A nova cara da Flight 6

Fãs! Regozeiem-se!!
Aos poucos, porém crescentes, fãs da revista Flight, eis que Kazu Kibuishi, ilustrador de todas capas desta revista, já apresentou a cara da edição de 2009. Digna de soltar um palavrão de admiração.

Para quem não conhece, aí vai o post que escrevi detalhadas rasgações de seda. Considero a Flight uma das melhores edições em quadrinhos do momento, mesmo com o conteúdo às vezes irregular, mas só o fato de ser uma galeria de quadrinhos de gente que eu limparia os pés beijando (Scott C, Jen Wang, Catia Chien, Hope Larson, Vera Bee, afe), já garante um espaço vitalício na minha estante.

Troca-troca ilustrado

Aquarela na mão e sem idéia na cabeça. Pra não cair no erro de dar pra trás igual cachorro com medo de briga, eu tive uma idéia pra me motivar a desenhar e pintar sem nada ligado na tomada, e encarei essa tarefa como um job. Afinal, eu tinha que valer a pena as aulas de aquarela com o Gilberto Marchi e o Cárcamo.

Como eu coleciono desenhos de outros ilustradores e enquadro na parede – tenho os originais do Alarcão, Fernanda Guedes, Benício, Aragonés, Ronnie del Carmen, Samuel Casal – resolvi propor uma troca de desenho entre ilustradores que eu admiro e não tenho a cara de pau de pedir uma ilustração pra dar, num ato de mendicância ilustrativa digna de dar pena.

E a primeira que fiz a proposta – e aceitou – foi a muy meiga e divertida Samanta Floor, figurinha já conhecida entre muitos desenhantes profissionais ou não, e de quem eu sou fã desde que li a tirinha da Samanta sem memória, adoouro as suas idéias e humor, que parecem ter saido daquele livro do Gianni Rodari que eu falo tanto.

Já que tinha proposto tinha que cumprir a promessa, oras. E não é que o estímulo autoforçado, como um castigo macio e delicado, deu certo?
Essa foi a primeira aquarela que eu fiz em anos e tive coragem de mandar além da porta da minha casa. Boris e Samanta com um toque meio leve de Totoro.

E essa foi a troca da Samanta.

Muito meigo, mas mais divertida ainda foi a cartinha que ela mandou, no formato do diário gráfico Toscomics, seus quadrinhos que espantam até assombração de tão bem humorada. Muito cute.

E peguei o gosto da coisa. Tenho feito diversas pinturas em aquarela depois disso, sempre depois das 2 da manhã. Um dos motivos que eu preciso desbloquear essa trava de desenhar fora do computador é que logo estarei vendendo esses originais, seguindo meu plano de conquista do mundo e me tornar algo que se pode se chamar de artista, além de ilustrador, e fazer uma exposição com canapezinho de creme de cebola Knorr e H2O morna na vernissage.
O segundo é que (tambores e cornetas anunciando o divino!!) finalmente estou escrevendo meu livro, e mesmo que querer não é poder, espero fazer as ilustrações dele em em aquarela que molha com água, e não com eletricidade.

Mesmo que eu fique apertando um “undo” imaginário na prancheta.

Se o mundo fosse uma vila de 100 pessoas, eu não estaria incluida entre elas

Há muitos meses atrás, apareceu um conceito legal na internet chamado “If the World were a village of 100 people” ou “Se o mundo fosse uma vila de 100 pessoas”, que mostrava de forma resumida percentuais de distribuição de diversos assuntos globais, como riqueza, raças, religião, entre outras coisas que enchem as páginas de jornal com notícias ruins.

Pois bem, apareceu há pouco uma versão gráfica desse conceito, criada por um designer chamado Toby Ng (seria ele parente de Stuart Ng, dono da Stuart Ng Books, o buraco negro que absorve meus dinheiros através do cartão de crédito em troca de livros de sketches maravilhoso?) e todas as informações agora ficam presentes na forma de infográficos, o que é uma sacada arrebentante, já que gráficos e infograficos tem mesmo essa função. Ficou muito bonito, gráfico e informativo. Tarados por estatísticas colarão estes pôsteres no lugar das coelhinhas da Playboy, que aliás, acho que nem borracheiro mais prega essas coisas na parede.

Qué paga quanto?

Off topic no assunto ilustração, mas pode ser útil para ilustradores que possuem sites e blogs, pra saber quantos trocados conseguiriam se pudessem suas páginas virtuais à venda.

