O tempo que o tempo te dá é o tempo que tem que dar pra dar tempo de fazer tudo o que deveria ser feito.

Não sou o Hiro Nakamura, que consegue manipular o tempo, mas o anti Hiro, aquele que é manipulado pelo tempo e faz dele um capacho, um escravo masoquista que pede para ser chicoteado pelos ponteiros do relógio.

Passados dois meses, terminei a mudança – terminar é eufemismo, já que convivo com mais caixas de papelão em casa do que carroceiro no final do dia na Faria Lima – morando no pior prédio com o melhor apartamento que poderia escolher (quem projetou a garagem daqui devia feder a enxofre, de tão apertada e porcamente desenhada) e após uma maratona de palestras, aulas e a entrega de alguns trabalhos ginórmicos, eis que volto novamente para este blog. Como diz o ditado popular, pelo menos o que vale é a intenção, e é intenção minha voltar com o blog normalmente agora que consigo domar um pouquinho mais o tempo.

Não é só com o blog que estou em dívida, também tô atrasado como menstruação de grávida com meu calendário de 2011, com meus projetos pessoais, incluindo aí higiene pessoal. E pra piorar, ou melhorar, dependendo de qual ponto de vista você assume, o remédio regulador de sono também funcionou, ou seja, agora eu durmo todos os dias, 7 horas por dia. E com isso eu volto a ter o prazer de conseguir lembrar coisas.

Tanta coisa se passou em dois meses e eu não documentei aqui. Nada sobre o livro Sketchbooks, nada sobre o fantabuloso Baião Ilustrado, que aconteceu em Fortaleza, nem um pio sobre o assombro de talento do Assis, o 3D Studio humano, nem sobre meus livros, nem sobre o IlustraBrasil 7 no Rio…mas que tem assunto retroativo, isso tem. Em português claro, não falei mas vou falar.

Como já prometi várias vezes que eu iria retomar o blog e não consegui, não vai ser desta vez que vai ter outra promessa, até por que promessa é dívida, e dinheiro é algo que é raro como galinhas com mamilos nesse momento. Mas prometer que vou tentar, isso eu posso.

E o desenho que ilustra esse post “mea culpa” é uma palhinha da próxima lâmina de bandeja do McDonald’s.

Queimando as pestanas

Estou voltando depois de um tempo fora do ar. Espero que agora eu retome as minhas funções normais, sejam elas profissionais ou fisiológicas.

Durante mais de 20 anos eu dormi entre 4 a 5 horas por dia. Achava que dormir era supérfluo, acreditava nas palavras de Napoleão de que um tolo precisa de 8 horas de sono, achava que era um tipo de poder mutante que me permitia trabalhar mais do que a média dos humanos mortais, me dava uma soberba presunçosa achando que isso poderia se manter para sempre e produzindo mais do que máquina de fazer linguiça.

Some-se a isso 16 anos de stress paquidérmico trabalhando como diretor de arte, dentre eles também como responsável pelo departamento infantil do McDonald’s, lidandocom todo tipo de criatura de sangue quente e frio. Coisa de trabalhar todo dia até as 3 ou 4 da manhã, voltar pra casa, passar uma águinha no rego e voltar pro batente as 11 da manhã, lidando com 4 ou 5 jobs ao mesmo tempo. Às vezes o clima era tão pesado que dava pra cortar o ar com uma faca.

Mesmo quando me tornei ilustrador freelancer, há 5 anos atrás, eu achava que estava dando um upgrade no estilo de vida. Mais falso que nota de 30. Embora tenho redescoberto a verdadeira vocação, levei todo o jeito estabanado e exagerado de trabalhar pra casa. Some-se o prazer que a ilustração me dá, disfarçando o cansaço e diminuindo ainda mais as horas de sono em troca dessa libido artística e aí você se vê trabalhando ainda mais do que antes.

Some-se ainda nos últimos meses mais stress de tamanho jurássico vindo de divórcio, problemas com a construtora do apartamento, descoberta do glaucoma e você dorme menos ainda. Todo o tempo do mundo não é suficiente pra fazer as coisas, duas mãos e dez dedos também não. O cérebro pode virar uma pasta que depois ele se recupera, assim eu pensava.

No final, eu tive um desequilíbrio químico no cérebro. O stress constante durante anos somado à falta de dormir me deram de presente uma coisa chamada Síndrome de Burnout. No final, ou eu dormiria 8 horas por dia ou seria candidato a aparecer naquele programa safado “Intervenção”. Nada que feijõezinhos mágicos com tarja vermelha que fazem “Boa noite Cinderela” instantâneo por 8 horas não resolvam.

Nesse período de conserto, quase tudo o que era secundário ficou de fora (em outras palavras, tudo o que não era trabalho). Isso incluia o blog e as Fast Girls.
Agora que as coisas estão se equilibrando novamente, acho que consigo recuperar tudo isso aos poucos. Principalmente o blog, que tadinho, deixei de lado mesmo com uma coceira danada nos dedos, já que eu curto escrever tanto quanto desenhar.

Retomei as Fast Girls há algumas semanas, mas vou apresentá-las de uma vez só por um motivo específico, em breve elas surgirão fresquinhas e curvosas.

Para aqueles que eu deixei na mão por conta da diminuição da atividade temporária, minhas desculpas e minhas condolências. Prometo passar uma fita silvertape pra consertar tudo isso.

Sintonia fina em andamento

Alguns probleminhas nesse blog novo ainda não foram solucionados, como os posts de 2007 pra trás sem imagens e a frase “Revista Ilustrar, my friend” que aparece em alguns feeds de posts antigos.
É como carro zero, tem que amaciar, mas logo espero que tudo isso esteja resolvido.

Bem vindos à casa nova

Depois de uma semana preparando a transferência do blog, finalmente agora dá pra abrir a casa pra visita.
Bunny
Nada muito elaborado, nada muito bonitérrimo, mas simples e funcional. E sacrificando um bode e uma virgem pra dar certo, esperamos que os engasgos vespertinos não aconteçam mais. O redirecionamento automático do blog deve demorar mais um ou dois dias. Enquanto isso, tentarei tirar o atraso com as Fast Girls e outros posts. Epa.

Enjoy the joy

Desenha que melhora

O pessoal do blog Massa Cultural postou um vídeo, que na verdade era uma entrevista que vinha encartada na revista Mac + Portfólio há 2 anos atrás, e que eu não sabia que já estava rolando livre leve e solta na net. Esse video foi postado bem antes pelo Maurício Campos, da Commo Design.

Hiro Kawahara – Entrevista from Mauricio Campos – COMMO design on Vimeo.

Caras, como 2 anos fazem diferença!
Eu lembro que a Cintiq ainda cheirava estofamento novo de carro de tão novinha, ainda trabalhava num cubículo ridículo de pequeno e ainda estava aprendendo a andar como ilustrador autônomo. Tem até o Bisteca, carente canino de plantão, roubando a cena. E caso não tenham reparado, tô ali saindo de uma gripe chupando nariz feito moleque sem lenço.

