Fast Girl # 19 – Gabriela

Mais um denunciador de idade, que fazia minhas noites de moleque mais aquecidas junto com o proibidaço, brega e ingênuo “Sala Especial” que passava na Record – quem assistia lembra do esforço do cão pra assistir filmes como “Bem Dotado, o Homem de Itú” com o som da TV no mínimo pra mãe não escutar, e esperar meia hora de diálogo ruim pra ver 30 segundos de peitinho pra fora. Tempos difíceis eram aqueles.
gabriela
Quem assistiu a novela, junto com Saramandaia, nunca esqueceu da cena em que a Sonia Braga ficou erotizadamente esparramada em cima do telhado.

E esse sketch foi meio diferente, foi colorido feito na ferramenta Guache do Painter (afinal, a cor da pele da moça é fundamental), ao contrário dos outros que são feitas na ferramenta Carvão e Pastel Seco.

Mangá pra passar no rosto

Antes que me espinafrem como fazem toda vez que eu falo sobre mangá (e dá medo de falar, porque isso é quase uma religião para muitos): eu gosto de mangá da mesma forma que gosto de qualquer quadrinho bem feito. O que eu não gosto é de mangá e animê ruim, clicheroso e oportunista, da mesma forma que não gosto de quadrinhos ruins, clicherosos e vomitivos vindos de qualquer país. O fato de ser ilustrador com um pezinho no Japão não me obriga a gostar incondicionalmente de tudo que vem da terra do meu bisavô. Cosplays e wasabi inclusos.

Dos mais novos (defina novos) que eu guardo na estante e passo inseticida pra matar traças estão o Death Note, Maka-Maka, Blade, Gantz e Vagabond.

Desse último peguei uma série de comerciais que Takehiko Inoue, também pai da série Slam Dunk, fez em parceria com a marca de cremes mimosos para moças ainda mais mimosas Shiseido (descobri as nuances de cores de pele comprando durante anos cremes bases dessa marca, não pra mim claro). A série “Drawn Your Style” que ele fez surpreede pela criatividade, pela interação com diversos elementos além do desenho e pelas dimensões baleiazúlicas dos traços.


Eu dava uma surpresa de Kinder Ovo pra saber quanto custaria uma ilustração dessas. Acho que nesse nível a palavra certa seria “cachê”.



Pra mim é importante saber quem foi a agência de publicidade que gerou esse trabalho (afinal, ainda sou publicitário no meu lado negro da força), mas não encontrei de jeito nenhum. Quem souber, me dê um toque.

Ria com o Ryo

Pode não parecer, mas eu sempre dou uma olhada nos blogs e sites do pessoal que manda comentários aqui no blog. E de vez em quando aparecem uns que você começa a clicar nos desenhos a noitinha, e quando percebe já tá passando ônibus de novo na rua.
RYO3
O último desses que me fez perder um tempo que não volta mais em troca de algumas risadas foram as tirinhas do Ryo – as Ryo Tiras.
O estilo nonsense sem muita lógica e justamente por isso divertido é muito, muito bom. Tem um quê de fofura e amargura ao mesmo tempo, e a mistura desses dois elementos, quando bem feito, sempre dá uma desepilada no fígado. Parabéns pra ele que cospe com gosto no politicamente correto, levanto minha sombrancelha de aprovação para todos que fazem isso, incluindo Sacha Baron Cohen.
FOFINHO
Com uma determinação típica nipônica, ele posta uma tirinha por dia. Vale a pena gastar um pouco dos olhos vendo o trabalho dele.

Fique de quatro, meu rapaz

Desenhar anatomia é um sacrifício para alguns, principalmente se ele mora sozinho, não tem amigos e não tem lábia suficiente pra pedir pra vizinha posar (de preferência nua) pra uma sessão de desenhos. Só lhe resta a opção de se desenhar na frente do espelho, e dependendo da constituição física do ilustrador, é uma experiência que só lhe dará agonia porque pagou um ano de academia e só foi dois dias.
posemaniacs
Para evitar esse tipo de auto constrangimento, existe um site genial de anatomia – Posemaniacs- com dezenas de poses diferentes. Todas com um homem ou mulher sem a derme, com os músculos à mostra, mas o detalhe que estoura tímpano – todas posições são rotacionáveis, ou seja, dá pra girar o modelo vermelho à sua vontade. É um quebra galho bacana, mesmo com as imagens com uma resolução baixa e granulosa. Já usei até pra inspirar uma posição ou outra das Fast Girls.

