A era de ouro do politicamente incorreto

Eu tenho um livro da Disney com historias do Pato Donald e os sobrinhos da época de 40 ou 50, os primeiros que o Carl Barks fez.

Ali, Huguinho, Zezinho e Luizinho não eram os patinhos escoteiros e bem-comportados, mas sim diabos na forma de patinhos. E o interessante é que em várias histórias, quando Pato Donald já ficava de saco cheio e saia correndo com a vara de marmelo pra dar um cacete nos patinhos, os diálogos eram sempre os mesmos: “Vou acabar com suas vidas”, “Vou matá-los”. Hoje em dia é impensável ter o Pato Donald com tendências homicidas.

Antigamente não existiam as travas de hoje do politicamente correto. Tudo era mais, digamos, natural e espontâneo. Cada um podia dizer o que quisesse que não iria preso ou ser processado por uma turba de ofendidos. Hoje, se eu coloco uma lagartixa nas toalhinhas já vem gente dos quatro cantos do país achando que estou fazendo algo nojento.

Mas às vezes aconteciam exageros bizarros, mesmo para os padrões da época.
Os anúncios abaixo dariam tantos arrepios que fariam a espinha sair pra fora do corpo de pais, mulheres, médicos e vegetarianos.
Era uma vez um mundo onde fumar dava status…

..onde crianças atropeladas na rua transmitiam mensagens de segurança…

…bebês se barbeando com lâminas afiadas eram motivo de gracejos…

…e que porcos faziam harakiri sorrindo!!

Olhando assim, até parecia fácil ser publicitário e divertido ser ilustrador naquela época…

Museu dos Espécimes Fantásticos

Inspiração a rodo pra quem curte desenhar monstros e outras criaturas bizarras!

O japonês Hajime Emoto criou o “Museu dos Espécimes Fantásticos”. Lá estão suas esculturas de animais estranhos, como aparência seca e arreganhada, como se estivessem mortos há anos. A aparência um tanto desidratada, com um quê taxidermizado, é perfeito pra fazer a imaginação ganhar asas. Ele não mostra detalhes, apenas insinua estruturas e formatos de corpos, é natural que você fique tentado a imaginar como eram essas coisas quando estavam vivas.

Prato cheio pra quem curte zoologia. Ou criptozoologia.

O site está todo em kanji, e meu kanji é ralo como sopa de creche. Então a dica é clicar em todos os links embaixo das numerações, que representam as salas do museu, pra ver o que dá. Nem sei se esse museu é virtual ou real. Quem souber ler japonês, pode dar um help.


Quer mais inspiração pra sua mente ficar mais distorcida?

Juan Cabana faz algo parecido com Emoto, mas ele é mais temático. Só trabalha com sereias e outros seres marinhos. Pois é, até nisso a gente tem que se especializar.

O acabamento não é tão bom, mas as fotos também estão mais nítidas. Também servem pra dar uma turbinada no inconsciente criativo.

A sereia Feejee, que dá o nome pro seu site, é uma das criatuas mais “carne-de-vaca” em freakshows, circo de horrores e lendas de marinheiros que capturaram esse bicho nas redes de pescas. Desde o século 19, P.T. Barnum, criador do Ringling Brothers, colocou uma sereia dessas em seu circo, e depois vieram as imitações aos caixote.


O visual desses monstros lembra muito os livros e as criaturas de H. P. Lovecraft, principalmente os Contos de Ctulhu. Dá até pra sentir o cheiro.

Por fim, mais uma fusão de biologia com arte, mas dessa vez vem de um brasileiro, e é muito bom!
Já havia visto o trabalho do Walmor Correa na Superinteressante, mas algum maldito parido pegou a revista emprestado e não devolveu. Só agora consegui o link pro seu site.

Walmor Correa é amante de biologia e se formou em arquitetura. Meio parecido comigo. Seu trabalho é bem rico de detalhes, é como as pranchas antigas de naturalistas, repleto de detalhes anatômicos e funcionais de seres fantásticos do folclore brasileiro.


Na faculdade, dissecar um rato branco já despertava meus instintos mais primitivos, imagine o que não faria com meus nervos se tivesse que dissecar um Curupira? Chama o Grisson!

Tenho pensado em fazer um outro blog só com essas coisas bizarras, que iriam virar uma toalhinha de bandeja, mas cadê o tempo pra isso?

