Grandes direitos das crianças – o livro

Há alguns muitos anos atrás, eu fiz uma lâmina de bandeja com textos do meu comparsa Marcelo Lourenço chamada “Grandes Direitos Para Pequenas Crianças”, ainda na época em que eu trabalhava na Taterka, a agência que cuida da conta do McDonald’s. Quem viu minhas palestras sabe que eu sempre a menciono como uma das minhas mais-mais lâminas preferidas, não por causa do desenho, mas por causa da candura dos textos, da idéia e a motivação que ela tinha aberto uma possibilidade dentro da minha carreira de fazer algo diferente do que a gente chama de ‘linha de produção industrial” dentro da ilustração publicitária. Em outras palavras, começava a coceira de fazer algo como autor. A lâmina tinha muito potencial e sempre tive vontade de fazer a segunda. E a idéia ficou conservada a vácuo por anos e no final já havia decidido que um dia iria transformá-la em livro, visto que dificilmente seria transformada em uma segunda lâmina de bandeja, já que os temas delas eu não tenho mais autonomia.

Mas também a vontade de fazer livros sempre empaca nesse ridículo complexo de Tolkien que eu e mais uma caralhada de escritores tem de achar que só livros pesados e com muitas páginas podem ser considerados livros perfeitos. Como perfeição não existe, ela vira desculpa pra não publicar nada, sempre revisando, sempre reescrevendo. Não é, sempre tive a consciência de que muitas lâminas de bandeja antigas tinham temas e desenhos tão interessantes que eram como se fossem um livro de uma página só. Então, por que não tentar?

Há alguns meses, a Panda Books me convidou para fazer alguns livros, o que vulgarmente damos o nome de juntar a fome com a vontade de comer, ou outras coisas mais vulgares não aconselháveis para crianças, e eis que orgulhosamente apresento o primeiro rebento, o que considero o primeiro livro autoral meu, em parceria também com o famigerado Marcelo Lourenço: O Livro dos Grandes Direitos das Crianças!

São 40 novos direitos, 40 páginas com 40 ilustrações novas e mais alguns de lambuja. As ilustrações seriam feitas a traço bem forte, característico dos meus trabalhos, mas o pessoal aqui concordou que deixando a lápis o traço mesmo imperfeito ficava mais agradável.

Confesso que estou empolgado como uma garotinha de vestido novo, porque ao entregá-lo e vê-lo inteiro, editado, bonitão e pimpão, deu uma puta vontade de escrever e ilustrar mais livros, coisa que vinha tentando há algum tempo e estava reprimida como uma roqueira em um convento pintado de cinza-chumbo.Vai que eu pego (e sinto que estou pegando) o gosto pela coisa?

O lançamento do livro em São Paulo será na Livraria da Vila da Alameda Lorena 1731 no dia 15 de outubro, a partir das 16h. Você vai? Você vai?

Obviamente, darei uma de Gustavo Duarte e farei um desenhinho em cada autógrafo que darei (pensei em fazer com Shaun Tan, de carimbar um só desenho em cada livro pra ficar mais rápido, mas achei um pouco cafajeste a idéia).

Estamos estudando também como fazer uma oficinazinha de desenho no dia para crianças, mais detalhes mais pra frente.

Também estamos estudando como lançá-lo no Rio de Janeiro e em outros lugares. Onde houver um a criança ou um marmanjo, estarei lá.

Em tempo: Heroines vai ser o próximo livro.

Coisas que ninguém sabe que eu desenho

Nem só de coisas fofas e mulheres curvosas vive um Hiro. Como é preciso comer, e comer bem, temos que trabalhar de vez em sempre por dinheiro, embora muitos puristas não concordem com isso. Não sei como, mas não concordam. Na hora em que dinheiro de Banco Imobiliário puder pagar conta de luz eu repenso sobre isso.

