A base científica-pneumática do laço da verdade da Mulher Maravilha

alexrosswwAssistindo a um programa idiota de TV sobre super-heróis, na History Channel, eis que surgem várias pérolas da cultura inútil, que, para mim, são como grãos de feijão que podem um dia virar assunto de lâmina de bandeja.

William Moulton Marston foi o criador da Mulher-Maravilha, em 1941. No começo ela não se chamava “Wonder Woman”, e sim “Suprema”. Moulon era feminista (gostava tanto das mulheres que tinha duas esposas ao mesmo tempo), e era inventor.
E eis que Moulton foi o pai do polígrafo, o famigerado detetor de mentiras. Moulton criou um sistema que permitia perceber variações de pressão do sangue se o sujeito estava mentindo através de uma faixa apertada no peito e nos braços, e olha só, o laço dourado que faz qualquer cangaceiro falar a verdade deve ter sido baseado nesse invento, pois é só dar um aperto que o sujeito abre o bico.

E outra curiosidade do mundo pop que apareceu lá: Arnold Schwarzenegger não era a primeira escolha pra ser o primeiro Exterminador do Futuro. A primeira escolha, que recusou por motivos escusos, era…O.J. Simpson!!

O cara virou Exterminador na vida real.

Miséria pouca é bobagem pra quem não gosta de Natal

Para aqueles que não curtem o Natal por causa do sorriso amarelo dos parentes, a orgia de fritura e peru cheio de gordura amarela com Coca-Cola o dia inteiro, os amigo-secretos de presentes de 50 reais comprados com 20 e aquele almoço básico natalino na casa das tias onde não tem lugar pra tirar um cochilo, dêem uma lida nos relatos do site “My Miserable Christmas” que você se sentira pelo menos mais afortunado por poder dormir em uma cama seca no dia do nascimento do menino Jesus.
MiserableÉ tanta miséria que dá inspiração pra escrever uma história em quadrinhos, algo como ‘Como Não Sobrevivi ao Meu Câncer Natalino”.

É Fantástico. O ilustrador, não o programa.

“Me dê uma lâmina X-Acto que farei um mundo!”

Quem vê o quadro do Fantástico “Mundos Invisíveis” do Marcelo Gleiser, não dá pra ficar de boca fechada com o trabalho de papel do transbordante de talento Carlo Giovani, definido como Deus pelo Kako, autor de todos os autômatas de celulose que ilustram esse quadro bacana, para os padrões do Fantástico.
pensador
Quando vi esse trampo, na quantidade de fantoches, livros pop-ups, e mais dezenas de ítens para recortar e colar, quase tudo articulado pra filmarem em stop motion, e ainda com a agravante de ser um quadro semanal, pensei: Foda é a palavra mínima pra definir esse trabalho!!!! Puta trampo, tanto em beleza e talento como em complexidade e quantidade. Ele deve ter sangue de cupim nas veias pra ter tanta afinidade com papel, além de um cérebro que já vê marcas de recorte e vinco em tudo. Na hora me passou a imagem na minha cabeça dele recortando papéis amontoados em uma cesta lotada de prints às quatro da manhã, com as prateleiras lotadas de filósofos gregos enfileirados.

No dia em que me encontrar com Carlo Giovani, vou passar a mão na cabeça dele, pra ver se passa um pouco de talento por transmissão passiva.

Somente os bravos aceitam esse tipo de trabalho. Congratulations ao quadrado.

Em tempo, para os que gostam de ler sobre filosofia da ciência, o livro “A Dança do Universo” do Marcelo Gleiser é genial.

O ilustrador que fez muito dinheiro na vida

Andei fuçando a internet pra descobrir quem é o ilustrador das notas de real, principalmente daquela garoupa que nunca entra na minha carteira, mas não encontrei. Em compensação, havia esquecido de uma mensagem da lista da SIB que mostrava o ilustrador das notas antigas de cruzeiro, cruzado e a onipresente nota de 1 real, figura conhecida entre cobradores de ônibus, vendedores de pinga e flanelinhas.

