Equação fofura

Nada como a ciência pra embasar nosso trabalho nos momentos em que o mercado ou o diretor de arte não o fazem. Foi dica do Tiago Pimentel, do Design in a Box.
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Saiu nesse artigo da Superinteressante: ver coisas fofas e cuticutis aumentam a produtividade. Faz a gente ficar mais gentil e cuidadoso. Se eu olhar pra foto de um gatinho meigo vou apontar o lápis de maneira mais jeitosa. Sexo anal então, nem pensar.

Ainda que eu duvidasse, cliquei nesse link que vai pro artigo e a parada é séria. Aparentemente. Uma tabela de experimentos de variáveis de fofura em relação à intensidade das emoções é algo que você nunca esperaria ver, igual cabeça de bacalhau e Boitatá.
tabela
Mesmo eu tendo feito faculdade de Biologia, não consigo entender esses princípios de fisiologia da meiguice.

Mas por que arriscar? Vai aí um desenho fofo que fiz pro Guia Nutricional do McDonald’s, quem sabe se isso não faz você dar bom dia pro seu porteiro ou abraçar sua namorada depois do sexo?
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Verduras

Pãozinho que mata fome e revira o estômago

Isso eu vi lá na lista da SIB, acho que foi o Adriano Renzi quem soltou a sanguinolenta e panificante história. Como isso é considerado um tipo de “arte”, então tá postado aqui. Pelo menos não é arte do tipo amarrar cachorro até morrer de fome.

Imagine se o seu Manoel da padaria da esquina resolvesse virar serial killer. É a padaria onde Hannibal Lecter compra os baguetinhos pra comer com cérebro fresco e é a mistura de “O Albergue” com farinha de trigo.



A padaria Body Parts fica em Bangkok, na Thailandia, e vende partes de corpos panificados. Segundo o dono da padaria cujos pãezinhos espremem e saem sangue, mais de 100 pessoas visitam o lugar por dia. Imagine passar cream cheese nisso e comer com presunto.

E se faz sucesso, é porque tem gente que compra. E possam torcer os narizes ou revirar os estômagos, mas a verdade é que cada peça é feita com um realismo doentio.


The Scary Body Parts Bakery – video powered by Metacafe

Mas não menos doentio do que os pais lesionados na cabeça que levam os filhos pequenos pra esse lugar.

Isaac Mendez não, Eduardo Schaal

Coicidências são fascinantes, mais ainda pra quem estudo um pouco de filosofia antiga chinesa como eu, pois no fundo elas são relatos de sincronicidade de arrepiar os mamilos. Histórias como aquelas em que o sujeito que escapa ileso do ataque das Torres Gêmeas descobre que sua irmã estava em um dos aviões ou como de um ex-aluno meu que morria alguém na família toda vez que uma garça pousava no telhado da casa são o molho tártaro que deixam a vida menos modorrenta e mais interessante.

Eduardo Schaal é um ilustrador brasileiro, um prodígio de talento que não só eu, mas todos ilustradores que o conhecem dizem que a capacidade de desenhar desse cara é sobrenatural. Hoje ele vive na terra do Wallace & Gromit dominando e administrando as coisas belas feitas em 3D. Como o cara não é café pequeno nem em tamanho, ele já fez os concepts de “Ensaio Sobre a Cegueira” e agora ele manda brasa nos filmes de divulgação da National Geographic e History Channel.

E foi na segunda que ele mandou pros seus mais chegados o último trabalho que ele fez pra National Geographic, estapafurdicamente agora sendo chamada de NatGeo, um filme chamado “Draining the Ocean”: (clica no link porque ainda não tá no Youtube).

E amedrontadoramente, umas quatro horas depois eu vejo daqui pertinho de casa que o lago da Aclimação ficou vazio como carteira no final do mês!! E pior, numa conjunção de palavras que faz seu cérebro estalar de agonia, na hora fiquei sabendo que o lago esvaziou porque CHOVEU DEMAIS (o excesso de água deve ter rompido o dreno do lago que, numa sapiência primata, foi construido na forma de uma coluna de concreto há mais de 70 anos, sendo que quem cuidava da manutenção acreditava que o conceito de imortalidade servia para coisas feitas de cimento).

Fui dar uma olhada de perto quando fui correr hoje e só prevejo a hora em que o sol ficar mais forte e o bodum agredir as narinas.
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Essas fotos foram tiradas pela também ilustradora Rosana Urbes, que mora também pertinho do lago. Tem mais fotos no blog dela, dá uma passada lá.
Aquela coisa no centro do ex-lago que se parece com um pequeno monstro do Lago Ness é uma cisne fêmea que todo mundo achava que estava atolada. Uma turba foi mobilizada pra tentar tirar a penosa, mas descobriu-se no final que ela não estava atolada, pois deu um chapéu em todo mundo. Devia estar um pouco deprê porque o marido foi resgatado e levado pro Ibirapuera. Me deixa em paz!

Temos que pedir para o Schaal não enviar nada do que ele fez com explosões atômicas.

Desenho feito nas coxas

Todos os que odeiam o Carnaval como eu deveriam sacrificar um bode para homenagear o sujeito que criou a TV a cabo, ou jogar uma praga do Egito para quem inventou que ir para a praia nesse período carnal, juntamente com o final de ano, é sinônimo de descanso e harmonia.

Essa noticia já andou rolando uns dias atrás na lista da SIB, mas é tão boa que merece ser lançada aos quatro ventos.

