Ninguém senta na cadeira do Sr. Spock

Um dia um trekkie com dom pra desenhar sentou um dia numa cadeira e pensou: “irei onde um ilustrador jamais esteve”, e desandou a desenhar alucinadamente todas as Pontes de Comando de todas as naves de todas as séries da franquia Star Trek.
Startrek
Taí, uma página com dezenas de plantas baixas e diagramas de como uma tripulação de uma Enterprise sentava.

Como diria o Vulcano com a cara do príncipe Namor: “ilógico!”

Thriller!!

Corram crianças!!

Desde que a casa caiu para o aspirante a mutante com poderes transmorfos capengas e que carrega o odor inato de pedofilia exalando pelos poros e orifícios, ele abandonou Neverland, que mais se parecia com aquela casa que era um defeito na Matrix, na série Animatrix (porque tudo deveria parecer normal, mas de normal só o ar que se respira). Hoje a situação do rancho é a mesma daquele apartamento do seu cunhado que não paga prestação há meses, fica na tangente de ser leiloado, pagando o mínimo no último minuto.

Jonathan Haeber
foi lá fotografar o covil à noite e o que saiu foi uma série de fotos que fariam Norman Bates (vulgo “Psicose”) chorar de saudade. Talvez nem fosse a intenção de Haeber mostrar um lugar que apetesce mais a espíritos baixos do que humanos desprezíveis, uma vez que ele não partilha de um sentimento de linchamento moral pelo cantor esbranquiçado. Neveland se mostra agora como um muquifo assombrado, caindo aos pedaços e exalando karma ruim pelo ralo, digno de se filmar uma continuação de “O Albergue”.

De dia as fotos só tiram o ar macabro, mas expõem mais o lado miserável e decadente do lugar.

Tenha medo, tenha muito medo – disse a namorada do “Mosca”.

Vai saber se a parte mais horrível na verdade acontecia quando Neverland ainda era uma mistura de “Veludo Azul” com Disneylândia, quando O Temível trazia crianças pra lá para transformarem em seus companheiros de aventuras?

Seu trabalho é uma merda

A relação entre esperma e arte tem se mostrado mais íntima do que a relação entre uma camisinha e o Alexandre Frota (quem assiste a um filmixo dela ou da Rita Cadillac no Sexyhot fazendo tchaka-tchaka-nabutchaka fica com a mesma sensação de quem assistiu “O Albergue”).

Esperma sobre gesso

Expie-se daqui o conceito de arte, como disse antes, um algo tão vago e polêmico quanto o sentido da vida ou casar virgem. Aqui a questão é Andy Wharol (tem mais dessas no link), a mãe de todas as bombas que também fez a soma de todos os medos em forma de fluídos corporais tornarem-se arte. Afinal não é a primeira vez que é apresentado arte com urina ou esperma, mas Andy Wharol é o episódio piloto disso tudo em forma de polêmica. Se Andy Wharol goza numa placa ela custa milhões e é algo transgressor. Se é o Tião Rompeterra, que vende água mineral e gás lá na esquina quem faz isso, eles mandam queimar o quadro com creolina e ele é preso por atentado ao pudor. Os mais entendidos e entendiados irão dizer que não entendo nada de arte, mas talvez tenham razão. Mas como diz o sábio seu Tetê, jardineiro semicentenário e que não acredita que o homem chegou na Lua, “eu sei o que eu gosto ou desgosto”.

Urina sobre papel

Mas pra deixar a coisa mais transgressora, é instalar um quadro escorrendo desses em cima da mesa de jantar.

Fica faltando a série de novas mídias para gostos serosos. Depois do esperma sobre gesso e urina sobre papel, há espaço para uma obra de catarro sobre papel canson, outra de manteiga de fetos sobre pão de miga e uma série de centenas de papéis higiênicos usados por celebridades.

Se bem que já fizeram arte com merda, nesse caso enlatada (tirado do blog do Alarcão). Quem gasta 22 mil libras nisso deve se divertir com dinheiro enfiando-o onde o sol não brilha pra brincar de cornetinha.

Elke Maravilha Contra o Homem Atômico

Toda vez que o Benício manda uma mensagem no fórum da SIB ou do Ilustragrupo com as mulheres divinamente simétricas que acabaram de sair do forno do seu estúdio você não resiste e fica babando nas ilustrações ao ponto de enferrujar o computador.

