Sketch & Jazz na Society of Illustrators
A fada da TV a cabo passou no apartamento e finalmente instalou a TV (a sensação de ver o penúltimo episódio da temporada de House direto na TV, sem baixar no torrent, é quase igual a sexo) e também a internet.
Semana passada já havia conhecido a Society of Illustrators, um pequeno sonho realizado que eu tinha desde que me tornei ilustrador.

É um local de respeito, tem todo o clima novaiorquino que lembra algo das décadas de 30 a 50, muito bem organizado, e que deixa aquela sensação de que ilustração é uma profissão não apenas que deve ser respeitada, mas que também tem muito estilo. Aqui não é Londres, mas senti uma lufada de nobreza assim que entrei aqui (invejinha brasileira, mas nós temos o Bistecão, bem mais informal).


(além de tudo, bati um rango no restaurante, que vira salão de sketch, olhando os quadros de ilustradores porretas)
De qualquer forma, aqui deveria ser um ponto de visita obrigatório para qualquer ilustrador que vem visitar esses lados.


Estava lá, namorando os quadros expostos, a exposição “Fashion Illustration” que rolava lá, comprando um bonezinho quando vi um cartaz anunciando “Sketchnight every Thursday and Tuesday”. Perguntei se era aberto pra qualquer um. Of course, se pagar 15 dólares.
Pois bem, retornei ontem lá com muita expectativa, devo confessar. Afinal eu, um matuto de Mogi das Cruzes numa sessão de modelo vivo em Nova York na Sociedade dos Ilustradores no meio de alguns mitos da ilustração americana (se desse sorte, algum megaboga ilustrador como Anita Kuntz, Brad Holland ou Mark Ryden poderiam dar as caras por lá, segundo a atendente) seria o suficiente pras artérias entupirem de satisfação.
Mas não amiguinhos. A coisa foi muito melhor. Nada me prepararia para o que eu considerei até agora “A Night to Remember” dessa viagem.
Infelizmente, não era permitido tirar fotos da sessão de sketches, mas tentarei descrever nos mínimos arrepios.

Só podia tirar fotos até aqui, antes das ladies entrarem em pelo na sala.
Duas modelos superultramegaprofissionais entraram na sala, vestindo quimonos japoneses. Uma magricela alta linda e totalmente careca e outra gordinha baixinha, também linda, vestindo um chapéu de penas no estilo cabaret.
Todo mundo sentadinho em volta das ladies – senhores, caras engravatados, punks, garotos, franceses…quando o alarme toca, uma voz vai comandando a sessão: ‘First session, twelve minutes”.
E instantaneamente, as modelos assumem uma pose como se fossem bonecas automáticas. Arrepiosas!
Agora de repente, atrás de mim, acontece o tiro de misericórdia na cabeça! Uma coreana num piano e um sujeito parecido com o Elvis Costello no contrabaixo….tocando uma sessão de JAZZ ao vivo enquanto a turma desenhava! E era uma jam session porque eles improvisavam a todo momento.
Era um som de altíssima qualidade, e eu, que estava seco pra ir numa casa de jazz aqui em NY, matei duas vontades numa paulada só.
Por alguns minutos eu deixei de desenhar, pra só ficar observando todo mundo ilustrar as modelos com aquele fundo musical. Quase saiu uma lagriminha. Na verdade, saiu, mas foda-se, todo mundo tava de olhos nas peladas.
E vou lá eu, desenhando as modelos durante 3 horas (com intervalo de 20 minutos porque ninguém é de ferro, e mulheres com a pele à mostra devem tomar chazinho quente regularmente). No intervalo fucei os desenhos dos outros e a sensação foi de que todo mundo tem mais talento no fio do cílio do que você no corpo inteiro.


Chegou uma hora que eu só fiquei observando o indivíduo da frente, um senhor de luvinha amarelinha, que parecia tão fragil, rabiscar com uma facilidade com um toco de carvão. Eram obras de arte instantâneas.
No final, saí de lá com uma sensação morna e gostosa que não sentia há tempos, mesmo nesse frio agressivo que está fazendo, e feliz porque isso se repetirá toda terça e quinta. Na volta, ainda tive essa visão frígida e monstruosa do Empire State Building, de onde dois King Kongs tomaram um tombo.

Foi muito emocionante, o problema é que nunca mais vou conseguir desenhar modelo vivo no Brasil sem um piano e jazz ao fundo.
















Putes grila! Hiro meu caro, essa viagem tá afunilando meus objetivos de vida ahhahahaha Vc tá fazendo tudo que eu faria se tivesse aí tb.
Demais! Hiro, tenho certeza que juntando umas cabeças empreendedoras se consegue fazer sessões de desenho com músicos em Sampa.
Se não rolar jazz, bota alguém pra fazer um solo de berimbau mesmo. O importante é desenhar!
Fodástico hein Hiro. Megaboga mesmo! Vendo você relatar dá até vontade de remexer algum parente deputado na árvore genealógica e tentar descolar uma passagem aérea de graça.
Vc já ouviu falar do Dr. Sketchy?
http://www.drsketchy.com/blog/
Queria saber como é.
Adorei a dica!
Que bom, espero que o Sketch and Jazz tenha compensado a Broxada Ilustrada! ^^
Hiro, deu uma inveja… Não sou ilustrador, mas queria saber desenhar (pelo menos um pouco).
Mal consigo fazer linhas retas!
Mas quando contaste da Sketchnight … queria estar sentado l[a no fundo do salão bebericando um vinho e olhando o povo desenhar.
Abra;cos e tudo de bom aí por NY
“Agora de repente, atrás de mim, acontece o tiro de misericórdia na cabeça! Uma coreana num piano e um sujeito parecido com o Elvis Costello no contrabaixo….tocando uma sessão de JAZZ ao vivo enquanto a turma desenhava! E era uma jam session porque eles improvisavam a todo momento.”
eu me coloquei no seu lugar e.. meus olhos encheram de lágrima e eu fiquei arrepiado ._. não to brincando. não mesmo!
Fala Hiro!
Que experiência bacana, hem?
Eu cheguei a fazer algumas sessões de modelo vivo na SI, mas não era este aparato todo não.
Era 5 doletas, um modelo só, em uma sala mais modesta.
Que bom que as coisas evoluiram na SI e a coisa toda fica muito mais legal.
Vou fazer alguns workshops com modelo vivo aqui, agora preciso achar uns músicos…
Adorei as imagens e os causos de sketchbook.
Abraços e aproveite bem a viagem!
Que inveeeeeja!
Uow!!! Que glamour hein!? hehe
Aproveite e não deixe de nos relatar, nem por um decreto!
Por instante quase estive nessa sala, que sei lá porque associei com cheiro de café, aí os sentidos todos estariam muito bem acompanhados!
Abç!
Cara… Você escreve muito engraçado… hahha
Escreve um livro e com certeza eu compro…
Gente que coisa mais linda essa!
Fiquei boba e com invejinha!