Geometria alienígena

Há anos pesquiso, escrevo e ilustro as toalhinhas de bandeja do McDonald’s. Já tenho uma curiosidade natural, que é o que me motiva a fazer esse trabalho, mas também sou meio mórbido com coisas que são inexplicáveis, mas não significa que eu acredito nelas. Acho sim que são fascinantes, justamente por não serem coisas comuns. Odeio coisas comuns e óbvias, como pãozinho com manteiga ou cantar parabéns pra você no aniversário.

Adoro exceções. Animais estranhos, gente estranha, doenças estranhas, comidas estranhas. Eu mesmo sempre me achei uma exceção, tipo daqueles que achava que foi trocado no berçário ou que tinha o coração no lado direito do corpo, com a circulação de sangue invertida.

Lembro até hoje quando era moleque e arrepiei até os pelinhos da nuca quando divulgaram a foto do rosto de Marte na TV em preto-e-branco (que milagrosamente vai estar na próxima toalhinha de bandeja do McDonald’s).


Agora pedir pra acreditar que essas coisas existem ou são obras de alienígenas, espíritos monstros esquecidos pelo tempo é outra história. Já fui mas crédulo, mas era mais ingênuo e puro como um coelhinho branco.
Não curto aqueles que tentam dar uma explicação pra isso, gente que venera OVNIs e espíritos e tem mais convívio social com gente de pele verde do que gente de pele rosada.

Vejam o caso dos chamados “Crop Circles”, desenhos que surgem em plantações no mundo todo, assunto do filme “Sinais”, que eu curto muito. Não sei a explicação como são feitos, ou quem os fazem, mas Continue reading

Fadinhas Mortinhas e o Pintor Assassino

Fadas costumam ser relacionadas com coisas de meninas, como tesourinhas sem ponta e cubinhos de açúcar coloridos. Para alguém amargo como eu, são como moscas que brilham no escuro, ou micro-adolescentes com asas procurando gastar os hormônios em orgias que cabem numa caixa de fósforo.

Por isso foi legar ver essa mistura de Sininho com C.S.I. (pois múmia de fada é coisa pra arrancar a alicate a infância de qualquer menininha):


São fotos tiradas deste site. E antes que algum desavisado ou alguém cuja vida está tão ruim que precisa acreditar em algo fora da Terra, isso é uma paródia, escrita num tom parecido com os textos de Charles Fort.

Existe um livro famosos com ilustrações aquareladas sobre fadas, chamado “Lady Cottington’s Fairy Album”, bem açucarado, de Brian Froud (Froud?).

Em contraponto, ele chamou Terry Jones, do grupo inglês Monty Pythom e criou um outro livro – esse sim mais divertido – chamado “Lady Cottington’s Pressed Fairy Book”. São fadinhas que foram prensadas em um livro enquanto voavam, soltando “creminho” pelos lados da mesma maneira quando você pisa numa barata.


Fraudes fotográficas e fadas andam de mãos dadas desde o século XIX. São famosas as fotos autenticadas pelo Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, de uma menina, Lady Cottingley, cercadas de fadinhas dançantes. Daí é a prova da evolução do homem, pelo menos no lado da percepção visual, porque é obvio que são recortes de papel. Se Photoshop fosse um gato, jogaria terra em cima dessas fotos, hoje em dia.

Na época dessa foto, na era Vitoriana, existia um glamour em relação às fadas. É comum vê-las em ilustrações desse período e em artes no estilo Art Noveau. Agora, o que eu não sabia é que existia uma relação íntima entre as fadas e os ideais vitorianos com fortes influências por filosoficas teosóficas e pela Maçonaria.

E um dos pintores de fadas vitorianos dessa época foi um sujeito com cara de poucos amigos chamados Richard Dadd.

Seu quadro mais famoso é Titania Sleeping:

Dadd era considerado um pintor mediano , mas foi um exímio assassino. Matou seu pai com uma navalha e esquartejou-o como um açougueiro. Na França tentou matar um turista, mas foi preso, em 1817.
Ele tinha uma lista das pessoas que deveriam morrer, o que o faz o primeiro pintor-quase-serial-killer da história.

Imagina se essa moda de fazer lista odiosa pega entre ilustradores?

A reencarnação de um ilustrador

Ilustradores! Vocês pensam que ao morrer poderão descansar de fazer ilustrações e ficarem até tarde da madrugada rabiscando freneticamente? Vocês poderão ter o privilégio de continuarem trabalhando mesmo depois de mortos com essa idéia:

Olhem pra esse lápis.

Ele já foi uma pessoa!!

