Marque sua reunião, mas prefiro minha parte em dinheiro.

Como sou um sujeito com TOC (digite Melvin Udall no Google pra saber o que é TOC), tenho uma tara psicossomática por dados e estatísticas. Anoto todas as reuniões que faço, as datas, quantas pessoas foram, se ela foi produtiva, quanto demorou, quantos malas haviam na sala, essas coisas. Eu marco mais reuniões que a média dos ilustradores, por vários motivos, mais do que gostaria ou que meu tempo permitiria (já tenho até um radar de malas, quando aquele sujeito que nunca te viu já faz piadinhas sobre o Hiro, de “Heroes” não é bom sinal).

Voltando de mais uma fastigante encontro de condutores da propaganda no meio da tarde, eis que chego na minha reunião nº100 em 3 anos como freela, e daí consegui fazer as seguintes estatísticas, que devem repetir com todos aqueles que também tem que sentar a bunda atrás da mesa grande e cara de mármore:

• 87% das reuniões poderiam ter sido resolvidas com um telefonema.
• 71% das reuniões duraram muito mais do que o necessário.
• 58% das reuniões demoraram para engrenar por que alguém resolveu contar um causo ou uma piada no começo.
• 60% das reuniões me deram um chá de cadeira na sala de espera.
• 47% das reuniões geraram um pedido de orçamento.
• 15% das reuniões geraram um job que resultou em pagamento.
• 44% das reuniões tinham mais pessoas do que o necessário.
• 37% das reuniões tinham um sujeito muito mala ou ególatra que só dava opinião jumenta pra mostrar serviço.
• 14% das reuniões geraram briguinhas e discordâncias entre os membros da agência
• 92% das reuniões me ofereceram água e café.
• 90% das reuniões eu recusei água e café.
• 3% das reuniões tinham um chocolate ou salgadinho pra comer.
• 18% das reuniões pediram pizza porque demoraram além da conta.
• 21% das reuniões foram marcadas só pra me conhecer, por curiosidade.
• 0% das reuniões acabaram em sexo.


Nessas reuniões arrastadas que até parece que o tempo passa mais devagar e seu peso aumenta na cadeira é que nasceu o projeto “Indexed”, de Jessica Hagy. Embriagada nos climas bocejantes de reuniões intermináveis, ela começou a rabiscar gráficos e estatísticas esdrúxulas, misturando teoria dos conjuntos com a dinâmica da família durante os jantares de final de ano ou coordenadas gráficos entre horas extras versus comida tranqueira, numa revolta solitária contra a tirania dos que exigem sua presença de maneira imperativa, sem dó nem piedade.

São aquelas idéias simples, mas geniais, que nascem por acaso e sem intenção, como as Tartarugas Ninjas, pra se transformar em algo mais elaborado e com um pouco de planejamento, até rentável.

É a matemática lutando contra o tédio.

A linguagem dos monstros

Durante a Inquisição, época terrível em que Torquemada e seus seguidores matavam e torturavam qualquer judeu, homossexual e herege em nome de Deus com uma criatividade negra que os faziam parecer como os cenobitas, de “Hellraiser”. Tive a oportunidade estranha de visitar o Museu da Tortura, em Portugal, e você fica impressionado com a variedade e engenhosidade das máquinas de tortura, algumas tão cruéis que fazem “O Albergue” parecer a irmã mais nova de “A Noviça Rebelde”.

Uma das que mais deixam seus olhos arregalados como ovos fritos é “A Roda”. Um instrumento de madeira onde a cada movimento da roda quebravam vários ossos do condenado (chegando ao requinte no final dos membros ficarem entrelaçados como lençois de motel). Libertado da roda, o condenado era besuntado de azeite e jogado em praça pública, sem nenhum osso inteiro e agonizando, segundo os inquisitores, “de maneira semelhante a uma grande lesma rosada, expiando seus pecados a céu aberto”.

Felizmente nos dias de hoje a maior tortura que sofremos são os impostos, a violência na cidade e a assistência técnica da Speedy.

Porém, na opinião deste humilde servo, existem três crimes cujos praticantes mereceriam passar pela “Roda” sem dó nem piedade: aqueles que praticam violência contra crianças, animais e idosos, tipo de crimes que causam mais repulsa que os efeitos do dito instrumento de tortura. Violência contra quem não pode se defender é um ato cuspível, que como disse aquele político que esqueci o nome, faz aflorar meus instintos mais primitivos.

