Alberto Ruiz e as mulheres, e que mulheres.

Último post sobre minha viagem a NY, e esse eu tinha que postar nem se eu estivesse na fila do crematório.

Alguns leitores assíduos, assazes e asseados já leram aqui que eu já mandei a fada do cartão de crédito passear numa fantabulosa livraria virtual, a Brandstudio Press, criada pelo Alberto Ruiz e que basicamente vende sketchbooks e outros livros com aquilo que é mais difícil para entender no universo dos homens: as mulheres. Para quem quiser deixar suas verdinhas passearem no hemisfério norte e gostar de desenhos de mulheres, recomendo com mel em cima os livros do Bill Presing e Shane Glines.
herrera
presing
Bom, após o encontro com Brad Holland, que foi uma porrada agradabilíssima, ainda havia um encontro que o Ricardo Antunes tinha que fazer: com o próprio Alberto Ruiz. E após algumas pesquisas e muita cara de pau, descobrimos seu contato. E como eu era um fã quase alucinado do trabalho desse homem, não tinha como dizer não a essa reunião, nem que fosse pra ficar de longe ou servindo cafezinho. Seu estilo latino de desenhar mulheres é único, tem essa coisa de volúpia pulsando em seu desenho, e seu traço é tão seguro, firme e curvoso que parece uma máquina com um lápis na mão.
gataruiz
A surpresa foi encontrá-lo no meio da Madison Square Garden e o danado, mesmo sem saber que eu estaria nesse encontro, me reconheceu na hora com um sonoro “and you are Hiro!”. Foi o suficiente pra arregalar os olhos que já não são muito abertos naturalmente.

E por que isso? Por causa do post que escrevi sobre a Brandstudio Press neste blog, que geraram dezenas de visitas em seu site e mais dezenas e dezenas de pedidos de livros de brasileiros inspirados pelo que escrevi. Senti na veia o que é um networking bem feito. E honrado por ele ter reconhecido essa cara gorda.

E sentamos eu, ele e o Antunes num bate-papo muito informal e tietado, falando de ilustração, mostrando cadernos e rabiscando mulheres.

Se Brad Holland é o lado acadêmico, classudo e charmoso da ilustração, o Alberto Ruiz é o lado assumidamente apaixonado, solto e tarado por mulheres, mas ambos terrivelmente talentosos e amantes da ilustração.

E a empatia entre nós foi tanta que ele nos convidou, para meu embabascamento, para conhecer seu estúdio no dia seguinte, no Queens, pois a noite estava chegando e ele tinha que voltar pra casa.
RIZ
No dia seguinte, estávamos lá em um condomínio que parecia Wisteria Lane, de Desperate Housewives, tipicamente americano, com direito a yardsales e crianças vendendo limonada na frente de casa. Alberto Ruiz, que falava pelos cotovelos, nos recebeu e já nos colocou dentro do seu estúdio onde estavam dezenas de sketches e – pasmem – todos os livros que ele vende pela internet.

Como um dos motivos que fui pra lá, além de conhecer melhor o homem, também era o de fazer compras, me senti como o gato dentro da peixaria. Livros, livros e mais livros, Ruiz me deu todos o que eu queria sem cobrar nada por eles, a nãos ser um almoço.
PINUP
Ficamos conversando por horas em um diner típico dos anos 50, que servem hambúrgueres tão grandes que parecem um bezerro amassado e tortas de maçãs servidas por garçonetes pin-ups. Diferente do que aconteceu com Brad Holland, com Ruiz nos sentimos muito, muito à vontade. Ele falou muito sobre seu trabalho, o mercado de ilustração nos EUA e sua paixão, que é desenhar mulheres e publicar livros, todos eles com um controle de qualidade ferrenho. Ele realmente é apaixonado pelo seu desenho e pelos livros que ele edita, mas tudo isso acompanhado com um lado empreendedor e estratégico que fica escondido debaixo desse boné preto puído que não sai da cabeça dele.

Aprendi muito com essa conversa, é o tipo de coisa que não tem preço, e se tivesse seria pornograficamente caro. E outra coisa que não tem preço são os estreitamento dos laços e a oportunidades que surgem nesse tipo de encontro. Pelo visto, ele ficou tão satisfeito com nosso encontro que ele até postou isso em seu blog.

Graças a ele também descobri a maravilha que é fazer sketches com lápis Col-Erase da Prismacolor. Ele só usa essa marca e da cor vermelha pra desenhar as beldades curvilíneas.

No final da tarde, nos despedimos dele com a promessa que ele virá ao Brasil pra comer um filé colosso no Bistecão, muito contentes por termos conhecido um sujeito tão fissurado em ilustração como nós e com diversos projetos debaixo da manga, além de livros, livros, e mais livros e a felicidade de termos feito mais um amigo na terra do Obama.
MERUIZ
Muchas gracias e hasta la vista, Alberto!

15 Comments

  1. mosca disse:

    CARACA, inveja não mata inda bem, Alberto Ruiz é fodástico e ver os sketch dele dá vontade de desenhar mais, cara parabéns pela viagem e quando fizer outras assim agora já sabe a cobrança por postagens e garimpagens vão ser constantes … rsrsrsrsrs.
    Hasta la vista, Hiro.

  2. André disse:

    Incrível o trabalho do Lucio, como posso entrar em contato com ele Hiro? Quero que ele desenhe uma pin-up para minha tatto !

