Alberto Ruiz e as mulheres, e que mulheres.

Último post sobre minha viagem a NY, e esse eu tinha que postar nem se eu estivesse na fila do crematório.

Alguns leitores assíduos, assazes e asseados já leram aqui que eu já mandei a fada do cartão de crédito passear numa fantabulosa livraria virtual, a Brandstudio Press, criada pelo Alberto Ruiz e que basicamente vende sketchbooks e outros livros com aquilo que é mais difícil para entender no universo dos homens: as mulheres. Para quem quiser deixar suas verdinhas passearem no hemisfério norte e gostar de desenhos de mulheres, recomendo com mel em cima os livros do Bill Presing e Shane Glines.
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Bom, após o encontro com Brad Holland, que foi uma porrada agradabilíssima, ainda havia um encontro que o Ricardo Antunes tinha que fazer: com o próprio Alberto Ruiz. E após algumas pesquisas e muita cara de pau, descobrimos seu contato. E como eu era um fã quase alucinado do trabalho desse homem, não tinha como dizer não a essa reunião, nem que fosse pra ficar de longe ou servindo cafezinho. Seu estilo latino de desenhar mulheres é único, tem essa coisa de volúpia pulsando em seu desenho, e seu traço é tão seguro, firme e curvoso que parece uma máquina com um lápis na mão.
gataruiz
A surpresa foi encontrá-lo no meio da Madison Square Garden e o danado, mesmo sem saber que eu estaria nesse encontro, me reconheceu na hora com um sonoro “and you are Hiro!”. Foi o suficiente pra arregalar os olhos que já não são muito abertos naturalmente.

E por que isso? Por causa do post que escrevi sobre a Brandstudio Press neste blog, que geraram dezenas de visitas em seu site e mais dezenas e dezenas de pedidos de livros de brasileiros inspirados pelo que escrevi. Senti na veia o que é um networking bem feito. E honrado por ele ter reconhecido essa cara gorda.

E sentamos eu, ele e o Antunes num bate-papo muito informal e tietado, falando de ilustração, mostrando cadernos e rabiscando mulheres.

Se Brad Holland é o lado acadêmico, classudo e charmoso da ilustração, o Alberto Ruiz é o lado assumidamente apaixonado, solto e tarado por mulheres, mas ambos terrivelmente talentosos e amantes da ilustração.

E a empatia entre nós foi tanta que ele nos convidou, para meu embabascamento, para conhecer seu estúdio no dia seguinte, no Queens, pois a noite estava chegando e ele tinha que voltar pra casa.
RIZ
No dia seguinte, estávamos lá em um condomínio que parecia Wisteria Lane, de Desperate Housewives, tipicamente americano, com direito a yardsales e crianças vendendo limonada na frente de casa. Alberto Ruiz, que falava pelos cotovelos, nos recebeu e já nos colocou dentro do seu estúdio onde estavam dezenas de sketches e – pasmem – todos os livros que ele vende pela internet.

Como um dos motivos que fui pra lá, além de conhecer melhor o homem, também era o de fazer compras, me senti como o gato dentro da peixaria. Livros, livros e mais livros, Ruiz me deu todos o que eu queria sem cobrar nada por eles, a nãos ser um almoço.
PINUP
Ficamos conversando por horas em um diner típico dos anos 50, que servem hambúrgueres tão grandes que parecem um bezerro amassado e tortas de maçãs servidas por garçonetes pin-ups. Diferente do que aconteceu com Brad Holland, com Ruiz nos sentimos muito, muito à vontade. Ele falou muito sobre seu trabalho, o mercado de ilustração nos EUA e sua paixão, que é desenhar mulheres e publicar livros, todos eles com um controle de qualidade ferrenho. Ele realmente é apaixonado pelo seu desenho e pelos livros que ele edita, mas tudo isso acompanhado com um lado empreendedor e estratégico que fica escondido debaixo desse boné preto puído que não sai da cabeça dele.

Aprendi muito com essa conversa, é o tipo de coisa que não tem preço, e se tivesse seria pornograficamente caro. E outra coisa que não tem preço são os estreitamento dos laços e a oportunidades que surgem nesse tipo de encontro. Pelo visto, ele ficou tão satisfeito com nosso encontro que ele até postou isso em seu blog.

Graças a ele também descobri a maravilha que é fazer sketches com lápis Col-Erase da Prismacolor. Ele só usa essa marca e da cor vermelha pra desenhar as beldades curvilíneas.

