Ponto Bacon: o ponto em que fica insuportável a bagunça no seu estúdio

Quando era criança, fiquei aterrorizado com esse quadro, que estava em um maldito livro escolar. É a sua versão agonizante do Papa Inocêncio X, os dentes macabros sempre me acompanhavam na turma do medo da escola, que eram o Bebê-Diabo, a Loira do Banheiro e o quadro do Francis Bacon. Mesmo eu, um infante imberbe de uns 10 anos, reconheci um clima de terror e um famigerado clima de Hellraiser ronando esse quadro. E tive o prazer de vê-lo ao vivo, em uma mostra especial a Francis Bacon, que acontecia no Museu Metropolitan de Nova York. Foi muito estranho olhar ao vivo uma imagem que me trouxe terror por um bom tempo e que fez crescer pentelhos brancos de medo, foi quas euma porrada na consciência. Metaforicamente foi o mesmo que ter visto uma foto do bebê-diabo com atestado de autenticidade.
08060104_blog.uncovering.org_ospapas
Sabe-se lá porque a fixação de Francis Bacon com o Papa Inocêncio X, mas sabe-se que tudo veio quando ele viu reproduções gráficas do quadro do mesmo Papa Inocêncio X feito por Velasquez.
08060102_blog.uncovering.org_ospapas

Toda vez que eu acho que meu estúdio/quarto tem camadas de bagunça empilhadas em demasia, eu olho para as fotos do quarto em que Francis Bacon trabalhava e fico mais tranquilo, colocando mais uma pilha de livros em cima da pilha de jornais velhos que já estavam em cima da pilha de caixas da mudança ainda desempacotadas.
Bacon's-Studio
Levariam anos sem faxineira ou sem o carinho de uma vassoura de piaçava pro estudio de qualquer vivente chegar a esse ponto. Mostre as imagens pra sua mulher quando reclamar da sua bagunça. Viva Bacon!
MESSY7

Uma peladona na minha parede

[img:DSC0147666.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Aah, Tio Faso que me perdoe, mas traí meu ideal de ter um bonequinho de pano dele em primeiro lugar para dar lugar às damas. No caso, a Suppa, ilustradora e artista com aromas franceses, a quem já dediquei um post aqui. Eu tenho uma DONA, uma série de bonequinhas de pano criadas por ela em parceria do estúdio Colírio. Como, meu Deus, como não ter uma boneca da Suppa?

Ela fez cinco Donas: a Peladona, a Madonna, a Donadesi, Donadela e Donadinha. Eu tenho a Peladona, essa aí do lado.
O texto que acompanha cada uma das bonecas, compridas como uma dama francesa (60 cm de formosura) é hilário. Infelizmente, como dei minha etiqueta, fico devendo esse texto.
Presente perfeito para mulheres em geral: para as poderosas, separadas, ansiosas, desmioladas ou carentes. As mimosas também.

Custa cerca de 120 mesetas na Livraria POP.

Em seguida vou conseguir um Mini-Mi do Tio Faso pra casar com a Peladona.

Que voz de homem de queixo grande você tem!

Uma amiga minha que prefere se manter no anonimato por vergonha ruborizante, mandou esse link genial que ela viu no blog Saber é Bom Demais.

Fãs de desenhos animados, que acumularam medidas na cintura de tanto ficar sentado na frente da TV em troca de uma quantidade fantabulosa de cultura inútil que hoje não tem preço vão sentir cheiro de café com leite e bolinho de chuva à tarde quando virem as vozes que dublavam esses desenhos. É melhor que uma lista, são as fotos dos dubladores e as imagens dos personagens que eles deram as vozes. Meu Deus, falando em dublagem, alguém me dê uma cópia dublada de “O Filme Mais Idiota do Mundo” que não existe pra vender, nem pra baixar e é o melhor desopilante de fígado à base de risada que tem por aí.

Guilherme Briggs foi o segundo cara que eu aprendi a admirar como dublador (o primeiro era o Lima Duarte com a voz agradabilíssima do Manda Chuva), porque mesmo se eu tiver um arranca-rabo com um art buyer de sair sangue e pele debaixo da unha e voltar, é só assistir algum desenho dublado por ele com esse timbre histérico-gay-alucinado que funciona melhor que chá de boldo. Perco meus quinze minutos que não voltam mais assistindo “Padrinhos Mágicos” por causa da voz do Cosmo. Em Portugal o desenho se chama “Meus Padrinhos São Mágicos”.

O bizarro-mais-que-bizarro é que ele é a cara do Freakazoid, que ele também dublou.

Piiiiixels pra caray!

Dêem uma olhada nesse passo-a-passo desse castelo construído pixel a pixel e sinta sua cabeça explodir como se tivesse aberto a Arca da Aliança sem a devida precaução.

40 horas de trampo e usando apenas 36 cores pra fazer esse trabalho, que de tão detalhado se torna um daqueles que você exclama “Vá se f….”

O site Pixels Go Mad, onde está esse passo-a-passo também é muito interessante, é uma compilação de centenas de vários tipos de ilustrações pixel art ou baseadas nesse conceito.

Arte que não choca é desenhinho

Não tenha medo de olhar o quadro abaixo, achando que vai encontrar respingos de esperma ou outros fluidos inenarráveis.
É um quadro quase branco mesmo. O autor disso foi Robert Rauschenberg e morreu ontem aos 82. O nome desse quadro é “Desenho de De Kooning Apagado”.

