Se beber, não Photoshope

Mais uma prova de que programa e equipamento não faz o profissional, apenas atesta o número de patas em que ele se locomove, o blog fantabuloso “Photoshop Disasters” mostra que nem sempre tecnologia, talento e autocrítica andam de mãos dadas, muito pelo contrário.

É uma deliciosa coleção de erros grotescos que aconteceram numa manipulação inconseqüente das imagens no Photoshop. Algo passável de uma crítica sobre a maldita inclusão digital se fossem trabalhos sem pretensão, mas o divertido e incrível é que são trabalhos comerciais, e alguns deles vindos de empresas do porte de um mamute nacional (leia rápido mamute nacional que entenderás a piada) como Warner ou Disney.

Sim amiguinhos, os pixels não mentem jamais.

Discu

O ilustrador que fez essa capa de LP deve ter se divertido muito, mas muito mesmo.

Sim amiguinhos, é uma capa de disco, comprovem aqui. Galactic Ass Creatures from Uranus. Se fossem criaturas japonesas teriam o nome de Cukimata.

Com uma capa dessas, como será a música? Esfíncter aqui substitui o esôfago?

Língua nervosa para o dia dos namorados

Curiosidadezinha que dificilmente entrará em uma lâmina de bandeja do McDonald’s, então pra não desperdiçá-la, eis que a transformo em dica para o Dia dos Namorados. Esse desenho do camaleão jamais passaria pelos fiéis advogados que cuida do portão de segurança das toalhinhas.

Caros pombinhos, saibam que a língua é o único órgão com músculos voluntários (que são aqueles que você controla, ao contrário dos involuntários como o coração e o diafragma), que NÃO entra em fadiga.

Ou seja, ao contrário das batatas da perna dos jogadores de futebol, dos bíceps dos alpinistas e dos glúteos dos ilustradores, a língua jamais se cansa. Não forma ácido lático, não tem cãimbra e nem nega fogo. Você pode ficar horas com ela em atividade que você ainda teria fôlego pra mais uma rodada de sabe-se-lá-o-quê que pode ser feito com a língua. O queixo pode até travar, mas a língua não.

Nenhuma desculpa de namorado cansado e estressado será permitida neste dia tão romântico e tão comercial ao mesmo tempo.

Cintiq na opinião de quem usa

Como havia prometido, aí vai um post sobre a Cintiq.

Pra quem não conhece, a Wacom Cintiq é um equipamento onde você consegue desenhar diretamente sobre a tela. Sendo um pouquinho mais técnico, é uma tablet Wacom com um monitor de LCD em cima.

Não vou perder tempo citando as especificações técnicas. Isso você consegue no próprio site da Cintiq. O legal aqui é falar o que realmente ela tem de bom e o que é mito gerado pela ansiedade de comprar uma.

Trabalho com Cintiqs há muitos anos. Na Taterka, agência onde eu trabalhava com carteira assinada e vale refeição, eu tinha um modelo 15UX, acho que a primeira que saiu no mercado, há uns 7 anos maisoumenos. Tenho uma Cintiq 21UX há uns 9 meses e em breve pretendo vender uma glândula supra-renal em troca de um modelO 12UX, porque pretendo ter um ajudante aqui e como um bom chefe só dou do bom e do melhor para meus arautos, inclusive as melhores bordoadas.

Como diria o narrador de Pushing Daisies, the facts are these:

Por que a Cintiq é bacana?

Trabalhar com a Cintiq exige retina em boa forma, pois litros de luz entram porque ela é grande como uma prancha de windsurf. Você se sente literalmente perdido com tanto espaço à disposição. E se você não tem o hábito de piscar, vai acabar com os olhos secos como paçoca.

A Cintiq é o mais próximo do que se chegou até hoje de um lápis e papel digital. Ver em tempo real seu desenho saindo diretamente sobre a tela, debaixo da ponta da canetinha, é uma experiência quase erótica. A velocidade e controle do traço são impressionantes. E dá pra trabalhar com Mac e PC.

Quem trabalha com Cintiq acaba viciando por que ela é extremamente prática: você ganha muito tempo fazendo o rabisco, o layout e a finalização de uma vez só, sem ter que escanear o desenho pra depois finalizar. Com o tempo você acostuma com a pegada da Cintiq e daí pra rabiscar como se fosse um bloco de desenho é um peido.

Existem duas barras de navegação, que servem para navegar, óbvio, ou pra dar zoom nos desenhos, e mais 8 botões customizáveis que você pode inclusive criar macros, como salvar arquivos ou dar undos, economizando ainda mais tempo.

