O ilustrador que viu o pinto crescer

Uma idéia na cabeça e uma caneta da mão viram britadeira criativa quando se tem talento.
Esse post eu vi no blog Drawn e mostra uma sacada daquelas que, se você conta pra alguém, ela vai torcer o nariz ou bocejar por parecer enfadonha, mas não é.

Mieke Roth é um ilustrador científico e vai saber se um dia ele foi numa daquelas feiras de cachorrinhos e gatinhos e ganhou um pintinho para ter a idéia de desenhar o filhote penoso todo dia, transformando seu blog num registro diário do desenvolvimento do galináceo familiar.

O cara vai lá todo santo dia e desenha a galinha. Nunca uma penosa foi ostensivamente registrada. E embora seja aparentemente monótono, como gosto de frango cozido sem sal, ele consegue ser interessante nas pequenas variações de posição e por que não, de humor da galinha. É quase um exercício zenbudista.

Agora, é impossível acionar o botão secreto sarcasmo pra saber se a última ilustração vai ser de uma panelada de frango a passarinho.

Updated! Não reparei e a Suzana Elvas me deu um toque.
Atentem que a última ilustração da galinha foi no dia 25 de dezembro de 2007. Um dia onde se celebra o amor e o colesterol na Terra.

A lista de Kasato Maru

Off topic do tema ilustração não tão off se você for ilustrador descendente de japoneses.

Há algumas semanas foi encontrado em São Paulo ou Santos, não sei bem ao certo, o livro de entrada original dos passageiros do Kasato Maru.

Não sei se foi jogada de marketing, pra aproveitar os 100 anos da vinda dos japoneses ao Brasil, mas não importa, pois o arquivo do Estado, montou um site com todas as páginas do livro escaneadas, com a assinatura dos 840 passageiros. Vale pelo valor histórico, também pra saber se seu dichan tá lá no meio, e ficar ponderando o que eles faziam antes de subir naquele navio apinhado, quente e desconfortável pra ficar navegando durante meses até chegar num lugar onde as primeiras palavras que vinham em suas mentes em letras garrafais eram “úmido”, “quente” e “arrependimento”.

Saitos, Tadashis e Watanabes, peguem a lente de aumento e vasculhem a lista.

Amostra grátis de um futuro não muito distante

Mais jabásico, pois a vida é curta e o dinheiro também.

São duas amostras grátis, palhinhas de duas lâminas de bandeja que serão lançadas em um futuro não muito distante.

Esse diabinho já foi uma encomenda de um toy art de de um cliente que o largou no meio do altar antes de dizer “sim”, e agora ele está sendo usado devidamente para ser visto por uns 12 milhões de pessoas, que é a tiragem das lâminas de bandeja.

Diametralmente oposto no estilo e no tema, essa candura de cena diabética com um cachorro parecido com o Bisteca também vai para uma outra lâmina de bandeja que logo logo vai estar debaixo de seu Quarteirão com queijo.

Quem viver, verá,

McDia Feliz 2008 – Toalhinha de bandeja nova e antiga ao mesmo tempo

Com uma seca de posts tão violenta como o inverno paulistano, aproveito este espaço para novamente praticar o jabásico e mostrar a indefectível e anualmente presente lâmina de bandeja para alavancar o McDia Feliz 2008. Como todo ano tenho que fazer uma, o desafio aqui, nem sempre alcançado, é se reinventar ano após ano.
No ano passado fiz em forma de quadrinhos, esse ano foi na base da aquarela digital, um fiapo de carne no meio dos dentes se comparado com as aquarelas de verdade do Cárcamo. Mas um dia eu chego lá, nem que esse dia se encontre em outra encarnação. Tentei passar a idéia de simular páginas de um livro infantil, mas com esse volume de texto por pouco que não vira um balanço de banco.
Foi todo feito no Painter X.

Pode clicar na imagem que dessa vez eu coloquei uma imagem maior.

