Softy kitty, neko kawaii

Até num comercial japonês de 30 segundos o estúdio Ghibli faz coisa pra soltar palavrão. Fofura pura até a úvula.

Corrijam se eu estiver errado, mas parece que foi feito pelo filho do Miyazaki, o Miyazaki Jr.

Enquanto isso, aqui, comercial de cheirinho de carro com sujeito cantando cobradora de pedágio, nanana forever young e China in Box histérico faz parecer esses 30 segundos uma eternidade. Teoria da relatividade de Einstein.

Fast Girl # 121 – Aisling

Aisling
Estava vendo o Oscar com um olho no peixe, vulgo trabalho, e outro no gato, vulgo TV. Quando apareceram os candidatos ao Oscar de melhor animação (aliás merecidamente ganho por “Up” e seus maravilhosos e lacrimejantes primeiros 10 minutos), meus olhos deram um estalo de joelho de velho quando vi um pedacinho de um desenho chamado “The Secret of Kells”
Kellsgirls
Não é preciso muito explicar o por quê fiquei fascinado com esse desenho. Acho que Aisling deve ser uma das personagens principais, e me identifiquei com o traço. E não, eu não o conhecia até ontem. Tem vikings, lendas célticas, entidades e personagens bonitinhos. É colorido, graficamente rico e uma prova que animação em 2D ainda tem muito músculo e gordura ainda pra ser trabalhado.

Fazendo uma busca, descobri que o danado infelizmente JÁ foi exibido aqui em São Paulo (impressionante, por mais informação que a gente adquire todo dia pela internet ou jornais, parece que as que mais interessam pra gente nunca chegam nas nossas mãos), tem a mão de brasileiros na receita da massa e também foi feito pelos mesmos produtores de “As Bicicletas de Belleville”. Esperando agora o lançamento nos cinemas, o que eu acho difícil, ou comprar o DVD.

Mameshibaaa!

A Laís Teodoro mandou esse link do Youtube da dica da série Mameshiba (Mame é grão, Shiba é cão).

São 30 segundos de candura do mal. Cada capítulo um grão (sim, um grão) diferente sai da comida de um sujeito pra contar uma curiosidade nojenta, e acaba com o dia do cidadão. A fórmula é sempre a mesma, mas dane-se, House também sempre se repete e também é genial.

Quem quiser ver os outros 10 filminhos, clique no amendoim risonho que o playlist no Youtube surgirá como mágica.

Se tem uma coisa que no Japão é imbatível são as coisas bizarras que são produzidas. Muitas não tem muita graça, mas quando acertam, é pra sair agüinha nos olhos e lá embaixo, seja chorando ou seja mijando de tanto rir.

No site oficial das sojinhas com cara de cachorro, tem chaveirinhos, livrinhos e todo tipo de merchandising. Parece fácil….

Preciso criar um nome pra esse tipo de desenho ou arte. “Fofo do mal” não é muito comercial. Badcute art é muito “Daslu” pro meu bolso. Sugestões são bem vindas, assim como dinheiro e amor incondicional.

O clipe do pirulito duro

Esse videoclipe é como disse um comentário no Youtube, uma granada de alto-astral! As músicas do Mika parecem ter o clima das coisas que eu desenho, especialmente essa animação, que tem muitas fofuras do mal!!! Uma mistura de Yellow Submarine com Queen.

A porqueira dessa música aumenta o nível de açúcar no sangue, gruda dentro da cabeça mas impossível deixar de dar um sorriso. Ganha um conto de réis quem não mostrar a gengiva ao ver o veadinho peidando “Say Love”.

Valeu pena até procurar a letra da música que não conhecia.

Hey,what’s the big idea?
Yo, Mika!
I said sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
I said sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
Sucking too hard on your lollipop
Love’s gonna get you down
Sucking too hard on your lollipop
Love’s gonna get you down
Say love, say love
Love’s gonna get you down
Say love, say love
Love’s gonna get you down.

I went walking with my mama one day
When she warned me what people say
Live your life until love is found
‘Cause love’s gonna get you down.
Take a look at the girl next door
She’s a player and a downright bore
Jesus loves her but she wants more
Oh, bad girls get you down.

Sing it!
Sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
Sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
Say love, say love
Oh, love’s gonna get you down.
Say love, say love
Oh, love’s gonna get you down.

Mama told me what I should know
Too much candys gonna rot your soul
If she loves you let her go
‘Cause love only gets you down.
Take a look at a boy like me
Never stood on my own two feet
Now I’m blue as I can be
Oh, love only got me down.

Sing it!
Sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
Sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
Say love, say love
Oh love’s gonna get you down
Say love, say love
Oh love’s gonna get you down.

