Paulo Cavalcante

Com um atraso atroz, e mais ainda porque só agora consegui umas imagens pra postar aqui (cortesia do próprio homem), é que surgiu a oportunidade de falar sobre Paulo Cavalcante. Conheci esse caricaturista ímpar que tem cara do Bill Murray de quase 2 metros de altura e rabo de cavalo durante as palestras que dei na Universidade Tiradentes, de Aracaju, onde ele e o Walter Vasconcellos, feras no traço e no copo, também subiram no palco pra enfrentar o microfone.

Como sou caipira de São Paulo, não leio “O Globo” e confesso que não conhecia seu trabalho, digo isso com uma vergonha catarrenta dentro do meu ser. Esses olhinhos cansados de tanto trabalhar ficaram impressionados com o estilo das caricaturas desse homem. Fazer caricaturas já é um trabalho que precisa de um “mojo” extra do ilustrador, não é trabalho pra qualquer um, precisa de um dom de observação que poucos agraciados possuem, mesmo que esse tipo de compreensão não chegue para alguns que insistem em caricaturizar clichês de caras e bocas exagerados que ficam amadorrorosas. Existem outros, porém, que ilustram magistralmente a essência do ser em traço, de forma bem linear, como o Baptistão e o Al Hirschfeld. E outros, esses sim peneiradores de essência pessoal, que usam e abusam do exagero ou da distorção, numa linguagem menos reta, mas mesmo assim, numa profusão de linhas e curvas que aparentemente são caóticas você consegue ver quem é o fulano que o caricaturista tá retratando. Gente como Cássio Loredano ou Nássara ou o Paulo Cavalcante.

O estilo dele é impressionante, a maneira que ele chega na essência da pessoa me foge à lógica. Onde muitos fariam apenas o joelho do Oscar Niemeyer ele consegue ilustrar o Niemeyer dentro desse joelho.

Estou postando vários trabalhos porque ele não possui um site e nem procurando no Google você acha muita coisa. Sorte dos cariocas, que tem o privilégio de ter seus trabalhos nas páginas do Globo, tanto como caricaturista como ilustrador das colunas principais do jornal.

Além disso, o que o Cavalcante conhece de história da caricatura e da ilustração brasileira e mundial em revistas faz dele uma biblioteca tatuada ambulante, um prolífico conhecedor das artes do traço e com um toque transgressor do palavrão bem colocado num momento adequado.

6 Comments

  1. EVA disse:

    gostaria de conhecer mais sobre vida e obra de Paulo Cavalcante

  2. Tenho muito orgulho do meu Mano mais novo…

    Sempre, desde dos dentes de leite, já mostrava o esboço do traço genial que viria.

    É realmente fantástica a arte-vida dele.

  3. Douglas Carvalho disse:

    A ilustração que ele fez de Nietzsche para o jornal O Globo é de lascar! Aquele bigode… Nossa! Bom, nada mal para mim o privilégio de tirar uma foto com ele e em Aracaju! Demais! Muito boa a palestra, bem humorado o Paulo Cavalcante, já o Vasconcelos iiiiii.
    Abração Hiro!

  4. sandra disse:

    Grande Paulo Cavalcante, pai do Antônio e do João!

  5. helena carvalho disse:

    Fui colega dele na Faculdade Bennett. O professor de desenho e pintura – Lydio Bandeira de Mello – ficava encantado com o trabalho dele, lembro-me bem! E saibam que o Paulo jamais mostrou-se orgulhoso ou convencido, embora ele tenha sido sempre o melhor dos alunos. E deixo um recado pra ele: Paulo, um beijo de saudade! Que época boa!

  6. C. J. Lopes dos Santos disse:

    Eu já conheço essa figura de outros carnavais!Fomos adoslescentes juntos na Tijuca, Rio de Janeiro. Eu enveredei para a literatura, mas ele sempre seguiu esse caminho fantástico! Eu ainda tento colar o meu cartaz no mundo literário, um dia a coisa vai!, masd ele já é um artista consagrado… O Paulo merece!

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