A história é mais ou menos essa. Rauschenberg comprou um desenho feito a lápis de um artista plástico chamado Willem de Kooning em 1953. Daí ele apagou o desenho sem dó nem piedade e assinou a obra como se fosse sua. Muita gente caiu de pau em cima dele que nem cachorro carregando a peste, como um ato de vandalismo. A arte de fazer levantar as sombrancelhas de perplexidade veio muito antes de gente amarrando o cachorro ou se cortando com gilete em performances sanguinolênicas pra chamar atenção. Tem gente que chama isso de intervenção, feito somente para mentes mais iluminadas e esclarecidas, fazendo questão de deixar aqueles que tem uma formação convencional ou mentes mais pequenas indignadas.

Se eu abaixar as calças e evacuar minha janta de ontem no meio da Avenida Paulista posso ser preso por pelo menos duas infrações, mas isso deixa de ter importância se no momento da prisão eu alegar que isso era uma instalação artística, um tipo de intervenção na paisagem urbana na cidade. Ironicamente com certeza muitos iriam seguir o camburão acreditando brandando chavões comprados em supermercado contra a censura.

Seu Tetê, sábio jardineiro que não tinha formação escolar, mas sabia quando uma coisa era bonita ou não, diria “que merda, meu filho!”

Falando sério, sei que Rauschenberg tem o seu devido peso no mundo da arte, mas tem coisas que eu respeito mas não entendo.

Comedores de criancinhas

Andou rolando na net uma mentira pra causar alarde e comoção em grávidas e mães de primeira viagem.

Muita gente estava alegando que esses bebezinhos eram comestíveis, feitos de chocolate, para serem servidos como sobremesa em algum banquete em homenagem a Hannibal Lecter.

Porém, esses rebentos com cara de crias da Anne Guedes são feitos de silicone, tipo bebês-chaveiro pra serem levados no bolso.

Porém, encontrei uma dona que faz arte com bolos, as chamadas “cake designers”, que se especializou, ou pelo menos fez fama com a polêmica, de fazer bolos de chocolate no formato de bebês.

Esses sim, um pouco maiores e realmente comestíveis, para satisfazer aqueles que não podem ver um fofucho de bochechas macias que dão vontade de morder. Ou para aqueles que queiram liberar impulsos pedófilos e canibais ao mesmo tempo. Afinal, se na China eles comem cães, no Ocidente come-se bolos vudu de crianças. Mas fazer o quê, é um tipo de arte, e de mau gosto, para alguns.

O ritual de corte das fatias desse bolo deve ser uma coisa de filme de terror, do tipo “Massacre da Serra Elétrica” (quem quer a perninha?)

Se vendesse arte por metro morreria de fome

Willard Wigan chegou pra mostrar para aqueles que acham que devem cobrar uma merreca por uma ilustração que vai ser usada num quadradinho de 2x2cm. Como já disse Shuman, o Grande, não se vende desenho por metro.

Ele faz esculturas quase a nível molecular, superdetalhadas. A sua prancheta geralmente é a cabeça de um prego, a moldura é o buraco de um alfinete. A vantagem é que ele provavelmente deve gastar muito pouco com matéria prima. A desvantagem é que ele deve gastar o que economiza com o oftamologista.
É o tipo de sujeito que não tem problemas de ler as letrinhas miúdas do contrato.

Se alguém disser que esse tipo de arte do tamanho de uma larva de mosquito custa uma fração de centavo, se engana. Sua coleção de 70 peças foi segurada em 11,2 bilhões de libras.Perder uma arte dessas no meio dos vãos do taco da sua casa é um peido. Espirrou, adeus.

Pra completar, como falei sobre a relação de tamanho de ilustração versus valores, reproduzo aqui pela segunda vez o texto escrito com farta sabedoria pelo ilustrador Shuman, o GrandE:

Esse costume de fixar preço de página de ilustração por tamanho; página dupla, página inteira, 1/2 página, 1/4 de página, etc, vem do departamento comercial das editoras, onde o lucro/benefício tem relação direta com a venda de espaço físico – que é calculado por centímetro de coluna – e apesar de não ter nada a ver com o valor da ilustração – que exige um cálculo bem mais complexo;
passou a ser usado como um referencial de valores.
Por exemplo:
O anunciante que compra uma página inteira e coloca no anúncio a ilustração simplesinha de uma minúscula bolinha de gude em fundo branco, vai pagar mais pela veiculação que outro anunciante que comprou 1/2 página e ocupou todo o espaço com a ilustração de um tapete persa psicodélico feita a óleo por um chinês preso.
•••O que tem a ver centimetragem de coluna com o trabalho, grau de dificuldade, tempo de pesquisa, técnica utilizada etc, etc, etc usada na ilustração ???
•••Outra coisa: Esses padrões de formato retangulares (1/2 página, 1/4 de página, etc.), são do tempo em que se montavam livros, revistas e jornais com tipos móveis, em caixas presas por elásticos, dai as colunas, que se mantém até hoje apenas para facilitar o cálculo de preço na venda do espaço.
Hoje, com a editoração eletrônica, a imagem pode ser produzida em qualquer formato sem que isso afete os custos de composição, diagramação e montagem, como acontecia antigamente.

Piscou o olho e perdeu a arte

Dando um tempo no tema “arte feita com o que fica na cueca”, mostrando agora que pode existir arte mesmo quando você dá um esbarrão na mesa e sua caneca do Palmeiras se espatifa no chão (e nesse caso, mais interessante do que os feitos por líquidos seminais de Andy Wharol). Nesse caso, são artes tão rápidas como um orgasmo de um beija-flor.



Martim Klimas
literalmente arrebenta com a arte. Ele destrói esculturinhas chinesas breguinhas e fotografa com uma câmera de altíssima velocidade, registrando o momento em que a peça deixa de ser um badulaque cafona pra se tornar uma bela foto, que os mais filosofentos podem acreditar que seja um tratado sobre o desapego material. Coisa para que os detalhistas ou os que possuem TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) como eu percam minutos da sua vida que não voltam mais pra contar as rachadas e os cacos esvoaçantes.