I was walking with my mama one day
When she warned me what people say
Live your life until love is found
Or love’s gonna get you down.

Sing it!
Sucking too hard on your lollipop
Love’s gonna get you down
Sucking too hard on your lollipop
Oh, love’s gonna get you down
Say love, say love
Oh, love’s gonna get you down
Say love, say love
Oh, love’s gonna get you down.

Mama told me what I should know
Too much candys gonna rot your soul
If she loves you let her go
‘Cause love only gets you down.

Waa-oh waa-oh waa-oh lollipop
Waa-oh waa-oh waa-oh lollipop
Sucking too hard on your lollipop
oh love’s gonna get you down
Sucking too hard on your lollipop
oh love’s gonna get you down

Xixi no banho

Campanha criada pela F/Nazca para o SOS Mata Atlântica incentivando as pessoas a soltarem seus dejetos líquidos durante o banho pra economizar água, muito cuti. Tem até site oficial, com a musiquinha bacaninha.
Tem gente que tem nojinho, e também sei de gente que também faz cocô no banho.
A campanha só não avisa pra mijar no começo do banho, porque se mijar no final vai ficar aquele cheiro de banheiro de rodoviária, com vapores de urina empesteando o ambiente.
Ah, é um prato quentinho para os politicamente corretos, ô raça (há de se convir que os politicamente corretos tem o senso de humor de ditador norte-coreano)

E aí meu amigo, você faz?

Mangá pra passar no rosto

Antes que me espinafrem como fazem toda vez que eu falo sobre mangá (e dá medo de falar, porque isso é quase uma religião para muitos): eu gosto de mangá da mesma forma que gosto de qualquer quadrinho bem feito. O que eu não gosto é de mangá e animê ruim, clicheroso e oportunista, da mesma forma que não gosto de quadrinhos ruins, clicherosos e vomitivos vindos de qualquer país. O fato de ser ilustrador com um pezinho no Japão não me obriga a gostar incondicionalmente de tudo que vem da terra do meu bisavô. Cosplays e wasabi inclusos.

Dos mais novos (defina novos) que eu guardo na estante e passo inseticida pra matar traças estão o Death Note, Maka-Maka, Blade, Gantz e Vagabond.

Desse último peguei uma série de comerciais que Takehiko Inoue, também pai da série Slam Dunk, fez em parceria com a marca de cremes mimosos para moças ainda mais mimosas Shiseido (descobri as nuances de cores de pele comprando durante anos cremes bases dessa marca, não pra mim claro). A série “Drawn Your Style” que ele fez surpreede pela criatividade, pela interação com diversos elementos além do desenho e pelas dimensões baleiazúlicas dos traços.


Eu dava uma surpresa de Kinder Ovo pra saber quanto custaria uma ilustração dessas. Acho que nesse nível a palavra certa seria “cachê”.



Pra mim é importante saber quem foi a agência de publicidade que gerou esse trabalho (afinal, ainda sou publicitário no meu lado negro da força), mas não encontrei de jeito nenhum. Quem souber, me dê um toque.

Jib Jab Ha Ha

Jib Jab é uma empresa americana que faz animações comerciais, e ganha o sustento fazendo encomendas e criando e-cards onde você coloca seu rosto e envia para seus amigos, para que eles riam da sua cara.

Eles fizeram uma animação, ainda que tardia pra ser posta aqui, muuito bem feita chamada “He’s Obama”. Vale a pena perder 3 minutos da sua vida que não voltam mais pra vê-lo.

Todas as animações Jib Jab são nonsense e muito divertidas. Vale a pena checar a paródia de “Tubarão”, na página inicial.

Try JibJab Sendables® eCards today!

Embora a que eu tenha dado mais risada foi essa animação mais singela, feita só com fotos, talvez por que ele lembra muito o meu chapa canino, o Bisteca.

“Noo! Dis sux!!” haha!

A castanheira que amolece corações

Ha, esse foi um presente do Elton Cardoso, que me deu a dica dessa animação, mais uma, só que dessa vez vindo da Coréia do Sul – dá-lhe Coréia, nação de “The Host” – que mostra que além da Sun, de Lost, mais coisas belas e doces podem vir de lá (menos Kimchi, aah, kimchi não).

A animação “The Chestnut Tree” – A Castanheira – é doce, meiga, capaz de amolecer o coração de um viking. Quase toda feita em uma cor, a lápis, com uma animação delicadíssima, é o simples e genial.

E eu me indentifiquei muito com os traços do criador – Hyun Ming Lee – porque parece muito com meus traços. Ganhou minha simpatia, o que para quem me conhece, não é pouca coisa.

Aqui nessa página tem uma entrevista com Ming Lee falando um pouco dessa candura animada, mas tem que saber ler inglês ô pá!

