Bota a Cintiq pra dormir

Desde que comprei a Cintiq 21UX, achei que tinha adquirido a coisa mais megaboga pra um ilustrador.

Porém, uma das coisas que me incomodavam, e não só a mim, mas a quase todos proprietários desse carro em forma de tablet, é que seu Mac simplesmente não entrava no modo sleep com ele. Ele fisgava um soninho, mas em seguida algo na Cintiq fazia ele acordar.

Diversas pessoas mandaram mensagens perguntando como isso podia ser resolvido, e eu impotentemente dizia “não sei”…até hoje!

Eis que limpando a Cintiq com um paninho macio como barriga de coelho, acionei sem querer os botões de ajuste traseiros….e eureka, descobri como fazer esse trambolho dormir!

Basta clicar nessa opção, disposta em um lugar muito funesto, e sua Cintq irá repousar o sono do guerreiro.

O absurdo é que essa informação NÃO está no manual! E que lógica vinda de Kazukistão traz a opção “sleep” desligada de fábrica?

Bons fluidos emitidos por vós lubrificarão a menina dos olhos acamada

[img:bigeyes.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Muito, muito obrigado pelas palavras de apoio de todos os amigos virtuais, não virtuais e potenciais.
Se ganhar um centavo e um passe de boas energias para cada mensagem de apoio recebida, serei o homem mais rico da zona sul de São Paulo com os olhos mais lindos que os de Frank Sinatra.
Mas não se preocupem, se tem uma coisa para que serve o dinheiro nessas horas é para comprar colírio que custa os olhos da cara pra tratar de glaucoma e comprar um ingresso pra ver “Marley e Eu” e chorar feito menina atropelada para umedecer os olhos. E do jeito que eu amo desenhar, mesmo se perder a visão, coisa bem remota, eu continuo desenhando nem que tenha que contratar um ilustrador pra isso.

De quebra, ganhei pérolas de conhecimento curioso através do Dagowberto que o talentoso jornalista Glauco Matoso, da Caros Amigos, é um nome de guerra!!

E à Samanta, que eu fã de carteirinha plastificada, saiba que, se a crise deixar, em breve teremos novidades nessa área.

E graças ao Gil Tokio e ao Leandro “Escola de Animais” Robles, fecho o post com a magnificente dica de Peter Tosh pra curar glaucoma: maconha na veia e no pulmão!

Bush Doctor lyrics

“lyrics he Bush Doctor
Warning!
Warning! The Surgeon General warns
Cigarette smoking is dangerous, dangerous
Hazard to your health
Does that mean anything to you
To legalize marijuana
Right here in Jamaica
I’m say it cure glaucoma
I man a de Bush Doctor
So there’ll be
No more smokin and feelin tense
When I see them a come
I don’t have to jump no fence
Legalize marijuana
Down here in Jamaica
Only cure for asthma
I man a de Minister(of the Herb)
So there’ll be no more
Police brutality
No more disrespect
For humanity
Legalize marijuana
Down here in Jamaica
It can build up your failing economy
Eliminate the slavish mentality
There’ll be no more
Illegal humiliation
And no more police
Interrogation
Legalize marijuana
Down here in sweet Jamaica
Only cure for glaucoma
I man a de Bush Doctor
So there be
No more need to smoke and hide
When you know you’re takin
Illegal ride
Legalize marijuana
Down here in Jamaica
It the only cure for glaucoma
I man a de Minister
Re”

O que inspira também é o que transpira


Ainda está nas bancas a revista Computer Arts (a de janeiro), onde esse desenho aí embaixo ilustra um texto meu sobre o que me inspira no trabalho, na seção “Design Clássico”. É uma seção que pede para o entrevistado apresentar algo que o inspira e que pouca gente conhece.

O cachorro carregando o armário é um dos exemplos do meu muso inspirador, Gianni Rodari, cuja fabulosidade em destravar a criatividade pensando como criança merece um altarzinho com velas acesas. Não vou rasgar a meia de seda pra ele, porque já disse o suficiente nesse post. O texto na Computer Arts foi bem telegráfico, por causa da limitação de espaço, então o post é um pouco mais completo. Não duvido dizer que, se não fosse por ele, as toalhinhas de bandeja hoje existiram apenas no mundo das fadas e o meu jeito de escrever seria gramaticalmente e ortograficamente bem mais burocrático.

Outra fonte de inspiração que até pensei em colocar, mas na hora H achei melhor não, é o I Ching, que eu conheço há 25 anos e estudo de maneira mais séria hà 5. É que o I Ching filosoficamente dá pra usar em qualquer situação, e os ensinamentos de Rodari eu uso especificamente para trabalho.

