Perfil Literário, ilustradores dando entrevista

Há uma semana eu dei uma entrevista para o programa de rádio Perfil Literário da Unesp FM, comandado pelo simpático Oscar D’Ambrosio. Já vi que no dia em que eu virar comida de minhoca vai ter um repolho esculpido na minha lápide. Ou vou ser cremado segurando um.
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Confesso que não conhecia o programa e fiquei muito surpreso ao ver que na lista dos entrevistados está uma renca muito respeitável, se é que existe renca respeitável, de ilustradores dando seus relatos, e principalmente, todos dando dicas pra quem está começando ou quer começar a carreira de ilustrador.

Só isso faz o programa um queridinho pra quem segue essa profissão que corre risco.

Eis aqui os links de algumas entrevistas de ilustradores que também vale a pena serem escutados:

Orlando:
Orlando

Gustavo Duarte:
Gustavo Duarte

Lucia Hiratsuka
Lucia Hiratsuka

Alarcão
Alarcao

Laerte
Laerte

Guto Lins:
Guto Lins

Spacca:
Spacca

Paulo Zilbermann
Paulo

Mauricio Negro

Odilon Moraes

Caco Galhardo

Ricardo Azevedo

Baptistão

Andrea Ebert

E vale também ouvir os outros entrevistados, a maioria deles autores, escritores e jornalistas. Entrevistas que, se ouvidas, farão seu crânio estalar porque sua massa cerebral vai crescer como massa de pão.

Aprendendo a desenhar com Rad Sechrist. E Mort Drucker, Glen Keane, Ralph Bakshi

Eu adooro colocar posts com nome “Aprenda a desenhar com….”. São os posts mais visitados, atraem incautos como moscas em carne fora de geladeira, e como prova que o ser humano ANSIOSO só lê as primeiras quatro palavras de uma frase, centenas de pessoas pensam que EU ensino a desenhar. No começo isso me incomodava, mas algumas perguntas são tão grotescas e mal escritas, do tipo “aê meu, kero desenhar pra caralho, comofaz?” que de incômodo a coisa virou um tipo masoquista de entretenimento. Se não sabem ler um post, como querem aprender a desenhar?

Da mesma forma que eu vivo repetindo, e o Ricardo Antunes também, que mesmo a Revista Ilustrar sendo gratuita e pra download, dezenas de pessoas perguntam onde comprar e quanto custa.

EU não ensino a desenhar, ainda não tenho cacife, créditos e gônadas suficientes pra isso. Mas Rad Sechrist ensina, e ensina muito bem.

Vi essa no blog Drawn. Sechrist é um puta ilustrador e além de fazer storyboards pras animações da Dreamworks, também foi responsável pela melhor história da última revista Flight, que tava bem fraquinha, a do samurai que busca a mulher raptada por um sujeito malvado (Kidnapped).
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Seu blog “Rad How To” tem gigas de informação, apenas e simplesmente de posts que ensinam a desenhar. Dicas de anatomia, perspectiva composição, dentro do contexto de comics e animação.
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Coisas que se aprende TREINANDO constantemente com uma orientação, não se aprende anatomia de segunda pra terça e dormindo entre esses dois dias, e com AUTOCRíTICA, pra não se achar o rei da cocada preta quando conseguir desenhar uma mulher com a bunda no lugar e achar que não precisa aprender mais nada.

Fazer o quê, meu amigo, escolheste uma profissão que exige estudar e praticar sempre. E aproveite agora que você está no começo de carreira e tem pouco trabalho, porque depois que começar a trabalhar de verdade, tempo pra estudar vai se tornar tão valioso como virgens pra sacrifício. Virgens bonitas.

O blog pessoal de Sechrist também seca os olhos.

Além dele, o leitor Kleverson me deu uma dica de outro blog fantástico, o On Animation. Dentro dele existem centenas de filmes, entrevistas, matérias, sketches, análises de ilustradores e animadores com carreira com peso de elefante, uma miríade (gostou do “miríade”?) de foderosos do traço do mundo da animação. Só na primeira página tem uma amostra grátis do Mort Drucker desenhando, (quem nunca leu uma sátira de filme no MAD feita por ele?), e os sketches de Glen Keane quando fez Tarzan.
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É outro blog deixa passando fome por dias quem gosta de animação.

