Nem ouro nem mirra no Natal,

O Natal está chegando e por causa da economia rodopiante e vomitória que assusta a tudo e a todos que precisam de dinheiro para sobreviver, vulgarmente chamado de “todo mundo”, é provável que muitos recebam como presente natalino este ano um tapinha nas costas e uma passada de mão fraternal na bunda.

Mas para outros, receber um cartão de Natal pelo correio, embora seja algo antiquado, dá uma aquecida no coração como aperto de mão de moça bonita.

Esses são alguns cartões de Natal que eu fiz para uma entidade que ajuda crianças carentes chamada GAAC. Em breve posto os outros cartões, quando estiver no ar o link para adquirir essas pequeninas preciosidades.

O Shogun viu um disco voador

Eu não acredito em disco voadores, mas é fascinante a idéia de uma possibilidade de que isso possa ser verdade, da mesma forma que é fascinante a possibilidade da existência dos amigos imaginários ou da possibilidade de um dia você dar um beijo na Ana Hickmann. Mas também, em dias em que a economia mundial está quebradiça como cobertura de creme brulée, a última coisa com que você vai se questionar são com discos voadores.

Essa curiosa ilustração veio do período Edo ou Tokugawa do Japão, de 1603 a 1867.
Ao que parece, há 200 anos não uma, mas centenas de pessoas avistaram um barco muito estranho no mar – que foi chamado de “Utsuro-Bune“, ou barco assombrado. Dele saiu uma mulher que falava uma língua estranha e carregava uma caixa de madeira de forma muito possessiva.

Esse episódio foi retratado em diversos contos, relatos e novelas da época. Para quem lê na língua do Steven Seagal, eis uma explicação melhor do que aconteceu naquele dia.

Não aconteceu em Passo Fundo, mas é curioso assim mesmo.

O orgulho do semianalfabeto criado por decreto

A nova reforma ortográfica já entrou em vigor e oficialmente somos todos semianalfabetos, com exceção dos desprovidos de bainha de mielina no cérebro que só falam miguxo na internet, pois estes já eram semianalfabetos por opção puberiana.
Como eu também escrevo as toalhinhas de bandeja, além de desenhar, isso é um fato que incomoda, pois a sensação de estar fazendo algo errado assombra feito a loira do banheiro a cada linha que escrevo. Pelo menos existem os revisores, que de uma hora para outra se tornaram profissionais tão requisitados como motoristas de táxi em dia de chuva.
Mas não tem revisor pra este blog, então vai errado mesmo.

O problema, meus queridos, é que descobri que cachorro velho não aprende truque, e a questão da reforma ortográfica não é simplesmente “entender” as novas regras.

Tem uma questão estética. Coisa de design mesmo.

Olhem só essa imagem cândida, que eu gastei cinco minutos da minha vida que não voltam mais pra montar.
Isso é como eu entendo a ortografia normalmente, pelo menos até alguns meses atrás.:

E essa imagem abaixo, caros compatriotas confusos, é a maneira como enxergo as palavras com a nova reforma ortográfica:

Que dilema!

Ao mesmo passo que escrevo errado porque meu cérebro já se acostumou com a acentuação, se eu escrever correto com a nova reforma, esse mesmo cérebro pulsante vai dizer que “tem alguma coisa errado, tá faltando alguma coisa”.

Escrevo certo achando que está errado ou continuo escrevendo errado acreditando que está correto? Não importa, de qualquer forma seremos semianalfabetos. Ou errando escrevendo da maneira antiga ou com sua cabeça entrando em parafuso escrevendo correto.

Pelo menos os japoneses, poloneses, americanos e mais da metade do mundo saiu da clandestinidade alfabética, pois o W, K e o Y agora retornaram para a família das letras oficiais. Ou seja, meu sobrenome Kawahara, que possui duas letras fora-da-lei, podia ser considerado um sobrenome terrorista para a câmara de gás das letras (e New York então, seria o Bin Laden da ortografia, por isso aqui virou “Nova Iorque”?) . Foi o divino que não deixou que o tabelião decretasse meu sobrenome como CAUARRARA.

Sangue e óleo

Jake Parker é um ilustrador que gostou muito de “Carros” da Pixar, na minha opinião singela e artrópoda, o filme mais “maomeno” da Pixar, e que vai ter continuação (por que não fazem uma continuação de “Os Incríveis” ora pois?).

Ele passou momentos agradáveis consigo mesmo sem fazer sexo solitário imaginando como seria Lightning McQueen se fosse orgânico, na verdade é apenas um crânio sobre rodas. Um corte transversal para exemplificar a dissecação mecânica.

Uma porrada com um caminhão cegonha e seria tripa e suco gástrico para todo lado.

Falando em Pixar, o próximo filme deles, “Up”, nos remete à cândida lembrança daquele padre que foi procurar o criador de uma maneira e o encontrou de outra.

Amo muito de novo mais uma vez

Como virou o mês também deve entrar nas lojas mais uma lâmina de bandeja.

Oh, mais um jabá, puxa vida.


Os mais observadores irão perceber de onde foi que eu tirei a inspiração para fazer a capa da revista Publish.
E podem clicar que ela cresce que nem planta com água.

E a partir de agora vou colocar onde coloquei minha assinatura ampliada da LAMINA ANTERIOR, senão perde a graça entregar o ouro logo de cara.