A sensação de desenhar com ela é muito fluida, mas se você trocar a ponta de plástico da canetinha por uma de feltro (vem uma de brinde), a sensação muda completamente, e pra melhor. A ponta cria uma resistência, um atrito agradável com o plástico do monitor que faz você ster a sensação de estar usando um lápis de grafite macio (a ponta de plástico tem menos atrito e é mais rápida).
Fiquei tarado por essa ponta, tanto que mandei trazer dos EUA 3 jogos de pontas de feltro com 5 pontas cada, porque as danadas gastam rápido. Valem o investimento, pois custam só 20 doletas na Amazon, que entregam pelo correio sem problemas.

Com pouco tempo, você percebe que seus desenhos começam a ficar mais naturais e até esquece do lápis e papel convencional. E aí é que mora o perigo.

Porém, todavia, entretanto….

Falar que a Cintiq é maravilhosa é chover no molhado, é desperdiçar saliva pra dizer que a Anna Hickman é incrivelmente gostosa. Não precisa falar mais, é obvio.

A Cintiq tem seus problemas sim, e convém agora citá-los porque quase ninguém leva isso em conta na hora de comprar (ou sonhar com um).

Primeiro, quando disse que ela viciava não era figura de linguagem. A Cintiq REALMENTE vicia, e isso para um ilustrador pode significar um retrocesso. Eu sou a maior vítima, usando a Cintiq por 7 anos seguidos me transformou em um dependende de tecnologia pra desenhar. Tive que repassar por um reaprendizado para desenhar novamente com lápis e aquarela normais, porque simplesmente a mão desaprendeu. E isso não aconteceu só comigo.
Ou seja, se um dia a luz acabar, ou estiver no meio de uma tribo Xavante, eu não conseguiria rabiscar nada por causa da Cintiq. Ou pior, se um dia eu ficasse pobre e não pudesse comprar uma Cintiq, eu iria penar pra voltar a trabalhar com materiais convencionais.
Por isso o Bistecão surgiu em minha vida na hora certa, graças a ele recomecei a desenhar, rabiscar e experimentar no papel (cheguei a até fazer meu sketchbook, fiquei todo orgulhoso e pimpão).

Por isso, o primeiro conselho: Cintiq é que nem droga e álcool, tem que usar com moderação.

Segundo: trabalhar com uma Wacom Intuos, Graphire ou Bamboo NÃO É a mesma coisa que desenhar numa Cintiq. É tudo diferente, até os músculos envolvidos no processo são diferentes. Novamente o vício, que trabalha há um tempo na Cintiq vai estranhar uma Intuos no primeiro risco.

Terceiro: Tempo de vida útil. Ninguém leva isso em consideração, mas as Tablets Wacom duram muito, mas muito mesmo (se forem tratadas com carinho como se fossem damas atravessando a rua), o que só isso já é motivo pra esquecer as outras marcas que dão até choque. O pobrema é que o LCD ou monitor da Cintiq, com certeza aguenta menos tempo. Minha finada Cintiq 15UX aguentou sete anos, e aguentaria mais se o LCD não pedisse arrego. Todo LCD tem vida útil de mais ou menos 60 mil horas, passado esse tempo as imagens ficam borradas, fora de foco, a luz de trás começa a esvair até virar uma sombra ridícula do que já foi.
A solução? Mandar pra assistência técnica, se ela soubesse como consertar. Acreditem ou não, fiz um orçamento há meses pra consertar a coitada da 15UX e ela voltou dizendo que não havia peças nem como consertar. Aliás, a assitência técnica faz você sofrer mais que Betty, a Feia. Qualquer probleminha e sua Cintiq fica quatro ou cinco semanas no estaleiro pra depois escutar que não tem peça, não tem conserto ou vai ficar caro demais.

Quarto: O paquiderme digital.
A Cintiq 21UX é grande, é desengonçada e você precisa de um lugar bem legar pra trabalhar. Se quiser usar os recurso de rotacionar a tela (sim, dá pra fazer isso e é a corda que salva o malabarista quanto você tem que trabalhar com arquivos grandes no Photoshop, que não rotaciona a tela no próprio programa como Painter), aí você tem que liberar um espaço vigoroso em sua mesa.

Nem pense em usar a Cintiq no colo, como fazem as fotos publicitárias, a não ser que você não queira ter filhos. A Cintiq esquenta como vagão de metrô lotado no verão. Pra fazer isso, só com a menorzinha, a 12UX.

Quinto: E o pior: o mal que ninguém quer falar.
As Cintiqs e algumas tablets podem apresentar um problema bem viscoso: Em algumas partes do equipamente, do nada aparece um “calombo digital”, que faz sua caneta saltar, impossibilitando de desenhar nessa área, ficando assim por semanas, até meses, até desaparecer de repente, como se nada tivesse acontecido, para alguns dias depois voltar. Eu tive esse problema e pelo menos dois ilustradores que possuem Cintiq e Intuos também têm esse problema.
Por que é foda: já procurei em fóruns pela internet, já mandei uma carta para a Wacom e até conversei com a assistência técnica (que pediu 4 semanas pra estudar o caso, o que recusei), e ninguém deu resposta. Até parece que esse problema não existe. Para um equipamento que custa quase a metade de um carro popular, isso é quase uma ofensa.

