Até 10 de março


Aos adorados, inestimados e sedentos leitores deste blog. Eu bem que tentei alimentar esse informativo nos últimos dias, mas não consegui, o ritmo de trabalho está tão volumoso que chega a ser quase estuprante. Por esse mesmo motivo, estarei sem postar nada até o dia 10 de março, pra me dedicar integralmente de corpo, alma e ossos nesse job, sob pena de decapitação em público prevista em contrato.

Até lá, então.

Um aparelho pra saber o quanto quente e úmido é a Fenda do Biquíni

Você cria um personagem, sacrifica uma secretária virgem pra que ele se transforme em desenho animado e faça sucesso, para que dessa maneira as portas das empresas de licenciamento, antes lacradas e herméticas, se abram com sorrisos e cafezinhos do outro lado te esperando, só restando esperar sentado pra ver o dinheiro cair na conta, até que um dia as coisas, que vão indo tão bem, percam o controle e você nem sabe mais que tipo de produto seu personagem tá vendendo.

Tudo bem, esse é o tipo de problema que todo ilustrador gostaria de ter.

Como esse produto, que deve ser o termômetro de estimação do Lula Molusco.
Termo
Segundo o fabricante, o termômetro do Bob Esponja é pra medir temperatura oral, axilar e retal. Sim amiguinhos, o Bob Esponja vai dizer quanto mede a temperatura naquele lugar que nunca bate sol!

Esse termômetro deveria vir com um chip de som que solta aquela risada picapaulesca quando toda vez que você tem que enfiá-lo nos domínios do Senhor dos Anéis de Couro.

Pegando carona no sucesso dos outros e ainda cuspindo no chão do carro

ratatoingRecentemente uma pequena discussão aconteceu nas listas do Ilustragrupo a respeito de uma empresa chamada Video Brinquedo, que lançou pequenas pérolas oportunistas, como Carrinhos, Ratatoing e outras “homenagens lucrativas” (vendem como camisinha no Carnaval).

Existe uma margem muito fina, como um hímen, que separa o plágio da associação de idéias. Embora seja algo descaradamente oportunista e sem alma, é puramente comercial. Não é uma obra pra se orgulhar pela sua qualidade, originalidade ou mesmo caráter, mas, infelizmente, isso acontece com tudo em relação ao mercado de entretenimento. Basta um filme fazer sucesso que surgem uma esteira de produtos patifes e com uma qualidade que parecem terem sido feitos dentro de um vagão do metrô Tatuapé na hora do rush. É inevitável. Você encontra coleções de livros infantis a preço de alface com títulos como “Procurando Remo”, “Alabbin”, vendidos na rua por ambulantes e que parecem ter sido ilustrados por bolivianos ilegais com pressa. Filmes rasteiros na cola de outros famosos, revistas fuleiras no rastro de outras que fazem sucesso, isso acontece até na natureza. São como rêmoras, aqueles peixes que grudam nos tubarões pra abocanhar migalhas e restos de comida sem fazer força. Aposto que você também têm um amigo ou cunhado que também tem o mesmo comportamento, abocanhando as coisas da sua geladeira, namorando suas ex ou dando seu telefone como referência pra conseguir comprar estante no crediário.

Existem casos extremos. Esse, por exemplo, transforma Ratatoing numa obra-prima da animação de periferia do Iraque em comparação.

Isso, acreditem ou não, é um jogo de Playstation 2, que não é um jogo, mas um filme (defina filme) pra se assistir com uma mão no joystick e outro no penico. Quer comprar um e infectar a sala? Aqui tá o link.

É a pior animação que já vi na minha vida, é tão ruim, tão ruim que chega a ser bom. Digno de se passar no Adult Swim. As aquarelas de fundo são de uma pobreza favélica, os personagens são cópias de originais da Disney feitos em papel de embrulhar mortadela por lenhadores sérvios fazendo bico como animadores. E a dublagem, my Gosh, a dublagem de todos animais é feita aparentemente por uma só pessoa.

Esse daí passou da falta de bom senso para assassinato de bom gosto e de direitos autorais.