A flamenca era pra sair no IlustraBrasil 4 – e a gente tá na edição 6 – e o nervosismo de desenhar na frente da câmera em poucos minutos era de enxer a bexiga e pedir pra ir no banheiro. Hoje a mesma situação eu tiro da frente até que maneira facinha. Nada como a prática.

Mas o que causa um pouco de vergonha alheia é a qualidade do traço – graças ao sketchbook, dois anos rabiscando todo santo dia no caderninho (coisa que não fazia naquela época) – a qualidade do traço solto, rapidinho, deu uma levantada de uns 10 níveis pra cima, se fosse um videogame.

Como agora mais do que nunca tô investindo nos sketches, no aprendizado e no treino, espero que daqui a 2 anos o traço tenha subido ainda mais de nível. As meninas rapidinhas têm minha benção nesse processo.

Só uma questão de crédito – quem me entrevistou na época foi o Heinar Maracy e a equipe destemida deste.

Santa Maria, Curitiba, São Paulo

Setembro vai ser mês porreta, é palestra a dar com o pau!!
teacher
Dia 4 de setembro vou subir no palanque para verborragizar sobre esta pessoa que vive para servir de desenhar em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no evento R Design da Federal Santa Maria.

Dia 25 vou estar palestrando em Curitiba, no evento Charneira 09, da PUC do Paraná.

Em São Paulo vai ser no dia 24 de setembro, mas tem que ler no próximo post pra saber os detalhes.

Banca de Quadrinhos et moi

Semana retrasada fui entrevistado pelo pessoal da Banca de Quadrinhos, com a hermosa Daiane como o rosto e voz do programa.
O programa sai na TV São Paulo, canal 36 da TVA às quartas, 20h30. Mas quem quiser ver a entrevista, ela está disponível aqui, no site e blog da Banca dos Quadrinhos. Não, dessa vez não falei pela enésima vez a história do repolho (vou começar a dar uma de Coringa e inventar uma história nova a cada entrevista).

E essa foi a ilustração que foi no final da entrevista. A fadinha dos quadrinhos foi feita em aquarela quase em speed drawing, acho que levou só uns 20 minutos pra terminar. A pressão de uma lente negra latejante arfando nas suas costas enquanto desenha é bastante intimidante.

Para complementar, aqueles que queriam saber que material uso, eis a lista prodígio:

Caneta Tombow preta, aquarelas de tijolinho da Winsor & Newton serie profissional, porque aqui só entra material “Meu Amor”, segundo a senhora Jovem Nerd; pincéis Cotman, papel de aquarela Rembrandt 300g e água de torneira.

Broxada ilustrada

Assim como eu, dezenas de ilustradores brasileiros ficam babando nos sites da Blick e da Pearl. Tanta variedade, tanta coisa legal, tanta coisa barata que você fica cuspindo no solo brasileiro de tanta raiva.

Tirei o dia de hoje pra passar nessa lojas, imaginando que a fada dos cartões de crédito teria taquicardia. Cheguei a levar uma daquelas sacolas dobráveis de sacoleiros paraguaios, calculando o preço do táxi pra voltar pro apê de tanto material comprado…

Entrei na Dick Blick, um prédio com 3 andares no começo do Soho, quase fazendo uma reverência e pedindo piedade pro caixa não ser tão impiedoso comigo. Mas a decepção veio em um minuto a cavalo pedindo pra ser sacrificado.

A seção de aquarela era minúscula, pouquíssimas marcas e nada de acessórios. Somente marcas da casa de pincéis de aquarela, nenhum Kolinsky, nenhum Rafael nem nada da Winsor e Newton. Eles não vendiam nenhuma aquarela “half pan”, aqueles tijolinhos, só em tubinhos. E os preços eram compatíveis com o que pago no Brasil, de 8 a 11 doletas. Perguntei por que a pouca variedade, e eles decidiram dar atenção, por causa da crise, para a seção de acrílico e tintas a óleo.

Também não tinham lápis pastel vendendo separadamente, e só com poucas marcas. Nao tinham aquarela líquida, nem canetas pincéis, naada. Tinha muuita tela, muito pigmento e muita tinta a óleo, e só.

Saí de lá com uma sacolinha triste com 4 itens, todos cadernos Moleskines, que lá são bem baratos.

Tudo bem, pensei. Vou na Pearl, que é pertinho dali, e vou me estuprar com materiais de desenho que nao existem no Brasil. Afinal, lá são 4 andares de materiais de desenho, tenho que ser feliz lá.

Chegando na Pearl, já fui parado pelo segurança com cara de quem a mãe não gosta dele pedindo para abrir a mochila.

Perguntei pela seção de aquarelas e desci no porão. Cadê as aquarelas? Somente Holbein, Winsor e Newton e Cotman, o resto eram marcas “scholars”, de qualidade inferior. E somente tubinhos, novamente caros. Cadê os tijolinhos? Tem que comprar os kits prontos da Holbein e Winsor e Newton, tão caros como no Brasil – 180, 220, 280 dólares…..com o coração doendo, perguntei pelos pincéis de aquarela.

Tem Kolinsky? E o balconista muito mal humorado apontando dois pincéis descabelados no fundo do mostruário. Como antes, só tinha marca inferior, tipo Tigre pra baixo. Papéis para aquarela? Vi mais marcas na Casa do Artista do que aqui.

Haviam alguns lápis pastel soltos, mas muito poucos. E muuuita tinta a óleo e acrílica. E eles nem conheciam a Caneta Posca!!!

Não havia nenhuma caneta pincel, nenhuma pena de caligrafia….mas tinha muitos….brinquedos e objetos de decoração.
O que foi isso, entrei nas lojas com um universo alternativo?

Saí de lá com um pacotinho do tamanho de um Big Mac.

Ou seja, uma das maiores taras dessa viagem subiu no telhado. Fiquei tão broxado que fui chorar minhas mágoas e descansar meus pisantes na lanchonete “Wendy’s” e como não bebo, comprei um joguinho de Playstation 3 como consolo. Pra não dizer que perdi a viagem, vi Jeremy Irons na Madison. Se bem que ele não é a Maria Sharapova, então o esforço continua não valendo.

Perguntei na Blick onde estavam os pincéis dobráveis pra viagem, toda aquela variedade de aquarelas avulsas “half pans” e das canetas pincel….surpreendentemente, o adorável balconista disse que esses materiais, assim como o preço, eram apenas para a internet. Se eu quiser, tenho que encomendar online.

Sem querer fazer propaganda, mas fazendo, na Casa do Artista ou na Pintar tem mais coisas, mas muuito mais variedade pra quem não pinta só a oleo e acrílica.

Vou tentar ir em outras lojas, como a Utrecht e outras menores que encontrei por aqui, mas sem muita esperança. Acho que se eu quiser ter um orgasmo com aquarelas tenho que ir pra Londres mesmo.

Gripe Suína? Eu como porcos no café da manhã!

Cheguei em NY, mais tranquilo (mas muito mais tranquilo meesmo do que pegar o metrô da Sé em horario do rush), sem gripe suína. E o pessoal nas ruas aqui tá pouco se lixando pra ela, ninguém aqui anda com máscara, só com fantasia.