E surpresa, o autor dessas ilustrações filigranosas não era um brasileiro, mas um polonês que faleceu em 2005. Seu nome era Czeslaw Slania. As cédulas mais antigas são de uma época em que o dinheiro não valia nada, mas era bonito pacas.

Os mais tenros de idade não viveram isso, mas era esquisito e irritante, por causa da inflação, seu salário valer mais de manhã do que à noite (você tinha que comprar o macarrão mais rápido possível, senão ele era remarcado com um ritmo de discoteca durante todo o dia).

Slania fez também selos, era um recordista. Fez mais de 1000, cheios de mensagens escondidas, brincadeiras e coisas que só alguém com uma lupa e muito tempo sobrando pode descobrir.

Meu baldinho de Lego só tem pixels

Minha massa cerebral já anda recebendo visita dos dois tios gringos, Mr. Parkinson e Mr. Alzheimer. Encontrei essa dica em algum lugar que não anotei e não me lembro onde foi, também não lembro o que eu jantei ontem, se é que jantei, e nem lembro se fui ao banheiro atender o chamado da natureza.

Absolutamente não sou fã dessas Leguices que aparecem de vez em quando, como games do tipo “Lego Star Wars”, ou de instalações plásticas e vinílicas como “Cavaleiros que Dizem Ni de Lego”. Mas perdi duas horas da minha vida que não voltam mais brincando com esse programinha, o Lego Digital Designer. O que de início parece ser algo enfadonho e sem sal no final vira um pequeno vício virtual, já que, além dele funcionar como uma mistura de Lego, programa de 3D e Tetris, tem todas as peças possíveis, inclusive rodinhas e motorzinhos em todas as cores, coisa que um pobre garoto ganhando mesada miserável jamais pensaria em ter (sons de violinos tristes no fundo, relembrando os tempos em que eu não tinha dinheiro pra comprar brinquedinhos de montar, então tinha que brincar com tatuzinhos-bola de jardim). O programinha é gratis, ô coisa boa, disponível tanto pra Mac como pra Windows, democratizando o ócio digital.

Só pra constar, Lego é uma corruptela das palavras dinamarquesas “leg godt”, que traduzindo mais ou menos signfica “brinque bem” .

Lâmina de bandeja pós McDia Feliz

Todo anos depois de um McDia Feliz, o McDonald’s lança uma lâmina de prestação de contas, dizendo o quanto foi arrecadado e pra onde vai cada centavo espremido de um Big Mac. A desse ano é continuação da lâmina anterior, no mesmo estilo de quadrinhos, mais burocrática e menos divertida, mas cumprindo seu papel.

Em memória a Hugo Ronca

Infelizmente hoje não tem post educativo ou divertido. Antes fosse.

Ficamos sabendo tardiamente que Hugo Ronca, 12 anos, filho da ilustradora carioca Sandra Ronca, foi baleado na cabeça no domingo, dia 02/12, enquanto jogava bola em um clube no Leblon. Ainda não se sabe se foi uma bala perdida ou se foi um tiro proposital. Que evento trágico; assim como eu, vários ilustradores também leram a notícia mas não conectaram o nome à colega de profissão, em tal ponto que a violência só choca se ela acontecer com alguém próximo, e não mais reportada em papel jornal. Não existem palavras para expressar essa perda.

Nossos profundos pesares para a família de Sandra e ficamos na esperança de pelo menos a causa seja esclarecida e os responsáveis indiciados e punidos, para um digno descanso para o pequeno Hugo.

Revista Ilustrar 2 saindo do forno

Atenção ilustradores, amantes da ilustração, duros de plantão ou as 3 coisas juntas. O proficiente Ricardo Antunes liberou a segundo número da Revista Ilustrar, revista digital com um recheio generoso como mortadela do mercadão, sobre ilustração e ilustradores DE GRAÇA pra download mas de valor inestimável.

E fiquei conhecendo mais um mogiano com mãos de ouro, o Weberson Santiago, que ainda mora na terra dos cogumelos.

Repetindo para aqueles que não têm o costume de terminar de ler uma sentença (o que escreve de gente perguntando onde comprar é brincadeira): REVISTA ILUSTRAR 2 – GRÁTIS – DOWNLOAD.