Pois bem, essa informação eu já tinha há algum tempo, mas não sabia se era verdade. Mas ela saiu essa semana na revista “Superinteressante”, o que dá credibilidade à ela.

Pedófilos criaram uma simbologia pra representar seus mais aviltantes desejos, como uma forma de comunicação e de expressão. Se até seres como pepino-do-mar possuem um sistema de comunicação, não poderia ser mais diferente de criaturas ainda mais inferiores. É de embrulhar o estômago com lixa de pedreiro.

Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas. A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico.

Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.

A Roda é pouco pra eles.

Pedro de Kastro, o ilustrador fractal

Português de Lisboa e ex-surfista de trem (coisa que não sabia que também tinha por lá), o trabalho de Pedro de Kastro, segundo o Kako, que é avesso a linguajares mais pesados, é de foder a cabeça.

Quando disse no título que ele é fractal, não é figura de linguagem. Você vê o trabalho de longe, e quanto mais observa de perto, mais detalhes aparecem, fazendo uma metáfora com aquele papo metafísico de que tem que ser visto no âmbito do macrocosmo e no microcosmo. O trabalho dele é quase esquizofrênico de tão, tão detalhado. Seu site é tão preto e branco e tão pesado (literalmente pesado) que parece que foi desenhado por um diretor de cinema expressionista alemão, digno de ficar nos favoritos de Nosferatu.

Só pra ter uma idéia, esse é uma parte da ilustração como um todo.

E esse é um detalhe dessa mesma ilustração (marcado em vermelho).

Como se vê, não existe a palavra “preguiça” no dicionário de Pedro de Kastro. Mas talvez tenha duas vezes a palavra “obsessão”.

De qualquer forma, o trabalho dele está exposto no Shopping Frei Caneca, aqui em Sampa, até o dia 26 de fevereiro.
Tem que ver isso de perto. Aqueles que se atreverem a focar nos detalhes contrairão cãibra nos olhos.

O dia em que a Nasa fotografou um alienígena sozinho e deprimido em algum lugar obscuro de Marte

[img:Alienmarte.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Boa notícia para aqueles que se sentem alienígenas nesse mundinho de cerveja e cocacola, sempre olhando pro céu na esperança de um dia ser resgatado por uma nave espacial e descobrir que não é mamífero de pai e mãe. Não tem muito a ver com ilustração, mas é carregada de inspiração. Idéias meu caro, idéias.

Essa foto de alguma coisa com um braço foi tirado pela Nasa em 2004 em Marte e só foi divulgado há pouco pela BBC. Seria um marciano deprimido na solidão de areia vermelha ou um pedaço de pedra com semblante humanóide? É um marciano dado de bandeja, já que tem gente que até vê Virgem Maria num queijo quente.
De qualquer forma, assim fica difícil, a foto tá mais borrada que a do monstro do Lago Ness e aquela famosa do Abdominável Homem das Neves.

A vida fora da Terra parece coisa tão pequena quando tem que se pagar o IPVA parcelado em janeiro….

Falando em humanóides, enquanto se olha pra cima em busca de alienígenas, aqui embaixo eles estão sendo paridos em todas as partes do mundo. Inspiração pra desenhar monstrinhos, só não dá pra dizer que são modelos vivos.

Essas fotos são de animais com anomalias genéticas, com deformações nas faces e nas dobras que fazem com que eles pareçam humanóides. O cinzento é um bezerro com ciclopia e o outro é um cãogente. Alguns são venerados como entidades divinas, como na Indonésia, até que o cheiro seja mais forte que a fé, em outros o pessoal acha que é obra do demo. Quando fazia faculdade de Biologia eu vi um desses numa fazenda em Altamira, era um filhote de cabra que parecia mesmo uma mistura de gente e caprino saído da máquina do cientista do filme “A Mosca” (aquele que ele guardava as partes do corpo que iam caindo no armarinho do banheiro, que ele batizou de “Museu Brundle de História Natural”). Era impossível convencer as pessoas que aquele cabrito mofento era um defeito genético.
Em embriologia o estudo de deformações se chama Teratologia (do grego Terathos, monstro).

Como dizia o pôster que ficava atrás do Mulder: “Eu quero acreditar”.