Serve para momentos como na madrugada precisando de uma posição que Napoleão perdeu a guerra. Mas nada substitui o desenho de observação e modelo vivo.
Esse sim você, quando faz constantemente, dá um upgrade no seu traço.

Fast Girl # 15 – Emily, a Estranha

Tudo bem, a de hoje saiu meio sem inspiração visto que o sono cobra caro depois das 4 da manhã. E quem não entendeu o trocadalho do carilho visual (?), pode-se ler o título também como Sadako, a estranha.

emily2

Aliás, seria a Emily algo mais do que simplesmente estranha?
emilynate
Rola há tempos na net uma suspeita de que Emily, the Strange, que surgiu em 1991, tem parentesco indesejado com uma personagem de uma série de contos chamado “Nate the Great” surgido em 1978. Embora a imagem acima seja indiscutivelmente carbonada, o mais bizarro é o texto. Como diria os latinos, é quase “ipsis literis”.

Mesmo assim tudo se baseia apenas na imagem acima, o que deixa um cheiro estranho no ar, tanto na defesa como na acusação.

Fast Girl # 14 – Chun Li

Quem não jogou Street Fighter com a Chun Li pra ter um ânimo extra e hormonal pra acabar o jogo?
chunli
Só pra constar:

Vocês podem divulgar as Fast Girls, usarem como fundo de tela, de iPod, de iPhone, copiar em caderninho, o que quiserem, contanto que não seja de forma comercial. Pedir permissão também é um ato social considerado agradabilíssimo por muitos.

E se fizerem isso, façam com respeito ao criador e moderação: por favor, dêem o devido crédito, não soltem as imagens sem origem e pai como gatinhos indesejados no meio da estrada.

Vocês não sabem o estrago que isso dá para nós, ilustradores, que vivemos não de vender desenho, mas de direitos autorais, e na credibilidade e divulgação que isso promove. Porque uma imagem sem crédito é um convite para um barbarruiva barbarizar com o desenho comercialmente. Se com créditos isso já acontece, imagine sem.

Todas as imagens do meu blog e do meu site são regidos por lei, a dos Direitos Autorais brasileira, e não a Creative Commons.

Sopa de salsicha

Há tempos descobri o Eduardo Medeiros nas andanças pela net e também há tempos estava devendo um post sobre esse camarada – gaúcho, se não me engano, segundo informações do meu chapa Gual, da livraria HQ Mix.
hellatoons
Para quem não conhece, embeveciem-se com a arte muito expressiva e fofa ao mesmo tempo. Em seu blog, Hellatoons, ele publica entre outras coisinhas, as historinhas biográficas como ilustrador e como recém-marido, com um traço muito, mas muito bacana, usando elegantes, uma sujeirinha bem planejada aqui e acolá e uma paleta de cores bem econômica, dando uma linguagem gráfica bem sacada.

É um traço danado de bom, e as historinhas também são muito engraçadas. Mais um adepto ao bom astral, daquelas tirinhas que você termina com um sorriso na boca.

Como dizem os gaúchos: é muito tri!!

Crianças, Salvem-Nos do Politicamente Correto.

Se você não for Politicamente Correto, vai se inspirar nessa pequena palestra do Ken Robinson.

Talvez se as pessoas fossem educadas a serem mais criativas – independente da situação da educação em qualquer país, inclusive o vosso – as pessoas seriam menos cri-cris, hipócritas e sem senso de humor, e mais abertas a novas idéias. Ou, pelo menos, elas seriam menos mimimis em relação a tudo o que for diferente do que elas pensam.

E nós nos sentiríamos menos figurantes de “Invasores de Corpos”, aquele filme paranóico onde ervilhas gigantes trocam de lugar com humanos, deixando todo mundo igual e sem emoções.

Jib Jab Ha Ha

Jib Jab é uma empresa americana que faz animações comerciais, e ganha o sustento fazendo encomendas e criando e-cards onde você coloca seu rosto e envia para seus amigos, para que eles riam da sua cara.

Eles fizeram uma animação, ainda que tardia pra ser posta aqui, muuito bem feita chamada “He’s Obama”. Vale a pena perder 3 minutos da sua vida que não voltam mais pra vê-lo.

Todas as animações Jib Jab são nonsense e muito divertidas. Vale a pena checar a paródia de “Tubarão”, na página inicial.

Try JibJab Sendables® eCards today!