E o pior é que tem muita gente que compra.

Páta-Páta-Páta-Pún

O fato de não ter um Autorama quando criança fez com que eu desenvolvesse uma disfunção lúdica em relação a brinquedos eletrônicos. Tempo é algo que me falta, ao contrário do meu xará famoso, mas mesmo assim minha fixação por videogames continua. A penúltima aquisição, Burnout Paradise, um pegapracapá automotivo que vale cada centavo gasto, pois sempre há de se usar a imaginação para colocar aquele art buyer bilirrubento como seu rival de pneu.

Às vezes você se arrepende de ter investido alguns dinheiros suados em um filhote de elefante branco. O PSP da Sony foi um desses. Consolezinho miserável, só compensa até hoje por causa de um único jogo: Loco Roco. Felizmente, chegou mais um jogo, vindo direto dos meus traficantes do Japão, que limpou o SPC negativo do PSP.

Patapon é um jogo feito pra inspirar ilustradores e designers gráficos. Tem boa paternidade, afinal é do mesmo time que criou LocoRoco. Ele vicia, porque os gráficos, superhirpersimples que parecem ter sido feitos com um mouse num Adobe Illustrator (e talvez foram mesmo) somam com a música superbôndica (a musiquinha da propaganda do jogo é a mesma que rola no jogo). Você controla um bando de nativinhos gráficos tocando notas tribais que as criaturinhas ficam repetindo, matando um monte de monstros igualmente gráficos. Que Guitar Hero que nada.

Sempre o princípio do “menos é mais” fascina. Patapon não tem a tonelagem gráfica que Gears of Wars ou Halo, até parece que foi feito em Flash, mas é mais divertido que os dois juntos. O ruim é que você fica com Pata-Pata-Pún ecoando na cabeça por um bom tempo.

Vai sair na casa do Tio Sam no final de fevereiro.

Sexo solitário em bando (upgrade)

Tirem as crianças da frente do computador, tem sexo solitário nesse post.

Pornografia hoje está em todo lugar na internet. Quem tem filhos tem a maior paranóia de que uma Ramela Anderson turbinada não desça sem querer enquanto o pimpolho está navegando. Se você procura por referências fotográficas no Google, mesmo se você procurar por uma morsa vai ter umas três ou quatro fotos de mulheres com as perseguidas arreganhadas, como se fossem mortadelas fatiadas sendo oferecidas como amostra grátis pela cortadeira de frios da padaria. Sites com peitudas calibradas com pressão de pneu e sujeitos mastrodônticos entram na sua tela sem pedir licença. Tudo muito plastificado e fast food (embora antes de casar eu comprava a Hustler, pra alegria dos sujeitos que trabalhavam comigo, mais por causa das charges engraçadíssimas e um pouco por causa das mulheres photoshopadas, embora ninguém acredite nesse argumento).

Pois bem, estava assistindo aquele programa da Sue Johansen no GNT, aquela velhinha que fala de sexo de maneira tão aberta que você não conseguê parar de imaginar pelada na cama, quando deparei com uma reportagem sobre um site interessante sobre sexo.

Essa é digna para Onan, o Bárbaro. O site francês Beautiful Agony mostra pessoas comuns, como eu, você, homens e mulheres ou a atendimento da agência onde você trabalha, das gostosas a gordurosas, magros, feios, lindos, velhos e até anões, praticando o chamado sexo autônomo na frente das câmeras. Só é mostrado a face dos onanistas em todo o processo climático, nada mais, e é aí que mora a criatividade. Usando a estratégia “menos é mais”, você fica imaginando que p*** que ela tá fazendo lá embaixo. Ninguém é tratado pelo nome, apenas por números, então se você quiser mandar seu videozinho pra lá existe uma certo anonimato, mesmo que a sua vizinhança inteira reconheça sua cara torcida de agonia.

