Bistecão na Trip

Salvem os amantes das coisas que enchem o coração de desenhistas de alegria: colesterol e desenhar!

No último Bistecão, reduto onde se dividem proteínas animais do tamanho de uma lanterna de Fusca e cadernos ávidos por desenhos, apareceu o pessoal da revista Trip pra fazer uma matéria.

O resultado, embora pequeno, pode ser visto nesse filminho de curtíssima metragem. Mas tem um pouco de tudo: Kako, mentor e pai do Bistecão, Montalvo, Domingos Takeshita, eu, canetas e porco fatiado.

CS4 vem aí

[img:illustratorcs4.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Lacrimejam as contas bancárias. A Adobe anunciou ontem o lançamento da versão CS4 dos seus caros e produtivos programas que fazem coisas bonitas. Os micreiros já começaram a coçar as mãos para ter um exemplar beta ou alfa – é impressionante como eles se apegam à ferramenta sem nem conhecer de forma suficiente a versão anterior ou antes disso, talvez na vã esperança de ter nesta versão um botão pra fazer logotipos automaticamente ou um filtro pra aumentar o talento.
Eu pessoalmente só conheci UM sujeito que sabia mexer tudo de Photoshop, e ele trabalhava como manipulador de imagens na Burti, e também não era humano, pois eu o encontrava lá a qualquer hora do dia na mesma posição sentado, fosse uma da tarde, oito da manhã ou quatro da madrugada, e manipulava teclados e cliques de mouse com uma rapidez que parecia que estava tocando um piano. Pessoalmente, não sei porque e bate feliz, eu só uso a versão CS3 do Photoshop, enquanto o Illustrator só consigo trabalhar na versão CS2.

Enquanto os acepipes digitais não chegam, coisa pro final do ano, tem duas coisas que me chamaram a atenção nas novas versões, coisas que valem a pena gastar um dinheirinho – ou dinheirão – nesses upgrades.

No Illustrator, vai ser possível controlar as transparências das cores dos gradientes separadamente, coisa que faz uma falta danada quando tenho que simular brilho e luz em vetor.

E no Photoshop, além de pintar modelos 3D diretamente, o canvas pode agora ser rotacionado e desenhar de acordo com o melhor ângulo que seu punho pedir – coisa que o Painter já faz um tempão mas que fazia uma falta no Photoshop.
A fórmula do sucesso é fazer upgrades superultranecessários de forma homeopática.

Pra saber a intimidade de tudo que é novo, eis o link das entranhas o Photoshop e do Illustrator.

Kripta, aquilo sim é que era revista (e mais uma puxação de saco de Alex Toth)

Hoje em dia a moçadinha que começa a desenhar, e também aqueles que já estão rodando na estrada há algum tempo, em sua maioria tem duas referências principais: mangás e quadrinhos de super-heróis.

Eu também tive minha fase de adoração por esses dois estilos, comprei Dragon Ball quando saia na Shonen Jump, pra ver como isso é velho. Embora lesse à exaustão, nunca usei isso como referência de desenho. Ou em outras palavras, jamais pensei em desenhar mocinhas de olhos gigantes e homens de peitorais também gigantes.

Tampouco eram as historinhas da Mônica e Cebolinha, outra grande inspiração para aspirantes a desenhistas (eu até pensei em escrever algo sobre a conversão pseudomangá que fizeram deles, novamente devorados por essa praga chamada “politicamente correto”, que vai matando o humor na sua forma mais pura, mas o Fábio Yabu, criador dos Combo Rangers e Princesas do Mar, a quem estou devendo um post aqui, já escreveu tudo o que tinha que ser escrito sobre isso em seu blog, leiam, leiam.

Minha inspiração desde criança veio de 3 fontes: UltraSeven, a revista Mad e a revista Kripta.

Os que tem mais de 35 se lembram muito bem dessa revista. Foi a revista mais caralhosa, mas inteligente e mais variada em estilos e histórias de terror e ficção. As histórias eram muito bem boladas e os ilustradores eram geniais, tudo lençol egípcio de primeira qualidade. Eu era daqueles moleques que contavam nas moedas o dinheiro pra comprar a Kripta e montava tocaia nas bancas de jornal esperando chegar o exemplar de Kripta do mês.