Foi dica do pai do Guia do Ilustrador, Ricardo Antunes. O site Stimator, de nome tabajaresco, estima quanto você lucraria se tivesse que vender seu site ao invés do seu rim. Na maioria das vezes, você verá que seu rim vale mais que seu site.

Este blog vale, de acordo com Stimator, míseros U$1.337,00. Uma vaca holandesa deprimida vale muito mais do que meu blog, ô vergonha.

A castanheira que amolece corações

Ha, esse foi um presente do Elton Cardoso, que me deu a dica dessa animação, mais uma, só que dessa vez vindo da Coréia do Sul – dá-lhe Coréia, nação de “The Host” – que mostra que além da Sun, de Lost, mais coisas belas e doces podem vir de lá (menos Kimchi, aah, kimchi não).

A animação “The Chestnut Tree” – A Castanheira – é doce, meiga, capaz de amolecer o coração de um viking. Quase toda feita em uma cor, a lápis, com uma animação delicadíssima, é o simples e genial.

E eu me indentifiquei muito com os traços do criador – Hyun Ming Lee – porque parece muito com meus traços. Ganhou minha simpatia, o que para quem me conhece, não é pouca coisa.

Aqui nessa página tem uma entrevista com Ming Lee falando um pouco dessa candura animada, mas tem que saber ler inglês ô pá!

Fico felicíssimo em ver essas animações. Eu sou da opinião que animação em 2D ainda nunca vai acabar, da mesma forma que a 3D também veio pra ficar, mas o charme de uma animação 2D bem feita é como uma garota nova e bonita na vizinhança, sempre desperta curiosidade e provoca suspiros.

Monstros grandes e gordos fazem meu dia mais feliz

Deve ter sido influência de Totoro, pois ele me fazia feliz em uma época de perrengue que faria Hugo Chaves chorar de dó, mas como muitos já devem ter reparado, adoouro desenhar duas coisas: belas garotas e monstros grandes e simpáticos, às vezes os dois juntos. O Gigante de Ferro faz meu dia, pois eu queria ter um como amigo, e dá uma dó desesperada de ver King Kong, principalmente a versão do Peter Jackson – pois tava lá o grandão na dele, vivendo feliz comendo tatu-bola gigante naquela ilha, e foi só uma mulher cruzar no seu caminho para que ele caisse em desgraça – literalmente.

Alguma alma boníssima que lê o blog constantemente me mandou essa dica – e vergonhosamente esqueci quem foi, portanto se foi você broda, levante a mão digital e se manifeste – de uma animação feita incrivelmente por estudantes, e não profissionais 100% maturados, e misturam justamente pequeninos e monstros balofos e mortalmente simpáticos.

Em Aprés la Pluie – Depois da Chuva – as cores são fabulosas, a música de mosteiro tibetano se encaixa como dentadura em boca de velho e embora lembre um pouco animação japonesa, foi feita por girinos animadores na França. Foi feito em 2008 por Charles-André Lefevbre, Manuel Tanon-Tchi, Louis Tardivier, Sébastien Vovau, Emmanuelle Walker, da escola Gobelins, que deve valer cada centavo da sua mensalidade, visto a qualidade do trabalho dos seus rebentos.

Fables e João

Essa notícia foi rompante, dada pelo Mauricio Pommella no comentário do post sobre James Jean, obrigado obrigado Pommella.

Pois bem, lá no post disse, e não é segredo nenhum, que James Jean parou de fazer as capas da inspirântica revista Fables, mas a mesma segue bem com toda saúde que lhe é devida.

O que eu não sabia, e tome tabefe na cara de surpresa, é que o novo ilustrador das capas é um brasileiro, e se chama João Ruas!!

Surpreendentemente, o trabalho do conterrâneo é muito (10 vezes muito) bom!!! Bom o cacete, é ótimo, mesmerizante. Tem tudo pra honrar com louros frescos de feijoada a tradição começada por James Jean! Olhe o Flickr do cara e se sinta diminuto como uma tênia.

Se políticos brasileiros não são motivos de orgulho do Brasil além-mar (e ante-mar também), que os ilustradores o sejam!