Nesse outro caso, troca-se o sólido pelo líquido e também a marvada câmera rápida pra tirar fotos de coisas pingando. Podem ser tintas, podem ser adoçantes no café ou podem ser suas lágrimas quando você recebe seu holerith (faz tempo que não recebo salário que nem sei se ainda existe holerith).

E para aqueles que anseiam por mais posts nesse blog, a paciência é uma virtude e faz bem, pois como tenho só duas mãos e durmo cinco horas por dia ainda não consegui dar vazão para os trabalhos, em breve as coisas voltarão ao normal com farta distribuição de posts de graça.

Seu trabalho é uma merda

A relação entre esperma e arte tem se mostrado mais íntima do que a relação entre uma camisinha e o Alexandre Frota (quem assiste a um filmixo dela ou da Rita Cadillac no Sexyhot fazendo tchaka-tchaka-nabutchaka fica com a mesma sensação de quem assistiu “O Albergue”).

Esperma sobre gesso

Expie-se daqui o conceito de arte, como disse antes, um algo tão vago e polêmico quanto o sentido da vida ou casar virgem. Aqui a questão é Andy Wharol (tem mais dessas no link), a mãe de todas as bombas que também fez a soma de todos os medos em forma de fluídos corporais tornarem-se arte. Afinal não é a primeira vez que é apresentado arte com urina ou esperma, mas Andy Wharol é o episódio piloto disso tudo em forma de polêmica. Se Andy Wharol goza numa placa ela custa milhões e é algo transgressor. Se é o Tião Rompeterra, que vende água mineral e gás lá na esquina quem faz isso, eles mandam queimar o quadro com creolina e ele é preso por atentado ao pudor. Os mais entendidos e entendiados irão dizer que não entendo nada de arte, mas talvez tenham razão. Mas como diz o sábio seu Tetê, jardineiro semicentenário e que não acredita que o homem chegou na Lua, “eu sei o que eu gosto ou desgosto”.

Urina sobre papel

Mas pra deixar a coisa mais transgressora, é instalar um quadro escorrendo desses em cima da mesa de jantar.

Fica faltando a série de novas mídias para gostos serosos. Depois do esperma sobre gesso e urina sobre papel, há espaço para uma obra de catarro sobre papel canson, outra de manteiga de fetos sobre pão de miga e uma série de centenas de papéis higiênicos usados por celebridades.

Se bem que já fizeram arte com merda, nesse caso enlatada (tirado do blog do Alarcão). Quem gasta 22 mil libras nisso deve se divertir com dinheiro enfiando-o onde o sol não brilha pra brincar de cornetinha.

El Logotipo de las Olimpiadas de Madrid 2016 es muy hermoso, mucho más que London 2012 pero non tanto que China 2008

[img:Madrid2016.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Foi divulgado pelo COI o logotipo das Olimpíadas de Madrid 2016. Es una mano com uma letra “M” no meio.
Não cabendo aqui questionar a beleza, funcionalidade ou lógica desse logotipo (afinal ele não é tão feio como o de Londres 2012 que vale uma pedrada bíblica que justifique isso), até porque ainda não fizeram o racional desse trabalho pra divulgação, o fato é que gastando meio minuto da sua vida que não voltam mais você não encontra um elemento que lembre a Espanha. Ou será que meus olhos cansados de ver tanto sofrimento não conseguem captar essa mensagem?
Bom, melhor isso do que colocar coisas batidas como touro preto, paella ou castanholas.

Talvez dentro do contexto isso fique mais claro. Em contexto entende-se veiculação massiva, chaveirinhos, filmes, mascotinhos, bandeiras, promoções, assinatura em produtos de patrocinadores, e como Yull Brinner dizia em “Ana e o Rei do Sião”, etcetera, etcetera, etcetera.
Coisinhas para aumentar ainda mais o beiço proeminente de Hugo Chavez em relação à Espanha, candidato olímpico de queda de braço sem alça.

Curiosidade: o pai do logotipo é um argentino, Joaquin Mallo, e foi escolhido pelo voto popular.

Aqui foram os dez logotipos finalistas que, como candidatas a Miss Universo que tiram o segundo e terceiro lugar, são jogados no ostracismo depois de um beijinho e um abraço no vencedor.

Como fazer arte com um cachorro de maneira (quase) decente e respeitosa

Depois do post amargurante com gosto de bile de Natividad, o cachorro que foi morto em nome da arte por um tapado visceral, aparece um outro cachorro também relacionado com a arte. Mas dessa vez, é a própria unidade cinófila que produz a arte.

Tylamook Cheddar, que tem a felicidade de não se traumatizar por causa do nome. Jackson Pollock morreu e deve ter se reencarnado pela metade em Tylamook.
Não encontrei no site como que o canito pinta, mas não deve ser amarrando um lápis no rabo. Ou será que é?

Nem quanto custa cada quadro, mas seu dono, assim como o dono do Marley, deve estar dando graças a Deus por não terem comprado um gato no lugar dos canídeos.

Enquanto isso, meu Bisteca só sabe comer e mijar no vaso. Tá na hora dele começar a pagar o aluguel.

Matando um cachorro em nome da arte

[img:Habacuc3.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Como ilustrador, respeito todas as formas e manifestações de arte, mesmo aquelas com um gosto provocativo e escatológico, como merda enlatada, cubos de esperma ou pinturas feitas com sangue e urina. Mas é impossível ficar passivo diante de alguns que extrapolam o bom senso e criam monstruosidades, indivíduos que sequestram e violentam a expressão “arte” para justificar e validar toda e qualquer epifania pseudocriativa. Ou, na falta de um talento artístico verdadeiro, criam peças apenas para gerar comoção e discussão, fazendo-se de vítimas da censura e da opressão conservadora quando confrontados.