Não é um site baixaria (defina baixaria), tem uma certa classe meio “Valentina” do Guido Crepax nisso. No mínimo, é original.
Nunca tantos onanistas juntos no mesmo espaço. Pra quem precisa de referência de gente gozando pra desenhar, é buffet por quilo.
O divertido é que você percebe que ninguém goza do mesmo jeito. Tem aquelas que não fazem nenhum barulho, e só no finalzinho soltam um chiado que parece que alguém pisou em um ratinho. E também tem aqueles ultra exagerados que parecem que estão sendo sodomizados em uma montanha-russa.

Uma amiga minha conheceu um sujeito que chamou pela mãe quando atingiu o pico de prazer. Já li relatos de gente que chamou Jesus nessa hora. Vai saber se a maneira como você goza não virou motivo de conversa em mesa de bar?

Upgrade!!

O Rodrigo fez uma sessão de vidas passadas por escrito e aí vai mais um pouco de onanismo via TV Pirata, pais reais de Onan, o Bárbaro:

Vincent, Vincent e Tim Burton

Um dos primeiros trabalhos de Tim Burton, que ignorantemente só conheci ontem. E Tim Burton é o Elvis da fantasia de humor negro, e o segundo na hierarquia das divindades do stop-motion, depois de Ray Harryhausen (Furia de Titãs, Sindbad e o Olho do Tigre e outros filmes que você assistia comendo rabanada depois de chegar da aula na Sessão da Tarde).

Vincent Malloy é um garoto doce e submisso que queria ser Vincent Price, e cria um mundinho à parte, como um Calvin das trevas. Um escapista.

O ponto G do curta é que a narração é feita pelo próprio Vincent Price. Tim Burton deve ter feito esse filme com um volume nas calças.

Tom Richmond ensina a fazer caricatura

Caricatura é uma área da ilustração que considero que somente alguns nasceram com esse dom, embora nunca achei que ilustrar fosse um dom. Mas conseguir reparar em minúncias do rosto, deformá-las e ainda ficar com a essência do original é coisa de gênio. É caricatura mesmo, e não desenho do rosto quase fiel diminuindo as proporções do corpo pra parecer cartunizado. Gente como Baptistão, Nássara, Loredano e Paulo Cavalcante são exemplos de cartunistas de primeira linha.

A revista MAD sempre foi uma referência de ilustração e ilustradores, da mesma forma que a finada revista Kripta. Como disse em posts anteriores, devo muito à minha carreira de ilustrador a Al Jaffee e Sérgio Aragonés. Haviam bons caricaturistas, como Mort Drucker e Tom Viviano (que faziam as paródias de filmes, que eram muito legais nos anos 70 e 80 e hoje perderam a graça).

Tom Richmond é ilustrador da revista e segue um pouco a mesma linha. É outro que também amassa, contorce e remonta os sujeitos.
Em seu blog, Richmond começa a dar dicas de como fazer uma caricatura profissional. Em seu primeiro post ele ensina a técnica das 5 Faces, coisa de ninja de prancheta. Depois ele garante que vai colocar mais coisa lá. Dica do blog Drawn.

Aproveitando que ele foi representado, um momento Al Bundy, que foi protagonista de “Married With Children” umas séries mais engraçadas e com diálogos cortantes de sair sangue:

Al Bundy está sentado deprimido por que sua mulher começou a ganhar mais do que ele, ganhando comissão vendendo produtos de beleza pra ela mesma.

Ele lamenta com seus filhos:

“- Sua mãe agora ganha mais do que eu. Vocês não vão mais me amar!”

E a filha:

“- Não papai, claro que ainda vamos te amar. Só não vamos mais te respeitar.”

Amostra grátis do próximo capítulo

Uma palhinha de bandeja da próxima lâmina de bandeja do McDonald’s, que deve entrar nas lojas em abril. Mais um job sobre Olimpíadas de Beijing aqui e teremos aqui um caso de “karoshi” causado por um chinês. Pra quem não sabe, “karoshi” é o termo japonês pra morte devido ao excesso de trabalho (que trocadalho do carilho, “Hiroshi morre de Karoshi”).


Se tivesse tempo eu faria em papel, na técnica sumi-ê, mas como só o outro Hiro tem tempo ao seu lado, vai ser feito no honorável Painter.