Durou só 60 exemplares, e como naquela época não tinha internet, a Rio Gráfica Editora fez uma gambiarra no final dizendo que a Kripta iria passar por uma mutação e passou a se chamar Terceira Geração, uma bosta no formato impresso e que de Kripta não tinha nada. Mas a gente não sabia que a revista original nos EUA havia acabado (Eerie e Creepie). Se fizeram isso é porque a revista vendia bem.

Alguma editora de coração bondoso, o que é difícil, poderia comprar os direitos e republicar as histórias, que eram sementes de filmes de terror de qualidade. E é impressionante como não se acha quase nada na internet.

Para os saudosistas e viciados em naftalina, encontrei um site com TODAS as 60 capas da revista. Vale a pena relembrar a época em que tudo era feito na raça e no nanquim.

Naquela época era analfabeto visual, mas sabia que gostava dos traços da maioria dos desenhistas, somados roteiros de arrepiar os mamilos.
Tinha o argentino Leo Duranona, que na época achava o traço meio sujo, mas hoje acho magnífico, que fez a série “Viajantes do Horizonte” – que por um lado tinha um episódio magnífico de um enxame de criaturas cegas saindo do subsolo pra atacar o que restou da civilização, teve um final muito muito broxante, daquelas soluções tipo “Deus Ex Machina”, que se você não sabe o que significa isso, tem na Wikipédia)
duranona
Tinha a série do Dr. Archaeus, desenhada pelo Isidro Mones, que lembrava um pouco o Abominável Dr. Phibes, que contava a história de um ex-enforcado, que tinha o rosto inclinado como o George Clooney, que matava os jurados que o condenaram seguindo uma canção de Natal, que é a mesma canção usada por Carl Barks em uma genial história do Pato Donald, que havia hipnotizado Tio Patinhas para ganhar um monte de presentes, mas tudo ia pra um cachorro (lembram? “Dez perdizes numa pereira, oito tocadores de gaita de foles, e assim vai).
Archaeus

Tinha a série “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, tão bem escrita que mereceria uma versão romanceada, desenhada pelo José Ortiz. Minha memória não se lembra de quanto tenho que pagar de imposto, mas lembro muito bem da cena final do episódio “A Fome”, a dos soldados de Napoleão no inverno russo e do Gaston levando o amigo em pedaços no saco como marmita pra matar a fome no longo caminho de volta pra casa.
ortiz
Adorava as histórias desenhadas por Berni Wrightson, especialmente “Ar Frio”, do conto de H. P. Lovecraft, do cara que estavam morto e só se mantinha inteiro por causa do apartamento gelado., pois essa história lembrava muito uma agência gélida (no ambiente físico e no ambiente social) que eu trabalhei.
arfrio
Tinha uma história genial, que eu não me lembro quem desenhou ou escreveu, de uma plataforma de petróleo no meio do gelo que era invadida por vampiro, lembrando um pouco a história “30 dias de noite”.

No final, tudo isso é pra puxar esse segmento pra falar do meu favorito: Alex Toth. Esse cara era porreta, era, desculpe o palavreado, fudido ao extremo. E quando descobri que tinha mão dele em Space Ghost, ah, aí ele tinha dado um passo para o nível “divindade” dos ilustradores.
Ele fez três histórias muito muito geniais: Kui, sobre um casal que entra numa pirâmide peruana e morre soterrado por rios de areia, em três pagininhas safadas de boas; “Papai e o Pi”, sobre um alienígena bonzinho que se chamava 3,1415 e foi o precursor do E.T, e uma outra que não me lembro o nome, de um avião do correio que era seguido por um disco voador.