Ao avisar que seu novo site estava no ar (entrem, entrem), o Spacca em seguida mencionou um título de filme que dá convulsão de curiosidade pra saber se existe de verdade, e se existe, em que buraco isso tá escondido. O filme tem cara de ser uma mistura de Willy Wonka com Sílvio Santos: Elke Maravilha Contra o Homem Atômico!! O cartaz também foi ilustrado pelo Benício, e é uma covardia. Pedro de Lara como vampiro roxo e Elke Maravilha prevendo o corte de cabelo da andróide finesse de “Blade Runner”. Mais bizarro que isso somente a lembrança do Maluf fazendo comercial de sapato (Vulcabrás 752, por que me lembrei disso nesse momento?)

Esse filme preciiisa virar cult! Nunca assisti, mas deve ser tão ruim, tão ruim que faz meia volta e fica ótimo.

Entrevista e um jabazinho básico para autopromoção

mm

Essa é para quem frequenta o círculo quase fechado da publicidade.

Na semana passada dei uma entrevista de última hora para o jornal Meio e Mensagem, publicação especializada no mundinho com cheiro de lavanda, cerveja, café e pizza da publicidade e propaganda. O jornal entrou em circulação na segunda, 24, e fica uma semana dando sopa. Infelizmente não vende em qualquer banca mas tem na Fnac e na Cultura, mas quem trabalha em agência tem sempre um exemplar gigantesco dando sopa na mesa da secretária do chefe.
Ali um pouco da minha vida ficou exposta como uma esfiha aberta em meia página do jornal (mas quem acompanha o blog não vai ter grandes surpresas anaeróbicas).

Quando e se tiver um link dessa matéria no site do jornal, depois será devidamente postado aqui.

Nhá!

Mickey de bermudão e sem camisa era mais charmoso

Eu prefiro o Charlie Brown no começo de carreira, quando ele e Snoopy eram mais fofinhos e alegres, tornando-se depois deprê demais pro meu gosto sensível e anti-uruca (mas isso fica prum próximo post).

A lógica também se repete com o Mickey. Gosto mais das ilustrações do começo, da era de ouro da década de 30. Ele era mais minimalista, mais gráfico, os desenhos eram mais limpos e podem tacar tatus e pedras, mas acho que ele tinha mais personalidade.

O responsável pelo Mickey de bermudão vermelho e botões amarelos (que na verdade eram preto e branco) foi Floyd Gottfredson, talvez não tão famoso quanto Carl Barks com seu fantástico trabalho com a família Pato, mas tão icônico e importante quanto.

No blog Inspiration Grab, do cartunista Clark Snyde, estão dezenas de tirinhas de jornal desse Mickey agradável. É nostalgia suficiente para fazer Dercy Gonçalves virar mocinha.

Toalhinha nova, parte 1 de 4

Já deve estar entrando em breve as novas lâminas de bandeja do McDonald’s. Quando ela sair oficialmente eu posto uma imagem maior.
Indefectível como panetone no Natal, sempre que houver uma Olimpíada ou Copa do Mundo existirão também lâminas de bandeja sobre esses assuntos. Tem gente que reclama, mas é natural então que as lâminas sobre esportes e futebol sejam as mais abundantes, embora particularmente acho que explorar os países onde acontecem esses eventos dá mais pano pra manga (eu queria uma sobre dragões chineses ilustrada pelo Kako e outra sobre lendas chinesas ilustrada pela Patrícia Lima, além de uma série com os 12 animais do horóscopo chinês, mas vão ter que ficar pra próxima).

Esse ano serão 04 lâminas de bandeja sobre as Olimpíadas da China, e a primeira é sobre ideogramas (as outras são sobre esportes). Nesse material ninguém vai encontrar minha assinatura escondido em alguma perninha de ideograma porque quem ilustrou esses belos caracteres foi uma professora de chinês e caligrafia chinesa, Lila Schwair, que é minha amiga e foi esposa do meu mestre taoísta, mestre Cherng, que agora vê as coisas sob outro plano de existência. Esses caracteres são ideogramas simplificados, mais usados na China continental, ao contrário dos idegramas tradicionais.