No final da tarde, nos despedimos dele com a promessa que ele virá ao Brasil pra comer um filé colosso no Bistecão, muito contentes por termos conhecido um sujeito tão fissurado em ilustração como nós e com diversos projetos debaixo da manga, além de livros, livros, e mais livros e a felicidade de termos feito mais um amigo na terra do Obama.
MERUIZ
Muchas gracias e hasta la vista, Alberto!

Mulheres lisinhas

Oh, o que é isso, outro jabá.

E essa não é uma ilustração cuticuti, não pelo menos no sentido de “coisa fofa”. Mas é bom pra mostrar pro cliente que além de coelhinhos e bichinhos também tenho alguma coisa um pouco mais mamosa no portfólio.

Foi uma ilustração para embalagens de ceras de depilação da Depilbella, encomendada pela Pandesign.

Toda lisinha e vetorizada no Illustrator CS4.

New York vista por um New Yorker

Vejam só como são as coisas. Quando o meio ou as circunstâncias favorecem, as inspirações são as mesmas para todos.

Voltei de viagem, desenhei muito, fiz muitas aquarelinhas de Nova York, de coisas pitorescas que acontecem por lá e da fauna bípede que toma café andando na rua ou se veste como se fosse Stevie Wonder em um brechó. Todo mundo gostou, inclusive eu, elogios, incentivos, etc., etc., etc.

Mas eis que, mesmo prometendo pra mim mesmo que não iria comprar livros no Brasil por alguns meses, depois de trazer quase 30 quilos de papel encadernado nas malas, não pude resistir e comprei o precursor dos sketches novaiorquinos.
BIGCITY
A Companhia das Letras reformulou sua marca para quadrinhos, chamando-se agora de “Quadrinhos na Cia.”, ô nomezinho perrengue, e uma das suas primeiras edições é nada menos do que o livro do fantabuloso Will Eisner “Nova York, a Vida na Grande Cidade”, que na verdade é uma compilação de 4 obras suas: “Vida na Cidade Grande”, “O Edifício”, “Pessoas Invisíveis” e “Caderno de Tipos Urbanos”.

Will Eisner, que é mestre, dispensa apresentaçõe, e merecia muuito mais respeito por parte de alguns tipos que caíram no meu conceito como catarro de chinês na sola de sapato, mais conhecido como Frank Miller, que fez aquela matéria fecal que larapiou o nome de “Spirit”, e que deveria levar uma surra com um pernil de porco até evacuar sua rótula. É um prazer ler novamente “O Edifício” nessa edição luxuriente.
smells
Porém, para quem curtiu as aquarelas assimassim que fiz de NY, Will Eisner fez antes sua versão do cotidiano e dos tipos estranhos novaiorquinos, também, só que da década de 50. É o pai – ou avô – desse trabalho!!
notebook
Principalmente “Vida na Cidade Grande” e “Caderno de Tipos Urbanos”. Estão lá suas observações rasbisqueiras sobre o metrô, os cheiros, os sons da cidade, sobre os apartamentos tão pequenos que cabem apenas corpos sem alma, sobre o lixo que se acumula nas calçadas, e os tipos urbanos daquela época.
crowd
Perto dos sketches de Eisner, as aquarelinhas que fiz em NY viram ovinhos de mosca, mas de moscas bonitinhas.

Falando no Eisner, fiquei sabendo que “O Contrato de Deus” virou uma ameaça para mentes jovens escolares, na visão de pais e mestres com essência microcéfala, pois as insinuações de sexo, incesto e papo adulto podem incinerar os olhos e as cabeças dos impúberes, ou seja, censura mesmo. Faltará pouco para que “Vidas Secas” do Graciliano Ramos seja banido por mencionar maus tratos aos animais, que “O Cortiço” seja cortado por insinuações de consumo sexual ou que “Caminho Suave” seja retirado do mercado por racismo, pois só tem um casal de branquinhos andando felizes para a escola.

Em breve um post muito bilicoso sobre o “politicamente correto”, que já me torrou o saco.

Vaquinhas

Faz tempo que não coloco um jabazinho, então aí vai um trabalho que eu fiz antes da viagem a NY.
caixanutrimental
A vaquinha foi (re)criada para ser personagem principal dos produtos Nutribom, da Nutrimental. Ao total foram 6 posições da mesma bovina sorridente. Quem encomendou o trabalho foi a Oz Design.
Vacasó
Essa é a vaquinha vetorizada sem o tratamento de luz e sombra, também feitas no Illustrator.