Embora a que eu tenha dado mais risada foi essa animação mais singela, feita só com fotos, talvez por que ele lembra muito o meu chapa canino, o Bisteca.

“Noo! Dis sux!!” haha!

Mauro Souza e as mulheres

Cara, eu adoouro as mulheres que o Mauro Souza desenha!
rapunzel
O traço dele é único – sempre presente nas revistas da Abril, entre elas a Veja – e juro que levei um tempão pra tentar descobrir que pincel ou que técnica que ele usa pra traçar seus desenhos, até que o Gil Tokio me deu o caminho do Caveira e vixe, o negócio é bem mais elaborado do que parece!
coelha
De qualquer forma, sempre fui fã dos seus traços inconfundível, fluido como bronzeador em pele de morena, e as suas mulheres tem uma sensualidade tão original, com um frescor de verão que você fica um tempão admirando a obra.

Dilícias.

João, tal qual como Robin, também é menino prodígio

Estava eu a procurar referências de mulheres famosas e apetitosas na internet pra desenhar (entenda isso como quiser) quando sabe-se lá como, me deparei com diversos blogs e sites mencionando um cisne negro da ilustração.

Explico: a Teoria do Cisne Negro é um nome bonito pra uma teoria que diz que coisas impossíveis podem acontecer, e quando acontecem elas mudam radicalmente o conhecimento em torno desse evento. Como no séc. XVIII, quando na Europa ninguém acreditava que cisnes negros eram reais, até que um fulano trouxe um anserídeo negro das Américas, calando a boca de céticos e mudando radicalmente os estudos a respeito dessa ave. Da mesma forma que ninguém acreditava que as Torres Gêmeas iriam virar farinha um dia ou que em 1970 um dia você poderia ver pornografia sem ter que passar pelo constrangimento de comprar na banca do seu Antonio da esquina.
joao
Pois bem, João Montanaro tem 13 anos e é um cisne negro, pois ele não só ilustra muito bem, mas escreve e principalmente, é criativo e tem idéias com um timing e qualidade muitíssimo melhor que muitos marmanjos na meia idade acham que são mas não são. Eu me incluo nessa lista, pois não consigo ter essa coesão de texto, idéia com desenho tão bem quanto ele. Quem quiser ler mais sobre ele tem um post recheado de informação no Blog dos Quadrinhos.

Se Liniers ou o Adão Iturrusgarai estivessem a sete palmos de terra, eu diria, mesmo sendo cético, que João é uma manifestação reencarnada de um dos dois – sim, um reencarnam como Dalai Lama, outros como brilhantes cartunistas – mas como eles ainda não morreram, ainda bem, então só dá pra dizer que esse garoto é um fenômeno natural, uma aberração (no bom sentido da palavra) estatística.

Até por que já vi (pouquíssimos) garotos na idade dele ou menores que desenham muito bem, mas nunca havia visto um dessa idade que escrevesse e tivesse idéias como um adulto.
joao1
Os pelinhos do braço torcem de agonia de pensar que um garoto com 1/3 da minha idade e com troco farto de tempo pra tirar férias, consegue fazer isso, o que dirá quando ele chegar na idade de Cristo? É como se você começasse um jogo com o personagem já no nível 20, pois além de tudo a escolha dos temas dos seus trabalhos não envolvem Harry Potter, Naruto ou miguxês, mas assuntos sebosos e esfoliantes como política e economia.
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Ao som de seda delicadamente rasgada, estarei acompanhando João com interesse científico e torcendo enfaticamente que logo ele consiga trabalhar como um adulto, ganhar como um adulto mas sem perder essa liberdade criativa que os Policamente Corretos – ou PCs da vida, seres sem coração ou criatividade ou ambos – tirem o que lhe é mais valioso. Parabéns ao João e parabéns ao pai do João que, pelo visto, tem muita participação no estímulo do talento dessa criatura.

E confesso que fiquei com uma ponta de embevecimento quando ele menciona “copiar quadrinhos do McLanche Feliz”. Oyess, tudo o que a gente faz, inclusive jogar papel higiênico no cesto, gera consequências.
joao3

Não sei se ele é de São Paulo, mas se for, um dia dê uma passada num Bistecão Ilustrado. Garanto que dezenas de ilustradores, incluindo eu, estarão com um bife na mão e um caderninho no outro pra você desenhar algo pra eles.

7 dias pra fazer o mundo, 25 minutos pra fazer uma mulher

Tenho andado tão agitado como um morango dentro de um liquidificador desde que voltei de viagem que não tenho feito muitas coisas além do trabalho, com exceção do meu livro, que virou lição de casa obrigatória depois do expediente – defina expediente.