Não tema, com Mac não há problema

Ilustração feita para a Revista Mac + de dezembro, deve estar rolando logo, sobre cuidados de segurança com Macintosh, que dificilmente pega virose e fica doente, igual o sujeito de “Corpo Fechado”. Mas um dia essa mamata acaba.

Ainda misturando pseudo-heróis, vírus malvados e computador, dá uma sacada na campanha no Japão para o programa Norton, pois coragem para poucos é não se levar a sério. Trocaram o nerd quarentão pelo Norton Fighter, aspirante a Changeman.

Temos que eleger Norton Fighter para mascote do centenário da imigração japonesa.

Walter Vasconcelos


O Walter Vasconcelos é o segundo do dueto que foi pra Aracaju dar umas palestras. Ele pertence à categoria “ilustrações que não consigo fazer nem com uma arma apontada na cabeça e que ele faz com um pé nas costas fumando um cigarrinho”, categoria essa que o Paulo Cavalcante também faz parte.

Também tão carioca como Alarcão ou a Confeitaria Colombo, Vasconcelos é o tipo de cara que você não relaciona com o trabalho. Sujeito agradabilíssimo, é tímido e low-profile, uma candura que contrasta com seu trabalho, forte e irônico.

Vasconcelos é editor de arte da revista “Ciência Hoje das Crianças” e junto com o Cavalcante produzem uma revista de arte independente chamada “Papel Brasil”. Também faz muitos trabalhos além mar.

O trabalho do Walter Vasconcelos é uma mistura de ilustração, design gráfico e criatividade que sai em jatos. Mas apesar dessa mistura, é muito bem humorado (o detalhe do Laboratório Santeria me dá vontade de criar um estúdio com o mesmo nome). Ele usa muito sapientemente elementos gráficos e tipografia, e cada trabalho seu tem que parar pra ver com calma com uma lupa, porque tem mais detalhes que uma toalhinha de bandeja.

Paulo Cavalcante

Com um atraso atroz, e mais ainda porque só agora consegui umas imagens pra postar aqui (cortesia do próprio homem), é que surgiu a oportunidade de falar sobre Paulo Cavalcante. Conheci esse caricaturista ímpar que tem cara do Bill Murray de quase 2 metros de altura e rabo de cavalo durante as palestras que dei na Universidade Tiradentes, de Aracaju, onde ele e o Walter Vasconcellos, feras no traço e no copo, também subiram no palco pra enfrentar o microfone.

Como sou caipira de São Paulo, não leio “O Globo” e confesso que não conhecia seu trabalho, digo isso com uma vergonha catarrenta dentro do meu ser. Esses olhinhos cansados de tanto trabalhar ficaram impressionados com o estilo das caricaturas desse homem. Fazer caricaturas já é um trabalho que precisa de um “mojo” extra do ilustrador, não é trabalho pra qualquer um, precisa de um dom de observação que poucos agraciados possuem, mesmo que esse tipo de compreensão não chegue para alguns que insistem em caricaturizar clichês de caras e bocas exagerados que ficam amadorrorosas. Existem outros, porém, que ilustram magistralmente a essência do ser em traço, de forma bem linear, como o Baptistão e o Al Hirschfeld. E outros, esses sim peneiradores de essência pessoal, que usam e abusam do exagero ou da distorção, numa linguagem menos reta, mas mesmo assim, numa profusão de linhas e curvas que aparentemente são caóticas você consegue ver quem é o fulano que o caricaturista tá retratando. Gente como Cássio Loredano ou Nássara ou o Paulo Cavalcante.

O estilo dele é impressionante, a maneira que ele chega na essência da pessoa me foge à lógica. Onde muitos fariam apenas o joelho do Oscar Niemeyer ele consegue ilustrar o Niemeyer dentro desse joelho.

Estou postando vários trabalhos porque ele não possui um site e nem procurando no Google você acha muita coisa. Sorte dos cariocas, que tem o privilégio de ter seus trabalhos nas páginas do Globo, tanto como caricaturista como ilustrador das colunas principais do jornal.

Além disso, o que o Cavalcante conhece de história da caricatura e da ilustração brasileira e mundial em revistas faz dele uma biblioteca tatuada ambulante, um prolífico conhecedor das artes do traço e com um toque transgressor do palavrão bem colocado num momento adequado.