Vi no blog Drawn que foi criado uma galeria para Alex Toth, recheado com sketches. Olhem, olhem, como pode um homem desenhar coisas tão másculas e elegante ao mesmo tempo? Oras, ele foi o Sean Connery dos ilustradores (não ele fisicamente, ó boiola, mas o seu traço). Podem clicar na imagem que ela aumenta de tamanho, é nos detalhes que mora o diabo.
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O traço refinado e hoje ainda é atual. Trabalhou um tempão na Hannah Barbera fazendo os desenhos (Shazam, Laboratório Submarino, Cavalaeros da Arábia, Space Ghost, afe) que formaram o caráter de quem tem mais de 40 e da maioria dos nerds e ilustradores, ou seja, é um patrono da cultura pop. E morreu em 2006, em cima da prancheta.
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Um Groo na minha parede

Tem gente que gosta de gastar os fruto do seu trabalho, também vulgarmente chamado de dinheiro, com carros rígidos e pulsantes, outros com vinhos com nomes de óperas italianas, e outros com lipoaspiração. Eu uso os poderes mágicos do cartão de crédito com videogames, livros e, minha derrota, com desenhos e artes de outros ilustradores, daqui e de outros países.
E este aqui chegou ontem. Um pacote para endurecer os mamilos ao ser aberto.

Sim, sim amiguinhos. Um sketch original do Groo, o Bárbaro, desenhado pelo próprio pai e meu mentor de início de carreira sem consciência, Sérgio Aragonés. Já é público que Aragonés, Hirschfeld, Al Jaffe, foram alguns dos fodaços que me inspiraram a desenhar.

Essa coisa de desenhar miudinho, cheio de detalhes, que durante um tempo viraram características das lâminas de bandeja, foi inspiração por Aragonés.

Consegui essa margavilha em uma loja que só vende sketchbooks, artes originais e livros de arte, a Stuart Ng Books, que eu já mencionei nesse blog. Ali é um buraco negro para um cartão de crédito, pois tem dezenas, dezenas e dezenas de livros que você fica com coceira nos dedos pra comprar. Todos os sketchbooks são autografados. Quando vi que esse sketch do Groo estava sendo vendido ali apenas por 60 doletas, o espírito de Gollum desceu de cabeça. Eu precciiiisoo, disse pra mim mesmo. Terei errado?

Ali ainda tem dois esboços do Pato Donald e sobrinhos originais do Carl Barks, cada um custando 500 doletas. Dá vontade de se prostituir para conseguir um deles.

Olhando para o sketch do Groo, você vê que ele foi dedicado para outra pessoa, em 1986 (pra quem não sabe, Aragonés ainda está vivo e ativo, ainda ilustrando para a revista Mad, entre outras).

Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje

Nagi Noda era uma diretora japonesa que virou o caramelo do frapê com um estilo muito peculiar, original e bem gráfico. Muita gente deve ter conhecido o trabalho dela sem saber seu nome, principalmente por causa deste filme da Coca-Cola chamado “What Goes Around Comes Around”.

Se não me engano, e que piranhas endividadas invadam meu estúdio se estiver errado, esse foi um dos clipes que ela dirigiu que fez com seu talento saisse da terrinha do udon:

Além de diretora de clipes e de filmes de propaganda, também era designer gráfica e estilista.
Pois é, a menina só tinha 34 anos e morreu há algumas semanas, no dia 7, parece que por causa de complicações de um acidente de carro que sofreu no ano passado. Já rolam histórias que ela morreu elegante e com estilo, vestindo um Mark Rayden pretinho e botas Chanel.

A prima do Puro Osso não avisa quando chega.

Entrevista na Publish

Fiz essa ilustração para a capa da próxima revista Publish, que deve estar nas bancas logo, logo, feita no Painter X com aquarela digital.

Lá tem uma entrevista minha bem legal, bem grande e bem cuidada. Do jeito que vai acho que preciso fazer uma história em quadrinhos do começo da minha carreira

Amo de novo muito tudo isso

Toalhinha de bandeja nova, com um tema não muito fértil mas com intenção institucional em peso. Quando o McDonald’s mudou a orientação de comunicação para todo o planeta há uns 6 anos, usou o tema “I’m Loving It”, que aqui virou “Amo Muito Tudo Isso” para representar a marca. Naquela época foi feita uma lâmina de bandeja com o tema, vejam só, “Amo Muito Tudo Isso”.