Pois bem, estava eu hoje mexendo pela segunda vez no Corel Painter XI quando tive uma pequena epifania. Pensei comigo mesmo: já que eu tenho que treinar todo santo dia o desenho de mão solta, e isso só se consegue desenhando, desenhando e desenhando – por que então não faço algo que dê pra colocar algo todo santo dia nesse blog?

As regras do jogo pra mim mesmo: desenhar mulheres, e só mulheres, no espaço de tempo curtinho como minissaia de 25 minutos. Desenhar correndo, bem ligeirinho mesmo, sem ligar para os erros de anatomia, proporção e outros acidentes de percurso. Não gosto muito desse termo, mas é como um speed drawing mesmo.
Com o tempo e treino, isso vai diminuindo, assim como a vergonha de postar algum desenho incompleto ou mal acabado.

E não é que é divertido? Entre um misto quente e o próximo job, dá-lhe um desenho de 25 minutos de uma mamosa conhecida (ou não). Essas quatro abaixo fiz entre 3 e 4 e meia da manhã. Dormir pra quê?

Afinal, a proposta de quebrar o esmero e polimento que eu insisto em dar nos desenhos em troca da espontaneidade e segurança do traço, que acredito eu, deve melhorar consideravelmente ao passar do tempo. Esse é um dos problemas de ilustrar trabalhos publicitários que não envolvem muito meu estilo, o cotidiano que exige perfeição vai endurecendo o traço, e o que é fluido vira empedrado. Quem foi que disse que liberdade é desenhar sem borracha?

Quero ficar igual meus amigos que têm azeite de oliva nas juntas dos dedos e desenham fluidamente em seus sketchbooks no tempo de um coito de coelho depois de desenhar uma moça bonita por dia.
silk
Silk Spectre
marilyn
Marilyn
alice
Alice
kiki
Kiki

Pin ups, mulheres pra pendurar na parede

Mulheres causam fascínio hormonal, fisiológico, emocional e materno na (maioria) dos homens, mas as pin ups, como um chefe de fase de videogame pois sempre estão um nível acima das mulheres mundanas, pois são curvosas, suspirosas e sempre com um sorriso no rosto mesmo sem vestir a parte de baixo, sempre causaram um frisson extra. E mais extra ainda em ilustradores.

Pausa para cultura inútil: a palavra “pin-up” vem da idéia de pregar pôsteres dessas mulheres com alfinete, daí que “pin-up” significa algo como “penduráveis”.

Não conheço um ilustrador que não seja fã de pin-ups, alguns deles mais fãs do que os outros, e eu me incluo nesse contingente. Tiveram seu auge na época da Segunda Guerra, fazendo companhia para marinheiros e soldados carentes, numa época em que não existia internet e farta distribuição de putaria. Desculpe as sensíveis, mas não dá pra evitar de ser meio machista quando o assunto é pinup.

Eis alguns ilustradores que eram (ou são) grandes amantes dessas formosas mamosas:
evlgren
Gil Elvgren
benicio
Benício
frahm
Art Frahm
vargas
Alberto Vargas
petty
George Petty

Esse gancho foi só pra mostrar mais mulher nesse blog e deixá-lo menos nerd e mais testosterônico.

A revista americana Vanity Fair fez um ensaio com várias atrizes caracterizadas como pin-ups. Aquelas atrizes que já dão um caldo vestindo jeans e camiseta, mas que ficam terrivelmente agradáveis de lacinho e sapatinho de vovó. Pedindo pra serem desenhadas
isla
Isla Fischer, a delicinha baixinha de “Três Vezes Amor”
hayden
Hayden “Patinete”, cujo sobrenome é uma tristeza e frescor adolescente idem.
alice
Alice Braga, quase uma Elvgren de carne e osso, mais carne do que osso. E não é que ela ficou a azeitona da empada de pinupete?
scarlett
Scarlett Johansen, de uma beleza láctea
mila
Mila “That’s 70 Show” Kunis
rory
Alexis Bledel, a Rory do verborrágico “Gilmore Girls’
mars
Kristen Bell, aquela que dá choque.

Ótima iniciativa, mas cadê a Nicole Kidman, a Jennifer Connoly ou a Anna Hickman???? Essas já nasceram pin ups.