Ele foi cremado e suas cinzas se tansformaram no grafite!!
Segundo a criadora do projeto, a artista plástica Nardine Jarvis, dá pra fazer 240 lápis com as cinzas de uma pessoa!
Não é o máximo?
Você morre, é cremado, e ainda pode ser vendido como recordação, ou sua mulher pode dar você como lápis para aquele cliente ranzinza! Ou você como lápis pode virar uma belíssima ilustração na mão de outro ilustrador! Com 240 lápis, você tem chances de virar apoio pra uma plantinha meio capenga, ou acabar esquecido numa caixa registradora vagabunda de uma padaria sebenta. As possibilidades são infinitas!

Eu quero virar um lápis grafite 6B porque já fui muito duro em minha vida. E dêem um lápis meu pra Ana Hickmann ou pra Fernanda Lima, vai que elas sejam uma dessas que tem mania de morder ponta de lápis…nham!

Numa época onde todo mundo precisa de consciência ecológica, isso é o cúmulo da reciclagem!

O projeto de Nardine Jarvis é justamente como reutilizar as cinzas de cremação, sabiamente chamado “Projeto Post Morten”.

Agora, se você não gostou de ser um lápis, você pode ser uma….casinha de passarinho! Também feito de cinzas.

Se seu karma for pesado, só vai ter corvo pousando nele.

Plantanimais (e um tributo a Margareth Mee)

Alguns amigos meus da faculdade de Biologia me enviaram esse vídeo do Youtube. É uma interessante viagem na maionese de plantas com estruturas animais e metálicas. Lembra um pouco o conceito de “After Man” com enfoque botânico.

Um incentivinho pra estimular a criatividade. Mas nada melhor do que a própria natureza. Garanto que se você cortar um botão de flor na transversal, vai encontrar tanta inspiração quanto esse filminho, com a vantagem de ser real.

A gente fala muito de ilustrações pro mercado editorial, pra propaganda, desenho de graça pra safado, desenho técnico pra montar móveis de casa, mas pouca gente conhece o mundo das ilustrações botânicas (e zoológicas também) acadêmicas. São ilustrações feitas por pessoas que possuem um mínimo de conhecimento de biologia (na maioria são biólogos ou ex-biólogos como eu, que se não tivesse esbarrado em certas pessoas estaria fazendo isso hoje). Em botânica existe um estudo de classificação de plantas (família, gênero e espécie) chamado Taxonomia. Por exemplo, quando você come um tomate, na verdade tá comendo uma solanácea, samambaia e avenca são pteridófitas que dão em serra. Pepino e melão são parentes, cucurbitáceas. Aprendi a reconhecer as plantas do jardim só de olhar pras flores graças ao Joly, que é um livro do tamanho de um baldinho que ensina a classificação das plantas brasileiras e era ítem obrigatório na faculdade.

E a classificação vegetal se dá pelo número de pétalas, desenho da folha, estruturas sexuais, coisas de fácil identificação externa, mas tem que ter paciência pra ficar contando e analisando estruturazinhas, não é coisa pra quem gosta de desenhar caminhão e robô gigante.

A ilustração botânica documenta esse tipo de estruturas, mostra a planta como um todo e ainda consegue ficar bonita! A maioria ilustra com nanquim, bico de pena e aquarela. É técnico, mas também é uma obra de arte.

E a maior dama desse tipo de arte é Margareth Mee. Nasceu na Inglaterra, se apaixonou pela natureza do Brasil e morreu em 1988.

Não dá vontade de enrolar num cobertor e levá-la pra casa?

Foi a maior aquarelista botânica da nossa época. Tive o prazer de conhecê-la (ou melhor, de vê-la, porque nem conversei com ela, só a vi à distância) quando ela foi visitar a editora Três, onde comecei a trabalhar. Era uma verdadeira lady, uma dama que vivia com um caderno de rascunhos e aquarelas. Falava mansinho, e carregava além do caderno, uma bolsinha com uns saquinhos de chás.

Pena que eu era moleque e demente, não aproveitei o que deveria daquele momento, já que eu só descobri a importância de Margareth Mee uns dois ou três anos depois.



Margareth Mee era como um Hirschfeld de saias, ilustrou até o final da vida com paixão. É o tipo de ilustração que a gente, que sempre trabalha de forma a agradar o cliente ou com um cálculo envolvido, não se encaixa. São aquelas ilustrações que duram centenas de anos e ainda continuam a arrepiar os cabelos.

Detalhe, sem computador, só na munheca.