A ilustradora que virou sem teto

Uia, uma das coisas legais do Twitter é que tem um monte de mensaginhas muito boas sobre ilustração (ao lado de relatos to tipo “acabei de peidar, e foi silencioso e assassino”, não duvido que tenha indivíduos que já tenham postado algo no Twitter sentado numa privada soltando seus excretas).

O genial e orgulhosamente gay Luc La Tulippe, que ilustra rapazes, monstros e garotas incrivelmente bem humoradas e estilosas, postou o caso de uma ilustradora que não tem mais lugar pra morar. Lá no Canadá.

Annie Wilkinson tem um trabalho fofo e delicadíssimo como namorada virgem. É mãe de dois filhos e em breve terá que dormir sob o cobertor de estrelas.

Parece que o dono do apartamento onde ela vivia toda pimpona e feliz com a família morreu e não deixou testamento. E sabe-se lá os trâmites burocráticos canadenses, ela tem que escafeder-se do seu postumamente chamado lar em breve. A história toda, em english, está aqui.

Comentários serão comentados dentro do próprio comentário

[img:Dollydoll.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Como todo portador de TOC e maníaco por ordem, a falta de hierarquia e metodologia pra responder os comentários faziam meu pâncreas sofrer, pois a coisa virava uma salada russa sem batata.

Pra resolver isso, decidi responder (na medida do possível, que a senhora do Tempo me permita) os comentários dentro do próprio comentário. Assim fica mais fácil a leitura em sequência.
As que estiverem num balãozinho cinza serão as minhas respostas.

E para Vigo me voi!

Twitter me my friend

[img:ghosty.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Pra não me sentir um batráquio atrasado na evolução digital, resolvi largar de vez o Orkut, lar de trolls e she-men a granel, e entrei pro Twitter. Achei ótimo porque só dá pra escrever umas duas linhas, então acho que não dá pra perder muito tempo nisso.

Quem quiser colocar este ser no roll do Twitter, seja feita sua vontade, não sei ainda como funciona o esquema de convite, mas vá lá, o username é Hirokawara e a página de lá é

http://twitter.com/Hirokawahara

Abraços fraternais e telegráficos num futuro não muito distante para quem twittar comigo.

Quem mandou não estudar e virar James Jean?

[img:Fable.jpg,full,alinhar_esq_caixa]James Jean é um mito e fonte de inspiração entre os ilustradores hoje em dia tanto quanto foi James Jean para as garotas com hormônios pingando pelos poros na década de 50.

Foi com a felicidade de um moleque que ganha picolé caro da tia que recebi meu pacote da Amazon com uns 5 quilos de livros pra trabalho das lâminas de bandeja, e no meio também veio o pedido maroto que fiz pra acompanhar o frete, o bendito livro “James Jean’s Fable Covers” – que custa U$ 125 verdinhas. É dinheiro do grosso, mas como não consumo cocaína nem gasto com carro, me dou o direito de me dar um presentinho e abraçar minhas próprias costas em agradecimento a mim mesmo.

Fables, pra quem não conhece, e duvido que quem ama um bom desenho e uma boa história não conheça, é uma série de quadrinhos muito boa, recontando fábulas clássicas numa visão mais moderna e pervertida, ilustrada por gente como Tara McPherson, Rick Milligan e Jill Thompson, entre outros. Chego a dizer que é uma das poucas opções boas atualmente que mais chegam perto do que foi Sandman. E as capas, ah, as capas, são todas feitas por James Jean (quer dizer, eram feitas, porque ele parou de ilustrá-las, muchas condolências). Foda é palavra pequena demais pra virar adjetivo das suas capas.

James Jean é o tipo de cara que, se encontro na rua faria questão de espancá-lo até virar kibe cru, de tanta raiva do cara ser tão bom. Berraria com todos pulmões “Vá se f*%$er fiadaputa, você é bom pra car@$^lho!!” Ou no máximo apertaria sua mão e não largaria, num ato de constrangimento homossexual voluntário, pra ver se passa um pouquinho do talento dele por osmose.

No site dele tem outros trabalhos, inclusive as mesmerizantes pinturas. Se eu fosse rico como jogador de futebol da primeira divisão, não gastaria meu dinheiro com carros com nome de personagem dos Transformers, mulheres com prazo de validade cerebral ou com fontes de jardim em homenagem à minha mãe e que geram vergonha alheia pras visitas. Eu gastaria dinheiro com isso:

Engrenagem de metal sólida

Ainda me recompondo da ofensa em forma de game que foi Street Fighter IV – que foi devidamente trocado por Animal Crossing pra Wii – em compensação deparei com uma surpresa nas bancas ao ponto de soltar um “oh!”.

