Copiando sem querer, plagiando sem saber
Engana-se quem pensa que a principal parte do corpo de um ilustrador sejam as mãos ou os olhos. Ou a bunda, porque é nela onde ficamos sentados a maior parte da nossa vida fazendo desenhos. Se você for colocar alguma parte do seu corpo no seguro, como fizeram algumas moças que usavam as nádegas pra ganhar a vida sem invasão naquele lugar onde não bate sol, eleja o cérebro como o órgão preferido. Sem ele, não se faz nada. Vivo no temor de receber uma visita no futuro de um dos participantes do trio Parada Dura – Mr. Parkinson, Mr. Hutchinson ou Mr. Alzheimer. O glaucoma, embora afete meus olhos, já está controlado, pra quem quiser saber.
Essa informação está na revista Mundo Estranho de março, vale a pena estendê-la nesse varal de ilustradores.
Vejam bem, antes de tudo, isso não é uma desculpa pra quem plagia coisas de forma mequetrefe e foradalei. Mas explica alguns lapsos criativos que todos nós, que trabalhamos com criação, podemos e vamos ter.
Muitas vezes bolamos um desenho, ou no caso de publicitários, criamos um anúncio onde, dias mais tarde, algum fulano mostra de onde você tirou a idéia. Espantado, juramos de pés juntos, de verdade e botando a mãe no meio da conversa, que nunca vimos o predecessor da sua idéia.
Ponham a culpa na CRIPTOAMNÉSIA!! É quando o célebro faz a gente acreditar que nós fomos os verdadeiros pais daquela idéia maravilhosa, mesmo sem ter sido. A explicação é que a memória humana retém a informação mas não retém a origem dela. Ou seja, tem vezes onde é impossível lembrar onde ela viu a idéia original, mas se lembra dela, e essa lembrança faz parecer uma epifania criativa, quando na verdade estamos copiando algo que já existe. Tem horas que só uma desculpinha e um café na padaria resolve. Mas quando você está criando um personagem de dezenas de milhares de dinheiros, meu rapaz, isso é motivo de enfiar a cabeça dentro de um formigueiro de vergonha, além das complicações de um real processo de plágio.
Segundo a revista, quem é criptoamnésico tem mais chances de fazer a barbada se o autor do original for do mesmo sexo.
















Incrível, ja ouvi falar em algo do tipo, mais agora tem até nome!
Olás! Hiro.
Interessante essa informação. Ninguém está a salvo de “plagiar” ou ser plagiado. Acho que isso faz parte da profissão, neh.
Abs.
Que medo! Ô.Ô
Confesso que estava um pouco cansado das fast-girls e achei excelente esse post com um assunto mais abrangente. Coincidentalmente eu estava pesquisando sobre o mesmo assunto a um tempo atras por causa de um album de música de um dos integrantes do The Mars Volta que tem exatamente este nome, só agora fui entender o conceito completo daquilo.
Hiro, muito bom, parabéns.
A propósito, recomenda algum grupo de discussões ou forum onde profissionais como nós poderiamos discutir frequentemente esse tipo de assunto?
Seria muito legal se o blog possuísse um forum pra juntar todo esse pessoal que vem aqui pra ficar trocando dicas e leseiras.
isso acontece demais.
o pior é quando vc tem sua idéia mirabolante e um mes depois ela aparece de alguma outra pessoa.
./medo
eu tenho essa coisa de criptoamnésia. Porque todas as inspirações mais incríveis que eu jurei ter na vida são difamas por alguém q diz: “ahhh, eh, IGUALZINHO naquele filme do…”
eu ficava com raiva do cara que fez aquilo antes que eu, mas agora terei que ficar com raiva de mim mesmo! hahaha
Acho ainda assim que é desculpa esfarrapada. Não que seja uma crítica ao plágio, longe disso. Na realidade acho que todo processo criativo não deixa de ser um monte de pequenos plágios. Raramente existe alguma criação, quem pode garantir que para gerar um certo padrão em nossa mente ela não teve influência de padrões que já estavam lá?
Uma criação não deixa de ser uma colcha de retalhos, pegamos um personagem marcante de um filme, um visual bacana de outro, uma fala de um livro e quando vemos, vo-a-lá, uma nova obra de arte recém “criada”. E melhor, quase sempre nosso cérebro jamais vai admitir que aquilo não passou de uma cópia.
CARAMBA Q MEDAAAAAAAAAA
ACH Q JA IZ ALGO DO TIPO E FIQEI MTO FULA QNDO VI UMA ILUSTRAÇAO PARECIDA.EU Q DEVO TER VISTO E REFIZ SEM SABER…!??!CEUSSS..ESSE NOME AI EH MAIS FEIO Q UM PALAVRAO AMNESDIFRUAIS SEI LA O Q..AINAIN TOMAR CUIDADO EM DOOOOBRO AGORA O_O ]
VALEW HIRO ^3^
Caraca! Que muito medo…
Por isso que é bom sempre fazer uma pesquisa antes de criar um personagem ou coisa parecida.
é por isso que existe o totallylookslike.com.
Já acontceu isso comigo, desenhar uma pessoa numa pose bem heróica e no fim topar com o “desenho original” dias depois numa das revistas do meu irmão XD
Sorte que era desenho feito para praticar. Mas foi traumático XD
é de se pensar =)
Ontem mesmo eu li este post e os comentários e hoje eu recebi um e-mail de um amigo com o seguinte link para 2 anúncios que são exatamente iguais: http://ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=44330
O comentário do Grain Kain me incentivou a escrever aqui minha opnião pois muitas vezes, pensamos realmente que tudo no mundo não passa mesmo de uma grande cópia já que existe a tal colcha de retalhos que a gente usa pra desenvolver nossa própria criação. O problema é quando o resultado fica exatamente o mesmo, como vemos no link do Clube de Criação. Como bem disse o Hiro “não há problemas em uma criação ser uma colcha de retalhos de outras idéias, contanto que o resultado final seja único.” Eu também morro de medo dessa tal “criptoamnésia” acontecer comigo, mas também acredito que é com muito treino e auto-crítica que vamos nos salvar dela!
Só me pintou uma dúvida, essa tal de criptoamnésia, vem lá do planeta do Superman?