Fazendo uma dobradinha, quem tiver um pouco mais de dinheiro no bolso também pode comprar a edição especial da Computer Arts Projects sobre Impressão, mas lá eu só falo muuito resumidamente como é o processo de feitura de uma lâmina de bandeja.

Ensaio sobre a cegueira, e um alerta para ilustradores muito, muito, muito míopes

Era para ter recomeçado o blog há algumas semanas, mas uma série de infortunados eventos vem acontecendo para aporrinhar este ser. Mas como tragédia vem em grupo, essa se desgarrou do resto e chegou atrasada. Geralmente não posto coisas muito particulares nesse blog, mas acho que serve como uma dica e um alerta.

[img:Dogs.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Descobri há algumas semanas que estou com glaucoma nos dois olhos. O olho direito tá mais danificado que o esquerdo, já tenho 40% de degeneração no nervo.
Pra quem não sabe, glaucoma é a degeneração do nervo ótico por várias causas, principalmente diabetes e pressão interna alta do globo ocular (o nomal é entre 14 e 15; 21 é considerado alto). Como não sou diabético, descobri que meus olhinhos tem mais pressão que um pneu de um Honda Fit.

Outra característica que fez a muy prestativa oftamologista a suspeitar que estava com glaucoma é meu elevado grau de miopia. Segundo a doutora dos olhos, geralmente alto grau de miopia pode ser uma característica de glaucoma. Como eu sou tão míope, tão míope ao ponto de não diferenciar uma mulher de um coqueiro sem óculos na praia, a doutora já foi franzindo a testa de preocupação.

Como o glaucoma é uma doença (sem cura) degenerativa do nervo ótico muito lenta, não se percebe os sintomas. Quem tem essa merda perde a visão periférica, que vai escurecendo, e seu campo de visão vai diminuindo cada vez mais até você ficar cego de vez, e aí (tragédia grega), seus amigos serão apenas a canequinha, a bengala e o óculos escuros, além de um eventual macaquinho de roupa vermelha.

Outro sintoma é ver uma espécie de “halo” em volta de lâmpadas acesas e luzes um pouquito mais fortes (auréolas na cabeça de pessoas brilhantes não contam).

Vamos aos fatos: Você, ilustrador muito míope, vá a um oculista QUE NÃO SEJA DE CONVÊNIO!!
Isso porque devo estar com glaucoma há anos e vou ao oculista conveniado ao plano de saúde todo ano, mas como eles atendem rápido como as balconistas do McDonald’s, nunca perceberam esse problema em mim. Só porque eu fiquei desconfiado de um incômodo no olho que não passava trocando de óculos é que decidi ir a um oftalmologista mais tarimbado (e que não é coberto pelo plano de saúde) é que ele me deu toda atenção a este ser carente e descobriu que sou um ser glaucomatoso.

É um pouco irônico, quase como quando João do Pulo perdeu a perna. Mas pior seria se eu tivesse um tumor no cérebro, daqueles que matou o dr. Greene no Plantão Médico. pelo menos tomando remédios consigo retardar ao máximo a vinda do grande breu, quiçá ficar velhinho ainda enxergando.

Ou então tenho que começar a treinar o Bisteca pra ser guia de cego (música de violinos tristes ao fundo)

Sim Bisteca, seu emprego no futuro estará garantido!

Brincadeiras à parte, achei legal dar esse alerta aqui. Além de miopia grande, se você, ó ilustrador, for diabético, ou tiver alguém glaucomatoso na sua família, vai fazer um exame daqueles que parecem abdução alienígena (enquanto fazia o exame, de olhos arregalados, com luzes estroboscópicas na retina e espirrando líquidos gosmentes, só conseguia lembrar daquela cena fodaça do filme “Fogo no Céu”), que pode salvar seus olhinhos.

Infelizmente, o glaucoma só começa a mostrar sintomas quando se é tarde demais.

Mas se tiver glaucoma, também não é o fim do mundo, talvez só da metade dele. Hoje em dia existem colírios bem caros que auxiliam nessa doença fiadaputa, diminuindo a pressão do olho.

Agora, vou escrever um livro chamado “Mil coisas para ver antes de ficar cego”, e ver a Anna Hickman pelada ao vivo está entre elas.