Infelizmente o apartamento que aluguei, ao contrário do prometido, não tem conexão com internet. Entao tenho que descer duas vezes por dia no Starbucks mendigar duas porções de wifi, pelamordedeus.

Por isso mesmo vou adiar um pouco as imagens. Mas tenho desenhado muito. Principalmente por que os novaiorquinos são personagens em quadrinhos. Todo mundo fica na dele, o que é incrivel, ninguem incomoda ninguém, parece que todos ligaram o botão do “Foda-se”. Tipo, “não mexe comigo que não mexo com você”. Se você andar com o cadarço escapando do tênis, o problema é seu, ninguém vai te dar um toque.

Então você vê nas ruas mulheres de shortinho minúsculo num vento congelante, rapazes über fashion com roupas caindo aos pedaços, fisiculturistas negros com cabelo afro usando terno Armani nas ruas, executivos andando com patinete e bichinho de pelúcia nas costas, latinos musculosos penteando topete a la Elvis a todo momento….

Aqui se anda muuito. Uma visita no Museu de Historia Natural levou 4 horas pra ser feita, e não vi tudo. A Macy’s, ao contrário do que se auto-proclama, não é a maior loja de departamentos do mundo. A “El Corte Inglés” da Europa ganha de lavada. E a coca light daqui não presta, aliás nenhuma bebida diet aqui passou no meu controle de qualidade palativo.

Fui comprar uma máquina fotográfica na BH Photo, a Xanadu que todo brasileiro tarado por equipamento gostaria de botar os pés na vida, e ali não é uma loja de equipamentos, é uma sinagoga. Quase todos os funcionarios usam solidéu e falam iidiche.

Vou quebrar um pau com a proprietaria do apê agora pra ver se regulariza a internet. Enquanto isso, vou postar tudo em “plain text” mesmo….

Yataa! Another Hiro em New York

Não é só o Nakamura que ficou pirado indo pra Nova York. Mais um Hiro também vai para o maior condomínio da Terra.

Sim amiguinhos, estou indo pra NY um pouco a trabalho, um pouco de férias e um pouco pra fazer networking, ou como Jovem Nerd diz, “I know people”, e nesse momento estou vendo Cloverfield pra entrar no clima.

Ficarei um mês em um apartamento que é a cara do muquifo do Seinfeld, em Hell’s Kitchen, que é o quartel general do Demolidor. Vou em companhia do Kako e de grandes amigos, entre eles o artista James Kudo. Será uma viagem ilustrada. Conheceremos muitos ilustradores, entre eles o Scott C., muitos estúdios, artistas e gastar a borracha do solado indo em museus e visitando a Sociedade dos Ilustradores de Nova York. E a fada do cartão de crédito vai ter um acidente vascular cerebral nas lojas de material de desenho.

E não tem como negar, Nova York não é uma cidade, virou um inconsciente coletivo. Desde criança você conhece Nova York por causa de todos os filmes que viu na Globo, viu os 3 King Kongs se esborracharem do Empire State Building ou do World Trade Center, leu as pindaíbas novaiorquinas no Homem-Aranha e viu Charles Bronson botar azeitona na cabeça de malandro no metrô barra pesada na série “Desejo de Matar”, entre dezenas de outras menções nerds. No final, você conhece mais Nova York virtualmente do que a cidade de Bauru.

O blog vai ficar um pouco diferente nesse mês que entra. Vindo de uma idéia do Kako, tentaremos (veja bem, tentaremos) fazer um diário gráfico da viagem, fazendo sketches no meu indefectível (e não indefecável) caderno, relatando eventos aleatórios dignos de nota, fotografando as páginas e postando neste humilde blog.

Pra começar, já fiz a intro, eu e o Kako molestando a estátua da Liberdade. E antes que me perguntem, se eu desenhar essa viagem eu irei me representar como o Homem-Maravilhoso, porque não gosto muito de me desenhar e acho o Homem-Maravilhoso mais interessante. Ao contrário do Kako com seus braços de Hot Wheels tatuados.

E já fiz a mala, no sentido literal da palavra. Pelo menos ninguém rouba essa.

E amiguinhos leitores deste blog, se algum de vocês já foi pra Grande Maçã e tem uma dica bacana que não está nos guias, sei lá, algo como uma loja que vende aquecedores de mamilos ou a melhor lanchonete que vende torta de batata doce, mandem a dica aqui que este mamífero agradece.

Troca-troca ilustrado

Aquarela na mão e sem idéia na cabeça. Pra não cair no erro de dar pra trás igual cachorro com medo de briga, eu tive uma idéia pra me motivar a desenhar e pintar sem nada ligado na tomada, e encarei essa tarefa como um job. Afinal, eu tinha que valer a pena as aulas de aquarela com o Gilberto Marchi e o Cárcamo.

Como eu coleciono desenhos de outros ilustradores e enquadro na parede – tenho os originais do Alarcão, Fernanda Guedes, Benício, Aragonés, Ronnie del Carmen, Samuel Casal – resolvi propor uma troca de desenho entre ilustradores que eu admiro e não tenho a cara de pau de pedir uma ilustração pra dar, num ato de mendicância ilustrativa digna de dar pena.

E a primeira que fiz a proposta – e aceitou – foi a muy meiga e divertida Samanta Floor, figurinha já conhecida entre muitos desenhantes profissionais ou não, e de quem eu sou fã desde que li a tirinha da Samanta sem memória, adoouro as suas idéias e humor, que parecem ter saido daquele livro do Gianni Rodari que eu falo tanto.

Já que tinha proposto tinha que cumprir a promessa, oras. E não é que o estímulo autoforçado, como um castigo macio e delicado, deu certo?
Essa foi a primeira aquarela que eu fiz em anos e tive coragem de mandar além da porta da minha casa. Boris e Samanta com um toque meio leve de Totoro.

E essa foi a troca da Samanta.

Muito meigo, mas mais divertida ainda foi a cartinha que ela mandou, no formato do diário gráfico Toscomics, seus quadrinhos que espantam até assombração de tão bem humorada. Muito cute.

E peguei o gosto da coisa. Tenho feito diversas pinturas em aquarela depois disso, sempre depois das 2 da manhã. Um dos motivos que eu preciso desbloquear essa trava de desenhar fora do computador é que logo estarei vendendo esses originais, seguindo meu plano de conquista do mundo e me tornar algo que se pode se chamar de artista, além de ilustrador, e fazer uma exposição com canapezinho de creme de cebola Knorr e H2O morna na vernissage.
O segundo é que (tambores e cornetas anunciando o divino!!) finalmente estou escrevendo meu livro, e mesmo que querer não é poder, espero fazer as ilustrações dele em em aquarela que molha com água, e não com eletricidade.

Mesmo que eu fique apertando um “undo” imaginário na prancheta.

Comentários serão comentados dentro do próprio comentário

[img:Dollydoll.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Como todo portador de TOC e maníaco por ordem, a falta de hierarquia e metodologia pra responder os comentários faziam meu pâncreas sofrer, pois a coisa virava uma salada russa sem batata.