Essa foi uma idéia que eu sempre tive, pois há tempos eu via pessoas tatuando ideogramas nos braços que não tinham nada a ver com o que elas imaginavam. Como disse o Alarcão, ele já viu um musculoso bumba-meu-boy na praia exibindo um ideograma no bíceps que significava “banheiro”. Uma amiga já tatuou um ideograma discretíssimo no ombro, acreditando estar escrito “felicidade”, mas estava de ponta cabeça e todo errado que poderia estar escrito “diarréia de pomba”. Sempre verifique se seu tatuador tem certificado ISO 9000 antes de cutucar sua pele.

Para quem não sabe a história, quando aconteceu a Revolução Cultural na China, na década de 50, Mao Tsé Tung mandou simplificar todos os ideogramas que existiam, alegando que isso facilitaria a alfabetização da população chinesa. Como a gente sabe que a índole do sujeito e do seu partido era encardida e intolerante, muitos acreditam que isso aconteceu para que as futuras gerações não conseguissem ler os antigos clássicos chineses, os poucos que pudessem ter escapado da fogueira. Se isso é verdade ou Teoria da Conspiração Amarela, você decide.

Os ideogramas foram o mote para apresentar os símbolos dos esportes olímpicos, feitos no estilo de ideogramas arcaicos, mais antigos que os tradicionais e eram escritos sobre pedra ou madeira.

As outras lâminas de bandeja sairão em sequência, então quando for o momento adequado irei postá-las aqui também.

A história de Picasso que não é de Picasso, mas serve como parábola para quem tem cliente chorão

Eu tenho uma prima que adoora (com dois “os” mesmo) enviar todo tipo de mensagem sem analisar a credibilidade da fonte, tais como slideshows melados de filhotinhos fofentos ou que elevam sua taxa de açúcar no sangue com mensagens sobre amor e amizade com um fundo musical arrepiantemente brega, alertas sobre o potencial assassino dos adoçantes e dos xampus, dicas imprestáveis de como não pagar estacionamento em shoppings ou pra piorar, ultimamente tem mandado fotos horripilantes de crianças queimadas pedindo ajuda financeira. Porém ela me enviou esse texto sobre uma história que aconteceu com Picasso, mas na realidade não teve Picasso nenhum na parada e nem foi escrito pelo Veríssimo também, mas que tem um fundinho de algo que a gente sempre briga com cliente com habilidades de negociação de em Jerry Lewis. É piegas ao extremo, é uma variante desavergonhada da história do encanador e do parafuso mas serve como parábola do tipo da raposa e as uvas do mundo da ilustração:

“Certo dia Pablo Picasso estava desenhando no parque quando uma mulher gorda aproximou-se dele.

- É você, o grande Picasso! Oh, você precisa fazer um desenho meu, por favor, eu insisto!

Picasso concordou. Depois de estudá-la por um momento, ele precisou de apenas uma pincelada para fazer seu retrato.

- Oh, ficou perfeito, perfeito! – exclamou a mulher – você capturou minha essência apenas com uma pincelada, em um só momento. Muito obrigada. Quanto você vai cobrar pelo retrato?

- Cinquenta mil dólares, madame – disse Picasso.

- Como assim cinquenta mil dólares?? Como você tem coragem de cobrar tanto dinheiro por esse desenho? Eu vi, você não levou nem dois segundos pra fazê-lo! – disse a mulher indignada.

Picasso replicou: – Madame, isso não levou dois segundos, levou toda a minha vida.

Sim Gafanhoto, pode se sentir iluminado por essa parábola fake ou medir sua taxa de glicose no sangue.

Desenho é uma máquina do tempo

[img:Daizi.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Uma pequena pausa para as questões sobre direitos autorais, querelas com clientes e orçamentos, apresentações de talentos de rachar as córneas e babosidades risíveis envolvendo arte e ilustração.

De vez em quando é bom postar algo sobre o que é simplesmente desenhar. Mesmo seres com o coração feito de aço escovado sentem algo aquecendo lá dentro como um gatinho dormindo quando vêem algo assim.

Essa matéria saiu discretamento hoje no UOL, mas é poderosa para quem é apaixonado por desenho e por história.