Rabisque uma alavanca que eu movo o mundo

Há algum tempo escrevi um post sobre um jogo que estava pra ser lançado e que parecia ser o camarão da empada para aqueles que curtem dar uma castigada no teclado com joguinhos na internet. O joguinho “Magic Pen” é simples, mas tão genial que você vicia ao ponto de querer mijar numa garrafinha pra não ter que sair do lugar. A meta do jogo é simples: empurrar uma bolinha vermelha até umas bandeirinhas, solucionando de que desenhos e que mecanismos dá pra fazer a bolinha chegar até lá.

A sacada é que você DESENHA as formas geométricas pra fazer a bolinha se movimentar, e como naquele desenho da Nickelodeon que esqueci o nome, o que você desenha ganha peso, cinética e eles caem, rolam, giram, fazendo valer a lei da física em traços feitos a crayon. Embora tenha um visual infantil, alguns quebra-cabeças realmente quebram cabeças de difíceis.

E o mejor, é de graça, igual comida de mãe. Que Playstation 3, o cacete.

É física e matemática pura, interativa e lúdica, o que para mim é a gordura da picanha (hum, terceira menção a comida, preciso lembrar de jantar). Aqueles que são portadores de um Tablet vão ficar lambendo os beiços e os crânios. Ele reage que é uma beleza numa canetinha digital.

Como comprar livros da Amazon pela Cultura?

Esse post é pra esclarecer muita gente que pede informações como se compra livros na Amazon.

Bom, na Amazon é fácil, basta ter os poderes mágicos de um cartão de crédito internacional e audácia para jogar os dados na internet. Dependendo da compra, paga-se mais 30 dólares de frete e espera-se 3 ou 4 semanas até os livros chegarem pelo correio, e chegam direitinho, com plástico-bolha do tamanho de morangos cobrindo o produto.

Agora, outra maneira que eu faço pra comprar os livros é pela Livraria Cultura. Não é propaganda, é praticidade mesmo.
Mesmo se você não encontrar os livros no site da Cultura, basta que esses livros constem no site da Amazon ou da Barnes & Noble que a importação é fácil.

Basta você anotar o ISBN dos livros que você quer trazer, ligar pra Cultura ou mandar um e-mail, fazer o pedido e passar o ISBN.
A importação vem no mesmo tempo e o valor é quase o mesmo, com a vantagem de não ter que passar aperto jogando seu cartão no mundo selvagem da internet.

Acabei de receber dessa maneira dois livros supimpas: The Art of Wall.e (R$89,00) e The Art of Kung Fu Panda (r$109,00). Esses livros de sketchbooks de animações em 3D são recheados de desenhos de produção e conceitos e já são tradição. Valem a pena cada centavinho, principalmente para aqueles que trabalham com ilustração. Embora o filme da Pixar seja melhor que o da Dreamworks, o livro do Kung Fu Panda é mais rico, até por que rascunhos de bichos animados ganham de dez de rascunhos de caixas, cubos e cilindros.

Quanto Miyazaki paga?

O leitor André mandou uma notícia que, se for verdade, é devidamente acompanhada por cornetas e anjos jogando pétalas e confeitinhos de chocolate no seu caminho.

Segundo o blog Go Panda!, o Estúdio Ghibli, de Hayao Miyazaki e casa de Totoro, Princesa Mononoke e Kiki entre outras pedras preciosas em forma de animação, está, esfreguem os olhos com limpavidros, contratando 20 animadores para trabalhar durante 2 anos para fazer um curta-metragem.

Agora, o pobrema é a idade. Nada resta para este velho profissional do traço, pois a oferta será feita para apenas os rebentos de 18 a 22 anos. Quase o dobro da minha idade. Triste a sensação que sua chance já foi….

Agora, como meu japonês é tão fluente como aramaico melgibson, não tenho a mínima idéia em que parte do site do estúdio Ghibli você tem que clicar para saber de mais informações e se inscrever. Para aqueles que dominam a ferocidade dos ideogramas japoneses, mande o link pra cá. Se for trabalhar com Miyazaki, japonês fluente não é pré-requisito, é sobrevivência.

Onegai.

A Aveludada arte de Sarah Mensinga

Apresento-lhes a mais nova queridinha deste blog, da mesmo tacho que saiu Vera Bee e Jen Wang. Impossível não deixar o café esfriando enquanto admira o trabalho de Sarah Mensinga, quadrinista e criadora de personagens (ajudou na criação dos personagens de “Lucas, um Intruso no Formigueiro”) que possui um traço tão delicado e tão aveludado que parece seus desenhos são regadas com fadinhas cantando.

