Sketchcrawl Brasil, para os de coração bom e talento idem

Algum sujeito esperto deve ter dito que, se ninguém faz o que deve ser feito, e você acha que deve ser feito, então vai lá e faz, oras.
E não é que as coisas acontecem desse jeito? O Bistecão, o Guia do Ilustrador e a Parada Gay começaram assim.

Pois bem, já havia comentada há algum tempo neste humilde blog sobre o Sketchcrawl. Resumindo: Enrico Casarosa, junto com outros feras como Ronnie del Carmen, criaram o Sketchcrawl como uma forma de misturar desenho com caridade. Qualquer um que saiba desenhar um boizinho de chuchu pode participar, e vários esquemas envolvendo venda de desenhos, participações pessoais e doações transformam um dia de rabiscos em oferenda para ajudar quem precisa.

O esquema virou viral e o Sketchcrawl começou a estender além da terra do Elvis para aterrisar em outros países, transformando-se em SketchCrawl Global, Itália, Japão, Holanda, Alemanha, Taiwan, Austrália, Barcelona…e agora, graças aos esforços quixotescos do Montalvo, tcham, tcham…SketchCrawl Brasil!!
Sim, amiguinhos! Eu, que já namorava a idéia de viajar pra Nova York pra participar de uma maratona SketchCrawl (e de quebra fazer um networkzinho com os caras da Pixar), eis que posso economizar o dinheiro da passagem e fazer isso aqui em São Paulo!

A próxima empreitada do SketchCrawl, sincronizada com todos os países participantes, será no dia 10 de janeiro do ano que vem! Como disse antes, se você já desenha ou acredita que desenha, mesmo o tal do boizinho de chuchu, pode se inscrever e participar. E a idéia não é só ter em São Paulo, mas onde mais for possível, de Rio Branco a Farroupilha.
Aqui, pelo menos, será um dia inteirinho no papel e caneta, rabiscando e desenhando pra ajudar quem precisa. Quer coisa melhor do que fazer o que gosta e ajudar alguém? Se você acredita no Paraíso, vai estar pagando a primeira parcela no seu recanto das nuvens.

Quem quiser participar – e tem que participar – pode mandar um email em branco para o seguinte endereço:
Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br
que você estará intimado a comparecer com papel e caneta no dia, com o risco de levarem seu fígado ainda vivo se não comparecer. Eu estarei lá, somente uma amputação nos membros impediria esse intento.

Para saber muito mais, e de maneira mais séria, vai lá no blog do Montalvo que as informações são mais profusas. Mas à medida que as coisas vão andando, postarei mais sobre o SketchCrawl Brasil aqui.

Ainda não é o McDia Feliz, mas a gente chega lá.

Design gráfico e assalto à mão armada, ou símbolos para saber se sua casa dá mole pra bandido

Há algum tempo, quando postei sobre símbolos gráficos usados por pedófilos (cuspe, cuspe), o Alarcão havia comentado sobre símbolos que eram pichados no Rio de Janeiro como forma de aviso para outros malandros assaltarem a morada. Nessas, fiquei curioso e imaginando como seriam esses símbolos.

E eis que encontrei no UOL essa imagem. Hiro, o alarmista, ataca novamente e diz: “Tenha medo, tenha muito medo”, nhá! (pode clicar na imagem pra ela aumentar).
Mais uma vez o mal encontra o design gráfico. Encontrou um símbolo desses na sua casa? Fique à vontade pra ficar paranóico.

Por via das dúvidas, melhor passar um esfregão naquele picho apareceu no portão na madrugada de sábado.

É podre, é animado, e é japonês

Dica enviada pelo Kako, mostrando que apesar dos esforços do politicamente correto acobertar o mundo, ainda existem frentes rebeldes que tentam fazer humor usando o ridículo e o bizarro, ofendendo quem se sentir ofendido, mas fazendo rir gente do bem. Em tempos de crise, com o dólar a quase dois paus e meio, dar risada é como vizinha de calcinha na sua porta, é sempre benvindo.