Os últimos dias do portfólio de couro?

Coincidências não existem, portanto duas perguntas pra mim no mesmo dia sobre portfólios num momento em que eu estava tirando minhas pastas do armário pra decidir o que fazer com elas podem ter um significado cósmico?
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Tomei a decisão de não mais atualizar o portfólio real, aquela pasta de couro lindona que mofa sempre depois das estações de chuva, como agora.

A razão é simples: Há mais de 6 anos que eu não mostro a pasta pra ninguém, há 6 anos eu não imprimo ou monto pranchas novas. Minhas pranchas pretas viraram cinza por causa do tempo.

Creio que isso não acontece só comigo, mas o portfólio que conta hoje, é o que fica hospedado virtualmente no site. E surpreendentemente, mais do que isso, o blog tem dado mais resultado que o site oficial, por vários motivos.

Quem vai olhar sua pasta nunca tem tempo. De diretores de arte a art buyers, os caras quando muito tem tempo de ler um gibi enquanto fazem o nº2 no banheiro da empresa. Talvez nem isso. Eu não tinha esse tempo. Hoje em dia, fazer o cara perder uma hora conversando numa entrevista que poderia ser resolvida em minutos olhando na internet é improdutivo.

Talvez os dias do portfólio de couro realmente estejam contados, sei que existem ainda profissionais que resistem a isso, tanto ilustradores como diretores de arte que ainda fazem questão de fazer o contato morno social, mas são poucos.

Acho mais do que nunca, vale sim a pena investir é no seu site, ou blog, e fazer isso de maneira profissional, e não profiça, com purpurina soltando no seu site que leva 2 minutos pra carregar mesmo com banda larga. O brega e mau gosto nunca deveriam chegar na internet.

Mesmo em reuniões onde o cliente participa, seja ela por causa do início de um projeto grande ou simplesmente porque o cara quer te conhecer e ele, como não é da área, nunca viu seu trabalho ou se viu, não tem noção, eu substituo o portfólio de verdade pelo MacBook e uma apresentação dos meus trabalhos em Keynote, o equivalente maçãnico do PowerPoint.

Mesmo assim, melhor ter um portfólio de verdade do que não ter nenhum. E há alguns anos escrevi um post sobre isso, ainda servindo pro gasto. As dicas pra montar aquele tipo de portfólio também se encaixam no virtual, com a vantagem que você não tem mais que ficar na frente do diretor de arte se explicando porque colocou um desenho ruim na sua pasta. Na verdade, este post só reforça o que já vinha acontecendo em 2007.

Quem tem grana sobrando ao ponto de comprar aquele lápis da Faber Castell de R$23 mil pode mandar imprimir um portfólio em forma de livro. Passaram alguns na minha mão e isso vira um livro pra colocar na estante de diretor de arte. Invejinha e pensamentos primatas invadiram minha cabeça quando vi um.

Ainda não é hora de jogar a velha pasta do Omar Olgun, a Louis Vuitton dos portfólios da década de 90, no lixo. Talvez, um dia, ela irá salvar o dia deste ilustrador. Como no dia em que a internet ou a energia elétrica acabar e as pessoas passarão a bater nos outros na esperança de cairem dinheiro e itens, como nos videogames.

Para o ilustrador que já tem tudo

Por que existem terremotos e lápis de R$23 mil?

Informação que eu vi no UOL, a Faber Castell vende lápis que vão de R$230, a versão mais “barata”, a R$23 mil, a mais cara, feita com ouro branco e diamantes. Já vem com apontador e borracha acoplados, nossa. Presente ideal para aquele ilustrador que não sabe mais onde gastar o dinheiro, daquele que pode contratar a Beyoncé pra cantar em seu quarto de camisola duas vezes, ou seja, tirando Hugh Hefner, nenhum.
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A boa notícia é que um lápis de R$23 mil não faz o cara melhor desenhista. Pra quê, pra fazer o homem-palito mais caro do mundo?