A do mês passado, que coisa mais microbiana de pequena:

Continua Proibido Para Maiores

Mais um jabásico, momento “fuieuquemfiz” pra massagear o coração minúsculo deste ser.

Fiz a capa da segunda versão do Proibido Para Maiores, chamada “Continua Proibido Para Maiores“, editada pelo grande chapa Paulo Tadeu, da Editora Matrix. O primeiro vendeu muito bem, obrigado, o que o motivou de maneira quase irrecusável de fazer uma continuação.

É um livro para crianças mais pitocas, sessão família em forma de papel e tinta. Em média 16 reais nas boas casas do ramo.

Livros que eu não recomendo – parte 1

Sempre dou dicas de livros que acho em minha humilde opinião que são cocadinhas para a mente e para os olhos, pois vivo sem água mas não sem algo encadernado para ler.

Porém vou dar uma dica, também na humilde opinião deste vivente, de livros que não servem nem como descanso de panela mas que, da mesma forma que namorado canalha, tinham cara promissora na hora da compra.

Tem esse livro, que pelamordedeus, não sejam atraídos pela capa bonitinha e nem pelo CD que vem junto.

Pattern Pallete é uma série que você encontra em algumas livrarias, e não é barato. Custam em média 77 reais, preço de um almoço com sobremesa e Coca-Cola farta no Ráscal, o que seria um dinheiro melhor gasto.

Estava com um trabalho extenso vetorial onde precisava de muitos patterns vetoriais, que é um alicate no testículo para serem criados do nada e ainda saírem bem feitos. E esse livro parecia ter sido obra de um anjo que faz design gráfico naquele momento. Oras, você vê um livro que se chama “Pattern Pallete”, recheado de patterns vetoriais, e ainda com um CD que se diz interativo, o que você imagina? Que os patterns viessem inclusos para serem trabalhados.

Mas que nada, no CD só tem um programinha mequetrefe que troca as cores de tudo o que está no livro, e ainda só com uma paleta RGB daquelas bem ardidas de tão fluorescentes.

Aí você olha de novo pro CD e percebe tardiamente que o significado de “interativo” desse livro se aproxima daquelas meninas que dançam agarradas no poleiro: só pode olhar, se quiser pegar e mexer nos arquivos vai passar vontade.

No final são 77 reais de um amontoado de combinações de cores, coisa que tinham seu valor há 18 anos atrás – eu mesmo tinha um monte desses livros no começo da minha carreira – mas que com o maravilhoso mundo do computador isso se tornou útil como um bambolê pro Stephen Hawking.

Como dizem os caras do Mentes Ociosas: não presta!

Perigo! Perigo! Perigo!

Minha paranóia entrou em alerta vermelho, da mesma cor da minha sensação de impotência.

Recebi esta manhã um pacote de Sedex.

Como recebo vários pacotes por semana, por ato mecânico, recebi e assinei o recibo.

Para minha surpresa, dentro do pacote haviam apenas pedaços de papelão, nada mais. Olho para a embalagem do embrulho, e não existe remetente. Somente um carimbo com o adesivo Sedex.

Meu instinto animal entra em pânico, pois sinto meu território de segurança ser invadido por um elemento estranho, mesmo que ele seja feito de papel.

Entro no site dos Correios e digito o código de barras do adesivo. Orapois, o carteiro e a kombi que vieram entregar o pacote realmente eram dos Correios, menos mal, e pelo menos consigo ver o registro. Mas nada, no site só tem a data da postagem, e o acompanhamento do pedido. A tal hora ele saiu de Cotia, a tal hora chegou em Santo André, a que hora em que foi encaminhado…..e aí bateu um medaço, pois assim que eu assinei o comprovante de entrega, era questão de algumas horas poara que a informação “produto entregue” constasse no acompanhamento do site, comprovando para quem emitiu esse pacote abismal de que REALMENTE eu morava no endereço que ele postou.

Seria um lapso de um fã que esqueceu de colocar o seu bem mais valioso para mim?
Seria o lapso de um funcionário que esqueceu de colocar um produto grátis para minha avaliação?

Não, na minha mente que se parece com a do Calvin em momentos de frustração e stress, só me vem à cabeça que alguém postou esse pacote com as piores intenções.

No máximo algum desafeto meu enviou um despacho de macumba no forma de papelão por Sedex.

De qualquer forma, aí vem a frustração.

Estive nos Correios e eles não tem como me passar a informação de quem foi o remetente, simplesmente porque a agência que emitiu o pacote errou de maneira crassa um pacote sem identificação. O máximo que pude fazer foi uma reclamação, não antes de ter vomitado para a atendente que daquele momento em diante estaria responsabilizando os Correios por qualquer coisa que viesse a acontecer por esse erro.

Segundo, tentei fazer um BO pra me garantir, mas olhem só, a delegacia aqui perto de casa tá em greve, então BO só eletrônico.

Entrei no site para fazer o BO, e vejam só, não tem opção para “ameaças subjetivas para sujeitos paranóicos”. Sem BO também.

Então nada me resta senão comprar um estilingue na Bayard, passar banha de porco nas grades da cerca da minha casa e puxar os lábios do Bisteca com durex pra ele parecer mais feroz.

Espero que seja só minha paranóia neurótica por segurança (mas como disse antes, tenho motivos pois meu território seguro foi invadido por algo funesto), mas torno pública a frustração e o registro do “evento estranho” pois o cidadão comum, vulgo eu, fica de mãos atadas num momento de indefinição de estabilidade vitalícia.