As expressões de seus personagens e a fluidez dos desenhos novamente faz com que a inveja saudável aflore e dê vontade de injetar estrogênio em minhas veias para amolecer um pouco as juntas de rinoceronte pra ver se sai algo parecido.

Meus dedos coçam para entrar em contato com a nova revista Flight, a número 5, já devidamente revisada aqui.
Mensinga terá uma história ali chamada “The Changeling”, que ao que parece é de secar os olhos.

Another brick in the wall, my friend

Mais um post da série “Se eu não sei tem gente que também não, felicidades pra você que já sabe”.

Essa ilustração é um sketch feito para a Disney para definir os personagens de “Hércules”. Tem até um quê do traço do Ralph Steadman, um dos ilustradores mais porretas do mundo moderno, e que ainda vai ter um post só dele, mas quem fez esse desenho na verdade foi Gerald Scarfe.


Pra quem não sabe, Gerald Scarfe foi o PAI incontestável e fertilíssimo da animação “The Wall”, do Pink Floyd. Se você tem mais de 35, sabe que esse clipe era quase uma histeria em massa para jovens com hormônios saindo pelos orifícios e imberbes na fase escolar. Era só ter um professor mais repreensor que você já se imaginava num moedor de carne e mentalizava com força “We don’t need no education”. Até os mais cdfs e caxias tímidos como ratos gripados tinham vontade de se rebelar contra algo quando viam esse clipe, nem que fosse contra a tia da cantina que não dava mais um bife ou contra a sua mãe que obrigava a tomar xarope contra tosse. Depois tudo voltava ao normal, apontando lápis pra se acalmar.

Idéias ricas, garotas pobres e tipologia que vira personagem

O maior desafio em direção de arte na propaganda é fazer um anúncio all-type – anúncio que não tem imagens, apenas títulos e textos – que seja criativo, de impacto e, de lambuja, ainda dar recall. E dá-lhe fuçadas no Adobe Font Folio pra caçar uma letra bacanuda no meio de mil fontes remerrenhas pra dar um jeitinho naquele anúncio chinfrim. São poucos os bravos que conseguem.

Agora, não gosta de all-type? Acha tão sem graça como assistir máquina lavar roupa? Pois esse filme de apresentação do “The Girl Effect” é um tapa de mão aberta na cara de Hans Donner, que vê cromado e arco-íris até em linguiça pendurada em bar.

Ele é todo feito com uma só fonte, mas usa a tipologia com uma dinâmica tão eficiente que as palavras conseguem contar uma história como se fossem personagens. Sim, precisa ler em inglês, mas aqueles que possuem esse poder, verão que é uma maneira eficientíssima de se contar uma história. Tanto que até o próprio canal GNT e o Discovery andam usando esse recurso em algumas chamadas.

É tipo de criação que inspira outros criativos, fazer algo tão poderoso com pouquíssimo recurso. Nada de producão para fazer cocô na casa do Pedrinho, é explorar a tipologia ao máximo para passar o conceito (que sinceramente, não teria o mesmo efeito se mostrasse imagens de garotinhas mulambentas e empoeiradas com cara de fome).

Dá uma olhada no site do “The Girl Effect”, também baseado em tipologia, mas com algumas fotos como acompanhamento. A idéia do projeto é bacana, humanitária, onde prega que ajudar uma garota pobre pode salvar o mundo. Só a chamada no final é meio estranha, pois tem potencial pra estimular mentes mais pervertidas: “Invest in a girl and she will do the rest”, ou “Invista em uma garota que ela vai fazer o resto”. Vossas esposas que o digam.

Ainda que as letras são o tema deste post, aí vai também um filme abre-pupila da National Geographic (tem em português, mas não tá disponível pra incorporar no blog, então vai a versão inglesa mesmo). Esse conceito de ler a palavra como um todo é o segredo para se fazer leitura dinâmica.

Que a maldição de mil gafanhotos caiam sobre aqueles que propagam o miguxês.

