Argônio no banheiro, pois sou um nerd útil para a sociedade

Por uma ironia do destino, depois que virei autônomo tenho tido MENOS tempo de ver TV. Ainda assim dá tempo de assistir alguns seriados, mas para isso tenho que ajustar o alarme do computador pra não perder a hora.
Lost e House são os que você assiste distribuindo ameaças do tipo “quem puxar conversa agora vai ter fratura exposta”. E também tô viciado em “Ugly Betty”, “Pushing Daisies” e “The Big Bang Theory”.
Esse último é bobinho, mas seiláporque dou risada aos montes, talvez por causa dos diálogos nerds. De qualquer forma, no seriado os caras têm uma cortina de chuveiro com a Tabela Periódica dos Elementos estampada, e eu fiquei fissurado em ter uma! Tem gente que torce o nariz, mas pra quem entendeu um pouco de química no colégio, essa tabela é linda! É matematicamente perfeita, pois os elementos não estão jogadas lá à toa, seguem vários critérios de classificação e possuem dezenas de informações em vários níveis. É como se fosse uma mandala budista feita de macarrão de letrinhas.

Pois bem, não é que tem pra vender? 29 doletas na Amazon. Como se não tiver uma vou urinar na cama, ela vai vir junto com uma leva de livros que tá vindo no mês que vem. Como é bela a fada do cartão de crédito.

Nas últimas semanas comecei a ficar incomodado depois de fazer um teste da Veja pra saber se você é nerd, com ajuda da minha esposa. Respondi “sim” a todas questões que me rotulavam como um, o que me deixou irritado e preocupado, pois sempre associei a figura do nerd ao sujeito que fica mais excitado com equações do que com a Eva Longoria, aquele que sabe explicar o teorema de Fermat mas não sabe pedir uma caneta emprestado de uma garota.
Mas comecei a curtir o Big Bang Theory, e toda vez que o Sheldon aparecia eu falava “putz, eu era que nem esse cara”, da mesma forma quando o Hiro de Heroes aparecia e dizia “putz, eu era que nem esse cara”!Semanas depois, quando fiz o post sobre o Guilherme Briggs, várias pessoas falaram pra acessar o podcast do Jovem Nerd. Nunca fui fã de podcast e entulhar o HD de conversa fiada, mas esse podcast vale a pena. Dou risada de madrugada ouvindo os caras falando das mesmas coisas que eu curto feito criança mimada (detalhe, os caras foram alunos meu amigo ilustrador Marcelo Martinez), e a conclusão caiu na semana passada feito um porco caindo do décimo andar: “Meu Deus, eu AINDA sou nerd!”. Que nem gay enrustido que sai do armário.

Tudo bem, não sou mais um Harry Potter sem poderes que leva caldo (na escola eu era o nerd violento, tipo “bully”, que gostava de bater em nerds mais fracos pra roubar dinheiro de lanche e jogar giz esfarelado dentro dos cofrinhos das meninas.), nem o sujeito seboso que vende gibi nos Simpsons, hoje tenho muito mais eloquência pra conversar em público e virei mais seletivo depois que dispensei Dragon Ball da minha vida, mas ainda é um nerd conservado em barril de carvalho. Mas ainda tenho minha capa de chuva do Mulder no armário, mas não mais o moletom azul de oficial de ciências da Enterprise, que ficou perdido em alguma república nojenta.

Ser nerd hoje em dia é bom, só ajuda muito no meu trabalho que eu faço de consultoria de produtos infantis que eu faço paralelamente à ilustração. E hoje também começo a defender a seguinte premissa: grandes empresas que trabalham com produtos infantis deveriam ter gerentes de marketing ou novos produtos que sejam nerds, que saibam a diferença entre o Glipt e o Glupt, pois quem sabe assim eles consigam entender criações e conceitos divertidos para seus produtos e que precisam arriscar um pouco para criar algo novo, além de só olhar para pesquisas e tabelas que só repetem fórmulas que não deveriam ser repetidas.

7 Comments

  1. MARCELO LOURENÇO disse:

    caramba, o hihihi assumiu de vez. agora só falta colocar um esparadrapo na pernas dos seus óculos de designer e encher o bolso da sua camisa richard’s com um montão de canetas…

  2. Gabi disse:

    A minha tabela de banheiro já está encomendada… Só não sei como convencerei minha mãe a trocar a cortina! Talvez eu tenha que esperar o meu ap, daí eu coloco a cortina no banheiro e o fliperama na sala….
    Big Bang Theory é uma série muito legaus!
    Aí me veio a musiquinha:
    Em vez de cantar: “Sou viado sim, sou vi-a-dooo sim…”, cantarei: “Sou nerd sim, sou neeerrrdiii, sim…”
    Beijos

  3. Ana Maria disse:

    Leio seu blog há um tempo, mas nunca escrevi.

    Sou professora e com o advento das férias estou retomando, aos poucos, o delicioso hábito das séries. Assim, asssisti a The Big Bang Theory” pela primeira vez, e amei! Descobri-me uma nerd sem cura, já que era nerd no colégio, e descobri que ainda sou. Ainda mais depois que achei algumas camisetas nerd/geek na internet.
    foi bom descobrir que não sou a única.
    Abraços.

  4. Já faz um tempinho que “nerd” deixou de ter aquela carga pejorativa, da pessoa que não tem sorte com o sexo oposto e só pensa em estudar, em quadrinhos, em videogames, etc. Nerd tá até na moda hoje em dia^^

    Ass: nerd com orgulho

  5. Essa série de bobinha não tem nada… ela só parece assim. Se ainda não assistiu o episódio em que eles compram uma “Máquina do Tempo” prepare-se. Tem um momento sublime de Nerdisse (wow, eu escrevi mesmo isso?) quando eles resolvem “ativar” a tal máquina…

  6. Eu, além de nerd, era também CDF e nem passava cola pra ninguém. Credo! rsrsrs
    Bom, credo nada… falo isso com muito orgulho, pois pra mim nerd nunca foi aquela pessoa de óculos, eremita dentro de seu casulo, mas sim aquela que se interessava por coisas diferentes, que estudava, que passava horas lendo e desenhando em vez de ir brincar na rua.
    Sou nerd sim!!
    Adoro “nerdices”, como eu e minhas irmãs-nerds falamos.
    E se um dia tiver um filho, nerd ele será.

  7. david.snege disse:

    Aqui tem umas camisetas Nerds bem legais….acho que vale a pena conferir

    http://finegrafic.com/blog/index.php/camisetas-tecnlog/

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