Alguns anos se passaram e o tema voltou, e dessa vez em bando. Essa é a primeira, as outras duas eu libero quando elas também foram saindo nas lojas. Dessa vez, essa lâmina de bandeja também expandiu os limites geográficos e também está sendo postada debaixo dos sanduíches dos McDonald’s da Argentina.

(Podem clicar na imagem que ela aumenta de tamanho).
Reparem no indefectível Homem Maravilhoso no seu momento de glória sendo visto por 12 milhões de pessoas.

E a assinatura como sempre, discreta como peido de princesa, escondida em algum lugar no meio dela.

Subi no muro do quintal e vi uma coisa que não é normal

Meninas, venham brincar com a aranha cabeluda! Seres com aracnofobia, eis sua terapia de choque.
Quando era jovem com cabelo e fazia a faculdade de Biologia, por pura distração levei uma picada de uma caranguejeira no dedo, e a sensação é de dois pregos quentes entrando no osso, inchaço e dor pulsante que faz você chorar como menina atropelada. Pior que a mordida, são os pelinhos da bunda que a maldita solta no ar quando fica acuada. Ai se um desses pelinhos entra no olho…

Play With Spider é um projeto experimental que simula fielmente os movimentos de uma aranha. E a aranha é customizável, você pode aumentar o tamanho, a velocidade, a gordura, para o asco de quem não consegue ver uma peluda com patas na sua frente. Se você arrastá-la pelas perninhas vai ter a sensação de que ela tá na sua frente mesmo. Deixe rolando no seu desktop para que reações de nojo e repulsa invadam o escritório. Mas nojo pra quê, a aranha é um bicho útil e relativamente limpo.

Fazer, refazer, desfazer para fazer de novo só dá merda.

Michael Jackson fez 50 anos há pouco tempo, e a cada ano ele deve ter mais vontade de voltar a ser criança ou de voltar no tempo pra desfazer o acidente de carro que virou seu rosto.

Essa imagem é como seria o Michael Jackson se ele tivesse seguido o plano original. Pelos poderes do Photoshop, até que ele seria um tipo simpático e bem-apessoado, quase a ser um Morgan Freeman da vida, daqueles sujeitos que dão vontade de pagar um café pra bater um papo furado.

O que tem a ver Michael Jackson com ilustração? Na verdade nada, tirando a desculpa tosca do uso do Photoshop. Mas tem a ver com publicidade e como anda a situação corda-bamba entre cliente e agência. Ilustradores que trabalham para o mercado publicitário, como eu, sabem que a cada dia que passa as pessoas, em ambos os lados da tabela, ficam mais politicamente corretas, mais burocratizadas e por que não, mas burras.

Esse filminho já conhecia há algum tempo, mas acho que muita gente não conhece:

Pode parecer exagerado, e é, mas o triste é que era MENOS exagerado há alguns anos atrás, e hoje vai ser ainda menos exagerado comparando daqui a dois ou três anos.

Agora, troque a placa “STOP” pelo rosto original do Michael Jackson, onde o próprio Michael Jackson é o cliente e o médico é o atendimento.

Tchamtcham.

Poder e riqueza não significam nada para aqueles que tem o livro do Ratatouille ao lado da cama.

Nada circula tanto a economia nacional do que um nerd com dinheiro. Eles são capazes de comprar tudo relacionado a algum tema que tenha sua tara, em sua grande maioria Star Wars ou Star Trek.

Também não existe ser mais frustrado e desejoso por coisas que um nerd sem dinheiro. Este só não rouba pra conseguir o que quer porque deve calcular as consequências de seus atos a todo momento, somado com uma falta de complexidade física para tanto.