Pra resolver isso, decidi responder (na medida do possível, que a senhora do Tempo me permita) os comentários dentro do próprio comentário. Assim fica mais fácil a leitura em sequência.
As que estiverem num balãozinho cinza serão as minhas respostas.

E para Vigo me voi!

Twitter me my friend

[img:ghosty.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Pra não me sentir um batráquio atrasado na evolução digital, resolvi largar de vez o Orkut, lar de trolls e she-men a granel, e entrei pro Twitter. Achei ótimo porque só dá pra escrever umas duas linhas, então acho que não dá pra perder muito tempo nisso.

Quem quiser colocar este ser no roll do Twitter, seja feita sua vontade, não sei ainda como funciona o esquema de convite, mas vá lá, o username é Hirokawara e a página de lá é

http://twitter.com/Hirokawahara

Abraços fraternais e telegráficos num futuro não muito distante para quem twittar comigo.

Bons fluidos emitidos por vós lubrificarão a menina dos olhos acamada

[img:bigeyes.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Muito, muito obrigado pelas palavras de apoio de todos os amigos virtuais, não virtuais e potenciais.
Se ganhar um centavo e um passe de boas energias para cada mensagem de apoio recebida, serei o homem mais rico da zona sul de São Paulo com os olhos mais lindos que os de Frank Sinatra.
Mas não se preocupem, se tem uma coisa para que serve o dinheiro nessas horas é para comprar colírio que custa os olhos da cara pra tratar de glaucoma e comprar um ingresso pra ver “Marley e Eu” e chorar feito menina atropelada para umedecer os olhos. E do jeito que eu amo desenhar, mesmo se perder a visão, coisa bem remota, eu continuo desenhando nem que tenha que contratar um ilustrador pra isso.

De quebra, ganhei pérolas de conhecimento curioso através do Dagowberto que o talentoso jornalista Glauco Matoso, da Caros Amigos, é um nome de guerra!!

E à Samanta, que eu fã de carteirinha plastificada, saiba que, se a crise deixar, em breve teremos novidades nessa área.

E graças ao Gil Tokio e ao Leandro “Escola de Animais” Robles, fecho o post com a magnificente dica de Peter Tosh pra curar glaucoma: maconha na veia e no pulmão!

Bush Doctor lyrics

“lyrics he Bush Doctor
Warning!
Warning! The Surgeon General warns
Cigarette smoking is dangerous, dangerous
Hazard to your health
Does that mean anything to you
To legalize marijuana
Right here in Jamaica
I’m say it cure glaucoma
I man a de Bush Doctor
So there’ll be
No more smokin and feelin tense
When I see them a come
I don’t have to jump no fence
Legalize marijuana
Down here in Jamaica
Only cure for asthma
I man a de Minister(of the Herb)
So there’ll be no more
Police brutality
No more disrespect
For humanity
Legalize marijuana
Down here in Jamaica
It can build up your failing economy
Eliminate the slavish mentality
There’ll be no more
Illegal humiliation
And no more police
Interrogation
Legalize marijuana
Down here in sweet Jamaica
Only cure for glaucoma
I man a de Bush Doctor
So there be
No more need to smoke and hide
When you know you’re takin
Illegal ride
Legalize marijuana
Down here in Jamaica
It the only cure for glaucoma
I man a de Minister
Re”

O que inspira também é o que transpira


Ainda está nas bancas a revista Computer Arts (a de janeiro), onde esse desenho aí embaixo ilustra um texto meu sobre o que me inspira no trabalho, na seção “Design Clássico”. É uma seção que pede para o entrevistado apresentar algo que o inspira e que pouca gente conhece.

O cachorro carregando o armário é um dos exemplos do meu muso inspirador, Gianni Rodari, cuja fabulosidade em destravar a criatividade pensando como criança merece um altarzinho com velas acesas. Não vou rasgar a meia de seda pra ele, porque já disse o suficiente nesse post. O texto na Computer Arts foi bem telegráfico, por causa da limitação de espaço, então o post é um pouco mais completo. Não duvido dizer que, se não fosse por ele, as toalhinhas de bandeja hoje existiram apenas no mundo das fadas e o meu jeito de escrever seria gramaticalmente e ortograficamente bem mais burocrático.

Outra fonte de inspiração que até pensei em colocar, mas na hora H achei melhor não, é o I Ching, que eu conheço há 25 anos e estudo de maneira mais séria hà 5. É que o I Ching filosoficamente dá pra usar em qualquer situação, e os ensinamentos de Rodari eu uso especificamente para trabalho.

Fazendo uma dobradinha, quem tiver um pouco mais de dinheiro no bolso também pode comprar a edição especial da Computer Arts Projects sobre Impressão, mas lá eu só falo muuito resumidamente como é o processo de feitura de uma lâmina de bandeja.

Ensaio sobre a cegueira, e um alerta para ilustradores muito, muito, muito míopes

Era para ter recomeçado o blog há algumas semanas, mas uma série de infortunados eventos vem acontecendo para aporrinhar este ser. Mas como tragédia vem em grupo, essa se desgarrou do resto e chegou atrasada. Geralmente não posto coisas muito particulares nesse blog, mas acho que serve como uma dica e um alerta.

[img:Dogs.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Descobri há algumas semanas que estou com glaucoma nos dois olhos. O olho direito tá mais danificado que o esquerdo, já tenho 40% de degeneração no nervo.
Pra quem não sabe, glaucoma é a degeneração do nervo ótico por várias causas, principalmente diabetes e pressão interna alta do globo ocular (o nomal é entre 14 e 15; 21 é considerado alto). Como não sou diabético, descobri que meus olhinhos tem mais pressão que um pneu de um Honda Fit.

Outra característica que fez a muy prestativa oftamologista a suspeitar que estava com glaucoma é meu elevado grau de miopia. Segundo a doutora dos olhos, geralmente alto grau de miopia pode ser uma característica de glaucoma. Como eu sou tão míope, tão míope ao ponto de não diferenciar uma mulher de um coqueiro sem óculos na praia, a doutora já foi franzindo a testa de preocupação.

Como o glaucoma é uma doença (sem cura) degenerativa do nervo ótico muito lenta, não se percebe os sintomas. Quem tem essa merda perde a visão periférica, que vai escurecendo, e seu campo de visão vai diminuindo cada vez mais até você ficar cego de vez, e aí (tragédia grega), seus amigos serão apenas a canequinha, a bengala e o óculos escuros, além de um eventual macaquinho de roupa vermelha.

Outro sintoma é ver uma espécie de “halo” em volta de lâmpadas acesas e luzes um pouquito mais fortes (auréolas na cabeça de pessoas brilhantes não contam).

Vamos aos fatos: Você, ilustrador muito míope, vá a um oculista QUE NÃO SEJA DE CONVÊNIO!!
Isso porque devo estar com glaucoma há anos e vou ao oculista conveniado ao plano de saúde todo ano, mas como eles atendem rápido como as balconistas do McDonald’s, nunca perceberam esse problema em mim. Só porque eu fiquei desconfiado de um incômodo no olho que não passava trocando de óculos é que decidi ir a um oftalmologista mais tarimbado (e que não é coberto pelo plano de saúde) é que ele me deu toda atenção a este ser carente e descobriu que sou um ser glaucomatoso.