E para aqueles que acham que só faço desenhos cuticuti, as tigelas, colheres e conteúdo cremoso também foram feitas por estas mãos que só sabem acariciar pelos de marta dos pincéis. E embora também pareçam ser feitos no Photoshop, foram feitas no Illustrator.

Banca de Quadrinhos et moi

Semana retrasada fui entrevistado pelo pessoal da Banca de Quadrinhos, com a hermosa Daiane como o rosto e voz do programa.
O programa sai na TV São Paulo, canal 36 da TVA às quartas, 20h30. Mas quem quiser ver a entrevista, ela está disponível aqui, no site e blog da Banca dos Quadrinhos. Não, dessa vez não falei pela enésima vez a história do repolho (vou começar a dar uma de Coringa e inventar uma história nova a cada entrevista).

E essa foi a ilustração que foi no final da entrevista. A fadinha dos quadrinhos foi feita em aquarela quase em speed drawing, acho que levou só uns 20 minutos pra terminar. A pressão de uma lente negra latejante arfando nas suas costas enquanto desenha é bastante intimidante.

Para complementar, aqueles que queriam saber que material uso, eis a lista prodígio:

Caneta Tombow preta, aquarelas de tijolinho da Winsor & Newton serie profissional, porque aqui só entra material “Meu Amor”, segundo a senhora Jovem Nerd; pincéis Cotman, papel de aquarela Rembrandt 300g e água de torneira.

O preço das coisas, inclusive ilustração

Uma outra maneira de entender o que se passa nas cabeças espaçosas de clientes e empresas que insistem em decidir o preço do seu trabalho. Pragas como essa são como gafanhotos, fodem em minutos o trabalho de anos. Principalmente a mulher no cabelereiro.

Mandem o filminho para aquele seu queridinho cliente mimimi que faz assédio financeiro em cima do seu trabalho. Se ele questionar, pergunte: “entendeu ou quer que eu desenhe?”.

Aliás, esse filme eu encontrei no blog “Os piores briefings do mundo”, um blog que assim como uma molestação sexual na infância, me faz lembrar de coisas horríveis quando trabalhava como diretor de arte em agência de publicidade. Na verdade, o trauma persegue, porque is casos mais bizarros que parecem ser impossíveis serem verdadeiros, mas são, ainda são presentes na vida de qualquer ilustrador, fotógrafo, ou qualquer outro profissional liberal, careta ou registrado.

Sim amiguinhos que ainda não sairam da faculdade, existem empresas no mundo real como a Dunder Mifflin e diretores e gerentes como Michael Scott. E isso é motivo pra chorar no final do dia e rir bêbado no final do ano.

Dunder Mifflin, “The Office”, sacou?

Uma tarde com Brad Holland

Uma das coisas que não posso deixar de comentar aqui foram os encontros com grandes ilustradores pós-Scott C., que eu considerava a cereja do bolo da viagem e que nada poderia ser mais magnificente e reluzente. Pois estava eu errado como um ônibus na contramão.

Ricardo Antunes, pai do Guia do Ilustrador, veio partilhar a experiência de conviver comigo na Grande Manzana por uma semana e trouxe na bagagem uma entrevista com nada menos com o mestre Brad Holland, que eu considero o que ele é para a ilustração o que Oscar de La Renta é pra moda ou Jacques Costeau foi pra França.

[img:sodebate_1104.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Vou apresentar um pouquinho do homem: como ilustrador e artista plástico, ele é de fraturar o maxilar em queda livre ao chão, ele é uma das grandes referências americanas e mundiais da ilustração, tanto que até hoje os bancos de imagem contratam ilustradores zumbis para fazerem ilustrações com seu estilo de maneira canhestra e sem alma a preço de milho de pipoca para quem faz, mas vendendo a preço de coroa de rei para quem compra.