O Baptistão, um dos melhores dois cartunistas do Brasil, cujo poder de desconstruir e reconstruir comicamente as pessoas é quase mutante, teve suas ilustrações indevidamente usadas por uma gostosa genérica (créditos para Azaghal) durante o Carnaval (e esse tapa-sexo do tamanho de um micróbio deveria se chamar placebo hipócrita, só dá segurança emocional pra dublê de modelo, porque entre estar ou não com a rachada perseguida exposta vira somente uma questão conceitual).

Lula na coxa direita, Obama na coxa esquerda chupados (êpa) diretamente e sem pudor (êpa êpa) das ilustrações do Baptistão, cujo resto do corpo foi diagramado de uma maneira que parece trabalho de escola, daqueles feitos com recortes de revista em cartolina.

Se isso tivesse acontecido com um desenho meu, não sei se me sentiria ofendido ou excitado. Tiradas à parte, o fato é que usaram o desenho do Baptistão sem autorização e sem pagamento.

O mínimo que eles deveriam ter feito é ter dado um espaço na bunda dessa menina pro Baptistão assinar, bem grande.

Momento cultura sobressalente que não saiu nas lâminas de bandeja:

A expressão “feito nas coxas” vem desde a época da escravidão brasileira. Escravos doentes demais pra trabalhar no pesado moldavam barro nas coxas pra fazerem as telhas das casas. Mas como uma coxa não é igual a outra, as telhas não ficavam uniformes e quando instaladas davam uma péssima impressão de coisa malfeita.

Como o politicamente correto é um cachorro raivoso e almofadinha, não consegui colocar essa informação numa lâmina de bandeja por que contém a palavra “coxa”. Coxinha pode, porque tem “inha”.

Aqui pra vocês em escala cósmica

[img:Carina.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Cá estou eu preparando a próxima lâmina de bandeja com o tema “Astronomia”, um pouco atrasada mas levantando a bola do Ano Internacional da Astronomia.
Feliz deste ser que não precisa carregar engradado de banana no cais, pois tive que assistir horas e horas do documentário “O Universo”, da History Channel para este trabalho, documentário fodástico que deixa seu cérebro algumas gramas mais gordo, mesmo se sentindo a bactéria da escova de dentes depois de ver tanta coisa em escala e quantidade absúrdicas.

Um dos assuntos que vai entrar na lâmina é sobre nebulosas, as gigantescas fábricas de estrelas – e estapafurdicamente e fantabulosamente existem muuuuito mais estrelas no Universo do que todos os grãos de areia da Terra – eis que me deparo com uma imagem belíssima e ao mesmo surpreendentemente transgressora em escala gigântica:
Esse gesto com mais de 2 milhões de anos-luz de comprimento, segundo a NASA, é chamado de Nebulosa Carina.
Ai que vontade que dá de fazer alguma coisa muito, muito divertida e ao mesmo muito violadora! Não é teste de Rorschach, mas como não pensar em besteira? Tipo, daquelas brincadeiras que o Criador fez no sétimo dia pra quebrar o tédio ou pra passar uma mensagem subliminar/cósmica do que ele acha da gente!
Se não tivesse que comer e comprar ração pro Bisteca eu publicaria isso com todo o prazer quase anal na toalhinha. Claro que se o fizesse, todo e qualquer traço da minha existência neste plano seria apagado com sal grosso.

O desenhista que nasceu sem olhos

Ainda com a TV como principal referência, salve salve TV a cabo, há algum tempo passou um programa na Discovery Channel chamado “Os Super Humanos”, um programa meio boiola que mostrava pessoas com habilidades meio que mutânticas se esforçar muito. Tem alguns que você passa vergonha alheia, como a mulher que enxerga cores em cheiros e sons.

Mas tem um que conseguiu separar meus dentes pela curiosidade e pela perplexidade (como na abertura do antigo desenho animado do Jerry Lewis, tem um trechinho na musica que diz “it’s so confusing, but is so amusing”), que é um senhor turco, Esref Armagan, que é cego de nascença e consegue desenhar, logicamente não tão bem quanto o Alarcão, mas o cara não tem os olhos e desenha!!!

Glaucoma depois de ver isso vira pelo encravado. Cogitar, e apenas cogitar, que é possível ilustrar sem depender dos olhos, é tão bizarro como imaginar sentar sem bunda.

O maior desenho do mundo ainda é aquele que sua mãe elogia

Há alguns dias atrás, algumas pessoas mandaram um post com a mesma premissa: “põe lá no teu blog, tem a ver com desenho”, ou “essa você tem que postar, é duca!”.

A história era a seguinte: em março, um artista sueco chamado Erik Nordenankar mandou uma com um GPS dentro para a DHL, com instruções precisas do caminho que a pasta deveria fazer até chegar ao destino. Depois de 55 dias, a pasta voltou pro sueco.

Depois ele pegou os gráficos gerados pelo monitoramento do GPS e daí nasceu o maior desenho do mundo, que na verdade é um autoretrato do megalômano europeu do norte.

Seria divino se você não reparar nos detalhes dos cabelos, mãos e rosto. Afinal, desde quando você instrui como um piloto de avião da DHL deve voar para chegar em um determinado destino, e todos os vôos comerciais são uma linha reta de um ponto a outro. Nem um cachorro atordoado com a perda do dono faz um caminho tão errático assim.