Muita gente já deve conhecer a série japonesa Usavich, feita em 3D e com um humor pra lá de incorreto, feitos para a MTV da terra do lamen com porco, mas eu não! Dois coelhos, um panaca e outro quase autista com superforça, um pintinho travesti e um sapo-touro de calcinha vermelha, já dá pra dar alguma risada. A história se passa numa prisão russa e depois numa estrada também russa. E só. Espremer ao máximo o tema até sair a última gota de criatividade. Sem diálogos, o que acrescenta um ponto de qualidade, pois desenhos sem diálogos bons não é pra qualquer um, vide Tom e Jerry na década de 40.
Foi criada pela Kanaban Graphics desde 2006. E a musiquinha clássica que toca em quase todos episódios é de Bach, Cantata 147, também conhecida como Jesus, a Alegria dos Homens. Um título hoje meio infeliz, ora pois.
É a melhor podreira animada que o Japão pode oferecer, ao lado da Família Fuccon e do Hard Gay.

Como canto do cisne do lixo oriental, alguma alma castelhana postou alguns episódios cortados de uma animação chamada ‘Let’s Dance With Papa”, que é dificílimo de achar e passava no finado e fantabuloso canal Locomotion, que só passava caviar da animação (nunca mais Rex the Hunt nem Crapston Villa), até que a Sony comprou o canal e literalmente cagou em cima sem jogar terra transformando-o no canal Animax, canalzinho ruim que compete com o Golf Channel. É o fino do politicamente incorreto, pois mostra um viúvo e seus dois filhos e a maneira estúpida que ele educa os infantes, perfeito para aqueles que odeiam a paternidade.


O que esperar de um episódio chamado “El Cullo Valiente”?

Amo muito tudo isso de novo mais uma vez pela última vez

Oh meu Deus, o que vem acontecendo aqui? Com a crise global afundando todos os projetos regados a dólares e a não-dólares, novamente venho fazer meu jabásico, pois além de informar e trabalhar também preciso comer, e comer bem! Então propaganda minha aqui é perdoada pelo regente desse pedaço, ou seja, eu mesmo.

Essa é a terceira e última parte da saga da trilogia das lâminas de bandeja “Amo Muito Tudo Isso”. Acredito que como já começou Novembro há algum tempo, elas devam estar surgindo em algum lugar por aí, embora só tenha visto a primeirona, a amarela, desde o aeroporto em São Paulo até em Aracaju. Vai saber….

Novamente, quem encontrar a minha assinatura escondida vai ganhar uma…….palavra de apoio dita de maneira sincera!

Duas curiosidetes aqui:

A frase que o amigão aqui fala é o título deste desenho que já comentei aqui e também música de endurecer os mamilos de Edith Piaf.

E essa aqui foi uma comida de bola:

Uma prova em que sono e labuta não combinam. Era para ser uma das sequências dos números de Lost, mas devido aos meus olhos estarem cheio de ramela implorando para um pequeno descanso, errei. Era para ser 16:23, e não 16:33.

Stay Hungry Stay Foolish, ou como mudar a vida de alguém contando historinhas

Semana passada estava em Aracaju, novamente na Semana de Design da Universidade Tiradentes, e desta vez foi para dar uma oficina de criação de personagem publicitário para dezenas de alunos com excesso de interesse e carinho que fazem seu ego sentir que ele está numa sala de massagem tailandesa. De lambuja, trouxe uma amigdalite que me fez ficar sem voz e sem vontade de viver de tanta dor na garganta (deu vontade de pedir pra aeromoça um copo d’água e um revólver com bala; pegar avião com 41 de febre é uma experiência que você não quer nem pro Hugo Chavez).