Disney a lápis

Se você tem 100 reais sobrando, gosta de sketches e não quer gastar a nota da garoupinha verde com coisas que desaparecem com o tempo, como chocolate, drogas ou o amor de uma mulher, então passa lá na Fnac que chegou uma leva do livro “Disney, The Archive Series: Animation”.
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É uma delícia de livro, só tem pranchas de desenhos a lápis (sim amiguinhos, antes do 3D existia e ainda existe o lápis, que nunca vai te deixar na mão quando a luz acabar e 2012 chegar) de todos os desenhos que levantaram a Disney e aumentaram um passo na pesquisa da criogenia. Existe um outro livro da mesma série, mas se chama “Stories”. Pelo que eu vi, esse trata mais do roteiro e das idéias que se aglutinaram pra criarem as animações.
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Quase não tem textos e tem uns quatro ou cinco folhas de estudos, alguma duplas formando uma prancha, de personagens de cada filme, começando pelo “Steamboat Willie” o primeirão onde aparece o Mickey, passando pela Branca de Neve, Alladin e tem até sketches de “A Princesa e o Sapo”.
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O Masp de 10 gramas

Dica de momento lúdico solitário, não relacionado ao onanismo, que eu vi no Blog de Brinquedo.
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Ettore Semeghini, da agência Esferóide criou um Masp pra destacar e montar, é só baixar de graça o pdf, colar numa cartolina, recortar e montar a maquete do museu com conteúdo mais bacana e administração mais remerrenha do Brasil.

Aí você imprime um Renoir e um Di Cavalcanti pequenininho pra colocar lá dentro e voalá, cultura e arte também para as baratinhas!

Gosto não se discute, e eu gosto de Norman Rockwell

Há algum tempo eu fiz um post sobre um livro chamado “Norman Rockwell Behind the Camera“. Achei a proposta do livro muito interessante, mas não havia lido e não estava com carga energética no cartão de crédito pra encomendar um exemmplar na Amazon, então esse havia ficado pra chupar dedão de vontade. Mas eis que, durante o curso de caligrafia da Andrea Branco, que eu recomendo com manteiga em cima de tão bom, o ilustrador Alexandre Eschenbach deu uma eslapeada dizendo “Você viu que estão vendendo aquele livro do Rockwell na Cultura”?
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E bazinga direto pra lá. Saí todo pimpão com esse livro. E pode ser a menopausa chegando, mas esse livro me fez ficar emocionado, li de cabo a rabo em algumas horas e repeti o processo mais uma vez só admirando as fotos.

Basicamente já expliquei sobre o que é o livro: são as fotos que Norman Rockwell tirou antes de fazer as pinturas e que serviram como referência, o que não tira mérito algum do talento desse homem.

Porém, todavia, no entanto, existe dentro desse processo um quê a mais.

Rockwell era um sujeito divertido. Deveria ser gente fina também, porque ele mesmo se posava de modelo em posições ridículas pra deixar outros modelos mais à vontade, segundo suas palavras, “despojado de dignidade e vaidade”, além de ser contra segregação racial numa época em que isso era visto como beijar outro homem de língua na vizinhança. Um sujeito que sempre pensa com bom humor, como você vê nesse desenho que ele fez quando seu estúdio pegou fogo em 1943. Ao invés de entrar em desespero ao ver as suas pinturas virarem fuligem, ele aproveitou para desenhar bombeiros, familiares, contando a história de maneira engraçada, com direito a café e bolachas pros bombeiros no final do rescaldo.
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Escaneei algumas fotos do livro, são docinhos de confeitaria para os olhos:

Talvez “Gossip” seja quadro mais conhecido do Rockwell, se não o mais chupado e vulgarizado, assim como a Santa Ceia e a palavra “amor”.
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E essa é a foto.
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Esse é um dos quadros que acho pavorosamente divertidos dele: “A day in the life of a girl”, só menos engraçado que “A day in the life of a boy”.
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E essa foi a sessão de fotos:
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Um quadro com outro clima, de dignidade. “Suffleton’s Barber sozinho conta uma história, só reparando nos detalhes, assim como quase todos seus quadros.
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E a foto.
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Rockwell usava um tipo de projetor do tamanho de um caixão pra tracejar seus trabalhos. Um processo que diversos artistas usam até hoje, incluindo Alex Ross.
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Todo e qualquer trabalho, de pinturas a vinhetas, tinha uma referência fotográfica.
O livro é magnífico porque mostra o processo de criação, o que ele pensava, como ele produzia, quem o ajudava,como ele agia (basicamente como um ilustrador comercial, porque quase toda a produção dele era encomenda de editoras ou particulares, mas extremamente focado e metódico).
Olhando para as fotos do Rockwell, você percebe que as fotos são maravilhosas, e o tratamento que ele dá em cima delas, a interpretação do artista, melhorava o que já era bom em película simplesmente exacerbando o tipo de sentimento que ele queria passar na tela. Ou seja, se era algo bem humorado, ele passava um verniz aparvalhando e apatetando as pessoas, na maioria delas homens, mas com uma dignidade cômica. E quando os quadros eram sérios, as fotos adquiriam uma camada de dignidade e honra imensa.

Talvez seja por isso que o livro seja tocante. Ele mostra que Rockwell não pensava apenas no trabalho final na tela, ele considerava todo o processo porque tinha uma idéia muito boa por trás disso. Desde a hora em que ele colocava filme na máquina ele já sabia como tudo deveria acabar e qual sentimento deveria passar. Devia ser daqueles cara que ficavam rindo sozinho enquanto trabalhava.
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Todos os quadros dele, sem exceção, ou passam uma sensação de você dar um sorriso ou de sentir um respeito muito grande. E talvez seja isso o que me agrada nele, o conceito. Todos os artistas que eu admiro passam não o delírio cômico para quem vê os trabalhos, como Vera Bee, Bill Pressing, Elvgreen, Scott C. e uma caralhada diversa, mas passam um clima que fazem você interagir com a obra, que vai do “que bonitinho”, ao sorriso involuntário, passando por “que gostosa simpática”, todos eles tem simpatia e carisma incorporado no traço. O lado yin desse exemplo, por exemplo, são as sensações que os quadros do H. R. “Alien” Giger com seus cadáveres passam pra você. Ele também consegue.

Talvez por esse clima que ele passa em seu trabalho, que muita gente também não gosta e o chama de Poliana (e talvez o seja, no bom sentido, porque ele deliberadamente optou por pintar o otimismo de qualquer forma, o que fazia suas pinturas parecerem irreais e falsas, com fãs e detratores de sua arte), fez com que as edições do Saturday Evening Post com suas capas multiplicavam exageradamente as vendas. Naquela época de perrengue da Segunda Guerra, bom humor era tão raro quanto sexo na trincheira .

Mais importante do que a execução ou a técnica, o clima e a idéia que o trabalho passa pra mim tem muito mais significado. Prefiro mil vezes um desenho meio tosco que me faça rir ou me passe uma sensação boa do que um hiper realismo que não consegue minha atenção de tão monotonamente perfeita, como uma modelo photoshopada. Rockwell era mirrado mas poderoso porque misturava o melhor dos dois.

São idéias e conceitos que inspiram, não os traços. Não gosto de trabalhos que agridam gratuitamente, trazem melancolia mimimi sem propósito ou coisas que tem que ter uma legenda embaixo explicando. E sim, não sou um grande fã de arte conceitual, aquelas coisas do tipo lâmpada queimada no meio da sala ou mosca alfinetada no pênis, meu cérebro é muito primata pra essas coisas e me orgulho disso.
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Um ano de cartoons muito bonitinhos

Eu não fui o primeiro e nem vou ser o único a fazer essas resoluções que parecem ter saído de uma noite de bebedeira em Las Vegas de fazer 365 desenhos de uma série só.
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Segundo o blog Drawn, eis que surge uma outra que estava num dia passando reprise do Homem-Aranha 2 na TV e se compromete a fazer 365 cartoons, um por dia.
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A australiana Melanie Matthews tem um traço muito cuti, tem simpatia e personalidade, (bem) mais do que algumas pessoas que eu conheço. O seu blog, 365 Cartoons, não pode ser mais claro.
croco
Obrigatório é olhar as ilustrações coloridas que ela faz, aí sim é que os olhos secam. No site Bearprints ela tem uma coleção de pastéis com ilustrações tão legais, tão divertidas, que tem um pouco da Vera Bee, um pouco do Jim Flora, um pouco de cada referência que eu também venero feito vaca na Índia.
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Tudo à venda na forma de prints. Nessas horas ter um cartão de crédito internacional é ter um superpoder com fatura no final do mês.

