O preço das coisas, inclusive ilustração
Uma outra maneira de entender o que se passa nas cabeças espaçosas de clientes e empresas que insistem em decidir o preço do seu trabalho. Pragas como essa são como gafanhotos, fodem em minutos o trabalho de anos. Principalmente a mulher no cabelereiro.
Mandem o filminho para aquele seu queridinho cliente mimimi que faz assédio financeiro em cima do seu trabalho. Se ele questionar, pergunte: “entendeu ou quer que eu desenhe?”.
Aliás, esse filme eu encontrei no blog “Os piores briefings do mundo”, um blog que assim como uma molestação sexual na infância, me faz lembrar de coisas horríveis quando trabalhava como diretor de arte em agência de publicidade. Na verdade, o trauma persegue, porque is casos mais bizarros que parecem ser impossíveis serem verdadeiros, mas são, ainda são presentes na vida de qualquer ilustrador, fotógrafo, ou qualquer outro profissional liberal, careta ou registrado.
Sim amiguinhos que ainda não sairam da faculdade, existem empresas no mundo real como a Dunder Mifflin e diretores e gerentes como Michael Scott. E isso é motivo pra chorar no final do dia e rir bêbado no final do ano.
Dunder Mifflin, “The Office”, sacou?
















Pois é, infelizmente essa é a situação que nos encontramos hoje. Isso ocorre, acredito eu, não só pela mão de obra barata dos “micreiros” pela web à fora, mas também pelas proporções que a internet tomou nos últimos anos, onde o acesso e a troca de informação é tão fácil e comum.
Se tornar um “freela” só por dominar tal assunto, já é motivo de sair redesenhando sites, blogs e afins por aí. Mas não possuem, se quer, uma noção de história da arte para entender o mundo atual.
Com as ferramentas e suportes free que a web oferece, e a popularização das redes sociais, também faz com que as pessoas achem fácil criar um site. Na visão deles, os artistas, designers, etc., tem ao seu dispor, plataformas que, assim como criar um twitter, um orkut que seja, é só dar um clique e sair custumizando a página e PUFF.. o site está pronto. A ilustração está feita.
O maior problema, é que as pessoas não dão valor a arte. À cultura. Logo, vemos que isso se reflete em tantos outros trabalhos. Infelizmente
“Entendeu ou quer que eu te passe um orçamento pra eu desenhar?
Corrigindo:
“Entendeu ou quer que eu passe um orçamento pra desenhar?”
Hiro, acho seu blog espetacular. Tanto que até sem consultar coloquei um link pra ele no meu próprio (blog.ideografia.com.br). Gosto do que você escreve e de como escreve. Este post em particular é verdadeiro pra cacete, você sabe que revistas tem tabela pra ilustras. Mas infelizmente existem situações e algumas não têm saída. Um ex-sócio dizia que quando chegasse onde queria, iria dispensar os trabalhinhos aporrinhadores, que enchem o saco e não dão lucro no fim das contas. O problema é quando esse lugar não chega, ou quando na falta de um puta trampo, a gente tem que tapar o buraco com umas merrequinhas. E não adianta passar o valor ideal do trabalho porque, se não entrar, o banco tá cagando e andando pro seu cheque especial.
Nessa conta entram os bons relacionamentos, os bons contatos, e nestes vão algumas equações sinistras e obscuras que dão resultados algumas vezes assustadores. Você certamente já viu um fulano ou fulana, parente de alguém influente, desenhando para clientes que você arrancaria um dente pra ter, ou não?
No fim das contas, a situação é aquela do PM que mora na favela: você combate o crime, mas se o marginal da rua apertar, você é obrigado e fazer um favorzinho pra ele. Explicando minha analogia torta: eu saio na rua com você contra estes clientes, mas se eu tiver contas se acumulando em casa, vou ter que fazer umas ilustras a preço promocional, sim senhor.
Enquanto não toca o meu fone com um clientão que vai me pagar um fee por um bom tempo, serei obrigado a sobreviver. E acredito que como eu há milhares por aí, uns bons outros não, mas todos tentando acertar a mosca branca. E ela não aprece sempre nem pra todos.
Ual, chega!
No mais, parabéns pelos seus trabalhos, seu blog e continuarei seu leitor fiel. Abraços!