Conclusão: o maior desenho do mundo não passa de uma tentativa pífia de ser a maior propaganda viral do mundo.

Mas se fosse verdade, quanto custaria uma ilustração do tamanho do globo, que levou 55 dias pra fazer e com uso ilimitado das imagens?

Não chores por mim, Cristina

Chamem o Baptistão, paguem pra ele uma passagem pra Argentina e dêem um trator pra ele fazer uma caricatura da Cristina Kirschner. Porque essa daí da foto parece uma tatuagem de 5 reais feita com transfer gigante.

Esse desenho da presidenta penosa da Argentina, Cristina Kirchner, foi feita em um campo de soja por Gonzalo Rodríguez em protesto dos produtores rurais contra a política econômica do governo contra os coitados.

Assim como os crop circles do filme “Sinais”, vai saber se esse tipo de desenho não atrai outro tipo de inteligência ou entidade, como o espírito penado da carreira de Maradona?

Que maneira mais ingrata de se desperdiçar tofu.

Como colocar um japonês dentro de um rolo de papel arroz

Pra quem assistiu “O Albergue”, isso é como desenho do Zé Colméia. Para quem não, vira igual “Happy Tree Friends”, pode ser útil o conselho para não acessar o link quem almoçou gohan com sushi.

Essa prancha é um tratado anatômico feito no Japão em 1819. Na verdade, não é uma prancha, mas um pergaminho roliço, igual aqueles que você vê em filmes de samurai. Chama-se “Pergaminhos de Anatomia de Kaibo Zonshinzu, ilustrado pelo médico Yasukazu Minagaki, consistindo de várias etapas de 40 homens que foram condenados a perder a cabeça sendo dissecados sistematicamente, da cabeça aos pés, passando pelas partes íntimas e que não tomam sol. Tem mais sangue, músculos e tendões do que as páginas do mangá “Blade”, que capturou um pouco do clima desse trabalho. É o “Gray’s Anatomy” – o livro, não a série adocicada – versão nipônica e grotesca.

Nesses dois links estão os scans desse pergaminho que espreme e sai sangue.

Betty Boop tinha carne e osso; mais carne do que osso

Nem só de novidade vivem os blogs, existem muitas curiosidades curiosas que moram nas areias do passado. Betty Boop é uma delas. E essa versão esqueletal é do ilustrador Marcus Paulus, que descarnou vários personagens de quadrinhos e desenhos animados para exibir seus ossos cômicos.

Embora esteja acontecendo uma renovação pelo interesse da mocinha que já foi considerada escandalosa pela sociedade pudica da época, mais por causa das empresas de licenciamento do que por mérito, Betty Boop seria a rainha da artrite e da ruga, pois foi criada em 1930 por Max Fleischer.

Arracando mais um espaço disponível para cultura inútil no cérebro, descobre-se que a Betty Boop teve um ancestral de carne e osso, uma versão mamífera e morna e também lasciva.

Helen Kane nasceu em 1906 e morreu em 1966. Era uma cantora famosa em 1920 quando Fleischer usou-a como modelo para Betty Boop. O famoso bú-bú-pidú da Betty Boop era marca registrada de Kane, e dizem as lendas horrorosas do pântano dos direitos autorais, Helen Kane não ganhou nem um punhado de feijões mágico pelo uso da imagem.

O maior plágio de ilustradores do mundo

Uma coisa a gente tem que admitir: piratas maledicentes e usurpadores de propriedades autorais têm culhões. Somente alguém que não tem medo do desconhecido e de uma multidão em fúria faria uma coisa dessas.

Saiu no blog Drawn.

Já piratearam ovos, iPhone, carros, até a Disneylândia. E agora eles piratearam um catálogo completo de ilustradores.
Não um, nem dois, nem vinte. Mas dezenas e dezenas de ilustradores que tiveram suas ilustrações usadas nesse catálogo chinfrim sem autorização. Não contei, mas arrisco a dizer que chegam a quase 100 as vítimas dessa larapiedade.

O crime se chama Colorful Ilustration 93ºC e custa mais de 100 doletas.

Tem gente de peso, como Luc La Tulippe, Eboy, e tem até brasileiros, como o Ademas Batista. Todo mundo roendo a perna da mesa de raiva.

Pra quem duvidar, aqui vai uma página com todas as páginas do livro fotografadas.

O mais safado dos piratas amarelos pode dizer que eles estão divulgando a arte do ilustrador, que é bom pra ele, como acontecem com algumas publicações por aí. Pura balela, discurso escapista de pilatra pirata. Por 100 dólares, alguma coisa deveria retornar no bolso do artista, e não enriquecendo cofres imundos de fuligem e gordura de pato.

Thriller!!

Corram crianças!!

Desde que a casa caiu para o aspirante a mutante com poderes transmorfos capengas e que carrega o odor inato de pedofilia exalando pelos poros e orifícios, ele abandonou Neverland, que mais se parecia com aquela casa que era um defeito na Matrix, na série Animatrix (porque tudo deveria parecer normal, mas de normal só o ar que se respira). Hoje a situação do rancho é a mesma daquele apartamento do seu cunhado que não paga prestação há meses, fica na tangente de ser leiloado, pagando o mínimo no último minuto.