Hoje existe uma fundação que leva seu nome. A Fundação Margareth Mee procura educar e formar ilustradores botânicos pra levar adiante o que seu trabalho.

De novo, tudo o que ela conseguiu fazer é de arrepiar os cabelos.

Engrish

A Petra me indicou um site só sobre Engrish – a maneira doída e impertinente que orientais escrevem em inglês.

Pode-se alegar que um japonês, chinês ou coreano que escreva errado em inglês possa ser ignorância – e é na maioria das vezes. Mas já vi erros crassos de inglês em avisos no prédio da Sony, no Japão, ou em capas de estepes de Suzuki Vitara, ou seja, erro de peixe grande.

A grande verdade é que orientais não possuem domínio fluente sobre caracteres romanos, a mente deles é formatada pra escrever e ler em ideogramas, acho que existe um nó na bainha de mielina dos neurônios deles que dão tilt de vez em quando.

Mas o problema não é só a ortografia ou a gramática que é punível, mas a construção das frases é a mais brega, melosa e enfadonha possível, coisa de redação de colegial.

Acho que eles devem pensar a mesma coisa de nós, que tatuamos ideogramas bizarros nas costas, vestimos camisetas achando que está escrito “amor” mas na verdade o ideograma é de “enfarte fulminante” ou compramos quadros de ideogramas escritos “Esquerda” pensando ser ideogramas de “Paz”.

Esse post é um complemento do post “Oookimochi” onde mostrava o bizarro mundo dos títulos pornôs japoneses.


Cebolinha falando “refresh”…

Almas que não estão à venda….

Tomar café pelado é um hábito secular, quequiéisso….

Esse proíbe masturbação em público…

Sem comentários.

Ver para crer

Mais um pra série “Ilustrações pra mostrar no culto”.

Vai pro Marcelo Martinez, que ficou frustrado com o dragão, porque o dele não funciona.

Olhe pra imagem abaixo (pode clicar pra ficar maior, o espanto também aumenta).
A face raivosa tá na esquerda e a calma na direita.

Agora afaste-se do monitor lentamente e você vai ver que elas vão trocar de lugar!! Ungaublich!!

Se você ficou com medinho, então veja esta que é mais comportada.

Acredita que o quadrado A e o quadrado B são da mesma cor?

Se um ilustrador não pode mais acreditar em seus olhos, o que resta para ele??

Taí a prova. Tudo ilusão de ótica, amiguinho.

Cobradores podem ser pintores

Já repararam que todo cobrador de ônibus (pelo menos na minha época) tinham sempre a unha do mindinho mais comprida? Diziam que era mais fácil separar dinheiro, mas eu, moleque que sempre ficava no banco de trás do ônibus, o que sempre via é que eles usavam aquela extensão nojenta do dedo para tirar cera de ouvido. Credo.

Essa daqui eu vi hoje no UOL.

É legal pra você que acha que tá na merda porque não tem dinheiro pra comprar um pincel melhor que seu Tigre com cerdas de piaçava, ou você que não consegue trabalhar se não tiver um Talens pelo de marta nº 10 lambido com destreza pra trabalhar.

Olhem só que beleza de unha. Esse se não tiver cuidado tira até a cóclea, martelo e estribo do ouvido quando tirar cera de lá.

Como hoje eu tô cansado, vou colar e pestapar a legenda da foto:
“Artista indiano Nangaji Bhati, 45, usa sua unha de 12 cm para pintar quadro em Ahmedabad”

Amanhã eu posto algo melhor do que isso.
Ainda tenho um camundongo pra matar.

Instruções pra fazer número 2

Qual a primeira coisa que você faz quando chega em um país diferente?
Vai no banheiro do aeroporto. Como todo cachorro macho safado, quer deixar sua marca química provando que passou por lá.

Fazer número 2 é um ato tão particular e íntimo que nem pensamos como seria fazer numa situação sem uma porcelana por perto pra castigar (os que já passaram por essa experiência podem dizer que foi, no mínimo, marcante).

Conheço uma história de um sujeito que teve uma crise de diarréia em Paris e foi se aliviar num canto escuro, e com a ajuda dos amigos (muitos amigos), conseguiu se limpar com bilhetes de metrô(!!!). Como não são macios como papel Primavera, deve ter machucado todo a região onde o sol não bate. Foi a pé pra casa, porque a condução acabou na merda.

