Uma mente ociosa é a oficina do diabo, já dizia o velho ditado

Não tive tempo de desenhar algo sobre isso, mas não deixarei de constar aqui por ser uma história digna de viagem na maionese das bem escorregadias.

Existe um mirante perto da ponte Queensboro, que é a ponte que vocë passa por ela se quiser ir para o aeroporto JFK, muito bonito e muito bem conservado, no extremo oeste da ilha, num lugar onde existem poucos turistas. Sem trombadinha nem cheiro de mijo nos cantos, tudo muito lindo e bem civilizado (aaah São Paulo duma figa…)

Sentei uns momentos pra curtir a paisagem quando de repente surge um senhor idoso, mas extremamente bem vestido com um terno de cortes caros, uma camisa cor de rosa e segurando um buquê de rosas brancas.

Ele para um momento na frente da grade contemplando o rio.

O primeiro pensamento que você tem quando vê aquilo é: “Olha só o tiozinho marcando um encontro romântico aqui”.

Mas minutos depois, o elegante senhor atira as rosas no East River e fica alguns minutos contemplando, para depois sair tranquilamente escadas acima. E deixa a pergunta no ar, em seguida a sua mente começa a imaginar as possibilidades do que pode ter acontecido.

Obviamente, a primeira coisa que vem na cabeça é que ele deve ter perdido a mulher ou filha e ele está lá pra prestar uma homenagem. Mas se não for isso?

Hummm, amanhã é o dia das mães aqui também, então ele não pode ter perdido a mãe, cremado seu corpo, jogado as cinzas no rio e todo ano ele aparece por aqui pra homenagear a mamita com rosas flutuantes? Pode ser, mas se não for?

Em seguida comecei a imaginar nas possibilidades mais criativas. Como, será que ele não levou um fora da namorada e foi lá pra decidir que ia chutar o pau da barraca e tomar todas até cair com coma alcoólico?

Será que ele não é um homossexual que terminou um relacionamento de longa data e agora ele estava se sentindo perdido como cachorro no dia de mudança e aquelas flores nao tinham mais utilidade?

Ou será que ele não é um homem muito solitário vivendo numa metrópole também solitária, que marcou um encontro pela internet com uma usuária do Twitter mas ela não foi, deixando nosso amigo com cara de jumento que não jantou?

Ou na pior viagem no melhor estilo acid trip, poderia ser este elegante senhor um terrorista que jogou um buquê no East River infectado com uma nova cepa de vírus que atacaria toda água de Nova York e deixaria seus habitantes numa crise aguda de diarréia que fariam evacuar seus próprios intestinos virados do avesso?

Seria ele um ex-combatente do Vietnã que, arrependido de tanta matança decidiu viver uma vida de elegância e celibato, homenageando seus amigos que morreram capturados pelos amarelos e morreram em jaulas cobertas de fezes?

Será que ele teria agendado uma abdução definitiva nessa noite e ele estaria dando um adeus solitário?

Ou simplesmente o sujeito é um maluco, cujo hobby é gastar uma grana preta em rosas brancas pra serem jogadas no rio e fazer mind games com os frequentadores do parque?

9 Comments

  1. Olá!
    Sem comentários longos.
    Apenas (!) estou adorando seus ultimos posts.
    Abs.

  2. Tina disse:

    incrivel qdo vc solta a criatividade ou isso é efeito novaiorquino?

  3. Moow disse:

    Iemanja, claro!

  4. Olá Hiro, como está? Sou do Ilustragrupo e conheço seu trabalho e sua participação desde a antiga Ilustrasite.

    Cara, fui obrigado a comentar seu post do tiozinho com as flores. Essa sacada do velhinho foi muito conceitual, se eu fosse você faria suas presunções virar tiras! tipo, você posta a foto e logo abaixo tirinhas com suas narrativas em terceira pessoa comentando o que supostamente o ancião romântico foi fazer lá… =D

    vai fundo another hiro! hehe

    Darlion

  5. Gilberto disse:

    Olá, Hiro. Conheci seu trabalho pela Ilustrar (E claro, pelas tolhinhas do Mac, embora eu não seja muito adepto). Parabéns pelo trabalho. Muito bom.
    Bacana o jeito que vc escreve. Divertido! Todas as alternativas criativas para o caso deste sr. podem estar corretas, kkk.
    Te coloquei na minha lista de blogs, pra acompanhar a cada postagem sua.
    Abração,

  6. Kelly Ratton disse:

    Hiro, acho que as ‘meias estilo Flashdance’ são polainas… N tó bem certa, acho! xD rsrs…

    Mega lindos os desenhos, como sempre! :D

    Ah, e quanto às teorias conspiratórias sobre o tiozinho das rosas: de repente ele é um florista dono de uma cadeia de lojas de sucesso que conseguiu seu desenvolvimento sócio-econômico-financeiro fazendo promessa pra Iemanjá, e todo mês ele vai lá pagar a prenda?!
    (vê só se no mês q vem ele n vai estar lá de novo, óia, óia!) xD

  7. Carolina disse:

    Meu Deus mas que mente fértil … hahahahaha … Ainda prefiro acreditar no lado romantico e singelo da coisa … Pra mim ele prestou uma homenagem a uma pessoa querida que morreu por lá …

  8. Nihonjin disse:

    Caraca! Agora deixou minha cabeça a mil também!

    Ou talvez ele também estivesse tentando se corresponder com alguém que ele mesmo desconhece, do tipo que deixa o destino o levar. Talvez tivesse um bilhetinho dentro de algum “vidrinho” dizendo “se você encontrar essas flores, ‘call me!’”

    Pode ser oras ;D

  9. Hiro,
    O negócio é o seguinte: como ele não ia conseguir chegar até Hamptons para atirar as lindas flores brancas ao mar, atirou ali mesmo, no rio.
    Ah, e caso vc não saiba, as flores são para Iemanjá, meu caro.
    O senhorzinho elegante é o maior macumbeiro!
    :-p

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