Jonathan Haeber
foi lá fotografar o covil à noite e o que saiu foi uma série de fotos que fariam Norman Bates (vulgo “Psicose”) chorar de saudade. Talvez nem fosse a intenção de Haeber mostrar um lugar que apetesce mais a espíritos baixos do que humanos desprezíveis, uma vez que ele não partilha de um sentimento de linchamento moral pelo cantor esbranquiçado. Neveland se mostra agora como um muquifo assombrado, caindo aos pedaços e exalando karma ruim pelo ralo, digno de se filmar uma continuação de “O Albergue”.

De dia as fotos só tiram o ar macabro, mas expõem mais o lado miserável e decadente do lugar.

Tenha medo, tenha muito medo – disse a namorada do “Mosca”.

Vai saber se a parte mais horrível na verdade acontecia quando Neverland ainda era uma mistura de “Veludo Azul” com Disneylândia, quando O Temível trazia crianças pra lá para transformarem em seus companheiros de aventuras?

Nem que eu tenha que fritar um elefante pra provar que estou certo

Mais um off-topic que não tem nada a ver com ilustração, mas como sempre tem a ver com inspiração, e um um bocado de indignação. Sempre digo que a Cintiq sem energia elétrica tem a mesma utilidade que um tijolo no fundo do mar, então todo mundo hoje quando se abaixa pra plugar um carregador de celular na tomada está reverenciando de tabelinha Thomas Edison.
Várias histórias rondam esse sujeito, desde o cara genial até o obstinado que tinha uma fabriquinha de patentes. Mas como um amante dos animais sem conotação sexual como eu sou, Thomas Edison caiu uns pontos no meu conceito.

Thomas Edison queria que queria provar para o público que energia elétrica era perigosa (era 1903, os tempos eram outros, eletricidade era uma novidade esfuziante como um iPhone funcionando na periferia de Carajazinho do Oeste). Para isso, ele eletrocutava gatos, viralatas e cavalos. Mas nesse filme que ele captou, ele pensa grande: simplesmente frita um elefante com a força da corrente alternada, deixando o paquiderme estirado no chão como uma empanada quente e gigante. Toda história tá aqui, na Wired online.

Graças a isso, Thomas Edison deveria estar no inferno dos elefantes sodomitas. Sendo castigado que nem esse sujeito:

Ah, se fosse hoje….

A linguagem dos monstros

Durante a Inquisição, época terrível em que Torquemada e seus seguidores matavam e torturavam qualquer judeu, homossexual e herege em nome de Deus com uma criatividade negra que os faziam parecer como os cenobitas, de “Hellraiser”. Tive a oportunidade estranha de visitar o Museu da Tortura, em Portugal, e você fica impressionado com a variedade e engenhosidade das máquinas de tortura, algumas tão cruéis que fazem “O Albergue” parecer a irmã mais nova de “A Noviça Rebelde”.

Uma das que mais deixam seus olhos arregalados como ovos fritos é “A Roda”. Um instrumento de madeira onde a cada movimento da roda quebravam vários ossos do condenado (chegando ao requinte no final dos membros ficarem entrelaçados como lençois de motel). Libertado da roda, o condenado era besuntado de azeite e jogado em praça pública, sem nenhum osso inteiro e agonizando, segundo os inquisitores, “de maneira semelhante a uma grande lesma rosada, expiando seus pecados a céu aberto”.

Felizmente nos dias de hoje a maior tortura que sofremos são os impostos, a violência na cidade e a assistência técnica da Speedy.

Porém, na opinião deste humilde servo, existem três crimes cujos praticantes mereceriam passar pela “Roda” sem dó nem piedade: aqueles que praticam violência contra crianças, animais e idosos, tipo de crimes que causam mais repulsa que os efeitos do dito instrumento de tortura. Violência contra quem não pode se defender é um ato cuspível, que como disse aquele político que esqueci o nome, faz aflorar meus instintos mais primitivos.

Pois bem, essa informação eu já tinha há algum tempo, mas não sabia se era verdade. Mas ela saiu essa semana na revista “Superinteressante”, o que dá credibilidade à ela.

Pedófilos criaram uma simbologia pra representar seus mais aviltantes desejos, como uma forma de comunicação e de expressão. Se até seres como pepino-do-mar possuem um sistema de comunicação, não poderia ser mais diferente de criaturas ainda mais inferiores. É de embrulhar o estômago com lixa de pedreiro.

Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico.

Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.

A Roda é pouco pra eles.

A sacanagem está na mente de quem a cria ou de quem a procura?

Anúncio singelo dos anos 50 ou 60, vendendo tapetes. Ilustraçãozinha básica, coisa digna de aparecer em caderno de domingo pra ler com a família no aconchego do lar. Até aí, nada demais.

Até que um dia surgiu alguém que viu isso e teve a intuição de virar o jornal de cabeça pra baixo…

Aí ele pegou um pedaço de guardanapo e tapou uma parte do desenho e …..tcharam!

Tirem as crianças e o cachorro da sala! O que era meigo e inocente virou despudorado e indecente.
Para alguém chegar até nesse ponto foi preciso de muita imaginação. Ou como dizem nos filmes, era o homem certo na página certa.

Guitar Hiro

A maldição dos Hiros vai durar até terminar “Heroes” (sim, todo Hiro, que é como Zé no Japão, já passou por uma situação que vai da constrangedora ao efervescente por causa desse nerd que gosta de segurar espada). Torcemos para que ele não se torne o novo Senhor Spock.
Mas como um refinado apreciador de games, essa imagem que me enviaram de uma camiseta à venda na internet é interessante, o que faz aumentar minha coceira de ter um exemplar de Rock Band em minhas mãos, coisa que não acontece por que meu gosto musical puxa mais pra Cole Porter do que pra Slash.

