Marque sua reunião, mas prefiro minha parte em dinheiro.

Como sou um sujeito com TOC (digite Melvin Udall no Google pra saber o que é TOC), tenho uma tara psicossomática por dados e estatísticas. Anoto todas as reuniões que faço, as datas, quantas pessoas foram, se ela foi produtiva, quanto demorou, quantos malas haviam na sala, essas coisas. Eu marco mais reuniões que a média dos ilustradores, por vários motivos, mais do que gostaria ou que meu tempo permitiria (já tenho até um radar de malas, quando aquele sujeito que nunca te viu já faz piadinhas sobre o Hiro, de “Heroes” não é bom sinal).

Voltando de mais uma fastigante encontro de condutores da propaganda no meio da tarde, eis que chego na minha reunião nº100 em 3 anos como freela, e daí consegui fazer as seguintes estatísticas, que devem repetir com todos aqueles que também tem que sentar a bunda atrás da mesa grande e cara de mármore:

• 87% das reuniões poderiam ter sido resolvidas com um telefonema.
• 71% das reuniões duraram muito mais do que o necessário.
• 58% das reuniões demoraram para engrenar por que alguém resolveu contar um causo ou uma piada no começo.
• 60% das reuniões me deram um chá de cadeira na sala de espera.
• 47% das reuniões geraram um pedido de orçamento.
• 15% das reuniões geraram um job que resultou em pagamento.
• 44% das reuniões tinham mais pessoas do que o necessário.
• 37% das reuniões tinham um sujeito muito mala ou ególatra que só dava opinião jumenta pra mostrar serviço.
• 14% das reuniões geraram briguinhas e discordâncias entre os membros da agência
• 92% das reuniões me ofereceram água e café.
• 90% das reuniões eu recusei água e café.
• 3% das reuniões tinham um chocolate ou salgadinho pra comer.
• 18% das reuniões pediram pizza porque demoraram além da conta.
• 21% das reuniões foram marcadas só pra me conhecer, por curiosidade.
• 0% das reuniões acabaram em sexo.


Nessas reuniões arrastadas que até parece que o tempo passa mais devagar e seu peso aumenta na cadeira é que nasceu o projeto “Indexed”, de Jessica Hagy. Embriagada nos climas bocejantes de reuniões intermináveis, ela começou a rabiscar gráficos e estatísticas esdrúxulas, misturando teoria dos conjuntos com a dinâmica da família durante os jantares de final de ano ou coordenadas gráficos entre horas extras versus comida tranqueira, numa revolta solitária contra a tirania dos que exigem sua presença de maneira imperativa, sem dó nem piedade.

São aquelas idéias simples, mas geniais, que nascem por acaso e sem intenção, como as Tartarugas Ninjas, pra se transformar em algo mais elaborado e com um pouco de planejamento, até rentável.

É a matemática lutando contra o tédio.

No Comments

  1. Leticia disse:

    Você foi absolutamente genial com esse texto. Mesmo entrando oficialmente agora no mercado, sinto que essa não será só a minha , mas a realidades de muitos outros profissionais.

  2. Cristiano disse:

    Concordo com as estatísticas, ainda mais com os 87% das reuniões que poderiam ser resolvidas com um telefonema.

    Uma vez ouvi de um cliente que ele marcava reunião pra mostrar pra gerência que ele estava trabalhando. Que, resolvendo tudo por telefone, ele parecia estar matando tempo (!)

  3. Rafael disse:

    Achei os desenhos geniais! Inclusive adicionei o site aos meus visitados!

    Gostei das suas estatícas. Eu também sou sistemático, mas nada comparável à isso. Haha.

    Até mais!

  4. Mauricio disse:

    Hehehe, você esqueceu de dizer que 98% das reuniões só servem pra vc gastar 10 paus de estacionamento.

  5. Hiro disse:

    Pois é, e que os 2% restantes você gasta mais de 30 paus com táxi.

  6. Uma boa tática que ando utilizando é fazer reuniões em pé… acabam rapidinho….

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