Fico felicíssimo em ver essas animações. Eu sou da opinião que animação em 2D ainda nunca vai acabar, da mesma forma que a 3D também veio pra ficar, mas o charme de uma animação 2D bem feita é como uma garota nova e bonita na vizinhança, sempre desperta curiosidade e provoca suspiros.

Monstros grandes e gordos fazem meu dia mais feliz

Deve ter sido influência de Totoro, pois ele me fazia feliz em uma época de perrengue que faria Hugo Chaves chorar de dó, mas como muitos já devem ter reparado, adoouro desenhar duas coisas: belas garotas e monstros grandes e simpáticos, às vezes os dois juntos. O Gigante de Ferro faz meu dia, pois eu queria ter um como amigo, e dá uma dó desesperada de ver King Kong, principalmente a versão do Peter Jackson – pois tava lá o grandão na dele, vivendo feliz comendo tatu-bola gigante naquela ilha, e foi só uma mulher cruzar no seu caminho para que ele caisse em desgraça – literalmente.

Alguma alma boníssima que lê o blog constantemente me mandou essa dica – e vergonhosamente esqueci quem foi, portanto se foi você broda, levante a mão digital e se manifeste – de uma animação feita incrivelmente por estudantes, e não profissionais 100% maturados, e misturam justamente pequeninos e monstros balofos e mortalmente simpáticos.

Em Aprés la Pluie – Depois da Chuva – as cores são fabulosas, a música de mosteiro tibetano se encaixa como dentadura em boca de velho e embora lembre um pouco animação japonesa, foi feita por girinos animadores na França. Foi feito em 2008 por Charles-André Lefevbre, Manuel Tanon-Tchi, Louis Tardivier, Sébastien Vovau, Emmanuelle Walker, da escola Gobelins, que deve valer cada centavo da sua mensalidade, visto a qualidade do trabalho dos seus rebentos.

Coraline, ou como fazer um marmanjo gostar de bonecas

[img:coralinevisual.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Vou dar uma de Silvio Santos e falar sobre Coraline, que eu ainda não vi por causa de um cliente que desceu na Terra na forma de um diabo, mas que eu sei que é muito bom! Logo abrirei um espaço na agenda a faca para ver esse acepipe de animação.
Pois bem, já aguardava algum tempo por ser apaixonado por Harry “A Nightmare Before Christmas” Selick e duplamente apaixonado por Vera Brosgol, que fez os storyboards do filme.

Na impossibilidade de assistir o filme (e espero que não aconteça o que aconteceu com “Juno”, que eu só assisti nesse sábado na TV a cabo porque não baixo filmes no estilo caribenho e, pasmem, o dono da locadora perto de casa não comprou o filme porque o achava imoral, mesmo alugando os filmes da Silvia Saint e Ginger Lynn mofados mostrando as mortadelas fatiadas no meio da perna), comprei o livro “Coraline, a Visual Companion” – 124 mangos na Cultura, que mostra o making of do filme.

E não é que minhas pestanas berraram de agonia quando vi que o conceito visual de Coraline foi feito por nada menos que Tadahiro Uesugi, o japonês mais francês do mundo e que já foi devidamente relatado neste blog. E analisando com outros olhos, você percebe que Coraline realmente tem traços do danado.


É a feijoada da ilustração animada, Harry Selick, Vera Bee, Tadahiro Uesugi, Chris Applehans…eu PAGARIA sete libras de carne da própria bunda pra trabalhar com esses caras!

Voltando pra Juno, se eu sobresse que veria desenhos da Tara McPherson ali eu teria assistido o filme antes. Aliás, Juno e Coraline, como não se apaixonar?

Thundercats, gooo!

Jogando as meninas de lado agora, tem outro filme onde ilustrador é um personagem principal, e não é “American Splendor”, aquele sobre a vida de Harvey Pekar e bom pra carvalho – e assustadoramente, o amigo de Harvey é aquilo mesmo, um alienígena mamífero, ele apareceu em um episódio do programa do Anthony Bourdain e ave maria….

Não sei como se chama o filme em português, mas em inglês é “Secondhand Lions”, com Michael Caine, Robert Duvall e aquele menino que via gente morta. O personagem do garoto é um cartunista, mas os desenhos feitos para o filme foram de autoria de Berke Breathed, autor de uma tirinha muito, muito boa chamada “Opus”.

Conheci “Opus” quando comprava regularmente as revistas italianas “Corto Maltese” e “Linus”, há uns vinte anos atrás, o que me consumia todo o dinheiro da minha já parca alimentação, forçando-me a manter uma dieta exclusiva de pastel de palmito quando era dia de comprar essas revistas. Foram as melhores revistas em quadrinhos que tinha naquela época. Aos poucos leitores que tiveram o privilégio de acariciar suas páginas, sabe que foi uma das poucas revistas que misturavam reportagens e quadrinhos de gente de peso com uma elegância que só um europeu conseguiria dar.