A maçã que era alemã

Aproveitando o gancho do lançamento do MacBook Air, que na opinião deste que vos digita ainda prefere os MacBook normais (não me apetesce um notebook com um HD menor que um iPod ), ao invés de encher de glória glória aleluia para a Apple, vou postar aqui algo interessante que saiu no blog Gizmondo, o equivalente do site da Hustler para os geeks e nerds (lá tem mais fotos comparativas chupativas).

Seria mais um caso de design convergente ou alguma coisa foi captada no ar? Dieter Rams foi o designer da Braun nas décadas de 50 e 60, e criou uma série de produtos que podem ser chamadas de sementinhas de maçã. Sementinhas essas que o designer Jonathan Ive fez que fez com queos produtos da Apple tivessem sex appeal.

Na década de 70 você entrava nas lojas Arapuã pra comprar sofá a prestação e lá vendiam produtos da Braun que tinham mesmo um design bem maneiro, e custavam tão caro quanto um iMac. Para os pobres de bolso mas não de espírito restava comprar eletrodomésticos dinossáuricos de outras marcas menos favorecidas esteticamente.

Para os que amam design e têm preguiça de ir até o site, aqui vão os 10 princípios sagrados e visionários de Dieter Rams sobre design. Frisando, isso era na década de 60, quando Apple era apenas sinônimo de manzanas.

• Good design is innovative.
• Good design makes a product useful.
• Good design is aesthetic.
• Good design helps us to understand a product.
• Good design is unobtrusive.
• Good design is honest.
• Good design is durable.
• Good design is consequent to the last detail.
• Good design is concerned with the environment.
• Good design is as little design as possible.

Notinha: tem gente que tá reclamando que não tô postando como deveria. O fato é que quando posto pouco é porque tô com serviço até o pescoço, então paciência que esse mês é pra pegar touro na unha.

Arte e gordura

Mais uma da coleção “coisas que dão má fama à internet”.

Um sujeito nos Estados Unidos com preguiça de limpar a travessa depois do jantar no dia de Ações de Graças achou que viu o mapa dos EUA e Canadá feito “por acaso” com gordura rançosa de peru assado. Como se vê, não é só no Bistecão que a arte se funde com a gordura. Somente uma porta na cara bem doída faria alguém ver o mapa da América do Norte nisso.

Já foi dito aqui que esse processo de forçar a barra pra ver algo onde não existe, como Elvis Presley num ovo frito ou a Virgem Maria num Big Mac se chama “pareidolia“.

Mas o sujeito, assim como a Enterprise, foi onde nenhum homem se jamais esteve e decidiu vender a obra de arte paranormal no eBay. A sério. Começarei a vender pratos sujos de macarronada e papel higiênico usados com manchas que lembrem Che Guevara no Mercado Livre pra ganhar uns trocos também.

Contrate sempre um redator

Escondam suas crianças!

Tudo bem, não tem nada a ver com ilustração, mas tem a ver com criação, ou alguma outra desculpinha que valha. Mas o Orkut pariu esse post, com esse link de um hotel-fazenda que prova, entre outras coisas, que webmaster e redatores não servem apenas para esquentar almofada. É mijante e hilariante, pois foi feito a sério, talvez até de forma não intencional. Mas bah, a piada já tá feita.

E, se isso for deletado, aí vai o printscreen da coisa.

Receita pra fazer Persépolis (mais duas rapidinhas sobre animação)

Tem gente que reclama que eu falo demais de algumas coisas que eu gosto, como Persépolis ou Vera Bee. É óbvio, se eu não gostasse nem constaria uma linha aqui, e ninguém reclama daquele seu cunhado que só fala do Corinthians ou do seu priminho que só fala de Naruto.
Então para esses desgostosos, fechem os olhos ou coloquem a barra de rolagem pra baixo, porque tem mais Persépolis, que logo logo entra em cartaz (graças à Mostra Internacional de Cinema já conferi essa maravilha).

Esse é pra quem entende inglês, porque é um site do New York Times com uma entrevista em áudio com Marjani Satrapi, criadora de Persépolis e clone oriental da Nigella (aquela que cozinha pernil com Coca-Cola e que deve ter matado uns dois maridos com as artérias entupidas de colesterol) e do diretor do filme, Vincent Paronnaud falando sobre o processo de criação, apresentando alguns (ooh) sketches e storyboards.

