Detalhes tão pequenos para piolhos míopes

Muita gente reclamando que não encontra a assinatura na última lâmina de bandeja que já acha que não foi feita por esta persona. Como dessa vez exagerei nas dimensões liliputianas da assinatura, somando que elas não estão pretas e que estão mimeticamente escondidas no meios das ilustrações, decidi defender o meu nome, mesmo que minúsculo, e apresentar onde estão essas assinaturas, nas três lâminas de bandeja sobre Olimpíadas da China. Apenas aqueles que têm olhos de condores peruanos conseguiram enxergar.

Sem xingar a mãe, por favor.

Se meu mac fosse uma loira

Mais uma sessão “Jabásico” mostrando os últimos feitos deste que vos digita.

Essa ilustração saiu agora na última edição da revista Mac +, fiz toda no Painter X (aquarela digital e guache digital) e sim, também na Cintiq (post futuro sobre ela a pedidos).

Foi divertido e honroso, dividir a página com o Junião, Gustavo Duarte, o Fargas, entre outros artesãos da ilustração.

O editor pediu pra desenhar qualquer coisa em comemoração ao aniversário da revista e também pediu pra escrever um texto do porquê eu uso um Mac. Como a revista e o texto em o espírito leve deste blog, aproveito pra reproduzir aqui esse mimoso textinho:

Perguntar para alguém quais os motivos que ele gosta de um Mac é a mesma coisa que tentar explicar por que você gosta das morenas, por que você é corintiano ou por que você bebe refrigerante ao invés de água. Mil explicações podem ser dadas, algumas racionais, outras emocionais, todas proporcionalmente contestáveis com um nariz empinado por quem não é adepto dessas respostas.

Eu uso Mac porque, segundo meu velho pai, a gente tem que respeitar aquilo que traz comida pra dentro de casa. Ilustro no Mac há anos, exatamente desde 1992, quando um patrão trouxe um Quadra 950 de contrabando. Se não fosse isso, minha ferramenta de trabalho hoje provavelmente seria um carrinho de yakissoba no meio da Paulista. Pra dizer que não vejo o outro lado, tenho um PC top de linha que saiu 3 vezes mais barato, pra trabalhar com ZBrush, Photoshop e jogar Crysis, mas não rola uma química legal entre nós, ficando então apenas no “bom dia, bom trabalho, boa noite”.

Enquanto não aparecer outro computador que abale minhas estruturas, e enquanto ele pagar a mortadela de cada dia lá em casa, sempre vai ter um cantinho quase limpo pra um Mac lá no estúdio.

Que voz de homem de queixo grande você tem!

Uma amiga minha que prefere se manter no anonimato por vergonha ruborizante, mandou esse link genial que ela viu no blog Saber é Bom Demais.

Fãs de desenhos animados, que acumularam medidas na cintura de tanto ficar sentado na frente da TV em troca de uma quantidade fantabulosa de cultura inútil que hoje não tem preço vão sentir cheiro de café com leite e bolinho de chuva à tarde quando virem as vozes que dublavam esses desenhos. É melhor que uma lista, são as fotos dos dubladores e as imagens dos personagens que eles deram as vozes. Meu Deus, falando em dublagem, alguém me dê uma cópia dublada de “O Filme Mais Idiota do Mundo” que não existe pra vender, nem pra baixar e é o melhor desopilante de fígado à base de risada que tem por aí.

Guilherme Briggs foi o segundo cara que eu aprendi a admirar como dublador (o primeiro era o Lima Duarte com a voz agradabilíssima do Manda Chuva), porque mesmo se eu tiver um arranca-rabo com um art buyer de sair sangue e pele debaixo da unha e voltar, é só assistir algum desenho dublado por ele com esse timbre histérico-gay-alucinado que funciona melhor que chá de boldo. Perco meus quinze minutos que não voltam mais assistindo “Padrinhos Mágicos” por causa da voz do Cosmo. Em Portugal o desenho se chama “Meus Padrinhos São Mágicos”.

O bizarro-mais-que-bizarro é que ele é a cara do Freakazoid, que ele também dublou.

Piiiiixels pra caray!

Dêem uma olhada nesse passo-a-passo desse castelo construído pixel a pixel e sinta sua cabeça explodir como se tivesse aberto a Arca da Aliança sem a devida precaução.

40 horas de trampo e usando apenas 36 cores pra fazer esse trabalho, que de tão detalhado se torna um daqueles que você exclama “Vá se f….”

O site Pixels Go Mad, onde está esse passo-a-passo também é muito interessante, é uma compilação de centenas de vários tipos de ilustrações pixel art ou baseadas nesse conceito.

Watch the Watchmen

Depois do fiasco quase constrangedor do novo Indiana Jones, onde vira um exercício budista de desapego (a expectativa também gera decepção, principalmente 19 anos de expectativa), o próximo obaoba da lista é Watchmen,.
Deparei no site Omelete as fotos dos Watchmen devidamente caracterizados. Como meu preferido na história sempre foi Rorschach, e segundo a foto é um papel carbono do quadrinho(Dave Gibbons deve ter visto passarinho verde no dia em que criou o visual dele), vem aquela sensação capciosa que diz: “ou vai ser muito bom ou vai ser um fecaloma de três horas de duração”.

O Comediante também tá bonitão, é como se Freddy Mercury fosse velho, hetero e rampeiro. O resto tá remerrenho, como Nite Owl se parecendo com um passarinho cuco de relógio de velhinha. E Alan Moore jogando terra em cima disso, como sempre, feito gato que acabou de fazer as necessidades.

Ni hao, tem toalhinha de bandeja nova no pedaço

Fui fazer minha boquinha mensal no McDonald’s hoje e fiquei surpreso que já estão tirando de circulação as toalhinhas de bandeja sobre ideogramas em troca das toalhinhas de bandeja dos esportes olímpicos. Então, um momento jabá pra massagear o ego e o portfólio.



São 3 lâminas com o tema esportes, que de tanto espremer nas Olimpíadas anteriores não sei se sobrou assunto pra próxima (o mesmo acontece com a Copa do Mundo, terei palpitações e fraturas expostas quando chegar 2010 porque vou ter que tirar leite de gato macho pro assunto render). Pelo menos nessa deu pra brincar um pouco, criando dois personagenzinhos chineses pra ciceronear o trabalho.

Tentei passar um pouco do estilo de pintura chinesa, mas o tamanho final das ilustrações não ajuda muito, pititicas de dar dó. Todas foram feitas nos pincéis sumi-ê e aquarela digital do Painter X. E a inexorável assinatura está muito sutil nas 3 lâminas, tanto que nem lembro onde está em uma delas.

Não chores por mim, Cristina

Chamem o Baptistão, paguem pra ele uma passagem pra Argentina e dêem um trator pra ele fazer uma caricatura da Cristina Kirschner. Porque essa daí da foto parece uma tatuagem de 5 reais feita com transfer gigante.

Esse desenho da presidenta penosa da Argentina, Cristina Kirchner, foi feita em um campo de soja por Gonzalo Rodríguez em protesto dos produtores rurais contra a política econômica do governo contra os coitados.

Assim como os crop circles do filme “Sinais”, vai saber se esse tipo de desenho não atrai outro tipo de inteligência ou entidade, como o espírito penado da carreira de Maradona?

Que maneira mais ingrata de se desperdiçar tofu.

Toalhinha de bandeja para nuestros amigos de America Latina pero no para brasileños

Essa lâmina de bandeja é um pouco diferente e ninguém aqui no Brasil vai ver, solamente nossos vizinhos que falam espanhol e outros um pouco mais acima. É uma lâmina que anuncia um show que aconteceu dia 17 no México e Buenos Aires ao mesmo tempo, promovendo uma ação de caridade chamada Alas. Foi um pesadelo logístico, pois tive que criar 17 versões dessa lâmina para 17 países diferentes, transformando um trabalho singelo e tranquilo em uma operação armada pra não deixar prisioneiros (como diziam os Titãs, foi tudo ao mesmo tempo agora).

O creme custou uma nota e é uma merda, mas fica muito bem nesse Moleskine que custou U$20

De vez em quando aparecem umas idéias que você até fica com raiva de não ter tido antes, principalmente essas que lidam com manias e obsessões, os meus preferidos.

Kate Bingaman-Burt é consumidora compulsiva, mas faz desse ato que faz pelar o cartão de crédito e esvaziar a carteira algo que é até terapêutico: a moça desenha, de forma bem descompromissada e rabiscativa, tudo, absolutamente tudo que ela compra e posta em seu blog, Obsessive Comsumption, um catálogo do seu patrimônio particular.

O conjunto geral é agradabilíssimo de se olhar.

Para muitos seria desconfortável publicar todas as coisas que compradas (ilustrar um creme para queimaduras de terceiro grau ou um caixão de cachorro geraria especulação e comoção ao mesmo tempo), ao mesmo tempo que dedaria você para seu cunhado, para quem está devendo dinheiro e ficaria sabendo que você anda gastando o dinheiro que não tem em tranqueiras.

O Retrato do Artista Quando Jovem

Visto no blog da revista Flight, cocada em forma de quadrinhos.

O quadrinista Dave postou um desafio em seu blog, desenhar você como adolescente, fazendo algo parecido com o Illustration Friday, que, pra quem não conhece, também coleta ilustrações de vários desenhistas seguindo um tema central. Mais de 300 ilustradores responderam o chamado de Dave e postarem suas visões de quando eram espinhentos, eram cheios de hormônios e tinham ereções até com cachorro molhado. Deu até vontade de fazer uma versão minha aos 18 com uma mochila cheia de Senhor dos Anéis em português de Portugal e camiseta velha cheirando ânus de hiena.

Tem muito lixo no meio, mas se tiver paciência para garimpar, vai encontrar coisas que valem a pena desperdiçar 20 minutos da sua vida que não voltam mais, como a ilustração da Clio Chiang acima.

O Lugar Sagrado que é meu, só meu

poderdomitoHá muitos anos, precisamente nos anos de faculdade, eu li “O Poder do Mito”, de Joseph Campbell. É uma leitura que acho obrigatória pra quem trabalha com criatividade, pois é uma obra quase definitiva que fala sobre a importância do mito, dos arquétipos e dos símbolos na civilização. Vai desde a Bíblia, passando pelas diferentes mitologias até chegar aos super-heróis. É considerado por George Lucas como um dos seus mentores e responsável em parte pela saga.

Recentemente comprei o DVD com o mesmo nome, que é uma entrevista de Joseph Cambpell a Bill Moyers. Novamente surpreende pela quantidade de informação, você assiste os dois discos comendo pipoca numa noite, e se sentindo mais inteligente ao desligar o DVD, ao contrário de uma noitada com “Transformers”. É impossível não ficar com inveja do raciocínio e da eloquência de Campbell, você se sente um primata tentando abrir uma lata de milho perto dele.
Vale a pena cada centavinho gasto nele.

Tem uma parte nesse documentário que achei muito, mas muuito bacana. Nem lembro se ele fala sobre isso no livro, mas audiovisualmente é mais contundente.

Ele fala sobre o conceito do “Lugar Sagrado”. Todo mundo deveria ter um lugar sagrado. É um lugar só dele, onde ele não se preocupa com suas dívidas, com trabalho, com a família, com o nódulo que apareceu no testículo, com nada. Só pra ficar largado com ele mesmo. É o que as esposas chamam de “A Caverna” e ficam putas porque acham que acham que os maridos se isolam pra ver peito e bunda ou ficar no MSN com um cara se fazendo de mulher do outro lado. Mas não é, principalmente para homens esse espaço é uma necessidade.

Para muitos, ficar trancado nesse lugar pode não acontecer nada por algum tempo. Mas depois acontece.

Segundo Campbell (e é a resposta que vinha procurando há algum tempo pra justificar a minha caverna), o que acontece nesse lugar sagrado é a criatividade. Nesse lugar você começa a criar coisas novas, ligações novas, crenças novas. O que Campbell chama de criatividade (e é) também pode ser chamado de interiorização, e é até uma forma de meditação. Indiscutivelmente necessário para publicitários ou ilustradores. Escrevendo desse jeito é uma merda, tem que ver ele falando.

Lugar Sagrado não é lugar pra enfiar TV de plasma, conexão de banda larga pra ver sacanagem mais rápido ou XBox, que aparentemente distraem mas causam torpor, isolamento e alienação. É pra levar livros, brinquedos, papel, caneta, um colchão e um pacote de salgadinhos, ferramentas que ajudam no processo de interiorização.

Ainda segundo ele, na época dos homens das cavernas, o lugar sagrado deles era toda a planície da caça, e era ali que as coisas aconteciam. Hoje tudo foi reduzido a uma garagem oleosa, uma edícula minúscula ou para alguns, somente resta sentar na privada por quinze minutos. O espaço foi diminuindo de maneira conivente como no conto “A Casa Tomada” de Julio Cortázar.

Para os que estavam procurando por uma desculpa pra ter um lugar só seu em casa (e pelamordedeus, isso inclui também as damas e similares) mas tinha medo de causar a impressão de que é porque está de saco cheio da sua ou seu consorte, diga que é uma necessidade criativa e mostre o DVD . Aqui em casa pelo menos funcionou.

Meu amor por você passa antes pelo carburador do meu carro

Diz o velho ditado que ninguém conhece que não se empresta carro, livro ou mulher, porque eles voltam estranhos ou estragados.
A leitora Luisa Mancuso enviou essa dica pra postar se eu achasse interessante. Não tem muito a ver com ilustração, mas sempre tem um quê de inspiração nessas fotos, então vale, porque inspiração pra ilustrador é que nem dinheiro ou cueca limpa, nunca é demais.
carroveios
Essas fotos são o mesmo que dar alho pra vampiro chupar para aqueles que ficam com coceira na mão e no bolso pra trocar o carro a cada três anos ou menos.
São fotos premiadas do italiano Matteo Ferrari (tem mais aqui) que teve a paciência oriental de buscar fotos antigas de donos orgulhosos com seus Bugattis 56 como se eles fossem um membro da família, ou como extensão do pênis, como alguns psicólogos falam de pessoas que se sentem completas apenas dentro de um carro, pesquisar aqueles que tem esse tipo de amor metálico a ponto de deixar o carro mais impecável que suas barrigas e tirar uma nova foto na mesma posição para comprovar a inexorável e injusta ação do tempo em seres orgânicos

Por causa de Marcio Nicolosi meu próximo cachorro vai se chamar Smalti

Conheci José Márcio Nicolosi na casa da viúva do Jayme Cortez, em um evento que preciso um dia contar aqui, junto com Montalvo e Ricardo Antunes, pai do Guia do Ilustrador, além de conseguir um desenho dele lá no Bistecão.

Como sou um publicitário recém saído das profundidades da ignorância cultural, em outras palavras ex empregado fixo, confesso que não conhecia seu trabalho. Ao passar os olhos em seu livro Fetichast, que estava debaixo do seu suvaco, fiquei maravilhado com os traços fluidos e o trampo fiadaputa que ele deve ter tido pra fazer uma sequência de cavalos jogando futebol.

Fetichast ainda pode ser encontrado nas melhores casas do ramo, e é uma HQ com uma história um pouco soturna (tem umas partes lá que não é pra criança ler), mas tem um humor refinado e os traços mui vigorosos. E em homenagem às risadas, a próxima unidade cinófila (vulgo cão) que adquirir se chamará Smalti, um dos personagens da história, que não sai da minha cabeça.

Nicolosi é cria direta de Jayme Cortez em muitos aspectos, mas como não sei ligar dois pontos com uma reta sem ajuda de uma régua, não me liguei também que ele era “O” Marcio Nicolosi que havia dirigido a animação “CineGibi”, do Maurício de Souza, com a Turma da Mônica.

Como diria Tom Stines, é nessa hora em que parece que Dali passou pela porta, que os relógio começam a derreter e você vê girafa pegando fogo na calçada. São dois trabalhos totalmente diferentes, A não tem a ver com B nem com um moedor de carne no meio.

Só os bravos conseguem fazer isso.

Arte que não choca é desenhinho

Não tenha medo de olhar o quadro abaixo, achando que vai encontrar respingos de esperma ou outros fluidos inenarráveis.
É um quadro quase branco mesmo. O autor disso foi Robert Rauschenberg e morreu ontem aos 82. O nome desse quadro é “Desenho de De Kooning Apagado”.

A história é mais ou menos essa. Rauschenberg comprou um desenho feito a lápis de um artista plástico chamado Willem de Kooning em 1953. Daí ele apagou o desenho sem dó nem piedade e assinou a obra como se fosse sua. Muita gente caiu de pau em cima dele que nem cachorro carregando a peste, como um ato de vandalismo. A arte de fazer levantar as sombrancelhas de perplexidade veio muito antes de gente amarrando o cachorro ou se cortando com gilete em performances sanguinolênicas pra chamar atenção. Tem gente que chama isso de intervenção, feito somente para mentes mais iluminadas e esclarecidas, fazendo questão de deixar aqueles que tem uma formação convencional ou mentes mais pequenas indignadas.

Se eu abaixar as calças e evacuar minha janta de ontem no meio da Avenida Paulista posso ser preso por pelo menos duas infrações, mas isso deixa de ter importância se no momento da prisão eu alegar que isso era uma instalação artística, um tipo de intervenção na paisagem urbana na cidade. Ironicamente com certeza muitos iriam seguir o camburão acreditando brandando chavões comprados em supermercado contra a censura.

Seu Tetê, sábio jardineiro que não tinha formação escolar, mas sabia quando uma coisa era bonita ou não, diria “que merda, meu filho!”

Falando sério, sei que Rauschenberg tem o seu devido peso no mundo da arte, mas tem coisas que eu respeito mas não entendo.

Indiana Jones contra o Bafo de Onça

Para os mais rebentos e verdes na vida, bafo de onça era a brincadeira que a gente fazia nos intervalos da escola (que a gente chamava de “recreio”) onde disputávamos figurinhas amontoando-as e tentando virá-las com um tabefe. Era como a gente se divertia sem Playstation na parada.

Também era uma época em que não existia DVD, nem videocassete, tampouco torrent pra baixar. Então quando a gente gostava muito de um filme, ficávamos assistindo várias sessões seguidas (antigamente dava pra fazer isso). E assisti “Caçadores da Arca Perdida” 18 vezes – sim, 18 vezes – durante 8 finais de semana seguidos, dois meses arrepiando a pele quando escutava a música tema.

Juntando A com B:

Com o 4º Indiana Jones chegando com toda sua artrite e gordura lateral charmosa, o ilustrador Patrick Schoenmaker criou uma série cartunizada e muito feliz na escolha do traço de cards colecionáveis para a Topps, uma empresa americana especializada nesse tipo de coisa. Todos os personagens da trilogia, mais alguns objetos e cenas da mitologia. Ele disponibilizou mais modelos de cards em seu blog, é coisa pra fã cortar os pulsos.

Adendo ainda pra Indiana Jones: fiquem de olho na próxima Revista Ilustrar, a número 5, Ricardo Antunes conseguiu a façanha bondesca de entrevistar o mestre ilustrador dos cartazes dos filmes de Spielberg: Drew Struzan, reconhecido por George Lucas como o único ilustrador colecionável do mundo. Some-se a isso John Williams, que fará você soltar lagriminhas quando tiver 80 anos e lembrar das espinhas na testa e na ponta do nariz que tinha aos 14 quando escutar suas trilhas sonoras.

Feios lindos por Travis Louie

Embora seja inegável que alguns riscos, rabiscos e ejaculadas de tintas possam (e são) consideradas arte, e das bem caras, também é inegável que uma boa arte ilustrada de forma acadêmica, respeitando sombras e luzes e sendo criativa tem um charme que impressiona.

Essa dica foi do Kako há alguns meses, e só agora postei algo sobre Travis Louie, um ilustrador e artista plástico que faz monstros tão elegantes e vitorianos como os freakshows ambulantes que exibiam mulheres barbadas e gêmeos siameses. São monocromáticas, elegantes e bizonhos. É como olhar para o álbum de família dos Addams.

O Escritório Encantado

Não é novidade, pois já está na net há um bom tempo, mas assim como esposas ingênuas e com projeções córneas, sou sempre o último a saber. Mas se eu não sei, também deve ter uma caralhada de gente que não sabe, então o dia ainda fica bonito e motiva pra colocar um post sobre isso.

Meu objeto de desejo em forma de ilustração, Vera Bee, fez uma história em quadrinhos online para a Microsoft chamada “The Enchanted Office”, com cinco páginas, pra enaltecer a funcionalidade dos programas do nerd mais rico do mundo (mas que dizem as más línguas de sogra do mundo corporativo que ele é mais gentefina do que o Jobs no quesito “tratar funcionário que nem gente e não como cachorro”).

Não é pelo texto, já que é uma hq de encomenda para uma empresa, perdendo muito do seu charme, da mesma forma que fiz com as toalhinhas de bandeja para anunciar o McLanche Feliz do ano passado (afinal, ainda é uma ilustração), mas vale pelo traço e pelo charme, esse nenhum job ou contrato consegue apagar de um trabalho.

Créu Ilustrado

Existem ilustradores que, para relaxar depois de um dia colado na prancheta ou no Photoshop, vão pra academia pra forçar um enfarte no coração, ou vão pro bar pra fazer comunhão nem sempre benéfica com o álcool ou simplesmente desabam a carcaça que um dia já foi um corpo viril no sofá na frente da TV. Faço parte desta última opção, e se não for pra ver House ou Pushing Daisies (que aliás, é uma das melhores séries que já estrearam na TV a cabo, é Tim Burton dirigindo Amélie Poulain), fico jogando um pouco de videogame.

Grand Theft Auto é uma série criminosa, tão boa de se jogar e tão transgressora que você fica até com dor na consciência de assaltar prostitutas e atropelar velhinhas na frente da igreja. E hoje descobri o nome do ilustrador que faz as capas e as ilustrações dessas série. O cara se chama Stephen Bliss, talvez o melhor ilustrador de manos e minas do pedaço. Ele deve bater cartão na Rockstar, empresa que criou GTA, pois também ilustrou o material de “Bully” e “Warriors”.