Mas trocadilho por trocadilho já basta o meu blog.

Denunciado pela napa

[img:Chaves.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Ilustradores caricaturistas, contemplem uma possibilidade de carreira dentro da polícia, e não é servindo quentinhas pra marginal em condição de mobilidade restrita, politicamente corretamente falando.

A caricatura do retrobolivariano Chaves, do fantabulérrimo Baptistão é só pra ilustrar a notícia que saiu no Boing Boing há alguns dias de que a Universidade de Lancasher Central fez uma pesquisa e descobriu que caricaturas são mais eficientes do que o retrato falado modorrento para testemunhas oculares lembrarem de seus algozes. Um detalhe exagerado, como uma napa proeminente ou uma orelha dúmbica podem contribuir em duas vezes mais para refrescar as memórias de quem lhes foi subtraído algo por terceiros.

Qualquer semelhança é merda coincidência

Quem trabalha com design, publicidade, ilustração, culinária, etc., sabe que esses mundinhos às vezes se parecem com chá da tarde na casa de tias solteironas e peçonhentas, daquelas que escorrem veneno no canto da boca fazendo picuinhas. Mas não há de se culpar os críticos de sofá ou prancheta, a verdade é que o outro lado também fornece munição para farta distribuição de porrada. Afinal, achar pêlo de pato em trabalho dos outros, achar defeito em vestidos para casamento (para as mulheres) e tirar barato da miséria do time alheio ainda são esportes não-olímpicos preferidos da humanidade.
[img:Vale.jpg,full,alinhar_esq_caixa]
Essa aqui eu vi no Uptade or Die. O novo logotipo da Vale do Rio Doce, que candidamente agora só se chama Vale.
O catálogo de Pantone possui 2.000 cores, segundo a versão Goe. Juntando duas cores sem repetir, dá um total de 2 milhões de combinações. Falta de opções ou a segurança morna e tenra da combinação segura como vermelho-e-azul-anil?
Como não sou designer, talvez tenha deixado escapar uma tartaruga enquanto vigiava outra.

Se a cor já é uma incógnita, agora a forma…

Jack, pintor impressionista e estripador nas horas vagas

[img:Sickert.jpg,full,alinhar_esq_caixa]A verdadeira vingança dos nerds se deu com o Grisson, chefe murrinha de C.S.I., um dos poucos personagens que mostra que ser CDF é ser bacana. Na Inglaterra vitoriana, não existia Gil Grisson, no máximo o Inspetor Frederick Abberline.

Há alguns anos, a escritora Patrícia Cornwell escreve um romance chamado “Portrait of a Killer: Jack the Ripper – Case Closed” onde ela supunha que o sujeito mofento que virava as prostitutas de Londres do avesso no começo do século XX era um pintor impressionista inglês chamado Walter Sickert. O livro fez algum auê um tempo atrás porque Cornwell alegava que o que ela havia colocado no livro era legítimo e realmente Sickert era na verdade Jack, o Estripador. Pesa contra a autora a prolificidade que ela publica romances detetivescos, como alguém que solta empadinhas numa festa de criança. Como não li o livro pra dar os pitacos, fico ainda com “From Hell”, de Alan Moore, esse sim de dar nó em bainha de mielina.

O fato é que Walter Sickert existiu de verdade, e pintava de verdade. Resta saber se estripava de verdade.
Ele pintou uma série de quadros funestos chamados de “Assassinatos de Camdem Town”, uma série retratando várias interpretações da cena de uma prostituta assassinada com um sujeito sorumbático sentado na cama.

Sickert é um dos poucos, senão o único, a juntar as palavras “mórbido” e “impressionista” numa mesma tacada.

Quanto custa um personagem para a Copa do Mundo?

[img:Hanh.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Aproveitando o gancho dos megaeventos esportivos que destroem e constroem coisas belas, a dona de um escritório de design, em uma conversa informal, perguntou pra mim qual seria o valor para a criação do mascote para a Copa do Brasil em 2014.

Respondi brincando que não fazia a mínima idéia, mas que devia ser um trabalho tão desgraçadamente complicado, que levaria tanto tempo para encontrar os valores e daria tanta dor de cabeça para checar os dados que eu cobraria só pra fazer o orçamento. E que dependendo de como vai estar o ânimo do governo na época, acrescentaria uma porcentagem se insistirem em usar um indiozinho ou um psitacídeo (papagaio, periquito ou arara) como símbolo.

Uma anta ou uma capivara daria pra dar um descontinho. Ou valorizando os animais menos favorecidos de maneira individual na escala evolutiva, a tanajura daria um belo mascote.

Minha primeira ilustração teve algo de fezes

Graças ao seu Roque, pai da minha amiga Tina Brand, consegui recuperar algo que achei que estivesse perdido pra sempre nos anais do tempo e espaço. E bota anais nisso.

Esse repolho acima foi minha primeira ilustração. Foi o primeiro desenho que eu fiz na minha vida remunerado. O ano era 1986, e foi para um fascículo chamado “Vida” da Editora Três, que era um guia de autosuficiência que ensinava a fazer sabão de gordura de picanha a plantar milho em um barril.

