O homem que foi ao passado pra fazer tirinhas
Há alguns anos atrás, em uma mini-palestra, um grupo de jovens imberbes e pré-púberes perguntaram pra mim o que era necessário aprender em desenho para se tornar um cartunista ou quadrinista. Quase levei uma cusparada moral quando disse para eles se preocuparem mais com a história e a idéia do que com o desenho, pois se a história e o enredo forem bons, qualquer desenho segurava a barra, contanto que não fosse amadoresco ao ponto de atrapalhar a narrativa de tanto torcer o nariz. Não deixaram nem eu dar exemplos.
É óbvio que isso não é uma regra, quase sempre a qualidade da ilustração influencia, e muito, a qualidade do quadrinho, e os caras que sabem trabalhar com isso mesclam de forma de fina culinária a interação entre desenho e texto. Mas sem conceito que seja forte, a historia vira pastel sem recheio.

Um dos exemplos que eu queria dar era do Jules Feiffer de quem eu falarei mais pra frente, aumentando a lista de gente que tem que entrar nesse blog e não entra por falta de tempo, e outro era desse cara aqui, David Malki.
David Malki teve uma bela sacada gráfica. Ele deve ter comprado centenas de livros de clip arts de ilustrações do início do século passado e com isso ele monta a série Wondermark – a Illustrative Jocularity. Usando esses desenhos vitorianos de forma repetida, alternando só no enquadramento e com diálogos bem divertidos, misturando cultura pop, videogames e coisas atuais. O resultado é pra lá de interessante, e como ele não é bobo, já fez uma bela grana vendendo livros e vendendo badulaques mil em seu site.
Toda terça e sexta, como numa feira livre, ele coloca tirinhas novas
















“É tão visual que é indescritível” Falou um amigo meu comentando sobre um jogo lindo de morrer, mas era horrível de jogar…
Acho que daí eu penso como as pessoas conseguem esquecer muito rápido algo visual, mas uma história bom contada fica martelando uns bons dias… Isso se você não ficar lembrando daquilo na fila do supermercado e comparando o comportamento das pessoas em volta com o dos personagens.
É bem isso que você falou, que não precisa de algo espartano, mas um estilo diferenciado traz outros formatos de comunicar.