Como diria Noturno dos X-Men, é “ungaublich!”

Continuando com as maravilhas maravilhosas da animação, para os queridos que curtem comprar um DVD fresquinho pra dormir com ele debaixo do travesseiro, Paprika, de Satoshi Kon, vai ser vendido a partir de 02 de abril, sem passar pelos cinemas, da mesma forma que Preto-e-Branco, também pra venda na mesma época.

O dia em que seu João veio ao Brasil de mala e cuia

[img:jcarioca.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Adorados leitores em fase de formação, vocês que cospem em História, Matemática, Literatura como lhamas irritadas, não culpem essas matérias . Professores e sistemas de ensino canhestros e modorrentos deveriam ser punidos por embutir a antipatia e fobia delas nas cabeças dos alunos pela maneira enfadonha e burocrática que as ministram. Deveriam ser condenados a limpar diarréia de São Bernardo todos os dias pelos restos de suas vidas por esse pecado.

Até uma aula de anatomia da Anna Hickman pode ser agonizante e interminável se for mal ministrada.

Em comemoração dos 200 anos da vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil, O Spacca lançou um livro chamado “D. João Carioca”, da Editora Companhia das Letras, escrito pela Liliam Schwarcz. Um exemplo de que História pode ser retratada com qualidade. Você não vê mais o Santos Dumont depois que lê “Santô”, também dele. E se simpatiza um monte com D. João VI com esse livro, deixando de vê-lo como um mero comedor de coxinhas.

Agora, o toque de limão na azeitona da empada eu vi no último Bistecão. Spacca é um tarado por detalhes, um pesquisador sabujento pela história, e isso ele mostrou de maneria claríssima com seu magnificento caderno de esboços desse livro. Cada rococó de perna de mesa observado, cada fivela de sapato fresco anotado, construções belíssimas de personagens principais e secundários, esses pela primeira vez mencionados para muitos açoitados pela versão oficial e burocrática da história do Brasil.
Para os amantes de sketchbooks como eu, ver essas imagens é como um shiatsu nos olhos. Pode clicar nas imagens que elas estão grandes o suficiente pra observar os detalhes.



Walt Disney também acordava em cima do ovo esquerdo

[img:Mowgli.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Excelente dica enviada pelo grande Spacca.

Bill Peet era um dos responsáveis pelos roteiros e storyboards das grandes animações da época de ouro da Disney, como Cinderella e Mowgli.

Há 20 anos ele lançou um livro chamado “Bill Peet, an Autobiography”, que pelo título, dãã, dispensa explanações. Ou não, já que nesse livro estão recheadas de desenhos do cotidiano de um estúdio de animação da Disney. Disponível na Amazon por módicos U$14 dinheiros americanos (mas a Cultura traz, se pedir).

Bill Peet ilustra de maneira leve o permanente como era trabalhar ao lado de um sujeito como Walt Disney, o terror que era um trabalho passar pela aprovação dele quase sempre ranzinza e perfeccionista viciado em nicotina, e o alívio refrescante de vê-lo com um sorriso aprovativo na boca. Iguais uns diretores de criação de agências vitaminados que conheço.

No blog Isn’t Life Terrible tem um post com mais imagens bem grandes desse livro. Infelizmente o link é pro conjunto de post, tem que puxar a barra de rolagem pra baixo até achar o que lhe interessa. Mas o blog é bem interessante também, pra quem gosta de coisas com cheiro de criança com naftalina.

Atrás daquela figura doce, com um bigodinho cuidadosamente encerado que apresentava desenhos na minha tenra infância, e que ocupava a maior parte da capa do já clássico “Festival Disney” escondia um chefe que comia fígados de funcionários apenas com um olhar. Sem Chianti.

Vetores com gergelim

Dois trabalhos para o McDonald’s feitos exclusivamente de vetores versáteis do ventre do Illustrator CS3:

Apenas para os paulistanos, vai pintar nas próximas semanas a lâmina de aniversário de São Paulo.

E apenas para os da terra de Pelé, uma lâmina sobre Santos.

São lâminas comemorativas que saem em apenas algumas cidades do país, como Rio de Janeiro e Fortaleza, feitas com o sentimento de dever cívico cumprido. Mesmo com o amargor de terem sido feitas no meio de panetones de padaria e rojões vagabundos de 3 tiros, com a agravante rusticana das duas cidades fazerem aniversário quase que no mesmo dia.