Eu era um completo idiota naquela época, mas era um idiota sortudo. Tudo na minha carreira foi por acaso ou por causa de mulheres. Nesse caso foram os dois.
O lugar era perfeito. Hoje vejo como tive sorte, pois não entendia porra nenhuma de desenho, mas recebia dicas áureas do Brasílio Matsumoto, que também ilustrava para a revista (ele ilustrava, eu rabiscava). Nas redações que eu ficava dando um giro, pudo ver o Luis Gê como diretor de arte da Status (acho que era Status), pude ver o Chico ou o Paulo Caruso (impossível saber quem era quem) finalizando as charges para a revista Senhor e sempre dava um encontrão no banheiro com o Maurício Kubrusly, na época editor da Som Três.

A história desse repolho é verídica. Mesmo.

Cheguei até a editora por causa de uma paquerinha. A paquerinha trabalhava na redação da revista Vida e viu que estavam precisando de um ilustrador.
Eu não era ilustrador, mas rabiscava estupidezes nos cadernos da faculdade de Biologia, o que era suficiente para ela me indicar ao cargo, coisas que a falta de consciência faz nas pessoas.
Quando esse repolho foi encomendado como teste, Saulo Garroux, diretor de arte na época, pediu que ele fosse aquarelado.
Nunca havia feito nada em aquarela, somente com caneta Bic.
Em um final de semana, comprei uma aquarela Guitar vagabunda, um pincel Tigre ainda mais vagabundo e dois pés de repolho, também vagabundos.

Fiz o que deu pra fazer, uma merda verde e outra roxa.

Chegando na redação pra apresentar o trabalho, uma reunião de emergência invocada pelo dono da editora Triês, editor-mor e ex-galã de fotonovela Domingos Alzugaray forçou a turma da revista a me dar um chá de cadeira.

Durante a espera, fiquei fuçando uns livros na prateleira. Eis que de repente, abro em uma página com um…..repolho aquarelado!

E foi aí que apareceu a primeira referência na minha vida. Comparando a ilustração do livro com o que eu fiz, uma luz se abriu no teto e vi o que tinha que ser feito.
Como eu estava com a pasta com a aquarela e os pincéis, levei o livro pro banheiro e me tranquei na privada.

E foi lá dentro, no cantinho onde centenas de pessoas castigaram a porcelana, que eu comecei a retocar a ilustração, usando a água da privada pra molhar e lavar o pincel. Sons flatulentos úmidos e pastosos, sons de jatos de líquidos mornos sendo expelidos e sons de bolas de bolos alimentares fazendo chabum acompanhados de cheiros nauseabundos de gás metano e enxofre belzebúlico vinham das pessoas que ocasionalmente vinham ao banheiro para despejar seus excretas, mas estava tão entusiasmado com a minha descoberta que isso não desviava minha atenção.

Depois de uma hora, saí do banheiro e entreguei as ilustrações ainda úmidas com a água semifecal. O diretor de arte adorou o trabalho e fui contratado, começando a partir desse momento a deixar de existir como zoólogo e a existir como ilustrador. Que na verdade levaram mais de 10 anos pra que eu pudesse ser chamado honestamente como um ilustrador.

Zodíaco e o cartunista que virou perdigueiro

Quem viu o filme “Zodíaco“, do David Fincher (Seven, O Clube da Luta), viu que a história (real) tem como um dos personagens principais um cartunista, Robert Greysmith, que escreveu o livro que que foi a base do roteiro do filme. Ele trabalhou no San Francisco Chronicle fazendo cartuns políticos bem no estilo gráfico da grande maioria dos cartunistas americanso, cheios de hachuras e linhas soltas, como os trabalhos de Berke Breathed, Vince McCormick e Garry Trudeau.

Como no filme não mostra absolutamente nenhum trabalho de Greysmith, abaixo vai alguns cartuns antes dele quase perder a cabeça caçando o Zodíaco.

E num oferecimento mórbido para quem é fã daquela revistinhas Picolé de criptogramas e consegue resolver Sudoku sem borracha, abaixo é um dos enigmas enviados pelo coisa-ruim ao jornal onde Greysmith trabalhava.

No filme é mencionado o livro “Codebreakers”, usado pra decodificar o enigma. Mas curiosamente, a mesma chave e método de decodificação, bem simples por trocar uma letra por um símbolo, apareceu antes no conto “O Escaravelho Dourado”, de Edgar Allan Poe.

Arrastador de veados

Fico na esperança de que exista um oitavo círculo escondido no inferno para pessoas que fabricam ou vendam coisas que fazem mal. Um círculo específico para fabricantes de armas, minas terrestres, traficantes de drogas, vendedores de produtos pra emagrecer com estratégia de marketing multinível, fabricantes de cigarros ou inventores de apetrechos para caça.

Quem imaginaria que pudesse existir algo assim pra vender? Um arrastador de cadáveres de veados. O produto deixa um gosto estranho na boca e a embalagem gera karma ruim pro designer que o criou.
Issa!

Latrina nacional

Angelo Shuman, um dos grandes ilustradores brasileiros, tanto em talento como em altura, criou essa tarja em protesto aos eventos fecais ocorridos essa semana em Brasília.

Ele liberou o uso disso pra qualquer um que queira usar como protesto. Em suas próprias palavras, “uso livre, podem usar o arquivo para fazer adesivos, canecas, chaveiros, pau de macarrão, etc”.

