New York vista por um New Yorker
Vejam só como são as coisas. Quando o meio ou as circunstâncias favorecem, as inspirações são as mesmas para todos.
Voltei de viagem, desenhei muito, fiz muitas aquarelinhas de Nova York, de coisas pitorescas que acontecem por lá e da fauna bípede que toma café andando na rua ou se veste como se fosse Stevie Wonder em um brechó. Todo mundo gostou, inclusive eu, elogios, incentivos, etc., etc., etc.
Mas eis que, mesmo prometendo pra mim mesmo que não iria comprar livros no Brasil por alguns meses, depois de trazer quase 30 quilos de papel encadernado nas malas, não pude resistir e comprei o precursor dos sketches novaiorquinos.

A Companhia das Letras reformulou sua marca para quadrinhos, chamando-se agora de “Quadrinhos na Cia.”, ô nomezinho perrengue, e uma das suas primeiras edições é nada menos do que o livro do fantabuloso Will Eisner “Nova York, a Vida na Grande Cidade”, que na verdade é uma compilação de 4 obras suas: “Vida na Cidade Grande”, “O Edifício”, “Pessoas Invisíveis” e “Caderno de Tipos Urbanos”.
Will Eisner, que é mestre, dispensa apresentaçõe, e merecia muuito mais respeito por parte de alguns tipos que caíram no meu conceito como catarro de chinês na sola de sapato, mais conhecido como Frank Miller, que fez aquela matéria fecal que larapiou o nome de “Spirit”, e que deveria levar uma surra com um pernil de porco até evacuar sua rótula. É um prazer ler novamente “O Edifício” nessa edição luxuriente.

Porém, para quem curtiu as aquarelas assimassim que fiz de NY, Will Eisner fez antes sua versão do cotidiano e dos tipos estranhos novaiorquinos, também, só que da década de 50. É o pai – ou avô – desse trabalho!!

Principalmente “Vida na Cidade Grande” e “Caderno de Tipos Urbanos”. Estão lá suas observações rasbisqueiras sobre o metrô, os cheiros, os sons da cidade, sobre os apartamentos tão pequenos que cabem apenas corpos sem alma, sobre o lixo que se acumula nas calçadas, e os tipos urbanos daquela época.

Perto dos sketches de Eisner, as aquarelinhas que fiz em NY viram ovinhos de mosca, mas de moscas bonitinhas.
Falando no Eisner, fiquei sabendo que “O Contrato de Deus” virou uma ameaça para mentes jovens escolares, na visão de pais e mestres com essência microcéfala, pois as insinuações de sexo, incesto e papo adulto podem incinerar os olhos e as cabeças dos impúberes, ou seja, censura mesmo. Faltará pouco para que “Vidas Secas” do Graciliano Ramos seja banido por mencionar maus tratos aos animais, que “O Cortiço” seja cortado por insinuações de consumo sexual ou que “Caminho Suave” seja retirado do mercado por racismo, pois só tem um casal de branquinhos andando felizes para a escola.
Em breve um post muito bilicoso sobre o “politicamente correto”, que já me torrou o saco.
















a primeira hq “de verdade” que li foi o edifício. achei no meio das coisas do meu pai e me emocionei. foi a maior descoberta da minha infância e a apresentação oficial aos quadrinhos de verdade.
até hoje essa história me atrai muito e é uma das minhas preferidas ever.
Comprei esse livro assim que saiu e já devorei inteiro! Sensacional!
Bjs
As histórias da edição são realmente sensacionais, só não entendi as cores da capa. Parece muito digital para quem valorizou em muito, sujar as mãos de naquim.
Cara, genial esse livro!
É um deleite para os olhos ver tanta riqueza visual expressa em linhas tão simples.
concordo com você do politicamente correto.
o senso de humor está descendo pelo ralo.
ganhei o livro, ainda tou degustando, abrindo uma página ou outra como pedaços de chocolate lindt 80%.