Esse aqui é a redenção para quem faz caixinhas de McLanche Feliz: um cenário de um teatrinho que vai circular pelos McDonald’s pra ensinar a escovar os dentes, tomar banho e tirar ranho do nariz.

Talvez um pouco adocicado demais para quem gosta de um pouco de sarcasmo no café da manhã, mas se é pra não ter crianças banguelas falando miguxês, então tá valendo.

A sacanagem está na mente de quem a cria ou de quem a procura?

Anúncio singelo dos anos 50 ou 60, vendendo tapetes. Ilustraçãozinha básica, coisa digna de aparecer em caderno de domingo pra ler com a família no aconchego do lar. Até aí, nada demais.

Até que um dia surgiu alguém que viu isso e teve a intuição de virar o jornal de cabeça pra baixo…

Aí ele pegou um pedaço de guardanapo e tapou uma parte do desenho e …..tcharam!

Tirem as crianças e o cachorro da sala! O que era meigo e inocente virou despudorado e indecente.
Para alguém chegar até nesse ponto foi preciso de muita imaginação. Ou como dizem nos filmes, era o homem certo na página certa.

Como fazer uma imagem com 30 mil pessoas e uma ilusão de ótica

[img:bONUS.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Na época da Primeira Guerra Mundial, nos EUA, a ameaça de inflação pairava de maneira incômoda feito vendedor das Casas Bahia em seu cangote. O governo criou Bônus de Guerra para serem vendidos aos cidadãos patriotas que não foram pra guerra, na tentativa de tirar um pouco do dinheiro circulante no país e criar mais fundos voltados para o quebra-quebra mundial.

Arthur S. Mole e John D. Thomas fizeram uma série de fotos aéreas utilizando milhares de soldados para formarem símbolos patrióticos americanos, e com essas imagens estimularem a venda de Bônus de Guerra, de acordo com o blog Funcram. É gente pra carvalho!
A foto da Estátua da Liberdade levou 18 mil carinhas e a do escudo 25 mil. É mais gente do que Tupaciguara do Norte. Mais imagens aqui.

Apesar das proporções dignas de João e o pé de feijão, o que me chama a atenção foi que as imagens foram calculadas para compensar a deformarção da perspectiva, você vê o símbolo sem nenhuma alteração.

Esse tipo de técnica chama-se anamorfismo, e tem dois ilustradores atuais que arrebentam: Kurt Wenner e Julian Beever são os panteras de desenho de calçadas e pavimentos, menos em dias de chuva, seus desenhos bem grandinhos parecem que saem pra fora do bueiro.

Kurt Wenner é o mais acadêmico, tem um toque miquelângico em seus desenhos e são mais sérios e detalhados.

Julian Beever é mais pop, mais divertido e ao que parece, soube usar seu trabalho pra fazer campanhas de guerrilha pra grandes empresas.

O desenho abaixo mostra como é uma ilustração anamórfica sem a perspectiva. Esticada como salário de arte finalista pra aguentar o mês.

Pra finalizar o tema “mais gente que a rua 25 de Março na semana do Natal” (frequentá-la nesses dias é apenas para donas de casa Jedi que sabem como se locomover de forma eficaz em um espaço quântico), dois comerciais de cerveja americanos excepcionais, que dão um caldo em criatividade nessa insistência brazuca de associar mulher com pouca roupa e cerveja.
Um da Budweiser, mais novinho, feito para o Superbowl (que é algo como o Miss Universo na Venezuela ou a final da Copa aqui no Brasil).

E outro, mais velhinho, feito para a Heineken.

Na verdade, aproveirtando o gancho de cerveja e desenho, esse aí debaixo é o comercial da Budweiser com os Superamigos usando o conceito Wassup. É sério.

Pra quem não é publicitário e não entendeu necas de pitibiribas, esse comercial é dublado em cima do original, o primeiro e pai de todos, fez um sucesso enorme na terra do Tio George e deu origem a uma pá de versões.

Garoto Cósmico entra em órbita

Num país onde existem tão poucos lançamentos no cinema de animação de qualidade, e quando digo poucos é porque podem ser contados nos dedos da mão esquerda do Lula, o Garoto Cósmico, do ilustrador Alê Abreu, é um motivo de orgulho para todos os colegas de profissão e amantes de um bom desenho animado. Estreou oficialmente no cinema dessas terrinhas na semana passada, sendo digno de uma comparecida acompanhado de infantes e não infantes munidos de pipoca de meio quilo a tiracolo.

