Sketchbooks – o primeiro livro brasileiro sobre…sketchbooks

Há algum tempinho fui convidado pelo Roger Bassetto e Cézar de Almeida, antigos proprietários da Livraria Pop, a participar de um projeto sobre um livro de sketchbooks. A proposta é interessante, era mostrar qual era o papel do sketchbook no papel criativo do ilustrador ou artista. Assim, cada convidado mostraria algumas páginas do seu caderno de rabiscos, ou caderno de manifestação de idéias, e faria uma declaração sobre esse caderninho salvador.

E agora o livro vai ser lançado. No dia 28/10, uma sexta (tem Bistecão nesse dia, quero ver como eu faço), no Museu da Casa brasileira, na Av, Faria Lima 2705, São Paulo City.

Participam do livro, além de moi, toda essa turma de peso pesado pesadésimo nas artes e ilustração: Alarcão – Alex Hornest – Amanda Grazini – Angeli
Arthur D’Araujo – Bruno Kurru – Carla Café – Cláudio Gil
Eduardo Berliner – Eduardo Recife – Elisa Sassi – Fernanda Guedes
Guto Lacaz – Hiro Kawahara – Kako – Kiko Farkas – Leo Gibran
Lollo – Lourenço Mutarelli – Montalvo – Mulheres Barbadas
Orlando – Rafael Grampá – Roger Cruz – Titi Freak – Yomar Augusto

E deixo no final a descrição do livro nas palavras dos próprios idealizadores:

SKETCHBOOKS
AS PÁGINAS DESCONHECIDAS DO PROCESSO CRIATIVO
O livro aborda as questões do processo criativo nas artes visuais,
amplamente ilustrado com imagens dos cadernos de esboços de 26
artistas contemporâneos brasileiros.
Foram selecionados pela sua diversidade de atuação, daí a participação
de designers, arquitetos, ilustradores, cartunistas, gra!teiros
e tipógrafos, entre outros.
“Sketchbooks” é um projeto inédito no Brasil, resultado de um
processo de mais de 18 meses entre a concepção e o produto !nal, com
visitas a ateliês e contato com um riquíssimo e vasto material registrado
em cadernos, gerando a difícil tarefa de compilar recortes que
re”etissem o trabalho e a personalidade artística de cada um do elenco.
Os autores esperam, com este livro, “alimentar e inspirar quem está
buscando ou já está percorrendo seu próprio caminho no campo das
ideias e quer exercitar sua criatividade nas artes visuais e na vida.”
Segundo Charles Watson, que escreve a introdução:
“É possível que nos últimos 10 anos tenham sido publicadas mais antologias
sobre desenho e o papel do desenho no pensar que nos 30 anos
anteriores. Isso sugere que hoje, em meio à idade digital, o processo de
esboçar ainda é fundamental para muitas disciplinas que vão além da
arte e do design.
“Sketchbooks” é um raro exemplo no Brasil de uma antologia desse
tipo. Num contexto de consumismo desenfreado e constante procura
por novos produtos da indústria e do design, é refrescante ver um livro
que visa à contemplação dos bastidores das linguagens criativas

E essas são algumas páginas-petisco do livro.




Be there!

A loira do Bonfim versão fofa – amostra grátis de lâmina de bandeja nº 22

Aproveitando o clima belorizontino por conta da palestra do R Design, aí vai outra amostra grátis de lâmina de bandeja do McDonald’s falando sobre Belô.

A loira do Bonfim vivia de branco e aparecia de madrugada se insinuando, pedindo para que algum vivente a levasse pra casa. Na esperança de faturar alguma coisa a mais que um beijinho, acompanhavam a alva moça até o local de sua morada, que na última hora se revelava ser um cemitério, e daí ela desaparecia feito nota de 10 na carteira.
Seriam a loira do banheiro e a loira do Bonfim seriam a mesma pessoa? Ou melhor, a mesma entidade?

Palestra em BH

Amigos mineiros, preparem um pão de queijo e um café com leitchi quentchi que estarei em BH dia 10 de outubro para dar uma palestra no R Design, pra falar um pouco do meu trabalho e sobre a profissão de ilustrador. É um mês profícuo (adoro a palavra “profícuo” tanto quanto “vibrissas”) de palestras, a gente se diverte e conhece um monte de lugar legal levando nossa palavra messiânica ilustrativa por aí e por aqui.

Vai ser as 20h no Campus I Cefet – MG – Av. Amazonas, 5253 – Nova Suiça Auditório

UPDATE!

Quem quiser se inscrever para a palestra é só ir nesse link , ir clicar em “inscrição” e deixar seus segredos mais  íntimos

Bob Staake e o Photoshop Pleistocênico

Eu sou um fã de camiseta e bandeirinha do Bob Staake. Recentemente comprei um livro pop-up de bichinhos muito Hebe Camargo, vulgo gracinha. Sempre admirei as expressões, os olhos e o clima bem humorado que esse cara dá aos seus desenhos, além de ter esse design retrô moderninho que dá até raiva de tão bom.


Sempre soube que ele trabalhava digitalmente só com o mouse, não usando Tablets ou Cintiqs, e, pasmamente também que só usava (ou usa, sei lá) a versão 3.0 do Photoshop pra fazer os desenhos (veja bem, não é a versão CS3, é a versão 3, que foi lançada em 1994 e foi a primeira versão com layers). Ou seja, o danado usa um software com 16 anos de vida pra fazer esses desenhos. Ele é a prova viva de que programa não faz um ilustrador, talento e prática sim.

Agora, ver o cara trabalhando nesse programa da era Pleistocênica dá arrepios porque tudo parece simples e não é. Trabalhando basicamente com círculos, demora um pouco pra entender como é o processo de trabalho dele e os desenhos começam a aparecer como mágica de coelhinho na sua frente.

O sono criativo by John Cleese

Durante meu período no estaleiro físico-químico, eu chorava as pitangas com o Kako. Num desses papos, ele me enviou um link do Youtube com uma palestra magnífica do John “Monty Pythom” Cleese, britanicamente velhinho e digno, falando de algumas coisas, entre eles sobre a importância do sono no processo criativo, do descanso e da imposição do limite de trabalhar, além da importância de não ser interrompido durante esse processo. Graças ao André Valente, lembrei novamente desse vídeo e hoje até parece que ele fez isso de encomenda para esta pessoa que vos digita.

Tá em inglês sem legenda, mas vale a pena fazer um esforcinho pra entender, vai ser Gatorade pra cérebros cansados.

Palestra no Rio – versão carioca da IlustraBrasil 7

Ao pessoal que vive debaixo do sovaco do Cristo Redentor:

Estarei no Rio no próximo dia 04/10, segunda-feira, dando uma palestra sobre o que eu mais entendo: eu mesmo, mostrando um pouco do meu trabalho e contando o processo de virar ilustrador por acaso, abrindo a semana de leituras da versão carioca do IlustraBrasil 7.

A abertura do evento é às 19h e a palestra é as 20h. Fica lá no Senai Maracanã, na Rua São Francisco Xavier 417.

A programação total do evento tá aqui abaixo, my friend.

A origem de “A Origem” foi em Patópolis

Saí da sessão de “Inception” achando que alguém fez isso em mim quando comprei o apartamento na planta.

A idéia do filme não é nova, mas é divertido ver o processo quase em papel carbono que foi feita pela Disney, numa história em quadrinhos ilustrada pelo Don Rosa em que os Metralhas usam uma máquina para entrar no sonho do Tio Patinhas pra roubar segredos e o Pato Donald tem que entrar no sonho também pra protegê-lo.
Uma das coisas legais do Don Rosa é que ele usa elementos de histórias criadas por Carl Barks em outras situações. Só os bravos lembram de Dora Cintilante.

A história completa, “The Dream of a Lifetime” tá aqui nesse link. Don Rosa não é Christopher Nolan, mas é tão genial quanto.

Pitacos na Computer Arts

Tanta coisa ficou aí pra ser noticiada nesse período, ô jizuis.
Uma delas taí nas bancas.

Eu escrevi um texto que está na última página da nova edição especial da Computer Arts sobre design de personagens, a pedido da bela Natalie Folco. falando um pouquinho sobre o que é criar personagens publicitários, principalmente a parte menos prazeirosa e mais pentelha do processo. Pra tirar um pouco daquela idéia de que é um trabalho 100% cor de rosa, felpudo e com cheiro de algodão doce, porque não é. Pelo menos não 100%.

Uma coisa que não escrevi no texto por falta de espaço é o erro em que o cliente tem em acreditar que basta criar um personagem para seu produto que ele vai virar um case de mercado só porque ele é inovador, colorido ou carismático. O que faz desse personagem um destaque que vai ser lembrado por anos a fio não é o desenho, é a quantidade de dinheiro que se investe nele em divulgação e marketing. Com muito dinheiro pra expor, qualquer personagem, até um ícone de gentinha vira personagem conhecido pra vender celular.

Queimando as pestanas

Estou voltando depois de um tempo fora do ar. Espero que agora eu retome as minhas funções normais, sejam elas profissionais ou fisiológicas.

Durante mais de 20 anos eu dormi entre 4 a 5 horas por dia. Achava que dormir era supérfluo, acreditava nas palavras de Napoleão de que um tolo precisa de 8 horas de sono, achava que era um tipo de poder mutante que me permitia trabalhar mais do que a média dos humanos mortais, me dava uma soberba presunçosa achando que isso poderia se manter para sempre e produzindo mais do que máquina de fazer linguiça.