Quando Playstation 3 vira ferramenta de trabalho

Sim, sou nerd de 40 anos, e meu trauma com minhas tias são descontados com minha tara por videogames. Quase trafiquei ecoline para comprar um Dynavision há um tempo atrás, quando tinha que decidir se eu jantava ou tomava banho com os trocados que eu tinha. Infelizmente, agora com minha vida social reduzida a menos traço, afundei de cabeça no jogo Fallout 3, da maneira que só fiz com Bioshock e Phantasy Star Online. Jogo essa merda toda noite, e a situação é tão crítica que troquei o fiel Bisteca pelo cachorro virtual Meatdog (tenho que poupar a vida desse canídeo durante o jogo, tarefa só para os bravos).

Pois bem, comprei uma ediçãozinha desse jogo que vem numa lancheira de metal muito uó e o melhor de tudo é o conceptbook que vem junto – quase um “The Art of”, aquela série de livros que destripam os filmes da Pixar com todos os rabiscos feitos na concepção do filme. Se sua consorte perguntar se você não é velho demais pra pegar no joystick, faça como eu e diga pra ela que isso é referência pra trabalho, porque os caras desenham pra carvalho.

Essa lengalenga serviu apenas para introduzir um belíssimo livro infantil digital baseado no novo game remerrenho “Prince of Persia”, ilustrado por Penny Arcade, que eu não descobri se é uma mulher, um cara, dois caras ou um estúdio. Nesse link oficial do game tem o livro grande o suficiente para maravilhar míopes e criançolas. Garanto que essas 8 páginas (link aqui, querido) são melhores que o game, que para esta carcaça cansada, ninguém bate o antiquissimo Principe da Pérsia pixel art que fazia você varar noites no computador da empresa.

Nada como ser nerd talentoso. Olhando o site de (do? dos? da?) Penny Arcade, você dá de cara um um material arregalante de quadrinhos e ilustrações, todos baseados em games. Da mesma forma que a Brianne Drouhard (essa fanzete de anime e mangá), são ilustradores que dão outro sentido à palavra nerd, eles são estilosos e não bitolados, criando uma interpretação própria de referências pra lá de manjadas e olhadas com desdém por gente que lê Sartre, vide as versões arcadianas de Assassins Creed e Dark Messiah, eta joguinho chato.


Esse mercado de ilustração para games não tem no Brasil, mas também hoje existe internet e passaporte. Se um dia esse mercado se abrir como uma flor nesse país, faremos cocô de tanta felicidade.

Revista Ilustrar 8

Mais um report que pago com juros e correção conscienciosa.

O Grande Pai Ricardo Antunes lançou no começo de janeiro a oitava edição da Revista Ilustrar, a melhor leitura que um ilustrador pode ter em sua prancheta além de um contrato firmando um trabalho gordurosamente bem pago. E como sempre digo, embora seja de graça (de graça, ouviram??? Seres que não lêem, não percam oportunidades na vida porque a afinidade com as palavras não lhes apetecem)

Nessa edição tem uma “Furia de Titãs”, uma espécie de mesa redonda com os grandes mestres da ilustração, cujas idades juntas passariam dos dois séculos de experiência. Tem entrevistas com o eterno fofo Benício, o mestre Gilberto Marchi, o lendáro Carlos Chagas, que fazia as capas da Mad, o venerado carioca Nilton Ramalho e grandioso Rui de Oliveira.

Tem também na seção ‘gente que fala outra língua’, uma entrevista com o Daniel Adel, um sujeito que admirava porque eu simplesmente dava risada só de ver suas ilustrações torrenciancialmente expressivas, dá pra perceber que o cara é gente boa só de ver as suas pinceladas.

Lula Molusca

Essa ilustração é para um projeto que fiz para um projeto do alucinado Marcelo Martinez, do Laboratório Secreto, que também participou comigo daquele hilário Nerdcast sobre ilustração. Quando sair do forno eu publico aqui.

Como adoro mulheres, monstros e o tema steampunk, por que não misturar os três numa maçaroca só?

Pós-Sketchcrawl

Já vai fazer um mês que aconteceu o Sketchcrawl Brasil, mas meu grilo falante interior impede que eu passe por isso sem deixar um registro para um futuro póstumo, por pura prevenção, pois ando numa maré de azar que parece que meu anjo da guarda está com TPM.

Esse é um sketch do Montalvo, o pai do Sketchcrawl, pra começar.

Pois bem, o pai do evento esperava no máximo 80 pessoinhas pra participar do Sketchcrawl em São Paulo. Vieram no mínimo 120 (!!) e tanta aglomeração de jovens e canetas quase causou uma síndrome do pânico do bem neste ser.