Denunciado pela napa

[img:Chaves.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Ilustradores caricaturistas, contemplem uma possibilidade de carreira dentro da polícia, e não é servindo quentinhas pra marginal em condição de mobilidade restrita, politicamente corretamente falando.

A caricatura do retrobolivariano Chaves, do fantabulérrimo Baptistão é só pra ilustrar a notícia que saiu no Boing Boing há alguns dias de que a Universidade de Lancasher Central fez uma pesquisa e descobriu que caricaturas são mais eficientes do que o retrato falado modorrento para testemunhas oculares lembrarem de seus algozes. Um detalhe exagerado, como uma napa proeminente ou uma orelha dúmbica podem contribuir em duas vezes mais para refrescar as memórias de quem lhes foi subtraído algo por terceiros.

Quando Speed Racer encontrou F-Zero

Saiu o trailer do filme do Speed Racer. Como perspicazmente o esperto Daniel comentou no Bistecão do Orlandão, os caras começaram com Speed Racer e terminaram com uma filmagem do psicodélico jogo F-Zero, vice-queridinho do Supernintendo, depois de Street Fighter.

Ao menos não tem inspiração em Mario Kart.

Pato Donald em grego e tendo um orgasmo

Clarence Nash foi o dublador americano do Pato Donald que criou toda a entonação característica dele que parecia bebaço que aspirou gás hélio e foi chorar as pitangas (morreu em 1985 de leucemia). Quando criança, podia passar quantas vezes fosse, toda vez que aparecia o Pato Donald soltando pitis com aquela voz eu mijava de dar risada, mesmo sendo a dublagem brasileira, que é tão boa quanto.

Você quase não entende nada, e isso não importava, a risada vinha assim mesmo. Tinha até um episódio em que o Donald, de saco cheio de ter uma voz de duas taquaras rachadas, tomou umas pílulas pra ficar com voz de galã garboso, também mijante.

Fuçando no Youtube me deparei por acaso com isso: Pato Donald com a entonação que lhe é característica, só que falando em grego! Ou seja, você não entende nada duas vezes ao mesmo tempo!

E tem essa podreira que é mais engraçada ainda, é o Pato Donald sendo acometido por um orgasmo no melhor estilo Ron Jeremy, o ator pornô mais feio e gordo da história. “Don’t move, I’ll go get a towel”.

É pra ver (ou ouvir) usando o penico.

O livro infantil de Saul Bass


Deu no Drawn de ontem, que saiu no blog Grain Edit, que colocou várias páginas de um pequeno tesouro feito por Saul Bass (não sabe quem é Saul Bass?) em 1962. Eu não sabia que ele havia feito um livro infantil, e de repente a simples menção desse tipo de trabalho não muito usual (pelo menos pra moi) em sua carreira pareceu apetitoso como um pastel de feira quente e crocante.

As poucas páginas de Harri’s Walk to Paris que estão postadas lá ainda são uma aula de como usar formas, cores e tipos. 45 anos depois o trabalho do velhinho ainda continua potente e atual. Isso numa época em que vetor era só um conceito de física newtoniana. Que catzo de maçãs, janelas e adobes, o quê. A principal ferramenta do bom velhinho (que na época não era velhinho) era sua cabeça, assim como devia ser a de todo designer e ilustrador.

Corinthians, segunda parte

Hoje me caiu a ficha de que o Gustavo Duarte, futeboleiro como ele é, devia ter ilustrado alguma coisa genial sobre desafortunado destino do Corinthians a partir de domingo. Fui lá no seu blog Mangaba Estúdios, que é uma confeitaria para os olhos e mentes, mesmo para aqueles que não curtem 22 homens suados atrás de uma bola (incluindo este ser, que é totalmente afutebolado), e não é que tinha mesmo algo lá?

Como sempre, GD mandou muuito bem.