Geralmente são ilustrações de embalagens, ilustrações menores que auxiliam instruções, ou simplesmente ajudam a vender melhor uma paçoquinha. Ou são trabalhos em situações diferentes ou cuja publicação foi num espaço de tempo muito curto. Ou outros que nem foram aprovados pelos clientes.

Por exemplo, essas são frutas estão em embalagens das barrinhas de cereais da Taeq.

Esses moais foram feitos para rótulos de vinho também do Pão de Açúcar.

Esses aqui são ilustrações de traseiras de embalagens de produtos do Pão de Açúcar. Eu particularmente adoro fazer esses desenhinhos de back de embalagens, como modo de montagem de uma garrafa de corrida, luvinhas de borracha para uso não-proctológico, temperinhos de alho e para embalagem de frango assado. No final você tem uma coleção bonitinha de desenhos que parecem brindes de Kinder Ovo vetoriais.




Saladas de frutas vetoriais também entram no meu cardápio de trabalhos de vez em quando:

Pro McDonald’s, já fiz uma versão plastificada dos acepipes servidos nas McFestas:

E de vez em quando faço painéis para exibição de brindes de McLanche Feliz, como esse com o tema de “Uma Noite no Museu 2″

Durante um ano fiz ilustrações para os pôsteres da revista Carta na Escola:



Essa aí é uma dedicatória que eu fiz pro meu amigo Leandro Robles pra revista do Macaco Albino:

E essas duas Chapeuzinhos Vermelhos foram estudos que fiz pra um anúncio da Natura, que não rolou:


Um folder que fiz pro lançamento da Zafira:

A cabeça de Miyazaki

Em épocas nada gloriosas da minha vida, particularmente quando minha carreira era fétida e sem perspectivas como uma bola de pelo de gatos, quando havia desistido de ser ilustrador para trabalhar com publicidade, uma das coisas que me deram força pra continuar gostando de desenho em circunstâncias adversas foi Totoro. Toda vez que via Totoro eu ficava fascinado como uma criança que repete o filme dezenas de vezes e canta a musiquinha no final, e esse fascínio me fazia pegar no lápis e rabiscar alguma coisa mesmo sem utilidade, sem qualidade ou sem pretensão. As cenas da árvore gigante crescendo ou do Gato Ônibus mexiam comigo. Sem esses rabiscos esporádicos durante essa fase, dificilmente eu retornaria a trabalhar com ilustração alguns anos depois.

Ninguém como Hayao Miyazaki consegue fazer trabalhos que inspiram tanto uma criança com cheiro de leite na roupa como um adulto com dívidas no banco, passando obviamente por uma renca de ilustradores, animadores e escritores que ergueriam um altar para ele em um cantinho especial da casa. Lógico, tem gente que torce o nariz pra ele, mas esses a gente não convida pra brincar.

Quem é fã dele e tem um inglês azeitado deve tem que ler “Starting Point” – R$68 dinheiros na Livraria Cultura.

O livro é um apanhado de entrevistas, ensaios e pensamentos de Miyazaki durante o período de 1979 a 1996. É um livro delicioso, é um TED escrito em papel. Ali Miyazaki fala sobre a paixão de desenhar, de como as idéias nascem, do que uma história tem que ter para ser boa, como ele constrói um personagem, o que ele acha sobre mangás, a paixão dele por aviões e pelo voar, ou as referências de filmes noruegueses e italianos, como “Ladrões de Bicicleta”. Além disso também conta o ponto de partida que levou ele a criar Totoro, Kiki, Princesa Mononoke, etc. Deliciosamente obrigatório para quem não só trabalha com desenho, mas para quem trabalha com criatividade.