Eis que há muito tempo havia guardado essas imagens, não na esperança de usá-las nas toalhinhas de bandeja, mas achando que um dia elas seriam úteis. Naquela época não existiam blogs, então foi um feeling providencial.

Quem fizer número 2 na Indonésia não deve trepar na privada (no oriente é comum fazer número 2 agachado, ai meus joelhos).

Essa daí é uma versão hindu de como castigar a porcelana e manter a higiene no reto.
Fica aqui a dica pra designers criarem instruções melhores e mais gráficas do que isso.

Essa instrução deve ser para pais muito, muito, muito novatos. Quer emoção maior do que enfiar a mão pra ver se o pimpolho soltou os excretas? Nem pular de bungee jump deve dar tanta adrenalina.

São instruções que pra gente parece ser óbvio, mas tem que ver pra que povos elas são dirigidas.
Nem todo mundo tem TV a cabo, Nintendo Wii e papel higiênico em rolo em casa.

Para os machistas, tem esse:

Para que ensinar o complexo se ainda existe o óbvio a ser absorvido?

A Lenda do Quadro do Diabo

Eis que por acaso, devido ao tópico sobre pinturas em veludo negro, algumas almas gentis vindas de Portugal me escreveram informando mais sobre quadros de crianças chorando. Parece que eles foram muito, muito populares nas terrinhas de Cabral, mais até que no Brasil. Toda casa tinha um, era um ítem de decoração obrigatório como um galo de Barcelos ou paliteiro de porcelana.

É impossível falar desses quadros sem falar da fama horrorenda que os cerca. Graças aos correspondentes de Portugal, essa história ficou mais evidente. Fiquei curioso e procurei através dos links que eles me enviaram (são vários) como seria o danado do quadro amaldiçoado pra postar aqui.

E qual não foi minha surpresa em descobrir que TODOS os quadros de criança chorando são considerados do mal? Que todos os quadros com crianças chorando trazem tragédias pra casa, que trazem doenças e o diabo dança na mesa de jantar…essa lenda urbana não é brasileira, ela é comum em todos os países latinos e alguns outros da Europa, como Holanda e República Tcheca.

Todos eles dizem que se virar o quadro ao contrário, olhar a imagem em um espelho ou mesmo procurar atentamente você vai encontrar a cara do chifrudo!

Não é o que diz o ditado? Que o diabo mora nos detalhes? Hahaha!

Imaginem! Pintores fazendo pacto com o diabo! E pensava que a gente só fazia isso quando negociava valor de uma ilustração com o diabo do editor ou do art buyer.

A lenda urbana completa dizia que o Quadro do Menino Chorando, quando virado ao contrário, surgia a imagem do Continue reading

Xixi Cocô Cuti-Cuti

Senhores, contemplem!

Minha amiga com nome de homem Juca mandou isso pra colocar no blog. O horror, o horror!
Quando o aquecimento global parecia ser o resultado máximo da demência do homem, eis que surge outro que consegue algo que nem Hyeronimus Bosch pensaria! Mascotes de Xixi e Cocô!

Pee e Poo, seus amiguinhos nº1 e nº2!!

O que leva um ser humano a humanizar seus dejetos mais abjetos?
É uma idéia do caralho!!
Chego a chutar meu cachorro de raiva por não ter pensado primeiro nisso.

Eles são vendidos no site, além de outros produtos fofentos (fofos + nojentos).

Será que eles são perfumados?
Oliviero Toscani já tentou fazer arte numa série de fotos de fezes pra Benetton, justificando que nenhuma merda era igual a outra e isso caracterizava identidade e personalidade. Mas merda por merda qualquer um faz, o difícil é fazer uma merda bonita. E um xixi também.

Na verdade, esses amiguinhos de privada devem fazer parte de um conceito chamado “toy art”, brinquedos mais artísticos dirigidos para um público menos infantil (e não mais adulto), que faz a festa de 10 entre 10 designers e diretores de arte pra colocar em cima do computador, de preferência um mac, e completar o ar de modernidade que a barbichinha ou o piercing começou.

Eles são inocentinhos, mas têm um toque de transgressão. Se você colar uma estampa na camiseta de uma Barbie escrito “Eu não sou lésbica, mas minha namorada é!”, você já tem um toy art.

O bom é que é um nicho novo de trabalho para ilustradores que conseguem ter o nome um pouco mais projetado, como Jon Beinart, Tim Biskup, Will Sweeney e o italiano criador dos Tokidoki, cujo nome ainda não sei, no sentido horário:

Hummm, me deu uma idéia de fazer uma série toy art do Homem-Maravilhoso ….