Fast Girl # 104 – Jessica Rabbit

Jessica Rabbit, cuja voz rouca e sexy da Kathleen Turner fazia até feijão de corda ficar esticado. Quem se lembra disso não deve assistir “Marley e Eu”, a cena dela como a treinadora com visual de pano de chão engordurado é deprimente.
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Mas não menos deprimente do que isso:
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Coisas ruins acontecem quando um menino é um putinho e uma calcinha é uma cueca

Há alguns anos atrás eu criei uma lâmina de bandeja do McDonald’s em Lisboa depois de entrar em uma estação de metrô onde as paredes são recobertas por azulejos diferente. Num país onde Papai Noel é Pai Natal, faxineira é mulher a dias e calcinha é cueca, milhares de palavras irmãs portuguesas irmãs das brasileiras soavam piada pra nós. E eis que a lâmina nasceu pronta (se clicar na imagem ela cresce um pouco mais):


E uma das coisas mais divertidas eram os títulos portugueses para os filmes americanos. Fiquei uma tarde na seção de DVDs na Fnac de Lisboa anotando algumas hilariosas interpretações:

O Planeta dos Macacos (o original, com Charlton Heston) lá se chama…O Homem Que Veio do Futuro!! Mas para quem não se lembra do filme, Charlton Heston veio…do passado!!!

A série Duro de Matar, na ordem: Assalto ao Arranha-Céu (Duro de Matar 1); Assalto ao Aeroporto (Duro de Matar 2) e…..Die Hard 3 (Duro de Matar 3)!

O bonitinho O Ratinho Encrenqueiro lá se chama Não Acordem o Rato Adormecido!

A Mulher-Maravilha lá se chama A Super-Mulher!

Alice no País das Maravilhas muda de lugar. Lá se chama Alice no País das Fadas.

Um Tira da Pesada lá virou O Caça-Polícias.

Jornada nas Estrelas é chamado de Caminho das Estrelas.

Arquivo X é Ficheiros Secretos.

O Gordo e o Magro são Bucha e Estica.

E para dizer que eu tô mentindo, tirem as crianças da frente do computador que eu mostro uma foto, cedida pelo Marcelo Lourenço, que entre a versão brasileira e a versão portuguesa existem existe um universo paralelo e bizarro:

Tcharam!!!
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Pra quem não sabe, o filme aqui se chama “A Caixa de Pandora”, mas não é a Pandora do Avatar, pelamordedeus.
Só um adendo tirando o da reta da fogueira da inquisição: é fato, algumas “traduções” de palavras portuguesas para o brasileiro são hilariantes, mas isso não é uma diminuição do português em si. Aposto fichas e bichas que o contrário também acontece – muitos portugueses podem rir ou ficar de queixo caído com algumas expressões e palavras brasileiras – mas isso é matéria pra outro post.

Fast Girl # 103 – Jayce

Space Ghost era um Batman branquinho sem orelhas, Jan era um Robin modelo básico, Jayce era o elemento eliminador de suspeita de homossexualidade e o macaquinho era dispensável.
Jayce
O mais legal é que eles eram criação de Alex Toth. “O” Alex Toth. Um daqueles caras que você abaixa a cabeça em reverência quando fala o nome dele.

Aprendendo a fazer quadrinhos com o Spacca

Salvem Spacca, a careca mais talentosa no mundo da ilustração, pai de Jubiabá, Santos Dumont e de outras obras arrebentantes, pois ele abriu um curso muito bem estruturado e completo sobre como fazer quadrinhos.
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São 7 módulos que vão desde a introdução ao universo dos quadrinhos, sua importância, passando pela parte gráfica, estruturação do roteiro, esse detalhe sem importância que chicoteia a qualidade de oito entre dez quadrinhos, até sobre mercado, veja só.

Os cursos começam no dia 18/01, têm 07 dias de duração e serão ministrados lá na faculdade Casper Líbero, lá no prédio da Gazeta da Av. Paulista.