Apeoveitando a farta distribuição de peitos nesse post, um desenho meu que nem é tanto uma pinup, mas é uma delicinha. É um estudo ainda incompleto em acrílico bem ralo que estou fazendo pra vender lá na Galeria Magenta. O definitivo vai ser mais clarinho e mais definido, mas também vou vender esse estudo mais baratinho. Em alguns dias lá.
castiti

Sim, peitos!!! Coisa que você não vê nas lâminas de bandeja do McDonald’s.

Caminhe com o Sketchcrawl

A pedidos, segue aqui o mapa com o roteiro e horários para o encontro do Sketchcrawl Brasil EM SÃO PAULO CAPITAL PAULISTA que acontece amanhã, dia 11/07.
Chegando lá é só procurar por mim, pelo Gil Tokio ou Japs, ou perguntar pra moçada onde pega a etiqueta e depois disso é só alegria e desenho.

Ou seja, você pode acompanhar no começo, no meio ou no fim, faça chuva ou faça sol, tomara mais sol do que chuva.

Clique na imagem que ela cresce feito pipoca.

Sketchcrawl 23, my friend

Convocando todos desenhistas, ilustradores, rabiscadores, grafiteiros, garatujeiros, pretensos, simpatizantes pelo traço e transgêneros.
Pen23
Acontece agora neste sábado, dia 11 de julho, o 23º Sketchcrawl no mundo inteiro. O dia inteiro à base de barrinha de cereal e grafite, acompanhando milhares de desenhistas em dezenas de países em volta do globo, apenas com o propósito de desenhar.

Quer saber mais sobre Sketchcrawl? Pergunte-me como.

Aqui em São Paulo, a maratona ilustrada começara na esquina da rua Avanhandava com a Augusta às 10 da matina, seguindo um percurso itinerante pelo centro da cidade até o final do dia.

Como o pai do Sketchcrawl, o Montalvo, está na California, se besuntando de delícias ilustradas na Illustration Academy, este ser que vos digita será um dos anfitriões do evento, basta me procurar que ganharás um adesivinho com teu nome, ó ser.

Para aqueles que quiserem fazer um Sketchcrawl em suas cidades, nem que seja da turma do eu sozinho, basta ter vontade, não precisa de experiência nem habilidade. Depois é só mandar as fotos do evento para o fórum do site oficial do Sketchcrawl ou pro blog do Montalvo.

E para todos aqueles que forem participar, não esqueçam de levar alguma doação não apodrecível, que será encaminhada para a Casa Institucional Lar Maria Helena Paulina.

É como aquele slogan antigo de propaganda repaginado: “Não basta desenhar, tem que participar”

Queremos ouvir o som de outro recorde quebrando.

Como ler um calhamaço de 590 páginas e se sentir leve como uma espuma

Na minha pequena antibiblioteca não existem muitos quadrinhos. Foi-se a época em que os quadrinhos de super-heróis e os mangás me divertiam só pelos seus traços, mas me decepcionaram tristemente com o conteúdo, com suas devidas exceções, que fazem a regra.

E lá vai a lista dos quadrinhos que viraram referência mais como literatura do que como quadrinhos em si: os trabalhos dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, do Grampá, Persépolis, Maus, Preto-e-Branco, Gorazde, Flight, etc., etc. Bem fresco e eclético, como diriam alguns em estágio inicial de alfabetização. É o círculo da vida. Para cada pseudomangá mequetrefe surge um “Catatônico” para equilibrar o caos.
retalhos
O último dessa lista foi “Retalhos”, de Craig Thompson (49 paus bem gastos, Editora Quadrinhos na Cia). Faz tempo que um quadrinho não me impressiona desse jeito, mais exatamente uns 4 meses.
O livro é fantástico, a história e a maneira de contar a história, muito pesada em alguns pontos e cercada de exorcismos pessoais, cujo cara tem que ter 3 bolas pra ter coragem de se expor assim em um romance, é uma aula de como um quadrinho jovem, e não necessariamente adulto, tem que ser feito. Foi escrito e ilustrado em 2003, e confesso que não o conhecia. Ganhou merecidamente os Harveys e os Eisners.
craig
Eu li o calhamaço de 590 páginas em 2 horas e um pouquinho, terminando o volume admirado com a narrativa. Tudo bem, posso ter me identificado um pouco com a história de Thompson em alguns aspectos na minha infância, que não foi exatamente um veludo macio.