No começo achei que era uma daquelas notícias-pegadinhas de primeiro de abril no meio de outubro, já que recebi uns 5 e-mails de uma só vez sobre isso. Mas não era.

O costa-riquenho Guillermo Habacuc Vargas montou uma instalação repugnante na exposição “Arte e Lixo” em Honduras, com um cão faminto e doente amarrado com barbante (seu nome era Natividad) abaixo da frase “Ere que los lees” escrita com ração de cachorro. Aqui tá o relato, em espanhol.
Segundo ordens do “artista”, ninguém podia dar comida ou bebida ao canito moribundo.
Em dois dias ele morreu.

O que o coitado do cachorro tinha a ver com a história?

Não importa se Habacuc estava protestando contra a fome no mundo, contra o imperialismo americano ou contra o aumento do condomínio do prédio onde ele mora , nada justifica isso.
Como amante dos bichos, no bom sentido, isso me deixa um gosto metálico na boca, e por mim, deveriam amarrá-lo no lugar de Natividad sem água e comida, com a mesma frase escrita com empadinhas, com direito a farta distribuição de porrada em cima dele. Se tem uma coisa que eu fico realmente indignado é violência contra animais, crianças e idosos, que não tem como se defender.

Em curto e bom português, é um fiadaputa assassino que se acha artista.

Mas isso tem um lado bom, ironicamente: a arte não pode ser fachada de atos inumanos, sádicos, agressivos, atos moralmente e criminalmente condenáveis acobertados pela pecha de arte, criando uma espécie de imunidade, transformando-a em algo inimputável. A arte pela arte não se justifica, ela tem um limite, da mesma forma que não se pode fazer tudo pela paz ou pelo casamento perfeito. Senão teremos atividades performáticas de mutilação ao vivo ou apedrejamento de adúlteras em público em nome da arte

O Executivo, o Dragão e os Órfãos

De vez em quando a gente se depara com trabalhos de deslocar o queixo, mas por causa da falta de tempo ou por pura preguiça não procuramos saber quem são os criadores. Isso não acontece quando se trata de artistas ou empresas pesopesadas, e na área editorial quase sempre o crédito é dado de maneira fácil de se ver. Isso não acontece dentro da publicidade, então se quiser saber quem fez o quê tem que fuçar.

E de repente você descobre que algumas peças que você mais admira foram criadas pela mesma pessoa. Aí o nome dela entra na prateleira da sua mente e não sai mais.

Jamie Caliri é um desses caras. Descobri que ele é o responsável por duas obras de animação curtas, mas admiráveis.

A primeira é um comercial da United Airlines que saiu no Superbowl de 2006, o megaevento esportivo que produz megaproduções publicitárias para serem veiculadas em seus espaços megamilionários. É uma animação toda feita em papel, com uma delicadeza e criatividade autoral raro de se encontrar em publicidade. Mostra um executivo que vira cavaleiro quando viaja, na visão do seu filho, e tem que matar um dragão por dia. É tão bacana que ouso dizer que o que estraga são os créditos do cliente no final.

A música tema no final é Rhapsody in Blue, de George Gershwin. De vez em quando toco ela aqui no trabalho bem alto pra acordar.

O outro trabalho magnífico desse cara são os créditos finais animados do filme “Lemony Snicket’s A Series of Unafortunated Events”, ou pachorramente traduzido aqui de “Desventuras em Série”. Comprei esse DVD só por causa dessa animação.

E pra quem gosta de ver as entranhas de um trabalho, Jamie Caliri deixou um “making of” do comercial da United. Vale a pena ver o trampo que dá e a harmonia entre o trabalho manual feito na munheca com o computador.

Focando agora por essas terras, em estilo similar (com suas devidas diferenças, óbvio) tá rolando no momento na TV a campanha “Prestígio” do Itau Personalité.
Foi criado pela DPZ e a animação foi feita por Chico Jofilsan, Daniel Pommella e Paula Nobre para o estúdio Lobo.

Kako Ueda


Kako Ueda (ela? ele? não sei ainda) é o resultado da fusão de um microcirurgião com artista. Que trabalho do cão, seus olhos devem chorar de agonia e seus dedos não devem ter mais impressões digitais pelo nível de detalhamento do seu trabalho, vigoroso e ao mesmo tempo delicado como uma teia de aranha de papel. Saiu primeiro no Boing Boing.

À primeira vista até parecem desenhos feitos com nanquim ou outra tinta, da maneira mais fácil. Mas é prestar mais atenção e perceber os volumes e sombras. É como se recortasse cada linha, cada traço em papel. É coisa pra ser considerada como obsessão.

Misturebas visuais

Quem faz amor não faz guerra, já dizia o velho clichê da montanha. Como o sujeito se comporta mais com o Senhor das Armas do que Austin Powers (Bill Clinton deixa saudades), alguém resolveu incrustar um pouco de sexo e prazer na figura do Bush filho.

A notícia saiu hoje no UOL, e é daquelas artes irresistíveis e perenes, como a passagem de uma libélula. O inglês Jonathan Yo fez um retrato de Bush com pedaços de fotografias pornográficas, incluindo tiquinhos de felação, genitália exposta e outras coisinhas peludas e cheias de veias. Sobrenaturalmente, a pintura tem mais carisma do que o original em carne, osso e pólvora.

Como hoje basta fazer polêmica pra ser considerado arte, a australiana Priscilla Bracks fez Bin Laden, o Coringa preferido de Bush, retratado como Cristo.