Delicinha francesa

Estava ontem repousando meus olhos fraquejados no Disney Channel quando vi um apetitoso reclame de um novo desenho chamado “Minha Família Mágica”. Saindo do torpor achocolatado da tarde, arregalei-me pois não era possível que estava vendo um desenho animado feito pelo fabricante de gostosas francesas mais talentoso do mundo, ou seja, Arthur de Pins, cujo estilo é tão inconfundível como cheiro de panetone. Será?

Eis que cutucando o abençoado Google, não é que ele realmente fez parte do projeto? O desenho, francês como Camembert (no original, La Famille Féérique), é uma série de 26 episódios feito por Charles Vaucelles, criador do muy engraçado “Oggy e as baratas”, feito em cima de personagens criado pelo De Pins.

Cara, o desenho é bonito. Não é muito original, mas é bonitinho, mais do que o delicioso e fútil “6 Dezesseis”.

De Pins é um monstro! Ricardo Antunes fez uma entrevista com o sujeito na revista Ilustrar nº 1 e eu cheguei a fazer uma lâmina de bandeja inspirado em seu estilo.

É podre, é animado, e é japonês

Dica enviada pelo Kako, mostrando que apesar dos esforços do politicamente correto acobertar o mundo, ainda existem frentes rebeldes que tentam fazer humor usando o ridículo e o bizarro, ofendendo quem se sentir ofendido, mas fazendo rir gente do bem. Em tempos de crise, com o dólar a quase dois paus e meio, dar risada é como vizinha de calcinha na sua porta, é sempre benvindo.

Muita gente já deve conhecer a série japonesa Usavich, feita em 3D e com um humor pra lá de incorreto, feitos para a MTV da terra do lamen com porco, mas eu não! Dois coelhos, um panaca e outro quase autista com superforça, um pintinho travesti e um sapo-touro de calcinha vermelha, já dá pra dar alguma risada. A história se passa numa prisão russa e depois numa estrada também russa. E só. Espremer ao máximo o tema até sair a última gota de criatividade. Sem diálogos, o que acrescenta um ponto de qualidade, pois desenhos sem diálogos bons não é pra qualquer um, vide Tom e Jerry na década de 40.
Foi criada pela Kanaban Graphics desde 2006. E a musiquinha clássica que toca em quase todos episódios é de Bach, Cantata 147, também conhecida como Jesus, a Alegria dos Homens. Um título hoje meio infeliz, ora pois.
É a melhor podreira animada que o Japão pode oferecer, ao lado da Família Fuccon e do Hard Gay.

Como canto do cisne do lixo oriental, alguma alma castelhana postou alguns episódios cortados de uma animação chamada ‘Let’s Dance With Papa”, que é dificílimo de achar e passava no finado e fantabuloso canal Locomotion, que só passava caviar da animação (nunca mais Rex the Hunt nem Crapston Villa), até que a Sony comprou o canal e literalmente cagou em cima sem jogar terra transformando-o no canal Animax, canalzinho ruim que compete com o Golf Channel. É o fino do politicamente incorreto, pois mostra um viúvo e seus dois filhos e a maneira estúpida que ele educa os infantes, perfeito para aqueles que odeiam a paternidade.


O que esperar de um episódio chamado “El Cullo Valiente”?

Amour et dessin animé

Somente uma garota com um coração tão grande que cabem dois gêmeos conseguiria mandar uma dica pra deixar um sorriso rasgado na boca. Minha amiga Carol Medina, na iminência de ser mãe duas vezes no mesmo dia, mandou essa dica de um curta de animação, tão simples e ao mesmo tempo tão dinâmico e tão alto-astral. Mostra que é possível fazer um pedacinho de obra-prima com desenhos a princípio simples, mas tão borráchicos e expressivos que comecei a rabiscar aqui pra ver se sai algo parecido.

Você assiste várias vezes sem se cansar.

O realisateur foi Louis Clichy, o nome da animação é “A quoi sert l’amour”, que é uma canção expelida da garganta dourada de Edith Piaf. Devidamente baixada no iPod deste ser.

Esse é o link do estudio Cube, casa de onde veio essa belezinha.

Updated!!

Gostei tanto da música que fui procurar a tradução, já que meu francês fica próximo à linguagem dos animais:
A letra é linda.

Pra que serve o amor

Pra que serve o amor?
A gente conta todos os dias
Incessantemente histórias
Sobre a que serve amar?