No entanto, existem aqueles que dividem o pão com linguiça que possuem. Teo Yih Chie, um americano coreano que se autodenomina Parka é um nerd com dinheiro. Seu prazer não é gastar com garotas que dançam no mastro ou comprar toda coleção anual da Hustler, incluindo as edições especiais. Ele gasta dinheiro com algo que também gasto – livros do tipo “The Art of”, que mostram sketches, conceitos e desenvolvimentos de cenários e personagens de filmes de animação, vide o último post das minhas últimas regalias. Só que ele extrapola, sua carteira tem molho de pimenta que pede para ser aliviada toda vez que sai um livro novo. O maldito tem quase tudo o que sai lá nos Estados Unidos.

Em seu blog ele faz resenhas de todos os livros que ele compra, o que é ótimo para quem tá pensando em comprar um determinado livro e tá na dúvida, já que para esse garoto, dúvida é uma palavra que não consta em seu dicionário pessoal. Ele também compra uma caralhada de livros de arte de animês como Evangelion e os filmes de Hayao Miyazaki. Issa!

Para aqueles que não foram abençoados pela fada das finanças, ele dá uma colher de chá e coloca muitas páginas de cada livro. Não todas, porque ele não é maluco de cutucar a fera do copyright. Não é a mesma coisa que ter o livro nas mãos, pois cada livro tem uma edição primorosa e o cheiro de livro novo equivale ao cheiro de carro novo para alguns, incluindo eu.

De repente deu uma vontade de comprar o livro do Hellboy 2…

Revista Ilustrar 6

Saiu do forno a nova edição do filhote de Ricardo Antunes, a Revista Ilustrar nº 6, avisando como sempre que é de graça para download, não custa nada (realmente as pessoas não lêem nem duas linhas de aviso, pois o que escreve de gente perguntando onde compra até parece trote), e mesmo sendo gratuito tem um valor inestimável.

Como sempre a seleção é impecável como as carnes de uma churrascaria de cem reais por cabeça.

A capa é do meu chapa de coração, o Kako, que inclusive faz uma referência a esta pessoa de humildes posses que escreve para vós. De tanto falar dele aqui nesse blog até parece jabá, mas ele merece duas vezes dobrado e recomendado.

A arte de David Downton, ilustrador de moda, que mostra que saber desenhar rostos e corpos também é deveria ser uma habilidade benvinda para aqueles que desenham trajes glamourosos, não precisa ser um Ésper no assunto. Seus rostos são tão elegantes quanto as roupas que ele ilustra.

O Leo Gibran já é conhecido lá no Bistecão. Seus sketchbooks são tão, tão legais que dá vontade de subtraí-los de seu poder sem sentir culpa, são como livros que saem do punho desse cara. Se você não baba nesses desenhos é porque a amargura chegou ao seu coração e transformou em piche e leite estragado.

Furia é um tratador de imagens, profissão tão mal divulgada e quiçá mal valorizada, mas que é superultra necessária (vide as pelancudas que aparecem sedosas nas revistas masculinas e as comidas altamente maquiadas das embalagens), e confesso que é o tipo de trabalho que ter saco de gorotex é um pré-requisito, de tão detalhado e trabalhoso.

Por fim tem o Amigo da Onça, do Péricles, numa época em que não existia HD, mas sobrava humor porque não existia essa maldita onda do politicamente correto, que ouso dizer que é a censura dos novos tempos, pois mata o humor e criatividade com a justificativa de ser correto com tudo e com todos, e meu amigo, se você já viu um cara que se propõe a ser legal com tudo e com todos com certeza ele deve ser chato pracachete.

Entrevista Offline

Vamos supor que você seja fã da Nina Simone, que São Pedro a tenha, e um amigo seu, sem saber quem ela é, pede para que ela cante parabéns a você no seu aniversário. E ela topa.
Você teria essa sequência de emoções ao saber disso: 1º surpresa fulminante; 2º negação da realidade; 3º felicidade escorchante e 4º vergonha alheia, por terem pedido isso pra você.

Sim amiguinhos, imagine a descarga elétrica na cabeça e no coração quando vi isso.