Alê Abreu deve estar em ritmo de Ivete Sangalo ligada em tomada 220V pra divulgar O Garoto Cósmico pelo país.

Sou rebelde porque não tive um robô gigante quando criança

Aí vai a capa que eu fiz para a nova revista Mac+, que acho que já está nas bancas. Made in Illustrator CS3.

O tema da capa são dicas de usuários de PC que migram para o Mac. O desenho do robô, sim, sim, foi inspirado no fantabuloso Gigante de Ferro, do Brad Bird. (também pai dos Incríveis e do Ratatouille, um buraco negro que absorve talento). Tem uma mistureba nesse robô, já que a crista dele foi retirada do Ultraseven, e a boca dentada veio de um robô criado pelo Carl Barks para uma história do Tio Patinhas em que os Metralhas dirigiam robôs gigantes, e um deles se chamava Monu.

Já rasguei a seda ou a folha de alumínio pra esse filme, nesse post tem a história da história do filme, mas fazer o quê, é quase como ter um sentimento homossexual por um contâiner.

Agora, quem for realmente fã desse robô, e eu sei que são muitos por aí, vai ter uma ereção ao se deparar com esse site: The Ultimate Iron Giant. Um site com dezenas de blueprints, sketches, styleguides, bugigangas, material promocional,quase tudo o que já foi feito com o metálico, material pra qualquer amante de desenho fazer um download e fazer um backup com o melhor CD que encontrar na Kalunga.

Xerox velha só faz poeira preta

Visto no Update or Die, mais um logotipo que sofreu um extreme makeover. Dessa vez é da Xerox, que salvou preciosos centavos de estudantes universitários famintos com suas maquininhas dentro de Centro Acadêmicos, copiando livros que custavam o mesmo que um transplante de medula. Graças à lei dos direitos autorais, é mais difícil, mas não impossível, encontrar alguma copiadora que aceite reproduzir um livro. Mas há 20 anos atrás, isso era comum como raspar cabelo de bixo.

Essa é a escala evolutiva da marca Xerox, que virou substantivo genérico pra qualquer fotocópia.

E pra alfinetar trabalho alheio, a convergência evolutiva geométrica ataca novamente, tal qual aconteceu com o logotipo da Vale:

Afinal, o peixe e o golfinho não brigam na justiça pra saber quem roubou a nadadeira de quem. Mas jogar um videogamezinho básico no meio da criação poderia poupar certos apoquentamentos.

O X em um globo em perspectiva poderá ser ítem base para criação de logotipos de empresas e produtos que possuem a letra X. Como Xenical, que tem tudo a ver com redondo.

Guitar Hiro

A maldição dos Hiros vai durar até terminar “Heroes” (sim, todo Hiro, que é como Zé no Japão, já passou por uma situação que vai da constrangedora ao efervescente por causa desse nerd que gosta de segurar espada). Torcemos para que ele não se torne o novo Senhor Spock.
Mas como um refinado apreciador de games, essa imagem que me enviaram de uma camiseta à venda na internet é interessante, o que faz aumentar minha coceira de ter um exemplar de Rock Band em minhas mãos, coisa que não acontece por que meu gosto musical puxa mais pra Cole Porter do que pra Slash.

Mas trocadilho por trocadilho já basta o meu blog.

“Gatinho!”

Se Youtube fosse gente, você pagaria uma birita pra ele, de tão camarada.

Encontrei o desenho animado do Merrie Melodies que serviu como base para ser devidamente homenageada pela cena de Boo sendo transformada em patê de bebê, na visão do Sully, em Monstros S.A.

Na humilde opinião deste servo, a série do gatinho Pussyfoot (sim, descobri que ela tem nome, e ele é pornoerótico) e do cachorrão com coração de petit gateau Marc Anthony é uma das melhores que já saíram da fornada do que a gente juntou tudo no mesmo saco e chamou “desenho do Pernalonga”. A cena do brutamontes canino colocando o biscoito de gatinho nas costas chorando feito uma viúva de velório é coisa pra ser a última lembrança no leito de morte de alguém.