O ojissan simpático na foto acima é Daizi Yamamoto. Ele saiu do Japão com 16 anos para vir ao Brasil em 1938, como muitos achando que aqui era um pedaço do paraíso onde se plantava café. Esse trajeto era feito de navio em 42 remerrentos dias. Yamamoto não tinha máquina fotográfica, mas queria registrar o que via na viagem. Então fez um sketchbook e começou a desenhar compulsivamente, ajudando a passar o tempo nessa viagem malemolente. Yamamoto enviava todos os desenhos pelo correio para a sua mãe, que ficou no Japão.

O que ele não sabia é que sua mão havia guardado todos os desenhos, além de encaderná-los. E, como num filme de roteiro diabético mas irresistível, muitos anos depois Yamamoto volta para a terra da Hello Kitty pra rever sua mãe e recebe seus desenhos 32 anos depois, pra logo em seguida sua mãe falecer.

O que era pra ser só um sketchbook feito para passar o tempo e também para mostrar para sua mãe o que via virou uma cápsula do tempo e um registro tão valioso como uma foto. Feito por uma pessoa comum, que usou o desenho como uma ferramenta de registro fabulosa.




Qualquer desenho que nós fizermos hoje, representando um local, uma pessoa ou evento terá o mesmo papel daqui a 50 ou 100 anos. Seja um Big Mac mordido ou uma garota agachada mostrando o cofrinho. Ou mesmo você desenhando a si mesmo, ao rever esses desenhos quando você tiver uns 80 anos e mais enrugado que bunda de elefante você relembrará com emoção da época em que você era viçoso e pintoso ao mesmo tempo. Essa foi uma lição que aprendi no Bistecão: sempre carregar um sketchbook e um lápis na mochila, nunca se sabe o que pode pintar na sua frente que implora pra ser desenhado.

Sempre fico procurando na minha família se tinha alguém com inclinação pra desenhar como eu. Assim como Yamamoto, minha família também veio ao Brasil de navio, no caso o Arabia Maru, antes da segunda guerra começa a feder de verdade e soltarem a bomba – ironia, já que uma parte dos meus avôs vieram justamente de Hiroshima.

Ironicamente, meus avôs também não viriam para o Brasil. Eles queriam se estabelecer nos EUA, então pelo que entendi, eles desceram no Mississipi pra colher algodão. Mas olha só a história, no dia em que eles chegaram foram entuchados em um alojamento de negros, pois não havia outro lugar pra eles ficarem. Meus antepassados já deviam ficar com o coração na mão, já que nunca tinham visto uma pessoa de pele com cor de beringela na vida, mas pra piorar nessa noite a Ku Klux Klan baixou no alojamento a cavalo e, encardidos como sempre, enforcaram um negro numa árvore e o queimaram o coitado pendurado feito Tocha Humana na frente deles. Nessa mesma noite minha avó pediu para saírem de lá com urgência urgentíssima e resolveram gastaram o resto do pouco dinheiro que tinham pra vir para o Brasil.

Paradoxo do tempo, se eles tivessem ficado nos EUA, eu não teria nascido, então eu devo em parte minha existência a uma cambada de racistas encapuzados. É a minha filosofia de estrada: todas as coisas são conectadas e nada acontece por acaso.

Se minha família escapou de uma bomba atômica, de um ataque racista sulista e do plano Collor, acho que viver de ilustração é balinha de coco perto disso.

O ilustrador do futuro terá que aprender física e matemática além de anatomia e perspectiva

Oquei, a Cintiq sozinha já é legal pra se trabalhar com ilustração, mas com o game Crayon Physics, que todo mundo tá comentando de tão bom, tão bom que dá até medo, ela vira o motivo que faltava pra considerar a prostituição uma opção digna pra se ganhar algum dinheiro extra. Depois disso é usar a carcaça do XBox 360 como vasilha de ração de cachorro.

O pessoal do MIT ainda engatinha nesse tipo de tecnologia, mas imagine as potencialidades disso se isso expandir além do game para aplicativos de desenho profissional? Tipo, um Adobe Illustrator onde você literalmente tem que dobrar os vetores na mão feito arame, salpicar padrões nas ilustrações como quem salpica sal na pipoca ou simplesmente pegar uma ilustração malfeita e quebrá-la em pedacitos? Hein?