Na tendência de misturar personalidades polêmicas com alto nível de antipatia e truculência nata, fica a deixa para fazer um rosto de Hugo Chaves só com verduras, ao estilo de Giuseppe Arcimboldo, que pintava homens-quitanda no século XVI.

Tim Novak fez um crossover misturando a técnica de Arcimboldo pra compor o Alien, criação de H.R. Giger (o inesquecível striptease cósmico da Ripley no primeiro filme fez milhares de jovens terem as gônadas amadurecidas antes do tempo), feito em 3DMax.

Vi uma vez na TV que o necroartista sueco Giger tirava inspiração em galinhas e coelhos abertos e com as vísceras expostas pra fazer suas criações. Dá pra sentir uma presença de costelas, traquéias e esôfagos em seu trabalho.

Pra mim essa é a melhor cena de Alien, desenhada por Giger, depois da cena da calcinha.

Curiosidade extra: o nome da nave tripulada em Alien, Nostromo, veio de um romance de Joseph Conrad com o mesmo nome. Conrad escreveu “The Heart of Darkness”, que foi inspiração direta para o filme “Apocalypse Now”, de Coppola.
É desse filme a memorável frase de Marlon Brando: “The horror, the horror!”

Os 10 quadros mais caros do mundo

Bah, esqueçam esses quadros de gente morta e com histórias gosmentas e aterradoras. O negócio aqui agora é sério. É dinheiro que você nunca vai ver junto em sua vida.
Saiu no blog Karemar a lista dos 10 quadros mais caros de todos os tempos. Quando eles falam que é caro, é porque é caro com $ maiúsculo. Agora, se essa lista é correta, só a Sotheby’s pode dizer. Não vi os Girassóis do Van Gogh na lista (será que é dinheiro de pinga no mercado multimilionário)? E curiosidade, Picasso manda ver quente e grosso na lista.

Depois disso você tem toda liberdade pra chorar no cantinho do jardim porque querem pagar 50 contos pelo seu trabalho.

Em ordem crescente:

10- Iris, de Van Gogh – US$53.900.000,00

09- Femme aux Bras Croisés, de Pablo Picasso – $55.000.000,00

08- Rideau, Cruchon et Compotier, de Cézanne – $60.500.000,00

07- Retrato do Artista sem Barba, de Van Gogh – $71.500.000,00

06- O Massacre dos Inocentes, de Rubens – $76.700.000,00

05- Bal Au Moulin de la Galette, de Renoir – $78.000.000,00

04- Retrato do Dr. Gachet, de Van Gogh – $82.500.000,00

03 – Dora Maar com Gato, de Picasso – $92.500.000,00

02- Garçon à la Pipe, também de Picasso – $104.100.000,00

01- O top da lista: Portrait of Adele Bloch-Bauer, de Gustav Klint – $135.000.000,00

Como diz no texto, parece que logo logo o título do quadro com mais zeros à direita vai para Jackson Pollock com o quadro Nº5. Se confirmado, foi negociado por $140.000.000,00!

Isabel Samaras

Artes pra contemplar com baldinho de pipoca e um chicotinho de couro.

Isabel Samaras tem a compulsão e o talento de misturar o mais brega, saudosista e inocente dos seriados antigos com perversão e humor negro. Deve ser o prato preferido de advogados, censores, fãs e fanáticos. Um senhor Spock gay seria ilógico, como ele mesmo diria. Esse papel coube ao Sulu.

Tonto? Zorro? Spock?

Monsuteru

“Monsuteru” é como os japoneses falam “Monster” no Japão. Também é uma das alcunhas que o Kako se autodenominou.

Quem é meu chegado sabe que comecei a desenhar por causa dos monstros do Ultraman e Ultraseven. Sem a inspiração dos monstros da família Ultra eu não teria feito a faculdade de Biologia nem teria me tornado um ilustrador.

O folclore japonês é cheio de criaturas bizarras, ora espíritos, ora monstros (a mitologia oriental, no geral, é farta nesse tipo de criaturas). Se Godzilla e os Ultras fizeram sucesso lá na terra do missô talvez seja porque já existia essa cultura criptozoológica rolando há centenas de anos, aterrorizando as crianças para dormirem cedo, senão o espírito do trovão iria puxar os umbigos, como me ensinaram erroneamente durante anos.

Pensando em fazer uma toalhinha de bandeja (que não vai mais sair), guardei esse link de uma enciclopédia online de criaturas mitológicas japonesas, o Obakemono.com (obake é fantasma em japonês). A qualidade do texto é excelente, e as ilustrações dos grotescos é estilizada, meio vetorial, que perde um pouco do ar feudal japonês, mas ganha no conjunto da obra.

Ali você aprende que na cultura japonesa, até objetos ordinários como um guarda-chuva ou um chinelo ganham alma e viram fantasmas se não forem desfeitos de maneira correta. Deve existir uma legião de fantasmas de bicicletas ergométricas que viraram cabides e morreram no ostracismo esperando pela vingança.

Falando sério, uma vez vi algo na TV japonesa que achei muito interessante. No Japão, alguns artistas mais velhos não jogam os pincéis feitos à mão e que estragaram no lixo. Eles queimam os pincéis em uma cerimônia, fazendo uma oferenda e recitando algum mantra, em homenagem ao espírito que morava nesses pincéis.

Mas como eu curto o estilo de desenho antigo japonês, tem também um site da Wikimédia só com imagens escaneadas de monstros japoneses antigos, a maioria do século 18 e 19.

Arte mijada

Mais um pra entrar na lista de “Art Attack” versão podreira.