Um exemplo do que ele fala sobre o ato de desenhar, devidamente traduzido:

Quando você fala sobre um belo pôr-do-sol, você sai correndo atrás de referências fotográficas de pôr-do-sol ou vai em buscá-lo em qualquer lugar? Não, você fala sobre o pôr-do-sol desenhando o que conhece dos muitos por-do-sol que você tem armazenado dentro de você, basicamente sentimentos sobre ele arraigados dentro do seu consciente, dos por-do-sol que você via nas costas da sua mãe, cujas memórias são quase um sonho, ou do primeiro pôr-do-sol da sua vida que você viu em um penhasco e deixou você perplexo e encantado, ou aqueles por-do-dol em dias de angústia, solidão ou entusiasmo…

….desenhe muito, o máximo que você puder. De vez em quando, a partir disso, um mundo pode ser criado.

O livro é lotado dessas “conversas de velhinho sábio”, deliciosamente sábias.

Esse é um dos vários sketches que Miyazaki fez sobre idéias soltas, apresentadas por um Porco Rosso fofo.

Máquina de fazer xixi e outras mecanices para crianças

Mais um jabásico. Dessa vez é um cenário que eu fiz pro McDonald’s, daquelas pecinhas de teatro que um Ronald genérico faz em diversos lugares do país. Eu sempre faço esses cenários, são sempre produzidos vetorialmente porque eles são produzidos com um tamanho generoso.

Também sempre faço, e quase ninguém sabe, também essas lâminas de bandeja mais pueris, mais simples, para diversão da moçadinha de dentes de leite. Geralmente existem espaços separados em algumas lojas do McDonald’s onde algumas crianças tem passatempos com o apoio de um monitor. Algumas delas são dadas também nos shows da série Mundo Feliz.

HQ Mix para a Revista Ilustrar

Alguém tinha que reconhecer o esforço quixotesco ou brancaleonesco que Ricardo Antunes vem fazendo com a Revista Ilustrar após anos de esforço solitário como uma masturbação numa sexta à noite, mas ao mesmo tempo também prazeirosa como uma orgia de fadas lésbicas lindíssimas. Solitário porque ele faz tudo sozinho, e prazeirosa porque o que ele ganhou de amizades e oportunidades de conversar com titãs ilustradores e ver desenhos originais que somente poucos olhos teriam a honra de ver. E esse esforço vem do prêmio HQ Mix, que acontece nessa sexta, dia 16/09. A Revista Ilustrar ganha o troféu HQ Mix na categoria Homenagem Especial, um contraponto, já que tiraram as categorias de ilustração normais da premiação. A Revista Ilustrar, junto com o Guia do Ilustrador, já fizeram muito mais em prol da ilustração e dos ilustradores do que muitas mães de ilustradores por aí. A Revista só não dá emprego e comida na boca, de resto tem informação e dedicação obrigatória para qualquer um que trabalhe com desenho, imagens, design ou sendo apenas amantes de desenhos bons.

É como sempre falo, mesmo de graça pra download ela não tem preço.

Levantemos nossas canecas de porcelana com design bacanudos e brindemos com Cocas sem gás a mais anos e anos de sucesso à Revista Ilustrar e também, consequentemente, anos de saúde e sanidade mental para Ricardo Antunes continuar na empreitada.

Em tempo: talvez eu ou o Rosso iremos receber o prêmio das mãos do Serginho Groissman, ja que o honorável mentor e construtor da revista mora em Lisboa.

Amostra grátis de duas lâminas de bandeja # 25 e # 26

Saudades de mim? Eu também estou com saudades. De mim.

Pra variar, coloco para verem a luz do dia duas amostras grátis de lâmina de bandeja do McDonald’s, dois pitaquinhos que devem entrar nas lojas do McDonald’s nos próximos meses.

As duas não posso falar o tema, tampouco também dá pra adivinhar, já que um desenho não necessariamente tem que traduzir o contexto geral da lâmina. Mas quem espera aguarda.

A primeira é essa.

E a segunda lâmina será essa.

Pra não dizer que a gente não aprende nada depois dos 40, recentemente descobri os padrões da Missoni. Se eu fosse mulher e muito rica usaria Missoni até pra limpar a bunda.

À medida que elas forem sendo liberadas nas lojas do McDonald’s eu posto aqui aumentadas e arreganhadas.