Um Homem-Maravilhoso de pano e osso

Semana passada eu celebrei minha primeira festa de aniversário em 45 anos. Tinha tanto medo de festas de aniversário, especificamente de cantar parabéns, que era como se encarasse um palhaço assassino pelado. Ainda não canto parabéns, mas estamos trabalhando nisso.

Nessas , ganhar presente é uma coisa bacana, ainda mais pra quem quase nunca ganhou presentes (sons de violinos tristes). Sem depreciar os artefatos festivos que ganhei, mas tenho que destacar um que fez secar as retinas.
DSC02535
O Tio Faso, dono da Marcamaria, teve a perspicácia de fazer um presente autêntico. Qual foi a minha surpresa, mistura de perplexidade com negação, quando vi que ele tinha feito um Mini-Mi do…..Homem-Maravilhoso???
DSC02529

DSC02530
Nunca havia visto um Mini-Mi embalado completamete. E olha só, o Faso tem um capricho, como diriam nossas professoras de primário, na elaboração não só do bonequinho, mas também da embalagem e, vejam só a alcaparra do badejo, ele também vem com uma certidão de nascimento. E todo ele com um texto que é quase um livrinho com um texto muito, mas muito auspicioso e humorado. Melhor que muito livro vendido em prateleira.
DSC02533
Já falei sobre o Homem-Maravilhoso aqui, ele tem uma significância muito grande pra mim porque ele era uma bóia salva-vidas na época em que eu comecei com ilustração e em seguida, quando eu desisti por um tempo da ilustração. Assim como Totoro, esses dois personagens sempre me faziam lembrar que desenho ainda era o que eu mais gostava.

E quer saber, depois disso eu tô pensando SERIAMENTE em retomar os desenhos desse personagenzinho desagradável e divertido. Usando as mesmas histórias que escrevi há 20 anos, com seu devido upgrade criativo. Tá mais que na hora de eu fazer tirinhas.

Quem quiser conhecer mais os trabalhos do Marcamaria, que não é mulher, mas um gigante gentil, clique aqui e se esbalde na simpatia dos Mini-Mis.

Outro presente que eu ganhei que apertou o coração com chave de fenda foi esse Totoro, que ganhei da Rosana Urbes, que conhece um pouco da minha história de vida.
DSC02524
Não é um Totoro simples, esse tem uma historinha atrás…só pra imaginar, ele tá meio sujinho por alguma razão.

Mil obrigados não são suficientes pra agradecer a todos.

A linguagem dos monstros

Durante a Inquisição, época terrível em que Torquemada e seus seguidores matavam e torturavam qualquer judeu, homossexual e herege em nome de Deus com uma criatividade negra que os faziam parecer como os cenobitas, de “Hellraiser”. Tive a oportunidade estranha de visitar o Museu da Tortura, em Portugal, e você fica impressionado com a variedade e engenhosidade das máquinas de tortura, algumas tão cruéis que fazem “O Albergue” parecer a irmã mais nova de “A Noviça Rebelde”.

Uma das que mais deixam seus olhos arregalados como ovos fritos é “A Roda”. Um instrumento de madeira onde a cada movimento da roda quebravam vários ossos do condenado (chegando ao requinte no final dos membros ficarem entrelaçados como lençois de motel). Libertado da roda, o condenado era besuntado de azeite e jogado em praça pública, sem nenhum osso inteiro e agonizando, segundo os inquisitores, “de maneira semelhante a uma grande lesma rosada, expiando seus pecados a céu aberto”.

Felizmente nos dias de hoje a maior tortura que sofremos são os impostos, a violência na cidade e a assistência técnica da Speedy.

Porém, na opinião deste humilde servo, existem três crimes cujos praticantes mereceriam passar pela “Roda” sem dó nem piedade: aqueles que praticam violência contra crianças, animais e idosos, tipo de crimes que causam mais repulsa que os efeitos do dito instrumento de tortura. Violência contra quem não pode se defender é um ato cuspível, que como disse aquele político que esqueci o nome, faz aflorar meus instintos mais primitivos.

Pois bem, essa informação eu já tinha há algum tempo, mas não sabia se era verdade. Mas ela saiu essa semana na revista “Superinteressante”, o que dá credibilidade à ela.

Pedófilos criaram uma simbologia pra representar seus mais aviltantes desejos, como uma forma de comunicação e de expressão. Se até seres como pepino-do-mar possuem um sistema de comunicação, não poderia ser mais diferente de criaturas ainda mais inferiores. É de embrulhar o estômago com lixa de pedreiro.

Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico.

Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.

A Roda é pouco pra eles.

Xerox velha só faz poeira preta

Visto no Update or Die, mais um logotipo que sofreu um extreme makeover. Dessa vez é da Xerox, que salvou preciosos centavos de estudantes universitários famintos com suas maquininhas dentro de Centro Acadêmicos, copiando livros que custavam o mesmo que um transplante de medula. Graças à lei dos direitos autorais, é mais difícil, mas não impossível, encontrar alguma copiadora que aceite reproduzir um livro. Mas há 20 anos atrás, isso era comum como raspar cabelo de bixo.

Essa é a escala evolutiva da marca Xerox, que virou substantivo genérico pra qualquer fotocópia.

E pra alfinetar trabalho alheio, a convergência evolutiva geométrica ataca novamente, tal qual aconteceu com o logotipo da Vale:

Afinal, o peixe e o golfinho não brigam na justiça pra saber quem roubou a nadadeira de quem. Mas jogar um videogamezinho básico no meio da criação poderia poupar certos apoquentamentos.

O X em um globo em perspectiva poderá ser ítem base para criação de logotipos de empresas e produtos que possuem a letra X. Como Xenical, que tem tudo a ver com redondo.