Não basta existirem pigmentos e marcas de tintas consagradas como Talens e Winsor & Newton, com cores esfuziantes e substâncias higiênicas. Existem aqueles que fazem questão de serem encardidos e usarem todo tipo de alquimia alternativa possível pra pintar. Quanto mais orgânico e ofensivo, maior a repercussão.

Já tivemos o sujeito que pinta com sangue, com o instrumento do amor, instalações da porra e agora Robert Waters entra pro grupo utilizando-se de urina, vinagre balsâmico e óleo de motor pra transmitir seu sentimento e talento com uma ajuda providencial da polêmica.

Esse tipo de “tinta” à base de amônia e ácido deve acabar com os pincéis de pêlo de marta. Fora o cheiro de banheiro ao lado de lanchonete de rodoviária que esse quadro deve exalar em sua sala.

Pintu ra

Alguém arranje uma namorada para Tim Patch.
Na falta do uso do instrumento do amor desse rapaz para as coisas que lhe foram destinadas – e isso não inclui dar uma mijadinha – ele o usa para pintar quadros, talvez na vã esperança de ganhar alguma atenção ou desgastar um pouco a ferramenta, tal qual acontece com os dentes dos roedores.

Quem comprar uma dessas pinturas pode dizer por aí que é uma arte do carvalho!

O Feng Shui da Batcaverna

Achei no Boing Boing mais uma prova que é possível ser criativo com coisas mundanas e corriqueiras.

Mark Benett criou plantas de residências e outros imóveis de personagens da TV e de filmes, imaginando assim onde ficaria, por exemplo, os banheiros da mansão Wayne onde o Batman podia liberar o número 2 antes de combater o crime, e também o quartinho de empregada onde dorme o Alfred.

Essa brincadeira é bem lucrativa. Cada planta dessas é vendida em galerias por preços que variam de 3 a 5 mil dólares.
Esse é a planta baixa da Mansão Wayne, onde Bruce vive com seu companheiro de aventuras.

Essa planta é do Motel Bates, de Psicose, é muito espaço pra uma mulher cuidar sozinha.

E essa planta é a casa dos Jetsons. O casal dorme em camas separadas como Fred e Wilma?

Megaultrasuperexplicitamente realista

Essa pintura fez um certo alarde há algum tempo, mas não custa nada registrá-la aqui, já que se trata de desenho, ora pois.

Dru Blair é um daqueles sujeitos que devem ser maníaco-obsessivos por detalhes. A ilustração dessa mulher chamada “Tica” levou 70 horas pra ser feita e é uma das poucas ilustrações que já vi que podem ser chamadas de ultrarealistas, se é que existe essa palavra, pois se é realista já é fiel ao que já existe. É mais uma figura de linguagem mesmo, pra reforçar a trabalheira que esse cara teve de reproduzir o rosto de uma nariguda célula por célula, pêlo por pêlo, poro por poro.

O cara fez até a penugem que fica no queixo coberto de maquiagem, um preciosismo capilar esculpido no micrômetro.

É uma técnica primorosa de fazer cair o queixo, é uma coisa pra pouquíssimos. Porém, como ilustrador, o que vejo é uma ilustração que deixou de ser uma ilustração, é um ótimo desenho que virou uma foto mediana. Não deixa nenhuma margem pra interpretação ou imaginação, é mais perfeita que, por exemplo, as mulheres de Hajime Sorayama, mas mesmo em seus desenhos havia uma brecha artística. Tudo bem, não deixa de ser um talento (admirável).

É como um filme americano caro e cheio de efeitos especiais, mas sem história. A técnica jamais deveria substituir a idéia. Um exemplo meio tosco são os filmes da Pixar. Os caras são metidos no quesito modelagem e apuro técnico, mas é a qualidade e sensibilidade dos seus roteiros que fazem parecer “Gaia” e “Valiant” restos de almoço que descem pela privada.

Essa técnica meticulosa (sem desmerecer o artista, não joguem pedras porque machuca) só tem sentido se houver um conceito maior do que simplesmente reproduzir uma foto. E se existe a foto, não há porque uma ilustração tomar seu lugar, a não ser que seja uma linguagem ou expressão diferente. Se ele fizer uma mulher explicitamente real numa situação criativa, a coisa muda de figura.

O hiper-realismo tem sua utilidade sim, antes que se questione. Principalmente em embalagens, onde a composição do conjunto (morangos caindo num redemoinho de leite, por exemplo) é mais fácil e mais prática de ser conseguida por uma ilustração do que por uma foto, embora essas imagens também possam ser produzidas por talentosos fotógrafos. Aí é uma questão de escolha ou orçamento.

A arte do seu Carvalho e do senhor Pinheiro

Tim Knowles é um artista britânico que procura usar o mínimo de intervenção humana em suas artes, ou seja, ele fica sentado esperando o trabalho ficar pronto de várias maneiras.
knowles1
t_knowles_larch_diptych_0
Um exemplo desse desapego da forma, do traço e do braço é a arte vegetal que ele faz. Ele amarra canetas nas pontas de galhos de árvores e deixa o suave movimento do vento fazer traços aleatórios rabisquentos em papéis e telas. E depois vende sua arte, dando como comissão pras plantas um punhado extra de adubo.
knowles1c
Nasce assim a versão clorofilada de Jackson Pollock.

O resultado do trabalho dele é matematicamente interessante. Não vejo isso como arte, mas como um gráfico. É quase uma representação de um fractal, um desenho aleatório, caótico, mas que segue um padrão que não é linear. Teoria do caos pura.
O exemplo de Pollock não foi por acaso. Matemáticos estudaram o trabalho dele e constataram que Pollock, mesmo sem saber, também utilizava padrões fractais em sua arte, padrões regulares que repetem seguindo um padrão aleatório definido. Taí a explicação, se você achava que não entendia os quadros de Pollock é porque você é ruim de matemática ;-P
pollock.lavender-mist
Desenhar envolve muita matemática. Engana-se aqueles que ficam horrorizados com equações que parecem enxames de abelhas, a filosofia da matemática é genial para entender muitas coisas na vida cotidiana e na arte de representar um desenho num papel.