Beijing, Beijing, tchau, tchau (argh!)

See you in another life, broda!

Lostmaníacos enfim encontraram os malditos números na bandejinha das invenções e tem escrito pra mim (alguns de maneira extasiada) perguntando se existe alguma conexão entre o McDonald’s com a série mais enrolada que intestino de boi. A resposta é não!!!

Vocês não vão ver Hurley comprando uma loja da rede pra ter um estoque particular de cheddar, não vão ver Jack ébrio e com uma barba hirsuta numa mesa de lá chorando as pitangas de maneira irritante e nem vão ver Kate trabalhando de canarinho pra enganar a poliça. É só uma toalhinha de bandeja, que de vez em quando usa essas referências pop pra dar um temperinho, não é um compêndio que tenta levar algo prosaico a sério, como “The Science of Star Trek”. Nem vai ter McLanche Feliz dando bonequinhos do Locke que faz carimbinhos com a bunda, como faziam as da Hello Kitty.

Apenas peça pelos números e boa sorte.

Mr. Wonderful é wonderful por que é do Daniel Clowes e é de graça

Baixar coisas da internet é o atualmente o esporte preferido de 8 entre 10 seres que vivem na frente de um computador, mas quando aparece algo de graça, com qualidade e com permissão, é um evento quase místico. É prato cheio para a nação do Movimento dos Sem Um Puto.

No site do New York Times está disponibilizando uma obra inteira de Daniel Clowes, chamada Mr. Wonderful. Para quem lê inglês um pouco mais do que “The book is on the table” ou “shut up, motherfucker”, é biscoito fino oferecido de graça. Quem gostar dessa história, pode comprar Ghost World, que até virou filme, e Eightball, outros trabalhos dele pra se colocar na estante.

Negócio da China para analfabetos em chinês

As próximas toalhinhas de bandeja do McDonald’s, que estão ainda na batedeira esperando pra entrar no forno, serão sobre as Olimpíadas na China. Como disse anteriormente, odeio anos pares porque são anos de Copa e Olimpíada, então toda a agenda até o segundo semestre fica praticamente monotema, e o que aparece de pedido de trabalho parecido não é brincadeira. Com as toalhinhas também não é diferente, e nesse caso não serão uma, mas quatro, sim amiguinhos, quatro pra você colecionar e brincar!

Infelizmente a lâmina “100 comidas chinesas que dão pesadelos pro resto da sua vida” não foi aprovada, mas um dos temas será ideogramas chineses, um tema que já estava há tempos esperando ser liberada do limbo, e a explicação é porque muita gente tatua ideogramas nas costas, compram vasinhos em lojinhas mequetrefes e colam adesivos pensando que é a palavra “amor”, “amizade” ou “prosperidade”, quando, se não estão colocando de cabeça pra baixo, também não sabem se estão tatuando “Rolinho Primavera”, adesivando “Liquidação” ou comprando um vaso com o ideograma “Tragédia”. Pra evitar dissabores de rotacionar o fígado, elas serão feitas por um caligrafista e professor de língua chinesa. Quem viver, verá.

E pesquisa vai, pesquisa vem, descobri o que é considerado o ideograma mais complexo da China, com 63 traços:

E embora a gente pense que, por causa do poder sintético dos ideogramas, com esse tamanhão ele signifique algo como “governar um país é como fritar um peixe pequeno (Tao Te Ching)”, ele significa simplesmente, e sem nenhuma aura de soberba amarela ou uma conotação filosófica, um estúpido nome de um restaurante: “Macarrão Biang Biang”. Não é piada, é macarrão Biang Biang.

Para quebrar um pouco o gosto de café ruim que isso deixa na boca, aí vai um ideograma legal pra ti, ó ilustrador faminto de idéias:

Esse ideograma é Hua, que significa pintar, pintura, desenhar ou desenho.
Ok, ele tá serrilhado, tá meia boca, é um gifzinho de merdinha com resolução de pinto de pulga, mas quando eu tiver o ideograma joiado, eu posto aqui.