O amor não se explica
É uma coisa assim
Que vem não se sabe de onde
E te pega de uma vez

Eu, eu escutei dizer
Que o amor faz sofrer
Que o amor faz chorar
Pra que se serve amar?

O amor, serve pra que?
Para nos dar alegria
com lágrimas nos olhos
É uma triste maravilha

No entanto, dizem sempre
Que o amor decepciona
Que há um dos dois
Que nunca está contente

Mesmo quando o perdemos
O amor que conhecemos
Nos deixa um gosto de mel
O amor é eterno

Tudo isso é muito lindo
Mas quando acaba
Não lhe resta nada
Além de uma enorme dor

Tudo agora
Que lhe parece “rasgável”
Amanhã, será para você
Uma lembrança de alegria

Em resumo, eu entendi
Que sem amor na vida
Sem essas alegrias, essas dores
Nós vivemos para nada

Mas sim, me escute
Cada vez mais eu acredito
E eu acreditarei pra sempre
Que é pra isso que serve o amor

Mas você, você é o último
Mas você, você é o primeiro
Antes de você não havia nada
Com você eu estou bem

Era você quem eu queria
Era de você que eu precisava
Eu te amarei pra sempre
E a isso que serve o amor.

E aqui vai a canção original com Piaf e Theo Sarapo, com cheiro de queijo e vinho. Incomparável.

Vincent, Vincent e Tim Burton

Um dos primeiros trabalhos de Tim Burton, que ignorantemente só conheci ontem. E Tim Burton é o Elvis da fantasia de humor negro, e o segundo na hierarquia das divindades do stop-motion, depois de Ray Harryhausen (Furia de Titãs, Sindbad e o Olho do Tigre e outros filmes que você assistia comendo rabanada depois de chegar da aula na Sessão da Tarde).

Vincent Malloy é um garoto doce e submisso que queria ser Vincent Price, e cria um mundinho à parte, como um Calvin das trevas. Um escapista.

O ponto G do curta é que a narração é feita pelo próprio Vincent Price. Tim Burton deve ter feito esse filme com um volume nas calças.

Receita pra fazer Persépolis (mais duas rapidinhas sobre animação)

Tem gente que reclama que eu falo demais de algumas coisas que eu gosto, como Persépolis ou Vera Bee. É óbvio, se eu não gostasse nem constaria uma linha aqui, e ninguém reclama daquele seu cunhado que só fala do Corinthians ou do seu priminho que só fala de Naruto.
Então para esses desgostosos, fechem os olhos ou coloquem a barra de rolagem pra baixo, porque tem mais Persépolis, que logo logo entra em cartaz (graças à Mostra Internacional de Cinema já conferi essa maravilha).

Esse é pra quem entende inglês, porque é um site do New York Times com uma entrevista em áudio com Marjani Satrapi, criadora de Persépolis e clone oriental da Nigella (aquela que cozinha pernil com Coca-Cola e que deve ter matado uns dois maridos com as artérias entupidas de colesterol) e do diretor do filme, Vincent Paronnaud falando sobre o processo de criação, apresentando alguns (ooh) sketches e storyboards.

Como diria Noturno dos X-Men, é “ungaublich!”

Continuando com as maravilhas maravilhosas da animação, para os queridos que curtem comprar um DVD fresquinho pra dormir com ele debaixo do travesseiro, Paprika, de Satoshi Kon, vai ser vendido a partir de 02 de abril, sem passar pelos cinemas, da mesma forma que Preto-e-Branco, também pra venda na mesma época.

Garoto Cósmico entra em órbita

Num país onde existem tão poucos lançamentos no cinema de animação de qualidade, e quando digo poucos é porque podem ser contados nos dedos da mão esquerda do Lula, o Garoto Cósmico, do ilustrador Alê Abreu, é um motivo de orgulho para todos os colegas de profissão e amantes de um bom desenho animado. Estreou oficialmente no cinema dessas terrinhas na semana passada, sendo digno de uma comparecida acompanhado de infantes e não infantes munidos de pipoca de meio quilo a tiracolo.

Alê Abreu deve estar em ritmo de Ivete Sangalo ligada em tomada 220V pra divulgar O Garoto Cósmico pelo país.

“Gatinho!”

Se Youtube fosse gente, você pagaria uma birita pra ele, de tão camarada.

Encontrei o desenho animado do Merrie Melodies que serviu como base para ser devidamente homenageada pela cena de Boo sendo transformada em patê de bebê, na visão do Sully, em Monstros S.A.

Na humilde opinião deste servo, a série do gatinho Pussyfoot (sim, descobri que ela tem nome, e ele é pornoerótico) e do cachorrão com coração de petit gateau Marc Anthony é uma das melhores que já saíram da fornada do que a gente juntou tudo no mesmo saco e chamou “desenho do Pernalonga”. A cena do brutamontes canino colocando o biscoito de gatinho nas costas chorando feito uma viúva de velório é coisa pra ser a última lembrança no leito de morte de alguém.