Uma coisa é fazer desenhos que seguem regras, como prédios e carros e elementos em perspectiva, que seguem uma lógica regrada e cartesiana, onde a margem de erro é zero, senão o desenho sai imperfeito.

Outra é aprender a entender padrões aleatórios. Desenhar nuvens, terra, copas de árvores, tudo o que for aleatório é caótico apenas na aparência, existe um padrão que deve ser encontrado para não descaracterizar o desenho.
Entender a lógica de algo aleatório é a chave de fazer desenhos orgânicos e naturais convincentes. Aliás, quase tudo na natureza é representado de maneira geométrica aparentemente randômica, mas não é. A relação áurea e a seqüência de Fibonacci (quem for bom de charada vai entender o que existe por trás dos números 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21….e não são os números malditos de Lost) existem desde em uma flor até na disposição das escamas de um peixe.

Pra quem quiser se aventurar por esse mundinho matemático recomendo o livro “Caos”, de James Gleick, um pouco técnico mas bom pra entender o famigerado “Efeito Borboleta” nas artes visuais e “O Poder dos Limites”, de Gyorgi Doczi, esse um compêndio sobre as proporções e relações geométricas de todas as coisas do mundo, de um vaso até um ideograma chinês.
web_PoderdosLimites
Outro livro que trata do entendimento matemático das coisas da natureza é o I Ching, mas isso é conversa pra outro departamento.

O japonês pervertido na peixaria

Vera Gleiser, que mora em Seul, me mandou essa imagem de um guia de campo para nerds pervertidos.
É a matemática e a geometria sendo usadas para satisfazer o fetiche de onze entre dez nerds de carteirinha: sexo à distância. Criada por coreanos, desejado por muitos.

Se você, amiguinho solitário que vê sensualidade apenas nas curvas do número 8, leve uma régua e um transferidor na próxima vez que você andar de metrô e uma cocota de minissaia sentar na sua frente.

Existem coisas na cultura japonesa que, como disse anteriormente, só morando ou sendo um japonês autêntico pra entender. Embalagens mostrando fiofós de cachorros, cerveja pra crianças, doce de feijão, máquinas de vender calcinha usada, pachinko….


Uma coisa que tem público cativo lá são hentais (desenhos animados pornôs) com tentáculos. Geralmente são monstros ou demônios sodomizando garotas com cara de Sailormoon. O sexo sempre é forçado, as perseguidas sempre sofrem e o público pervertido faz “ola” de alegria. É o fetiche adulto equivalente aos robôs gigantes com nomes pomposos.

O curioso é que talvez (veja bem, eu disse talvez) essa tara por moluscos cefalópodes venha do século XIX.
Todo ilustrador ou apaixonado por artes já viu essa gravura:

É “A Grande Onda de Kanagawa”, que muitos dizem ser a representação de um tsunami. De tão conhecida praticamente virou ícone pop.
Ela foi criada por Katsushika Hokusai, que viveu até 1849, durante o período Edo. Era um apaixonado pelo mar e pelo Monte fuji. Sua arte é muito conhecida pelo mundo, e adorado no Japão.

E eis que no meio dos seus trabalhos tem um exemplar que deve ser o tataravô que deu início a essa tara por seres frios, viscosos e gelatinosos:

Essa pintura se chama “O sonho da mulher do pescador”. Ou seja, ela não deseja o vizinho musculoso ou o afiador de espadas do vilarejo, o que ela quer mesmo é o que o marido vai trazer da pescaria.

Acho que as peixarias devem deixar alguns caras com o circo armado no Japão.

Tem tubarão em Toque-Toque?

Não veja Mar Aberto na véspera de viajar pra Fernando de Noronha ou Aruba.

É desagradável, pra cacete. Você sua dentro da máscara de mergulho esperando um tubarão roçar nas suas pernas.

Não veja “Casa de Areia e Névoa” se você estiver procurando uma casa pra comprar. Você pode ficar com vontade de viver de aluguel por um bom tempo. A paranóia faz o homem urbano ficar vivo!

Não veja “Abismo do Medo” se você planejou descer nas cavernas do Petar no final de semana. Tem um outro, “A Caverna”, que é um lixo, mas esse passa bem o clima de como é uma caverna por dentro (eu ia pro Petar pra ajudar a coletar espécimes de bagre cego pra faculdade). Quem é claustrofóbico deixa uma marca marrom nas calças.

Muita gente pensou, “pelo menos o cartaz é legal, que pusta idéia”, mas na verdade é uma “homenagem” desavergonhada.

Salvador Dali e Philippe Halsman criaram isso em 1951. A obra se chama “In Volupta Mors”. Sem Photoshop e sem filtros. Na munheca mesmo.

Não é teoria da Conspiração, mas quase tudo o que você acha legal na indústria do entretenimento tem uma fonte anterior mais digna ou de melhor qualidade.

Voltando ao Dali, ele era um inovador. Era um pirado, um José Celso Martinez catalão, mas era genial.
Essa instalação na época fez frisson. De perto é um amontoado de quadros com o foco principal na sua mulher pelada, Gala, de quem ele era apaixonadíssimo. De longe você vê a cara do Lincoln.

Tem muito anúncio e ilustrações que usam esse recurso, virou até carne de vaca.

Esse orangotango com ossos dourados tem um toque que lembra as esquesitices do Michael Jackson (não foi ele quem comprou o esqueleto do Homem-Elefante?).