Enxofre e tinta à óleo

Já vi gente que conseguiu vender um iPhone Nano e Shuffle (!!) no Mercado Livre. É como o ditado popular diz: nasce um otário a cada minuto. Enquanto eles existirem não vai faltar espertos, principalmente nesses leilões virtuais. No pai do Mercado Livre, o eBay, você encontra mais coisas bizarras. Já teve gente vendendo a própria esposa, um vidro com ar das pirâmides e um rim.

Em 2000 uma história muito bizarra saiu do cantinho das negociatas escusas do eBay pra entrar nos arquivos X da vida. No disse-me-disse, no boca-a-boca, a história de um quadro assombrado vendido atravessou os continentes pra virar lenda urbana.

O quadro se chama “The Hands Resist Him”, pintada por Bill Stoneham em 1972. O aspecto angustiante e depressivo do quadro deve ter dado origem à essa falácia, além de um detalhe perturbador, que era como a boneca refletia a luz dependendo de que ângulo era visto. Relatos dizem que pessoas ficaram doentes, criaturas e sons estranhos apareciam nas janelas das casas de quem comprava o quadro. Dizem que o primeiro fulano que comprou o quadro morreu após a compra macabra. Tudo bem, morreu 12 anos depois, em 1984, mas morreu. O bastante pra alimentar mais a fama de demoniado. Stoneham, ao contrário, continua vivinho e ainda ganhando dividendos da fama negra desse quadro.

As pessoas acreditam naquilo que querem acreditar, ora pois. Se você digitar “haunted painting”, irá aparecer três ou quatro quadros alegadamente assombrados, tentando seguir os mesmos caminhos desse quadro. Já não bastava os quadros de crianças chorando visto como coisas do além-túmulo.

Quer passar mal e ter a sensação agonizante de algo semimorto rondando em casa por causa de algo pendurado na parede? Olhar prum pôster do Michael Jackson na meia-luz deve acabar com a sanidade de qualquer um.

Post Scriptum: só pra provar que não estava brincando quando vendem qualquer coisa no eBay, vejam só o anúncio de um espírito num pote à venda. Não deve ser um espírito de gente, deve ser de um passarinho que morreu aí dentro porque não fizeram furinhos na tampa.

Buzz

Não tem muito a ver com ilustração, ao mesmo tempo que tem, pois muitos ilustradores também são diretores de arte, e sendo diretores de arte sempre tem que ter um olho na estética e outro em desenvolvimento de conceito e no marketing.

Em marketing falar “bonito” é fundamental. Grupo social vira networking, público-alvo vira target, orçamento é budget , tendência é trend e o buxixo boca-a-boca é chamado de buzz.

Buzz é uma das táticas mais eficientes hoje em dia para se vender e promover um produto ou uma marca. Não empurra nada, não existe uma divulgação maciça e psicologicamente você fisga o consumidor pelo desejo ao mesmo tempo pela opinião formada dos outros que juram de pés juntos que é bom à beça porque disseram pra ele que é bom à beça. É o marketing viral, ou simplesmente viral, que vai se espalhando e entrando na cabeça das pessoas de maneira beem suave, mas quando menos você percebe, tá seco pra comprar. São aquelas coisas que vêm do nada e todo mundo tá comprando ou está presente nas conversas de almoço por quilo. Como aquele tênis com rodinhas ou esses tamancos feios de plástico furado que tá na crista da onda. Como eu trabalho muito com marketing infantil, o buzz é uma das maneiras mais supimpas de divulgar qualquer produto nesse público, para desespero dos pais e pedagogos.

Há algum tempo rola na internet um filme que é uma das melhores estratégias de buzz para divulgar um site e uma empresa.

A história desse vídeo muita gente conhece. É a turma feliz como pinto no lixo que trabalha na Connected Ventures, uma empresa que trabalha com web, fazendo um lipdub da música Flagpole Sitta.

Todo mundo comenta exatamente a mesma coisa: eu quero trabalhar lá. Cheio de gente jovem, magra, simpática e bonita, num astral de festa de amigo secreto num ambiente de trabalho que parece um centro acadêmico em dia de trote. 0 vídeo é muito bem feito, a dublagem é profiça e você sempre termina de vê-lo com um sorriso na boca. O suficiente para aquele que trabalha em um emprego pegajoso e remerrento sinta vontade de pular pra dentro do monitor, ou então ele solte uma lagriminha pensando que ele é um bosta num emprego de merda. Os comentários no Vimeo confirmam isso.

Novamente em termos marketeiros, o que a Connected Ventures fez foi um lucky strike, a melhor propaganda institucional desse ano e você nem percebe isso. Com certeza ela foi planejada para ser divulgada dessa forma, os fãs fazem o serviço de divulgação, pois é algo legal e barato, dando a impressão de que qualquer um, contanto que esteja feliz e trabalhando num lugar legal, consiga fazê-lo. Basicamente é o mesmo que aconteceu com a divulgação dos clips da banda Ok Go. Pessoal esperto.

É questão de algumas semanas ou meses de aparecer alguma campanha publicitária feita por alguma agência parruda usando esse conceito (gente feliz, bonita dublando uma música fuá, se é que já não existe) para algum produto deslocado, sem chegar no resultado do original.

Sobrou até para a garota bonitinha que canta no começo do clip, Amanda Lyn Ferris. É uma das responsáveis pelo sucesso entre os barbados e já tem sites especializados em internet e vida digital considerando a mocinha a nova musa da internet (existia uma antes?). Logo, logo aparece na revista Wired, se é que já não apareceu.