E é justamente nesse quesito que Brad Holland é especial. Ele é um literato, ele escreve tão bem quanto pinta, e seus textos são letrinhas orquestradas formando críticas e ensaios iluminados, eles não só inspiram como também educam, uma combinação que é uma porrada no cérebro ou no coração, dependendo de quem lê.
Ele é um defensor canino nas questões de ética, postura e direitos autorais, e o irônico é que, mesmo sendo um dos maiores defensores destas questões, ele mesmo se considera um mero “artista que virou ilustrador por acaso”.
[img:0101.jpg,full,alinhar_dir_caixa]
Para aqueles que querem se tornar ilustradores com um pouco mais de conteúdo que não seja banha e preocupação, recomendo o livro “The Education of an Illustrator”, que eu já comentei aqui, e que tem alguns de seus textos muy poderosos. Mais textos dele nesse link, tem que escrever “Brad Holland” no campo de busca por autor.

Pois bem, lá vai o Antunes que consegue um tempinho com o homem por telefone. Saímos correndo pra encontrar com ele no Soho, tivemos que pegar até um táxi clandestino preto pra chegar em tempo. Dentro do táxi, depois de perceber que fizemos uma cagadinha, pois o russo com cara de quem deixou a mãe morrer sozinha na Ucrânia, 35 dólares pra ir até lá numa corrida que não daria nem 20, fiquei no cagaço e achei que nem deveria ir, pois Brad Holland era mais ocupado do que formiga desesperada em dia de chuva, além de deixar bem claro que ele só teria 30 minutinhos pra bater um papo e olhe lá.

Achei que iríamos no máximo sentar em um Café, tomar um expresso, comer uma bolachinha, apertar as mãos e cada um seguir pro seu caminho. Ledo engano.

A lenda viva e cabeluda da ilustração pareceu de uma hora pra outra arranjar tempo na agenda e além disso, a fada da generosidade desceu no seu cangote, pois ele simplesmente abriu seu magnífico estúdio, um apartamento gigantesco em um prédio no Soho que também era seu estúdio.

Era muito bom pra ser verdade, uma honra de dimensões cetáceas ser convidado para conhecer o lugar do homem.

Lá, ele candidamente conversou conosco sobre ilustração no Brasil e nos EUA, abriu seu coração e seu sketchbook que ele preencheu quando veio ao Brasil em Florianópolis, mostrou seu apartamento como um cicerone gentil, mandou seu gato afiar as unhas em outra vizinhança e deixou a gente ver seus trabalhos mais recentes e o caos criativo que era seu estúdio. A gentileza era tanta que juro que pensei que uma hora ele iria dar de presente um dos seus abundantes quadros que estavam em sua parede. Mas aí já era pedir demais.

No final, a conversa durou mais de uma hora e nos despedimos de maneira muito cândida, deixando este homem impressionado com a grandeza, suavidade e gentileza que um ilustrador e profissional de tamanha envergadura recebeu dois matutos brasileiros.

Sim, talvez este post esteja grande demais para quem não sabe quem é Brad Holland ou nem conexões com o mundo da ilustração, mas posso garantir que a experiência de ter passado uma parte da tarde com este homem foi algo que exigiu que eu escrevesse e deixasse um relato para que, no mínimo, alguns fiquem curiosos e conheçam quem é ele, o que ele faz e por que a gente ficou babando feito cachorro feliz com osso de açougue em seu estúdio.

E também foi pra agradecer a generosidade incondicional que Brad Holland nos ofereceu naquela tarde. Muito obrigado mesmo.

Gunga Diner, Tic Toc

Colocando as últimas coisinhas que restaram da viagem a NY.
Só agora consegui um tempinho pra organizar as fotos – maldita inclusão digital, porque antigamente a gente tirava no máximo umas 100 fotos por viagem, por causa do preço da revelação, e agora mais de 3 mil fotos digitais pra olhar uma por uma é tarefa pra qualquer bunda ficar achatada – encontrei essa fotinha que achei deveras legal postar aqui.

Eu passava na frente desse diner quase todo dia, e não é a cara do Gunga Diner, o lugar amigo, como em Seinfeld e Friends, onde o Coruja e a lasciva Silk Spectre se encontravam?

Só que se chama Tic Toc, fica na esquina da 34 com a 8ª Avenida, e a comida é abominável. Tudo tinha o mesmo gosto de óleo velho queimado e o molho das saladas são aqueles que vem em bisnaguinhas,

Mas eu tive que entrar pelo menos uma vez, e tá lá o mané comendo um frango nauseabundamente frito, se sentindo como um figurante de Watchmen.