Essas fotos tirei no museu Dali, em Figueres, Espanha.

Asilo Arkham

Gilles Barbier é um artista plástico seguidor de uma linha chamada “Pensamento Lento” (?) e seu trabalho é cheio de melancolia, gente velha e estranheza. Ele montou uma exposição com alguns super-heróis na idade que alguns chamam de “dourada”, por algum significado simbólico oculto ou por sarcasmo maldoso. Quem leu “Top Ten” de Alan Moore vai reconhecer alguma familiaridade com esses manequins em fim de carreira.



Chega uma hora em que todo super-herói troca seu super-poder pela incontinência urinária.

Baleia no metrô de Londres

Assim como o código da Bíblia e o personagem principal de “Uma Mente Brilhante”, tem gente que vê padrões em todo lugar. Racionalizando em cima desses padrões, você descobre mensagens secretas, ilustrações do diabo, Jesus, Maria, José e Elvis e um monte de teorias da conspiração.


Isso tem um nome científico: Pareidolia. Nessa falsa associação de imagens, você vê o que quiser ver, seja um fantasma ou Che Guevara. Daí nascem histerias coletivas que transformam janelas sujas e manchas de suor com imagens da Virgem num centro de peregrinação de gente doente procurando uma cura milagrosa ou na crença da existência de discos voadores, monstros e até mesmo rostos em Marte.

(Jesus num sanguinho seco num bandêid, quem diria)

(Essa achou Jesus de brinde num burrito!)
Pelo menos Paul Midlewick fez disso algo criativo e útil. Há 17 anos, enquanto ele esperava pelo metrô, ele observava os intricados mapas das linhas do Underground e teve uma visão: encontrou um elefante no meio daquele caos de linhas.

A partir daí ele identificou mais de duas dezenas de animais escondidos em baldeações e intersecções e transformou isso na sua fonte de renda. Mas diga-se a verdade, até que ele encontrou uns bichinhos bem expressivos. Tudo bem, no site oficial tem umas forçações de barra, mas no geral é uma idéia bem original.



(Esse dogue alemão é tão legal que parece fake).
Não é uma vergonha uma cidade com o tamanho de São Paulo ter uma rede de metrô tão pequenina que só dá pra encontrar minhocas, cobras e cruzes nos mapas das linhas? Afinal, não dá pra encontrar muita coisa só com quatro linhas retas. Lisboa e Barcelona são cidades menores do que São Paulo, mas tem um metrô três vezes maiores.

Só de pensar que tenho que pegar o metrô lotado pro Tatuapé às sete da manhã já me dá um desânimo….e sem direito a ver bichinhos.

Que porra é essa?

Já tinha visto merda enlatada vendida como arte (e era caro pra bedéu), e achei que aquilo era o máximo da serosidade em forma de arte que pudesse existir.

Mas eis que vem um fulano chamado Philippe Meste e criou uma instalação artística vinda diretamente do quarto círculo do Inferno, o círculo dos onanistas: um tanque refrigerado com MIL LITROS DE ESPERMA!
(O horror, o horror!)
Isso, ave, isso dá pesadelos e abala todos os sentidos, desde o visual até o olfativo. Nem o cubo de Hellraiser consegue ser tão grotesco!

Ele aceita doações de esperma pra completar o montante, além de criar um plano de venda de ações (isso mesmo, ações!) da obra que irão retornar como investimento depois dele VENDER esse cubo esporrento! Basta ir no site oficial do cubo de esperma. Pior que o cara que cria isso, deve ser o cara que COMPRA! E pra variar, não vai ser barato! Imagina a mão de obra pra cuidar disso? Vai que essa porra quebra?
(Não basta apreciar, tem que participar!)
Ele criou todo um racional de marketing em cima desse projeto. Tem opções de doação, carteirinhas de doadores, press release na mídia. E pensar que, por outro lado, tem gente que faz coisas lindas e maravilhosas, mas tá passando fome.
Por isso que eu digo, saber vender é fundamental, não importa seu produto. Até mesmo esperma pode ser lucrável.
(é a primeira carteirinha de punheteiro artístico do mundo)
Se é arte pra chocar, tá valendo qualquer coisa. Se eu fazer uma exposição das fotos das minhas tias velhas de pernas abertas também vou chocar (e muito) as pessoas mais sensíveis, mas consigo uma obra de arte.

E depois dizem que ilustração NÃO é arte, tenham dó!

Agora com licença que eu vou ter pesadelos com esse cubo vazando e pingando no meio do salão.

Toy Art pra viagem

Esse post era pra ser o final do post sobre Gary Baseman, mas considerei fazer algo à parte, pra não misturar demais o assunto, mesmo sendo pertinente.

Há alguns meses eu tive uma discussão com um diretor de marketing em que ele detonava o conceito “Toy Art”, pois num momento brainstôrmico no meio da reunião eu aleguei que era um conceito maior do que simplesmente um capricho egocêntrico de designers e ilustradores, que poderia se transformar em algo comercial em larga escala, juntando o conceito de inovação de embalagem, renovação da marca e cativando uma fatia de consumidor diferente. Era uma idéia perfeita pro produto dele, mas sua resposta foi “você tá confundindo arte com business, isso não é viável comercialmente”

Dá vontade de mandar essas imagens pra ele, que você encontra no site Sketch One, pra ver se muda o conceito dele do que é ser “viável comercialmente”.
Vai que alguém não inventa um ratinho fofinho como embalagem de queijo Catupiry?



Como se as crianças precisassem de um empurrãozinho a mais pra comerem mais tranqueiras…

Esse aqui é da Tokidoki, que embora pareça japonês, na verdade vem da Itália

Nada como entupir as artérias em nome da arte.