Salvem Totoro, To-Toro

[img:logototoro.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Fantásticos os filmes que você vai lembrar de algumas cenas até o dia em que vestir o terno de madeira. Totoro, de Hayao Miyazaki, tem pelo menos meia dúzia deles, mas talvez as mais arregalosas sejam a da árvore que vai crescendo sem parar e o Totoro esperando o gato-ônibus no ponto no meio da chuva. É o Alice no Pais das Maravilhas de olhos puxados.
Em Mogi tinha um lugar que eu ia quando criança que é muito parecido com o lugar em que a menina vai morar. Era um sítio onde a gente ia pegar alface no pé e aproveitava pra causar genocídio em laguinhos cheios de girinos. Toda vez que vejo o filme lembro da época em que usava cueca do Cebolinha.

O que eu não sabia é que Miyazaki se inspirou numa floresta que fica perto de Tóquio para fazer o filme. A floresta Sayama hoje se chama Floresta Totoro por causa da fama do monstroso que faz baldeação num pião, e hoje corre o risco de virar quadra de basquete de condomínio, pois Tóquio precisa crescer.

Para tentar evitar isso, um mutirão de ilustradores e artistas juntaram tempo, talento e boa vontade para criar um movimento chamado “Totoro Forest Project”, justamente pra salvar esse pedaço de mata. Eles doam artes originais, algumas feitas especialmente para a iniciativa, tendo alguma coisa do Totoro no meio, outras não (algumas são até sombrias para o nível de felicidade de um Totoro). Assim, o dinheiro arrecadado vai pra esse fundo, e olhe que as artes não são baratas. Tem coisas de duzentas até três mil doletas.

Ah, se tivesse forrando gaiola de passarinho com notas de 100 reais…só pra ver o nível dos caras, uma boa parte deles eu já mencionei ou fiz posts sobre eles neste blog. Ter um original do Ronnie Del Carmen, Vera Bee, Scott Campbell, Chris Applehans, Scott Morse, Bill Pressing e Travis Louie, e esses são apenas meus preferidos, já justifica a venda de órgãos humanos ou o tráfico de vizinhas brancas para decorar a parede da casa. Giive-mee.

(Eu daria minha irmã em troca destes Ronnie del Carmen e Bill Pressing, se eu tivesse uma.)

Afinal, chega de ajudar pandas. Alguém precisava socorrer o Totoro e alguém preciiisa fazer uma junta para salvar o peripato, verme em extinção que só vive em uma região no Brasil, mas ninguém dá bola porque é feio como a bunda do diabo.

Meu trabalho só dá merda, disse o designer todo orgulhoso

Eis você, todo pimpão, no meio de uma fila de sete léguas para comprar ingresso dos Rolling Stones quando de repente o almoço de ontem pede para ser libertado com a máxima urgência, pois o expresso nº2 está chegando na estação anal. O que fazer, castigar a porcelana civilizada e adequadamente e perder o lugar ou segurar o inexorável ser marrom, gerando dores lancinantes no lugar onde o sol jamais esteve?

Somente aquele que já passou por isso deve ter criado o Shitbox. E esse alguém era um design gráfico, ou um japonês ou o Carlo Giovani. Custa 15,67 libras, mais ou menos 55 reais, e foi desenvolvido por uma empresa chamada “Brown Corporation”, cujo nome já parece dar a dica de ser um produto-conceito. Uma privada de papelão portátil!!!

Você leva o pacote de papelão na bolsa, arma, senta (onde, meu Deus? Atrás de um ônibus estacionado ou atrás do seu amigo avantajado e adiposo, pedindo educadamente para não olhar você num momento “coisas do círculo da vida”?), libera os resíduos impuros e fecha a caixa pra despejar num lugar mais adequado, como uma caçamba de entulho ou na porta da casa da sua ex. É uma merda, mas é genial.

Se é difícil evacuar no banheiro da casa de estranhos, imagine sensação de fazê-lo ao ar livre, sentindo o vento passando no meio do seu cânion invertido e na expectativa de algum desavisado pegar você no momento da concepção?