Sketcheiros e desenhistas que não se contentam com as linhas acadêmicas, emiti fluidos pela boca quando vi um gibi de Metal Gear Solid com as mesmas ilustrações que foram usadas no manual – ilustrados por Ashley Wood (será ele ou ela?). Tudo muito solto e espirrando tinta pra todo lado. É um festival de técnicas – digital, guache, aquarela, lápis, nanquim, óleo diesel e cocô de periquito – que em algum momento lembram os trabalhos do velho Bill Sienkiewicz e o John J. Muth. Aliás, alguém tem “Big Numbers” pra emprestar?

A história é bem remerrenha, os diálogos tem a naturalidade polímera da novela dos mutantes, mas as ilustrações compensam os 32 dinheiros gastos. Uma pechincha perto dos quase 300 dinheiros que o game cobra, se bem que o game Metal Gear Solid pra Play3 tem culhões pra ser chamado de game.

Corram vietcongues, pois o pênis gigante do Dr. Manhattan vai mijar em cima de vocês

Fui ver Watchmen, e sem muita expectativa, visto que o filme tem sido malhado com cachorro morto até virar gato arrepiado por dezenas de blogs e críticas.

Poha, ora pois, e não é que gostei, e muito do filme? Só não chorei feito menina assaltada como em “Marley e eu”.

A abertura do filme, mostrando os Minutemen, é de arrepiar os mamilos até furar a camisa. Camera lenta, teu outro nome é Zack Snyder.

Joguem pedras como se eu fosse uma adúltera sendo julgada pelo Taliban, mas eu sempre adorei o gibi com exceção desse final. Por que Alan Moore não pensou como o final do filme, ao invés daquela vagina gigante com tentáculos se teleportando em NY?

E agora vou reler Watchmen lembrando da trilha sonora. O cara que escolheu as canções deveria ganhar um beijo de língua com chave de pernas da Maria Sharapova.

Mas como nada é perfeito, Coraline, como filme, é muito melhor. Faz você sair rabiscando do cinema, com a cabeça cheia de inspiração, além dela ser muito bonitinha e apaixonável.

Viva Coraline, viva!

Feito à mão, parabéns pra quem a tem

Continuando a minha saga particular de deixar cada vez mais para desenhar no computador somente as coisas de trabalho, e enfiando o nariz a finco nos materiais convencionais – e nisso você fica mais primoroso e cuidadoso porque pra gastar uma caixa de pastel seco leva o mesmo tempo pra comer um pastel especial na feira, se não tomar cuidado, relembrando um tópico que eu fiz sobre a meditação e o respeito pelo papel branco, coisa que o computador não faz porque não custa nada dar um comando-N pra gerar um novo documento, tenho que agradecer a todos que escrevem neste blog com elogios, incentivos e relatos, pois graças a eles, somados às noitadas no Bistecão e conversas com ídolos da ilustração que se tornaram meus fãs, é a gasolina que faz com que este ser tenha impulso de fazer coisas que antes julgava não tarimbado o suficiente.

Quando a gente trabalha em uma agência, ou simplificadamente, trabalhando fixo por um bom tempo como ilustrador e diretor de arte, a última pessoa que vai elogiar seu monstrinho no papel é o dono da agência ou os colegas de trabalho. Mesmo se eles elogiam, é como elogio de tia velha; é legal mas não tem tanta força assim porque parece mais por educação do que sinceridade (embora hoje eu sei que eram por sinceridade mesmo).

Pois bem, desde que saí da agência eu tenho mais consciência de que dá sim pra virar algo mais que ilustrador e arriscar algo mais autoral sem passar vergonha de mostrar desenho. Brevemente estarei vendendo prints e originais em um lugar muito legal (obviamente todos irão saber e comprar, por favor), e também já dei início ao projeto do livro, parado por inércia psicológica, devidamente estraçalhado ironicamente por causa do glaucoma, que ao invés de virar algo derrubador, se tornou numa força criativa – desenha, desenha enquanto dá tempo, menino!

Toda essa lengalenga é pra mostrar esse trabalho que eu fiz pro pessoal da revista Mac+, dos meus chegados Heinar Maracy e Sérgio Miranda, seres a quem eu devo metade do meu conhecimento de Mac.