Me sentiria feito um macaco na frente do Monolito Negro na frente de um joguinho desses, berrando de indignação porque não conseguiria entender como isso funciona e dando uma porrada com um fêmur no meu assistente como demonstração íntima de frustração.

Falando no Monolito Negro, morreu aos 90 anos Arthur C. Clarke, pai do Hal e escritor de toda a saga da Odisséia no Espaço, no Sri Lanka.

A primeira coisa que ele deve ter falado depois de morrer: “My God, it’s full of stars!”

Star trash

Saiu no Neatorama um blog sobre produtos licenciados com a marca Star Wars que foram rejeitados por George Lucas. Ao contrário do que aconteceu com o termômetro oral-retal do Bob Esponja, o critério de qualidade até que era alto.

Eu seria um homem mais feliz com esse pebolim de Jedi versus rebeldes, ou mesmo com a geladeira do Han Solo congelado em carbonite pra esfriar as cocalemons selvagemente consumidas durante madrugadas de trabalho. Os fones de ouvido da Princesa Leia também geram sentimento de posse em meu ser. De tão bizarros até parecem coisas que saíram da cabeça do Al Jaffee.
No blog ainda tem uma série de outras tranqueiras que acabaram na sarjeta do mundo da promoção e marketing.

No final, a realidade fica mais bacana que a ficção, e no final essas peças ficaram mais interessantes que os inventos da última lâmina de bandeja.

Atentem para o estilo as ilustrações, em estilo “mancha de ecoline feito em 15 minutos”, que era largamente usado em agências de publicidade antes da revolução das máquinas.

Rocketeer encontra São Pedro


Dave Stevens (1955-2008) virou estrela. Era o pai do charmosíssimo Rocketeer, aquele herói que usava um foguete nas costas e não sofria queimaduras de terceiro grau, tinha um capacete pra lá de bacana e um casaco de couro que deixaria até seu Madruga classudo. Adorava desenhar pinups, como Elvgreen e Benício.

Ele morreu de leucemia e não era muito mais velho do que eu.

Esperemos que Betty Page, sua musa inspiradora, receba Stevens com pouca roupa e muito estilo no céu dos ilustradores.

Monstros gigantes, o velhinho que fez monstros gigantes e a mocinha que amava monstros peludos gigantes

Sobremesa doce e colorida pra fãs de monstros que assistiram “Cloverfield” e “O Hospedeiro” (no primeiro o exército comparece em peso, no segundo não aparece nem um soldado raso pra soltar uma azeitona no monstro).

A Dreamworks vai lançar em 2009 o projeto “Monsters vs. Aliens”, tendo como base os filmes antigos de monstros que passavam nos cinemas na década de 50 e 60 e depois inundavam a Bandeirantes no famigerado “Cine Mistério” às sextas. competindo deslavadamente com o vergonhoso “Sala Especial”, que passava na Record. Vergonhoso porque todo moleque tinha que montar uma estratégia pra assistir a TV baixinho pra não acordar os pais pra ver 5 minutos de peitinho mixaria, quase sempre da Helena Ramos ou da Aldine Muller.

Já dá pra reconhecer aí os parentes esquisitos da Bolha Assassina, da Criatura do Lago Negro e da Mulher de 50 Pés de Altura, vestida até o pescoço e se parecendo com a irmã da Mirage, a secretária lascívia de Síndrome, de “Os Incríveis”. O mestre de obras é Rob Letterman, que fez “O Espanta Tubarões”.

Alguns tem taras por anões besuntados a óleo, outros por monstros que comem quarteirão com queijo de manhã. Como já disse antes, devo minha carreira de ilustrador aos monstros de pele de borracha do Ultraman e Ultraseven, pois gastava lápis de cera a granel desenhando os avôs do Pokémon a rodo.

Esse livro é um atestado de nerdice e ao mesmo tempo de agradecimento. Eiji Tsuburaya é o criador do Godzilla (Godzilla vem de Gojira em japonês, e é a fusão de “kujira – baleia” com “gorira – gorila”) e da família Ultra, dos monstros e de toda a frota de naves que fazia os aviões dos Thunderbirds parecerem teco-tecos, tendo como brinde a atuação de degustadores de salada sem tempero dos atores.

