala como é um registro, o que é direito, como fazer para se proteger, o que fazer se foi sacaneado. Acho importantíssimo conhecer como as coisas funcionam legalmente antes de tomar alguma decisão que pode deixar sua boca com um gosto amargo, seja essa decisão feita pelo Creative Commons, seja por não saber ler um contrato e interpretar as leis.

Não vi nenhuma mulher caindo, mas vi que o cafezinho custava 10 centavos.

Há alguns anos eu trabalhei com um diretor de arte espanhol que era uma vesícula biliar em forma de gente, de tão amargo e bilirrubento que era. O leite coalhava em sua mão e as canetinhas de nanquim Rotring secavam só com seu olhar, mesmo as mais grossas.

Ele criava os anúncios e folders com a mesma cara, não importa qual o cliente ou para que finalidade. A justificativa era sempre a mesma: “Idiota, o olho humano SEMPRE vasculha a página da esquerda pra direita e de cima pra baixo.” Então ele criava anúncios que pudessem ser lidos da esquerda pra direita, de cima pra baixo. De panela de pressão a remédio para berne em vacas, era sempre a mesma lógica.

Encontrei um artigo que dá vontade de voltar no tempo e esfregar na cara dele. Como a lógica e bom senso diz, tudo depende do seu referencial.

É um artigo da Michigan Ross School Business (o link vai baixar um arquivo em pdf em inglês, sorry) que mostra um estudo curioso sobre como os olhos se movimentam ao analisar uma imagem, no caso, de uma estranha foto de uma mulher se suicidando com uma dezena de elementos à sua volta, como se fosse um balé congelado estilo Matrix .

Os caminhos feitos pelos globos oculares e o tempo em que eles fixam o olhar em determinados pontos na foto não são os mesmos, variam de pessoa pra pessoa (na foto acima, as trilhas coloridas são os caminhos dos olhos). Muitos fixam o olhar na mulher suicida. Outros nas placas do hotel, tem gente que olha os caras dentro da janela. O artigo em pdf mostra uma pesquisa estatística de quem viu o quê, qual o caminho que os olhos fizeram e em quê eles ficaram olhando por mais tempo.

E acredite, 52% dos entrevistados NÃO viram a mulher caindo numa primeira vista.

Um ótimo ponto pra pensar quando for construir uma composição em uma ilustração. Talvez o óbvio não seja tão óbvio, talvez, se você desenhar uma peituda com um gatinho, este sai ganhando em frequência visual. Geralmente o consenso da pesquisa é, se o objeto principal não está no centro, os olhos ficam meio perdidos.

Em tempo, ao que parece, a foto da mulher caindo é real. Era uma mulher de 35 anos que pulou do 8º andar e um fotógrafo de um jornal de Buffalo tirou a foto, daquelas que se tira uma vez em um milhão.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Mais uma inovada vista no blog Drawn.
Esse é bem prático. No site Sketchcast dá pra adicionar coraçõezinhos melosos na declaração de amor, desenhar algo bem tosco como um personagem Aqua Teen ou desenhar um pinto e ofender alguém por e-mail.
Os bravos que desenham com mouse merecem um lugar reservado no ônibus, porque esse treco fica tosco mesmo desenhando com uma Tablet.

Esse desenho que fiz é uma adivinha-brincadeira, daquelas bem infames que eu vivia fazendo na escola, aporrinhando professores e garotas com ar esnobe, mas um tantinho acessíveis (o suficiente pra mostrar o desenho, fazer a adivinha e levar uma chulapa na cabeça).

Esse Ctulhu baby tá um pouco mais acabado: