Wabi Sabi, ou o perfeito é uma merda
Há semanas bem longas o camarada Weno mandou um link com uma matéria na Trip sobre o conceito chamado Wabi-Sabi.
Wabi Sabi é um belíssimo conceito japonês que prega a beleza do que é imperfeito. Resumindo, é aprender a admirar as falhas de todas as coisas, daquele livro que já foi do seu avô, ou as rugas da sua esposa que está ficando velha junto com você. Leia essa matéria e você vai entender que seu desenho ruim pode ter potencial, que você não precisa sofrer por causa do anúncio do Photoshop CS5 porque o desenho da sua vaquinha pastando ainda pode ser feita no CS3, ou que você não é Adam Hughes mas pode virar algo tão bom quanto com muita dedicação e bom senso.
Nesse conceito, o sketch, o desenho criado de maneira rápida e intuitiva e cheia de erros, e a admiração por esse tipo de trabalho, é um exercício de Wabi Sabi.
Um adendo, dessa vez chinês: um conceito parecido com o Wabi Sabi e sempre presente nas filosofias taoístas e confucionistas é o conceito de ordem e caos, de perfeição ou imperfeição ou, em chinês, Wei Chi e Ji Ji. A perfeição, quando e se alcançada, não é permanente. No momento em que ela é atingida, ela vai ser descontruída em seguida, ou então a situação se tornará uma constante tensão. Assim, meu amiguinho, carro novo que sai da concessionário tem 50% de chance de bater e dar uma arranhada, da mesma forma que seu traço perfeito hoje vai mudar, melhorar e se tornará algo que fará o seu desenho como você faz hoje virar forro de gaiola de passarinho. Assumir que isso pode acontecer e faz parte da vida o fará menos tenso do que a tentativa eterna de preservar o que é perfeito. Quem vive em eterna tensão feliz não é, como diria Yoda.
Em termos de traço de desenho, não deveria ser algo sofrível conseguir algo que deve vir de forma natural, e também não adianta tentar congelar algo que você acha que é perfeito e gostaria que fosse eterno, com medo dele mudar e ficar pior com o passar do tempo. Traço TEM que evoluir se você desenhar constantemente, com exceção do que faz o Rob Liefeld, é a exceção que faz a regra.
Falando que nem Confúcio, o problema do homem comum quando vê um cara talentoso é que ele só vê o sucesso, não vê o duro danado que ele deu pra chegar até lá. Ou mais confucionamente falando, o homem comum, ao ver uma montanha, só vê o topo. O sábio vê o caminho até chegar lá. Esse aviso serve tanto pra quem acha que tem que desenhar como Adam Hughes, como aquele que acha que só vai ser feliz se tiver uma Cintiq como aquele que lambe capa da Playboy sonhando ser a mãe dos seus filhos ou daquelas que pregam a foto da Ana Hickman na geladeira pra perder peso. Você não tem que ser Adam Hughes, tem que desenhar o seu traço contanto que ele te deixe feliz. Se esse traço for comercial e você conseguir fazer coisas bonitas que trazem dinheiro, um abraço e um tapa nas costas pra você porque você é um felizardo, e pra ser felizardo não precisa de muita coisa.
O mundo seria bem melhor se não fosse tanto obcecado pelo perfeito. Essa praga se chama ANSIEDADE e só se cura com bom senso e tapa na cabeça.
















Hiro, muito interessante esta técnica!
Uns tempos atrás fiz um post chamado “desenhando certo por linhas tortas”, onde eu falava que risquinhos e manchinhas feitos ocasionalmente no desenho, são o que muitas vezes vai dar o charme especial.
Tá aqui se quiser ver…
http://www.ilafox.com/2009/08/desenhando-certo-por-linhas-tortas.html
Beijos!
Fala Hiro ! muito bacana seu post, imagino que esta muito corrido a vida por causa da Copa. Não sei se foi destino, coincidência ou sei la o que mas esses dias pensei a mesma coisa.Estava desenhando e entrei meio que em parafuso por não obter um traço desejado, na manhã seguinte esse fato nao saia da cabeça e então tive que me conformar que cada um tem seu proprio traço, alguns nascem com a facilidade de desenhar Comics de super-herois, outros com cartoons mais para o estilo de Deuses como Laerte, Angeli, Adão, entre outros, por isso tenho que olhar meus desenhos nao como uma anomalia mas como sendo algo diferente e agradevel ao fazer e ao olhar.
Ja tinha um conhecidmento meio que na teoria sobre esse fato mas ontem me deparei com a pratica, fiquei meio desanimado confesso mas não posso me abalar com isso, por que o que tem que me mover é o desenho e nao se meu traço é perfeito ou nao, como dizia sei la quem, A perfeiçao esta na imperfeiçao.
abraço hiro
Fala Hiro!
O Ricardo Antunes fez altos comercial do teu post e resolvi ler… muito bom cara gostei. Mas assim ó, eu tenho medo dessa coisa de se gostar demais do “inacabado” pois parece o que um livro chama de “Culto Ao Amador” do autor Andrew Keen.. http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2631270/o-culto-do-amador/
Isso pode ser uma tendência ao “imperfeito” e talvez influencie a finalização de alguns materiais como a ilustração, por exemplo. Precisamos gostar do que é belo e bem feito para que possamos estar sempre empenhados em aprender… enfim, é só uma opinião.
Grande abraço Hiro, curto muito seus textos!
Apenas um click que despertou em mim quando li o post:
mas eu sempre gostei de rascunhos! E todos os amigos que desenham, sempre me disseram a mesma coisa! E vc? gosta mais de rascunhos do que da arte final?
Hiroooooo, tudo bem???
Adorei esse post!!! :c) Wabi-sabi!!!
Quero ir na sua palestra do Ilustre, quem sabe a gente se encontra por lá? :c)
Um beijo grande pra você, mocinho!!! :c)
tem uma frase que eu repito muito… e que não sei bem autor, mas como ela foi meio que cunhada por uns amigos meus, a gente atribui ao grande estudioso de tudo, o professor joseph reinhardt (longa história para explicar quem é). mas a frase é: “a arte é a qualidade do imperfeito”
achei que tinha tudo a ver com esse post. =^P
abraço
Que coisa bonita Hiro. Inspiração na veia! Eu tava precisando, obrigada!
beijinhos
Hiro, onde é a fila pra levar tapa na cabeça? Vc sabe que eu preciso de vários, né?

Bjks
F
Acho melhor trocar tapa por choque elétrico. Brincadeirinha. Mas aprender uma meditaçãozinha não faz mal pra ninguém.
Precisava ler (ouvir) isso no meu momento agora, ajudou bastante!
esse texto caiu como uma luva pra mim.
pow hiro. valeu!
Nâo sabia dessa hst! gostei muito de saber! valeu por compartilhar conhecimento! ;D
[...] O texto acima foi retirado do blog do Hiro Kawahara, excelente ilustrador e, para os desavisados, o autor dos desenhos das toalhinhas que cobrem as [...]
Perfeito!!! Digo, um artigo muito enriquecedor, como disse Ricardo Antunes. Foi inspirador.
Acho mesmo que a beleza está na individualidade das pessoas e que algumas coisas são modas passageiras. O que permanece mesmo é o fruto de um trabalho sério e muito estudo.
Obrigado pelo toque!
Muito bom o texto, Hiro! Lembrei de eu mesmo há um tempo atrás. Sempre fui fã da arte do Dan Luvisi (adonihs.deviantart.com), porque ele tinha um estilo que era o mesmo que eu gostaria de alcançar, o mais realista/detalhista. Aí é que estava o meu erro: Eu me obcequei com as possibilidades do photoshop+tablet e dei atenção somente pros detalhes. Esqueci o lineart e um pouco da anatomia.
Nem tudo foi ruim. Olhando pro lado bom da coisa, evoluí muito na pintura digital. Foi então que, ouvindo os conselhos de amigos e profissionais, comecei a treinar mais anatomia e perspectiva, bem como um lineart mais solto. De um ano pra cá, estou vendo a melhoria que aconteceu!
E como diz o texto, isso é só o começo. Mas to achando meu traço bem mais aceitável que o de pouco tempo atrás!
Grande abraço!
Nossa! Excelente texto! Eu só me livrei (+/-) dessa mania de perfeição quando li uma entrevista do Mutarelli, em que ele respondia o porquê dos seus traços tortos. Era mais ou menos isso:
“Essa é a única forma que eu sei desenhar, se não for assim eu não sei me expressar visualmente” – Mutarelli
Foi a partir dessa frase, lá pelos os meus 18 anos, que eu abracei de vez esse meu traço cheio de açúcar que me faz ter uma relação de amor e ódio comigo mesmo. Hoje consigo desenhar o que quero* e de uma forma que me faz me divertir e ganhar dinheiro com isso (self-tapinhas nas costas for me).
Um super abraço,
tio .faso
* Eu quero desenhar coisas assim, mas minha mão só faz coisas assim. É a Síndrome do Ursinho Pooh no meu maior estágio! T__T
Ah, então (parafraseando Apocalypse Now!), o sublime, o sublime:
http://photoshopdisasters.blogspot.com/
Aquele abraço!
Esse texto é perfeito! Heh. Muito bom mesmo, caiu como uma luva para mim, como para tantos outros aí em cima.
Mas eu tenho uma dúvida:
“Traço TEM que evoluir se você desenhar constantemente, com exceção do que faz o Rob Liefeld, é a exceção que faz a regra.”
O Rob é exemplo do que não deve ser feito, ou do que deve? Porque quando vejo imagens como essa (http://images.nextnewnetworks.com/4557.jpg), eu fico na dúvida.
Show, Hiro.
Adorei esse post.
Continue o bom trabalho.
abraços
Olá Hiro, tudo bem? acompanho seu trabalho desde a época em que o Adelmo ainda ilustrava suas idéias nas bandejas do McDonalds…hehehe.
É impressionante como as vezes necessitamos de uns tapas na cabeça… ontem mesmo eu precisava deles. Estava pensando sobre este assunto e tentando colocar na minha cabeça que o que preciso sempre é superar a mim mesmo e não àquele “Deus” da ilustração em que fico babando nas maravilhas que ele faz, sonhando um dia ser como ele me esquecendo de exercitar o meu traço. Valeu pelo texto, mais uma vez vc me ajudou mesmo que indiretamente, injeção de ânimo, inspiração, etc etc obrigado. forte abraço!!