  3. WOW! WOW! Ahhhh! Nem sei o que escrever aqui.!!!!! Fico babando igual a criança numa doceria quando entro no site da Branstudio. Não só adoro os livros, os desenhos dele, mas principalmente esse lado empreendedor. Pensou se tivéssemos um cara assim aqui no Brasil? Que pegasse os sketcches dos ilustradores e botasse numa gráfica “supimpa” pra rodar e vendesse e , e, e….. ahhhhhh! Juro que meu coração tá mais rápido nesse momento que escrevo essas baboseiras. (pode deletar se quiser, ok)

    Abs. invejosos
    Another Hiro

    É como eu disse, você vira criança na doceria ou gato na peixaria no depósito de livros dele.
    E conversando com o Ruiz, até entendo porque não exista uma editora de sketches aqui no Brasil. Além dos custos pornográficos, mesmo imprimindo em locais mais baratos, o mercado para esses livros é extremamente restrito – quem compra os livros dele são ilustradores, estudantes de arte ou pessoas que trabalham em estúdios de animação -, você tem que ter uma estratégia de vendas muito diversificada (ou seja, globalizada, mas pra captar apenas um público específico) com objetivos bem definidos (ou seja, lucro) como ele fez com a Brandstudio Press.

  4. ian disse:

    caramba, ele parece ser muito gente fina, domina mesmo a arte de desenhar mulheres… e quê que são essas esculturas de mulher que ele faz!?! já tá abusando do talento! hehehehe

    E isso porque ele só está “testando” , porque nunca fez isso antes

  5. Leandro disse:

    Hiro esse cara é “bala” faz muito tempo que fico babando com o trabalho dele. Mas adoro o teu blog meu velho e tambem a ilustrar. Sei que é um abuso, mas o que é que o Alberto Ruiz usa naquelas estatuas além de de talento e criatividade de um Deus?

    Abração!!! Leandro

    Ele usa argila, mas para a estrutura interna ele improvisa. Eu vi ele usando arame amarrado a um lápis de cor pra fazer a moto.

  6. Walter Junior disse:

    O Ruiz Ruleia!!!

  7. luiz disse:

    Hiro! Parabéns e obrigado por todas as coisas bacanas que tu escreves no blog,para nosso deleite.Ver o trabalho de todas estas feras nos dá vontade de desenhar cada vez mais,pesquisar e praticar caa vez mais! Um abraço!

  8. Dinho disse:

    Alô Hirovisk

    Lendo este post eu descobri os livros de desenho para download e agradeço por isso,

    Obrigado!

    Lá você falou em Harold Foster! Eu também tenho o homem na memória da minha 6ª série, na minha escola tinha o O Príncipe Valente dos GIGANTESCOS VOLUMES da Editora Ebal (eu estudei em escola pública) e lia muito o Príncipe Valente, que infelizmente estava acima do meu intelecto juvenil e muito dele se perdeu, da história! Os desenhos eu reconheceria em qualquer mídia (creio eu). Lembra dessa: o Principe Valente preso em um poço com um polvo gigante ao fundo, e escavando com uma faquinha!! ^_^! Eu também tentei fazer quadrinhos com legendas! E foi nessa época também que eu conheci o Calvin nas estantes daquela mesma biblioteca.

    Ora!

    Mais uma coisa, talvez se você sorrir menos, seus olhos sejam menos comprimidos e você enxergue melhor^_^!

    Mas, talvez não valha a pena…

  9. Rafael Schin disse:

    Hiro, não sei se voce ja postou alguma vez (pois á milhares de posts) sobre os materiais que voce recomenda para aquarela, se você puder indicar, os materiais que você acha bons, medios e genericos seria ótimo!

    Abração, Parabens pelo trabalho!

  10. Dinho disse:

    Ou fiz bagunça ou ofendi o Hiro,
    Por um ou pelos dois,
    Me desculpe.

    Você é um cara legal!

    (sem ironia ou cinismo da minha parte)

  11. Adorei ler esses diários de viagem Hiro!
    Sou muito fã do trabalho do Ruiz.

    =)

    abração!

  12. Dinho disse:

    Lesei legal…
    Não entendo muito de blogs…
    Odeio aprender as coisas desse jeito…
    Meleca…

    Me desculpe.

  13. Nihonjin disse:

    Lindos sketches. Sem comentários, é de ficar babando.

    E aproveitando o gancho dos comments acima, é realmente muito triste quanto aos preços $$. A biriba no peito que as editoras dão em nossos mamilos são certamente “na mosca”! :(

    Já viram o preço de algum “The art of” da Pixar, por exemplo?

    Agora uma curiosidade sobre outro post Hiro. A caneta Tombow que você diz usar, é aquela com 2 pontas (Tombow ABT – N15) ?

    Abs,

    -_-

    Olá meu fã número 1

    Essa caneta Tombow não é a de ponta dupla, é outra que é muito vendida no Japão para aprendizado de caligrafia. Essa tem uma ponta ao mesmo muito firme e flexível, bem mais firme do que a Dual Brush.
    Aqui no Brasil algumas são vendidas na Casa do Artista, em São Paulo, mas muito esporadicamente.

    Nesse link tem a cara da caneta

    Pra evitar dor de cabeça eu já fiz um belo estoque delas.

  14. Wagner Cordeiro disse:

    O Ruiz parece o José Wilker nessa última foto.

  15. Monica Maria disse:

    Voce é incrivel!!!Eu tambem curto a arte do desenho e ate me arrisco,mas voce tem um talento em?!!Continui melhorando aquilo que ja é bom!!

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