Esse sim pode ser adesivado no carro e tatuado no peito de ilustradores.

Todos animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros – Revolução dos Bichos, George Orwell

Desculpando-me pela escassez e pelo tamanho econômico dos posts, mas caiu um metoro em forma de job que fez um estrago danado. Culpa da China, fazer o quê. Depois de março as coisas voltam um pouco ao normal.


Dando prosseguimento à série “post jabá”, apresento estes personagens vetoriais que foram feitos no Illustator para uma campanha para o Itaucard, encomendada pela SM. Fofóides à beça.

Só pra matar a curiosidade de alguns, esse é o rascunho feito direto no Painter, sem escala no papel e quase sem modificações em relação à arte final.

Como dizia aquele alto–falante no final dos episódios do seriado M.A.S.H. (quem nunca achou que o Radar fosse uma reencarnação do Batatinha, do Manda-Chuva?):
“É só!”

Hair Hitler!

Post curtinho como dinheiro no final do mês. Na verdade, é mais uma desculpa pra mostrar o trabalho galante de Michael Gilette, que de vez em quando tira um sarro em cima daquele que foi o sujeito mais encardido do mundo com uma microssérie chamada Hair Hitler.

É trocadalho do carilho sim, mas mas nesse caso funciona. Detalhe pro pentezinho ariano em cima do cabelo black power.

Como colocar uma população inteira em um sketchbook

Existem ilustradores que amam seus cadernos de desenho, instrumentos preciosos que permitem que sua criatividade role solta feito hamster fujão por não ter limites, jobs nem gente crica dizendo o que fazer. É o instrumento de descarrego mental de todo ilustrador que precisa liberar alguma coisa criativa que ainda não conseguiu se manifestar no mundo terreno. E também existem aqueles que transformam sketchbooks em uma forma de expressão única. Se você for no Bistecão vai querer roubar uns cinco ou seis que sempre aparecem por lá que são verdadeiras obras de arte encadernadas.

Rob Laro eleva a categoria de desenhista de sketchbook a um nível mais elevado. Pelo visto, ao contrário de mim, ele adora gente. Ele não deixa prisioneiros nem espaço em branco, como se tivesse agorafobia, medo de lugares abertos e vazios. É um porrada visual, a maior quantidade de coisalegal desenhada por centímetro quadrado. Dá até vontade de fazer uma toalhinha de bandeja nesse estilo, bem rabiscado e solto. E o cara não tem só quantidade, tem qualidade também, e muita. Os traços dos pequenos viventes são superexpressivos, fazem seus olhos passearem com calma pelos desenhos como se estivessem procurando Wally de biquini.

Ao terminar de apreciar as 21 pranchas que ele colocou no seu Flickr, seus olhos contemplaram tantas pessoinhas, quase o equivalente da população de Jijoca de Jericoaquara em dia de festa.

100 tutoriais de Photoshop e um brilhante ilustrador que ainda trabalha com a dinossáurica versão 3

Existem alguns desenhistas (não ilustradores) que adoram falar de boca cheia que são autodidatas, daqueles que pertencem à classe “ó mãe, foi eu quem fiz sozinho sem colar”, mas devoram tutoriais de programinhas com pão e manteiga no café da manhã. Absolutamente nada contra os autodidatas, aos quais eu me incluia até há um ano atrás, mas roubando umas palavras de brilhante aquarelista Gonzalo Cárcamo, “não tem problema nenhum em ser autodidata, mas talvez você leve um tempo maior pra chegar até onde deseja”. Sobre isso ainda vou escrever algo generoso mais pra frente, assim que a chapa de trabalho esfriar.

Para esses, o site 3D Total é uma mãe de peitos grandes, cedendo generosamente 100 tutoriais de Photoshop, feito por ilustradores bestiais (e outros que apenas miam, mas com qualidade). Não gastei vinte minutos da minha vida que não voltam mais contando se tem realmente 100 tutoriais, mas é uma quantidade considerável, o suficiente pra gastar meio HD com testes e experimentos.