Pato Donald em grego e tendo um orgasmo

Clarence Nash foi o dublador americano do Pato Donald que criou toda a entonação característica dele que parecia bebaço que aspirou gás hélio e foi chorar as pitangas (morreu em 1985 de leucemia). Quando criança, podia passar quantas vezes fosse, toda vez que aparecia o Pato Donald soltando pitis com aquela voz eu mijava de dar risada, mesmo sendo a dublagem brasileira, que é tão boa quanto.

Você quase não entende nada, e isso não importava, a risada vinha assim mesmo. Tinha até um episódio em que o Donald, de saco cheio de ter uma voz de duas taquaras rachadas, tomou umas pílulas pra ficar com voz de galã garboso, também mijante.

Fuçando no Youtube me deparei por acaso com isso: Pato Donald com a entonação que lhe é característica, só que falando em grego! Ou seja, você não entende nada duas vezes ao mesmo tempo!

E tem essa podreira que é mais engraçada ainda, é o Pato Donald sendo acometido por um orgasmo no melhor estilo Ron Jeremy, o ator pornô mais feio e gordo da história. “Don’t move, I’ll go get a towel”.

É pra ver (ou ouvir) usando o penico.

Street Fighter IV regado a nanquim no modo preview

Street Fighter foi o motivador de quase todo garoto e marmanjo comprar um SuperNintendo ou entrar no mundo do crime roubando trocados pra jogar em máquinas de fliperama. Para rapazes solitários, o SuperNES substituia uma namorada tranquilamente ao atravessar as noites de sábado arrebentando as falanges dos dedos tentando executar um hadouken perfeito ou tentar ver a calcinha da Chun Li em câmera lenta.

Esse trailer mostra o novo Street Fighter IV, e embora não tenha muitas dicas de como serão os gráficos, que tomara que sejam em 2D, mostra que dá pra fazer alguma coisa diferente com o tema games. A animação com farta distribuição de porrada interage com ondas e respingos de nanquim branco, preto e vermelho. Curioso e bem feito.

Preto e Branco

A animação japonesa “Preto e Branco” veio de um gibi que já foi publicado no Brasil, acho que pela Conrad.

Criado por Tayo Matsumoto, conta a história de duas crianças, irmãos, que possuem superpoderes não muito em explicados. Um deles, Preto, é mais velho, normal e cuida do menorzinho, Branco, que é meio limitado e apatetado. Nada de olhos gigantes amendoados, nada de vilões maniqueístas comprados em supermercado de tão padronizados, nada de soluções de roteiro e desenho baratas e/ou preguiçosas.

Tá correndo o risco de concorrer ao Oscar, junto com Persépolis e Ratatouille, segundo a lista que saiu no Updaters. Não diz muito, porque as Tartarutas Ninjas também estão querendo passar a mão no homenzinho dourado.

Animação em parede

Essa é meio velhinha, já rolando algum tempo no Youtube, mas como sempre digo, tem gente que não conhece, então que se faça conhecido.
Não sei quem é o autor desse desenho (quando tiver um tempo eu pesquiso), mas essa animação de parede foi feita por alguém com muita disposição e tempo sobrando.

Milhares de sessões de desenha-apaga-desenha-apaga foram feitas. O clima sombrio dá uma sensação ruim. Já morei em uma casa que achava que tinha coisas parecidas rastejando pela parede e andando de mansinho pelo corredor, quando era criança (que também lembrava daquela cena de arrepiar mamilo de “O Sexto Sentido”, quando o garoto mija e uma sombra passa por trás dele).

Pawapufu Garusu Z

Animê genérico feito pra TV, ame ou odeie.

Meninas Superpoderosas versão temaki com bala de goma, lá chamadas de Powerpuff Girls Z.

Para moçoilas e moçoilos na idade do primeiro hormônio.

Que nunca seja feita uma versão Pokemon da Mansão Foster.

As baleias, o Japão, a animação e o Greenpeace

Um combo para aqueles que adoram baleias e são simpatizantes pela proibição da caça dessas gorduchas do mar e também adoram animação, principalmente japonesas e com técnicas diferentes.

Esse filme para a Greenpeace explica de onde veio essa prática de comer carne de baleia, pelo menos no Japão. Na época da Segunda Guerra, onde faltava-se tudo e a fome só não era mais forte que o sentimento de devoção pelo país e pelo imperador, as baleias foram uma alternativa como alimento. Mesmo depois de acabada a guerra, o hábito de comer carne de baleia continuou. Esse é o mote desse filme, visto de um ponto de vista diferente e inteligente.