Quem quiser mais detalhes, entra aqui no blog do Spacca que ele mostra o caminho dos tijolos amarelos dos quadrinhos. Mas fica esperto porque são só 25 vagas.

Infelizmente, ou não, Spacca não faz mangá. Be aware!

Very Fast Girl # 102 – Smurfete

Os filminhos voltaram, ôlele.

Fast Girl # 102 – Smurfete from Hiro Kawahara on Vimeo.

Mas diga-se a verdade, pelo menos pra mim é um suicídio profissional ficar duas semanas sem desenhar. Só no vídeo percebi como a mão fica perdida como um coroinha num prostíbulo, tem pelo menos dois faz-e-refaz que não precisariam ter sido feitos. Ou seja, não posso jamais entrar em coma.

Como os advogados dizem em latim: “A digito cognoscitur leo“, ou “Pelo dedo se conhece o leão”.

Fast Girl # 101 – Number Six

Após um período de convalescença e autopiedade entre o Natal e Ano Novo, as meninas rapidinhas voltaram.
A primeira do ano é a Number Six, de Battlestar Galactica, que tomou o lugar da Número Treze do House porque o desenho da bissexual com corpo e olhos de gata da TV não saía. Duas semanas sem desenhar faz crescer gordura nas juntas dos dedos.
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Antes e depois versão lâmina de bandeja

Passei o Natal e Ano Novo doente e debilitado como um amigo do Soldado Ryan,e os maiores feitos deste ser na posição horizontal foram assistir Ricky-Oh, recomendado como o melhor pior filme involuntário que já vi até hoje, e procurar arquivos em CDs antigos.

Nessas, encontrei um arquivo interessante de um layout de lâmina de bandeja que fiz há algum tempo (3 anos pra ser exato e nostálgico), e acho que vale a pena mostrar como era a idéia inicial e como ficou o resultado final. Sempre a idéia inicial é melhor, pois não tem interferência de vários fatores que determinam a arte final, como prazo, cliente, viabilidade e preço.

Essa era a idéia inicial da lâmina de bandeja “Invenções que deveriam ser inventadas 2.0″. Tinha mais invenções, mais idéias, em detrimento do tamanho e do excesso de texto. Os desenhos, como devem ser num layout, são simplórios, meio toscos, o texto é expresso como um café de boteco e as vinhetinhas são do ilutrador Rick Geary. A porta veio de “O Castelo Animado”

A idéia do tatu-bola de metal eu tinha desde criança, era um sonho de consumo que queria ter quando ia nas festas nosferáticas da minha tia.

Eis que o cliente gostou da idéia, queria menos invenções pra aumentar o desenho das sobreviventes. Somei a isso um pequeno toque da época de Lucille Ball, mais uma dezena de “easter eggs” nerds e o resultado final foi esse.
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Revista Ilustrar # 14 e avante

Saiu no começo do ano a edição número 14 da indefectível mas não menos impressionante Revista Ilustrar, que custa módicos O reais pra download mas mesmo assim tem um valor inestimável. Acendam uma vela para Ricardo Antunes, o pai da criatura.
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Nesse número, como sempre, uma miríade de ilustradores quebra-queixo-cata-caco. Dentre eles, Fernando Vicente e suas garotas esguias e risonhas, que inveja, e os sketches cheios de aquarela e tipografia do Marcelo Valverde, com imagens de arrancar a essência vital do seu ser e se sentir um pequeno invertebrado criativo ao lado dele – sua mãe devia misturar aquarela em sua mamadeira, é um Garrincha da ilustração (veja que o poder dos adjetivos é infinito em sua sabedoria ou em sua enfadonheidade, se for mal utilizado).
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Tem também os textos do Brad Holland sobre os retratos que eram pintados nos sarcófagos das múmias dos classe média no antigo Egito – quem for pra NY visite o Museu Metropolitan durante uns dois dias e fique embasbacado com essas pinturas, e parar pra pensar que os antigos egípcios não eram como Richard Burton e Elizabeth Taylor, mas mais bonitos e morriam mais jovens, e também um puta texto do Alarcão sobre concursos e direitos autorais, pra fazer qualquer ilustrador mais zumbificado tomar a pílula vermelha.

Isso e muito mais, como diz a propaganda de chapinha que passa na madrugada.