A orelha quente de Rob Liefeld

[img:liefeldgirl1.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Há muitos anos, quase 15 anos na verdade, que eu deixei de ser um leitor faminto por quadrinhos de super-heróis. Não foi por despeito nem por impertinência pessoal, afinal ainda tenho guardado O Cavaleiro das Trevas, A Queda de Matt Murdock e Batman Ano 1. Mas a verdade é que o volume de dinheiro gasto era considerável, e a maioria das histórias estavam modorrentas, na minha opinião. Somando a necessidade de usar meus parcos fundos que eram divididos entre comida e leitura, dirigi a verba para Archives e Showcases da vida. De vez em quando folheio na banca, compro esporadicamente, mas é como perder o capítulos de dias ímpares de uma novela. Não sei quem tá morto, quem reviveu, quem perdeu o braço, acompanhar esse universo agora é como ler as mais de 40 páginas sem pontuação de Ulysses, de James Joyce (aquela parte em que o olho grita de agonia porque não tem descanso).
Mas quando sai coisa do Kevin Maguire eu compro, é bom pra dar risada. E do Rob Liefeld eu me lembro.

O leitor Cachorro Magro mandou essa pra mim, vinda do Orkut, aglomeração digital da qual eu não frequento mais.
É um link de um blog chamado Progressive Boink. O cara lista os 40 erros de desenho pecaminosos de Rob Liefeld, o qual ele julga ser o pior desenhista profissional do mundo. Não ele, mas dando uma pesquisada básica no Google, percebe-se que essa opinião tem coro grosso apoiando. O texto é bem apimentado, contundente, fuzilante, só poupando a mulher e os filhos do sujeito. Tão ácido e tão comprido que parece um sentimento que na minha terra tem outro nome.

Ele aponta cano grosso e quente nos defeitos de anatomia de Liefeld, como as mulheres com lordoses de lagartas mede-palmos, bocas com mais de 320 dentes e personagens com dois pés esquerdos e mãos com dois polegares.

Tudo bem que ele desenha mal, mas isso não faria parte do seu estilo, já que ele não muda e empresas pagam pra ele continuar fazendo o que ele sabe fazer de melhor, que na opinião de muita gente, é o seu pior?

Qualquer semelhança é merda coincidência

Quem trabalha com design, publicidade, ilustração, culinária, etc., sabe que esses mundinhos às vezes se parecem com chá da tarde na casa de tias solteironas e peçonhentas, daquelas que escorrem veneno no canto da boca fazendo picuinhas. Mas não há de se culpar os críticos de sofá ou prancheta, a verdade é que o outro lado também fornece munição para farta distribuição de porrada. Afinal, achar pêlo de pato em trabalho dos outros, achar defeito em vestidos para casamento (para as mulheres) e tirar barato da miséria do time alheio ainda são esportes não-olímpicos preferidos da humanidade.
[img:Vale.jpg,full,alinhar_esq_caixa]
Essa aqui eu vi no Uptade or Die. O novo logotipo da Vale do Rio Doce, que candidamente agora só se chama Vale.
O catálogo de Pantone possui 2.000 cores, segundo a versão Goe. Juntando duas cores sem repetir, dá um total de 2 milhões de combinações. Falta de opções ou a segurança morna e tenra da combinação segura como vermelho-e-azul-anil?
Como não sou designer, talvez tenha deixado escapar uma tartaruga enquanto vigiava outra.

Se a cor já é uma incógnita, agora a forma…

Onde eu enfio essa invenção?

Só a título de curiosidade, a minha vontade de colocar uma invenção um pouco mais, digamos, não ortodoxa para a maioria dos leitores familiares na toalhinha de bandeja das invenções era de causar coceira na ponta dos dedos.

Esse é um anúncio (real) de um produto (real), vendido na década de 50. Você compraria um VibraFinger, o massageador de gengivaginas?

Pra que quebrar a cachola inventando coisas divertidas se a realidade é mais bizarra que a fantasia?

Another Hiro que faz monstrinhos de cair o queixo

Fazendo uma pesquisa pelo Google me deparei sem querer com o blog do xará Hiroshi Yoshii. Já nã bastava o sofrimento de ter que trabalhar gripado, ao ver seu trabalho tive vontade de chorar como uma garotinha atropelada. Porque eu tenho um caderno forrado desse tipo de coisa que nunca saiu do rascunho por falta de tempo e falta de conhecimento em modelagem 3D, gerando um tipo de inveja que é uma merda.