P.S: Se não sabem quem é Hieronymus Bosch, aqui vai um detalhe de um dos seus quadros:

Ele fazia toalhinhas de bandeja esquizofrênicas.

O Arquivo X do século XIX

“Chuva de sapos em Essex, em 1880.”
“Encontradas em uma caverna duas crianças com pele verde e falavam uma língua desconhecida em Cherbourg, em 1878″
“Moscas negras do tamanho da palma da mão caem mortas aos milhares em Chelsea, 1877″

Eu criei há alguns anos uma toalhinha de bandeja sobre esses fatos bizarros, que nunca foi aprovada. Era basicamente sobre o trabalho de um cara.

No final do século XIX, existiu um homem franzino chamado Charles Fort.
O que ele fazia era bem simples, mas era o único na época.

Ele recortava e colecionava notícias sobre fenômenos estranhos e bizarros em jornais dos EUA e Europa.

Ele escreveu quatro livros com as compilações do que ele guardou (The Book of the Damned, Lo, Wild Talents e New Lands, sendo que apenas o Livro dos Danados foi publicado no Brasil).
A edição abaixo é uma compilação dos 4 livros juntos. É bem grosso, mas você lê num instante.

São mais de mil relatos de casos que vão desde as prosaicas luzes no céu até casos muito interessantes, como uma nuvem que não saiu de cima de uma árvore durante dias, ou telescópios que flagaram uma revoada de anjos voando como uma nuvem de gafanhotos no Rio de Janeiro ou uma bizarra caverna com dezenas de minúsculos caixões em estados de conservação que variavam do mais recentes aos que se esfacelavam pela idade.

Ele ficou conhecido mais pelos relatos de chuvas estranhas. Chuvas de sapo, chuvas de sangue, de carne, chuva negra, chuva de peixes e até de cadáveres, como uma que aconteceu em Portugal por causa do grande terremoto.

Os casos são tão variados que parecem mini-episódios de Arquivo X. Seus textos são fascinantes, porque ele relata o fenômeno, põe em cheque algumas informações ao mesmo tempo que deixa uma ponta de admiração. E sempre tem um mistério, porque ele nunca chega a conclusão alguma. Parece que existe um clima dos contos de H.P. Lovecraft em seus textos.

Muita coisa do que ele relata vem da ignorância científica do começo do século passado, e hoje seriam facilmente catalogadas como fenômenos naturais. Sabe-se hoje a explicação das chuvas de sapos e peixes, assim como dezenas de outros casos relatados no livro.

Mas às favas a explicação racional, o que fascina ainda é o mistério, ou a sensação do mistério que ele deixa nos livros. Se não fosse isso, Arquivo X e Lost não fariam tanto sucesso.

Aos Navegantes de Explorer

Essa garrafa expressa o que sinto pelos problemas informáticos alheios que me são causados.

Quem usa o Explorer vai ver que os posts estão indo lá embaixo. Isso não acontece com os outros navegadores, e só tá acontecendo em PCs, pelo menos até agora.

Já pedi explicações pra Locaweb, mas parece que o problema vem do navegador mesmo.

Vamos esperar pra ver como é que fica.

O Manuscrito Voynich

Esqueçam o Código da Vinci.

Apresento-lhes um dos livros mais estranhos do mundo: O Manuscrito Voynich.

Tentei colocar essa informação numa toalhinha de bandeja, mas foi cortada sem dó.

O Manuscrito Voynich é um livro escrito por volta do ano 1200, não se sabe exatamente por quem. Foi encontrado por acaso por um russo chamado Voynich (é isso mesmo, Voynich é quem descobriu o livro, e não quem o escreveu).

O livro foi escrito numa língua estranha, com um alfabeto misterioso, recheado de ilustrações de animais, plantas, constelações e pessoas estranhas. Muito bizarro.

Ninguém até hoje conseguiu decifrar os códigos pictóricos do livro.

Tem gente que acredita em teorias extraterrestres ou extradimensionais. Ou foi algum abade ilustrador de iluminuras (ilustrações góticas de livros antigos, vejam “O Nome da Rosa”), num arroubo de humor e criatividade medieval, deu pra escrever um livro sem pé nem cabeça mesmo. Ou alquimistas que escreveram em livros seus pontos de vista do lado da transmutação.

Adoro essas aberrações estatísticas, coisas que fogem do padrão. Tomando emprestado as palavras do Dr. House: “This is an anomaly. I love anomalies”.