Imagine FX


Aí vai a dica de uma revista que considero a linguiça do caldo verde para muitos que estão procurando por informações e dicas de como desenhar que saiam do café-com-leite-com-pão-com-manteiga. Ela é muito conhecida entre os ilustradores que arregaçam a manga todo dia, mas talvez a maioria dos leigos não a conheça. A revista inglesa Imagine FX é centrada em arte fantástica, e a maioria dos seus tutoriais são sobre arte digital. Mas é lotadaça de dicas que ensinam o caminho do Caveira para coisas esdrúxulas e inusitadas, tais como fazer brilho molhado em bundas de fadas, como fazer escamas de peixes mutantes ou como estudar a intrincada anatomia de um bico de seio. É o tipo de arte que puxa muito, mas muito mesmo para a arte acadêmica, aquele tipo de arte que você não tem escapatória: se quiser desenhar caras musculosos e mulheres apetitosas tem que estudar anatomia, e de preferência, ter aulas com um professor meticuloso e talentoso. Você pode até tentar aprender como autodidata, mas vai levar mais tempo até o resultado desejado. O problema não é aprender sozinho, o problema é não saber ONDE olhar e saber onde está errando para poder acertar.

Além de tutoriais fabulosos, a revista tem muitos concept art de ilustradores famosos e ferosos, caras de quadrinhos, ilustradores da indústria de games, desenvolvedores de conceito para cinema. E todo número vem com um disco com imagens e programinhas pra experimentar.

Aqui você encontra em poucas lojas (só consigo encontrar na Fnac do Morumbi Shopping), mas o preço é um assalto a mão armada, quase 90 reais. Melhor ficar com a opção de assinatura diretamente no site da revista. A assinatura de um ano custa 73 libras, o que dá maizoumenos R$255. Vale a pena, considere isso como investimento pois assim você não sente dores no peito.

E, sim, tem que saber ler em inglês uma revista em inglês feita na Inglaterra.

Argônio no banheiro, pois sou um nerd útil para a sociedade

Por uma ironia do destino, depois que virei autônomo tenho tido MENOS tempo de ver TV. Ainda assim dá tempo de assistir alguns seriados, mas para isso tenho que ajustar o alarme do computador pra não perder a hora.
Lost e House são os que você assiste distribuindo ameaças do tipo “quem puxar conversa agora vai ter fratura exposta”. E também tô viciado em “Ugly Betty”, “Pushing Daisies” e “The Big Bang Theory”.
Esse último é bobinho, mas seiláporque dou risada aos montes, talvez por causa dos diálogos nerds. De qualquer forma, no seriado os caras têm uma cortina de chuveiro com a Tabela Periódica dos Elementos estampada, e eu fiquei fissurado em ter uma! Tem gente que torce o nariz, mas pra quem entendeu um pouco de química no colégio, essa tabela é linda! É matematicamente perfeita, pois os elementos não estão jogadas lá à toa, seguem vários critérios de classificação e possuem dezenas de informações em vários níveis. É como se fosse uma mandala budista feita de macarrão de letrinhas.

Pois bem, não é que tem pra vender? 29 doletas na Amazon. Como se não tiver uma vou urinar na cama, ela vai vir junto com uma leva de livros que tá vindo no mês que vem. Como é bela a fada do cartão de crédito.

Nas últimas semanas comecei a ficar incomodado depois de fazer um teste da Veja pra saber se você é nerd, com ajuda da minha esposa. Respondi “sim” a todas questões que me rotulavam como um, o que me deixou irritado e preocupado, pois sempre associei a figura do nerd ao sujeito que fica mais excitado com equações do que com a Eva Longoria, aquele que sabe explicar o teorema de Fermat mas não sabe pedir uma caneta emprestado de uma garota.
Mas comecei a curtir o Big Bang Theory, e toda vez que o Sheldon aparecia eu falava “putz, eu era que nem esse cara”, da mesma forma quando o Hiro de Heroes aparecia e dizia “putz, eu era que nem esse cara”!Semanas depois, quando fiz o post sobre o Guilherme Briggs, várias pessoas falaram pra acessar o podcast do Jovem Nerd. Nunca fui fã de podcast e entulhar o HD de conversa fiada, mas esse podcast vale a pena. Dou risada de madrugada ouvindo os caras falando das mesmas coisas que eu curto feito criança mimada (detalhe, os caras foram alunos meu amigo ilustrador Marcelo Martinez), e a conclusão caiu na semana passada feito um porco caindo do décimo andar: “Meu Deus, eu AINDA sou nerd!”. Que nem gay enrustido que sai do armário.