O cartunista que comeu coelho e ganhou dinheiro

[img:Hef2.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Houve um tempo na face da terra onde ser ilustrador podia ser sinônimo de ser rico e cercado por belas mulheres cheias de amor pra dar.

Hugh Hefner, para quem não sabia, começou a carreira como cartunista. na década de 60 , no Chicago Tribune. Também para quem não sabem quem é, Hugh Hefner é o famigerado fundador da revista Playboy, hoje multimiliordinário fumante de cachimbos e comedor de coelhinhas que se oferecem voluntariamente por amor a alguma coisa material (não carnal) no café da manhã . O reality show que passa na mansão Playboy é tão tosco que você vai querer processar o canal para ter 30 minutos da sua vida de volta.

Laura Park


Outra ilustradora que descobri recentemente e que merece ficar na lista das mais queridinhas. Laura Park tem um traço meigo e um humor refinado como poeira de estrada, que diferente das outras da mesma categoria, como Vera Bee e Jen Wang, deixa passar um ar meio triste e solitário no meio de tanta graça e sutileza. O gatinho Lewis e as comidinhas que ela publica em seu Flicker, bem generoso de imagens, realçam essa sensação, mas ela converte isso em desenhos que dão vontade de levar pra casa.

Essa historinha do gatinho cantando uma música da Billie Holiday é de cortar o coração de um minerador irlandês.

De vez em quando ela vende minicomics, que se esgotam rapididinho.

Zogg, a ameaça fofa que vem do espaço

[img:Zoggcover.jpg,thumb,alinhar_esq_caixa]Certa vez, alguém escreveu e ilustrou um daqueles que tinham mensagens tão açucaradas que podiam causar diabetes, com mensagens holísticas de paz, amor e respeito ao Criador, geralmente dados por tias velhas com cheiro rançoso. Tipo, daqueles cheios de lição de moral pra dar, na tentativa de construir o caráter do garoto impúbere que folheasse suas páginas, na esperança dele não virar um apertador de campainha fugidio ou que ele não sujasse sua mente com Playboys ou pior, aquelas revistas suecas cheias de mulheres feias e sexo explícito.

Aí, sabe-se lá que tragédia aconteceu, ou se somente o autor acordou em cima do ovo esquerdo, um dia ele decide pegar aquela obra-prima do brega politicamente correto e transforma em uma cartilha de invasão alienígena. Deliciosa e incorreta.

O livro original chamava-se “The Little Golden Book About God”, ou candidamente traduzido como “O Livro Dourado Sobre Deus”. Vai saber agora se isso é uma lenda urbana da internet ou não, mas ele refez o livro como “The Little Golden Book About Zogg”, um manual de dominância e invasão alienígena, que substituíram as palavras cândidas e com cheiro de lavanda do livro original (no link tem todas as páginas do livro, para deleite de quem sofreu na mão dessas tias).

Ficou bom pra carvalho.
Na verdade, esse livro ficou menos perigoso do que a versão anterior, que podia matar quem o tivesse em suas mãos de tédio ou de encolhimento das funções cerebrais.

Fico devendo o nome do pai dessa pérola do humor negro-brega. Quem souber, dou um vale-chá.

Nessa mesma linha, do foforror, um filme no Youtube transforma “Mary Poppins” em filme da categoria do “Exorcista” usando umas cenas do filme que realmente ficam sinistras com a trilha sonora adequada.

São as maravilhas da edição. Cidade de Deus e 300 de Esparta que o digam.

Começando o ano vendo o lado bom da vida

Só os bravos e obstinados pra enfrentar sete horas de trânsito sentido litoral pra pular sete ondinhas na passagem de ano.
Eu troco todo esse aparato para gerar stress no começo do ano pela cena final de “A Vida de Brian”, com a música “Always Look on the Bright Side of Life”.

Qual ilustrador que já não se sentiu assim? Mesmo crucificado tem que arranjar forças pra assobiar e fechar o arquivo com felicidade e resignação?

(Obs:) Odeio os anos pares, porque são os anos de Copa do Mundo e Olimpíadas, o que fazem com que quase todos os trabalhos no primeiro semestre tenham a ver com esses temas e você tem que tirar leite de gato macho pra conseguir criar alguma coisa que preste, já que em 90% dos casos os briefings vêm com uma pobreza favélica de informação e/ou criatividade. Uma dose extra de Ovomaltine com Vodka para enfrentar esses jobs.