Seus monstrinhos são soberbos, são fofos, coloridos, divertidos, e o mais importante, tem um potencial comercial. É o que aconteceria se os Pokémons mudassem de carreira pra se tornarem toy art. A quantidade de seres que Yoshii cria equivale a um formigueiro bizarro. Pelo que entendi, quase tudo ali foi feito com o programa de 3D Z-Brush, programa que o Montalvo dá aulas de maneira cândida na DRC.

A hora em que a ficha cair e perceber que só tenho mais 30 anos de vida é que vou começar a levantar a bunda da cadeira pra fazer essas coisas.

O homem que foi ao passado pra fazer tirinhas

Há alguns anos atrás, em uma mini-palestra, um grupo de jovens imberbes e pré-púberes perguntaram pra mim o que era necessário aprender em desenho para se tornar um cartunista ou quadrinista. Quase levei uma cusparada moral quando disse para eles se preocuparem mais com a história e a idéia do que com o desenho, pois se a história e o enredo forem bons, qualquer desenho segurava a barra, contanto que não fosse amadoresco ao ponto de atrapalhar a narrativa de tanto torcer o nariz. Não deixaram nem eu dar exemplos.

É óbvio que isso não é uma regra, quase sempre a qualidade da ilustração influencia, e muito, a qualidade do quadrinho, e os caras que sabem trabalhar com isso mesclam de forma de fina culinária a interação entre desenho e texto. Mas sem conceito que seja forte, a historia vira pastel sem recheio.

Um dos exemplos que eu queria dar era do Jules Feiffer de quem eu falarei mais pra frente, aumentando a lista de gente que tem que entrar nesse blog e não entra por falta de tempo, e outro era desse cara aqui, David Malki.
David Malki teve uma bela sacada gráfica. Ele deve ter comprado centenas de livros de clip arts de ilustrações do início do século passado e com isso ele monta a série Wondermark – a Illustrative Jocularity. Usando esses desenhos vitorianos de forma repetida, alternando só no enquadramento e com diálogos bem divertidos, misturando cultura pop, videogames e coisas atuais. O resultado é pra lá de interessante, e como ele não é bobo, já fez uma bela grana vendendo livros e vendendo badulaques mil em seu site.

Toda terça e sexta, como numa feira livre, ele coloca tirinhas novas

Proibido para menores, versão capa

Meu scanner deu o último suspiro de vida, feliz por ter me servido fielmente por 3 anos, e conseguiu herculeamente escanear a capa do livro “Proibido Para Menores”, do Paulo Tadeu, que havia esquecido de postar.

Custa em torno de R$14,00 nas boas casas do ramo. Pode levar pro seu filho ou sobrinho que não vai passar vergonha, é mais puro e ingênuo que Teletubbie segurando um filhote de panda.

Laertevisão – Coisas que eu não esqueci

[img:Laertevisao.jpg,full,alinhar_esq_caixa]
Laerte já é uma entidade com seus quadrinhos e tirinhas, de intensidade tão grande como o sumido Luis Gê, (mesmo as sem pé nem cabeça que saem na Folha), mas ele fica incontestavelmente porreta quando ele faz as dominicais da Folha sobre seus dias tenros e verdes. Por isso mesmo, aqueles que têm mais de 40 anos ficam com 15 ao lerem Laertevisão – Coisas que Não Esqueci (Conrad, R$46,00 na média), uma coletânea dessas tirinhas pra se ler com manteiga em cima, de tão gostosa. Como na década de 60 ainda não existia internet e o “Heroes” da TV na época era o Capitão 7 e o Vigilante Rodoviário, praticamente todos os garotos brincavam com as mesmas coisas. Está lá no livro as guerras de mamonas, as viagens na praia dormindo na Kombi do pai e as passadas de domingo na banca pra comprar os gibis da semana (que no meu caso era a revista Recreio, comprada religiosamente toda semana e que vinha com um treco pra recortar e colar muito em cada número).

Pensando um pouco, talvez seja aí a explicação do porquê que todo ilustrador (ou quase todo) na faixa dessa idade tem um comportamento muito parecido.