Para pá-pá….

Fuck you, como diria Milton Glaser

Essa perolazinha encontrei no blog do Alarcão.

Essas pestes que aplicam golpe do vigário envolvendo ilustradores, fotógrafos e toda sorte de fornecedores de serviços, aparecem a todo momento, inclusive tentando flertar com lendas vivas como Milton Glaser:

Essa quem me contou foi o ilustrador Mirko Ilic, amigo do Milton Glaser, fundador do histórico Push Pin Studios e designer gráfico de fama internacional.

O designer liga para o “gentleman” Glaser para orçar um projeto de cartaz. Sem ter a menor noção de que fala com um profissional que é uma lenda-viva nas artes gráficas, o jovem dá início à sua abordagem profissional.

- “Mr. Glaser, queremos contratá-lo para fazer um cartaz, etc e tal… Quanto o Sr, cobra?”

- “Entre 10 e 20 mil”

- “Whoa! Tudo isso? Será que podemos chegar a um meio-termo? Pense bem, afinal um cartaz terá sua ilustração bem grande, ficará exposto em vários locais de circulação onde muita gente vai poder vê-lo…”

Silêncio do outro lado da linha.

_ “Isso sem contar na divulgação do seu nome, Mr Glaser. Será que conversando podemos chegar a um valor mais em conta, dentro do nosso orçamento?”

_ “Fuck you” , disse o gentleman Milton Glaser antes de bater o telefone.

O mundo do Guia do Ilustrador

O Ricardo Antunes enviou um relatório de como anda o Guia do Ilustrador , o equivalente do Manual do Escoteiro Mirim para quem trabalha com desenho, pelo mundão afora. Vai muito bem obrigado, pode-se dizer de boca cheia que ele conquistou os 5 continentes. Depois de pouco mais de 2 meses, mais de 10.200 downloads foram downloadados em 63 países diferentes. Mais um pouco e até o Vaticano vai entrar na lista.

Não contam aí os arquivos enviados por ftp, e-mail ou disseminados por aí de maneira informal, é o Clube da Luta dos ilustradores. E bota luta nisso.

Olha pra cima

Recebi de várias pessoas esse “bottom virtual” pedindo para postar no blog como forma de protesto. Então tá, como falar não?

Num momento trágico onde as autoridades (defina autoridades) brincam de batata quente com um assunto que há tempos era uma tragédia anunciada, surge uma forma de protesto interessante. Na falta de um nariz vermelho, que virou chavão, alguém criou um símbolo gráfico bem elaborado pra dar voz a milhares de pessoas que querem uma resposta e uma solução já. Foi criado por Neto e Michel Lent.

Independente se essa é a melhor solução, pelo menos é alguma coisa, é uma forma de protesto. Talvez a única para muita gente que se sente impotente, por mais que o governo diga que é imaginação e exagero seu.

Quem viaja de avião constantemente como eu fica com o coração do tamanho de uma ervilha com essas notícias. Eu, que sempre defendi a idéia de que voar era mais seguro que andar de carro, agora acho o contrário. Graças à esse pessoal dá outra dimensão à palavra “idiota”.

É uma estupidez com atestado e carimbo. Até mesmo quem joga SimCity não faz um aeroporto nessas condições, não o cerca com centenas de prédios e casas e dá uma área de escape curtinha.

Das coisas nascem coisas

O título acima é de um livro fantástico do designer e pensador Bruno Munari, leitura obrigatória, depois dos livros de Gianni Rodari, para quem trabalha com criatividade, principalmente por que são livros que fazem você pensar de maneira a dizimar rastros de endurecimento mental. Desse livro eu volto mais tarde pra falar sobre ele.

É que o post das charges políticas me fez lembrar de uma conversa que eu tive com o Leo Gibran sobre a Mafalda.
Que a Mafalda nasceu de um erro, de um projeto que não deu certo. Ou seja, de uma coisa que nasceu outra coisa, também.

Curiosa a sequência de acasos que culminou na Mafalda política véia de guerra:
Em 1963, a agência argentina Agnes Publicidad procura um ilustrador pra desenvolver personagens para seu cliente, uma empresa de eletrodomésticos chamada Mansfield. A agência contrata um ilustrador chamado Miguel Brascó.
Brascó só foi à agência por causa do nome do funcionário entrou em contato com ele, Norman Briski, por que ele viu um sinal num sobrenome que era a mistura do seu nome com a de um outro ilustrador que ele gostava, chamado Oski (que salada).

Ao chegar lá, Brascó viu que o projeto não tinha a sua cara, além de estar atolado de trabalho, então passou o job pro seu amigo, Joaquim Lavado, o Quino.

Quino, por sua vez, faz várias tirinhas para o cliente. O cliente, e a agência, por sua vez, mudam o briefing e o trabalho do Quino, recusado, ficou órfão. Quino então guarda as tirinhas na gaveta pra virar comida de traça.

Um ano depois o jornal “Primera Plana” liga pro Quino pedindo umas tirinhas. Ele enxota as traças da gaveta, leva as historinhas que iriam virar campanha publicitária, dá o nome pra menina de Mafalda por causa de um bebê que ele viu em uma novela, as historinhas são editadas e o resto todo mundo já conhece.

É como eu sempre digo à exaustão (e quem me conhece sabe que faço isso): as coisas não acontecem por acaso.