Por outro lado…

O Photoshop se tornou um canivete suíço com 200 funções, daqueles parrudos que se caem em cima do dedão do pé vira caso de ambulância, que a maioria dos marmanjos tem e nunca usou nada além da lâmina e da tesourinha. Mal sai a versão nova e uma onda de histeria coletiva juvenil toma conta da internet em busca de torrents bucaneiros, deixando de lado a versão antiga que mal foi arranhada tentando explorar seu conteúdo. Photoshop é ferramenta de desenho como qualquer outro, sempre digo isso, e não vai ser a versão CS3 upgrade 3 que vai fazer você desenhar melhor .

A maior prova disso é o ilustrador americano Bob Staake. O portfólio desse cara arrebenta retinas, e ó, acreditem ou não, ele faz tudo isso com a versão 3 do Photoshop (não a CS3, a 3 mesmo, aquela que ainda não tinha layers). Tudo bem, isso também é exagero (embora a versão 6 do Painter ainda seja imbatível), mas Bob Staake deve ter seus motivos técnicos ou místicos pra trabalhar com uma versão tão antiga do programa. Pense em Bob Staake quando sair a versão CS4 do programa e você ficar ansioso por que ainda não botou as mãos nele.

Nada contra o programa, os equipamentos ou as facilidades tecnológicas, eu mesmo a versão CS3. O problema é que quase todas as dúvidas que me encaminham de gente que está começando a desenhar foca nessa questão, como se a ferramenta definisse o ilustrador, da mesma forma que uma batedeira define se o cozinheiro manda bem.
Dá um pedaço de pão queimado pro Alex Ross desenhar na sua parede pra ver o que acontece.

Nem que eu tenha que fritar um elefante pra provar que estou certo

Mais um off-topic que não tem nada a ver com ilustração, mas como sempre tem a ver com inspiração, e um um bocado de indignação. Sempre digo que a Cintiq sem energia elétrica tem a mesma utilidade que um tijolo no fundo do mar, então todo mundo hoje quando se abaixa pra plugar um carregador de celular na tomada está reverenciando de tabelinha Thomas Edison.
Várias histórias rondam esse sujeito, desde o cara genial até o obstinado que tinha uma fabriquinha de patentes. Mas como um amante dos animais sem conotação sexual como eu sou, Thomas Edison caiu uns pontos no meu conceito.

Thomas Edison queria que queria provar para o público que energia elétrica era perigosa (era 1903, os tempos eram outros, eletricidade era uma novidade esfuziante como um iPhone funcionando na periferia de Carajazinho do Oeste). Para isso, ele eletrocutava gatos, viralatas e cavalos. Mas nesse filme que ele captou, ele pensa grande: simplesmente frita um elefante com a força da corrente alternada, deixando o paquiderme estirado no chão como uma empanada quente e gigante. Toda história tá aqui, na Wired online.

Graças a isso, Thomas Edison deveria estar no inferno dos elefantes sodomitas. Sendo castigado que nem esse sujeito:

Ah, se fosse hoje….

Um rolo de fita por uma obra de arte

Essa é para dar uma porrada em quem pensa que precisa usar cachorro faminto ou encher um cubo gigante de esperma pra fazer arte. Nada de instalações que podem ser confundidas com um extintor de incêndio. Aqui, Mark Khaisman prova que pra ser artista é preciso talento, alguma habilidade manual e um olho azeitado para as artes visuais. Ele só usa fita adesiva marrom, daquelas usadas pra fechar caixas de papelão e são bem encardidas de serem retiradas se forem coladas em superfícies lisas, pois deixam um monte de cola de lembrança. Faz tudo em cima de plexiglass, com a ajuda de um estilete bem afiado.


Caras que usam materiais inusitados, e que não sejam escatologicamente escandalosos (leia-se bosta, urina outros líquidos e pastas que ofendem o olfato e visão humana), são sempre bem-vindos como fonte de inspiração, além de esfregar na cara de uns que acham ainda que a ferramenta (ou o programa) é que faz o artista, daqueles que não mexem um dedo se o pincel for Tigre ou se o Adobe CS for 2 e não 3.