É uma capa pra MacBook que já foi sorteada e já tem dono, só não sei quem é ainda. Vai ser dada para algum felizardo que comprou a revista e participou de algum concurso há alguns meses.
Foi a segunda tentativa, a primeira tentei fazer com tinta acrílica e misturei algo que não devia com pimenta Tabasco e o plástico virou igual pele de lesma morta. Ser artista pokaprática nos materiais reais dá nisso, só faz cagada. Seguindo para o lado mais seguro, fiz mesmo com canetinha retroprojetor.

Felizardo do(a) sujeito(a) que ganhou essa capa, só não vá raspá-la no asfalto ou transar em cima dela porque a tinta sai fácil como cocô de coelho apressado.

Revista Ilustrar 9, my friends

Eis que o mês vira, e oh, que para deleite dos amantes de ilustração (e talvez também dos ilustradores), o inexorável Ricardo Antunes, direto da terra do pastel de Belém, lança o nono número da Revista Ilustrar. Convém repetir com frequência, e até um pouco de rudez, que a Revista Ilustrar é disponível pra download de graça, então não perguntem onde compra, pelamordedeus.

Nesse número da hora, destaco a matéria com a Sabrina Eras, garota fantástica de quem eu sou muito, muito, muito fã e ainda tô com um post na manga sobre ela estacionado, esperando a hora de ser editado (aliás, sou apaixonado pelo trabalho das três garotas com nome de bruxas: Amanda, Samanta e Sabrina, respectivamente Amanda Grazini, Samanta “Cornflake” Floor e Sabrina Eras, sendo que a Vera Bee entra na categoria internacional junto com Catia Chien e Jen Wang, embora Catia Chien seja brasileira morando lá fora, se não me engano); tem também uma matéria divina sobre o trabalho e memória de Massao Okinaka, e eu tive a honra de presenciar in loco e ao vivo os sumi-es e os equipamentos feitos com esmero de serviçais de imperador chinês, além de passar nervoso no dia porque caiu a chuva do século na Fábrica de Quadrinhos, do Rogério Vilela e alagou tudo o que era seco no local.

Os mais antigos, também chamados popularmente de velhos, vão se lembrar de um comercial para a TV feita pela DPZ para cigarros Carlton, todo em estilo sumi-ê. Pois é, foi o mestre Okinaka quem fez.

Fiquei tão impressionado com os pincéis e apetrechos, e não menos, óbvio, pelo trabalho fantástico do Massao, que eu mesmo me dou o direito de escrever um post sobre isso mais pra frente.

O Montalvo fala um bocado sobre o Sketchcrawl Brasil, e tem todo motivo pra ficar orgulhoso, da mesma forma que um papai fica babão por causa da medalha de primeiro lugar de natação. E tem uma matéria sobre a grande Walter Vasconcelos, que deve ser o ilustrador mais tímido e genial que conheço. Fizemos as palestras de Aracaju para a Unit juntos, e aprendi um bocado com ele. A foto dele que ilustra a matéria deve ter sido enviada como piadinha…

E tem também, oh, puxa vida, que surpresa, um tutorial feito a toque de caixa feito por mim, essa pessoa de poucas posses mas muitos amigos, ensinando uns poucos truques de Painter que eu fiz na ilustração para a capa da revista Publish.

E essa é a dedicatória que fiz no Illustrator e não tem nada a ver com o tutorial do Painter.

Bonequeiro sim senhor

Sabe-se lá o que vem acontecendo, mas o Bistecão Ilustrado está a cada edição mais lotado. Nessa última chegou ao ponto de faltar cadeiras, e enquanto marmanjos amantes da ilustração não cismarem de sentarem nos nossos colos, tá tudo bem.

Acho que muita gente que é cria do Sketchcrawl, o que é bom, sinal de que o trabalho do Montalvo tá dando resultados muy respeitáveis. Dezenas de aspirantes a ilustradores trouxeram seus portfólios para avaliação, e o Kako, que é descendente direto de Jó, agraciou a todos com suas palavras sábias e orientadoras.

Conheci muita gente nova, e devo ressaltar um em específico que é Fábio Sousa, vulgo Faso, bonequeiro profissional e pai do site Marcamaria, que já o conhecia de algum tempo por ter comentado vários posts neste humilde blog e pela vergonha alheia de sempre achar que era uma moça.