É um pouco irônico, quase como quando João do Pulo perdeu a perna. Mas pior seria se eu tivesse um tumor no cérebro, daqueles que matou o dr. Greene no Plantão Médico. pelo menos tomando remédios consigo retardar ao máximo a vinda do grande breu, quiçá ficar velhinho ainda enxergando.

Ou então tenho que começar a treinar o Bisteca pra ser guia de cego (música de violinos tristes ao fundo)

Sim Bisteca, seu emprego no futuro estará garantido!

Brincadeiras à parte, achei legal dar esse alerta aqui. Além de miopia grande, se você, ó ilustrador, for diabético, ou tiver alguém glaucomatoso na sua família, vai fazer um exame daqueles que parecem abdução alienígena (enquanto fazia o exame, de olhos arregalados, com luzes estroboscópicas na retina e espirrando líquidos gosmentes, só conseguia lembrar daquela cena fodaça do filme “Fogo no Céu”), que pode salvar seus olhinhos.

Infelizmente, o glaucoma só começa a mostrar sintomas quando se é tarde demais.

Mas se tiver glaucoma, também não é o fim do mundo, talvez só da metade dele. Hoje em dia existem colírios bem caros que auxiliam nessa doença fiadaputa, diminuindo a pressão do olho.

Agora, vou escrever um livro chamado “Mil coisas para ver antes de ficar cego”, e ver a Anna Hickman pelada ao vivo está entre elas.

Perigo! Perigo! Perigo!

Minha paranóia entrou em alerta vermelho, da mesma cor da minha sensação de impotência.

Recebi esta manhã um pacote de Sedex.

Como recebo vários pacotes por semana, por ato mecânico, recebi e assinei o recibo.

Para minha surpresa, dentro do pacote haviam apenas pedaços de papelão, nada mais. Olho para a embalagem do embrulho, e não existe remetente. Somente um carimbo com o adesivo Sedex.

Meu instinto animal entra em pânico, pois sinto meu território de segurança ser invadido por um elemento estranho, mesmo que ele seja feito de papel.

Entro no site dos Correios e digito o código de barras do adesivo. Orapois, o carteiro e a kombi que vieram entregar o pacote realmente eram dos Correios, menos mal, e pelo menos consigo ver o registro. Mas nada, no site só tem a data da postagem, e o acompanhamento do pedido. A tal hora ele saiu de Cotia, a tal hora chegou em Santo André, a que hora em que foi encaminhado…..e aí bateu um medaço, pois assim que eu assinei o comprovante de entrega, era questão de algumas horas poara que a informação “produto entregue” constasse no acompanhamento do site, comprovando para quem emitiu esse pacote abismal de que REALMENTE eu morava no endereço que ele postou.

Seria um lapso de um fã que esqueceu de colocar o seu bem mais valioso para mim?
Seria o lapso de um funcionário que esqueceu de colocar um produto grátis para minha avaliação?

Não, na minha mente que se parece com a do Calvin em momentos de frustração e stress, só me vem à cabeça que alguém postou esse pacote com as piores intenções.

No máximo algum desafeto meu enviou um despacho de macumba no forma de papelão por Sedex.

De qualquer forma, aí vem a frustração.

Estive nos Correios e eles não tem como me passar a informação de quem foi o remetente, simplesmente porque a agência que emitiu o pacote errou de maneira crassa um pacote sem identificação. O máximo que pude fazer foi uma reclamação, não antes de ter vomitado para a atendente que daquele momento em diante estaria responsabilizando os Correios por qualquer coisa que viesse a acontecer por esse erro.

Segundo, tentei fazer um BO pra me garantir, mas olhem só, a delegacia aqui perto de casa tá em greve, então BO só eletrônico.

Entrei no site para fazer o BO, e vejam só, não tem opção para “ameaças subjetivas para sujeitos paranóicos”. Sem BO também.

Então nada me resta senão comprar um estilingue na Bayard, passar banha de porco nas grades da cerca da minha casa e puxar os lábios do Bisteca com durex pra ele parecer mais feroz.

Espero que seja só minha paranóia neurótica por segurança (mas como disse antes, tenho motivos pois meu território seguro foi invadido por algo funesto), mas torno pública a frustração e o registro do “evento estranho” pois o cidadão comum, vulgo eu, fica de mãos atadas num momento de indefinição de estabilidade vitalícia.

Entrevista na Publish

Fiz essa ilustração para a capa da próxima revista Publish, que deve estar nas bancas logo, logo, feita no Painter X com aquarela digital.

Lá tem uma entrevista minha bem legal, bem grande e bem cuidada. Do jeito que vai acho que preciso fazer uma história em quadrinhos do começo da minha carreira

Entrevista Offline

Vamos supor que você seja fã da Nina Simone, que São Pedro a tenha, e um amigo seu, sem saber quem ela é, pede para que ela cante parabéns a você no seu aniversário. E ela topa.
Você teria essa sequência de emoções ao saber disso: 1º surpresa fulminante; 2º negação da realidade; 3º felicidade escorchante e 4º vergonha alheia, por terem pedido isso pra você.

Sim amiguinhos, imagine a descarga elétrica na cabeça e no coração quando vi isso.

Benício, que se fosse uma estrela seria da cor azul, fez um desenho deste ser que tenta ao máximo ser humilde nesses momentos.
Imagine o que é seu ídolo, aquele que você ficava olhando nos detalhes das coxas da Sonia Braga no cartaz de Dona Flor e Seus Dois Maridos e nos detalhes dos cartazes dos filmes dos Trapalhões, fazer um desenho de você.

Lagriminha.

A autora dessa proeza, que já disse a ela ser abençoada por uma relativa ignorância nesse ramo por ter pedido isso a ele associada por uma maravilhosa cara de pau, foi a Juliana Cavaçana, gente finíssima.

Dei uma entrevista pra Revista Offline, onde ela trabalha. É uma revista gratuita, muito bem feita, dirigida para o público universitário. Quem quiser, pode ler a entrevista no site da Offline.

Não bastasse isso, ainda tem também uma dedicatória ilustrativa da minha querida Fernanda Guedes, outra admirada que virou admirante.

Essa ilustração, se não me engano, ela fez toda com caneta esferográfica.

Também fiz essa mini-lâmina de bandeja maldita, com um tema que jamais seria aprovada para forrar as mesinhas do McDonald’s.

No final, só posso dizer obrigado pra Ju pro pessoal da revista. Esse é o tipo de homenagem que eu esperaria receber, se é que receberia, somente aos 60 anos, quando já dá pra fazer uma retrospectiva na minha carreira.

Pro Benício e pra Fernanda, obrigado de novo.

Dizem que quem morre por 7 minutos traz coisa ruim do outro lado

Atirem-me pedras e fezes de macaco envelhecidas, pois mês passado, o mês de agosto, foi o pior mês para este infeliz blog. Míseros quatro posts que fizeram pensar que aconteceu um mal súbito, ou no blog ou no proprietário, que poderia acarretar o fim de todas as coisas, pelo menos no nível particular.