Tudo bem, não sou mais um Harry Potter sem poderes que leva caldo (na escola eu era o nerd violento, tipo “bully”, que gostava de bater em nerds mais fracos pra roubar dinheiro de lanche e jogar giz esfarelado dentro dos cofrinhos das meninas.), nem o sujeito seboso que vende gibi nos Simpsons, hoje tenho muito mais eloquência pra conversar em público e virei mais seletivo depois que dispensei Dragon Ball da minha vida, mas ainda é um nerd conservado em barril de carvalho. Mas ainda tenho minha capa de chuva do Mulder no armário, mas não mais o moletom azul de oficial de ciências da Enterprise, que ficou perdido em alguma república nojenta.

Ser nerd hoje em dia é bom, só ajuda muito no meu trabalho que eu faço de consultoria de produtos infantis que eu faço paralelamente à ilustração. E hoje também começo a defender a seguinte premissa: grandes empresas que trabalham com produtos infantis deveriam ter gerentes de marketing ou novos produtos que sejam nerds, que saibam a diferença entre o Glipt e o Glupt, pois quem sabe assim eles consigam entender criações e conceitos divertidos para seus produtos e que precisam arriscar um pouco para criar algo novo, além de só olhar para pesquisas e tabelas que só repetem fórmulas que não deveriam ser repetidas.

Um menino, uma lhama, uma cordilheira e aquarelas de arrancar os olhos

Senhores, contemplem.
Gonzalo Cárcamo é um aquarelista tão iluminado, tão talentoso que você tem vontade de ficar apertando a sua mão indefinidamente pra ver se passa algum talento por osmose. Tive a honra de aprender alguma coisa de aquarela com ele e finalmente consegui comprar uma jóia feita de papel feita por ele.

Thapa Kunturi – Ninho do Condor (Companhia das Letrinhas) é um belíssimo-íssimo livro ilustrado e escrito pelo Cárcamo. Faz um ilustrador como eu se sentir pequeninho como uma larva de goiaba.
Não é puxação de saco barata e desproposital, é puxação de saco com motivação sim. É um livro tão belo que chega a secar os olhos, uma ironia porque tudo ali é feito com aquarela, tão bela e tão fluída, é como uma virgem tomando banho de leite impressa em papel couchê.

A história se passa nos Andes na época pré-colombiana e conta a história meiga de um menininho de poncho e sua lhama, que não cospe, de estimação.

E vale cada centavo investido nesse livro.

Yoga para os olhos

Há algum tempo virou moda livros com imagens esteroscópicas. Eram imagens que pareciam TVs fora do ar que, se você posicionasse seus olhos de maneira correta, conseguiria ver uma outra dimensão e formas pulariam pra fora da página em layers, como se fossem origamis do Homem Sem Sombra. Na verdade, são duas imagens quase idênticas que quando se sobrepõem simulam a sensação de 3D.
Era novidade, mas era também meiaboca. Tinha até um filtro de Photoshop que fazia esse efeito.

Agora o difícil é fazer algo como essa imagem abaixo. Se você olhar de maneira correta, vai ver a cortina do chuveiro em cima, a moçoila no meio e o fundo atrás, coisa de mágica de Harry Potter.

Faz parte de um livro chamado Depth Charge, só de ilusões de ótica, de um (ou uma) ilustrador chamado/a Donnachada Daly

IlustraBrasil 5

[img:Bueno.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Tanto atraso é motivo de chibatada pra arrancar pele que nem Jesus Cristo, mas melhor fazer com atraso do que não fazê-lo.
Até o dia 13 desse mês acontece o IlustraBrasil 5, no Senac da Lapa, Rua Scipião 67. Todos os workshops e palestras já aconteceram, mas ainda dá pra ver a exposição com mais de 100 ilustradores, inclusive este benevolente ser que vos digita, e sentido honrado de estar no meio de tanta gente que dá pra medir talento a tonelada, todos associados à Sociedade dos Ilustradores do Brasil – SIB.