A grande verdade é que o responsável é um rapaz saudável e muito bem humorado, e faz bonecos muito interessantes e muito, muito estilosos. Nada daquelas bonequinhas bregas ou ursinhos vomitivos, o negócio é design com humor.
Aliás, isso é que é ducaralho quando você frequenta o Bistecão continuamente. Sempre aparece gente nova e talentosa, igual atores convidados em seriados. Você sempre imagina quem estará no próximo (e vai ter que rabiscar devidamente em todos os cadernos também).

Roubei do Flickr dele uma foto de um desenho que eu fiz em seu caderno de sketches, as sempre presentes garotas com monstros, que fazem meu dia um pouco melhor e mais curto.

Para aqueles que quiserem um desenho igual, é só trazer o caderno de desenho no próximo Bistecão e pedir pra mim, pois assim como foto pra identidade, sai na hora e com qualidade.

Pãozinho que mata fome e revira o estômago

Isso eu vi lá na lista da SIB, acho que foi o Adriano Renzi quem soltou a sanguinolenta e panificante história. Como isso é considerado um tipo de “arte”, então tá postado aqui. Pelo menos não é arte do tipo amarrar cachorro até morrer de fome.

Imagine se o seu Manoel da padaria da esquina resolvesse virar serial killer. É a padaria onde Hannibal Lecter compra os baguetinhos pra comer com cérebro fresco e é a mistura de “O Albergue” com farinha de trigo.



A padaria Body Parts fica em Bangkok, na Thailandia, e vende partes de corpos panificados. Segundo o dono da padaria cujos pãezinhos espremem e saem sangue, mais de 100 pessoas visitam o lugar por dia. Imagine passar cream cheese nisso e comer com presunto.

E se faz sucesso, é porque tem gente que compra. E possam torcer os narizes ou revirar os estômagos, mas a verdade é que cada peça é feita com um realismo doentio.


The Scary Body Parts Bakery – video powered by Metacafe

Mas não menos doentio do que os pais lesionados na cabeça que levam os filhos pequenos pra esse lugar.

Hadouken na carteira

Estarei ficando velho?

Pois este ser estava ávido como hiena espreitando carniça para apertar os dedinhos no novo Street Fighter 4. Principalmente por causa do visual, pretensiosamente mais artístico e menos renderizado, e por causa das críticas favoráveis como elogio para noiva. Coisa parecida aconteceu com a experiência fora do corpo de trabalhar com o novo Adobe CS4, mas isso é papo pra outro post.

Seduzido pelo trailer, ingenuamente acreditei que iria ter um jogo espirrando tinta nas paredes.

Pois bem, com um sacrifício monetário, comprei o objeto de adoração. E pois, depois de jogar algumas horinhas veio a decepção. Juro que tentei, mas simplesmente o jogo é chato! Ao contrário de Soul Calibur, que tem a jogabilidade fluida e gráficos de deslocar os mamilos, Street Fighter cansa rapidinho, típico produto onde se fala muito e se oferece pouco. Por ser ainda de opinião de cunho pessoal, os personagens ficaram velhos e cafonas – M. Bison poderia ser Hugo Chaves com peitorais assombrosos e Zangief ter a cara do Azaghal do Jovem Nerd pra ficar um pouco mais interessante. O irônico é que, ao jogar o velho Street Fighter do SuperNintendo, esse parece sim é continua sendo muito mais legal. Toma na cabeça.

Nem as animações, feitas com qualidade e esmero do pior episódio de Pokémon, salvam. Jogar pela rede, com gente tentando se convencer que o investimento valeu a pena pelo mundo inteiro, é uma experiência atroz e insalubre.

Se um jogo de luta faz você bocejar no meio, e Little Big Planet não, então alguém jogou um ratão na panela de feijoada, pois a receita desandou.

Sensação igual quando você sonhava com Comandos em Ação fazendo mil peripécias na TV e se decepcionando com um bonequinho assexuado que só mexia os bracinhos. Por isso mesmo estou achando que estou definhando mentalmente, não entendo como tem tanta resenha favorável pra esse fragmento de diversão digna de gato jogar terra em cima.

Depois de um final de semana lacônico e me arrependendo até a última fibra da cueca por ter dado esmola pra Capcom, chegarei ao cúmulo de ir na lojinha e trocar o jogo por qualquer outro, pra diminuir o prejuízo. Se tiverem Resistance 2, o negócio será fechado.