No recesso expectorante, consegui encontrar esse vídeo sobre o famoso discurso que Steve Jobs fez em 2005 na formatura dos alunos da Universidade de Stanford. Eu queria há muito postar esse vídeo nesse blog, mas nunca encontrei legendado por inteiro, e sabe como são as coisas, nem todo mundo ainda entende “I scream, you scream for icecream” sem uma ajudinha.

Não importa se o carater de Jobs é duvidoso, o fato é que ele é uma pessoa influente, tanto quanto Bill Gates. E pessoas com um mínimo de influência exercem…influência!
E podem falar o que quiser, mas o texto desse discurso é maravilhoso. Pode parecer piegas – e é – mas ele está dentro de um contexto. E o contexto era para ser falado na frente de pessoas que estavam começando a vida profissional, estimulando-os com as experiências de alguém que eles respeitam. Afinal o sujeito que faz você gastar dinheiro com iPod todo ano e chorar de raiva por ter criado a Pixar tem seu mérito.

E por que estou postando isso? Por causa da Oficina que dei em Aracaju. Enviarei esse video para os alunos assistirem e se inspirarem. E também por assim explicar, a função das palestras e oficinas dadas por profissionais de quaisquer áreas tem uma grande função: estimular. Uma boa palestra ou oficina faz você ficar pensando no que ouviu, porque veio de alguém que tem um pouco mais de conhecimento que você.

Foi assim em Aracaju. No final, é fundamental contarmos histórias de nossas vidas no processo para entenderem que as coisas são possíveis, por mais pindaíba seja a situação em que você se encontra. Nem todos conseguem sair do buraco, menos ainda aqueles que saem dando a volta por cima, mas a pequeníssima parcela dos que o fazem também terão sua história como motivo de inspiração.

Aqui fica uma resposta para o Cássio, que pergunta quantas vezes eu falei sobre a história do repolho: foram 4 vezes (na mídia), mas falarei dessa história quantas vezes forem necessárias. Da mesma forma que contei na Oficina a história que eu cheguei a dormir debaixo da prancheta do estúdio porque não tinha dinheiro pra voltar pra casa, ou de uma outra palestra que contei que eu pegava carona com caminhão de lixo, que minha tia me expulsou da casa onde ela se ofereceu para me abrigar porque eu levei um cérebro e fiquei um tempo vagando com a minha vida nas minhas costas de casa em casa, morando de favor na casa de amigos que viraram ex-amigos depois disso ou da história em que eu comia misto quente feito no ferro elétrico.

Eu opto por usar o humor pra contar as histórias, pois o humor simpatiza, ele aproxima e marca tão bem quanto uma história triste, fora o lado que prefiro rir das tragédias. Mas em nenhum momento sou ingênuo ao ponto de pensar que a história do repolho ou as outras que eu conto são apenas para dar risada. Espero que elas sejam motivadoras, lembranças que farão aquele desenhista em começo de carreira que não tem apoio nem do cachorro da padaria e nem dinheiro pra comprar um bolo Pullman no seu próprio aniversário que as coisas não são fáceis pra ninguém, e se eu cheguei até aqui por teimosia e por amor ao que faço, ele também pode. Tudo bem que um ou outro só consiga ver o lado humorado da história, mas se isso acontece é porque ele não se identifica com a história, pois não passou por algo parecido, e de qualquer forma, isso não o inspiraria.

Da mesma forma que disse na oficina de Aracaju, que mesmo aparentemente numa posição confortável na minha carreira, amanhã tudo pode ruir como o hímen de uma noiva no dia do casamento e eu ter que começar do zero novamente. Por isso quando escuto o discurso do Jobs ele me estimula para que eu não perca o bom senso no volante da minha vida e da minha carreira, pois isso pode acontecer com qualquer um.

Repito o que eu disse lá na terrinha da Arara e do Caju: o fato de voce não morar em São Paulo ou no Rio não faz de você um profissional pior ou melhor, se você tiver um site decente, ninguém vê em primeira instância (no caso de ilustradores) qual é o CEP do seu estúdio. Garanto com a convicção de uma virgem que, com talento, postura e um certo networking – e acima de tudo, uma boa conexão de banda larga – posso contratar até um sujeito de Roraima se ele tiver o estilo certeiro pro meu trabalho. Se acomodar em autopiedade na carreira é o encostar do cano do revólver no portfólio.