Foi o Sketchcrawl que mais gente reuniu no mundo, se não acredita aqui estão as palavras de Enrico Casarosa, o grande pai do evento, para firmar isso tudo. O que valia era participar, nem que fosse através do chamado “Bloco do Sketchcrawl Sozinho”, como fez Bruno Porto em Xangai e em vários outros países – não duvide que houve um Sketchcrawl Tuvalu.
A proposta é essa em todo o globo, desenhar, desenhar e desenhar. E também ajudar quem precisa, como muitos, mas não todos, fizeram trazendo mantimentos.
O Montalvo criou um Flickr só com desenhos e outros acepipes sketchcrawlianos, passa lá pra se inspirar a participar do segundo, que srá daqui a uns dois meses e meio, mais ou menos, com lugar a ser confirmado.

Saiu até no Caderno 2 do Estadão, sinal de que, se o Sketchcrawl fosse um cachorro, estaria começando com as quatro patas direitas.

E se você é daqueles que acha que perdeu o Sketchcrawl porque estava liso como azulejo e não tinha como vir pra São Paulo ou Rio, faz um na sua cidade, ué! Não tem que pagar nada, só juntar a galera no dia e mandar as fotos no Flickr, pra fazer bonito lá na terra do Homem-Obama.

Essa é a galera que arrasta o “S” , fazendo o Sketcrawl Rio de Janeiro, e o rabisco do Eldes, no Sketchcrawl São Carlos.


Essa é a cambada que se juntou no bar Genésio, cujo péssimo atendimento não chegou a aflorar nossos instintos mais primitivos. Entre uma batata frita e outra, veio uma imagem paranóica na minha cabeça: toda aquela moçada se debandando alegando o primeiro Pindura Ilustrado, e Montalvo tendo que lavar pratos até acabar sua energia vital, ou ter que dar meio quilo da sua própria carne, como em Mercador de Veneza. Felizmente todos tinham pai e mãe, receberam uma educação cristã e pagaram tudo direitinho.

Essa galera foi o Arrastão Ilustrado na Vila Madalena, cães e gatos fugiam assustados quando viam a multidão com cadernos e lápis em punho com registrando tudo o que viam, deixando leigos não rabiscadores intrigados nos barzinhos da Vila.


E estes, por sinal, são os rabiscos do meu sketchbook. Alguns deles, não a maioria, fiz durante o evento desenhante – na verdade só uma pequeníssima parte, porque esqueci de levar as canetinhas adequadas, mas ao contrário da moçada, que registrava o cenário a sua volta, eu desenho bobeirinhas pra preencher vazios.


Quando acontecer o próximo Sketchcrawl eu posto aqui.

Workshop com a Fernanda Guedes

Um pouco em cima da hora, mas ainda dá tempo de divulgar.
Fernanda Guedes, a ilustradora mais charmosa do Brasil, quiçá do mundo, e também minha amicíssima, estará dando um workshop amanhã, dia 22 de janeiro, às 19h no SESC Santo André di GRÁTIS!!!
Maiores informações aqui ou clica na imagem abaixo que ela fica grandona!

A nova exposição dela, “I Love the Night Life” foi feita toda com caçambas de canetinhas tipo Gel e Bic, e são muito, muito fashion.

Se você não sai desse workshop um melhor ilustrador, o que é muito difícil, pelo menos você vai sair mais chique não vai mais vestir saco de estopa com calça jeans.

Lembrando!!! Sketchcrawl Brasil amanhã!!!

Amigos e leitores, não se preocupem pois este blog está tentando se levantar como Rocky no último round. Mudanças causam isso, ainda escrevo este post no meio de tantas caixas que parece a cena final de Caçadores da Arca Perdida.

Mas tenho que dar uma pausa e conectar o computador de maneira canhestra apenas para lembrar que AMANHÃ (Sábado, 10/01/09) acontece o primeiro Sketchcrawl Brasil!!! Em São Paulo o encontro dos rabiscadores será no bar Genésio – Rua Fidalga 159, na Vila Madalena, a partir do meio dia, onde ficaremos correndo risco agé o final do dia. Tem que levar lápis e papel sim senhor.

Quem quiser contribuir, é só chegar lá, mas é bom dar uma de civilizado e confirmar sua presença através de email, através desse endereço:
Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br

E não esqueçam de levar uma comidinha não apodrecível para que possa ser doado para quem precisa, pois essa é a intenção do Sketchcrawl.

Em rede, já foram confirmados, Além do Sketchcrawl São Paulo, também em Florianópolis, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Goiânia, Fortaleza, Minas Gerais, e também qualquer outra cidade onde existam desenhadores querendo ajudar os outros desenhando na rua.

Mais informações no blog do Montalvo Machado, pai materno do Sketchcrawl!