Tem um pouco de tudo com o que acontece com um garoto pobre, um pai autoritário, cercado pela Igreja fazendo pressão em seu ser jovem como uma gorda sentada em um pequinês, sufocante. E o que acontece com esse garoto, que só consegue fugir desse mundo escroto através do desenho, quando ele se apaixona pela primeira vez por uma garota metade muito legal e metade muito pobrema.

E o traço dele é simples e belo, com linhas feitas a pincel muito soltas e suaves. Aprendam garotos, que nunca, jamais o traço será melhor do que a história (se bem que um desenho genial acompanhando uma grande história é duplamente arrasável).
thompsonpencial
Vale a pena checar o blog do Thompson. O boa-pinta desenhista mostra lá os projetos e ilustrações. E fica uma dúvida, como é que esses caras conseguem ser magros e encorpados sendo ilustradores?

Revista Ilustrar 11 e As 36 Vistas do Cristo Redentor

Saindo do forno ainda quentinha a Revista Ilustrar nº11, para os amantes da ilustração e dos ilustradores. Como sempre digo, mesmo de graça ela é incalculavelmente preciosa, portanto alguns queridos, por favor leiam antes de perguntar onde compra a revista, porque a não ser que Ricardo Antunes queira ter uma conta na Suíça, ela é disponível para download a preço zero!! (Não, é sério, o que escreve de gente que manda email perguntando onde ela é vendida e quanto custa é brincadeira).
ilustrar11
Dessa vez não vou ficar elogiando o que já é vastamente elogiado na revista, que são os participantes – não menos importantes e magníficos, como o Rosso, Ignácio Justo e Marcelo Braga – mas preciiiso comentar uma coisa bem fofa e singela:

O Alarcão é foooooda!!!!

Toda vez que sinto preguiça de desenhar eu olho para um trabalho dele que, assim como um copo de Ovomaltine bem grosso, me dá energia e ânimo pra fazer algo direito.
alarca4

O “making of” do seu livro, “As 36 Vistas do Cristo Redentor”, é algo que massacrantemente belo!!! Belo é pouco, é de deixar você pequenininho como um girino.

E o conceito do livro é sólido como um músculo jovem. O texto de apresentação do livro foi retirado do próprio site da editora:

Há exatamente 172 anos, o pintor japonês, Katsushika Hokusai, conhecido por suas gravuras em madeira, realizou 36 Vistas do Monte Fuji.

Em 1902, Henri Rivière, amador de selos japoneses, descobriu a obra de Katsushika e decidiu desenhar Paris, tendo a Torre Eiffel, que ele viu construir, como fio condutor de sua obra. Rivière, ilustrador e gravador, que trabalhou no célebre cabaret artístico de Montmartre, Le Chat Noir, apresentou sua obra mostrando vistas da Torre Eiffel e paisagens de Paris com a torre como fundo de horizonte. A obra 36 Vistas da Torre Eiffel foi impressa em litografia e em cinco cores.

Um século depois, o ilustrador e desenhista de quadrinhos, André Juillard, teve contato com a obra de Henri Rivière por ocasião de uma exposição no Museu d’Orsay. A cidade de Paris tinha sofrido grandes transformações. A nova versão de 36 Vistas da Torre Eiffel foi lançada em 2002, a partir do olhar, desta vez, de um ilustrador.

36 Vistas do Cristo Redentor pretendem dar continuidade ao projeto nascido em 1832, realizando um livro e apresentando, sob diversos ângulos e perspectivas, o principal símbolo da cidade do Rio de Janeiro. O Cristo será visto a partir de situações inusitadas e de diversos bairros. Imagens diurnas e noturnas. Serão, como sugere o título do livro, 36 ilustrações tendo o Cristo Redentor como personagem principal ou compondo, como elemento discreto, porém essencial, uma cena urbana.

Tomas Lorente

[img:tomas1.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Foi com uma péssima surpresa que fiquei sabendo que Tomás Lorente teve um enfarto nesta quinta e faleceu aos 47 anos.

Ele era diretor de arte e foi diretor de criação da Young, e eu o admirava muito. Era um diretor criativo difícil de encontrar hoje em dia, daqueles que respeita o estilo e o processo de criação dos colaboradores, vulgo ilustradores e fotógrafos.

Foi a seu pedido que fiz os concepts do primeiro filme da fundação Telefônica, o grande pai da Karina, um dos meus trabalhos que senti mais orgulho de ter feito. Fiquei muito impressionado e feliz, pois na época ele praticamente não mudou nada do que eu havia visualizado para ser o pequeno universo desse filminho, principalmente o “shape” da personagem.

Caras como ele fazem uma falta danada.