Em suma: quem controla o tempo é o outro Hiro. Este ainda depende dos ponteiros do relógio para ser um cidadão útil para a sociedade. Em alguns meses poderei mostrar o que me fez trocar as madrugadas que passava apertando teclas para este blog, coisa de aristocrata.

Roguemos para a Poderosa Isis que este mês eu seja abençoado por algumas horas de folga.

Argônio no banheiro, pois sou um nerd útil para a sociedade

Por uma ironia do destino, depois que virei autônomo tenho tido MENOS tempo de ver TV. Ainda assim dá tempo de assistir alguns seriados, mas para isso tenho que ajustar o alarme do computador pra não perder a hora.
Lost e House são os que você assiste distribuindo ameaças do tipo “quem puxar conversa agora vai ter fratura exposta”. E também tô viciado em “Ugly Betty”, “Pushing Daisies” e “The Big Bang Theory”.
Esse último é bobinho, mas seiláporque dou risada aos montes, talvez por causa dos diálogos nerds. De qualquer forma, no seriado os caras têm uma cortina de chuveiro com a Tabela Periódica dos Elementos estampada, e eu fiquei fissurado em ter uma! Tem gente que torce o nariz, mas pra quem entendeu um pouco de química no colégio, essa tabela é linda! É matematicamente perfeita, pois os elementos não estão jogadas lá à toa, seguem vários critérios de classificação e possuem dezenas de informações em vários níveis. É como se fosse uma mandala budista feita de macarrão de letrinhas.

Pois bem, não é que tem pra vender? 29 doletas na Amazon. Como se não tiver uma vou urinar na cama, ela vai vir junto com uma leva de livros que tá vindo no mês que vem. Como é bela a fada do cartão de crédito.

Nas últimas semanas comecei a ficar incomodado depois de fazer um teste da Veja pra saber se você é nerd, com ajuda da minha esposa. Respondi “sim” a todas questões que me rotulavam como um, o que me deixou irritado e preocupado, pois sempre associei a figura do nerd ao sujeito que fica mais excitado com equações do que com a Eva Longoria, aquele que sabe explicar o teorema de Fermat mas não sabe pedir uma caneta emprestado de uma garota.
Mas comecei a curtir o Big Bang Theory, e toda vez que o Sheldon aparecia eu falava “putz, eu era que nem esse cara”, da mesma forma quando o Hiro de Heroes aparecia e dizia “putz, eu era que nem esse cara”!Semanas depois, quando fiz o post sobre o Guilherme Briggs, várias pessoas falaram pra acessar o podcast do Jovem Nerd. Nunca fui fã de podcast e entulhar o HD de conversa fiada, mas esse podcast vale a pena. Dou risada de madrugada ouvindo os caras falando das mesmas coisas que eu curto feito criança mimada (detalhe, os caras foram alunos meu amigo ilustrador Marcelo Martinez), e a conclusão caiu na semana passada feito um porco caindo do décimo andar: “Meu Deus, eu AINDA sou nerd!”. Que nem gay enrustido que sai do armário.

Tudo bem, não sou mais um Harry Potter sem poderes que leva caldo (na escola eu era o nerd violento, tipo “bully”, que gostava de bater em nerds mais fracos pra roubar dinheiro de lanche e jogar giz esfarelado dentro dos cofrinhos das meninas.), nem o sujeito seboso que vende gibi nos Simpsons, hoje tenho muito mais eloquência pra conversar em público e virei mais seletivo depois que dispensei Dragon Ball da minha vida, mas ainda é um nerd conservado em barril de carvalho. Mas ainda tenho minha capa de chuva do Mulder no armário, mas não mais o moletom azul de oficial de ciências da Enterprise, que ficou perdido em alguma república nojenta.

Ser nerd hoje em dia é bom, só ajuda muito no meu trabalho que eu faço de consultoria de produtos infantis que eu faço paralelamente à ilustração. E hoje também começo a defender a seguinte premissa: grandes empresas que trabalham com produtos infantis deveriam ter gerentes de marketing ou novos produtos que sejam nerds, que saibam a diferença entre o Glipt e o Glupt, pois quem sabe assim eles consigam entender criações e conceitos divertidos para seus produtos e que precisam arriscar um pouco para criar algo novo, além de só olhar para pesquisas e tabelas que só repetem fórmulas que não deveriam ser repetidas.

Se alguém pedir uma mensagem de vida, diga “Não sairemos desta vivos”.

Consegui retomar o controle do blog depois de ataque duplo. Ao mesmo tempo que a Telefônica fornecia um serviço Speedy com a mesma utilidade de um cartão de crédito para uma galinha (ou seja, fiquei uma semana sem internet), ao mesmo tempo algum infeliz degustador de lavagem munido de teclado mudou a senha do blog sem meu consentimento. Some-se a isso ainda a falta de tempo pela iminente mudança de ares geográficos da morada deste ser e o estado deste blogs nas últimas semanas foi de uma aridez Atacâmica.

Esperemos que isso não retorne.

Aproveitando, é hora de fazer o jabásico, mostrando uma ilustração que fiz para uma revista do jornal Mogi News, lá da cidade onde cortaram meu cordão umbilical, em comemoração do centenário da imigração japonesa, pra variar (aproveitem conterrâneos nipônicos a exacerbada valorização de vossa cultura esse ano porque depois disso só daqui a cem anos).

É o Saci e o Karakasa, entidade folclórica guardachúvica japonesa também de uma perna só. Eu li não sei aonde que os japoneses acreditam que quando se cria um apego muito grande a um objeto ele pode criar uma alma, e se não for descartado corretamente seu espírito fica vagando feito vigia noturno pelas ruas. Aqui no armário tem umas camisetas de uns 14 anos de idade que já devem estar pedindo funeral para descansarem em paz.

Entrevista e um jabazinho básico para autopromoção

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Essa é para quem frequenta o círculo quase fechado da publicidade.

Na semana passada dei uma entrevista de última hora para o jornal Meio e Mensagem, publicação especializada no mundinho com cheiro de lavanda, cerveja, café e pizza da publicidade e propaganda. O jornal entrou em circulação na segunda, 24, e fica uma semana dando sopa. Infelizmente não vende em qualquer banca mas tem na Fnac e na Cultura, mas quem trabalha em agência tem sempre um exemplar gigantesco dando sopa na mesa da secretária do chefe.
Ali um pouco da minha vida ficou exposta como uma esfiha aberta em meia página do jornal (mas quem acompanha o blog não vai ter grandes surpresas anaeróbicas).

Quando e se tiver um link dessa matéria no site do jornal, depois será devidamente postado aqui.

Nhá!

Desenho é uma máquina do tempo

[img:Daizi.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Uma pequena pausa para as questões sobre direitos autorais, querelas com clientes e orçamentos, apresentações de talentos de rachar as córneas e babosidades risíveis envolvendo arte e ilustração.

De vez em quando é bom postar algo sobre o que é simplesmente desenhar. Mesmo seres com o coração feito de aço escovado sentem algo aquecendo lá dentro como um gatinho dormindo quando vêem algo assim.