O animador dessa beleza é Koji Yamamura, que fez uma animação com o mesmo estilo sobre chamado “Franz Kafka’s Ein Landzartz”, de perder a respiração por um momento.

Curiosidade extra, baleia em japonês é “kujira”. Gorila em japonês é “gorira”. Juntando os dois nasceu “Gojira” ou em língua gaijin, “Godzilla”.

Ping Pong Club

Embora não seja fã de animação japonesa de TV (Miyazaki e Satoshi Kon não entram nessa lista), perdi mais de três horas da minha vida que não voltam mais para ver essa série chamada “Ping Pong Club” (e ainda não vi tudo). Não conseguia parar de assistir . Ela foge do padrão da maioria dos animês tontos e cheios de cliches; ela é doente, esquisita, homofóbica, pornográfica, nojenta e mal-desenhada e parodia todos os chavões das outras animações e cultura pop japonesas, e se você gostar desse tipo de humor grotesco e sujo, não vai parar de rir (não é comum ver um desenho onde um dos personagens deixa o pinto à mostra pra ganhar um jogo). É uma versão animada do programa “Sushi TV” que passa no Multishow (onde o mérito é todo do locutor). É trash total.

Falado em japonês, com legendas em inglês. Se souber ler um pouquinho já dá pra dar uma pá de risadas. Abaixo está só o episódio 1, mas alguma alma bondosa colocou toda a série no Youtube, são mais de 26 episódios de quase meia hora.

Seu amiguinho, o Cocô risonho

A coprofilia anda solta nesse blog.

Mais uma da série “Coisas que só se vê no Japão”. Onde mais você veria uma animação, que passa na TV aberta de lá, ensinando de forma quase Teletubbie como fazer o número 1 e o número 2 pra crianças?

Embora seja algo bizarro, é um tipo de material que faz falta aqui, quem tem criança pequena em casa sabe como é difícil ensinar o pequeno ser a fazer as necessidades no vaso. É quase uma tradição oral, passada apenas de mãe para filha ou de amiga com filha para outra. Nossa cultura é pudica demais quando o assunto são coisas que o organismo excreta.

Quase tudo dirigido a esse público infantil no Japão tem essa cara “fofóide”. O lado bom é que a criança realmente entende o processo de expelir o que deve dentro da porcelana. Mas é muito exagerado para nossos olhos ocidentais. Fico imaginando como deve ser divertido fazer uma reunião pra criar o roteiro, os diálogos e o storyboard desse desenho. So dá merda.

É um pesadelo em formato de animação, conseguir fazer as necessidades com uma platéia torcendo, e um globo soltando papel prateado com trombetas e luzes comemorando a saída do torpedo, que reparem, é bonitinho, dá risada é dá até vontade de ser seu amiguinho. Mesmo assim ele é mandado pra dentro do esgoto sem dó. Amiguinho descartáveis.

Se tivesse toda essa festa e expectativa na infância pra fazer cocô, acho ganharia um trauma que até hoje estaria cagando num penico escondido no escuro.

Eu quero é aquela alça no trono do menino.

Extraordinary Giant Gentlemen

Postado no blog Drawn uma animação fantástica em 3D que mistura Gundam (robô gigante fetiche japonês) com a corte da rainha Vitória.
O pai da criança, o estúdio Blur, faz videogames, aberturas de programas e comerciais.
Como um curta em 3D, “A Gentlemen’s Duel” é mais legal e divertido do que o Lifted, da Pixar.
“A Gentlemen’s Due”>

Também tem outra animação da Blur, mais morna, chamada “Goopher Broker”. É como pipoca de porta de escola, é bem feito, tem cara boa, mas não tem muito gosto, a não ser por algum eventual provolone frito ou amendoinzinho perdido no meio do pacote.

Mais estranho e introspectivo, com acabamento inferior, porém melhor que o da marmota é o “The Last Knit” de Laura Neuvonem. Mistura de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) com animação 3d.

O discurso final de Anton Ego

Quando era moleque e não tinha grana, eu passava meu tempo nos cinemas de Mogi das Cruzes, no cine Avenida e Urupema, assistindo mais de uma sessão de um mesmo filme. Era um hábito tolo, pra que eu saísse do cinema com a sensação de que o preço pago pelo ingresso tinha valido a pena, mesmo com os filmes ruins do Terence Hill e Bud Spencer. Até lá, cinema era apenas um motivo de passar o tempo, era um hábito mecânico escapista, não me lembro de nenhum filme significativo que justificasse cinco estrelas em minha memória, talvez com exceção de “E.T.”, mas como estava acompanhado, não deu pra repetir a dose nesse caso.