Essa é uma porcentagem da exposição

E esse é o Cau Gomes em seu mavioso workshop.

E as fotos foram carinhosamente surrupiadas do Orlando Pedroso.

Revista Ilustrar 5

Fiquei tanto tempo sem postar que Ricardo Antunes até já liberou a Revista Ilustrar 5 pra download (de grátis, free, à borla, na faixa, pra quem ainda não aprendeu).

Essa edição é especial para quem é fã de Spielberg e Guerra nas Estrelas, com uma megamatéria com Drew Struzan, o cara que ilustrou os pôsteres desses filmes e tem a mesma magnitude e importância que John Williams responsáveis pelas trilhas sonoras (se não fosse a tríade Spielberg-Struzan-Williams eu teria me tornado franco atirador de patinhos de parque de diversão). Struzan é o responsável pelo cartaz do novo, aguardado e frustrante Indiana Jones (a melhor definição desse filme veio de Tom Stines, exímio pseudoanalista de filmes: se o novo Indiana Jones fosse um cachorro de rua, Spielberg e George Lucas seriam dois moleques encardidos com pedaços de pau espancando o cachorro de tal maneira que você pensaria “pára de bater no pobre cachorro, não precisa machucar o coitado”.

Voltando à revista, tem matérias com o sempre agradável Benício, um passo-a-passo com o quebra-queixo Gonzalo Cárcamo (porque você deixa ele cair no chão quando fica de boca aberta quando vê suas aquarelas) e uma entrevista com Rubens Ewald Filho focando nos pôsteres de filmes.

Mas tenho que dar o destaque na humilde opinião deste servo do traço: uma entrevista com o Zé Otávio e uma matéria sobre o cartunista J. Carlos.

Conheci Zé Otávio num dos Bistecões da vida. Ele veio todo humilde e retraído, com uma voz de um tom de um frade franciscano, mostrando, sem exageros, o sketchbook mais desbundante que já havia visto em tempos. É um sujeito que faz jus à frase “nascer com o dom” (frase essa utilizada de maneira inadvertida por alguns que confundem talento com falta de bom senso e autocrítica). Ele mistura texto e desenho de maneira quase druida de tão mágico. Só vendo pra ver que não é exagero.


O J. Carlos foi um cartunista da época da revista Careta (década de 30), com um estilo Art Deco mas tão moderno e tão gracioso que dá vontade de pegar um lápis e desatar a desenhar de tão inspirador. Não era muito fácil encontrar referência do seu trabalho na internet, mas agora tem um acervo online disponível.
É quase sobrenatural como suas garotas que lembram Liza Minelli em Cabaret continuam modernosas.

Se alguém pedir uma mensagem de vida, diga “Não sairemos desta vivos”.

Consegui retomar o controle do blog depois de ataque duplo. Ao mesmo tempo que a Telefônica fornecia um serviço Speedy com a mesma utilidade de um cartão de crédito para uma galinha (ou seja, fiquei uma semana sem internet), ao mesmo tempo algum infeliz degustador de lavagem munido de teclado mudou a senha do blog sem meu consentimento. Some-se a isso ainda a falta de tempo pela iminente mudança de ares geográficos da morada deste ser e o estado deste blogs nas últimas semanas foi de uma aridez Atacâmica.

Esperemos que isso não retorne.

Aproveitando, é hora de fazer o jabásico, mostrando uma ilustração que fiz para uma revista do jornal Mogi News, lá da cidade onde cortaram meu cordão umbilical, em comemoração do centenário da imigração japonesa, pra variar (aproveitem conterrâneos nipônicos a exacerbada valorização de vossa cultura esse ano porque depois disso só daqui a cem anos).

É o Saci e o Karakasa, entidade folclórica guardachúvica japonesa também de uma perna só. Eu li não sei aonde que os japoneses acreditam que quando se cria um apego muito grande a um objeto ele pode criar uma alma, e se não for descartado corretamente seu espírito fica vagando feito vigia noturno pelas ruas. Aqui no armário tem umas camisetas de uns 14 anos de idade que já devem estar pedindo funeral para descansarem em paz.