Essa matéria saiu discretamento hoje no UOL, mas é poderosa para quem é apaixonado por desenho e por história.

O ojissan simpático na foto acima é Daizi Yamamoto. Ele saiu do Japão com 16 anos para vir ao Brasil em 1938, como muitos achando que aqui era um pedaço do paraíso onde se plantava café. Esse trajeto era feito de navio em 42 remerrentos dias. Yamamoto não tinha máquina fotográfica, mas queria registrar o que via na viagem. Então fez um sketchbook e começou a desenhar compulsivamente, ajudando a passar o tempo nessa viagem malemolente. Yamamoto enviava todos os desenhos pelo correio para a sua mãe, que ficou no Japão.

O que ele não sabia é que sua mão havia guardado todos os desenhos, além de encaderná-los. E, como num filme de roteiro diabético mas irresistível, muitos anos depois Yamamoto volta para a terra da Hello Kitty pra rever sua mãe e recebe seus desenhos 32 anos depois, pra logo em seguida sua mãe falecer.

O que era pra ser só um sketchbook feito para passar o tempo e também para mostrar para sua mãe o que via virou uma cápsula do tempo e um registro tão valioso como uma foto. Feito por uma pessoa comum, que usou o desenho como uma ferramenta de registro fabulosa.




Qualquer desenho que nós fizermos hoje, representando um local, uma pessoa ou evento terá o mesmo papel daqui a 50 ou 100 anos. Seja um Big Mac mordido ou uma garota agachada mostrando o cofrinho. Ou mesmo você desenhando a si mesmo, ao rever esses desenhos quando você tiver uns 80 anos e mais enrugado que bunda de elefante você relembrará com emoção da época em que você era viçoso e pintoso ao mesmo tempo. Essa foi uma lição que aprendi no Bistecão: sempre carregar um sketchbook e um lápis na mochila, nunca se sabe o que pode pintar na sua frente que implora pra ser desenhado.

Sempre fico procurando na minha família se tinha alguém com inclinação pra desenhar como eu. Assim como Yamamoto, minha família também veio ao Brasil de navio, no caso o Arabia Maru, antes da segunda guerra começa a feder de verdade e soltarem a bomba – ironia, já que uma parte dos meus avôs vieram justamente de Hiroshima.

Ironicamente, meus avôs também não viriam para o Brasil. Eles queriam se estabelecer nos EUA, então pelo que entendi, eles desceram no Mississipi pra colher algodão. Mas olha só a história, no dia em que eles chegaram foram entuchados em um alojamento de negros, pois não havia outro lugar pra eles ficarem. Meus antepassados já deviam ficar com o coração na mão, já que nunca tinham visto uma pessoa de pele com cor de beringela na vida, mas pra piorar nessa noite a Ku Klux Klan baixou no alojamento a cavalo e, encardidos como sempre, enforcaram um negro numa árvore e o queimaram o coitado pendurado feito Tocha Humana na frente deles. Nessa mesma noite minha avó pediu para saírem de lá com urgência urgentíssima e resolveram gastaram o resto do pouco dinheiro que tinham pra vir para o Brasil.

Paradoxo do tempo, se eles tivessem ficado nos EUA, eu não teria nascido, então eu devo em parte minha existência a uma cambada de racistas encapuzados. É a minha filosofia de estrada: todas as coisas são conectadas e nada acontece por acaso.

Se minha família escapou de uma bomba atômica, de um ataque racista sulista e do plano Collor, acho que viver de ilustração é balinha de coco perto disso.

Até 10 de março


Aos adorados, inestimados e sedentos leitores deste blog. Eu bem que tentei alimentar esse informativo nos últimos dias, mas não consegui, o ritmo de trabalho está tão volumoso que chega a ser quase estuprante. Por esse mesmo motivo, estarei sem postar nada até o dia 10 de março, pra me dedicar integralmente de corpo, alma e ossos nesse job, sob pena de decapitação em público prevista em contrato.

Até lá, então.

Voltando às funções vitais

Voltando de Aracaju depois de alguns dias memoráveis (que depois eu relato aqui quando a outra metade do meu cérebro voltar a funcionar, por causa do sono e do excesso de amendoim cozido), os compromissos se acumularam tanto que no momento eu sou essa foto:

A infância de um ilustrador na frente da TV

Enxurrada de links do Youtube com sabor Toddynho e Sessão da Tarde

O conversando com o Kako sobre os Trapalhões, fui no Youtube fuçar uns sketches com o Mussum, meu Trapalhão preferido na minha tenra infância.

A partir daí devo ter perdido duas horas fuçando vídeos que há mais de trinta anos não eram vistos (nesse ponto o Youtube é um perigo pra quem tem prazos colado nas costas) Centelhas de memórias são reativadas, relembrando cada musiquinha, cena e até cheiros, mostrando como é enigmática a memória humana. Em que partição do cérebro essas coisas ficam guardadas? Coisas que a gente acha que foi faxinado da memória, mas ficam guardados e esquecidos, igual presente de casamento repetido?

Pois bem, esses programas de TV com cheiro de naftalina e gemada tiveram um papel definitivo e crucial para que eu me tornasse um ilustrador, e garanto que vários outros profissionais que correm o risco e o traço na faixa dos 40 também começaram assim. Dezenas de caixas de lápis de cor e cadernos espirais de desenho foram sacrificados durante anos para que eu desenhasse continuamente todos esses personagens e monstros. Sim, eu também curtia animê, só que das antigas.

Acho que se eu não tivesse assistido tanto desenho na minha infância, eu teria me traficante de esteróides ou um dono de videolocadora pornô bizarro com animais.

O tour começou pela primeira abertura dos Trapalhões. Toda vez que acabava os Trapalhões no domingo à noite baixava uma deprê tão grande, principalmente quando se escutava a música do Fantástico porque a mensagem era bem clara: o domingo acabou e amanhã tem aula. Hoje acontece algo parecido, só que ao invés de aula na segunda tem reunião ou entrega de trabalho…

Esse quadro acho o melhor dos Trapalhões, literalmente inesquecível depois de tantos anos.

Depois entrei no link da abertura do antigo Globinho (que hoje vi que se chamava Globo Cor Especial). A música, que há anos não escutava, arrepiou até a úvula. Paula Saldanha, a apresentadora, foi responsável pelo amadurecimento hormonal precoce de milhares de garotos em idade pré-onanística:

Tanto nessa abertura como na dos Trapalhões eu queria saber de quem são os desenhos.

Animês geriátricos

Passando pros internacionais, Speedy Racer dispensa comentários, mas a abertura original japonesa não (feche os olhos enquanto escuta a música e você vai ver vários havaianos gordos de saronge de palha de milho cantando e dançando essa música). Graças ao Speedy Racer eu aprendi a desenhar carros (aprendi numas, foi só o desbloqueio lúdico. O processo técnico foi mais espinhoso, pois quem me ensinou a desenhar carros mesmo foi o Brasílio Matsumoto):

Marine Boy era um desenho que acho que só eu assistia. Eu mascava chiclete Ping-Pong como o chiclete que fazia ele respirar debaixo da água (mas nunca explicava como ele aguentava a pressão):

Zoran e Shadow Boy eram outros bem obscuros. Shadow Boy então dava uma sensação ruim, parecia que você havia assistido uma sessão da brincadeira do copo na TV.