O livro é recheado de fotos dos bastidores dos filmes e seriados e faz você ficar 30 anos mais moço folheando as páginas, ao mesmo tempo que vem uma ponta de revolta por ter se maravilhado algo tosco como um óculos com lanterna de carro ou uma cápsula beta que servia para karaokê. Custa 120 dinheiros na Cultura.

E existem aquelas se cansam de salvar a humanidade e de vestir um capacete embaraçoso pra cair na dura vida real e ganhar uns trocados pra garantir a janta de amanhã.

A mocinha que fazia a charmosa Anne, o elemento feminino da tropa do Ultraseven, chamava-se Yuriko Hishimi. Depois que Ultraseven acabou, ela desistiu de lutar contra monstros peludos para unir-se a eles e virou atriz de filmes eróticos e fez várias fotos exibindo suas unidades de recreação e reprodução que nem UltraSeven foi capaz de alcançar (mas nem ela seria páreo para o hirsuto e adiposo Ron Jeremy).

Ele é de plástico, mas não passa pelo detetor de metais.

Chamem esse ser de rabugento digital, mas não consigo apertar os botões do joystick em jogos baseados em Lego. Lego Star Wars, Lego Senhor dos Anéis, Lego Ugly Betty. Brincar com o Lego no mundo real é mais divertido, pena que uma vez montado ele fica com a função decorativa e acumulativa de poeira.

Lego e Playmobil são empresas que caçam lucro como quem caça o almoço, portanto é natural que em alguns momentos eles tenham temas oportunistas para serem vendidos, os chamados temas sazonais, com um pouco de sorte jamais veremos um set Lego ou Playmobil de Big Brother ou da Elba Ramalho, embora acredite que deve ter muita intenção rolando por lá de fazerem uma versão para fanfarronear do Capitão Nascimento. Pelo desenho e pelo design, me apetesce ainda mais os brinquedinhos de Kinder Ovo. Quem cria os brinquedos é um gênio matemático, principalmente pra calcular o encaixe das peças dentro do frasquinho, é tudo tão compacto e todo espaço milimetricamente aproveitado que nem bactérias conseguem proliferar ali dentro.

Enviaram pra mim esse snapshot tirado do site Amazon, e provavelmente ele não estará mais à venda, até reporem os estoques.
Você pode tirar a roupa dos bonequinhos, que vêm com orifícios íntimos para serem vasculhados, e se pressionar demais deve sair bolinhas marrons na parte de trás.
A lembrança perfeita para quem foi barrado de maneira canina lá em Madri.

O Playmobil de Guantánamo é vendido separadamente.

Revista Ilustrar 3

Voltando depois de uma semana isolado, tempo suficiente pra quase ter rolado uma guerra banânica e barraqueira entre Equador e Colômbia e para terem tirado o Adult Swim do ar.

Foi no dia que saí que o Ricardo Antunes lançou o terceiro número da Revista Ilustrar, leitura obrigatória para todo amante de ilustração, já que é de graça (mesmo sendo de graça e disponível pra download em letras bovinas, o que escreve de gente perguntando onde comprar e quanto custa chega a dar tristeza). Está mais bela, mais recheada, mais interessante, então aproveitem amantes do traço e pobres lamurientos de plantão.

Nesse esforço hercúleo de um exército de um homem ou dois, Antunes conseguiu abrir uma seção de Mitologia Ilustrada, entrevistando Brad Holland, uma verdadeira lanterna humana que brilha com seus desenhos e ilumina o caminho dos esverdeados e com pouca informação na sua luta pela defesa dos direitos autorais e com a briga com os bancos de imagens. Não é pouca bosta, Brad Holland tem um peso de jamanta no mundo da ilustração atual. Leia a entrevista e sinta-se mais preenchido.

Tem também uma matéria sobre um dos ilustradores mais figuras que já existiu, o Jayme Cortez, pai do Zodíaco. Estive lá acompanhando a abertura da Arca da Aliança que era sua mapoteca com os originais e ainda vou fazer um post sobre esse momento privilegiado.

Tem ainda mais entrevistas, com Orlando, Lelis, Vilela, e especialmente um passo-a-passo do Baptistão fazendo uma caricatura digno de arrancar os olhos e dá-los pro cachorro comer.