A Arte de Pintar e a Arte de Encadernar

Amiguinhos que adoram cheiro de livro novo, que gostam de sujar as mão com tinta e não com dinheiro sujo e para aqueles que gostavam de encadernar livros do segundo grau com folhas Contact mas queriam fazer um upgrade menos sintético, eis que surge uma oportunidade de ouro.

O ilustrador Montalvo Machado, grande amigo meu e defensor Quixotesco da ilustração, dos direitos e da arte de desenhar, a quem eu devo meu pontapé inicial doloroso mas necessário para o aprendizado das artes da leitura de contratos e compreensão dos direitos autorais, está oferecendo dois workshops que irão aumentar seus skills artísticos como se você estivesse participando de um videogame.

Ele irá ministrar um fantabuloso workshop sobre encadernação artística – informações aqui – que ensina você a reutilizar ou reciclar desde aqueles calendários pornográficos de borracharia até suas folhas de desenho soltas e sem destino, passando por livros velhos e desmontados, montando sketchbooks artesanais de deixar qualquer pai orgulhoso.

Quem já foi no Bistecão e teve a fortunada sorte de ganhar um dos Sketchbooks feitos dos papéis que ficam nas mesas, ilustrados por uma miríade de ilustradores, sabe que o trabalho é o fino da bossa. Esse tipo de curso, como diz aquele comercial de cartão de crédito, não tem preço. Na verdade tem sim, mas vale a pena mesmo.

É só olhar essas belezuras abaixo pra ver que não tô exagerando. Dá até dó de usar um sketchbook desses.

O outro workshop que ele está dando – novamente, informações aqui – é sobre técnicas mistas de pintura e desenho – trabalhar com acrílica, aquarela e lápis, tudo ao mesmo tempo agora. Ninguém melhor do que ele, que já fez o cobiçado curso “Illustration Academy” duas vezes.
Nesse workshop, ele ensina como mesclar de maneira alquímica esses materiais de desenho com base o que ele aprendeu nessa conceituada escola de desenho. Como o curso lá custa mais de 5 mil doletas, considere esse workshop uma barganha turca.

Se o homem lá em cima e o cliente do outro lado da cidade permitirem, estarei lá participando dos workshops.

Fadas Enfartadas querem você!

Momento jabá com classe, pois nem só de borrachinha perfumada vive o ilustrador.

Há alguns meses a ilustradora mais charmosa do Brasil, quiçá do mundo, também chamada de Fernanda Guedes, convidou o Kako, o Carlo Giovani, o Zé Otávio e este humildo servo da ilustração para participarem da sua empreitada, uma galeria virtual chamada Magenta.

Enquanto estive fora a galeria entrou no ar, e para aqueles que são amantes de uma boa ilustração ou de um bom ilustrador, você é quem manda, a Galeria Magenta faz justamente isso: ela tem como proposta vender originais, sketches, prints e outros badulaques de alguns dos melhores ilusgtradores disponíveis e circulantes no mercado, incluindo eu mesmo, pra levantar o bom nome dessa profissão que às vezes anda meio cabisbaixa por falta de gente que dê um empurrãozinho nas costas.

E numa nova empreitada, estou vendendo lá minhas aquarelas!! Aquarelas de verdade, feitas com tinta, água e carinho, e não as ilustrações digitais, frias e elétricas como um barbeador. Se até o mestre Hayao Miazaki manda usar as mãos pra desenhar, quem sou eu pra contradize-lo?

Assim como todo essa turma, estou vendendo as aquarelas originais de duas séries: os Monstrúteis, monstros com alguma utilidade social, serviçal ou simplesmente quebra-galhos, e as minhas meninas dos olhos, que são a série “Fadas Enfartadas”.

Além dessas duas, outras ainda estão sendo produzidas – minha meta é fazer 64 fadinhas enfartadas, que são aquelas fadas abaixo do grande escalão do mundo pirlimpimpim, que são a Sininho e outras fadas que ficaram famosas no cinema ou nos livros. São fadas que representam coisas menos dignas, mas não menos importantes, como as Fadas do Esgoto (quem você acha que toma conta do seu cocô quando você puxa a descarga?) ou a Fada do Enfarte (para aqueles ataques cardíacos que acontecem num passe de mágica).

Em breve estarei colocando os sketches das fadinhas fodinhas por um preço mais barato e meiguinho.