Fantomas era um clássico. Não é sempre que aparece um desenho com um esqueleto desidratado. Mas eu curtia era o Dr. Zero. Desenhava tanto ele que chegava a fazê-lo de olhos fechados, numa vã tentativa de conseguir atenção de tias apáticas e sedentárias.

Super-Dínamo. Eu sonhava em ter um robô-cópia pra fugir das provas. Chorei feito uma moça atropelada quando vi o último episódio.

Série “Animais que traumatizaram minha infância”
Com Lancelot Link foi minha fase “primata”, larguei os monstros por um tempo pra desenhar roupas de chimpamzé.

Saturnino era o patinho gay que eu adorava. Eu tinha várias tias e professoras que eu chamava de “Dona Doninha”. Os bichinhos eram bonitinhos e eu era ingênuo.

Ben, o urso amigo, até que ele lhe dê uma patada de meia tonelada nas costas. Quando criança eu queria conhecer dois lugares nos Estados Unidos: a Disneylândia e os Everglades. Sempre quis ter um barco com um ventilador gigante, pois onde eu morava às vezes alagava.
Curiosidade curiosa: Dennis Weaver, o pai, é o motorista perseguido e sodomizado moralmente em “Encurralado“, talvez um dos motivos que até hoje olho torto pra motorista de caminhão em estradas vazias. Clint Howard, o filho, se tornou um dos atores mais feios do cinema americano.

O Mundo Animal foi o avô do Animal Planet. Dezenas de biólogos na faixa dos 40 devem culpar ele e a série do Jacques Costeau pela escolha da profissão.

Sessão da Tarde

Esse filme me fazia desenhar por horas. A Festa dos Monstros passava direto na Sessão da Tarde e ainda é muito bom. Tim Burton bebeu dessa fonte antes de Jack e James. Nunca me esqueci da Francesca nem do vampiro com cara do Paulo Maluf.

Dr. Phibes foi inspirador na minha infância porque era proibido criança ver. Era tão bizarro (parecia com uma série da revista Kripta, “Dr. Archaeus”) e tão divertido que nunca entendi por que ele era proibido. “Ah Vulnávia, minha querida Vulnávia”… Phibes virou um porco mascote que eu criei, fiel companheiro do Homem-Maravilhoso. O melhor papel de Vincent Price.

Proibido era legal. Principalmente “Sala Especial” que passava na Record. Você ficava assistindo a TV baixinho durante duas horas só pra ver seis minutos de peitinho descoberto.

Terra de gigantes

Agora esses foram os verdadeiros inspiradores para a minha carreira de ilustração, mas como disse na página de apresentação, eu entendi tudo errado e fui fazer faculdade de Biologia.
Eu tinha pilhas de cadernos com desenhos de todos os monstros sem zíper nas costas e dobras de borracha. Olhando hoje, naquele tempo eu fazia mais sketchbooks do que hoje.
Devo minha carreira à família Ultra (e é por isso que não chuto o pau da barraca com gente que adora Power Rangers, tudo tem a sua fase).
Ultraman era o luxo, tanto o original quanto o Jack.


O meu preferido era o UltraSeven. O design de gladiador dele, as músicas e as pílulas de monstros que ele tinha, era o tataravô dos Pokemóns. Parece que a atriz que fazia Annie, a única mulher da patrulha, virou atriz pornô depois de finada a série. A locução é verborrágica e redundante, mas é legal pacas.

Robô Gigante e Goldar. Esse último era sexualmente ridículo, pois um robô que possuía cabeleira (!!), era gigante mas era casado com uma mulher normal e teve filhos (!!). A gente era sexualmente ingênuo naquela época, tanto que ninguém suspeitava do carater bissexual de “A Princesa e o Cavaleiro).


Por fim, o mais tosco de todos. Todos esses ultras, robôs gigante e afins eram toscos, mas Spectreman é Rei e Imperador juntos nessa categoria.
Impagável mesmo são os vilões, Karas e Dr. Gori. Gorilas que na verdade eram versões primatas de Roberto e Erasmo Carlos na Jovem Guarda, pelo menos as roupas e adereços eram os mesmos.

Pra provar que o que é tosquíssimo vira cult, a Flávia, uma leitora do blog, designer e dona do blog”Meu Querido Liquidificador”, fez um Spectreman tipográfico que é uma obra de arte. É algo como Tarantino trazendo de volta John Travolta, pegar algo brega e sem valor e dar um novo ponto de vista bem mais glamouroso.

Pausa pro café

[img:Suitcase.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Em alguns dias eu volto de férias e acerto as pendências que ficaram soltas por aqui. Inclusive respostas a alguns comentários.
É um exercício de perseverança postar algo pelo Palm.

Hiro nas bancas


Quem quiser um pôster gigante dessa versão descompromissada de Alice morena tomando chazinho com uma cambada de bizarros pra colocar na parede e tapar manchas de umidade ou buraco de prego malfeito, é só comprar a revista-pôster-portfólio com CD multimídia Mac + Portfólio que já está nas bancas.

A proposta dessa nova revista é ser um portfólio-entrevista de artistas que trabalham com Macintosh.
A revista tem o infográfico “caminho das pedras para se tornar um ilustrador” e uma apresentação; e no CD tem uma entrevista sobre a história e o trabalho dessa criatura que vos digita, além de mostrar como eu trabalho no Painter com uma Cintiq (a verídica história da ilustração do repolho feita dentro da editora Três em uma hora com água de privada ficou de fora). Também mostra o meu cafofo; os felizardos que adquirirem um exemplar vão reparar que minha mesa de trabalho implora e chora de agonia pelo dia que todas as coisas tornarão “wireless”. Tem mais fio que poste com gato em favela.
Até o Bisteca fez uma ponta.

E na parte interna da revista também tem um esquema pra orientar quem quiser começar a virar ilustrador, obviamente não querendo virar um Guia do Ilustrador, que aliás está dentro do CD, mas é quase uma resenha de quase tudo que já escrevi nesse blog tentando orientar aqueles que tentam ganhar o pão através do traço, coisa que acho importantíssima.
Não é uma opinião cristalizada, tem gente que pode não concordar com o esquema, mas acho que ele abrange um bom bocado das dúvidas que assolam quem tá em começo de carreira. Ah, se as coisas fossem fáceis assim….
Tem uma correção no texto da capa do CD, onde diz que eu comecei a fazer as toalhinhas de bandeja em 2000, na verdade comecei a fazer esse trabalho em 1994. É tempo pra diabo.

Dentro do CD, além do Guia do Ilustrador e da entrevista, também tem algumas ilustrações pra pintar e bordar e uns brushes de Illustrator. Não é muito, mas é de coração.

Ela pode ser comprada pela internet e por telefone na loja do site da editora Digerati, mas como ela é recém-nascida, vai levar alguns dias pra ela ficar disponibilizada no site.