Lambda Lambda Lambda, o Hiro no Nerdcast

Conheci o Nerdcast há alguns meses graças ao post sobre o Guilherme Briggs. Vários leitores perguntaram e indicaram o Nerdcast, que eu não conhecia. E para quem não conhece, saibam que é um dos melhores podcasts, senão o melhor, disponível na net, na humilde opinião deste ser. Desde então virei ouvinte e fã, fielmente baixados no iPod para a sessão semanal de desopilação de fígado e informação pop, um território sadio onde o Politicamente Correto ainda não baixou as garras.

Pois bem, há algumas semanas eu e o Marcelo Martinez fomos convidados pelo Alexandre Ottoni e Deive Pazos, também vulgarmente chamados de Jovem Nerd e Azaghâl, para uma entrevista sobre ilustração e ilustradores.

A partir da manhã desta sexta vocês poderão ouvir o resultado desta divertida conversa, regada a Twix e cerveja por parte de Martinez, através deste link, que os levará direto ao convescote digital.

Confesso que não faço a mínima idéia de como a conversa ficou, e espero que tenha ficado boa. Só saberei no sábado, pois estou postando direto de Aracaju numa conexão tão ruim que é preciso sacrificar um bode para enviar um documento de Word levinho. Mas, para quem conhece, sabe que o “mojo” final é dado pelo Jovem Nerd e Azaghâl com a edição de mãos de fada e ouvidos de lobo.

O Nerdcast tem o mérito de ser o único lugar em que, garanto de pés juntos e dentes separados, o Zé do Caixão faz você rir.

Infelizmente não teve a Portuguesa com sua risada alegre de lantejoula. Mesmo assim, foi uma experiência divertida, e confesso que senti honrado pelo convite, e garanto que, como nerd assumido, dou muito mais valor de ser entrevistado por eles, até por motivos de direcionamento de público e pertinência, do que ser entrevistado pelo Jô.

Revista Ilustrar 7

Depois de um rigorosíssimo mês de outubro siberiano, com apenas 8 posts (culpem o mercado imobiliário, não a mim), tenho a ousadia de anunciar o 7º volume da revista Ilustrar, que não custa nada lembrar, é de graça mas com um valor inestimável, gendrada pelo incansável Ricardo Antunes direto da terra do pastel de Belém.

Tem uma entrevista de arrancar a gengiva do maestríssimo argentino Carlos Nine, com um talento sobrenatural e um traço vigoroso como um tornado espivetado, uma entrevista com o Junior Lopes, um passo-a-passo olho-secante do Soud, uma lembrada do mestre Eugenio Colonnese, pai da Mirza, a Vampira, sketchbooks do próprio pai da revista, também chamado de Ricardo Antunes. e oh, que surpresa, tem uma seção com 15 perguntas feitas pra mim, o Hiro que não é o Nakamura.

Seu porco casa bem com meu boi, ou mais toalhinhas de bandeja que nunca foram para frente

As Olimpíadas já passaram, para felicidades daqueles que não suportam atividade física nem televisionada, e ainda mais quase ninguém fala o que aconteceu depois na China, e também já foram pro saco as toalhinhas que eu fiz para esse evento megalomaníaco.

Ninguém sabe, mas as toalhinhas de bandeja sobre esportes olímpicos com tema chinês não foi a primeira idéia a ser apresentada, mas antes tentei vender uma série de 12 lâminas (!!) com um infográfico de cada bicho do horóscopo chinês, suas combinações mais auspiciosas e os erros kármicos se relacionassem com animais não compatíveis, segundo esta serpente que vos digita.

A idéia era muito boa, pena que não foi pra frente.