Afinal, depois de 40 anos de vida castigando esta carcaça desenhando pra outros clientes, já estava na hora de eu começar a fazer algo sem compromisso e divertido pela diversão. Trabalhar sem job é padecer no paraíso. A diferença entre ilustrador e artista é tão fininha que nem dá pra passar uma folha de sulfite entre elas.

Para aqueles que comprarem as aquarelas, junto irá uma pequena biografia da fada para alegrar seu dia.

E se você tiver uma grana sobrando, compre também o trabalho dos meus outros camaradas. Seu lugar no céu estará garantido.

Escape From New York

Mil perdões aos leitores deste humilde mas não serviente blog.
Retornei com pesares de NY há uma semana, com uma dor no coração e outra na carteira. Mas ter ficado um mês inteiro quase sozinho trouxe uma série de novas perspectivas para este ser que vos digita, perspectivas essas com tentáculos expansíveis para todos os lados, principalmente na carreira, nas consequências benquistas de conhecer gente nova e dessa gente nova que apresenta pra mais gente de respeito e admiração, e de projetos futuros que vieram embalados com cuidado nessa viagem e que serão abertos ao público no seu devido momento.

Mas como não vivo de essência de jasmim, cheguei em São Paulo com 4 malas, uma mochila e um elefante hidrofóbico chamado cliente em cima da minha mesa de trabalho, esperando por mim. E aproveitei pra fazer o desenho acima com a versão 11 do Painter, que comprei lá numa pechinchota bacana na BH, a terra dos judeus eletrônicos.
Assim, após um mês de regozijo no hemisfério norte, passei uma semana em 78 rotações. Além de entregar jobs acumulados, fui dar uma palestra na Universidade de Mogi das Cruzes, dei entrevista pra TV e só agora consegui abrir o blog.

Ainda faltam postar muitas aquarelas feitas lá, muitos desenhos a lápis e muitas observações. Muitas delas ainda vou colocar aqui, principalmente sobre Alberto Ruiz e Brad Holland, mas as outras tomei a decisão de realmente fazer um livro sobre essa viagem a NY. Assim, vou completar algumas aquarelas, escanear de maneira decente e organizar os textos para diagramar um livrinho, talvez chamado “Ilustrações ilustradas de Nova York” ou “1000 Coisas Para se Ver em Nova York Antes de Ficar Cego”.

Faltaram as observações sobre o tamanho gigantesco do Museu Metropolitan (3 dias e ainda não vi tudo), e do também gigantesco Museu de História Natural; da maravilha escondida que é o Cloister, o museu medieval no Bronx.

Faltaram muitas figurinhas estranhas/esquisitas, como esse tiozinho muito à lá vonté num flip-flop.

Faltou também um post sobre os testes maluquetes que o pessoal dessa organização não governamental fazem nas ruas pra detectar stress e dislexia, duas coisas que eu tenho e que me fazem um candidato suitável pra ser um cientologista, e não vi o Tom Cruise como brinde.

Faltaram os posts sobre os espetáculos bizarros Off-Broadway, como esse que faria minha carteira encolher em posição fetal de medo, além dos testes para a estréia da peça “Coraline – o Musical”, que deve ou ser muito bom ou muito ruim, assim como foi o filme do Wolverine, que pendeu feito pedra pra segunda opção.

Faltou também os posts sobre Nova York para ilustradores, como a visita às Galerias Arcadia, da maravilhosa tarde com Shaun Tan na Book of Wonders, uma livraria de respeito só com livros infantis e as visitas à Illustration House e a busca infrutífera para ver um original do Al Hirschfeld.

Isso entre outras dezenas de assuntos funestos e bizarros, como a grossura pornográfica dos hambúrgueres, o mal-humor dos balconistas, a proliferação hindu novaiorquina, a curva de aprendizado para se pegar metrô, a magia do café ralo e delicioso, o paraíso dos hipocondríacos que são as farmácias dali, os classificados atrozes à procura de cobaias humanas para testar novas drogas, as instituições que pagam dez dólares pra você descabelar o palhaço e vender seu esperma, os gays coreanos que andam de mãos dadas na 9ª avenida, os esquilos treinados pra roubar biscoitos de turistas descuidados, os sinistros táxis negros piratas dirigidos por seres também sinistros do leste europeu, a experiência de liquidificador que é despachar 10 quilos de livros numa agência do correio americano, etc., etc., etc.. Enfim, se eu ficasse um ano ali ainda teria assunto, então como tudo que é bom uma hora acaba, então tá.