Some-se a isso 16 anos de stress paquidérmico trabalhando como diretor de arte, dentre eles também como responsável pelo departamento infantil do McDonald’s, lidandocom todo tipo de criatura de sangue quente e frio. Coisa de trabalhar todo dia até as 3 ou 4 da manhã, voltar pra casa, passar uma águinha no rego e voltar pro batente as 11 da manhã, lidando com 4 ou 5 jobs ao mesmo tempo. Às vezes o clima era tão pesado que dava pra cortar o ar com uma faca.

Mesmo quando me tornei ilustrador freelancer, há 5 anos atrás, eu achava que estava dando um upgrade no estilo de vida. Mais falso que nota de 30. Embora tenho redescoberto a verdadeira vocação, levei todo o jeito estabanado e exagerado de trabalhar pra casa. Some-se o prazer que a ilustração me dá, disfarçando o cansaço e diminuindo ainda mais as horas de sono em troca dessa libido artística e aí você se vê trabalhando ainda mais do que antes.

Some-se ainda nos últimos meses mais stress de tamanho jurássico vindo de divórcio, problemas com a construtora do apartamento, descoberta do glaucoma e você dorme menos ainda. Todo o tempo do mundo não é suficiente pra fazer as coisas, duas mãos e dez dedos também não. O cérebro pode virar uma pasta que depois ele se recupera, assim eu pensava.

No final, eu tive um desequilíbrio químico no cérebro. O stress constante durante anos somado à falta de dormir me deram de presente uma coisa chamada Síndrome de Burnout. No final, ou eu dormiria 8 horas por dia ou seria candidato a aparecer naquele programa safado “Intervenção”. Nada que feijõezinhos mágicos com tarja vermelha que fazem “Boa noite Cinderela” instantâneo por 8 horas não resolvam.

Nesse período de conserto, quase tudo o que era secundário ficou de fora (em outras palavras, tudo o que não era trabalho). Isso incluia o blog e as Fast Girls.
Agora que as coisas estão se equilibrando novamente, acho que consigo recuperar tudo isso aos poucos. Principalmente o blog, que tadinho, deixei de lado mesmo com uma coceira danada nos dedos, já que eu curto escrever tanto quanto desenhar.

Retomei as Fast Girls há algumas semanas, mas vou apresentá-las de uma vez só por um motivo específico, em breve elas surgirão fresquinhas e curvosas.

Para aqueles que eu deixei na mão por conta da diminuição da atividade temporária, minhas desculpas e minhas condolências. Prometo passar uma fita silvertape pra consertar tudo isso.

Lâmina de bandeja “Que tipo de amigo você tem?”

Antes, um mea culpa.

Estou há algumas semanas sem postar nada porque, por ordens médicas, eu reduzi um pouco meu ritmo de trabalhos notívagos e durante um tempo tenho que dormir 8 horas por noite tomando remédio – geralmente dormia em torno de 4 horas, e eram essas horas que eu fazia as Fast Girls e escrevia no blog. Minha memória estava ficando de peixinho dourado velho, então patientia Mas o ritmo de trabalhos vai normal, mas tratar de Síndrome de Burnout trabalhando parece o mesmo que trocar pneu com o carro andando. Mas também tem coisas saindo no forno bem legais e em mais tempo tudo aqui volta ao normal.

Essa lâmina de bandeja é uma série de 3, todas relacionadas com o tema “Amizade”.
Eu particularmente gostei dessa porque tive muita liberdade de fazer os textos. Coisas como “Boca de Cabra”, “Nojinho” e outras engraçaduras não saiam antes. E os textos corridos, na maioria das vezes, seguem o mesmo estilo desse blog. É bom fazer um trabalho dando risada.

Se quiserem ver maior, vá ao meu site-portfólio oficial e clique na imagem da lâmina de bandeja duas vezes que ela cresce intumescidamente. Também podem clicar na própria imagem acima que ela também intumesce.

E só para curiosidade, esse foi o layout que eu mostrei pro cliente, uma lâmina de bandeja neném.

E também algumas ilustrações maiores de umas semi-fast girls. A fluidez, rapidez e a facilidade de fazer as expressões melhoraram muito depois que eu comecei a fazer as meninas rapidinhas. Quem disse que elas não serviam pra nada?





Tudo foi feito no Painter 11 e a lâmina finalizada em Illustrator CS5. Os traços não são perfeitos, porque as ilustrações são feitas com uns 30cm de comprimento e depois reduzidas a míseros 2 a 3cm, comprimindo todos os erros.