Considerações:

Entre o que é bom e o que é ruim, resta a ponderação.

A Cintiq, acima de tudo, é ferramenta de trabalho. Não é brinquedo. Ela custa caro sim, mas é investimento. Da mesma forma que o computador, os programas e a impressora são investimentos. Pensando friamente ela não passa disso. Tudo bem que ela cria uma ansiedade, um desejo, principalmente para aqueles que têm polução noturna com ela. Nesse ponto você tem que separar o que é apego e desejo pela necessidade.

Para se ter uma idéia, eu conheço dezenas de ilustradores, e posso contar nos dedos da mão esquerda do Lula aqueles que trabalham com uma Cintiq. Oras, se um profissional da ilustração consegue trabalhar e ganhar dinheiro sem uma Cintiq na mesa, você que tá começando nessa carreira pode esperar mais um pouco. Melhor investir num bom computador e numa Tablet Wacom comum.

Aqueles que compraram uma Cintiq, como eu, o fizeram por uma questão de produtividade. Geralmente são estúdios de ilustração ou profissionais que têm um grande movimento de trabalho. Assim, a Cintiq compensa como investimento.
Pense que todo equipamento não é gasto, é investimento. Ele tem que gerar dinheiro assim que sai da caixa e liga na tomada.
Nos meus cálculos, um equipamento tem que retornar (ou seja, tem que se pagar) em 6 meses no máximo. Mais do que isso é prejuízo e foi uma péssima compra.

Não tenho idéia de quanto custe uma no Brasil (comprei a minha nos EUA), mas acredito que ela deva custar por volta de 10 ou 12 mil reais, quase o preço de um Mac Pro Quad Core. Na terra natal ela custa por volta de 2,5 a 2,9 mil dólares. Aí é só fazer a conta.

Aliás, NÃO ME PERGUNTEM ONDE COMPRAR A CINTIQ NO BRASIL, porque não faço idéia. E nem peça pro seu cunhado trazer na próxima vez que ele for pros Estados Unidos porque a caixa é godzíllica. Se bem que a 12UX, que custa a metade do preço, é do tamanho de uma Intuos e essa sim deve dar pra se colocar dentro da mala.

Garotas japonesas que são um horror, para quem gosta de horror e garotas japonesas

Que me atirem pedras e fezes de gato frescas, mas não curti em nada os últimos filmes japoneses de terror, e as versões americanas, com exceção de “O Chamado”, só formam catarro no pulmão. Aquele garoto branquela que emite sons de esgoto entupido em “The Grudge” cansa vossas belezas na segunda aparição, de tão chato, e as japonesas de cabelo longo ficaram taxadas de espíritos rancorosos e melecosos de uma hora pra outra.

Os mangás de horror japoneses, ao contrário, pelo menos possuem um certo charme sanguinolento e putrefato, pois os autores são bem criativos quando se expressam no papel e no nankin (vide o mangá “Uzumaki”, de Junji Ito, lançado pela Conrad há pouco tempo, que era tão ruim, tão ruim, que acabou ficando genial, pois era um festival exagerado de bizarrices onde coelhinhos fofinhos, bom senso e lógica não existem, mas é criativo, ao contrário da versão filmada que é pura matéria fecal).

Ao menos o ilustrador Yoshitaka Kawakami pegou esses conceitos horroríficos e fez algo interessante: recriou diversas cenas baseadas nesses filmes de terror usando belas garotas japonesas em uniformes escolares (fetiche nacional e esporte onânico nipônico) em 3D, usando Cinema 4D pra modelar e Photoshop pra finalizar.

Onechan, minhas fantasias incluem uma corda, um homem e um escoteiro

Como a onda da comemoração da imigração japonesa está no seu momento máximo (tomodachis, aproveitem os 15 minutos de fama esse ano que depois a coisa volta pro remerrenho de sempre), resolvi dar meu quinhão em homenagem a esse centenário da forma que mais agrada a este ser: com ilustração, arte e o bizarro, que espanta o enfadonho.

Nada mais natural do que celebrar um lado muito obscuro e pouco falado do Japão, mas que muito marmanjo safado curte: os onanistas de plantão sabem que muitos filmes japoneses pouco recomendados para infantes têm mulheres amarradas como garrafas de vinho português, é mais um fetiche ou tara para ser acrescentada aos tentáculos, gotejos de velas quentes e seringas com uso pouco ortodoxo. Tem gente que gosta, fazeroquê, também são filhos de Deus.

Se você é um desses pederastas, esse é um passo-a-passo para amarrar a mulher dos seus sonhos e deixá-la submissa para obrigá-la a ouvir seus poeminhas sobre barquinhos e patinhos à tardinha. Ou se você tem trauma de ter sido Lobinho quando criança, pelo menos é sua chance de exteriorizar suas habilidades de fazer nós de forma prática.

Seu casamento vai arrasar, disse seu padrinho agourento

Isso não tem nada a ver com ilustração, mas dá uma pausa pro café porque é uma história mutcho boa.

Já vi noivas que viam sinais em tudo. Mancha de batom no vestido, pombo cagando no carro da noiva, mendigo moribundo aparecendo no meio da escadaria na frente dos noivos sainda da igreja, tudo era sinal de que o casamento não daria certo.

E o que dizer de um terremoto no meio do casamento? Quando as forças da natureza impedem o laço é porque alguém deve ser medalha de ouro em olho gordo.

Essas fotos não são de filmagens ou pegadinhas. Tem muito mais no site em chinês. Enquanto o enlace dos pombinhos corria solto, aconteceu o fatídico terremoto de 7.9 pontos na escala Richter, que desmorona até integridade de virgem. Isso aconteceu em Sichuan, cidade mais atingida pelo evento catastrófico e conhecida por ser a capital do mais-do-que-mimado urso panda.
Não sei ler chinês, mas pelo que vi em outro site, pombinhos e convidados não perderam a vida, o que infelizmente não aconteceu com milhares de crianças em escolas na mesma cidade.

O maior desenho do mundo ainda é aquele que sua mãe elogia

Há alguns dias atrás, algumas pessoas mandaram um post com a mesma premissa: “põe lá no teu blog, tem a ver com desenho”, ou “essa você tem que postar, é duca!”.

A história era a seguinte: em março, um artista sueco chamado Erik Nordenankar mandou uma com um GPS dentro para a DHL, com instruções precisas do caminho que a pasta deveria fazer até chegar ao destino. Depois de 55 dias, a pasta voltou pro sueco.

Depois ele pegou os gráficos gerados pelo monitoramento do GPS e daí nasceu o maior desenho do mundo, que na verdade é um autoretrato do megalômano europeu do norte.

Seria divino se você não reparar nos detalhes dos cabelos, mãos e rosto. Afinal, desde quando você instrui como um piloto de avião da DHL deve voar para chegar em um determinado destino, e todos os vôos comerciais são uma linha reta de um ponto a outro. Nem um cachorro atordoado com a perda do dono faz um caminho tão errático assim.

Conclusão: o maior desenho do mundo não passa de uma tentativa pífia de ser a maior propaganda viral do mundo.

Mas se fosse verdade, quanto custaria uma ilustração do tamanho do globo, que levou 55 dias pra fazer e com uso ilimitado das imagens?

Ilustrações pra japonês ver na Veja

Uia , superoverdose de jabá de moá, coisa que faz tempo que não acontecia por aqui.

Essas ilustrações (e outras que não estão aqui) saíram na revista Veja dessa semana, pra ilustrar uma matéria sobre o legado cultural dos japoneses no Brasil. São 100 coisas que até dariam pra fazer uma toalhinha de bandeja, passando pelo Ajinomoto até pelo Urashima Taro.

A menininha meditando tem um gatinho na cabeça que foi pra fábrica de sabão na edição final da revista.

Não é o tipo de ilustração que faz meu estilo, afinal não desenho mangá, e já foi o tempo em que assistia Dragon Ball em japonês numa locadorazinha em Mogi das Cruzes, antes da internet e dos torrents, e achava ducarayo, pois este ser ignorante só escreve e lê em japonês, mas não fala e nem entende o que lê e escreve, mas ainda abre as retinas de emoção ao ver Paprika e Miyazaki. Mas achei interessante uma oportunidade de soltar a franga ancestral e liberar a criança oriental que assistia “Kimba, o Leão Branco”

Pena que a família Ultra ficou de fora da lista, em compensação dera espaço pro cafona de doer a gengiva “Imagens do Japão”.

Como eu disse pro editor de arte que não desenhava mangá nem gostava do estilo meninas-zoiudas-super-ultra-adocicadas, o pedido dele foi para que eu fizesse algo que lembrasse o estilo do ilustrador japonês Takashi Murakami, um artista japonês que usa o que o Japão tem de mais velado na sua cultura e dá uma chacoalhada, usando esse conceito animê e mangá vitaminado dentro de um contexto mais anárquico e surrealista. Se mangá é arte, Murakami é a prova disso.

Obviamente as ilustrações que fiz fogem desse contexto de Murakami, dando meia volta e retornando pro conceito mangá docinho e fofinho.