A mágica aconteceu quando vi pela primeira vez “Caçadores da Arca Perdida”. Fiquei tão maravilhado com aquele filme, com todo vagalhão de sensações que saía da telona, que perdi o número de vezes que vi e revi esse filme (na verdade foram 12 vezes em, até quando o filme saiu de cartaz). Era a primeira vez que um filme me fazia feliz. Pra um garoto pobre, era quase o equivalente a ganhar um autorama.

O último filme que me fez feliz que nem criança foi “Ratatouille”. Feliz no sentido de sair do cinema leve e pensando. Repeti a sessão (pagando dessa vez) como fazia há 28 anos atrás.

“Ratatouille” é um filme sobre talento e a persistência do talento. Troque a culinária pelo desenho e garanto que todo ilustrador que teve que lutar contra a família, contra as opiniões e contra todas as chances no começo da carreira não se identifique com o ratinho Remy. Todo ilustrador que se sentia um peixe fora d’água, que tinha algum talento que o transformasse em um alienígena na frente de todo mundo, pois era taxado como artista, e como artista também era automaticamente taxado de vagabundo ou sonhador ou era uma maneira bem detergente para escapar de cuidar dos negócios da família, renegando sua origem.

Ou quem também no começo de carreira, devido à sua origem humilde, não se sentiu um rato mulambento quando entrou em uma redação ou uma agência pela primeira vez na vida, sentindo-se como aquela peça de Tetris que não se encaixa no espaço e atrapalha todo mundo que vem atrás.

Obviamente nem todo mundo começou a carreira se sentindo um rato de esgoto sem lugar no mundo, mas aqueles que começaram, como eu, entendem bem qual é essa sensação.
Nesse ponto é um filme tocante. Isso sem falar da parte técnica. Trouxe lembranças da minha infância, como na cena em que Anton Ego come o ratatouille feito por Remy.

Falando em Anton Ego, é tocante e genial seu discurso final, principalmente na parte em que ele fala sobre a origem de um artista. A voz do Peter O’Toole somada a esse texto é de espremer o coração do ilustrador ou artista mais rabugento e metálico que possa existir (lagriminha).

Encontrei a transcrição e a tradução por acaso num blog sobre o Marcelo Rubens Paiva (!!), escrito pela Ana Cláudia.
Quem não assistiu e apenas ler esse discurso, pode achar até chinfrim. Mas somado à narração do Lawrence da Arábia com as cenas do filme, transforma-se em uma tocante homenagem a quem insiste e precisa viver do talento:

In many ways, the work of a critic is easy. We risk very little yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read. But the bitter truth we critics must face is that, in the grand scheme of things, the average piece of junk is more meaningful than our criticism designating it so. But there are times when a critic truly risks something, and that is in the discovery and defense of the new. Last night, I experienced something new, an extraordinary meal from a singularly unexpected source. To say that both the meal and its maker have challenged my preconceptions is a gross understatement. They have rocked me to my core. In the past, I have made no secret of my disdain for Chef Gusteau’s famous motto: Anyone can cook. But I realize that only now do I truly understand what he meant. Not everyone can become a great artist, but a great artist can come from anywhere. It is difficult to imagine more humble origins than those of the genius now cooking at Gusteau’s, who is, in this critic’s opinion, nothing less than the finest chef in France. I will be returning to Gusteau’s soon, hungry for more.

E em português:

“De várias maneiras, o trabalho de um crítico é fácil. Nós arriscamos muito pouco e, a despeito disso, desfrutamos de uma vantagem sobre aqueles que submetem seu trabalho, e a si próprios, ao nosso julgamento. Nós nos refestelamos escrevendo crítica negativa, que é divertida de escrever e de ler. Mas a verdade amarga que nós, críticos, temos que encarar é o fato de que, no grande esquema das coisas, até o lixo medíocre tem mais significado do que a nossa crítica assim o designando. Mas há momentos em que um crítico verdadeiramente arrisca algo, e isso ocorre na descoberta e na defesa do novo. Noite passada, eu experimentei algo novo, uma refeição extraordinária preparada por uma fonte singularmente inesperada. Dizer que tanto a refeição quanto quem a preparou desafiaram meus preconceitos é uma grosseira simplificação. Ambos me abalaram em meu âmago. No passado, não fiz segredo do meu desdenho pelo famoso lema do Chefe Gusteau: Qualquer um pode cozinhar. Mas só agora verdadeiramente percebo o que ele queria dizer. Nem todo mundo pode se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar. É difícil imaginar alguém com origem mais humilde do que o gênio agora cozinhando no restaurante Gusteau’s e quem, na opinião deste crítico, não é nada menos do que o maior chef da França. Estarei voltando ao Gusteau’s em breve, faminto por mais”.