Benício, que se fosse uma estrela seria da cor azul, fez um desenho deste ser que tenta ao máximo ser humilde nesses momentos.
Imagine o que é seu ídolo, aquele que você ficava olhando nos detalhes das coxas da Sonia Braga no cartaz de Dona Flor e Seus Dois Maridos e nos detalhes dos cartazes dos filmes dos Trapalhões, fazer um desenho de você.

Lagriminha.

A autora dessa proeza, que já disse a ela ser abençoada por uma relativa ignorância nesse ramo por ter pedido isso a ele associada por uma maravilhosa cara de pau, foi a Juliana Cavaçana, gente finíssima.

Dei uma entrevista pra Revista Offline, onde ela trabalha. É uma revista gratuita, muito bem feita, dirigida para o público universitário. Quem quiser, pode ler a entrevista no site da Offline.

Não bastasse isso, ainda tem também uma dedicatória ilustrativa da minha querida Fernanda Guedes, outra admirada que virou admirante.

Essa ilustração, se não me engano, ela fez toda com caneta esferográfica.

Também fiz essa mini-lâmina de bandeja maldita, com um tema que jamais seria aprovada para forrar as mesinhas do McDonald’s.

No final, só posso dizer obrigado pra Ju pro pessoal da revista. Esse é o tipo de homenagem que eu esperaria receber, se é que receberia, somente aos 60 anos, quando já dá pra fazer uma retrospectiva na minha carreira.

Pro Benício e pra Fernanda, obrigado de novo.

Scott C é um cara batuta

A gente tem umas neuras meio estranhas. Uma delas é achar que todo mundo que tem um pouco de visibilidade tende a ser um poço de arrogância, que garras de adamantium te cortam ao meio se tentar em contato com esse pessoal. Pode até ser que isso aconteça com os habitantes de Ilha de Caras, com seus diamantes que cortam vidros e corações de fãs, mas sempre esqueço que entre ilustradores isso foge à regra (quero dizer, quaase sempre foge à regra).

Semana passada tive o prazer de conhecer virtualmente o multi-humorado Scott C, de que já falei há dois posts atrás que sou fãzaço, daqueles viram Carmem Miranda se ele passar na frente e desejar um autógrafo a qualquer custo.

Por um agradável conchavo do destino – e quem conhece sabe que “Nada É Por Acaso e Não Existem Coincidências” são meus lemas, recebi um trabalho de fora do Brasil e que tinha muito a ver com Scott C, o que me obrigou a entrar em contato com ele para saber algumas informações.
Tudo bem, nada com luzes e fogos de artifício, foram várias trocas de e-mails, mas foram os e-mails mais agradáveis que recebi neste mês, contrastando com a aridez social da minha vida por causa do isolamento do trabalho.

Scott C é muito humilde, muito engraçado e muito normal! E ainda desenha pracaray! Poderia eu ser um terrorista especializado em dizimar ilustradores alto-astral, mas ele deu abertura para uma conversa mediada pelo Outlook sem saber quem eu era. Logicamente ainda não é o nível de dizer, como alguns viajantes de maionese fariam, que ele virou meu amigo, longe disso. Mas vou cobrar dele a revista Flight com seu autógrafo na próxima Comic-Con (pensamento positivo no máximo, pois eu vou sim) com prioridade número 1.

Dizem que quem morre por 7 minutos traz coisa ruim do outro lado

Atirem-me pedras e fezes de macaco envelhecidas, pois mês passado, o mês de agosto, foi o pior mês para este infeliz blog. Míseros quatro posts que fizeram pensar que aconteceu um mal súbito, ou no blog ou no proprietário, que poderia acarretar o fim de todas as coisas, pelo menos no nível particular.

Em suma: quem controla o tempo é o outro Hiro. Este ainda depende dos ponteiros do relógio para ser um cidadão útil para a sociedade. Em alguns meses poderei mostrar o que me fez trocar as madrugadas que passava apertando teclas para este blog, coisa de aristocrata.

Roguemos para a Poderosa Isis que este mês eu seja abençoado por algumas horas de folga.